Protesto no segundo dia da COP30 deixa seguranças feridos e bloqueia saída na blue zone; veja vídeo

Foto: Reprodução | Incidente ocorreu por volta 19h20, logo depois da entrevista coletiva que apresentou o balanço do dia.

Um protesto realizado no começo da noite desta terça-feira (11), segundo dia da COP30, deixou quatro seguranças feridos e bloqueou a saída de pessoas que estavam credenciadas para a blue zone. A área concentra os espaços de negociação da Conferência do Clima.

O incidente ocorreu por volta das 19h20, logo depois da entrevista coletiva que apresentou o balanço do dia.

Um grupo com dezenas de pessoas tentou invadir a blue zone. Os manifestantes passaram pelas portas do pavilhão e tentaram avançar rumo aos espaços onde estavam os participantes da conferência. Eles foram impedidos e acabaram entrando em confronto com os seguranças da COP.

Um porta-voz da ONU para Mudanças Climáticas informou ao g1 que equipes de segurança brasileiras e da ONU seguiram todos os protocolos estabelecidos e conseguiram conter a situação. As autoridades dos dois órgãos investigam o caso.

“O local está totalmente seguro, e as negociações da conferência continuam normalmente”, afirmou o porta-voz da ONU. “O incidente causou ferimentos leves em dois seguranças e pequenos danos à estrutura do local”.

Como foi a tentativa de invasão

Protesto na COP — Foto Anderson CoelhoReuters
Protesto na COP — Foto Anderson CoelhoReuters

Vídeos do protesto mostram que a tentativa de invasão começou com a aproximação de um grupo que usava trajes indígenas. Eles passaram pelos portões da entrada principal e pela área das máquinas de raio-x. Eles se espalharam pelo saguão, perto da área de credenciamento.

Logo na sequência, outros manifestantes carregando bandeiras de coletivos estudantis e faixas de protesto contra a exploração de petróleo chegaram ao espaço da blue zone e também foram contidos pelos seguranças.

A pedido da ONU, a Polícia Federal vai instaurar inquérito para investigar a invasão. Imagens das câmeras externas e internas da blue zone foram requisitadas e serão analisadas.

Após correria e bloqueio interno, os manifestantes foram retirados do espaço e as pessoas com credenciais puderam deixar o pavilhão. A segurança foi reforçada com o deslocamento de carros da Polícia Militar. Não há informações de detidos.

O secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, afirmou que a organização da conferência estava tomando todas as providências sobre o tema.

“A ONU tem todos os seus protocolos de segurança. (…) Nós fazemos os pactos pacíficos de convivência com os movimentos e eles (segurança da ONU) estão aqui para garantir a segurança”, afirmou.

Após a confusão, autoridades federais e da ONU se reuniram para discutir o incidente. A entrada de trabalhadores noturnos no pavilhão foi adiada.

Marcha Saúde e Clima nega relação

Nesta tarde, o parque onde ocorre a COP foi o destino final da Marcha Global Saúde e Clima. A organização da Marcha informou ao g1 Pará que cerca de 3 mil pessoas participaram da caminhada em um percurso de 1,5 km.

“As organizações que integram a Marcha Global Saúde e Clima vêm a público esclarecer que não têm qualquer relação com o episódio ocorrido na entrada da Zona Azul da COP30 após o encerramento da marcha”, informaram os organizadores do evento.

A Marcha saiu da Avenida Duque de Caxias até a sede da COP30. A manifestação envolveu médicos, enfermeiros, estudantes, lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais pedindo políticas de saúde pública.

Homem ferido na testa na COP30. — Foto Lizandra Rodrigues
Homem ferido na testa na COP30. — Foto Lizandra Rodrigues

Veja vídeo:

Fonte: BBC  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/11/2025/07:26:13

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O ‘roubo’ transatlântico que mudou a história de Belém e da Amazônia

Hoje, ainda há uma seringueira plantada no Kew Gardens, em Londres | Foto: João da Mata / BBC

O ano era 1876 e o local era o porto de Belém do Pará. O inglês Henry Wickham, a bordo do transatlântico SS Amazonas, estava nervoso. Um atraso poderia arruinar a carga valiosa e perecível que ele carregava no porão: 70 mil sementes da Hevea brasiliensis, a seringueira.

Às autoridades portuárias paraenses, ele declarou que dentro das caixas havia “amostras botânicas extremamente delicadas” destinadas ao Jardim Botânico Real de Kew Gardens, de propriedade de “Sua Majestade Britânica”, a rainha Vitória, em Londres.

“Na minha mente, eu tinha toda a certeza de que se as autoridades descobrissem o objetivo do que eu tinha a bordo, seríamos detidos sob a alegação de que necessitavam de instruções do governo central do Rio, se é que não seríamos interditados”, escreveu Wickham nas suas memórias.

Liberado para cruzar o Atlântico, numa viagem “calma e azul”, o inglês deixava para trás uma cidade em obras que estava se transformando em uma das mais modernas e pujantes das Américas, mas não por muito tempo.

