Programa Mais Médicos chega a 36 municípios do Pará

Dos municípios inscritos no programa, 66% já têm profissionais

O Ministério da Saúde divulgou ontem (9), em Brasília, mais um balanço do programa Mais Médicos para o Brasil, mostrando que 69% das vagas oferecidas na região Norte foram preenchidas por profissionais formados no Brasil. Aderiram à iniciativa 113 cidades, onde foram ofertadas 409 vagas. Até o final desta etapa do programa, 83 municípios nortistas receberam médicos e 283 profissionais assumiram os postos deficitários em regiões carentes. No Pará, 54 municípios se inscreveram, 236 vagas foram autorizadas e 36 municípios receberam médicos. Chegaram ao Estado 153 profissionais com CRM Brasil, um total de 65% de vagas preenchidas. Em todo o País, profissionais brasileiros preencheram 92% das vagas autorizadas pelo Programa Mais Médicos para 2015, totalizando 3.830 profissionais em 1.208 municípios e seis Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), segundo o Ministério da Saúde.

As vagas remanescentes estarão disponíveis entre hoje e 20 de abril para brasileiros formados no exterior. Caso tenham a inscrição validada, os candidatos escolherão os municípios nos dias 29 e 30 de abril. Persistindo vagas, médicos estrangeiros poderão se inscrever entre 5 e 15 de maio. O módulo de acolhimento para os profissionais está previsto para 8 de junho e o início das atividades começa a partir de 7 de julho.

No Pará, 67 vagas estão abertas a brasileiros formados no exterior, em 33 cidades. São elas: Alenquer (2 vagas), Anapu (1), Baião (2), Bragança (2), Breves (3), Cametá (5), Conceição do Araguaia (1), Garrafão do Norte (1), Ipixuna do Pará (1), Itaituba (3), Jacundá (3), Juruti (1), Limoeiro do Ajuru (4), Marabá (2), Mocajuba (1), Moju (1), Muaná (2), Novo Progresso (1), Oeiras do Pará (1), Placas (1), Portel (1), Porto de Moz (2), Redenção (2), Rurópolis (3), Santarém (2), São Félix do Xingu (1), São Geraldo do Araguaia (1), São Miguel do Guamá (1), Tailância (5), Terra Santa (3), Tucumã (1), Tucuruí (4) e Uruará (3).

Entre os 197 municípios e os nove distritos indígenas com vagas em todo o País, a maioria está na região Norte. São 109 postos em 51 municípios, além de sete DSEIs. O Nordeste também tem 51 municípios e um distrito indígena com 66 vagas. A região Sudeste, com 44 oportunidades, Sul (43) e Centro-Oeste (24) completam as vagas a serem preenchidas.

A previsão é que a cada trimestre o Ministério da Saúde lance novas chamadas. As seleções preencherão as vagas de médicos que desistirem nas etapas anteriores e os municípios que não conseguirem aderir ao programa pela ausência de capacidade instalada. Até o momento, nove municípios abdicaram de 30 vagas.

No total, das 4.146 vagas disponíveis em 1.294 municípios e 12 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), 3.830 já foram preenchidas por médicos brasileiros. Em relação aos municípios, 1.088 (84%) e três distritos indígenas já atraíram médicos para ocupar integralmente as vagas nas unidades básicas de saúde. Até o momento, 120 (9%) tiveram a solicitação parcialmente atendida e 77 (6%) ainda não conseguiram médicos.

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Dos que estão em atividade, 3.155 médicos são das duas primeiras chamadas e atuam desde março. Os outros 675 foram alocados na terceira seleção. Esses profissionais começaram a se apresentar no início desta semana e os prefeitos tiveram até ontem para homologar a presença deles em 402 municípios.

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O Nordeste foi a região que mais recebeu médicos, 1.726 (95%), de 1.799 vagas ofertadas, já foram ocupadas. O Sudeste ocupou 975 (95%), das 1.022 vagas, seguido do Centro-Oeste, que preencheu 370 (93%) das 396 oportunidades; do Sul, que atraiu médicos para 476 (91%) das 520 disponíveis; e o Norte que ocupou 283 (69%) das 409 vagas disponíveis. Os distritos indígenas já ocuparam 13 (37%) das 35 vagas de médicos. Dentre os Estados, 20 já preencheram mais de 90% das vagas e três deles (Amapá, Distrito Federal e Sergipe) sua totalidade. O Amazonas foi o Estado com menor percentual de ocupação por médicos formados no Brasil (60%).

SATISFAÇÃO

Os médicos brasileiros que atuam no Mais Médicos estão altamente satisfeitos com o Programa, segundo pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), na qual 90% dos profissionais com CRM Brasil responderam que indicariam a participação a outros médicos. A avaliação dos entrevistados reforça os resultados obtidos com as inscrições deste ano. Nas três primeiras chamadas do Mais Médicos em 2015, 92% das vagas ofertadas já foram preenchidas por profissionais com CRM Brasil. As vagas remanescentes serão abertas aos brasileiros formados no exterior a partir de hoje.

“Tivemos um resultado surpreendente e extremamente positivo. O preenchimento de 92% das vagas com médicos com CRM Brasil mostra a consolidação do Mais Médicos. A adesão indica que o programa tem qualidade, que os participantes brasileiros, além de satisfeitos com a participação, estão indicando a outros profissionais. Mesmo locais com difícil acesso e consequente dificuldade de provimento, tiveram alta taxa de preenchimento”, destacou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. É a segunda pesquisa de opinião apresentada pelo Ministério da Saúde sobre as avaliações dos profissionais que atuam no Mais Médicos. Ao todo, foram feitas 391 entrevistas nas cinco regiões do país com médicos do Programa, entre 17 e 23 de novembro de 2014.

Quase a totalidade dos médicos brasileiros entrevistados (93%) afirmaram estar satisfeito ou muito satisfeito com a participação no Programa. A satisfação com a supervisão também foi alta: a nota média foi 9,3 para o relacionamento com o supervisor. Essa constatação dos profissionais sobre a seriedade e a legalidade do Mais Médicos ratifica o aumento de interesse dos candidatos com diplomas do Brasil em atuar no programa.

