COP30: 111 países já entregaram relatórios de metas climáticas
Foto Reprodução| O primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, a convenção de clima das Nações Unidas, terminou com a entrega de 111 relatório de metas climáticas, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs na sigla em inglês), informou nesta segunda-feira (10) a diretora executiva da COP30, Ana Toni.
Estabelecidos no Acordo de Paris, os planos nacionais devem ser atualizados pelos 195 países signatários do acordo a cada cinco anos. Entretanto, até fevereiro, data estipulada para a entrega, o percentual era ínfimo.
Antes da abertura da COP30, 79 países haviam entregado suas metas.
“Hoje à tarde nós ficamos sabendo que já temos 111 relatórios de NDCs que foram publicados”, comemorou. “Temos 194 países credenciados para Belém e isso mostra que estamos fortalecendo multilateralismo”, acrescentou Ana durante entrevista coletiva.
A diretora executiva da COP30 também falou sobre as negociações, que resultaram na aprovação da agenda de ações. As negociações resultaram, segundo Ana, em 145 temas prioritários a serem trabalhados até o dia 21, quando termina a conferência.
“A grande notícia hoje é que pudemos adotar a agenda de ações. Eu quero lembrar que nos últimos quatro anos não pudemos abrir a agenda no primeiro dia. Abrir a agenda no dia certo, nesse momento geopolítico, pode parecer pouco, mas é importante lembrar que nas últimas quatro COPs não conseguimos fazer. Se você não abre a agenda em todos os tópicos você não consegue avançar”, afirmou.
Tecnologia
Para a diretora, um dos temas que terá mais dificuldade nas negociações é a tecnologia. O Acordo de Paris prevê a transferência de tecnologia e capacitação para auxiliar os países mais pobres nas ações de mitigação, adaptação e cumprimento das NDCs.
Inicialmente, o tema foi tratado, em junho deste ano, na SB60 (Sessão dos Órgãos Subsidiários), também chamada de Conferência sobre Mudança Climática de Bonn (Bonn Climate Change Conference), que é um encontro anual que ocorre na Alemanha de preparação para a Conferência das Partes.
A conferência reúne representantes de governos, cientistas, ativistas e observadores de todo o mundo para discutir aspectos específicos das ações climáticas e prepara o terreno para as decisões que são tomadas nas COPs
“O tema de tecnologia foi um dos poucos que não teve acordo, quase todos saímos da reunião de Bonn com o acordo. Esse é um dos temas da negociação que para nós é muitíssimo importante: transferência de capacidade e tecnologias para os países em desenvolvimento poderem acelerar os seus planos de adaptação e as suas NDCs”, apontou.
Fonte: Portal Debate e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/11/2025/15:02:45
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Protesto no segundo dia da COP30 deixa seguranças feridos e bloqueia saída na blue zone; veja vídeo
Foto: Reprodução | Incidente ocorreu por volta 19h20, logo depois da entrevista coletiva que apresentou o balanço do dia.
Um protesto realizado no começo da noite desta terça-feira (11), segundo dia da COP30, deixou quatro seguranças feridos e bloqueou a saída de pessoas que estavam credenciadas para a blue zone. A área concentra os espaços de negociação da Conferência do Clima.
O incidente ocorreu por volta das 19h20, logo depois da entrevista coletiva que apresentou o balanço do dia.
Um grupo com dezenas de pessoas tentou invadir a blue zone. Os manifestantes passaram pelas portas do pavilhão e tentaram avançar rumo aos espaços onde estavam os participantes da conferência. Eles foram impedidos e acabaram entrando em confronto com os seguranças da COP.
Um porta-voz da ONU para Mudanças Climáticas informou ao g1 que equipes de segurança brasileiras e da ONU seguiram todos os protocolos estabelecidos e conseguiram conter a situação. As autoridades dos dois órgãos investigam o caso.
“O local está totalmente seguro, e as negociações da conferência continuam normalmente”, afirmou o porta-voz da ONU. “O incidente causou ferimentos leves em dois seguranças e pequenos danos à estrutura do local”.
Como foi a tentativa de invasão
Protesto na COP — Foto Anderson CoelhoReuters
Vídeos do protesto mostram que a tentativa de invasão começou com a aproximação de um grupo que usava trajes indígenas. Eles passaram pelos portões da entrada principal e pela área das máquinas de raio-x. Eles se espalharam pelo saguão, perto da área de credenciamento.
Logo na sequência, outros manifestantes carregando bandeiras de coletivos estudantis e faixas de protesto contra a exploração de petróleo chegaram ao espaço da blue zone e também foram contidos pelos seguranças.
A pedido da ONU, a Polícia Federal vai instaurar inquérito para investigar a invasão. Imagens das câmeras externas e internas da blue zone foram requisitadas e serão analisadas.
Após correria e bloqueio interno, os manifestantes foram retirados do espaço e as pessoas com credenciais puderam deixar o pavilhão. A segurança foi reforçada com o deslocamento de carros da Polícia Militar. Não há informações de detidos.
O secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, afirmou que a organização da conferência estava tomando todas as providências sobre o tema.
“A ONU tem todos os seus protocolos de segurança. (…) Nós fazemos os pactos pacíficos de convivência com os movimentos e eles (segurança da ONU) estão aqui para garantir a segurança”, afirmou.