Como a elite de Belém iria descobrir algumas décadas mais tarde, o objetivo encoberto pelo inglês era puramente econômico: estabelecer uma indústria de cultivo de seringueiras, então exclusivas da Amazônia, do outro lado do mundo, nas colônias britânicas na Ásia.

E ele foi cumprido

Wickham ao lado de uma seringueira plantada a partir de semente levada por ele da Amazônia Foto Getty Images
Wickham ao lado de uma seringueira plantada a partir de semente levada por ele da Amazônia Foto Getty Images

Naqueles anos, a industrialização nos países da Europa e nos EUA crescia a um ritmo rápido, e a demanda pela poderosa borracha encontrada no Brasil, que passou a ser usada em pneus e máquinas, explodia.

“Na década de 1860, você chega a uma situação em que o preço da borracha que chega aos portos de Londres é maior do que o da prata”, conta à BBC News Brasil Caroline Cornish, coordenadora de pesquisa em humanidades do Kew Gardens, em Londres, instituição da realeza que contratou os serviços de Wickham.

“As potências imperiais perceberam que, se quisessem expandir suas indústrias a um preço acessível, teriam que assumir o controle de seu próprio suprimento de borracha. Então foi isso que motivou todo o projeto de tirar sementes do Brasil e replantá-las, no nosso caso, em territórios britânicos no Sudeste Asiático.”

No Jardim Botânico de Londres, apenas 2,6 mil das sementes levadas por Wickham germinaram, e foi o suficiente para serem transplantadas a países como Singapura, Malásia e Sri Lanka, onde se adaptaram com sucesso.

As vantagens dos seringais asiáticos criados pelos ingleses em relação aos brasileiros eram enormes. No Brasil, muitos seringais eram acessíveis somente por via fluvial, com meses de viagem entre o local de extração do látex e o destino final.

As seringueiras também estavam espalhadas pela floresta, não concentradas em um só lugar.

Na década de 1910, diante da nova concorrência concretizada, a economia amazônica, que vinha se baseando quase exclusivamente na exploração da borracha, ruiu.

“Essa economia se revela, na verdade, desde muito cedo, uma economia muito frágil, muito dependente de uma única commoditie e dos preços do mercado internacional”, explica Nelson Sanjad, especialista no ciclo da borracha no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.

Belém era o porto por onde saía a borracha da Amazônia em direção à Europa Foto Vitor SerranoBBC
Belém era o porto por onde saía a borracha da Amazônia em direção à Europa Foto Vitor SerranoBBC

A travessia de Wickham da Amazônia à Europa naquele ano, portanto, marcou o início do fim do que foi chamado de “ciclo da borracha”, o auge da economia da região entre o fim do século 19 e início do século 20.

Era também o início de uma decadência de cidades como Manaus e Belém, transformadas durantes décadas em centros de riqueza, de arquitetura europeia e pioneiras em reformas urbanas, como a implantação de sistemas de iluminação elétrica.

Para os milhares de brasileiros que haviam se mudado para as periferias amazônicas, atraídos pela fascinação quase mítica da borracha, restou a floresta que o mundo pela primeira vez dava as costas.

Agora, sede da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, a COP30, Belém traz os olhos do mundo de volta para a floresta. Dessa vez, para enxergar nela não o que se pode extrair, mas o que se pode preservar.

A BBC News Brasil mergulhou nessa história (veja também em vídeo) e ouviu dos especialistas os aprendizados – sobre biodiversidade, desenvolvimento e desigualdade – que os altos e baixos do ciclo da borracha podem trazer para vida atual de Belém e da floresta.

Wickham, ladrão?

A colheita das sementes de seringueiras na região do rio Tapajós, no oeste do Pará, e a passagem por Belém são descritas pelo próprio Wickham como uma “farsa” montada e um “contrabando”, como relata o escritor Joe Jackson no livro O ladrão do fim do mundo (Editora Objetiva).

Mas, para o pesquisador Nelson Sanjad, do Museu Paraense Emílio Goeldi, parte dessa narrativa foi usada pelo próprio Wickham para dar contorno de heroísmo à sua história.

Pelos serviços prestados à coroa britânica, ele chega a receber o título de cavalheiro da Ordem do Império Britânico, tornando-se “Sir”, em 1920.

Mas o que de Wickham de fato fez, segundo Sanjad, foi completar um processo que muitos exploradores europeus tentavam concluir naquele momento: levar as seringueiras para fora do Brasil.

Henry Wickham foi visto como herói no Reino Unido Foto AFP via Getty Images
Henry Wickham foi visto como herói no Reino Unido Foto AFP via Getty Images

“Ele é a pessoa que teve talvez as condições apropriadas, no momento certo, para fazer essas coletas, o trabalho de reprodução no jardim botânico e a organização da produção em larga escala no mundo colonial europeu”, diz o pesquisador.

Além do inglês, os franceses e holandeses tentaram realizar o mesmo processo com plantações no Vietnã e na Indonésia, respectivamente, mas sem o sucesso britânico.

“Agora é um fato que ele se torna o ícone, o símbolo da falência dessa economia da Amazônia”, completa Sanjad.

