Tragédia em Gurupá, no Marajó, expulsa ambientalista

Sítio Jacupí, alvo da cobiça da especulação imobiliária e local da tragédia

Sempre brinquei com a presença improvável, como morador com residência fixa, em Gurupá, do antropólogo francês Jean Marie Etienne Royer, de quem me tornei grande amigo. Homem culto, muito afável, gentil e simpático – outras improbabilidades em se tratando de um francês.
Após retornar da França quando a sua esposa, a adorável Benedita, cabocla gurupaense não se adaptara ao clima da costa mediterrânea da região de Marselha, investiu tudo o que tinha comprando uma pequena faixa de floresta dentro da área urbana de Gurupá, e preservando as várias nascentes que ali existiam. Isso o fez tornar-se a única referência em ambientalismo e ecologia naquela região.
Os professores das escolas públicas davam aulas de meio-ambiente e ecologia levando os alunos em passeios ao Sítio Jacupi, nome dado carinhosamente ao local. Qualquer visitante mais refinado que chegasse a Gurupá era levado ao Jacupi, onde se podia ouvir boa música, comer comidas diferentes, e ficar “dentro da natureza”, de molho em igarapés ou no próprio Rio Amazonas.Sítio-Jacupi
Mas pessoas com poder político e econômico se incomodavam com o francês: o Sítio Jacupí, com seus mais de 1 milhão de metros quadrados de floresta preservada impedia que a especulação imobiliária se estendesse; tornou-se barreira à devastação das outras áreas mesmo além-Jacupí.
Vereadores, empresários e outros grupos nada edificantes premiados com verbas para os projetos “Minha Casa Minha Vida” foram “prejudicados”, porque terrenos valiosos, como o próprio Jacupí, não podiam ser devastados. Era necessário expulsar Jean Marie de Gurupá.
Tornou-se diária toda forma de perturbação usando pequenos delinquentes: invasões, ameaças, ofensas, furtos. Até que há 3 anos a esposa Benedita foi assaltada dentro da propriedade. Brutalmente espancada, sofreu grave concussão por violentas coronhadas, que a seqüelaram com problemas neurológicos até hoje.
Ontem (quarta-feira), um grupo formado por cerca de 10 adolescentes e adultos invadiram a propriedade e tentaram entrar em sua casa, onde estavam a esposa, uma filha adolescente e outra de 24 anos. Desesperado, Jean Marie atirou pra cima, tentando intimidar os agressores. Um adolescente de 14 anos, que fazia parte da invasão, mas estava oculto em um galho, foi atingido e faleceu.
Os invasores retrocederam, mas retornaram com uma horda que, disposta a matar a família inteira, roubou tudo o que havia na casa e depois ateou fogo, destruindo tudo.
A polícia protegeu a família que se refugiou na delegacia, ameaçada até altas horas da noite de linchamento. O comando da PM enviou reforço de Breves, que os resgatou. No final do dia de hoje (quinta-feira), o juiz de direito da Comarca de Gurupá, concedeu liberdade provisória a Jean Marie, que responderá o processo em liberdade.
Então, Gurupá poderá seguir a sua história de devastação sem mais nenhum percalço.
Texto: Ismael Moraes (advogado)
Fonte: Ver-O-Fato
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Indios ganham cartilha para prevenção de Aids na Amazônia

Publicação destinada ao povo Kanamari trata de prevenção, diagnóstico e tratamento sob a perspectiva da cultura indígena

Detalhe da cartilha confeccionada pela Unesco do Brasil para os índios Kanamari que traz informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de DST – Reprodução

Os índios Kanamari, que vivem no Vale do Javari, no Amazonas, junto à fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, terão à disposição uma cartilha com orientações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de DST (doenças sexualmente transmissíveis), Aids e hepatites virais. O lançamento da cartilha ocorre nesta segunda-feira, no município de Atalaia do Norte, no Amazonas.

Dirigida a profissionais de educação e saúde indígenas, a publicação bilíngue foi elaborada em língua indígena e traduzida para o português. A ideia é fornecer informações de forma clara e didática.

Com abordagem inovadora, a publicação leva em conta a cultura e os saberes tradicionais dos povos indígenas. O desafio é levar informação e conscientizar essa população sobre temas como sexo desprotegido, uso de álcool e de outras drogas, além de hábitos que aumentam o risco de infecção pelo vírus HIV.

