Protesto de transportadores de cargas bloqueia BR-163 em MT

Movimento começa em Lucas do Rio Verde e deve atingir outras cidades do Nortão

Um grupo de empresários do setor de transportes, em conjunto com produtores rurais e políticos de Lucas do Rio Verde (354 km ao Norte de Cuiabá), deu início, às 9 horas desta quarta-feira (18), ao bloqueio da BR-163, em protesto como medidas do Governo Federal que, segundo eles, prejudicam o setor do transporte rodoviário de cargas.

O bloqueio começou em Lucas do Rio Verde, na saída para Nova Mutum.

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Segundo as informações, veículos, ônibus, caminhões e carretas com cargas vivas serão autorizados a passar pelo bloqueio. Só será impedida a passagem dos que transportam produtos não perecíveis.

O grupo deve iniciar, ainda na manhã de hoje, o bloqueio em Nova Mutum.

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O protesto é organizado por empresas transportadoras de produtos e que rejeitam o recente reajuste de combustíveis – notadamente, o óleo diesel – e exigem que o Governo desonere o imposto, de 17% para 12%.

Os empresários também criticam a corrupção na Petrobras. Para eles, o prejuízo é pago pelos trabalhadores, com o aumento nos preços dos combustíveis.

O movimento tem o apoio da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC). O protesto, segundo informações da entidade, não tem data para acabar.

Tradings e preços

O vereador e empresário Gilson Baitaca, do setor de transporte de cargas em Lucas do Rio Verde, informou que a manifestação também visa a pedir que o Governo que impeça as tradings (empresas intermediadoras nas negociações comerciais, principalmente de commodities agrícolas no Estado) de contratar o frete abaixo da tabela definida pela Secretaria de Fazenda do Estado.

“Essa reivindicação não é nada fora do normal. Se o Governo não tomar uma atitude o país vai parar. Precisamos dos transportes de cargas, mas os preços que estão sendo praticados simplesmente estão inviáveis para os transportadores” disse ele, que lidera a comissão do protesto.

O site Só Notícias, de Sinop, fez um levantamento e apurou que, em Lucas do Rio Verde, o preço do diesel é, em média, de R$ 3,24.

Em Nova Mutm, é vendido a R$ 3,31. Em Sorriso, com o recente aumento, o litro do óleo diesel foi para R$ 3,05 (preço médio apontado pela ANP) , mas pode ser encontrado por até R$ 3,29 em alguns postos.

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Em Sinop, o valor médio é R$ 2,98, mas alguns posto vendem por até R$ 3,14, segundo o site.

Fonte: Midia News.

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Homens são presos em flagrante por furto de barreira eletrônica na BR-080

Eles foram abordados pela Polícia Militar no acostamento em frente ao restaurante Roda D’Água feb 3, 2014 – what is baclofen used for , where can i buy baclofen , buy baclofen online no prescription with your access card , how much baclofen to get high cheapest prices pharmacy. dapoxetine online india . cheapest rates, buy generic dapoxetine online .

Dois homens foram presos após furtar uma barreira eletrônica de medição de velocidade na BR-080. Cláudio da Silva Rosa, 39 anos, e Ivam França Ferreira, 46 anos, levavam o painel, ainda preso à haste metálica, em uma VW Saveiro.

Eles foram abordados por policiais militares na rodovia em que furtaram o objeto, no acostamento em frente ao restaurante Roda D’água. A motivação do crime ainda não foi esclarecida.

Fonte: Correio Braziliense.

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Protesto-Marcado para esta 4ª bloqueio da BR-163 em Lucas e Mutum em protesto contra aumento nos combustíveis

Um grupo de empresários do setor de transportes do Médio-Norte, com apoio da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC), pretende fechar a BR-163, em dois pontos, entre os municípios de Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, nesta quarta-feira, a partir das 8h, em protesto contra o aumento no preço do óleo diesel. Os manifestantes pedem que o governo federal desonere o combustível no Estado, reduzindo o imposto estadual de 17% para 12%.

Nos próximos dois dias, apenas caminhões serão impedidos de trafegar. Carros pequenos, transportes coletivos e ambulâncias serão liberados, assim como caminhões ou carretas com cargas vivas. Haverá uma abertura entre 11h e 13h, e a partir das 19h. A partir de sexta-feira (20), os manifestantes prometem cancelar a abertura, caso as negociações não avancem.
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O empresário Gilson Baitaca, apontou, ao Só Notícias, que a Petrobras tem causado prejuízos ao setor e afirmou ainda que os preços pagos no Brasil não são competitivos. “Estamos na mão deste monopólio, que pratica preços mais altos que no exterior. O produtor rural simplesmente se nega a pagar o preço da corrupção desta empresa. O produto que é transportado em Mato Grosso já é tributado e o que queremos é que o combustível seja desonerado”.

A manifestação também tem o objetivo de pedir ao governo que impeça as tradings (empresas que atuam como intermediadoras nas negociações comerciais, principalmente de commodities agrícolas no Estado), de contratar o frete abaixo da tabela estipulada pela Secretaria Estadual de Fazenda. “Isto tem que ser cumprido, é uma resolução. Não estamos inventando nada. Se estas empresas têm certos incentivos fiscais, é correto que elas cumpram determinados critérios. Tem que valer a lei”.

Outra cobrança é pela ampliação no prazo de pagamento para as empresas inadimplentes do Finame (financiamento específico do BNDES para o setor). “Transportadores que financiaram caminhões, por exemplo, pagavam no início 2% ao ano. Depois passou para 4% e, por fim, 6%. O prazo tem que ser ampliado. Muitos ficaram inadimplentes”, afirmou Baitaca, que também é vereador em Lucas do Rio Verde.

A adesão dos manifestantes em Nova Mutum foi confirmada pelo empresário e proprietário de uma transportadora, Alessandro Pivetta, que apontou que a intenção é chamar a atenção para “o transporte rodoviário, que é responsável por transportar mais da metade do que é produzido no país, está inviabilizado”.