Contatado pelo Kew Gardens, Wickham já vivia na Amazônia, na região de Santarém (PA), com vínculos com os chamados federados, americanos fugidos da guerra civil no Sul dos Estados Unidos.

“Ele certamente conhecia bem a terra, as pessoas e consegue reunir as 70 mil sementes em questão de poucos dias”, relata a pesquisadora Caroline Cornish, do Kew Gardens.

Apesar de a coleta das sementes e a transferência para Londres ser descrita como “roubo” e um dos primeiros casos de “biopirataria”, os termos também são alvo de debate.

“Se você está apenas olhando para a estrutura legal na época, não havia uma lei sobre a exportação de sementes de borracha do Brasil. Então, não era tecnicamente ilegal, mas obviamente também não era completamente ético”, diz Cornish, em Londres.

Em Belém, Nelson Sanjad reforça que não havia uma legislação que apontasse uma ilegalidade da ação naquela época e que, portanto, não deve ter sido difícil para Wickham sair do Brasil com o navio cheio.

“Eu creio que considerar isso biopirataria ou tráfico seja um anacronismo”, avalia. Isso é, avaliar um fato do passado com as lentes de hoje.

“Nós temos notícias de naturalistas que entram na Amazônia e levam milhares de plantas, animais e artefatos indígenas. Essa é uma prática comum no século 19, uma prática colonial de apropriação.”

A seringueira é nativa da floresta Amazônia Foto Vitor SerranoBBC
A seringueira é nativa da floresta Amazônia Foto Vitor SerranoBBC

“Acho que o mais importante de tudo isso não é julgar e condenar, mas tentar entender essas formas de controle, de produção, de colonialismo, que estão em jogo nesse momento, no século 21, para que isso não se perpetue”, conclui Sanjad.

Representando o Kew Gardens, Caroline Cornish diz que o jardim botânico de Londres “reconhece que o colonialismo foi um processo extrativista, que foi um dos muitos atores envolvidos nesse movimento e em todas as consequências ambientais, humanas e econômicas”.

Das bolas indígenas aos pneus Michelin
Seja para impermeabilizar objetos ou para a fabricação de bolas usadas em brincadeiras, os povos indígenas da Amazônia já usavam o látex séculos antes dos primeiros contatos com os europeus.

Em 1730, acontece um marco importante do conhecimento do látex no outro lado do mundo, com a viagem do explorador francês Charlie Marie de La Condamine.

Em expedição pelo rio Amazonas, ele convive com indígenas Omágua e começa a escrever sobre a borracha utilizada por aquele povo. Os relatos logo se espalham pela Europa.

Bola de látex feita por indígenas da Amazônia e as sementes de seringueira Foto Getty Images
Bola de látex feita por indígenas da Amazônia e as sementes de seringueira | Foto: Getty Images

No Brasil, os portugueses começam a aplicá-la na impermeabilização de calçados, com evidências documentais mostrando existência de fábricas de botas e sapatos em Belém que exportavam para Europa desde o final do século 18.

Mas havia um problema: a borracha, até então, era um material inconsistente, sem estabilidade. No excesso do calor, ela ficava pegajosa; no excesso de frio, quebradiça.

Isso muda em 1839, quando o inventor americano Charles Goodyear cria um processo chamado vulcanização,

Ele consistia em misturar a borracha com enxofre e aquecê-la, para que ela ficasse mais resistente, durável e elástica.

A partir daí, várias novas tecnologias, produtos e aplicações começaram a surgir, como o pneu de automóvel, inventado pelos irmãos Michelin em 1845

“A borracha é a matéria-prima que propicia uma segunda revolução industrial. A partir dela, vários instrumentos e objetos que eram fabricados antes com couro, começam a ser fabricados com a borracha, tendo uma aplicação praticamente infinita”, explica Nelson Sanjad.

O comércio da borracha passa a escalar mundialmente, impulsionada pela popularização da bicicleta e a chegada dos automóveis

Estava formado o chamado boom da economia da borracha amazônica

Na segunda metade do século 19, a Amazônia dominava pelo menos 90% do mercado mundial da borracha. O restante vinha de outras árvores, menos produtivas que a seringueira brasileira.

Também nessa época, o governo brasileiro abre o rio Amazonas ao comércio internacional, permitindo a entrada de navegadores europeus.

“Eram muitos agentes coloniais oriundos de instituições científicas e empresas de exportadores em busca desse ouro negro, como era chamado a borracha nessa época”, conta Sanjad.

Rapidamente Belém foi do boom à decadência com a queda da borracha brasileira Foto Vitor SerranoBBC
Rapidamente Belém foi do boom à decadência com a queda da borracha brasileira | Foto: Vitor SerranoBBC

Enquanto eles não conseguiam fazer isso, as cidades da Amazônia se desenvolviam em torno da (frágil) economia da borracha. Primeiramente Belém, principal porto para saída ao Atlântico; e, depois, Manaus.

