Dólar dispara e fecha a R$ 6,26, maior cotação da história
Foto: Getty Images | Há expectativa de que a Câmara vote nesta quarta outros pontos centrais do pacote de corte de gastos, como mudanças na regra do salário-mínimo e abonos salariais.
O dólar fechou em forte alta nesta quarta-feira (18) e bateu mais um valor recorde de cotação: R$ 6,2672.
A moeda brasileira segue derretendo conforme pioraram as expectativas do mercado financeiro com o desenho do pacote de cortes de gastos enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional.
Na noite desta terça-feira, as primeiras medidas começaram a ser aprovadas pelos parlamentares: a Câmara dos Deputados aprovou o texto que proíbe a ampliação de benefícios tributários quando as contas públicas tiverem um desempenho negativo.
Além disso, quando o governo registrar déficit primário (situação em que as despesas são maiores que o dinheiro arrecadado), a proposta aprovada ativa um “gatilho” que limita o aumento de gastos do governo com pessoal.
Há expectativa de que a Câmara vote nesta quarta outros pontos centrais do pacote de corte de gastos, como mudanças na regra do salário-mínimo e abonos salariais. Depois, as propostas seguem para o Senado.
Mas os agentes financeiros já não esperam grande eficácia das medidas para controlar o endividamento público, e declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Fantástico consolidaram a percepção de que o governo não pretende avançar muito na contenção de despesas. (entenda melhor abaixo)
No exterior, o destaque foi a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que decidiu cortar novamente a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, levando-as a um patamar entre 4,25% e 4,50% ao ano. (saiba também abaixo)
Em clima negativo, o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileiro, a B3, opera em forte queda.
O dólar fechou em alta de 2,82%, cotado a R$ 6,2672. Na máxima do dia, chegou a R$ 6,2707.Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou:
ganhos de 3,85% na semana;
alta de 4,44% no mês;
avanço de 29,15% no ano.
Na véspera, a moeda norte-americana subiu 0,02%, cotada a R$ 6,0956.
Às 17h15, o Ibovespa caía 3,01%, aos 120.941 pontos.
Na véspera, o índice subiu 0,92%, aos 124.698 pontos.
Com o resultado, acumulou:
alta de 0,07% na semana;
perda de 0,77% no mês;
recuo de 7,07% no ano.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O que está mexendo com os mercados?
O pacote de corte de gastos proposto pelo governo federal começou a andar no Congresso. A ideia é economizar R$ 70 bilhões nos próximos dois anos, e um total de R$ 375 bilhões até 2030.
O governo precisa reduzir os gastos porque tem uma meta de zerar o déficit público pelos próximos dois anos — ou seja, gastar o mesmo tanto que arrecada em 2024 e 2025. O arcabouço também estipula que o governo deve começar a arrecadar mais do que gasta a partir de 2026, para controlar o endividamento público.
O mercado tinha a expectativa de que o governo mexesse em gastos estruturais nesse pacote de corte de gastos — como a Previdência, benefícios reajustados pelo salário mínimo e os pisos de investimento em saúde e educação. Mas isso não aconteceu.
Segundo os analistas, essas despesas tendem a subir em velocidade acelerada e têm potencial de anular esse esforço do pacote em pouco tempo. O governo, contudo, é avesso às medidas, que mexeriam com políticas públicas e com promessas de campanha do presidente Lula.
Segundo o blog do Valdo Cruz, interlocutores do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliam que o governo precisa dar uma sinalização mais forte na área fiscal, incluindo o anúncio de medidas adicionais às já anunciadas, para reverter de vez o cenário negativo que reina no mercado neste fim de ano.
Os aliados de Haddad acreditam que a aprovação do pacote já enviado ao Congresso vai ajudar a acalmar os ânimos dos investidores, mas as medidas não serão suficientes para derrubar o dólar.
No exterior, o Fed decidiu cortar os juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4,25% a 4,50% ao ano. A decisão veio em linha com as expectativas, mas não foi unânime.
Esse foi o terceiro corte seguido da taxa. Na reunião de novembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) reduziu o referencial na mesma proporção, em 0,25 p.p., enquanto na reunião de setembro o corte foi de 0,50 ponto.
Em nota, o Fomc afirma que os indicadores econômicos dos EUA sugerem que a atividade econômica do país continuou a se expandir em ritmo sólido, mas com os riscos controlados.
“Desde o início do ano, as condições do mercado de trabalho se suavizaram, e a taxa de desemprego aumentou, mas permanece baixa. A inflação avançou em direção à meta de 2% do Comitê, mas ainda está um pouco elevada”, diz o texto.
Essa foi a segunda reunião do Fomc após as eleições presidenciais norte-americanas, que voltaram a colocar o republicano Donald Trump como chefe de Estado da maior economia do mundo.
A nota do Fomc diz ainda que o comitê julga que os riscos para atingir suas metas de emprego e inflação estão aproximadamente equilibrados, mas que as perspectivas econômicas são incertas, e o Comitê está atento aos riscos.
“O Comitê estará preparado para ajustar a postura da política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance das metas do Comitê”, diz.
Diante desse cenário, a leitura é de que a incerteza sobre quais serão os efeitos da gestão de Trump na economia dos Estados Unidos também podem afetar as decisões do Fed à frente.
A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos já era precificada pelo mercado, mas aumentou as preocupações sobre os efeitos da agenda econômica conservadora e protecionista que o republicano deve carregar durante seu mandato.