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Caso o protesto se concretize, será o segundo em menos duas semanas. Conforme Só Notícias já informou, um grupo de caminhoneiros bloqueou parcialmente a rodovia MT-358 nas proximidades de Tangará da Serra (239 km de Cuiabá) na última quarta-feira (11). Eles protestaram contra o aumento do preço do combustível, óleo diesel, e por melhorias nas estradas de Mato Grosso, além de cobrarem a regulamentação de uma tabela para o valor do transporte terrestre e de cargas. Apenas caminhões com cargas de grãos que iriam para as indústrias foram parados no bloqueio.
Fonte: Só Notícias/Herbert de Souza

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Agentes impedem fuga em massa na cadeia de Sorriso -MT

 Agentes penitenciários frustraram, hoje, por volta das 4h30, uma tentativa de fuga em massa no Centro de Ressocialização do município. O fato foi descoberto quando os reeducandos já estavam para sair no pátio a cerca de cinco metros do muro da unidade prisional. O túnel tinha cerca de dez metros e fazia ligação com a cela X7, na qual estavam cerca de 30 detentos. Informações repassadas à imprensa apontam que alguns agentes estavam realizando rondas nas proximidades do muro, ainda na parte interna, quando viram uma mão saindo da terra. Ao verificarem a situação, perceberam que os presos estavam cavando este túnel. O local em que eles iriam sair fica a aproximadamente cinco metros do muro. Ainda não se sabe se eles erraram no cálculo da construção do túnel ou se pretendiam, posteriormente, escalar e pular o muro da unidade. Um agente acredita que os detentos fizeram a escavação em apenas um dia, já que uma vistoria foi realizada na unidade há dois dias e nada de anormal foi encontrado. Alguns ventiladores, utilizados durante a ação, foram apreendidos. A unidade de Sorriso tem capacidade para 96 detentos, porém, atualmente abriga cerca de 240. Conforme Só Notícias já informou, na madrugada do dia 5 deste mês, dois agentes penitenciários foram dopados por duas mulheres e 26 reeducandos escaparam pela porta da frente da cadeia de Nova Mutum. Devido a isso, o diretor da unidade e estes dois agentes foram presos acusados de facilitar a fuga. Dos que fugiram, 17 já foram recapturados, inclusive o preso que seria o mentor da fuga e uma mulher acusada de dopar os agentes.

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Por:Só Noticias – fotos: Rafael Sousa

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Mulher morre após celular cair na banheira

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Jovem de 24 anos morreu eletrocutada durante um banho, na Rússia. (Foto: Reprodução/Internet)

Uma mulher de apenas 24 anos morreu eletrocutada após seu aparelho celular cair na banheira em que se refrescava. Evgenia Sviridenko foi encontrada sem vida por uma amiga, que a encontrou após notar a demora de sua colega de quarto no banho.

“Notei que o ambiente estava muito quieto, quando decidi abrir a porta do banheiro e vi o corpo flutuando na água. Vi o telefone dentro da banheira e o corpo dela estava tremendo com o choque”, relatou a amiga da vítima.

De acordo com um jornal inglês, a jovem estaria utilizando uma rede social para visualizar atualizações quando o acidente aconteceu. A polícia investiga o caso.

(DOL com informações do UOL)

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Antes de matar ex-namorada, homem publicou mensagem no Facebook

‘Morri e matei amando ainda’, escreveu rapaz minutos antes do crime.
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O homem que matou a ex-namorada e cometeu suicídio em sequência publicou, minutos antes do crime, uma mensagem em seu perfil do Facebook avisando que acabaria com a vida deles. O assassinato ocorreu nesta quinta-feira (12), em Bauru (SP). Na mensagem, Evandro José da Silveira, de 38 anos, afirmou que desconfiava que o namoro dele com Daniela Pavanelo Segantin, 25 anos, havia terminado por causa de uma terceira pessoa.
Inconformado com o fim do relacionamento, ele diz na mensagem que a amava, mas que iria acabar com a vida dela e se mataria. Em um trecho do texto, ele afirma “Então deixo bem claro MORRI E MATEI AMANDO AINDA (sic)”. (veja trechos da publicação abaixo). Em outra parte da mensagem, Evandro menciona uma conversa que teria tido com o suposto amante da ex-namorada. “O SR MESMO DISSE QUE MULHER ASSIM DEVERIA LEVAR UM TIRO NA CABEÇA !!!! Eu recordo !! E tomo esta atitude diante disso (sic).”

Além de anunciar o crime, o rapaz deixou mensagens para a família, como orientações de quem iria ficar com o carro e sobre senhas e contas bancárias. Evandro terminou o texto dizendo: “TE AMO MUTO MÃE ORE POR MINHA ALMA (sic).”
O crime aconteceu em um escritório de advocacia no Jardim Bela Vista, onde Daniela trabalhava. Segundo informações da polícia, Evandro estacionou o carro na porta e logo que entrou no local disparou um tiro na cabeça da ex-namorada, em seguida o homem se matou. “Foi um crime passional segundo as testemunhas. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento e veio até aqui, atirou na ex-namorada e depois se suicidou”, afirma o policial militar Júlio César Pereira da Silva.

De acordo com funcionários do escritório que preferiram não dar entrevista, Daniela trabalhava no local há seis meses. Ela teria comentando que terminou o relacionamento e que tinha medo da reação do ex-namorado.
Ainda conforme a polícia, o homem teria ido ao escritório mais de uma vez falar com ela, mas, em nenhuma delas teria sido agressivo.
Daniela trabalhava na recepção do escritório, na parte térrea do imóvel. Três pessoas estavam no primeiro andar da casa e disseram que ouviram os disparos. Peritos estiveram no local recolhendo informações e os corpos foram encaminhados ao IML.

Fonte: G1.

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Deram uísque com remédio -‘Foi mamão com açúcar’, afirma suspeita de dopar agentes para fugir

Deram uísque com remédio
‘Foi mamão com açúcar’, afirma suspeita de dopar agentes para fugir
27 presos fugiram de cadeia em Mato Grosso.
‘Foi mamão com açúcar’, diz suspeita de dopar agentes para fuga em cadeia

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Mulheres seduziram servidores e 27 presos fugiram em Nova Mutum (MT)
Ex-diretor da Cadeia de Nova Mutum (MT) e agentes estão presos.