De ‘Paris N’Ámerica’ a Belém das baixadas
Sede do porto de onde, num primeiro momento, saía toda a borracha em direção à Europa, Belém foi rapidamente se transformando de pequena capital restrita a uma atividade portuária a um centro urbano que replicava o que era considerado moderno naquela época. Ou seja: a Europa.

“Os governantes da época queriam mostrar que Belém era uma das capitais do mundo em termos de importância, de beleza e de riqueza”, conta Rebeca Ribeiro, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Pará.

“Então, se queria que Belém fosse parecida com Paris e Londres.”

O maior símbolo dessa época na cidade é Theatro da Paz, na Praça da República. Inaugurado em 1878, ele foi inspirado no Teatro alla Scala, de Milão, na Itália.

Theatro da Paz é considerado o maior símbolo do ciclo da borracha em Belém Foto Vitor SerranoBBC
Theatro da Paz é considerado o maior símbolo do ciclo da borracha em Belém Foto Vitor SerranoBBC

Além dos edifícios, também há a transformação de toda infraestrutura da cidade, como rede de esgoto, sistema de iluminação elétrica, transporte ferroviário e usinas para cremação de lixo. Novas avenidas largas, arborizadas e planejadas são construídas como boulervards parisienses.

O responsável para dar impulso às maiores reformas urbanas de Belém foi o intendente Antonio Lemos (o equivalente a prefeito naquela época), que chega ao poder em 1897.

“Nesse momento, ele vai desenvolver um novo código de posturas para a cidade”, explica a professora Celma Vidal, coordenadora do Laboratório de Historiografia da Arquitetura e Cultura Arquitetônica da Universidade Federal do Pará (UFPA).

“Ele começa a dizer como as pessoas deveriam morar, como deveriam ser as casas, as diretrizes de como as pessoas deveriam agir no espaço público e até nos espaços privados, nas suas casas.”

Belém chegou a ser apelidada de Paris N’Ámerica e Manaus, que enriqueceria alguns anos mais tarde, a Paris dos Trópicos.

A capital paraense também se torna o primeiro centro financeiro da região, com instalação de bancos europeus que vão financiar as reformas urbanas e a própria economia da borracha.

Belém ganhou avenidas inspiradas nos boulevards franceses Foto ArquivoIBGE
Belém ganhou avenidas inspiradas nos boulevards franceses Foto ArquivoIBGE

Com tanto dinheiro circulando, o Norte se torna pela primeira vez o destino de uma imigração massiva dentro do Brasil.

Entre 1870 e 1900, 300 mil nordestinos teriam migrado para toda a Amazônia, segundo pesquisas, fugindo das secas.

Entre os Censos de 1890 e 1920, a população de Belém saltou de 50 mil para 236 mil habitantes, um crescimento de 370%, menor apenas que o de São Paulo, que vivia o auge da exploração de outra riqueza: o café.

Mas enquanto os donos de seringais e as empresas europeias que forneciam infraestrutura enriqueciam, boa parte dos migrantes acabava ficando sem trabalho – e sem dinheiro.

“O lucro fica nas mãos de poucas famílias que detêm as terras. Mas a riqueza mesmo produzida pela exportação do látex não fica na região amazônica. Ela é drenada pelas casas exportadoras e pelas instituições bancárias que forneciam crédito a preço muito caro”, conta pesquisador Nelson Sanjad.

Os milhares de migrantes que chegavam e não iam trabalhar diretamente nos seringais começaram, então, a povoar as margens de Belém.

“São os arrabaldes da cidade, as áreas mais baixas, que a gente chama desde então de baixadas. Havia muita pobreza nesse momento”, explica a professora Celma Vidal, da UFPA.

“A desigualdade existia em várias cidades brasileiras nesse momento, mas talvez em Belém isso apareça de uma forma mais clara, em função de uma riqueza muito intensa dessa elite da borracha. Então, talvez esse contraste ele seja mais evidente.”

Quando o dinheiro da borracha para de jorrar com o sucesso dos seringais asiáticos criados pela Inglaterra, a elite paraense entra em decadência e a infraestrutura urbana começa também a se deteriorar.

“Mas a periferia não vai vivenciar essa decadência, porque ela realmente não tinha esses serviços a seu dispor. Então, essa decadência é válida para um determinado lado da cidade, mas não para toda população”, diz Vidal.

A partir do fim dos anos 1930, um novo ciclo passageiro da borracha ainda deu esperança para a elite seringalista e seringueiros na Amazônia.

Com a Segunda Guerra Mundial, o Japão bloqueou o acesso dos países aliados, como Reino Unido e EUA, ao látex asiático. E isso colocou o Brasil na rota do comércio mundial de novo.

Foi nessa época que foram convocados para Amazônia os chamados “soldados da borracha”.

Entre 1943 e 1945, cerca de 55 mil pessoas, a maioria mais uma vez vinda do Nordeste, chegou à região com o objetivo de extrair borracha para a indústria dos Estados Unidos.

Mas, depois do fim da guerra e a abertura do mercado asiático, os Estados Unidos suspenderam os investimentos, e a Amazônia voltou a sofrer com a decadência econômica.