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PERFIL

A maioria (68%) dos médicos CRM Brasil optou pelo benefício da pontuação de 10% nas provas de residência médica, caso tenha conceito satisfatório durante os 12 meses de atuação no programa. Já os benefícios do Mais Médicos foram a escolha de 32% dos candidatos. Além disso, 51,6% têm experiência em Saúde da Família e 12,2% foram bolsistas do Programa de Educação pelo Trabalho (PET) Saúde.

“A participação de médicos com CRM Brasil também aponta para a mudança da formação médica no país. A vivência na Saúde da Família fará do médico, mesmo que opte por uma outra especialidade, um profissional com visão mais global da saúde, a visão de quem já fez atenção básica, onde se resolvem 80% dos problemas de saúde. Muitos deles vão se realizar como médicos de família e comunidade e seguirão nessa especialidade”, acrescentou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Heider Pinto.

As mulheres são maioria entre os novos participantes do Programa, representando 54% dos médicos selecionados. Enquanto 78% dos participantes que passam a atuar na atenção básica são solteiros. As pessoas entre 26 e 30 anos são a faixa etária com a maior presença (55%) entre os profissionais alocados.

Até 2014, 14.462 médicos foram enviados para 3.785 municípios, beneficiando 50 milhões de pessoas. Com a ocupação das 4.146 vagas apontadas pelos municípios no novo edital, o Governo Federal garantirá em 2015 a permanência de 18.247 médicos nas unidades básicas de saúde de todo o País, levando assistência a aproximadamente 63 milhões de pessoas. Serão 4.058 municípios beneficiados, 72,8% de todas as cidades do Brasil, além dos 34 distritos indígenas.
Fonte: ORMNews.
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Clientes lotam o Procon para reclamar sobre conta da Celpa

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Acada dez clientes que procuram a Diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor no Pará (Procon-PA) para reivindicar seus direitos oito têm reclamações contra a Celpa Equatorial. A qualidade dos serviços prestados pela concessionária de energia elétrica é tão contestada, e a apatia na resolução dos casos é tão comum, que em boa parte dos casos os consumidores preferem ir direto ao Procon-PA, ao invés de seguir o rito normal, ou seja, protocolar sua reclamação primeiramente no fornecedor do serviço.

Este foi o caso da técnica de enfermagem Maria Helena Machado, de 50 anos, que teve suspenso o fornecimento de energia de sua unidade consumidora mesmo apresentando todas as suas faturas de consumo pagas. “Eu, inicialmente, discordei dos R$ 296 que a Celpa me cobrou no mês retrasado. Pensei em reclamar, porém, fiquei sem tempo. Acabei pagando alguns dias fora do prazo, no entanto, quando veio o corte, a conta já estava paga”, diz. Ela frisa que nos meses anteriores a fatura de energia elétrica girava em torno de R$ 60. “Já pedi religação e até agora nada. Estou usando a energia da cada da minha mãe, que mora na frente da minha residência”, comenta. Ela diz que não consegue entender o motivo pelo qual o aumento no valor das faturas foi tão expressivo. “Minha casa tem dois cômodos, e passo o dia inteiro fora, trabalhando. Não entendo como uma casa fechada, e que não teve mudança nos hábitos de consumo, pode ter um gasto de energia deste”, revela.

Mas a reclamação de Maria Helena, relacionada ao consumo, não é exclusiva. A dona de casa Maria da Paz, de 53 anos, não se conforma com o valor cobrado pela Celpa no mês passado em sua unidade consumidora. “Saltou de 150 kw/h, em média, para 615 kw/h. Um absurdo, pois com todo este consumo resultou em uma fatura de R$ 423”, reclama. Ela assegura que não há justificativa para tamanha cobrança. “Meu marido está desempregado. Ele é pedreiro, vive de bicos, e como está no inverno, as obras param e ele quase não pega serviço. Quando pega, conseguimos garantir R$ 800 por mês. Mas com as chuvas, não está entrando nada. Não há como pagar mais de R$ 400 de luz, sendo que tem duas faturas atrasadas. Somando tudo, a dívida é de mais de R$ 1 mil”, conta.

Drama parecido é vivenciado pelo aposentado João Lisboa, de 75 anos, que mora em Ananindeua, mas tem uma casa no distrito de Mosqueiro, na Região Metropolitana de Belém. Ele conta que as faturas da unidade consumidora na ilha, que não ultrapassavam dos R$ 50, foram substituídas por contas de R$ 2 mil. “Eles alegam desvio, ou seja, furto de energia. Agora, jamais fiz ou faria gato. Nem tenho motivos para isso. Não tenho a menor necessidade de fazer. A casa fica fechada, tenho apenas um cachorro morando lá, e, até onde eu sei, o cão não sabe ligar disjuntor”, comenta. Ainda de acordo com o aposentado, a Celpa usa como justificativa o consumo acumulado. “Consumo este que nunca houve. É um absurdo. Não vou pagar”, avisa.

Apesar da indignação, o não pagamento pode resultar em suspensão no fornecimento da energia elétrica para João Lisboa. E para evitar que isso ocorra a aposentada Ivone Ramos de 72 anos, que também teve uma conta de valor bem acima da média a qual costumava pagar, preferiu quitar o débito superfaturado. “Eu não posso ficar sem luz. Agora, não concordo em ter que pagar R$ 120, quando a fatura vinha R$ 50, em média. Se continuar aumentando, vou recorrer à Justiça”, diz a aposentada.

Esta também é a medida a ser adotada pela também aposentada Maria Iolanda Santos, de 71 anos, que recebeu uma fatura de R$ 290, e se assustou. “Ganho um salário mínimo e não tenho como arcar com todo este valor, afinal, é quase metade do que ganho de aposentadoria”, afirma. Ela diz que, como paga um empréstimo, e tem descontado em folha cerca de R$ 200, metade de seus vencimentos serão somente para pagar a energia elétrica que consome. “Estou fazendo de tudo para não ir para o gato. Mas, pelo visto, a Celpa nos força a isso”, desabafa.
Fonte: ORMNews.
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Agência Reuters publica reportagem especial sobre o mercado brasileiro dos agrotóxicos proibidos-FMC Corp, Cheminova A/S, Helm AG e a Syngenta AG – vendem em solo brasileiro produtos banidos em seus mercados

Quatro grandes fabricantes de agrotóxicos – FMC Corp, Cheminova A/S, Helm AG e a Syngenta AG – vendem em solo brasileiro produtos banidos em seus mercados
Uma reportagem especial publicada pela agência Reuters, nesta quinta-feira 2 de abril, mostra a realidade do uso de agrotóxicos no país, com destaque para o município de Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe. Segundo trabalho do repórter Paulo Prada, enviado especial ao local, o Brasil superou os Estados Unidos como o maior importador de agrotóxicos em todo o Mundo. Por esse motivo, o país se tornou um mercado atraente para substâncias proibidas ou que tiveram a produção suspensa em países mais ricos por riscos à saúde e ao meio ambiente.