A cartilha “Falando sobre Prevenção às DST/Aids e Hepatites Virais – Kanamari“ é a quarta da Série Javari, uma coleção elaborada pela Unesco no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e pelo Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids), em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Os outros três volumes da série foram dirigidos aos índios Matis, Mayoruna (Matsés) e Marubo.

A série foi concebida a partir de oficinas de prevenção realizadas no Vale do Javari, com a participação de antropólogos, professores, agentes indígenas de saúde, pajés, curandeiros, parteiros e lideranças de diferentes povos da região.

O volume dedicado aos índios Kanamari atendeu a uma demanda da própria comunidade. A publicação apresenta o chamado “Plano de prevenção Kanamari“, elaborado pelos próprios indígenas, com recomendações como “não beber nem levar bebida alcoólica para a aldeia” e “respeitar, resguardar e não transar quando bebe Ramih“, em uma referência a uma bebida típica indígena.

Outras orientações são reveladoras dos desafios que cercam a convivência de indígenas e não indígenas. Uma delas é “não comprar aparelho de som”, pois os Kanamari vêm nesse tipo de aparelho uma ameaça à própria cultura. Outra é “não aceitar estrangeiros (peruanos, brasileiros) e outros desconhecidos em nossas aldeias”, já que doenças como Aids e as hepatites chegaram aos indígenas pelo contato com não indígenas.
por O Globo
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Hidrelétricas vão à Justiça para não pagar por energia mais cara e inadimplência sobe a 47%

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Hidrelétricas vão à Justiça para não pagar por energia mais cara e inadimplência sobe a 47%
Companhias obtêm 22 liminares, e montante pendente já alcança R$ 1,4 bilhão

IO – Mais um rombo assombra o setor elétrico, resultado da crise hídrica e das mudanças de regras nos últimos anos. Com poucas chuvas desde o ano passado e o baixo nível dos reservatórios, as geradoras das hidrelétricas já projetam prejuízos de R$ 13 bilhões a R$ 20 bilhões neste ano. Essas usinas são obrigadas a reduzir sua geração de energia para preservar o nível dos reservatórios, cumprindo determinações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com isso, precisam recorrer ao mercado livre, usado por grandes consumidores do setor e no qual a energia está mais cara, para honrar todos os contratos de fornecimento com as distribuidoras.

Isso tem criado uma guerra de liminares na Justiça — já são 22 até o momento. A maior parte das geradoras, com exceção das empresas do grupo Eletrobras, obteve o direito na Justiça de pagar apenas 5% dessa energia extra adquirida no mercado. Isso porque esses 5% são o chamado risco de racionamento (ou hidrológico) do setor. O restante (acima desses 5%) não está sendo pago pelas geradoras graças a liminares.

Assim, com esse respaldo judicial, as empresas não vêm liquidando todos seus contratos na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Em junho, o nível de inadimplência chegou ao recorde de 47,28%. Ou seja, deixou de ser honrado R$ 1,4 bilhão dos R$ 2,99 bilhões. E há o risco, apontam especialistas do setor, de mais esse descompasso no setor elétrico ser repassado ao consumidor final, que já vem sofrendo com o aumento médio de 50% nas tarifas somente neste ano.

PRAZO DE CONCESSÃO PODE SER AMPLIADO

As geradoras argumentam que a garantia do abastecimento não é risco hidrológico e, por isso, não têm obrigação de bancar esses custos adicionais com geração a partir de fontes mais caras (térmicas a óleo e a gás). O presidente da Abrage, associação das geradoras, Flavio Neiva, disse que as perdas das usinas estavam estimadas em R$ 20 bilhões neste ano. Mas, por causa da redução do uso das térmicas mais caras (movidas a óleo diesel), anunciada na semana passada pelo governo, esse prejuízo pode cair para R$ 13 bilhões. Neiva tem esperanças que, em breve, o governo apresente uma solução.

— Está se caminhando para encontrar uma solução para essa questão. Em 2012 (quando houve uma renegociação dos contratos de concessão por pressão da União), para conseguir promover redução nas tarifas de energia elétrica, o governo ordenou a geração máxima das hidrelétricas, que fez com que os reservatórios caíssem de quase 80% para 28% em 2012. Os reservatórios não se recuperaram, e as geradoras estão sendo obrigadas a pagar essa conta. As geradoras não podem pagar sozinhas por isso. Esses custos com outras fontes de geração são para garantir o abastecimento, não é risco hidrológico. Por isso, as liminares — disse Neiva.