Após a confusão, autoridades federais e da ONU se reuniram para discutir o incidente. A entrada de trabalhadores noturnos no pavilhão foi adiada.
Marcha Saúde e Clima nega relação
Nesta tarde, o parque onde ocorre a COP foi o destino final da Marcha Global Saúde e Clima. A organização da Marcha informou ao g1 Pará que cerca de 3 mil pessoas participaram da caminhada em um percurso de 1,5 km.
“As organizações que integram a Marcha Global Saúde e Clima vêm a público esclarecer que não têm qualquer relação com o episódio ocorrido na entrada da Zona Azul da COP30 após o encerramento da marcha”, informaram os organizadores do evento.
A Marcha saiu da Avenida Duque de Caxias até a sede da COP30. A manifestação envolveu médicos, enfermeiros, estudantes, lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais pedindo políticas de saúde pública.
Homem ferido na testa na COP30. — Foto Lizandra Rodrigues
Veja vídeo:
Fonte: BBC e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/11/2025/07:26:13
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O ‘roubo’ transatlântico que mudou a história de Belém e da Amazônia
Hoje, ainda há uma seringueira plantada no Kew Gardens, em Londres | Foto: João da Mata / BBC
O ano era 1876 e o local era o porto de Belém do Pará. O inglês Henry Wickham, a bordo do transatlântico SS Amazonas, estava nervoso. Um atraso poderia arruinar a carga valiosa e perecível que ele carregava no porão: 70 mil sementes da Hevea brasiliensis, a seringueira.
Às autoridades portuárias paraenses, ele declarou que dentro das caixas havia “amostras botânicas extremamente delicadas” destinadas ao Jardim Botânico Real de Kew Gardens, de propriedade de “Sua Majestade Britânica”, a rainha Vitória, em Londres.
“Na minha mente, eu tinha toda a certeza de que se as autoridades descobrissem o objetivo do que eu tinha a bordo, seríamos detidos sob a alegação de que necessitavam de instruções do governo central do Rio, se é que não seríamos interditados”, escreveu Wickham nas suas memórias.
Liberado para cruzar o Atlântico, numa viagem “calma e azul”, o inglês deixava para trás uma cidade em obras que estava se transformando em uma das mais modernas e pujantes das Américas, mas não por muito tempo.
Como a elite de Belém iria descobrir algumas décadas mais tarde, o objetivo encoberto pelo inglês era puramente econômico: estabelecer uma indústria de cultivo de seringueiras, então exclusivas da Amazônia, do outro lado do mundo, nas colônias britânicas na Ásia.
E ele foi cumprido
Wickham ao lado de uma seringueira plantada a partir de semente levada por ele da Amazônia Foto Getty Images
Naqueles anos, a industrialização nos países da Europa e nos EUA crescia a um ritmo rápido, e a demanda pela poderosa borracha encontrada no Brasil, que passou a ser usada em pneus e máquinas, explodia.
“Na década de 1860, você chega a uma situação em que o preço da borracha que chega aos portos de Londres é maior do que o da prata”, conta à BBC News Brasil Caroline Cornish, coordenadora de pesquisa em humanidades do Kew Gardens, em Londres, instituição da realeza que contratou os serviços de Wickham.
“As potências imperiais perceberam que, se quisessem expandir suas indústrias a um preço acessível, teriam que assumir o controle de seu próprio suprimento de borracha. Então foi isso que motivou todo o projeto de tirar sementes do Brasil e replantá-las, no nosso caso, em territórios britânicos no Sudeste Asiático.”
No Jardim Botânico de Londres, apenas 2,6 mil das sementes levadas por Wickham germinaram, e foi o suficiente para serem transplantadas a países como Singapura, Malásia e Sri Lanka, onde se adaptaram com sucesso.
As vantagens dos seringais asiáticos criados pelos ingleses em relação aos brasileiros eram enormes. No Brasil, muitos seringais eram acessíveis somente por via fluvial, com meses de viagem entre o local de extração do látex e o destino final.
As seringueiras também estavam espalhadas pela floresta, não concentradas em um só lugar.
Na década de 1910, diante da nova concorrência concretizada, a economia amazônica, que vinha se baseando quase exclusivamente na exploração da borracha, ruiu.
“Essa economia se revela, na verdade, desde muito cedo, uma economia muito frágil, muito dependente de uma única commoditie e dos preços do mercado internacional”, explica Nelson Sanjad, especialista no ciclo da borracha no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.
Belém era o porto por onde saía a borracha da Amazônia em direção à Europa Foto Vitor SerranoBBC
A travessia de Wickham da Amazônia à Europa naquele ano, portanto, marcou o início do fim do que foi chamado de “ciclo da borracha”, o auge da economia da região entre o fim do século 19 e início do século 20.
Era também o início de uma decadência de cidades como Manaus e Belém, transformadas durantes décadas em centros de riqueza, de arquitetura europeia e pioneiras em reformas urbanas, como a implantação de sistemas de iluminação elétrica.
Para os milhares de brasileiros que haviam se mudado para as periferias amazônicas, atraídos pela fascinação quase mítica da borracha, restou a floresta que o mundo pela primeira vez dava as costas.
Agora, sede da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, a COP30, Belém traz os olhos do mundo de volta para a floresta. Dessa vez, para enxergar nela não o que se pode extrair, mas o que se pode preservar.