Desde então, a extração de borracha nunca mais teve a mesma importância econômica, embora a atividade tenha permanecido em escala local na Amazônia, em Estados como o Acre.

No segundo ciclo da borracha, porém, mais uma vez as periferias da Amazônia continuaram crescendo, sem o acompanhamento de serviços públicos.

“Sempre as áreas periféricas ficam à mercê. É assim há décadas, décadas e décadas. Isso foi se tornando uma coisa estrutural”, diz Celma Vidal, da UFPA.

“E as políticas que foram sendo desenvolvidas ao longo do tempo por vários governos não atacaram isso de uma forma como deveria ser feito.”

Moradores do Barreiro seguem na expectativa de obras no canal que corta o bairro Foto Vitor SerranoBBC
Moradores do Barreiro seguem na expectativa de obras no canal que corta o bairro Foto Vitor SerranoBBC

Belém, segundo o IBGE, é hoje a capital com mais pessoas vivendo em favelas (na cidade, as baixadas) no Brasil: cerca de 57%. Em segundo lugar, está outra capital da borracha, Manaus, com cerca de 56%.

Agora, com a COP30, Belém tem vivido um momento de transformação urbana que não via há décadas. Investimentos bilionários abriram novas avenidas, reformaram prédios públicos e criaram novos espaços de lazer.

O prefeito Igor Normando (MDB) chegou a dizer num evento em outubro que a cidade vive um novo “ciclo da borracha”.

“Belém não acompanhou o desenvolvimento e continuou com política extrativista. E isso fez com que declínio do ciclo da borracha fosse algo sem precedentes para nossa cidade”, disse.

“Hoje estamos vivendo um segundo momento, que é momento da COP, momento em que estamos vivendo quase segundo ciclo da borracha. Para que isso possa ocorrer, precisamos estar atentos ao pós-COP”, declarou o prefeito.

As obras têm dado autoestima para a cidade, que prontamente começou a ocupar os novos espaços urbanos. Mas, para muitos que moram na periferia, a sensação é de que mais uma vez podem estar ficando de lado.

“Quando surgiu essa COP 30, nós ficamos muito apreensivos de transformar a vida da periferia, transformar o povo da periferia”, diz o cantor Charles Augusto Evangelista, líder comunitário do bairro Barreiro, vizinho ao Parque da Cidade, um centro de eventos construído para receber o evento mundial.

No meio do bairro, passa um canal, o de São Joaquim, com mais de dois quilômetros de extensão. A prefeitura de Belém prometeu uma nova urbanização para a área, hoje marcada por lixo e ocupação irregular das margens.

Para a COP, estão sendo contemplados apenas 720 metros do canal, e 40% da obra está concluída, segundo a prefeitura.

A urbanização das margens de canais em regiões nobres ou centrais, como o da Nova Doca e da Almirante Tamandaré, foram totalmente concluídos.

A prefeitura não informou se tem planos pós-COP para o canal de São Joaquim.

Mesmo que as obras não estejam acontecendo em seu bairro do Barreiro, Charles Augusto diz perceber que Belém está “um canteiro de obras”, com melhorias no espaço urbano que podem alcançar todos.

“Mas essas obras não impactam diretamente o dia a dia das pessoas da periferia. Eu acho que temos um grande caminho ainda pela frente, e eu não sei o que vai acontecer depois da COP”, diz.

“São mazelas políticas de anos, de prefeitos, governadores, vereadores, deputados que não se preocuparam com o futuro. Esse futuro de hoje foi ocasionado no passado.”

Obras da COP30, como a da Nova Doca, têm sido vistas como um novo momento de transformação urbana de Belém Foto Vitor SerranoBBC
Obras da COP30, como a da Nova Doca, têm sido vistas como um novo momento de transformação urbana de Belém Foto Vitor SerranoBBC

Fonte: BBC  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/11/2025/07:26:13

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Mais de 50 pessoas passam mal após culto no Pará; suspeita é de intoxicação alimentar

Foto: Reprodução | Mais de 50 pessoas passaram mal na noite de ontem (10) após participarem de um culto religioso realizado em frente ao cemitério da vila São Pedro, no município de Curuçá.

Segundo informações preliminares, após o evento, foi servido um jantar com arroz e galinha aos fiéis. Pouco tempo depois, diversas pessoas começaram a apresentar sintomas como náusea, vômito e mal-estar.

Durante a madrugada, o Hospital Municipal de Curuçá ficou lotado com a chegada das vítimas. A unidade registrou grande movimentação de familiares e moradores em busca de atendimento.

Até o momento, a causa da possível intoxicação alimentar não foi confirmada. A Secretaria Municipal de Saúde acompanha o caso e deve divulgar novas informações após a análise dos alimentos e exames clínicos dos pacientes.

Fonte:  g1 PA e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/14:29:00

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Graesp faz transporte de rins para transplantes de pacientes em Santarém e Redenção

Momento da realização do transporte de órgãos — Foto: Agência Pará / Divulgação

O Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), realizou neste domingo (9) uma operação para garantir a realização de transplantes em duas regiões do Pará. Dois rins captados em Belém foram transportados com urgência para pacientes que aguardavam o procedimento em Santarém, no oeste do Pará, e Redenção.