Segundo especialistas, é vital resolver o impasse com as geradoras. Sem isso, arriscam eles, o sistema elétrico pode ter uma crise sistêmica e a inadimplência chegar a 100%. Consultorias como a Safira e a Thymos acreditam que o volume de contratos não liquidados deve aumentar. Todo setor espera para esta semana que um acordo seja costurado entre os agentes do setor e o governo. Segundo, uma proposta em análise é o aumento do prazo de concessão das usinas hidrelétricas e até mesmo retirar o chamado risco hidrológico das usinas e repassar para todo o sistema.

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— Aumentar o período de concessões não é o essencial, porque não resolve o problema de caixa a curto prazo das geradoras. Outra alternativa em estudo é repartir esse custo entre todos os agentes após ultrapassar o limite de 5% — disse essa fonte.

As tarifas para o consumidor, que já sofreram um aumento médio de 50% neste ano, terão mais reajustes em 2016. A estimativa dos especialistas aponta para uma alta entre 8% e 10% no próximo ano, apenas como resultado do uso intenso das usinas térmicas, do sistema de bandeiras tarifárias — atualmente na cor vermelha, a mais cara — e dos empréstimos concedidos às distribuidoras no ano passado. João Carlos Mello, presidente da Thymos, destaca que as geradoras deverão ter uma perda de cerca de R$ 20 bilhões neste ano com o custo extra da energia comprada no mercado de curto prazo:

— É uma equação complicada para ser resolvida. Existe a possibilidade de isso ser repassado ao consumidor. A estimativa é que, hoje, 20% dos contratos não estão lastreados. Como as usinas só estão pagando 5%, quem vai arcar com os 15% restantes? É preciso uma solução. O que não pode é o mercado ficar parado.

RISCO DE REPASSE PARA O CONSUMIDOR

Paulo Cunha, consultor da FGV Energia, diz que esse impasse precisa ser resolvido imediatamente, diante do grande volume de calote:

— O setor vive uma crise aguda. Essa inadimplência já era esperada e precisa ser resolvida. A questão é o governo fechar um acordo para evitar o repasse ao consumidor. Nos anos anteriores, houve aporte do Tesouro, mas hoje não é possível com o ajuste fiscal. Os bancos já estão muito expostos no setor com os empréstimos feitos às distribuidoras no ano passado, e a renda do brasileiro não suporta mais aumentos na luz. Por isso, há uma dificuldade maior hoje para resolver isso. E o risco real é chegar ao consumidor.

O gerente de regulação do Grupo Safira Energia, Fábio Cuberos, ressalta que o nível de inadimplência em junho (último dado disponível) é o maior da história do setor. Em maio, o calote havia sido de 18,17%, cerca de R$ 460 milhões. Segundo ele, há riscos de os números chegarem a 100%, se não houver uma solução. Ele lembra que, até então, o maior nível de calote havia sido registrado em agosto de 2012, com 21,9% dos contratos não honrados, no valor de R$ 134 milhões.

— As geradoras estão obtendo liminares para não pagarem esses custos extras de energia. Quando uma geradora deixa de pagar, o restante desse custo é dividido entre as outras geradoras. E, para evitar esse valor adicional que não estava previsto em seu fluxo de caixa, outras geradoras entraram na Justiça. Por isso, há tantas ações — disse Cuberos.
O Ministério de Minas e Energia disse que vem trabalhando com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e agentes do setor para equacionar o problema. “A apresentação de uma solução condensada deve ocorrer em breve, o que fará com que as liminares percam sua razão de ser e o mercado volte à normalidade”. A CCEE e a Aneel não responderam.

Charles Lezi, presidente da Abragel, que reúne as pequenas centrais hidrelétricas, argumenta que a culpa dos preços altos no mercado livre não são causados só pela falta de chuvas, mas também pelo custo das térmicas. Assim, explica, as geradoras não podem arcar com essas despesas.