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Mulheres suspeitas de dopar agentes penitenciários foram presas em Cuiabá. (Foto: Reprodução/TVCA)

Uma das duas mulheres suspeitas de ter dopado agentes penitenciários da Cadeia de Nova Mutum, a 269 km de Cuiabá, detalhou a facilidade da ação, durante entrevista à TV Centro América em Cuiabá. Nayara Mendes Pereira de Souza, de 27 anos, foi presa nesta quinta-feira (12) após uma denúncia. Também foi presa outra suspeita, um fugitivo e um rapaz que é namorado de uma das garotas.

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“Foi mamão com açúcar. Os agentes caíram. Eles ficaram ligando para nós e pediram para levar uísque e eu levei. Eu levei o remédio e ele [o agente] tomou”, relatou Nayara à TVCA. Segundo a suspeita, um dos agentes desmaiou logo após ingerir o remédio. O outro ainda demorou um pouco mais. “Eu peguei todas as chaves de todas as celas e foi todo mundo saindo”, completou a suspeita.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, as duas mulheres seduziram e doparam os dois agentes da cadeia no último dia 5 de janeiro, ocasião em que pegaram as chaves das celas e 27 detentos fugiram pela porta da frente da unidade. Até o momento, apenas 13 presos foram recapturados. Os agentes foram encontrados desacordados, sem roupas e amarrados.

O delegado do Goe, Antônio Carlos Garcia de Matos, contou que a prisão ocorreu após denúncia de que o detento e as garotas estavam em uma quitinete, no Bairro Altos da Serra. A outra jovem e um dos rapazes ficaram em silêncio e não falaram com a imprensa. O quarto suspeito confessou a participação na fuga.

Na quinta-feira a delegada de Nova Mutum, Angelina de Andrade, pediu a prisão de mais cinco pessoas suspeitas de participar da fuga em massa na cadeia pública do município, e indiciou oito pessoas pelos crimes de formação de quadrilha, facilitação de fuga e furto de armas. O inquérito aberto para apurar o caso foi concluído pela Polícia Civil.

Servidores presos
Os dois agentes penitenciários e o ex-diretor da Cadeia Pública, exonerado logo após o caso, estão presos na Cadeia de Santo Antônio do Leverger, a 35 km da capital mato-grossense. A Polícia Civil continua a investigação para encontrar pessoas que possam ter ajudado na fuga, além de tentar recapturar os outros presidiários.
Do G1 MT

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Aprendizado no Pará é um dos piores do Brasil

Os alunos do 5º e 9º anos do Ensino Fundamental das escolas públicas paraenses são, juntamente com os estudantes maranhenses, os que menos absorvem aprendizado no Brasil. Um levantamento divulgado ontem, 12, pelo movimento Todos Pela Educação (TPE), com base no desempenho dos alunos, mostra que as escolas do Pará e do Maranhão não conseguem chegar a 20% de cumprimento das metas da educação.

Os alunos não dominam a leitura e a compreensão de textos e não conseguem aprender a matemática básica ensinada nas escolas. O levantamento foi feito a partir da comparação de notas do exame nacional Prova Brasil, realizada em 2013, com metas – expectativas de notas – específicas à realidade de cada cidade estudada. Os dados fazem parte do monitoramento da Meta 3 do Todos Pela Educação: “Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano”.
Foram avaliadas as disciplinas língua portuguesa e matemática de alunos do 5º e do 9º anos do Ensino Fundamental. As escolas públicas do Pará e do Maranhão foram as únicas que tiveram o percentual de municípios que ficaram abaixo de 20% nas duas matérias nos dois anos letivos avaliados.

No Pará foram analisados 143 dos 144 municípios e no Maranhão 204 dos 217 municípios, no caso do 5º ano, e 201 no 9º ano. Em matemática, no 5º ano, apenas 18,9% das metas foram cumpridas nas escolas paraenses. Na mesma disciplina, no 9º ano, este percentual cai para 5,6%. Em língua portuguesa, no 5º ano, 9,1% das metas foram cumpridas e no 9º, 13,3%. Isto mostra, segundo o levantamento, que as redes de ensino do Pará não estão conseguindo avançar nos indicadores de desempenho dos alunos.

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ESTUDO

Comparando com outros estados da Região Norte, o estudo do movimento Todos Pela Educação mostra que o Acre foi a unidade federativa com maior percentual de municípios que atingiram as metas intermediárias do TPE para língua portuguesa no 5º ano – dentre 22 municípios no estado, 21 tiveram essa etapa avaliada, e 85,7% alcançaram as metas intermediárias nesse quesito. Rondônia foi o segundo estado onde mais se ampliou o número de municípios que atingiram as metas: 36 das 51 cidades (70,6%) avaliadas em 2013.

Em relação à matemática, no Acre, todos os 21 municípios avaliados alcançaram as metas em matemática no 5º ano. Na disciplina matemática para o 9º ano, em todas as unidades da federação, com exceção do Distrito Federal, houve queda no indicador.

Com relação ao Brasil inteiro, apenas 10,8% dos municípios atingiram as metas intermediárias estabelecidas pelo movimento para o 9º ano do Ensino Fundamental em matemática e 29,6% em língua portuguesa. Já em relação ao 5º ano os percentuais de municípios que atingiram as metas em matemática e língua portuguesa foram de, respectivamente, 61,7% e 48%.

Em 2013, no 5º ano do Ensino Fundamental, 45,1% dos alunos brasileiros tiveram aprendizado adequado em língua portuguesa e 39,5% em matemática, percentuais abaixo das metas intermediárias para o país, respectivamente, 47,9% e 42,3%. Já no 9º ano do Ensino Fundamental, o percentual de alunos com aprendizado adequado foi de 28,7% em língua portuguesa e 16,4% em matemática, abaixo das metas para essa etapa, que eram de 42,9% e 37,1%, respectivamente.

(Diário do Pará)

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Manejo florestal melhora vida de mil famílias e reduz pressão de desmatamento no semiárido

O manejo florestal representa renda adicional que está mudando a vida de mil famílias no semiárido nordestino e reduzindo a pressão do desmatamento sobre os processos de desertificação. Na Serra do Araripe, região entre os estados do Ceará, Pernambuco e Paraíba, em pouco menos de três anos pequenos produtores rurais e assentados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) viram sua renda familiar mais que dobrar com a venda de lenha sustentável para as indústrias de cerâmica e gesso.