Confira abaixo, na íntegra, a matéria da Agência na versão em português.

Neste link, a publicação original.

LIMOEIRO DO NORTE, Ceará (Reuters) – Os fazendeiros do Brasil se tornaram os maiores exportadores mundiais de açúcar, suco de laranja, café, carnes e soja. Também conseguiram uma distinção nada boa: em 2012, o Brasil superou os Estados Unidos como maior importador de agrotóxicos do globo.

Esse rápido crescimento fez do Brasil um mercado atraente para agrotóxicos proibidos ou que tiveram a produção suspensa em países mais ricos por riscos à saúde e ao meio ambiente.

Pelo menos quatro grandes fabricantes de defensivos agrícolas –a norte-americana FMC Corp, a dinamarquesa Cheminova A/S, a alemã Helm AG e a gigante suíça do agronegócio Syngenta AG– vendem em solo brasileiro produtos banidos em seus mercados domésticos, conforme revelou uma análise de agrotóxicos registrados realizada pela Reuters.

Entre as substâncias amplamente vendidas no Brasil estão a paraquat, que é rotulada como “altamente tóxica” por órgãos reguladores dos EUA. Tanto a Syngenta como a Helm estão autorizadas a vender o produto no mercado brasileiro.

As próprias agências reguladoras do Brasil alertam que o governo não foi capaz de garantir o uso seguro de agrotóxicos, como são conhecidos os herbicidas, inseticidas e fungicidas. Em 2013, um avião pulverizador lançou inseticida sobre uma escola em Goiás. O incidente, que causou vômitos e tontura em alunos e professores e levou mais de 30 pessoas ao hospital, ainda está sendo investigado.

“Não conseguimos acompanhar…”, admite Ana Maria Vekic, chefe de toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão federal encarregado de avaliar os riscos dos agrotóxicos à saúde. “Não temos o pessoal ou os recursos para o volume e a variedade de produtos que os fazendeiros querem usar.”

FMC, Cheminova e Syngenta afirmaram que os produtos que comercializam são seguros se usados adequadamente. A proibição em um país não significa necessariamente que um agrotóxico deveria ser proibido em toda parte, argumentam, porque cada mercado tem necessidades diferentes para suas várias colheitas, pestes, doenças e climas. A Helm, sediada em Hamburgo, não respondeu aos pedidos de comentário.

“Não dá para comparar um país temperado”, explica Eduardo Daher, diretor-executido da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). “Temos mais pragas, mais insetos e mais safras.”

Especialistas em saúde pública rejeitam a justificativa. “Não importa se as safras e os solos no Brasil são diferentes…”, afirma Victor Pelaez, engenheiro de alimentos e economista da Universidade Federal do Paraná. “As pessoas, a saúde do ser humano, são iguais no mundo todo. Veneno em um lugar é veneno em todos, no Brasil também.”

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VIOLAÇÃO DISSEMINADA

Avaliações das agências reguladoras mostram que grande parte dos alimentos cultivados e vendidos no Brasil viola as regulamentações nacionais.

No ano passado, a Anvisa finalizou sua análise mais recente de resíduos de agrotóxicos em alimentos de todo o país. De 1.665 amostras coletadas, de arroz a cenoura e maçãs a pimentões, entre outros produtos, 29 por cento apresentavam resíduos que excediam os níveis permitidos ou continham agrotóxicos sem aprovação.

Desde 2007, quando o Ministério da Saúde do Brasil começou a manter uma série de registros mais recentes, o número de casos relatados de intoxicação humana causada por agrotóxicos mais que dobrou – de 2.178 naquele ano passou para 4.537 em 2013. O número anual de mortes ligadas ao envenenamento por esses produtos subiu de 132 para 206.

Especialistas em saúde pública dizem que as cifras reais são maiores, porque o acompanhamento continua sendo incompleto.

As pressões ficam claras em Limoeiro do Norte, município que fica a 197 km de Fortaleza (CE). O Estado era tudo menos um exemplo de fartura, mas a partir dos anos 1990 o Brasil criou um sistema de canais de irrigação na área e o plantio floresceu. E com ele o uso de agrotóxicos.

Em novembro, um tribunal federal manteve um veredicto que força a Fresh Del Monte Produce Inc., gigante global do mercado de frutas, a indenizar a viúva de um trabalhador que sofreu falência dos rins depois de manusear agrotóxicos regularmente. Em Limoeiro do Norte, um tribunal estadual está analisando as acusações contra um latifundiário acusado pela polícia de encomendar a morte de um ativista contrário ao uso de agrotóxicos.

“A região virou um grande laboratório para o pior da agricultura industrializada”, disse Raquel Rigotto, médica e socióloga da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza. Raquel sustenta que sua equipe de pesquisa encontrou indícios de muitos agrotóxicos na água que sai de torneiras da região e uma taxa maior de mortes ali, ocasionadas por câncer, do que em cidades próximas com pouco plantio.

O mundo tem usufruído muito do boom de cultivo de alimentos no Brasil. A população deve crescer quase 30 por cento ao longo das próximas três décadas, o que representa outros 2 bilhões de bocas para alimentar.

O crescente setor agrícola do Brasil será uma fonte crucial na alimentação. Mas em razão de sua luz solar equatorial, do clima e das plantações que vicejam o ano todo, o Brasil também é um terreno fértil para insetos, fungos e ervas daninhas – e os agricultores aplicam cada vez mais agrotóxicos para mantê-los sob controle.