— Por isso, o nosso argumento é que nessa conta não há apenas o risco de não ter chuvas. E resolver esse impasse é um desafio — admitiu Lezi

por Bruno Rosa e Ramona Ordoñez

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Caçadora americana afirma que prática movimenta economia

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Caçadora americana afirma que prática movimenta economia

Ela criou polêmica ao posar sorrindo ao lado de uma girafa morta por ela

Uma caçadora americana, que tirou uma foto sorrindo ao lado de uma girafa que ela tinha acabado de matar, usou uma entrevista para o site “Dailymail” para se defender das críticas recebidas. Rebecca Francis afirmou que a caça de animais ajuda a preservar as espécies, além de ajudar na economia. Ela justificou que a prática traz cerca de US$ 200 milhões para a economia.

“Se eliminarmos a caça, como é que vamos substituir esses US$ 200 milhões?”, questionou Francis.

No site pessoal de Rebecca é possível visualizar dezenas de imagens dela ao lado de suas caças mortas. A profissional defendeu as poses como forma de triunfo pessoal. No caso da imagem em que aparece ao lado de uma girafa morta, Francis comentou que a carne do bicho foi utilizada pela população local, servindo assim como forma de caridade.

“A foto não foi para desrespeitar. Era para lembrar da experiência. Os moradores estavam prontos para usar a carne do bicho. Eles pegaram tudo, até mesmo a carne da cauda. Os cabelos da girafa pegam para fazer joias e vender”, argumentou a caçadora.

Apesar da imagem ter sido tirado há mais de dois anos, Rebecca se viu alvo de comentários negativos depois do comediante Rick Gervais compartilhar a foto nas redes sociais em abril deste ano. Ele escreveu: “O que deve ter acontecido com você em sua vida para fazer você querer matar um animal bonito e, em seguida, deitar ao lado dele sorrindo?”. Rapidamente, milhões de usuários compartilharam o conteúdo.

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Walter Palmer

O caso da caçadora americana lembra do dentista americano Walter Palmer, que ganhou a imprensa internacional, depois de ter sido acusado no mês passado de ser responsável pela morte de um leão de 13 anos durante uma caça ilegal no Zimbábue. O bicho, chamado de Cecil, foi baleado com um arco e flecha e, em seguida, com um rifle. O leão foi degolado e teve a pele arrancada.

A história do dentista ganhou rapidamente as redes sociais e teve uma reação negativa. Sua página no Facebook foi retirado do ar, após ser alvo de comentários raivosos, e o site do seu consultório também foi excluído. O leão Cecil era uma das principais atrações turísticas do parque nacional Hwange, o principal do país.
Por: O Globo
Foto: Reprodução
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Ministério Público lança campanha anticorrupção no Pará

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A campanha apresenta propostas de mudanças legislativas para evitar e refutar as irregularidades praticadas contra a ordem pública

Com o objetivo de prevenir e combater à corrupção e a impunidade no Brasil, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA) lançarão amanhã, em Belém, a edição paraense da campanha nacional batizada de Dez Medidas Contra a Corrupção. A campanha apresenta propostas de mudanças legislativas para evitar e refutar as irregularidades praticadas contra a ordem pública. A partir da iniciativa, o MPF e o MP/PA buscam coletar 1,5 milhão de assinaturas em todo o país para que as propostas de alterações legislativas cheguem ao Congresso Nacional por meio de um projeto de lei de iniciativa popular.

Entre os convidados a integrar a campanha estão representantes de organizações sociais, como associações de classe, instituições religiosas, conselhos, sindicatos, e diretórios acadêmicos, e representantes de órgãos de controle e fiscalização dos recursos públicos. Além das organizações e da sociedade em geral, foram convidadas escolas públicas e particulares da região metropolitana de Belém, de forma a mobilizarem seus estudantes. Até a última sexta-feira, 14, mais de 20 representantes de escolas e unidades gestoras de ensino já haviam confirmado participação, com um total de 30,7 mil alunos a serem envolvidos na iniciativa.

A íntegra das medidas e a ficha de assinatura estão disponíveis no site www.10medidas.mpf.mp.br. Com a medida, o MPF e o MP/PA esperam agilizar a tramitação das ações de improbidade administrativa e as ações criminais; instituir o teste de integridade para agentes públicos; criminalizar o enriquecimento ilícito; aumentar as penas para corrupção de altos valores; responsabilizar partidos políticos e criminalizar a prática do caixa 2; revisar o sistema recursal e as hipóteses de cabimento de habeas corpus; alterar o sistema de prescrição; e instituir outras ferramentas para recuperação do dinheiro desviado.