A ação integra o suporte do Graesp à Secretaria de Saúde Pública (Sespa) e é essencial para assegurar rapidez no deslocamento de órgãos, cujo tempo de preservação é limitado. Pilotos do grupamento e equipes de saúde atuaram de forma coordenada para cumprir o trajeto entre a capital e os dois hospitais regionais.

O diretor do Graesp, coronel PM Armando Gonçalves, destacou que a dimensão territorial do Pará exige pronto atendimento e estrutura permanente para esse tipo de missão. “Diante de demandas em apoio à saúde, nossas equipes precisam atuar com agilidade e segurança, mantendo aeronave pronta e manutenção em dia. Dessa vez, deslocamos para duas regiões do Estado para agilizar o transporte dos órgãos, salvar vidas e apoiar outras missões que surgirem”, afirmou.

Profissionais da Central Estadual de Transplantes reforçaram que a rapidez no transporte é decisiva para o sucesso dos procedimentos, já que órgãos permanecem viáveis apenas por algumas horas após a captação. Ainda na tarde de domingo, o rim esquerdo foi encaminhado ao Hospital Regional de Redenção, enquanto o rim direito seguiu para o Hospital Regional de Santarém, onde pacientes já estavam preparados para os transplantes.

Fonte:  g1 PA e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/14:29:00

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Ufopa abre concurso público com 51 vagas para professor com remuneração máxima de mais de R$ 13 mil

Reunião do Consepe na sede da Ufopa em Santarém — Foto: Lenne Santos/Ascom Ufopa

Inscrições podem ser feitas no período de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025.

A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) divulgou a abertura de concurso público com 51 vagas para professor da carreira do magistério superior. O objetivo é atender a demanda dos novos cursos lançados pela instituição.

As vagas são para o Campus Santarém e para os Campi Regionais de Alenquer, Itaituba, Juruti, Monte Alegre, Óbidos, Oriximiná e Rurópolis.

De acordo com o edital, há vagas para diferentes escolaridades (doutorado, mestrado e especialista) e remuneração máxima de até R$ 13.288,85. As provas ocorrerão no período de 26 a 31 de janeiro de 2026, na Unidade Tapajós – Campus Santarém.

 Os interessados podem se inscrever no período de 14 de novembro a 14 de dezembro de 2025 e as inscrições podem ser feitas online.

Confira os locais de lotação e áreas de atuação:

Campus Alenquer:

  • Contabilidade Societária e Financeira – 1 vaga
  • Contabilidade Gerencial e de Custos – 1 vaga
  • Contabilidade Básica e Teoria Contábil – 1 vaga

Campus Itaituba:

  • Ensino de Matemática – 2 vagas
  • Engenharia de Produção – 1 vaga

Campus Juruti:

  • Conservação de Recursos Florestais – 1 vaga
  • Geotecnologia e Gestão Operacional – 1 vaga
  • Fitossanidade e Proteção Florestal – 1 vaga
  • Engenharia de Minas/Lavra e Tratamento de Minérios – 2 vagas

Campus Monte Alegre:

  • Citologia/Embriologia/Histologia/Anatomia: Morfologia – 1 vaga
  • Ecologia – 1 vaga
  • Psicologia do Ensino e da Aprendizagem – 1 vaga
  • Matemática/Matemática aplicada – 1 vaga
  • Matemática/Geometria e Álgebra – 1 vaga

Campus Óbidos:

  • Fundamentos Gerais do Direito – 2 vagas
  • Direito Privado – 2 vagas
  • Direito Público – 1 vaga

Campus Oriximiná:

  • Ciência da Computação/Algoritmos e Programação I – 1 vaga
  • Ciência da Computação/Algoritmos e Programação II – 1 vaga
  • Ciências Exatas e da Terra/Arquitetura e Sistemas de Computação – 1 vaga
  • Ciência da Computação/Redes de Computadores – 1 vaga

Campus Rurópolis:

  • Letras-Linguística – 1 vaga
  • Literatura Brasileira, Literatura Portuguesa – 1 vaga
  • Letras-Português – 1 vaga

Campus Santarém

Instituto de Ciências da Educação (Iced)

  • Tecnologias Educacionais, Ensino-Aprendizagem – 1 vaga
  • Ensino de Ciências e Matemática – 1 vaga
  • Linguística, Letras e Artes/Letras/Libras – 1 vaga

Instituto de Ciências da Sociedade (ICS)

  • Teoria Antropológica – 1 vaga
  • Comunicação/Jornalismo – 2 vagas

Instituto de Ciência e Tecnologia das Águas (ICTA)

  • Geociências/Geociência aplicada a Gestão Ambiental – 1 vaga
  • Engenharia/Tecnologia/Gestão/Gestão Ambiental – 1 vaga

Instituto de Engenharia e Geociências (IEG)