LOBBY PODEROSO

Em 2013, o último ano com números disponíveis, os produtores brasileiros compraram o equivalente a 10 bilhões de dólares, ou 20 por cento do mercado global desses produtos. Desde 2008, a demanda do país aumentou 11 por cento por ano, mais do que o dobro da média mundial.

Um fator que vem impedindo salvaguardas mais rígidas para os agrotóxicos é o lobby cada vez mais poderoso do setor agrícola do Brasil.

Na eleições do ano passado, o agronegócio só ficou atrás das empreiteiras nas doações de campanha para a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

O apoio da presidente aos grandes projetos de infraestrutura e às fazendas industrializadas vêm revoltando os ambientalistas. As empresas de agricultura e alimentos do país representaram cerca de um quarto do dinheiro que ela recebeu dos grandes doadores, ou 89,5 milhões de reais, de acordo com registros eleitorais. Esta cifra baseia-se em uma análise das 118 maiores doações para a campanha de Dilma, o equivalente a 1 milhão de reais ou mais de cada doador.

No Congresso, quase metade dos 594 parlamentares tem identificação com a chamada “bancada ruralista”, grupo que aliviou as leis que proíbem plantações geneticamente modificadas e diminuiu os limites de desmate na Floresta Amazônica e em outras áreas florestadas. Propuseram, ainda, leis para deixar a regulamentação dos agrotóxicos a cargo de uma única agência, em vez das leis atuais que dão poder a Anvisa e as pastas de Agricultura e Meio Ambiente.

A assessoria de imprensa da Presidência da República não se pronunciou e sugeriu o Ministério da Agricultura. Por meio de uma nota, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Décio Coutinho, afirmou que os agrotóxicos são regidos pelas “leis ambientais mais rígidas do planeta”.

“O uso de agrotóxicos no Brasil obedece a normas e leis rigorosas que são cumpridas por grupos de técnicos, cientistas e funcionários públicos qualificados”, afirma,

Segundo Coutinho, esses grupos contam com total confiança da comunidade científica nacional e internacional e dos consumidores brasileiros e estrangeiros.

O secretário afirmou ainda que a relação entre o agronegócio e o governo, incluindo doações de campanha, é “ética e transparente”. E acrescentou que é um erro tentar insinuar, “sem qualquer indício ou fato”, que a administração pública do país seja submetida a influências. “Ou que o peso desta ou daquela bancada estaria limitando a aplicação das leis e o cumprimento das normas”, afirmou.

“A propósito: as bancadas são definidas pelo voto livre e soberano dos eleitores e sobre isso cumpre respeitar o direito constitucional do povo brasileiro”, acrescentou.

A influência da indústria e os orçamentos apertados das agências reguladoras limitam a capacidade brasileira para aplicar a regulamentação dos defensivos agrícolas.

“FAZENDEIROS ADORAM”

Tome-se como exemplo o tempo que a Anvisa leva para avaliar um defensivo agrícola que um fabricante pretende vender no Brasil. Por lei, a agência deve analisar um novo produto químico em no máximo 120 dias, mas a Anvisa pode levar anos. Com uma equipe de menos de 50 cientistas, comparados com as centenas de agências comparáveis dos EUA e da Europa, atualmente o organismo tem mais de mil agentes químicos aguardando verificação.

Também pode levar anos para a entidade tirar produtos químicos perigosos do mercado.

Um esforço para reavaliar 14 agrotóxicos controversos usados no Brasil, a maior parte deles proibida em outras nações, está em seu sétimo ano, atrasado por ações civis de fabricantes e pela oposição de muitos legisladores. “Todo dia tem uma coisa para responder. Se não tem processo, tem audiência pública”, afirmou Ana Maria Vekic, da Anvisa.

Até agora, a reavaliação levou a proibições de quatro agrotóxicos somente. Em dezembro, a Anvisa declarou que iria proibir a parationa metílica, banida nos EUA e na Europa, mas a agência brasileira ainda não explicou quando ou como irá agir.

Como resultado, a dinamarquesa Cheminova, que vende a substância, “não mudou seus planos em relação aos negócios com este produto”, segundo o porta-voz Lars-Erik Pedersen, que acrescentou que a procura atualmente é alta por causa da peste de bicudo-do-algodoeiro no algodão. “Os fazendeiros o adoram”, afirma.

Agricultores e empresas produtoras de agrotóxicos alegam que os atrasos da Anvisa obrigam os produtores a continuar a usar agentes químicos mais antigos e potencialmente mais nocivos, porque agrotóxicos mais seguros e eficazes estão aguardando aprovação.

“Estamos colocando lá produtos novos, mas há um gargalo para poder chegar no mercado”, disse Antonio Zem, presidente da unidade latino-americana da FMC, a fabricante norte-americana do inseticida Furadan. O produto é baseado no carbofurano, um composto a respeito do qual a Agência de Proteção Ambiental dos EUA concluiu em 2008 que “os perigos para a dieta, para o trabalhador e para o meio ambiente são inaceitáveis para todos os usos”.

A FMC afirma que vem tentando limitar as vendas do poderoso produto químico para grandes fazendas e para setores onde sua aplicação pode ser realizada sobretudo por máquinas, como o de cana-de-açúcar.

MORTE DE TRABALHADOR

O Furadan é um de muitos agrotóxicos usados em fazendas ao longo da Chapada do Apodi, região fértil no leste do Ceará. Ali, graças a 40 quilômetros de canais repletos de água bombeada do rio Jaguaribe, mais de 4.500 pessoas trabalham em campos de 324 propriedades.

As fazendas criaram empregos e levaram alguma prosperidade à região outrora pobre. A cidade de Limoeiro do Norte já foi conhecida como “a terra das bicicletas” porque os moradores não podiam comprar carros. Hoje ela vibra sob o tráfego pesado das caminhonetes e dos utilitários esportivos.

Mas pouco mais foi feito em termos de infraestrutura pública depois dos canais. Como resultado, muitos dos moradores da região obtêm água dos mesmos canais a céu aberto que irrigam as fazendas.

Os problemas no planalto emergiram ainda em 2008. Funcionários e vizinhos das fazendas começaram a se queixar a autoridades da igreja local e a sindicatos de trabalhadores dizendo ter coceira depois de tomar banho, e que seus animais de fazenda estavam ficando doentes.