O lançamento nacional das propostas foi feito em março deste ano pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O lançamento em Belém será na próxima terça-feira, 18 de agosto, às 10 horas, no auditório da sede do MP/PA, na Cidade Velha.
Por: O Liberal
Foto: Divulgação
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Avião indonésio com 54 pessoas a bordo é encontrado, dizem autoridades

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Habitantes da região de Papua, no Leste da Indonésia, relataram a queda de aeronave perto da região montanhosa de Oksibil

JACARTA — Autoridades indonésias encontraram o avião com 54 pessoas a bordo que havia perdido contato com o centro de controle neste domingo, informou o diretor-geral do transporte aéreo do país, Suprasetyo, em uma entrevista coletiva. Mais cedo, habitantes da região de Papua, no Leste da Indonésia, relataram que uma aeronave bateu contra montanhas em uma vila no distrito de Oksibil. Segundo Suprasetyo, os detalhes sobre o caso ainda estão sendo investigados.

— O avião foi achado. De acordo com os habitantes, o avião caiu em uma montanha. A verificação está ainda em processo — afirmou o ministro encarregado da Aviação.

A Agência Nacional de Busca e Resgate (Basarnas) divulgou pelo Twitter que a aeronave indonésia levava 49 adultos, cinco deles tripulantes, e cinco crianças e bebês. O avião, um ATR 42, perdeu contato com o controle de tráfego aéreo pouco antes das 6h GMT (3h no horário de Brasília), 30 minutos depois de decolar do aeroporto Sentani de Jayapura, na capital de Papua, e tinha como destino a Oksibil, informaram as autoridades. O voo tinha duração prevista de 45 minutos.

O porta-voz do Ministério dos Transportes, J.A. Barata, confirmou que o avião havia perdido contato, mas ainda não sabe ao certo o que aconteceu.

por O Globo / Com agências internacionais

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Em Belém, marcha contra Dilma fica aquém do programado

Organização esperava 100 mil, mas diz que só 6 mil compareceram

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A participação popular na marcha nacional contra o Governo Federal ficou muito aquém das expectativas da organização em Belém. Para a passeata, que acontece neste domingo (16), eram esperados 100 mil participantes, mas segundo a organização do manifesto apenas seis mil compareceram. Pelas contas da Polícia Militar, o número ficou ainda menor, em 1.500. A explicação para a baixa adesão dos paraenses na marcha, segundo a organização, é o fato de que neste domingo está sendo realizado o concurso público da Universidade Federal do Pará, o que teria esvaziado o movimento.

A marcha saiu da Escadinha de Belém, passando pela Avenida Presidente Vargas, seguindo por Nazaré, Quintino Bocaiúva, Rua Boaventura da Silva, Visconde de Souza Franco, Marechal Hermes, e retornará para a Avenida Presidente Vargas em frente a praça da República, local da dispersão. O evento foi programado por 13 movimentos sociais de Belém. Segundo a organização, a estimativa prévia foi descartada já na saída da caminhada, quando apenas 700 pessoas foram contabilizadas na concentração.

O movimento só foi ganhando mais adeptos ao longo do caminho e, principalmente, na Avenida Presidente Vargas, onde muita gente aguardava para se juntar à caminhada, totalizando o número de seis mil, segundo a organização do evento. Sete trios elétricos são usados na manifestação.

Foto: Dede Mesquita/ Via WhatsApp
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Os grupos paraenses estão apoiando uma ação do Ministério Público Federal, que visa criar os ‘Dez mandamentos contra a corrupção’, com objetivo de prevenir e combater a corrupção no País. A campanha será lançada nesta terça-feira (18).  Mesmo antes do lançamento da campanha, os organizadores da marcha já estão coletando assinaturas para um abaixo-assinado, que será encaminhado às Câmara e Senado Federal, Supremo Tribunal Federal, entre outras entidades em Brasília.
Por: Redação ORM News com informações de Evandro Flexa de O Liberal

Foto: Dede Mesquita/ Via WhatsApp
Foto: Evandro Flexa/ O Liberal

 Foto: Evandro Flexa/ O Liberal
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Foto: Evandro Flexa/ O Liberal

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Transoeste ganhará novas estações até o segundo trimestre de 2016

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Três das sete unidades da extensão da linha até o Jardim Oceânico estão quase prontas

Quase pronta. A nova estação do Transoeste, na altura do Freeway: obra é extensão do BRT até o Jardim Oceânico – Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO – Três das sete novas estações do BRT Transoeste, que vão ligar o Terminal da Alvorada ao Jardim Oceânico, através da Avenida das Américas, estão quase prontas. As obras de extensão do corredor em seis quilômetros fazem parte do lote Zero, o último trecho da linha que ainda falta ser finalizado, hoje com 66% dos trabalhos concluídos. A previsão é que o traçado fique pronto até o segundo trimestre de 2016.