  • Ciência da Computação/Metodologia e Técnicas da Computação/Inteligência Artificial – 3 vagas

Instituto de Formação Interdisciplinar e Intercultural (IFII)

  • Probabilidade e Estatística/Estatística – 1 vaga
  • Informática em Educação – 1 vaga
  • Turismo – 2 vagas

Instituto de Saúde Coletiva (Isco):

  • Habilidades clínicas: Morfofisiologia e Semiologia – 1 vaga
  • Medicina/Cardiologia – 1 vaga
  • Medicina/Neurologia – 1 vaga
  • Medicina/Ginecologia e Obstetrícia – 1 vaga
  • Medicina/Infectologia – 1 vaga
  • Saúde Coletiva/Saúde Pública – 1 vaga
  • Saúde Coletiva/Saúde Pública/Planejamento e Gestão em Saúde – 1 vaga
  • Saúde Coletiva/Saúde Pública/Epidemiologia, Vigilâncias e Saúde Ambiental – 1 vaga

Fonte:  g1 PA e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/15:56:09

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Pichações com mensagens de facção são investigadas pela polícia em cidades do oeste do Pará

Pichações foram registradas em Mojuí dos Campos e comunidade do Tabocal, em Santarém — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Suspeitos já foram detidos em Terra Santa e Rurópolis; novos registros apareceram em Mojuí dos Campos e na comunidade Tabocal, em Santarém.

A Polícia Civil e a Polícia Militar investigam uma série de pichações com mensagens atribuídas a uma facção criminosa registradas em diferentes municípios do oeste do Pará. Os casos mais recentes ocorreram nesta segunda-feira (11), em muros de vias que dão acesso a Mojuí dos Campos e também na comunidade Tabocal, em Santarém, no oeste do Pará.

Em Terra Santa, dois suspeitos já haviam sido presos após investigações da Polícia Civil. Segundo a polícia, eles seriam responsáveis por pichações semelhantes encontradas em áreas do município.

Em Rurópolis, mais duas pessoas foram identificadas após o muro da Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) amanhecer pichado. Os suspeitos repintaram o muro que foi pichado com as siglas da facção.

Ao g1, o comandante do CPR-I, coronel Rodrigo Aleixo, informou que as equipes estão acompanhando os casos.

As mensagens são com o mesmo recado: “Proibido roubar, na cidade ou comunidade, sujeito a punição”, associado com assinatura CV RL PA.

“Recebemos uma denúncia e estamos trabalhando para identificar os suspeitos envolvidos nessas pichações. Todas as providências estão sendo tomadas”, afirmou.

As mensagens fazem referência a punições impostas por organização criminosa, o que acende alerta para a atuação e tentativa de intimidação da população. A polícia reforça que qualquer informação pode ser repassada de forma anônima pelos canais oficiais de denúncia.

Fonte:  g1 PA e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/14:29:00

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Motorista de aplicativo desaparecido é encontrado morto em ramal na região do Eixo Forte, em Santarém

Motorista de aplicativo que estava desaparecido foi encontrado morto em Santarém — Foto: Redes Sociais

O corpo foi encontrado na madrugada de terça-feira (11). A Polícia Civil está investigando o caso.

O motorista de aplicativo João Marcos, que estava desaparecido desde o último domingo (9), foi encontrado morto na madrugada desta terça-feira (11), em um ramal da comunidade Vila Nova, na região do Eixo Forte, em Santarém, oeste do Pará.

Segundo familiares, João Marcos saiu de casa no domingo informado que iria quitar uma conta, mas não retornou.

O desaparecimento foi registrado na segunda-feira (10), e equipes de buscas formadas por parentes e amigos passaram a percorrer áreas onde ele possivelmente poderia estar.

Carro do motorista — Foto: Divulgação
Carro do motorista — Foto: Divulgação

O corpo foi localizado em uma área de difícil acesso. A Polícia Civil e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados para realizar os procedimentos de remoção e perícia.

Ainda não há informações sobre as circunstâncias da morte. O caso segue em investigação.

Corpo foi encontrado em área de mata na região do Eixo Forte — Foto: Portal Encontro das Águas
Corpo foi encontrado em área de mata na região do Eixo Forte — Foto: Portal Encontro das Águas

Fonte:  g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/14:29:00

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PM apreende arma de fabricação caseira, drogas e materiais usados no tráfico em Oriximiná

Material apreendido pela Polícia Militar em Oriximiná — Foto: Polícia Militar / Divulgação

Durante a ação, um homem foi preso e um adolescente apreendido.

Uma operação da Polícia Militar realizada na manhã desta terça-feira (11), no bairro São Lázaro, em Oriximiná, no oeste do Pará, resultou na apreensão de drogas, arma de fogo de fabricação caseira e outros materiais associados ao tráfico. Um homem foi preso e um adolescente apreendido.

Conforme a PM, a ação, coordenada por guarnições do 41º BPM, começou após denúncia de duas mulheres que relataram que dois indivíduos estariam ameaçando de morte uma terceira pessoa. As informantes, que tiveram suas identidades preservadas, também relataram que os suspeitos estariam em uma casa de madeira na Travessa João Estumano, próximo ao “Ramal do Rafa”, supostamente portando arma e entorpecentes.