Em julho daquele ano, Vanderlei Matos da Silva, empregado de 31 anos da Fresh Del Monte, relatou dores de cabeça, febre, inchaço na barriga e olhos amarelados. Nos três anos anteriores ele trabalhou para a empresa armazenando um agrotóxico em um depósito da plantação de abacaxi.

O emprego, de acordo com documentos e depoimentos de colegas apresentados a um Tribunal Federal do Trabalho, incluía misturar produtos químicos e preparar os borrifadores dos trabalhadores que os aplicavam. Vanderlei também limpava o depósito e muitas vezes armazenava produtos químicos sem uso em recipientes abertos, segundo testemunharam seus colegas.

Com frequência os ar deixava ele e seus colegas tontos. “A poeira dos agrotóxicos ficava no ar”, afirmou José Anaildo Silva da Costa, um dos trabalhadores. Outro deles, Francisco Ricardo Nobre, relatou que os administradores da plantação obrigavam os trabalhadores a esconder certos agrotóxico quando ficavam sabendo de uma inspeção iminente.

A Fresh Del Monte, sediada em Coral Gables, na Flórida, não quis comentar o caso.

“ALTAMENTE TÓXICO”

Um dos produtos, de acordo com as testemunhos, era o paraquat. Herbicida que existe há decadas, o paraquat foi proibido na União Europeia e teve seu uso restrito nos Estados Unidos. No Brasil, Syngenta, Helm e outras três companhias têm licença para vendê-lo.

O paraquat é “altamente tóxico”, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês). Entre outros males, segundo o CDC, o paraquat causa insuficiência renal, cardíaca e hepática.

Ao menos parte do paraquat vendido para a Fresh Del Monte durante a época em que Silva esteve empregado veio da Syngenta, segundo uma nota fiscal de venda obtida pelo Ministério Público do Trabalho e vista pela Reuters. A Syngenta não vai comentar o caso.

Em agosto, Silva já não conseguia mais trabalhar. Em outubro, foi atendido em uma clínica de Limoeiro e transferido três semanas depois para um hospital maior em Fortaleza. Ele morreu um mês depois, deixando um filho de 1 ano e uma viúva que começou uma batalha que já dura anos para receber pagamentos atrasados e indenizações da Fresh Del Monte.

A causa oficial da morte foi insuficiência renal e hepática e hemorragia digestiva. A Fresh Del Monte se negou a comentar a morte de Silva. No tribunal, os advogados da companhia alegaram que ele havia sido diagnosticado com uma forma viral de hepatite que não tinha relação com suas funções. O juiz rejeitou o argumento.

Perto dali, José Maria Filho, agricultor familiar da chapada, começou a se queixar às autoridades locais sobre os animais da fazenda e sobre as coceiras. Ele acusou os grandes latifundiários de usar agrotóxicos em excesso, especialmente com os aviões de pulverização, que espalhavam produtos químicos nos canais e em outras áreas adjacentes a terras de cultivo.

“MEXENDO COM GENTE GRANDE”

“Tinha a língua comprida”, lembra Luiz Girão, criador de gado local e ex-parlamentar influente entre os fazendeiros da região.

José Maria Filho conseguiu fazer com que os cientistas liderados por Rigotto pesquisassem a água na região. Um estudo que conduziram no final de 2008 analisou amostras tiradas de 25 pontos ao longo dos canais e das torneiras de algumas casas.

O estudo investigou a presença de 22 agrotóxicos diferentes. Em cada amostra, os pesquisadores encontraram resíduos de pelo menos três dos compostos, e em alguns casos até 12. Os agricultores da área rejeitaram o estudo, argumentando que a pesquisa não determinou a concentração de cada agente químico na água, deixando assim de provar o quão tóxicos seriam.

Ao longo de 2009, Filho continuou a se pronunciar. Ele compareceu a reuniões da Câmara Municipal de Limoeiro do Norte, e em novembro já tinha convencido um número suficiente de membros da Casa, apesar da oposição de grandes latifundiários a aprovarem uma proibição aos voos de pulverização.

“Eles estavam furiosos”, relembra Reginaldo Araújo, professor local e ativista trabalhista.

Alguns fazendeiros continuaram com as pulverizações mesmo assim.

No começo de 2010, Filho passou a tirar fotos e fazer vídeos de um avião decolando de um campo de voo local. Ele disse às pessoas de Limoeiro do Norte que estava coletando indícios sobre violações com agrotóxicos.

Ele também passou a receber ameaças.

De acordo com um inquérito policial detalhado em uma denúncia vista pela Reuters, uma pessoa não identificada ligou para Filho e avisou que ele estava sendo seguido. A pessoa disse que ele era acompanhado enquanto viajava por estradas locais de motocicleta, muitas vezes com seu filho.

“Você é muito covarde, porque não anda só, só anda com uma criancinha na garupa”, afirmou a pessoa.

No campo de voo, segundo uma queixa que Filho fez à polícia, um segurança o alertou: “Você está mexendo com gente grande. Isso é perigoso.”

MORTO A TIROS

No dia 21 de abril, quando ia para casa através de plantações de banana, Filho foi atingido 25 vezes com uma pistola calibre .40.

Um mês depois, o conselho da cidade revogou a proibição às pulverizações.

Após uma investigação de dois anos, a polícia acusou João Teixeira, um latifundiário, fazendeiro e empresário local que coordenava as pulverizações no planalto, de encomendar o assassinato. Usando exames de balística e registros de chamadas de celular, como afirmou na denúncia, a polícia reuniu ligações entre o capataz de Teixeira, dois moradores e um matador de aluguel, que mais tarde foi morto em uma troca de tiros. Teixeira e outros três foram indiciados pela morte de Filho.

Por telefone, Teixeira declarou: “Nós não tivemos nada a ver.” Ele se recusou a discutir o assunto. Um juiz de Limoeiro deve decidir nos próximos meses se o caso irá a julgamento.

Nesse meio tempo, dois tribunais decidiram a favor de Gerlene Santos, a viúva de Vanderlei. Em 2013, uma corte de Limoeiro ordenou que a Fresh Del Monte pagasse indenizações no valor de 350 mil reais, e uma instância superior manteve a decisão.