Obra ficou 25% mais cara

O formato das estações, que começaram a ser construídas em julho, já pode ser visto na altura da Avenida Jornalista Ricardo Marinho, do Freeway e do Barra Garden. Quem passa pelo local vê que os transtornos comuns à obra estão com os dias contados. Devido às intervenções, uma faixa da via costuma ser interditada, e o trânsito, segundo moradores, piora nos horários de pico.

— É muito difícil sair de casa no horário de rush. Infelizmente, precisamos passar por este sacrifício para termos um benefício no futuro. Perco, todos os dias, duas horas só para chegar ao Centro da cidade. Só quero que fique logo pronto — diz Manuel Bulhosa, presidente da Associação de Moradores do Parque Lucio Costa (Amapluc).

Ao todo, são seis as estações sob responsabilidade da prefeitura: além das três citadas, também estão em construção as que ficam perto do BarraShopping, do Parque das Rosas, e do Bosque Marapendi. A exceção é a estação de integração do Jardim Oceânico, cujo projeto está sendo desenvolvido pelo Consórcio Rio-Barra e o estado.

— Poucas pessoas têm a conscientização de que é preciso evitar o uso do carro. Temos que continuar investindo em transporte público de qualidade, senão o trânsito não vai diminuir — ressalta Azaury Alencastro, morador do bairro, que tem casa nas imediações do Supermercado Extra.

Segundo a Secretaria municipal de Obras, a revisão do projeto, em 2013, elevou os custos. Os gastos, agora, estão estimados em R$ 114 milhões, cerca de 25% a mais do que havia sido planejado. O traçado completa os 52 quilômetros da via, em operação atualmente entre a Barra e Paciência, com 55 estações.

Com a ampliação, o Transoeste passará a transportar 230 mil pessoas por dia. Atualmente, cerca de 154 mil passageiros utilizam o BRT diariamente.
por Darlan de Azevedo
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Joaquim Levy agora afirma que inflação só vai atingir o centro da meta oficial em 2017

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Em São Paulo, ministro diz que IPCA deve ficar entre 5% e 5,5% em 2016: ‘Em 2017 a gente chega lá’
Joaquim Levy, ministro da Fazenda – Marcos Alves / O Globo

SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse na manhã desta sexta-feira que as expectativas de inflação começam a convergir para a meta, apesar da correção de preço de energia elétrica este ano. Mas o centro do objetivo oficial, de 4,5%, só deve ser atingido em 2017. Para 2016, o ministro disse que as expectativas convergem para entre 5% e 5,5% e, mais próximo dos 4,5%, somente no ano seguinte. As afirmações foram feitas em São Paulo, a uma plateia de mais mil empresários, durante evento da Câmara Americana de Comércio (Amcham).

— Apesar do ajuste do preço da energia e em algumas outras áreas ser bastante significativo este ano, as expectativas de inflação voltaram, depois de muito tempo, a convergir na direção da meta. O teto da meta agora é de 6,5%, mas para 2017 foi ligeiramente reduzido para 6%. O Banco Central está vigilante e fazendo o trabalho que permite aos indicadores, como o Focus, convergirem já em 2016 para algo como 5% e 5,5% e, em 2017, muito próximo de 4,5% — afirmou o ministro nesta sexta-feira durante sua palestra aos empresários.

Já o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse nesta sexta-feira que a inflação deve atingir o pico neste trimestre, permanecendo elevada até o fim do ano. A taxa deve começar a cair e atingir o centro da meta no fim de 2016, acrescentou ele.

No fim de junho, num esforço para recuperar a credibilidade da política econômica e reafirmar o compromisso com o combate à inflação, o Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu a margem de tolerância da meta de inflação de 2017. A meta foi mantida em 4,5% ao ano, mas poderá oscilar para cima ou para baixo em até 1,5 ponto percentual, o que resulta em um teto de 6%, um patamar 0,5 ponto abaixo do limite atual, de 6,5%. Foi a primeira mudança nas chamadas bandas desde 2006.