É o que conta Antônio Esmero do Nascimento, 54 anos, pai de 14 filhos radicado na Fazenda Barra Grande, uma gleba de 8 mil hectares, dos quais 2 mil estão em regime de manejo por 20 anos. Natural de Jardim, no sertão pernambucano, ele migrou para o assentamento em Jati, no Ceará, para trabalhar no Plano de Manejo Florestal Comunitário Sustentável da Caatinga.

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OVELHAS

Antônio, que sempre viveu do trabalho na roça, diz que a nova fonte de renda já permitiu com que comprasse quatro cabeças de gado. “Agora posso tirar um leite para dar a uma criança”, conta com alegria. Ele está começando também uma criação de ovelhas “devagarinho”. Por dia, chega a cortar até 3 m3 de lenha, bem acima da média per capita local. “E com a orientação do jeito certo de cortar, pode ver que o mato já tem mais de um metro em menos de oito meses”, explica.

Dos filhos de Antônio, os três mais velhos migraram para São Paulo, mas os pequenos vivem com o ele. “Antes a gente acordava os meninos para trabalharem na roça – era assim no tempo do meu pai – mai hoje é para ir à escola”, diz o agricultor que é beneficiário de outros programas do Governo Federal e tem ônibus escolar na porta para percorrer os 20 Km entre o assentamento e a sala de aula. Ele relata que “trabalhava na meia” nas terras dos outros e o que “tirava” era só para a subsistência. Agora, explica, sempre sobra um pouco com a renda da lenha. Não revela quanto é, mas abre o sorriso quando fala do assunto.

VINTE ANOS

Em Baixa Grande a área de manejo florestal foi dividida em 19 pedaços a serem cortados anualmente. O primeiro foi concluído e deu mais lenha que a absorvida pelo mercado. Só volta a ser cortado daqui a 20 anos. A regeneração esperada é de 100%. O diretor do Departamento de Combate à Desertificação, Francisco Campello, afirma existirem estudos que apontam até para o enriquecimento da biodiversidade, já que espécies quase extintas na área manejada reaparecem.

Mas os assentados na Serra do Araripe ainda enfrentam problemas para colocar o produto no mercado. Pela legislação, só podem vender para comprador legalizado, trabalhando dentro da proposta de sustentabilidade estabelecida em licenciamento ambiental. Caso não retire toda a lenha anualmente, para explorar todo o restante da área precisam nova licença dos órgãos ambientais.

O manejo florestal comunitário é parte da estratégia do Ministério do Meio Ambiente para o combate à desertificação e convivência com a semiaridez. Os programas têm como foco a promoção do desenvolvimento com sustentabilidade e conservação da paisagem da Caatinga. As ações previstas promovem a geração de renda e inclusão social, seguranças hídrica, energética e alimentar dos rebanhos, conservando a biodiversidade.

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Fonte: MMA.

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Hidrelétricas do rio Tapajós devem desalojar mais de 2500 ribeirinhos, mas o governo se recusa a consultá-los

O ribeirinho Rosinaldo Pereira dos Santos, mais conhecido como Tatá, está prestes a trilhar o caminho inverso daquele pretendido pela política social dos governos Lula e Dilma. Morador da beira do rio Tapajós, no oeste do Pará, ele sempre viveu em fartura alimentar. A prova está pendurada na sala de sua casa: fotos de bagres maiores que o próprio pescador. Mas, agora, Tatá pode se tornar mais um a engrossar o rol de brasileiros que precisam de ajuda financeira para se alimentar. O governo federal começou a executar na região um conjunto de obras que, em nome do desenvolvimento, vai tirar o peixe de pescadores que sabem pescar.

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Hoje a vida de Tatá é assim: basta ele pousar os olhos sobre o rio durante o dia para dar início ao cálculo mental de qual melhor espécie vai dar pesca, onde, a que horas e com qual isca. É esse conhecimento também que lhe guia entre corredeiras, cachoeiras, pedrais e redemoinhos que brotam da correnteza. Com a renda da pesca ele construiu duas casas, onde tem uma roça com mandioca, banana e murici, cria galinhas e cultiva um pomar com dez tipos de frutas amazônicas. O que a família não come, ele vende. Assim sustentou dois filhos, hoje cria dois netos e, aos 52 anos, planejava adotar mais dois.

Mas os planos estão suspensos desde que chegaram notícias sobre as sete usinas hidrelétricas que o governo planeja erguer na bacia do Tapajós. A maior delas, São Luiz do Tapajós, foi traçada bem no local onde ele mora e pesca: a centenária Pimental, bucólica vila de pescadores cercada por corredeiras e floresta amazônica preservada. Seus habitantes vivem da pesca artesanal, como Tatá, ou da ornamental: peixes pequenos e coloridos encontrados nos trechos onde o rio é raso e transparente. Parte da renda local também vem do garimpo artesanal. Se a usina for licenciada, os 700 moradores serão retirados da beira do rio e levados para a beira da estrada federal BR 230, a Transamazônica, em local próximo ao lago da usina. Como eles, mais de 2.500 ribeirinhos terão suas casas e comunidades alagadas na região do Tapajós, segundo estimativa da Avaliação Ambiental Integrada das sete usinas. Os estudos ambientais não calculam, porém, os outros milhares de pescadores que perderão sua fonte de renda devido as mudanças que as barragens provocam nos rios.

O primeiro impacto é o “sumiço” dos peixes, eufemismo local para a morte dos animais. O fenômeno já foi observado nas duas grandes usinas do rio Madeira, em Rondônia, construídas seguindo o mesmo modelo das do Tapajós: a usina fio d’água. Para diminuir o impacto ambiental, esse modelo usa reservatórios menores do que hidrelétricas como Itaipu. Mas, ainda assim, trabalha com o represamento. A diferença é que, no lugar de concentrar a represa em um grande lago logo acima da barragem, as usinas fio d’água sobem gradativamente o nível da água, distribuindo o alagamento por uma longa extensão. Ao barrar o fluxo da água, a correnteza perde força, alagando as margens e transformando um trecho do rio em lago. Para formar o reservatório, as usinas do Tapajós vão alagar 3.022 quilômetros quadrados, o equivalente a duas vezes a área da cidade de São Paulo.