Na chapada, as tensões permanecem.

Uma placa de concreto do lado de fora da associação de fazendeiros está coberta de pichações de caveiras e frases como “Agrotóxico causa câncer”.

Em uma plantação local, a Tropical Nordeste SA, os executivos procuram dissipar a ideia de que os agricultores são irresponsáveis.

“A gente usa o mínimo de produto possível”, garantiu Edson Brok, dono da fazenda, que exporta bananas para a Europa e recentemente recebeu um prêmio de excelência de uma associação estrangeira de compradores. “Não posso me arriscar com comprador para eles acharem que aqui não está tudo certo.”

Em outubro passado, um trabalhador da Tropical Nordeste publicou no Facebook fotos que tirou de um tanque vazando agrotóxico no depósito. Ele também postou fotos de botas de trabalho rasgadas que ele alega que a empresa se recusou a trocar quando ele pediu botas novas, o que viola leis de segurança no trabalho.

Diego Oliveira da Silva, o “químico” de 25 anos, como são chamados os fumigadores de agrotóxico na área, declarou em uma entrevista que os capatazes da fazenda também pediram a ele e a seus colegas que esgotassem seu estoque de Furadan, o agente químico da FMC, dias antes de uma inspeção. Dois outros trabalhadores, que pediram anonimato, fizeram a mesma alegação.

Diego foi demitido por publicar as fotos.

Hugo Carrillo, administrador da plantação, disse que o tanque com vazamento era um problema temporário causado por uma torneira quebrada, que foi consertada no mesmo dia. As botas, afirmou, estavam em falta em um fornecedor local, mas na verdade já tinham sido encomendadas.

Quanto à alegação de que encobriu o uso de agrotóxicos perigosos, Carrillo respondeu: “Por que eu esconderia o Furadan? Não é proibido no Brasil.”

Fonte: Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

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Mototaxistas depredam delegacia no PA após morte de colega de trabalho

Suspeitos vão responder por dano qualificado e associação criminosa.
Motorista que atropelou mototaxista teve que ser transferido de delegacia.

Políciais registraram resultado das depredações no
prédio da delegacia. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Seis pessoas foram presas nesta quarta-feira (8) após depredar a delegacia de São João de Pirabas, no nordeste do estado. Segundo o superintendente da 6ª Região Integrada de Segurança Pública do Caeté, delegado Augusto Damasceno, outras quatro pessoas suspeitas de participar do crime já foram identificadas.

A depredação teria ocorrido após a morte de um mototaxista no centro do município. “O condutor de uma caçamba atropelou o rapaz, que morreu no local. Outros mototaxistas cercaram a caçamba e o condutor se sentiu acuado, e acabou fugiu do local. Os policiais o prenderam na saída da cidade e o levaram para a delegacia de Pirabas”, explicou Damasceno.

Mesmo após a prisão, as pessoas quiseram invadir a delegacia, segundo o delegado, para “fazer justiça com as próprias mãos”. “Os policiais não deixaram e saíram as pressas com o condutor para evitar que ele fosse linchado. Então eles depredaram a delegacia. O motorista foi transferido para Capanema, onde está sendo autuado por homicídio culposo”, detalhou o superintendente.

Os suspeitos de envolvimento na depredação vão responder por dano ao patrimônio público e associação criminosa, quando três ou mais pessoas se unem para cometer um crime.
Do G1 PA

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Indonésia adia execuções, incluindo a do réu brasileiro

Indonésia adia execuções, incluindo a do réu brasileiro
País adiou para depois do Congresso Ásia-África, entre 18 e 24 de abril.
São 11 os réus no corredor da morte à espera da execução.
Rodrigo Gularte segue no corredor da morte na Indonésia. (Foto: AFP Photo)A Indonésia afirmou nesta quinta-feira (9) que a execução de vários réus condenados por narcotráfico no país, incluindo o brasileiro Rodrigo Gularte, será adiada até depois do encerramento do Congresso Ásia-África, previsto para ocorrer entre os dias 18 e 24 deste mês.

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“A realização do próximo Congresso Ásia-África é a principal consideração para a suspensão”, disse o porta-voz da procuradoria da Indonésia, Tonny Spontana, que afirmou anteriormente que as execuções seriam feitas em abril, informou o jornal “Jakarta Post”.

O governo federal e familiares de Gularte alegam que ele sofre de esquizofrenia, por isso não deveria ser executado.

Apesar dos pedidos de clemência por parte da presidente Dilma Rousseff, do primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, e do presidente da França, François Hollande, o líder indonésio, Joko Widodo, reiterou a firmeza de seu governo contra o narcotráfico e descartou as solicitações.

Em janeiro, a Indonésia fuzilou seis presos acusados de narcotráfico, entre eles Marco Archer Cardoso Moreira, o que causou uma crise diplomática entre o país asiático e o Brasil.

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A Indonésia, que retomou as execuções de réus em 2013, mantém 133 prisioneiros no corredor da morte, 57 acusados por tráfico de drogas, dois por terrorismo e 74 por outros crimes.

Da EFE

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Mega-Sena acumula e prêmio pode chegar a R$ 46 milhões

Confira as dezenas sorteadas: 05 – 15 – 18 – 19 – 21 -38.
Quina teve 178 apostas ganhadoras, com prêmio de R$ 22.383,35 cada.
A Caixa Econômica Federal (CEF) sorteou, na noite desta quarta-feira (8), as dezenas do concurso 1693 da Mega-Sena. O sorteio foi realizado em Osasco (SP) e o valor prêmio principal era de R$ 37.635.793,70.

Nenhum apostador acertou as seis dezenas. A estimativa de prêmio para o próximo concurso, que será sorteado no sábado (11), é de R$ 46 milhões.

Veja as dezenas: 05 – 15 – 18 – 19 – 21 – 38.

A quina teve 178 apostas ganhadoras e o prêmio para cada uma delas é de R$ 22.383,35. A quadra teve 4 apostas ganhadoras, cada uma delas com direito a R$ 406,64.

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Para apostar
A Caixa Econômica Federal faz os sorteios da Mega-Sena duas vezes por semana, às quartas-feiras e aos sábados. As apostas podem ser feitas até as 19h (de Brasília) do dia do sorteio, em qualquer lotérica do país. A aposta mínima custa R$ 2,50.