Em junho, porém, Levy ainda afirmava que o IPCA poderia atingir o centro da meta já em 2016:

— O Banco Central está vigilante e deverá continuar vigilante para que nós possamos trazer a inflação em 2016 para 4,5%.

Um mês antes, em 12 de maio, na mesma linha, também havia afirmado que a inflação em 2016 iria convergir para o centro da meta:

— O papel do governo não é escolher os atores ou os barítonos que vão cantar no palco. Mas garantir que o teatro esteja limpo, pronto para funcionar e a na hora marcada — ressaltou.

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A previsão de Levy de que em 2016 o IPCA fique entre 5% e 5,5% é próxima ao que projetam os economistas ouvidos pelo Banco Central na pesquisa Focus. O último relatório, divulgado na semana passada, previa que no fim do ano que vem a taxa do IPCA fique em 5,43%.

O BC, por sua vez, em seu relatório trimestral, divulgado no fim de junho, afirmou esperar que inflação oficial chegue a 9% neste ano, o maior índice desde 2003, mas previu que a taxa chegaria ao centro da meta, de 4,5%, no fim de 2016.

— Nós sabemos que 2015 é um ano de ajuste tradicional — explicou o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Pereira, na ocasião da divulgação do relatório. — A melhor contribuição da política monetária para esse círculo virtuoso e de mais crescimento é colocar a inflação na meta de 4,5% no fim de 2016 e ancorar expectativas no médio e longo prazos.

Na semana passada, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi na mesma direção e disse que estão maiores as chances de o BC conseguir alcançar a meta de 4,5% para a inflação oficial no fim do ano que vem, já que, para 2015, cumprir essa tarefa é praticamente impossível.

“Os riscos remanescentes para que as projeções de inflação do Copom atinjam com segurança o objetivo de 4,5% no final de 2016 são condizentes com o efeito defasado e cumulativo da ação de política monetária, mas exigem que a política monetária se mantenha vigilante em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta.”

PETROBRAS, RACIONAMENTO E AJUSTE

De acordo com Levy, os três principais riscos para o Brasil no início do ano eram o futuro da Petrobras, o risco de racionamento de energia e se o ajuste fiscal seria levado adiante. Para o ministro, a Petrobras está trabalhando com transparência, criou um grupo de compliance e está encontrando novos caminhos para ser mais ágil, mesmo com um choque de preços no mercado de petróleo.

— No setor elétrico, o governo fez os ajustes necessários e reduziu o risco de racionamento, com peço correto da energia. E no fiscal, o que a gente fez foi mudar a direção, estancando a deterioração das contas públicas. O déficit primário era estrutural e vinha se deteriorando desde 2012 — afirmou Levy na Amcham, observando que o ajuste causa certo desconforto num cenário de desaceleração da economia.

No evento da Amcham, que integra a agenda da entidade e debate a competitividade brasileira, Levy afirmou que os riscos que existiam para a economia brasileira, no início do ano, se não foram totalmente eliminados, estão afastados e ela caminha para o reequilíbrio. A Amcham tem 5 mil empresas associadas, sendo 85% delas brasileiras.

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Levy destacou que as contas externas também apresentam melhora, com o saldo da balança comercial já apresentando números positivos. Ele disse ainda que a mudança de preços relativos, com a alta do dólar, também já está atraindo investidores estrangeiros em setores como imobiliário, por exemplo.

— Essa recuperação das contas externas é fundamental para reequilibrar a economia. Essa melhora, aliada às nossas reservas internacionais e à melhora do fluxo de investimentos para o Brasil foram citadas pela agência de classificação de risco Moody’s para manter o grau de investimento do país — disse Levy.

Levy também citou que as reformas em impostos como ICMS e PIS/Cofins, que estão sendo discutidas, darão mais competitividade ao país.

por João Sorima Neto
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Nova polêmica sobre soberania no CNJ

O colegiado do Conselho Nacional de Justiça presenciou nova discussão, na sessão da última terça-feira (4), quando o presidente do órgão, ministro Ricardo Lewandowski, discordou de questão levantada por um conselheiro.

Gilberto Valente Martins revelara dúvidas sobre quem deveria assinar o acórdão de julgamento do Processo Administrativo Disciplinar instaurado contra os desembargadores Nery da Costa Júnior e Gilberto Jordan, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. (*)

Na sessão anterior, realizada em 30 de junho, o presidente do CNJ proclamara o seguinte resultado: 6 votos pela absolvição, acompanhando a relatora Deborah Ciocci, e 7 votos pela condenação, acompanhando a divergência do conselheiro Gilberto Martins. A conselheira Luiza Frischeisen declarou impedimento. [Obs.: A conselheira atuou na representação como membro do Ministério Público Federal em São Paulo].