O biólogo Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, acompanhou de perto o impacto do modelo sobre o rio Madeira. Ele aponta que, ao quebrar o fluxo da correnteza, o rio passou a ter bolsões de água sem oxigênio, criando um ambiente inóspito para os peixes. Em dezembro de 2008, o Ibama de Rondônia registrou 11 toneladas de peixes mortos durante a construção da usina de Santo Antônio. No relatório, os técnicos registraram que alguns peixes ainda podiam ser vistos “na superfície, agonizando por falta de oxigênio”.

O segundo grande impacto é a quebra do ciclo reprodutivo. Ao subir o rio para fazer a desova, os peixes serão barrados pelos paredões de concreto. Só no caso de São Luiz do Tapajós, a barragem terá sete quilômetros de comprimento. A usina cria “escadas”, pequenas passagens para os peixes cruzarem esse paredão. Mas, segundo Fearnside, a experiência das usinas de Rondônia aponta que são poucas as espécies que acham essas passagens. “Um dos problemas é que o instinto dos peixes é seguir a correnteza principal”, ele explica. Abaixo da barragem, a correnteza mais forte vem da água que sai das turbinas.

Depois de monitorar a queda drástica na vida dentro do rio Madeira, Fearnside não vê perspectivas diferentes para o Tapajós. “São muitos obstáculos. Infelizmente, é improvável que uma tentativa de aprimorar as passagens consiga restaurar a migração dos grandes bagres”, avalia, referindo-se à espécie que é a principal fonte de renda local, a mesma que figura nos retratos pendurados na sala de Tatá.

Uma terceira mudança de grande impacto será o fim do ciclo natural de cheia e seca do rio, já que a usina vai controlar o fluxo da água. Além de desenhar as belas praias de areia branca típicas do Tapajós, responsáveis pela alta procura turística por Alter do Chão, esse fenômeno cria habitats fundamentais para a sobrevivência de diversas espécies vegetais e animais, como ariranhas e certos tipos de peixes, tartarugas e jacarés. A barreira física também será um obstáculo para a reprodução do boto cor de rosa e do peixe boi, espécies que correm risco de extinção.

Quem nasceu na beira do rio sabe da importância do ciclo de cheia e seca para a vida, incluindo a humana. Por isso Luiz Matos de Lima, dono de um mercado em Pimental, foi confrontar um representante da Eletrobras em reunião que ocorria em Trairão, sede do município a que pertence a vila. Os ribeirinhos nem eram convidados, mas Luiz e outros moradores de Pimental foram mesmo assim. Lá, foram informados de que a usina será obrigada a indenizar os moradores ou construir uma nova casa para eles. Mas Luiz sabe que nem o dinheiro ou a casa serão capazes de substituir a quebra no ciclo de sobrevivência. Ele pediu a palavra para alertar que a usina vai tirar tudo dos ribeirinhos, já que novas plantações que forem feitas devem demorar a produzir. “Eles responderam que o governo vai doar cesta básica enquanto o povo não produzir. Já pensou? Coisa mais triste um povo acostumado em trabalhar ter que viver de cesta básica. E eu, que vendo mercadoria, vou viver do que?”, questiona.

“Os estudos de impacto ambiental passaram longe de mensurar os impactos na vida dessas pessoas”, aponta o cientista social Mauricio Torres, um dos maiores estudiosos do modo de vida dos ribeirinhos da região, onde essa população também é conhecida como “beiradeiros”. Com costumes particulares do grupo, os ribeirinhos são intimamente ligados à interação com a floresta e o rio. Grande parte deles raramente vai à cidade ou a um médico. É o caso de Teresa Lobo Pereira, que tem uma casa com roça em Pimental e outra em Montanha e Mangabal. “Eu sou veterana”, ela diz, batendo no peito estufado. “Como diz o dizer nosso, na nossa língua, eu venho dos tronco velho”. Para Teresa, a floresta guarda a farmácia, o supermercado e os caminhos da memória de toda a sua vida. Ela nasceu no “beiradão”, como os ribeirinhos chamam o local, filha de cearense com paraense.

Os ribeirinhos do Tapajós são, em parte, fruto da geração de nordestinos que migrou para a Amazônia para extrair borracha no fim do século 19. O movimento de migração foi fortalecido durante a Segunda Guerra, quando o governo alistou os soldados da borracha. Depois que a produção de látex cessou, eles foram abandonados na região e, para sobreviver, adaptaram-se à interação com o meio. Torres já comprovou o registro de famílias que vivem lá há oito gerações. “Essa é uma história de co-evolução homem e floresta. Eles moldaram a vida de modo que os recursos naturais não acabem e hoje dominam uma tecnologia de manejo do rio e da floresta”, explica Torres. “Mas, na hora que você transforma o rio em lago, você transforma profundamente esse habitat. As consequências disso são trágicas”.

Com pouca ou nenhuma assistência do Estado, essa não é a primeira vez que os ribeirinhos do Tapajós têm sua terra e modo de vida ameaçados por projetos vindos de Brasília. Foi assim em 1974, quando parte da população local foi expulsa para a criação do Parque Nacional da Amazônia. Alguns foram morar rio acima, outros se mudaram para Pimental e há os que foram para a cidade de Itaituba. A adaptação foi impossível em alguns casos. Torres registrou a fala de uma viúva que contou como o seu marido jamais se adaptou à mudança: “A vida dele ficou muito ruim. Ele não sabia fazer nada fora de lá. Nem pescar ele não sabia. Ele não sabia pescar em outro lugar. Depois que deixaram a gente rodado aqui pra cidade, ele remava mais de dias pra ir lá no lugarzinho da gente pra pescar. Mas não dava mais. Logo morreu. Ele não era mais”. Esse e outros relatos orais fazem parte do artigo O Escriba e o Narrador, de Torres.