Do G1, em São Paulo

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Carro caiu do mirante de Tabatinga altura de 50 metros

Um carro caiu do mirante de Tabatinga, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, na noite desta terça-feira (7).

Um jovem de 29 anos que estava dentro do veículo morreu.

O Corpo de Bombeiros só foi acionado na manhã desta quarta-feira (8).

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O Itep esteve no local e retirou o corpo da vítima.

Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, moradores das proximidades informaram que o carro caiu na noite de terça-feira. O corpo da vítima ficou preso às ferragens e foi retirado pelo Corpo de Bombeiros na manhã desta quarta. O carro é uma EcoSport com placas de Natal. Ainda não se sabe as causas do acidente.

A praia de Tabatinga fica no município de Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal, a 30 quilômetros da capital. O mirante fica a uma altura de 50 metros acima da praia e é um ponto turístico de grande visitação no litoral sul.

Mirante fica em cima das falésias na praia de Tabatinga, no litoral Sul do RN (Foto: Canindé Soares)

Mirante fica em cima das falésias na praia de Tabatinga, no litoral Sul do RN (Foto: Canindé Soares)
Mirante fica em cima das falésias na praia de Tabatinga, no litoral Sul do RN (Foto: Canindé Soares)

G1

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MPE manda prefeito demita servidores parentes de vereadores em 60 dias

O MPE/MS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) recomendou que a Prefeitura de Brasilândia, cidade a 355 quilômetros de Campo Grande, exonere todos os servidores parentes de vereadores até o terceiro grau.
O prefeito Jorge Justino Diogo (PT) tem 10 dias a partir do recebimento da recomendação para decidir se acolherá ou não a decisão do MPE.

Segundo o Ministério Público, o objetivo da ação é defender o patrimônio público e social, assim como respeitar os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade. A recomendação, ainda segundo o órgão, também evitará eventuais demandas judiciais contra as autoridades competentes.

Por isso, a partir do recebimento da recomendação, caso acate a ação, a prefeitura deverá exonerar os servidores em 60 dias. Deverão ser demitidos servidores dos cargos de provimento em comissão e das funções de confiança.

A decisão vale para servidores em regime de contratação que são parentes, até o terceiro grau, de vereadores. O parentesco pode ser de sangue ou de proximidade, como cunhados, genros, etc.

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Só não serão demitidos contratados graças a procedimento seletivo, ou seja, concurso. Ainda segundo o texto do MPE, a nomeação de parentes de vereadores para o exercício de cargos em comissão, funções de confiança ou exercício de atribuições por contratação temporária, é vista pela sociedade como troca de favores.

Com a prática, é possível a interpretação de que o Executivo poderia estar adquirindo o apoio dos representantes do Poder Legislativo municipal. A recomendação foi divulgada no Diário Oficial do MPE desta terça-feira (7).

O Campo Grande News tentou falar com o prefeito de Brasilândia, Jorge Justino, mas nenhuma ligação foi atendida.

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Por: Campo Grande News/Liana Feitosa

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Mais rigor: resolução regula castração de animais

Só clínica e hospitais podem fazer os procedimentos, segundo conselho

A esterilização cirúrgica, popularmente chamada de castração de cães e gatos, é um procedimento muito procurado e pode ser realizado em clínicas e hospitais particulares, nunca em consultórios, com valores entre 500 a 800 reais, dependendo do porte do animal e do tipo de anestesia, ou ainda, nos hospitais das Universidades Federais (Ufra e UFPA) com preço mais acessíveis.

Estima-se que a população de cães e gatos na capital paraense é de 195 mil, segundo a última campanha de vacinação da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Para garantir o bem-estar animal e das pessoas uma alternativa é controlar a reprodução desses animais. Entrou em vigor a partir de março deste ano uma nova política de saúde pública, através da resolução nº 008/2015 do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). Com isso, passa a ser normatizado os procedimentos de castração dos chamados animais de companhia.

Segundo a vice-presidente do CRMV, Liliane Almeida Carneiro, “somente com uma medida legal é que se pode ter o controle desses Programas assim como dos seus reflexos na preservação da qualidade de vida das pessoas e dos animais, não é uma medida burocrática e sim uma medida consciente”, argumenta.

Embasada pela Resolução nº 962 de 27 de agosto de 2010 do Conselho Federal de Medicina Veterinária, a nova resolução torna mais rigorosa a esterilização cirúrgica, abrangendo exclusivamente os procedimentos em programas oficiais de instituições públicas, como as secretarias de saúde estaduais e municipais, além das universidades, entre outros.

A resolução inclui o pré-operatório, transoperatório e o pós-operatório e exige o arquivamento por cinco anos de informações dos beneficiários e dos animais atendidos; o respeito às técnicas de antissepsia, bem como a utilização de material cirúrgico esterilizado por método químico ou físico para cada procedimento; o responsável técnico deve entregar por escrito ao proprietário do animal as recomendações no período pós-operatório, além de garantir o retorno para a retirada dos pontos e avaliação médica, entre outras exigências.

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Desde novembro de 2010, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) desenvolve o “Projeto Vida Digna”, referência em esterilização de cães e gatos de forma gratuita, atendendo animais entre seis meses e seis anos, sem raça definida, principalmente de comunidades carentes, registrando média de 20 a 30 atendimentos por semana. Além disso, desenvolve o “Projeto Vida Digna Itinerante” no Marajó e em Soure, onde as cirurgias são realizadas em espaço com ambientação cirúrgica, com todos os materiais esterilizados e descartáveis, além de uma veterinária de plantão para a retirada dos pontos.

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BENEFÍCIOS

Na avaliação da professora Nazaré Fonseca, coordenadora do “Projeto Vida Digna”, a nova resolução traz benefícios aos animais e à população. “Uma cadela dá em média 4 a 5 filhotes. Se multiplicar isso ao longo dos anos vamos ter uma superpopulação de cães. O controle populacional dos animais é importante, principalmente quando se trata de saúde pública. Com a diminuição do nascimento, teremos menos animais nas ruas, nos açougues, disseminando a raiva que é mortal para o homem, além de outras doenças como a leptospirose. Além disso, evitamos que nasçam animais que serão abandonados futuramente e com isso conseguimos qualidade de vida para esse animal”, ressaltou.