A BBC News Brasil mergulhou nessa história (veja também em vídeo) e ouviu dos especialistas os aprendizados – sobre biodiversidade, desenvolvimento e desigualdade – que os altos e baixos do ciclo da borracha podem trazer para vida atual de Belém e da floresta.
Wickham, ladrão?
A colheita das sementes de seringueiras na região do rio Tapajós, no oeste do Pará, e a passagem por Belém são descritas pelo próprio Wickham como uma “farsa” montada e um “contrabando”, como relata o escritor Joe Jackson no livro O ladrão do fim do mundo (Editora Objetiva).
Mas, para o pesquisador Nelson Sanjad, do Museu Paraense Emílio Goeldi, parte dessa narrativa foi usada pelo próprio Wickham para dar contorno de heroísmo à sua história.
Pelos serviços prestados à coroa britânica, ele chega a receber o título de cavalheiro da Ordem do Império Britânico, tornando-se “Sir”, em 1920.
Mas o que de Wickham de fato fez, segundo Sanjad, foi completar um processo que muitos exploradores europeus tentavam concluir naquele momento: levar as seringueiras para fora do Brasil.
Henry Wickham foi visto como herói no Reino Unido Foto AFP via Getty Images
“Ele é a pessoa que teve talvez as condições apropriadas, no momento certo, para fazer essas coletas, o trabalho de reprodução no jardim botânico e a organização da produção em larga escala no mundo colonial europeu”, diz o pesquisador.
Além do inglês, os franceses e holandeses tentaram realizar o mesmo processo com plantações no Vietnã e na Indonésia, respectivamente, mas sem o sucesso britânico.
“Agora é um fato que ele se torna o ícone, o símbolo da falência dessa economia da Amazônia”, completa Sanjad.
Contatado pelo Kew Gardens, Wickham já vivia na Amazônia, na região de Santarém (PA), com vínculos com os chamados federados, americanos fugidos da guerra civil no Sul dos Estados Unidos.
“Ele certamente conhecia bem a terra, as pessoas e consegue reunir as 70 mil sementes em questão de poucos dias”, relata a pesquisadora Caroline Cornish, do Kew Gardens.
Apesar de a coleta das sementes e a transferência para Londres ser descrita como “roubo” e um dos primeiros casos de “biopirataria”, os termos também são alvo de debate.
“Se você está apenas olhando para a estrutura legal na época, não havia uma lei sobre a exportação de sementes de borracha do Brasil. Então, não era tecnicamente ilegal, mas obviamente também não era completamente ético”, diz Cornish, em Londres.
Em Belém, Nelson Sanjad reforça que não havia uma legislação que apontasse uma ilegalidade da ação naquela época e que, portanto, não deve ter sido difícil para Wickham sair do Brasil com o navio cheio.
“Eu creio que considerar isso biopirataria ou tráfico seja um anacronismo”, avalia. Isso é, avaliar um fato do passado com as lentes de hoje.
“Nós temos notícias de naturalistas que entram na Amazônia e levam milhares de plantas, animais e artefatos indígenas. Essa é uma prática comum no século 19, uma prática colonial de apropriação.”
A seringueira é nativa da floresta Amazônia Foto Vitor SerranoBBC
“Acho que o mais importante de tudo isso não é julgar e condenar, mas tentar entender essas formas de controle, de produção, de colonialismo, que estão em jogo nesse momento, no século 21, para que isso não se perpetue”, conclui Sanjad.
Representando o Kew Gardens, Caroline Cornish diz que o jardim botânico de Londres “reconhece que o colonialismo foi um processo extrativista, que foi um dos muitos atores envolvidos nesse movimento e em todas as consequências ambientais, humanas e econômicas”.
Das bolas indígenas aos pneus Michelin
Seja para impermeabilizar objetos ou para a fabricação de bolas usadas em brincadeiras, os povos indígenas da Amazônia já usavam o látex séculos antes dos primeiros contatos com os europeus.
Em 1730, acontece um marco importante do conhecimento do látex no outro lado do mundo, com a viagem do explorador francês Charlie Marie de La Condamine.
Em expedição pelo rio Amazonas, ele convive com indígenas Omágua e começa a escrever sobre a borracha utilizada por aquele povo. Os relatos logo se espalham pela Europa.
Bola de látex feita por indígenas da Amazônia e as sementes de seringueira | Foto: Getty Images
No Brasil, os portugueses começam a aplicá-la na impermeabilização de calçados, com evidências documentais mostrando existência de fábricas de botas e sapatos em Belém que exportavam para Europa desde o final do século 18.
Mas havia um problema: a borracha, até então, era um material inconsistente, sem estabilidade. No excesso do calor, ela ficava pegajosa; no excesso de frio, quebradiça.
Isso muda em 1839, quando o inventor americano Charles Goodyear cria um processo chamado vulcanização,
Ele consistia em misturar a borracha com enxofre e aquecê-la, para que ela ficasse mais resistente, durável e elástica.
A partir daí, várias novas tecnologias, produtos e aplicações começaram a surgir, como o pneu de automóvel, inventado pelos irmãos Michelin em 1845
“A borracha é a matéria-prima que propicia uma segunda revolução industrial. A partir dela, vários instrumentos e objetos que eram fabricados antes com couro, começam a ser fabricados com a borracha, tendo uma aplicação praticamente infinita”, explica Nelson Sanjad.