Muito embora o quórum necessário para a aplicação de pena aos dois desembargadores não tenha sido alcançado, a maioria do Plenário —conselheiros Gilberto Martins, Nancy Andrighi, Ana Maria Duarte Amarante Brito, Saulo Casali Bahia, Rubens Curado, Gisela Gondin e Lélio Bentes Corrêa— votou pela procedência do pedido.

Como a maioria é determinante para a relatoria do acórdão, e não para a aplicação da pena, Gilberto Martins entendeu que o procedimento deveria ter sido encaminhado para o seu gabinete, como Relator para o acórdão, nos termos § 2º do artigo 128, do Regimento Interno do CNJ:

“§ 2º Se o Relator for vencido, ficará designado para redigir o acórdão o autor do primeiro voto vencedor.”

Na última terça-feira, no início da sessão, Martins pediu uma correção na ata. Segundo alertou, na certidão consta que o conselho determinou o arquivamento do processo, nos termos do voto da relatora. O acórdão foi lavrado por Deborah Ciocci.

Gilberto Martins entende que deveria ter sido registrado que a maioria decidira pela procedência do pedido, e que a pena deixou de ser aplicada em razão de não ter sido obtida a maioria absoluta. A maioria também decidira que os autos deveriam ser enviados à corregedoria, para eventuais providências em relação a outros desembargadores do TRF-3.

Dias antes da sessão, Martins havia telefonado à secretaria do CNJ, solicitando que os autos fossem encaminhados ao seu gabinete.

Lewandowski informou ao plenário que Martins havia se antecipado, tendo entrado em contato com a secretaria processual, insurgindo-se contra a decisão que enviara os autos à relatora.

O presidente narrou que o secretário-geral recomendou a manutenção da certidão de julgamento, “nos exatos termos em que foi lavrada” pela relatora.

“Não há que falar em retificação da ata“, sentenciou o presidente, ao anunciar que acolhera a opinião do secretário-geral.

Gilberto Martins insistiu, alegando que “o plenário tem que decidir como fica a relatoria do voto vencedor“. Argumentou que “vamos ter voto vencedor de minoria”.

Citou que o Conselho decidiu dessa forma em julgamentos anteriores, quando não se atingiu o quórum [maioria absoluta].

O conselheiro voltou a pedir a retificação. “Não pode prevalecer um voto de minoria. E eu gostaria de fazer juntada da minha decisão“, disse.

Ocorreu, então, o seguinte diálogo:

Ricardo Lewandowski: “A matéria está decidida nos termos regimentais. E, como se sabe, no que tange a questões de distribuições, em tese, as decisões da presidência são irrecorríveis. Eu indefiro o pedido de Vossa Excelência.”

Gilberto Martins: “O plenário tem que decidir…”

Ricardo Lewandowski: “Vossa Excelência é um membro do Conselho e eu presido o Conselho. Eu indefiro o pedido de Vossa Excelência”.

Gilberto Martins: “Mas o Conselho é soberano…”

Ricardo Lewandowski: “Quem faz o encaminhamento dos trabalhos é o presidente. Está indeferido.”
***

lewandowski, Gilberto Martins e Soberania
lewandowski, Gilberto Martins e Soberania

O encerramento da discussão lembrou a manifestação de Lewandowski, durante a sessão plenária de 9 de junho último, quando o conselheiro Saulo Casali revelou preocupação com processos não levados a julgamento. Casali mencionou o fato de a conselheira Deborah Ciocci ter, na ocasião, onze pedidos de vista.

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Eis o desabafo do presidente:

“Vossa Excelência agora não vai dar lição à presidência com relação à leitura do regimento. O presidente tem poder de pauta. Estou recebendo ofícios de conselheiros querendo pautar o presidente (…) nos termos do regimento, nos termos do que for. Eu sou presidente deste Conselho, presidente do Supremo Tribunal Federal e presidente do Poder Judiciário, ninguém vai me ensinar como é que eu vou levar as audiências e pautar as sessões deste Conselho.”
Folha de São Paulo Por Frederico Vasconcelos
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