O projeto da Ufra é totalmente notificado dentro da universidade, nas pró-reitorias de Pesquisa; de Extensão; e na Comissão de Ética de Uso de Animais (CEUA), com autorização para funcionar, contando com presença de profissionais qualificados, de bolsistas e com todo o material cirúrgico esterilizado e descartáveis. De acordo com Nazaré Fonseca, a resolução nº 008/2015 do CRMV vai melhorar ainda mais o atendimento aos animais no Estado. “Cada dia que passa fico feliz porque a causa animal vem sendo cobrada e cumprida para o bem estar do animal”, completou.

A estudante de Direito Isabela de Souza Pimentel, 21 anos, pretende submeter seu gato Téo à castração. Há dois meses ela resgatou o animal abandonado no lixo, ferido, faminto e muito fraco. A princípio pretendia procurar uma família para o bichinho. Mas logo se apegou e hoje, com aproximadamente dois meses de idade, ela toma todos os cuidados com a saúde do mais novo membro da família.

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“Levamos logo ele ao veterinário, que estimou a idade dele em dois meses. Foi o próprio veterinário que sugeriu a castração, porque isso ajuda a não desenvolver doenças, deixa o animal mais calmo. Já estou pesquisando os locais para fazer a cirurgia e me recomendaram a Ufra, porque os veterinários são muito bons e a cirurgia é simples”, avalia Isabela. Para ela, o controle populacional de cães e gatos evita o abandono. “Muitos filhotes não conseguem ser adotados. Foi o que aconteceu com o Téo. Ele é, assim como todo bichinho, super carinhoso, companheiro e trouxe alegria desde que chegou. Impossível não querer perto”, diz ela.

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A fisioterapeuta Nathália Batista, 22 anos, há quase três anos decidiu castrar sua gata de estimação, Mel, mas a cirurgia teve complicações. A família desembolsou mais recursos na recuperação da felina. “Os pontos da cirurgia se abriram e acabaram infeccionados. Teve um dia que o local da cirurgia estava tão feio e sangrando, que precisamos levar a Mel às pressas a uma clínica veterinária no meio da madrugada”, lembra. “Procuramos economizar, mas gastamos muito mais. Minha gata sofreu muito e até hoje sente incômodo no local da cirurgia”, frisa Nathália.
Fonte: ORMNews.
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Reduzir emissões não dependerá apenas da Amazônia, diz pesquisador do Inpe

“A Amazônia reduziu seu papel na assimilação de dióxido de carbono e isso pode implicar na sua perda como mitigadora global”, diz Luiz Aragão, pesquisador da Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo ele, o Brasil terá que investir em alternativas como mudanças no uso da terra para mitigar suas emissões sem depender apenas das florestas para esse papel.

A constatação veio a partir do estudo publicado pela revista “Nature”, cujo resultado revelou que um aumento na mortalidade das árvores na Amazônia está afetando sua capacidade em sequestrar carbono. O gás armazenado pelo bioma na década de 1990 chegou a dois bilhões de toneladas por ano. De 2000 para cá, essa capacidade reduziu até chegar a um bilhão de toneladas de CO2 por ano, uma queda de 50% em pouco mais de 20 anos. O estudo considerou áreas que não sofreram consequências diretas de atividades humanas.

Diante desse cenário, o pesquisador ressalta que qualquer método que vise reduzir a emissão de carbono pode ser uma alternativa. “É preciso combater as emissões de carbono por meios alternativos, principalmente diminuir o desmatamento e a degradação florestal, mudanças no uso da terra e redução do uso de combustíveis fósseis”.

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Perda de árvores

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Uma combinação de fatores pode ter levado ao aumento da mortalidade de árvores na Amazônia. O excesso de carbono, elemento essencial para a fotossíntese, gerou um rápido crescimento das plantas e, consequentemente, uma morte precoce. Além disso, severas mudanças climáticas como as secas na região em 2005 e 2010 provocaram um déficit de água no solo. De acordo com a pesquisa, desde a década de 1980 as taxas de mortalidade de árvores da Amazônia aumentaram em mais de um terço.

“Seja por ‘intoxicação’ por excesso de CO2 na atmosfera ou por eventos de secas intensas e prolongadas na Amazônia, as árvores, mesmo aquelas em áreas protegidas, estão morrendo”, alerta Paulo Moutinho, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Além de menos árvores absorvendo carbono, diz o especialista, o processo de decomposição do material vegetal gera uma intensa liberação de gás na atmosfera.

Em 2012, pesquisadores da Agência Espacial Americana (Nasa) identificaram a diminuição da capacidade da floresta de absorver carbono, relacionada às intensas secas sofridas no bioma. De acordo com Moutinho, o mesmo alerta já havia sido dado pelo Ipam em experimentos de exclusão de chuva realizados na região anos atrás.

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Segundo Moutinho, estudo recente do Ipam mostrou que o desmatamento contribuiu igualmente para o aumento da mortalidade de árvores, graças ao aumento excessivo na temperatura regional devido à remoção da vegetação nativa. “Sem a floresta, o calor aumenta e a evapotranspiração das árvores diminui, reduzindo a quantidade de vapor de água na atmosfera”.

Com a redução de chuva local, maior a mortalidade árvores e maior a incidência de fogo florestal. “Com mais CO2, mais seca e mais fogo, a mortalidade poderá aumentar ao longo do tempo e trazer sérios danos na capacidade da Amazônia funcionar com um “ar condicionado” ou “regador” da região”.

Para o diretor do Ipam, cortar emissões de outras fontes é um caminho que deve ser trilhado sempre. “A agricultura de baixo carbono certamente tem um papel fundamental nesse processo de mitigação das emissões”. Moutinho ressalta, contudo, a importância da preservação de grandes áreas florestadas. “De nada adiantará uma agricultura sustentável se não houver um clima úmido e chuvoso propiciado pelas florestas nativas da região. Em um futuro próximo, a floresta será a garantia de um clima adequado à produção agrícola que, esperamos, seja em grande parte de baixa emissão de carbono”, finaliza.
Fonte: EcoDebate.
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