O comércio da borracha passa a escalar mundialmente, impulsionada pela popularização da bicicleta e a chegada dos automóveis
Estava formado o chamado boom da economia da borracha amazônica
Na segunda metade do século 19, a Amazônia dominava pelo menos 90% do mercado mundial da borracha. O restante vinha de outras árvores, menos produtivas que a seringueira brasileira.
Também nessa época, o governo brasileiro abre o rio Amazonas ao comércio internacional, permitindo a entrada de navegadores europeus.
“Eram muitos agentes coloniais oriundos de instituições científicas e empresas de exportadores em busca desse ouro negro, como era chamado a borracha nessa época”, conta Sanjad.
Rapidamente Belém foi do boom à decadência com a queda da borracha brasileira | Foto: Vitor SerranoBBC
Enquanto eles não conseguiam fazer isso, as cidades da Amazônia se desenvolviam em torno da (frágil) economia da borracha. Primeiramente Belém, principal porto para saída ao Atlântico; e, depois, Manaus.
De ‘Paris N’Ámerica’ a Belém das baixadas
Sede do porto de onde, num primeiro momento, saía toda a borracha em direção à Europa, Belém foi rapidamente se transformando de pequena capital restrita a uma atividade portuária a um centro urbano que replicava o que era considerado moderno naquela época. Ou seja: a Europa.
“Os governantes da época queriam mostrar que Belém era uma das capitais do mundo em termos de importância, de beleza e de riqueza”, conta Rebeca Ribeiro, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Pará.
“Então, se queria que Belém fosse parecida com Paris e Londres.”
O maior símbolo dessa época na cidade é Theatro da Paz, na Praça da República. Inaugurado em 1878, ele foi inspirado no Teatro alla Scala, de Milão, na Itália.
Theatro da Paz é considerado o maior símbolo do ciclo da borracha em Belém Foto Vitor SerranoBBC
Além dos edifícios, também há a transformação de toda infraestrutura da cidade, como rede de esgoto, sistema de iluminação elétrica, transporte ferroviário e usinas para cremação de lixo. Novas avenidas largas, arborizadas e planejadas são construídas como boulervards parisienses.
O responsável para dar impulso às maiores reformas urbanas de Belém foi o intendente Antonio Lemos (o equivalente a prefeito naquela época), que chega ao poder em 1897.
“Nesse momento, ele vai desenvolver um novo código de posturas para a cidade”, explica a professora Celma Vidal, coordenadora do Laboratório de Historiografia da Arquitetura e Cultura Arquitetônica da Universidade Federal do Pará (UFPA).
“Ele começa a dizer como as pessoas deveriam morar, como deveriam ser as casas, as diretrizes de como as pessoas deveriam agir no espaço público e até nos espaços privados, nas suas casas.”
Belém chegou a ser apelidada de Paris N’Ámerica e Manaus, que enriqueceria alguns anos mais tarde, a Paris dos Trópicos.
A capital paraense também se torna o primeiro centro financeiro da região, com instalação de bancos europeus que vão financiar as reformas urbanas e a própria economia da borracha.
Belém ganhou avenidas inspiradas nos boulevards franceses Foto ArquivoIBGE
Com tanto dinheiro circulando, o Norte se torna pela primeira vez o destino de uma imigração massiva dentro do Brasil.
Entre 1870 e 1900, 300 mil nordestinos teriam migrado para toda a Amazônia, segundo pesquisas, fugindo das secas.
Entre os Censos de 1890 e 1920, a população de Belém saltou de 50 mil para 236 mil habitantes, um crescimento de 370%, menor apenas que o de São Paulo, que vivia o auge da exploração de outra riqueza: o café.
Mas enquanto os donos de seringais e as empresas europeias que forneciam infraestrutura enriqueciam, boa parte dos migrantes acabava ficando sem trabalho – e sem dinheiro.
“O lucro fica nas mãos de poucas famílias que detêm as terras. Mas a riqueza mesmo produzida pela exportação do látex não fica na região amazônica. Ela é drenada pelas casas exportadoras e pelas instituições bancárias que forneciam crédito a preço muito caro”, conta pesquisador Nelson Sanjad.
Os milhares de migrantes que chegavam e não iam trabalhar diretamente nos seringais começaram, então, a povoar as margens de Belém.
“São os arrabaldes da cidade, as áreas mais baixas, que a gente chama desde então de baixadas. Havia muita pobreza nesse momento”, explica a professora Celma Vidal, da UFPA.
“A desigualdade existia em várias cidades brasileiras nesse momento, mas talvez em Belém isso apareça de uma forma mais clara, em função de uma riqueza muito intensa dessa elite da borracha. Então, talvez esse contraste ele seja mais evidente.”
Quando o dinheiro da borracha para de jorrar com o sucesso dos seringais asiáticos criados pela Inglaterra, a elite paraense entra em decadência e a infraestrutura urbana começa também a se deteriorar.
“Mas a periferia não vai vivenciar essa decadência, porque ela realmente não tinha esses serviços a seu dispor. Então, essa decadência é válida para um determinado lado da cidade, mas não para toda população”, diz Vidal.
A partir do fim dos anos 1930, um novo ciclo passageiro da borracha ainda deu esperança para a elite seringalista e seringueiros na Amazônia.
Com a Segunda Guerra Mundial, o Japão bloqueou o acesso dos países aliados, como Reino Unido e EUA, ao látex asiático. E isso colocou o Brasil na rota do comércio mundial de novo.