A saga do beiradeiro que “não era mais” depois de arrancado do seu lugar é sintomática do clima que tomou parte da vila de Pimental após a notícia da remoção. Os sorrisos hospitaleiros rapidamente se desfazem quando perguntamos sobre a usina. A professora Suzete de Oliveira Nogueira fica com a voz embargada ao lembrar das perguntas feitas pelos alunos do 3o ano: “professora, não dava pra cada família fazer uma casa flutuante? Aí a gente podia ficar aqui”. Assim como ela, diversos moradores da vila ficam melancólicos ao falar sobre o futuro do lugar onde nasceram e viveram. “Isso aqui vai virar um cemitério. Um lugar fantasma”, diz a ribeirinha Regina Nonato dos Santos, cercada pelas árvores cheias de fruta do quintal da vizinha. “Pra mim isso é tudo um pesadelo. Se eu pudesse, acordava e não dormia mais”.

Além da relação com uma natureza de riqueza luxuriante, os moradores temem perder a tranquilidade da vila. Assustam-se em antecipação com a grande quantidade de pessoas que vão chegar. Segundo os estudos da usina serão 13,5 mil trabalhadores, número que vai no mínimo dobrar com todos os outros que seguem o fluxo para prestar serviços. Hoje, as portas de Pimental dormem destrancadas. Não há registro de roubos ou furtos. A única cena de violência que a reportagem presenciou foi uma mãe batendo no filho que tentava se esgueirar pelas árvores do quintal. O menino foi acudido por um papagaio. O bicho disparou uma rajada de gritos agudos, como se ele mesmo estivesse sob tortura, até a mulher largar o chinelo.

O lugar onde a nova vila será construída ainda não foi definido, mas é possível que ela se torne um dos núcleos urbanos mais próximos do canteiro de obras. Se isso acontecer, Pimental pode ter a mesma sina de Jaci Paraná, vila de pescadores a 20 quilômetros da usina de Jirau, em Rondônia, que viu sua população quadruplicar com o início da obra. A violência em Jaci é tanta que os comerciantes fazem vaquinha para pagar uma empresa de segurança particular. Em 2012, um grupo matou o comandante da Polícia Militar e rendeu oito policiais para assaltar a pequena agência bancária instalada na vila.

Leia mais sobre os impactos de Jirau sobre a vila.

Tatá e sua família estão no escuro: nunca ouviram falar de Jaci Paraná e não fazem ideia de quão estratégica é a localização da nova vila de Pimental. Ele e toda a comunidade têm muitas dúvidas sobre o que vai acontecer com a região e como se preparar para as mudanças, mas não há informação ou mediadores independentes para orientá-los nesse processo.
A moradora mais antiga de Pimental é Maria Bibiana da Silva, conhecida como Gabriela. Ela tem 105 anos. Em 2012, quando a reportagem de Pública visitou a vila de pescadores pela primeira vez, ela era uma das vozes preocupadas com a chegada da usina: “Não tenho gosto que essa barragem saia, mas uma andorinha só não faz verão”. Dois anos depois, em novembro de 2014, voltamos a procura-la, mas a família interveio. Gabriela não pode mais nem ouvir falar sobre barragem. Sua pressão sobe, é arriscado para a saúde. Mas a percepção da matriarca continua aguçada e ela percebeu o tema da conversa com seu filho, Bernardino Silva Azevedo, 85 anos. De dentro do quarto, perguntava o motivo de nossa presença. A neta tentou desconversar, mas já era tarde: “é a tentação”, a avó repetia, já agitada. Ela só se acalmou quando um neto disse que a reportagem estava lá para falar “das coisas boas” da comunidade.

Bernardino cumpre as vezes de contar a história da família, que é uma aula de Amazônia. Gabriela saiu do Ceará em 1917 com o pai rumo ao Acre, mas eles perderam a condução e ficaram no meio do caminho. Bernardino nunca estudou, a vida de trabalho começou aos 12 anos ao lado da mãe. Participou das diversas fases de exploração econômica da Amazônia: a da borracha, na Segunda Guerra Mundial; a da venda de peles de animais, após a decadência da borracha; e a do garimpo. Só parou porque sua saúde não lhe permitiu continuar. “Trabalho pesado é comigo mesmo. Já fiz de tudo. Só não fiz matar gente”, ri, em referência a outra atividade ainda lucrativa na região: a pistolagem.

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Agora, vive para ver mais uma era da economia de exploração da Amazônia, com a chegada das barragens. Como futuro, ele se vê morando com a mãe na cidade. Período ao qual espera sobreviver, nas suas palavras, de “beneficiozinho”.

O Ministério Público Federal iniciou uma ação civil pública exigindo que o Ibama suspendesse o licenciamento da usina enquanto as empresas responsáveis pelos estudos ambientais (leia mais no box abaixo) não elaborasse um estudo para avaliar o impacto acumulado das sete usinas na bacia e não realizasse a consulta prévia às comunidades afetadas. A consulta consiste em levar informações sobre o empreendimento aos ribeirinhos e indígenas e ouvir quais são as suas demandas e preocupações. Em tese, o Ibama deveria levar esses argumentos em conta na hora do licenciamento, solicitando adaptações ao projeto de modo a reduzir os impactos negativos. Ou até mesmo vetar o empreendimento. A consulta é obrigatória, segundo a legislação brasileira com base na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário.

Mas a Advocacia Geral da União recorreu e a disputa foi parar no Superior Tribunal de Justiça quando o governo ativou o mecanismo da Suspensão de Segurança, o mesmo que garantiu o avanço de Belo Monte. Em vez da disputa seguir o trâmite normal da justiça, esse mecanismo aciona diretamente o STJ com o argumento de que a paralisação do licenciamento geraria “grave lesão à ordem, saúde, segurança e economia públicas”. O ministro Felix Fischer autorizou que o governo seguisse com o licenciamento, mas desde que consultando as populações locais: “o Governo Federal deverá promover a participação de todas as comunidades, sejam elas indígenas ou tribais, a teor do seu art. 1, que podem ser afetadas com a implantação do empreendimento, não podendo ser concedida a licença ambiental antes da sua oitiva”. Além dos ribeirinhos, há terras indígenas Munduruku que serão afetadas e até alagadas pela usina.