Ao chegar ao local indicado, os policiais visualizaram dois suspeitos que tentaram fugir ao perceber a aproximação da guarnição. Após acompanhamento, ambos foram alcançados quando tentavam entrar em outra residência, na Travessa Carlos Calderaro, conhecida como “Beco Neto Torres”, também no bairro São Lázaro.

Durante buscas na primeira casa, os militares apreenderam:

  • 1 arma de fogo de fabricação caseira, calibre .36;
  • 2 porções de substância análoga à maconha;
  • 1 porção de substância aparentando ser crack;
  • R$ 100 em espécie;
  • 1 balança de precisão;
  • 1 botija de gás;
  • 1 bomba de água;
  • 1 barra de ferro usada para retirada de cartuchos do cano da arma;
  • além de papelotes utilizados para embalar drogas.

Segundo a PM, o material estava de um jovem de 20 anos, e de um adolescente de 15 anos, ambos moradores do bairro.

O maior de idade recebeu voz de prisão, enquanto o menor foi apreendido. Os dois foram encaminhados à UIP de Oriximiná, onde foram realizados os procedimentos legais.

Fonte:  g1 PA e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/15:44:24

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A pedido do MPF, Justiça condena instituição em Itaituba (PA) que vendia cursos sem credenciamento no MEC

Foto ilustrativa: Canva | Empresa e seu sócio foram condenados ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais individuais e coletivos.

Foto: Reprodução | O Ministério Público Federal (MPF) obteve a condenação da Unidade Instituto Caivs Ivlis Caesar (Unicic) e de seu representante legal por oferecer cursos sem o credenciamento obrigatório do Ministério da Educação (MEC), em Itaituba (PA). A sentença, de 6 de novembro, determina o pagamento dos valores pagos por alunos matriculados nesses cursos, indenização de R$500 mil por danos morais individuais e coletivos, além da imediata interrupção das atividades irregulares.

Na ação civil pública, o MPF demonstrou que a Unicic atuava por meio de convênios simulados com instituições de ensino superior credenciadas, captando alunos e promovendo cursos de mestrado profissional, especialização e técnicos sem qualquer autorização do MEC. Consultas oficiais aos sistemas do governo federal atestaram que a instituição não constava no rol de entidades autorizadas a ofertar cursos de nível superior ou técnico.

Na decisão, a Justiça considerou comprovada a propaganda enganosa e a oferta abusiva de serviços educacionais, violando o Código de Defesa do Consumidor. A sentença também acolheu o pedido de desconsideração da personalidade jurídica da empresa, estendendo os efeitos da condenação ao sócio de forma solidária.

A Unicic deverá, ainda, sob pena de multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento:

  • Abster-se de ofertar cursos sem credenciamento no MEC, sob pena de multa diária de R$ 10mil;
  • Em até cinco dias, divulgar o conteúdo da sentença e retirar toda a publicidade enganosa de sites e redes sociais;
  • Apresentar lista completa de alunos que concluíram os cursos irregulares desde 2013;
  • Divulgar contrapropaganda, informando publicamente sobre a condenação e a irregularidade de seus cursos; e
  • Abster-se de firmar convênios com instituições credenciadas pelo MEC com a finalidade de diplomar seus alunos, como forma de burla à regulação educacional.

Fonte: Ascom/MPF e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/14:06:09

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Corpo de homem que desapareceu após naufrágio de rabeta é encontrado em Igarapé-Miri

A imagem em destaque mostra uma embarcação do Corpo de Bombeiros que participou das buscas pela vítima. (Foto: Arquivo pessoal)

O acidente ocorreu na noite de domingo (9/11) nas proximidades da Ilha do Uruá. E, desde então, a vítima estava sendo procurada.

O corpo de José Maria Goes Silva, de 45 anos, foi encontrado nesta terça-feira (11/11) na zona rural de Igarapé-Miri, região nordeste do Pará. Ele estava desaparecido desde a noite de domingo (9/11), depois que a rabeta em que estava junto à companheira e ao primo da mulher, que conseguiram sobreviver, naufragou nas proximidades da Ilha do Uruá.

Keysse Silva, filha de José Maria, disse à Redação Integrada de O Liberal que o Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA) fez buscas para encontrar o pai dela, com o apoio de uma equipe de mergulhadores.

O trabalho foi paralisado por volta das 18h de segunda (10/11) e retomado no começo da manhã desta terça (11/11). Ela contou que os moradores da localidade também se uniram na procura pela vítima. Depois do início do segundo dia de buscas, as autoridades localizaram o corpo do homem. O encontro do cadáver da vítima foi confirmado por Keysse.

No momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e sepultamento de José. A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento da Polícia Civil sobre o caso. Em nota, a PC disse que a Delegacia de Igarapé-Miri instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias do ocorrido e testemunhas estão sendo ouvidas para auxiliar nas investigações.

Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 11/11/2025/10:45:17

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