Foi nessa época que foram convocados para Amazônia os chamados “soldados da borracha”.
Entre 1943 e 1945, cerca de 55 mil pessoas, a maioria mais uma vez vinda do Nordeste, chegou à região com o objetivo de extrair borracha para a indústria dos Estados Unidos.
Mas, depois do fim da guerra e a abertura do mercado asiático, os Estados Unidos suspenderam os investimentos, e a Amazônia voltou a sofrer com a decadência econômica.
Desde então, a extração de borracha nunca mais teve a mesma importância econômica, embora a atividade tenha permanecido em escala local na Amazônia, em Estados como o Acre.
No segundo ciclo da borracha, porém, mais uma vez as periferias da Amazônia continuaram crescendo, sem o acompanhamento de serviços públicos.
“Sempre as áreas periféricas ficam à mercê. É assim há décadas, décadas e décadas. Isso foi se tornando uma coisa estrutural”, diz Celma Vidal, da UFPA.
“E as políticas que foram sendo desenvolvidas ao longo do tempo por vários governos não atacaram isso de uma forma como deveria ser feito.”
Moradores do Barreiro seguem na expectativa de obras no canal que corta o bairro Foto Vitor SerranoBBC
Belém, segundo o IBGE, é hoje a capital com mais pessoas vivendo em favelas (na cidade, as baixadas) no Brasil: cerca de 57%. Em segundo lugar, está outra capital da borracha, Manaus, com cerca de 56%.
Agora, com a COP30, Belém tem vivido um momento de transformação urbana que não via há décadas. Investimentos bilionários abriram novas avenidas, reformaram prédios públicos e criaram novos espaços de lazer.
O prefeito Igor Normando (MDB) chegou a dizer num evento em outubro que a cidade vive um novo “ciclo da borracha”.
“Belém não acompanhou o desenvolvimento e continuou com política extrativista. E isso fez com que declínio do ciclo da borracha fosse algo sem precedentes para nossa cidade”, disse.
“Hoje estamos vivendo um segundo momento, que é momento da COP, momento em que estamos vivendo quase segundo ciclo da borracha. Para que isso possa ocorrer, precisamos estar atentos ao pós-COP”, declarou o prefeito.
As obras têm dado autoestima para a cidade, que prontamente começou a ocupar os novos espaços urbanos. Mas, para muitos que moram na periferia, a sensação é de que mais uma vez podem estar ficando de lado.
“Quando surgiu essa COP 30, nós ficamos muito apreensivos de transformar a vida da periferia, transformar o povo da periferia”, diz o cantor Charles Augusto Evangelista, líder comunitário do bairro Barreiro, vizinho ao Parque da Cidade, um centro de eventos construído para receber o evento mundial.
No meio do bairro, passa um canal, o de São Joaquim, com mais de dois quilômetros de extensão. A prefeitura de Belém prometeu uma nova urbanização para a área, hoje marcada por lixo e ocupação irregular das margens.
Para a COP, estão sendo contemplados apenas 720 metros do canal, e 40% da obra está concluída, segundo a prefeitura.
A urbanização das margens de canais em regiões nobres ou centrais, como o da Nova Doca e da Almirante Tamandaré, foram totalmente concluídos.
A prefeitura não informou se tem planos pós-COP para o canal de São Joaquim.
Mesmo que as obras não estejam acontecendo em seu bairro do Barreiro, Charles Augusto diz perceber que Belém está “um canteiro de obras”, com melhorias no espaço urbano que podem alcançar todos.
“Mas essas obras não impactam diretamente o dia a dia das pessoas da periferia. Eu acho que temos um grande caminho ainda pela frente, e eu não sei o que vai acontecer depois da COP”, diz.
“São mazelas políticas de anos, de prefeitos, governadores, vereadores, deputados que não se preocuparam com o futuro. Esse futuro de hoje foi ocasionado no passado.”
Obras da COP30, como a da Nova Doca, têm sido vistas como um novo momento de transformação urbana de Belém Foto Vitor SerranoBBC
Fonte: BBC e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/11/2025/07:26:13
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COP30: Belém decreta feriado municipal dias 6 e 7 de novembro
COP 30, em Belém: Construção do Parque Linear da avenida Almirante Tamandaré. — Foto: Raphael Luz / Agência Pará
Medidas buscam reduzir o impacto do trânsito e facilitar a mobilidade durante a conferência internacional.
Dias 6 e 7 de novembro serão feriado municipal em Belém, segundo a Lei nº 10.212/2025, sancionada pela Prefeitura. A medida tem o objetivo de reduzir o trânsito e facilitar a logística durante os dias de maior movimentação da COP 30 e da Cúpula da Amazônia, que vão reunir chefes de Estado, autoridades e representantes internacionais na capital paraense.
Além dos feriados, a Prefeitura determinou teletrabalho para servidores públicos entre os dias 5 e 21 de novembro, período em que ocorre o evento. No mesmo intervalo, será concedida também a segunda parte das férias escolares da rede municipal de ensino.
Os feriados e o teletrabalho não se aplicam a serviços considerados essenciais, como saúde, segurança e arrecadação. O decreto estabelece ainda que os órgãos públicos mantenham ao menos 10% do atendimento presencial à população.