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Apesar dessa decisão, a Secretaria-Geral da Presidência da República, órgão responsável pela consulta, não está consultando os ribeirinhos. Em reunião gravada pelos Munduruku em setembro, cujo vídeo foi revelado pelo blog Língua Ferina , representantes da Secretaria-Geral dizem a um líder de Montanha e Mangabal que a consulta só se aplica aos indígenas. “Esse processo que estamos fazendo na região se aplica aos indígenas. O que a gente está discutindo é fazer um processo informativo para Montanha e Mangabal, mas que não seria consulta”, diz Nilton Tubino, que era coordenador de Movimentos do Campo na gestão de Gilberto Carvalho. “O entendimento do governo federal hoje, para essa fase, é que quem é ouvido lá pela [convenção] 169 são os indígenas e quilombolas. Isso já tem referência. Comunidades tradicionais não se chegou a esse acordo ainda, dentro do governo, de como vai ser consultado e em que estágio”.

“Não há absolutamente nenhuma justificativa técnica ou jurídica para dizer que essa população ribeirinha não teria esse direito”, afirma o advogado Fernando Prioste, coordenador da ONG Terra de Direitos. “Esse entendimento do governo tem a ver apenas com conveniência política”.

O argumento do governo também foi contestado pelo MPF. Em uma manifestação sobre a Ação Civil Pública sobre o caso, o procurador federal Luís de Camões Lima Boaventura critica a interpretação do governo: “beiradeiros, ribeirinhos e agroextrativistas são tão sujeitos de direitos da Convenção 169 quanto os indígenas e devem ter direito a uma consulta apropriada. Afirmar o contrário é mais uma vez incidir num discurso hegemônico, em que os diferentes modos de viver e se relacionar com a floresta são desconsiderados”.

Procurada pela reportagem da Pública para explicar porque os ribeirinhos de Pimental e outras comunidades ribeirinhas não estão sendo consultados, a Secretaria-Geral da Presidência enviou a seguinte nota: “O governo federal está discutindo com as comunidades indígenas e ribeirinhas uma proposta de metodologia de consulta a estas comunidades da região da bacia do Tapajós. No último dia 30 de janeiro, a Secretaria-Geral se reuniu com representantes do povo Munduruku e da comunidade Montanha Mangabal, quando apresentaram ao governo uma proposta de consulta. Os documentos estão em análise pelo governo federal”.

Apesar da falta de apoio do governo, a comunidade Montanha e Mangabal se organizou para montar o protocolo de consulta e aproveitaram a reunião entre a Secretaria e o povo Munduruku para entregar o seu documento. As outras comunidades a serem afetadas pela usina, porém, estão excluídas do processo. Como é o caso de Pimental, que reúne a maior concentração de ribeirinhos a serem removidos pela usina e nunca foi inserida no processo de consulta.

Falta de informação gera conflitos
A única comunicação entre os ribeirinhos e as empresas que conduzem os estudos é feita por um grupo que se apresenta como “Diálogo Tapajós”, uma empresa de São Paulo contratada pelo consórcio que fez os estudos de impacto ambiental, o mesmo que tem interesse em construir a usina (leia mais no box abaixo). Em tese, o Diálogo é responsável por apresentar aos moradores os impactos que eles vão sofrer, preparando-os para a mudança e para a negociação com o empreendimento. Mas o grupo não tem autonomia para isso e acaba por não cumprir o seu papel.

“Eu não sei porque colocaram o nome ‘diálogo’, porque quando você faz uma pergunta, eles não respondem”, diz Eudeir Azevedo. Ele elenca algumas das questões para as quais nunca teve resposta: “Pra onde nós vamos mudar? Quanto mais ou menos é que se paga por área afetada? Eles nunca sabem responder nada, então a gente pergunta: quem é realmente de fato a pessoa que a gente deve conversar? Mas nem isso eles dizem”.

Em Pimental, a ação do Diálogo Tapajós tomou um contorno inusitado: o grupo que representa a usina virou “mediador” para aplacar conflitos criado pela própria usina entre membros da comunidade. Sem informações sobre os seus direitos, os moradores da vila se desentenderam sobre qual deveria ser a postura em relação ao empreendimento. O Diálogo Tapajós organizou um conselho para que os ribeirinhos se reunissem com a mediação da empresa.

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O discurso da empresa hoje é de que o grande problema de Pimental é a cisão dentro da vila, como se os moradores fossem responsáveis caso as condicionantes não forem cumpridas. Givanildo Rodrigues de Paula, coordenador de campo do Diálogo, cita o exemplo da usina de Belo Monte como uma referência. A hidrelétrica está prestes a iniciar a produção de energia, mas está longe de completar o conjunto de ações sociais condicionadas à licença, como a remoção dos moradores. “É comum, nas nossas reuniões, aparecer a fala de que eles [ribeirinhos do Tapajós] foram a Belo Monte e viram que as casas não estão sendo feitas do jeito que prometeram. Ao invés de alvenaria, estão fazendo pré-moldado, que é quente”, diz Givanildo. “A gente coloca que o Diálogo não tem condição de garantir que aqui não vai ser dessa forma, mas que é um exemplo muito ruim e que a organização da sociedade civil tem que dar conta de evitar que isso aconteça aqui”.

O desentendimento entre moradores de Pimental esquentou em 2010, quando, sem pedir licença, uma empresa de topografia contratada pela Eletrobras furou o chão da comunidade para fixar os primeiros marcos. “Quando um morador foi perguntar qual era o serviço, numa boa, o funcionário disse que não tinha que dar explicação pra ninguém porque tava lá mandado pelo presidente, que na época era o Lula”, lembra Azevedo. Como o governo federal nunca se faz presente na vila, os moradores automaticamente acharam que o funcionário falava do presidente da associação de moradores, José Odair Pereira Matos, conhecido como C.A.K., e foram tomar satisfações com ele. Quando entenderam que o funcionário falava do presidente da república, um grupo se revoltou e destruiu o marco. A partir de então, a associação de moradores passou a proibir que os pesquisadores voltassem a pisar em Pimental. “Assim como eles têm o direito de dizer que a usina tem que sair, é um direito do ribeirinho defender o que é nosso”, diz C.A.K.. “A gente não tá pedindo cesta básica, um novo lugar pra morar, a gente tá defendendo um direito nosso”.