O que vai funcionar normalmente
Os setores ligados à hospitalidade, cultura e turismo devem seguir com atividades normais, incluindo:
Bares e restaurantes
Hotéis, pousadas e hospedarias
Shopping centers
Teatros, cinemas, bibliotecas e pontos turísticos
Empresas de comunicação e radiodifusão
Farmácias
Padarias e supermercados
Empresas em regime de trabalho remoto
A expectativa é de que as medidas contribuam para diminuir os impactos no trânsito e na rotina dos moradores durante os dias mais movimentados da conferência.
Fonte: e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 18/10/2025/07:25:43
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Flotilha inicia viagem do Equador ao Brasil para denunciar exploração florestal
Uma flotilha com representantes de povos indígenas de diferentes partes do mundo partiu nesta quinta-feira (16) de El Coca, no Equador, com destino a Belém do Pará, no Brasil. O grupo navegará pelo rio Amazonas para exigir o fim das atividades extrativistas que ameaçam o bioma, como a mineração ilegal, a extração de petróleo e o desmatamento.
Batizada de Yuka Mama, que significa “Mãe Água” na língua quíchua, a expedição reúne cerca de 50 pessoas que percorrerão mais de 3 mil quilômetros até a cidade-sede da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, marcada para novembro. O trajeto inclui paradas em comunidades da Colômbia, Peru e Brasil, com intercâmbios culturais e encontros com povos indígenas locais para debater a preservação dos territórios amazônicos.
De acordo com os organizadores, a viagem simboliza um funeral da era dos combustíveis fósseis, que teria devastado a Amazônia ao longo das últimas décadas. A ação também denuncia o que chamam de falsas soluções da transição energética global, que, segundo os participantes, continuam a impor projetos extrativistas sobre terras indígenas.
Os líderes da flotilha defendem uma transição energética justa e vinculante e cobram o cumprimento de acordos climáticos internacionais já assinados. Eles destacam que os povos indígenas são responsáveis pela gestão de cerca de um quarto da superfície terrestre, preservando 37% das áreas naturais intactas do planeta e um terço das florestas globais.
O que mostramos é que não somos apenas defensores dos nossos territórios. Somos guardiões de um equilíbrio planetário que protege toda a humanidade, afirmaram os representantes indígenas em comunicado.
A iniciativa também chama atenção para a crescente violência contra defensores ambientais na região. Segundo o relatório mais recente da organização Global Witness, publicado em 2024, mais de 2.200 ambientalistas foram assassinados ou desapareceram entre 2012 e 2024, e 40% das vítimas eram indígenas.
Fonte: Notícias ao Minuto e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 17/10/2025/12:36:14
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PRF e Exército realizam simulado de escolta de chefes de Estado para a COP30
Foto:Reprodução | A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Comando Operacional Conjunto Marajoara do Exército Brasileiro, realizam neste sábado (18) um Exercício Simulado de Escolta de Chefes de Estado, parte dos preparativos de segurança para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém.
A operação reúne cerca de 100 policiais rodoviários federais, 25 militares do Exército, além de agentes do Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA) e da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel). O objetivo é treinar as equipes de batedores e escolta, reproduzindo em ambiente real os deslocamentos protocolares de autoridades internacionais durante o evento.
A concentração das equipes ocorre na Praça da República, de onde partem dois comboios simulados em rotas diferentes: a primeira, com saída do Hotel Princesa Louçã em direção ao Parque da Cidade; e a segunda, partindo do Hotel Grand Mercure também rumo ao local que sediará a COP30.
Simultaneamente, outra equipe atua no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), monitorando em tempo real o trânsito e o deslocamento dos comboios por câmeras e sistemas integrados de comunicação.
Simulação e Preparativos para a COP30
Segundo a PRF, o exercício busca adestrar as equipes em Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTPs) de segurança e resposta rápida, além de simular situações de emergência que podem ocorrer durante o evento, como bloqueios, desvios e interferências no trajeto. O treinamento também permite avaliar os impactos temporários no trânsito da
Região Metropolitana de Belém.
A COP30 reunirá, em novembro, chefes de Estado e delegações de mais de 190 países, tornando Belém palco de uma das maiores operações de segurança já realizadas na Amazônia.
Informações sobre o Exercício Simulado
Serviço:
Exercício Simulado de Escolta de Chefes de Estado
Data: Sábado (18)
Hora: 14h (concentração)
Local: Praça da República, Belém (PA)
Fonte:diariodopara. e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 17/10/2025/10:53:54
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Costureiras do Pará assinam teto da Blue Zone, palco principal da COP 30 para as discussões climáticas
Paraenses costuram mais de 100 mil metros de tecidos que estão transformando o teto da Blue Zone. — Foto: Divulgação / DMDL
Profissionais transformam extensas faixas de tecidos em revestimentos que irão compor o teto de 64 estruturas modulares, que são os chamados overlays.
Costureiras paraenses estão construindo o teto da Blue Zone da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) em Belém. Elas levam a força de trabalho para um dos palcos mais importantes da conferência climática global, que terá 100 mil metros de tecidos.
“Fico orgulhosa de ver uma parte do meu trabalho retratada e grata pelo reconhecimento à nossa dedicação em construir cada pedaço desse ambiente tão relevante para a conferência”, disse Márcia Balieiro Farias, de 52 anos, costureira.
Distribuídas e operando em máquinas de costura, as profissionais transformam extensas faixas de elastano em grandes revestimentos que irão compor o teto de 64 estruturas modulares, que são os chamados overlays, da Blue Zone. Após o evento, o material deve ser reutilizado, segundo a empresa responsável.
Costureira há mais de cinco anos, Patrícia Trindade, também compartilha dos mesmos sentimentos de Márcia. Para ela, cada ponto de costura fortalece o elo entre a manualidade e a inovação, entre o Pará e o mundo. E é por meio do trabalho artesanal, feito com técnica e paciência, que a identidade amazônica será reforçada no maior encontro climático do planeta.
“O sentimento é de gratidão. Nunca participei de algo tão grande e o futuro do nosso meio ambiente precisa desse espaço para decisões. Fico feliz por ele ser realizado no Pará e de estar vendo a minha participação, o meu trabalho, sendo exposto e valorizado. Costurar é mais que um trabalho e amo o que faço”, declarou.
Segundo a empresa responsável pela construção, o espaço central da COP30 está em fase avançada de montagem, no Parque da Cidade, em Belém.
Acostumadas ao cotidiano das confecções na capital paraense, as profissionais vêem agora o ofício ganhar escala global dentro de uma estrutura de 125 mil m², onde chefes de Estado, diplomatas e cientistas irão debater metas de sustentabilidade.
No caso da Blue Zone, a obra já criou mais de 300 postos de trabalho e a expectativa é chegar a cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos até a conclusão.
Administrada pela ONU, a Blue Zone faz parte do centro diplomático da COP30, e simboliza o papel de Belém como protagonista nas discussões climáticas.
A estrutura que está sendo montada para as discussões que vão reunir mais de 30 mil pessoas, de 10 a 21 de novembro, reforça o compromisso brasileiro com a sustentabilidade e a inovação, e o fortalecimento da força produtiva do país.
Fonte: G1 Pará — Belém e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 22/09/2025/14:49:04
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ONU confirma presença de 140 países na COP30 em Belém
ONU confirma a presença de delegações de 140 países para a COP30, em Belém. | Raphael Luz/Agência Pará
Helder Barbalho, Governador do Pará, anunciou a confirmação pelas redes sociais na tarde desta sexta-feira (12).
Amenos de dois meses do início da COP30, a Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou oficialmente a participação de delegações de 140 países no evento climático, que será realizado em Belém. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (12) pelo governador Helder Barbalho, por meio das redes sociais.
“A ONU acaba de confirmar a presença de delegações de 140 países para a COP30, em Belém. Outras confirmações estão a caminho. A capital da Amazônia está de portas abertas para o mundo, superando toda forma de preconceito contra o Norte do Brasil. Viva a COP da Floresta!”, escreveu o governador.
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas será realizada em novembro e deve reunir cerca de 50 mil pessoas na capital paraense, entre chefes de Estado, lideranças indígenas, cientistas, ambientalistas e representantes da sociedade civil.
O prefeito de Belém, Igor Normando, também celebrou a confirmação das delegações feita pela ONU. “Isso mostra a força da floresta, a força da capital da Amazônia e a certeza de que vamos fazer um evento extraordinário, Nós vamos fazer com que essa seja a COP das COPs, e que o Brasil e o mundo possam conhecer a Amazônia e o povo da Amazônia”, afirmou através das redes sociais.
Infraestrutura e hospedagem foram desafios iniciais
Desde que Belém foi anunciada como sede da conferência, um dos principais pontos de preocupação era a capacidade da capital paraense de receber um evento de tamanha magnitude. Questões relacionadas à infraestrutura urbana e aos altos preços de hospedagem chegaram a gerar críticas e incertezas.
Contudo, segundo os organizadores da COP30, a cidade já conta com mais de 53 mil leitos disponíveis. Em julho, o governo lançou uma plataforma com 2,7 mil quartos coletivos e 2,5 mil quartos individuais voltados especialmente para os 196 países participantes, com prioridade para os Países Menos Desenvolvidos e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, também já havia rebatido os questionamentos sobre a capacidade da cidade de sediar o encontro internacional. “Belém é uma cidade incrível e é o lugar certo para fazer a COP30. Eu sempre manifestei isso. Então, o governo está atuando muito, de maneira muito firme, para que todos os países possam participar da COP. O presidente Lula quer que seja uma COP super inclusiva, que é o perfil do Brasil. Mas nós temos que encontrar uma maneira para que eles venham”, afirmou Corrêa do Lago, em entrevista concedida em agosto.
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Com a confirmação da ONU, Belém consolida a posição como epicentro das discussões globais sobre o clima. Esta será a primeira vez que a Conferência do Clima será realizada na região amazônica, dando ainda mais visibilidade aos debates sobre preservação ambiental, justiça climática e o papel das florestas tropicais no combate às mudanças climáticas.
Fonte: DOL/Jornal Folha do Progresso e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 13/09/2025/06:39:38
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Exército conclui certificação da 23ª Brigada de Infantaria de Selva em simulação para a COP30
Foto:Divulgação| CMN | Durante oito dias, os militares participaram da chamada Simulação Viva, última fase do processo de certificação da tropa.
O Comando Militar do Norte (CMN) concluiu, na última sexta-feira, 29, a etapa final de certificação da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, considerada a mais poderosa Força de Prontidão da Amazônia.