Depois que assumiu uma postura mais combativa, C.A.K. diz que passou a receber intimações para recuar. Primeiro foram as ofertas de dinheiro. “Já recebi ligação do Rio de Janeiro, São Paulo, de meia hora, quarenta minutos. Já veio pessoas também em Pimental. Eles chegam falando em casa, carro e dinheiro no banco”. C.A.K. garante que sempre cortou as propostas pela raiz, nunca deixou os interlocutores chegarem a valores concretos nem nunca aceitou os convites para ir conversar em outros estados.

Depois que recusar as ofertas, C.A.K. relata que começou a receber ligações com ameaças. Um dos seus parceiros levou um soco em uma reunião, a agressão veio de um morador da vila que era contra a postura combativa do grupo. Foi quando C.A.K. decidiu se afastar da associação. “Não é fácil ser liderança nessa região, até nossa família fica marcada”. Apesar do afastamento, ele ainda integra o grupo de Pimental que tem a postura mais crítica em relação à usina. O novo líder da associação permite a entrada de pesquisadores na vila. Ele não pôde ser entrevistado pela reportagem pois estava fora, trabalhando no garimpo.

Dentro da vila, a resistência foi vista com receio por alguns. Sem experiência em negociações, parte dos moradores tem medo que a postura os prejudique ainda mais, e preferem aceitar logo as compensações oferecidas. “Os empreendimentos usam as carências locais para impor o projeto, as pessoas acham que só terão acesso aos seus direitos se aceitarem a usina”, afirma Arthur Massuda, membro da Artigo 19. A organização, que trabalha pelo acesso à informação e liberdade de expressão, realiza atividades na região para tentar informar a população sobre os seus direitos no processo com as usinas.

Depois de entrevistar mais de 30 famílias para tentar entender o discurso do grupo afetado que se declara “a favor” da usina, a reportagem de Pública se surpreendeu ao encontrar definições como a de Tatá, que se define como “contra-mas-a-favor”. Ele explica com um riso nervoso: “sou do grupo a favor. Mas, se você me perguntar mesmo, na verdade eu sou contra”. Como muitos, Tatá teme sofrer as consequências de enfrentar um empreendimento financiado pelo governo federal.

Mais do que dividida, a comunidade de Pimental está rendida pelo medo. Tatá cita o caso dos Munduruku, grupo mais organizado na resistência às hidrelétricas na Amazônia e que já sofreu retaliações por sua postura. Depois de expulsarem os pesquisadores da usina de sua terra, em março de 2013, algumas aldeias foram cercadas por barcos e helicópteros da Força Nacional de Segurança. A Expedição Tapajós, como o governo batizou a ação policial, visava “garantir o apoio logístico e a segurança” dos pesquisadores e ficou um mês na região. “Era como estar preso na aldeia”, lembra Juarez Saw Munduruku, cacique da aldeia Sawré Muybu, que fica a poucas horas de Pimental. Sua aldeia virou o símbolo da resistência aos empreendimentos porque pode ter áreas alagadas pela usina, o que é inconstitucional (leia a reportagem A batalha pela fronteira Munduruku).

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Mas Tatá quer distância da batalha travada pelos indígenas. Ele já formou seu veredicto: “Não vou me manifestar por nada, já estou grandinho demais pra estar apanhando, morrendo por aí. Não adianta. Você não pode lutar contra o governo federal. Se o governo federal quer, você tem que aceitar”.

Mesmas empresas interessadas na usina são responsáveis pelos estudos de impacto

A relação de pouca confiança entre as empresas que conduzem os estudos de impacto e a população afetada se explica por um vício de origem no processo de licenciamento. As mesmas empresas interessadas em fazer as obras são as responsáveis pelos estudos de impacto ambiental e social e pela comunicação com a população afetada.

“Tem, no mínimo, uma forte tendência de conflito de interesses”, diz Brent Milikan, diretor do programa Amazônia da International Rivers, que monitora o modo como o governo brasileiro conduz o licenciamento das hidrelétricas. “Estamos falando de impactos sobre um patrimônio público e a legislação estabelece que tem de ter medidas de mitigação e compensação. Mas isso, para as empresas, se traduz em gastos”.

Brent aponta o papel “contraditório” da Eletrobras nesse processo. A empresa de capital aberto que é controlada pelo governo federal lidera o consórcio de empresas interessadas em construir a usina, composto por Camargo Correa, EDF, Copel, Cemig, GDF Suez, Endesa e Neoenergia. Brent aponta que, ao invés de ser o fiel da balança do interesse público nesse processo, a Eletrobras lidera o consórcio “como uma empresa privada, focada em maximizar o lucro”. Pior, ela atuaria dentro do governo para pressionar e “intimidar” o órgão licenciador (Ibama) a aprovar os estudos e liberar o licenciamento.

No caso das usinas de São Luiz do Tapajós e Jatobá, o consórcio liderado pela Eletrobras contratou os serviços da CNEC Worley Parsons, empresa australiana que comprou a CNEC, consultoria técnica da Camargo Corrêa. A Worley Parsons, mesma que executa as obras de compensação social de Belo Monte, foi a responsável pelo levantamento dos impactos ambientais e sociais das usinas do Tapajós.

O Ministério Público Federal apontou uma omissão grave nesses estudos, que motivou uma ação civil pública contra o Ibama e quase paralisou todo o processo de licenciamento: a análise das usinas foram feitas de forma isolada, sem uma avaliação que medisse o conjunto de impactos das sete usinas na bacia. Além disso, o licenciamento estava chegando ao final sem que a população afetada fosse consultada. A data do leilão chegou a ser anunciada pelo Ministério de Minas e Energia, que dias depois suspendeu o anúncio.

Depois que a justiça federal exigiu, a Avaliação Ambiental Integrada ficou pronta em menos de três meses. Foi criticada por ambientalistas por ter sido feita às pressas e por ter se baseado em dados secundários. “O simples fato do estudo ser produzido pelas empresas interessadas deixa a informação viciada e limitada. Vira uma propaganda do empreendimento”, afirma Arthur Massuda, da Artigo 19.

A população de Pimental nunca foi consultada sobre a usina que pode ser construída sobre o solo onde a vila está há pelo menos 120 anos.

Fonte: O Impacto.

Publicado por Folha do Progresso fone para contato Cel. TIM: 93-981171217 / (093) 984046835 (Claro) Fixo: 9335281839 *e-mail para contato: folhadoprogresso@folhadoprogresso.com.br