O treinamento, realizado entre os dias 22 e 29, envolveu mais de 1.400 militares em manobras nos municípios de Marabá, Novo Repartimento, Tucuruí e Breu Branco, e teve como foco a preparação das tropas para a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), que será realizada em Belém, em 2025.
O general Enio, comandante da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, destacou que a certificação atesta a capacidade de emprego imediato da tropa em diferentes cenários. (Divulgação | CMN)
Treinamento avançado e simulações de combate
Durante oito dias, os militares participaram da chamada Simulação Viva, última fase do processo de certificação da tropa.
Foram empregados 125 viaturas, incluindo blindados Guarani, três aeronaves, radares antiaéreos, drones e armamentos de alta tecnologia.
O exercício simulou situações de combate real, com a missão de reconquistar áreas estratégicas ocupadas por forças inimigas simuladas, como a Hidrelétrica de Tucuruí e pontos de controle no Rio Tocantins.
Para aumentar o realismo, foi utilizado o sistema de Dispositivos de Simulação de Engajamento Tático (DSET), com sensores a laser acoplados a capacetes e armamentos, permitindo avaliar com precisão a performance das tropas e a eficácia das táticas empregadas.
Preparação para a COP30
O general Enio, comandante da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, destacou que a certificação atesta a capacidade de emprego imediato da tropa em diferentes cenários. “Ao término da certificação, ela vai atestar que a tropa e seus meios estarão no mais alto nível de operacionalidade, no estado de prontidão, para serem empregados em qualquer contexto, seja de defesa externa ou de Garantia da Lei e da Ordem, situação em que estaremos empregados na COP30”, afirmou.
Já o comandante militar do Norte, general Vendramin, reforçou a ligação direta do treinamento com a conferência climática. “Apesar de ser treinamento para defesa externa, muitos dos movimentos vão ser aplicados na área urbana de Belém. Treinamos controles de pontos urbanos importantes, deslocamentos por embarcações e helicópteros, além do emprego de radares e meios tecnológicos que também serão usados na COP30”, declarou.
As atividades chamaram a atenção de moradores das áreas onde ocorreram as simulações. (Divulgação | CMN)
População acompanha manobras
As atividades chamaram a atenção de moradores das áreas onde ocorreram as simulações. Em Breu Branco, a dona de casa Andreza Pantoja, de 33 anos, armou uma rede em frente à sua casa para assistir ao exercício com a família. “É um momento muito especial pra gente aqui na vila vendo o treinamento do Exército. Eu nunca tinha visto. Estou feliz. Não são todos que têm esse privilégio”, disse.
Ciclo contínuo de adestramento
A certificação da 23ª Brigada ocorre a cada dois anos, em três etapas: simulação construtiva, voltada ao planejamento e análise; simulação virtual, focada nos níveis táticos; e, por fim, a simulação viva, que leva a tropa ao terreno. Todo o processo é supervisionado pelo Comando de Operações Terrestres e garante que a brigada mantenha seu nível máximo de preparo operacional e logístico para a defesa da Amazônia Oriental e o apoio a operações estratégicas do Exército.
Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 02/09/2025/07:00:23
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Governo abre inscrições para proposição de painéis nos Pavilhões Brasil da COP30; veja como participar
Governo abre inscrições para proposição de painéis nos Pavilhões Brasil da COP30 — Foto: Agência Brasil
Inscrições começam em 11 de agosto e vão até 30 do mesmo mês; edital define eixos temáticos e critérios para seleção de propostas nos Pavilhões Brasil da COP30.
O governo federal abre, nesta segunda-feira (11), as inscrições para que organizações, movimentos sociais, empresas, instituições de ensino e demais entidades proponham painéis para os Pavilhões Brasil na 30ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA). As propostas podem ser enviadas até as 23h59 de 30 de agosto, por meio de formulário online.
A programação incluirá dois espaços coordenados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e outros órgãos federais:
➡Pavilhão Zona Azul: focado em experiências nacionais e internacionais relacionadas à implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil no Acordo de Paris, em um contexto de cooperação global.
➡ Pavilhão Zona Verde: voltado a debates sobre temas domésticos, especialmente a implementação do Plano Clima, que orienta as ações brasileiras contra a mudança do clima até 2035.
Os painéis devem se enquadrar em pelo menos um dos cinco eixos temáticos definidos:
Mitigação de emissões de gases de efeito estufa (GEE);
Adaptação aos efeitos adversos da emergência climática;
Financiamento climático;
Governança climática participativa e multinível;
Justiça climática.
Critérios de seleção
O Comitê Técnico — formado pelo MMA, Itamaraty, Presidência da COP30 e outros órgãos — avaliará as propostas considerando:
Pertinência temática ao pavilhão escolhido;
Ação climática concreta, de preferência em fase de implementação;
Pluralidade da mesa, com representantes de diferentes segmentos (governo federal, governos locais, setor privado e sociedade civil);
Participação internacional, com convidados de outros países.
Cada instituição poderá enviar no máximo uma proposta por pavilhão. Os eventos terão duração máxima de 50 minutos, das 10h às 18h, com transmissão online e tradução no Pavilhão da Zona Azul. Custos de deslocamento, hospedagem e credenciamento são de responsabilidade dos proponentes. O resultado será divulgado em 20 de setembro, no site do MMA.
Fonte: g1 Pará — Belém/Jornal Folha do Progresso e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/08/2025/07:00:49
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