Essas medidas são vistas como inflacionárias pelo mercado e podem — além de trazer impactos para a economia de outros países — obrigar o Fed a manter os juros elevados para conter um eventual aumento de preços.
Juros menores nos Estados Unidos podem ser positivos para o Brasil. Isso porque, com taxas menores, os títulos públicos do país (considerados os mais seguros do mundo) passam a entregar uma rentabilidade também menor.
Fonte: g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 18/12/2024/17:07:42
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Real Madrid confirma favoritismo e leva seu 10º Mundial
Jogo foi disputado nesta quarta-feira (18) no estádio Lusail, em Doha, no Qatar | Foto: Real Madrid
O mexicano Pachuca até chegou a esboçar uma pressão nos minutos inicias da partida, mas não foi capaz de manter a toada e, sem surpresas, sucumbiu diante do elenco estrelado do Real Madrid na final da Copa Intercontinental.
Com gols de Mbappé, Rodrygo e Vinicius Junior —eleito na véspera o melhor do mundo pela Fifa (Federação Internacional de Futebol)—, o time espanhol bateu o time do México por 3 a 0 para faturar seu décimo título da competição, em jogo disputado nesta quarta-feira (18) no estádio Lusail, em Doha, no Qatar.
Foi a 11ª vez que o time espanhol disputou a final da competição —a conta inclui o velho Intercontinental, só com europeus e sul-americanos, e a competição da Fifa. A única vez em que não saiu com a taça de campeão foi em 1966, quando perdeu para o Peñarol, do Uruguai, por 4 a 0 no placar agregado —na época, eram disputados dois jogos para se decidir o campeão, com 2 a 0 no Uruguai e o mesmo placar na Espanha.
Agora são 38 títulos de clubes europeus, contra 26 dos sul-americanos. O Mundial foi reformulado neste ano e passou a se chamar Copa Intercontinental. No novo formato, o time europeu entrou apenas na final do torneio, não na fase semifinal, como ocorria nos anos anteriores. Os jogadores do atual campeão da Champions League chegaram ao local da competição apenas na segunda-feira (16), dois dias após empate por 3 a 3 com o Rayo Vallecano pelo Espanhol.
O Pachuca, classificado por ter vencido a Copa dos Campeões da Concacaf (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), chegou à decisão pela primeira vez.
Nas quartas de final, bateu o Botafogo por 3 a 0, valendo-se do cansaço dos jogadores campeões da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro. Na semifinal, superou o Al Ahly, do Egito, nos pênaltis, após empate sem gols no tempo regulamentar e na prorrogação.
O jogo
O time mexicano até começou bem o duelo com o Real Madrid nesta quarta e foi quem primeiro chegou ao gol do adversário, obrigando o goleiro belga Courtois a fazer duas defesas para manter o zero no placar.
Com um ataque formado por Vinicius Junior, Rodrygo e Mbappé, o Real Madrid não demorou, porém, a assumir o controle da partida, passando a rondar com perigo o gol defendido por Carlos Moreno.
Até que, aos 37 minutos, saiu o primeiro gol, a partir de uma jogada característica de Vinicius Junior, que partiu em velocidade pela ponta esquerda em direção à área adversária, livrou-se da marcação e passou para Mbappé, livre no meio da área, que apenas teve o trabalho de completar para o fundo das redes.
Com o gol, o atacante francês conseguiu se sagrar campeão mundial no mesmo estádio em que, há dois anos, viu escapar o que seria seu segundo título da Copa do Mundo, perdendo para a Argentina de Lionel Messi na decisão por pênaltis. Mbappé fez três gols naquela final.
Na segunda metade da partida, Rodrygo ampliou logo aos sete minutos ao receber na entrada da grande área, iludir dois adversários e bater com firmeza de pé direito no canto esquerdo, sem chance de defesa para o goleiro.
O terceiro saiu aos 39, em cobrança de pênalti convertida por Vinicius Junior, após falta dentro da área em cima de Lucas Vázquez. A principal jogada de perigo do Pachuca foi em uma cobrança de falta do atacante Rondón, que parou em boa defesa de Courtois.
Virando a página
Com a confirmação da vitória, a atenção dos jogadores do time madrileno se voltam agora novamente para o Espanhol e a Champions. O clube já tem compromisso no domingo (22), quando enfrentará o Sevilla, no Santiago Bernabéu.
Campeão espanhol e europeu na temporada passada, o Real Madrid não tem conseguido repetir o desempenho dominante neste ano. Os comandados de Carlo Ancelotti ocupam a terceira posição na tabela do Espanhol, com um jogo a menos que o líder Barcelona. Na nova Champions, a equipe ocupa apenas a 20ª posição, após seis partidas pela fase de grupos, com três vitórias e três empates.
Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 18/12/2024/16:55:21
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Mulher recebe rim de porco nos EUA e é a única paciente viva no mundo com órgão de animal
Dr. Jayme Locke, Towana Looney e Dr. Robert Montgomery — Foto: Mateo Salsedo
Towana Looney estava há oito anos esperando por um transplante, sem sucesso.
Uma paciente norte-americana com insuficiência renal está livre da diálise depois de receber o transplante de um rim de porco. Towana Looney estava na fila de espera há oito anos, passou pela cirurgia no último mês e já está em casa. Atualmente, ela é a única pessoa no mundo vivendo com um órgão de porco.
Towana doou um rim para a mãe, que teve insuficiência renal, em 1999. Anos depois, durante a gravidez, ela teve uma complicação por pressão alta e acabou desenvolvendo a doença. Em dezembro de 2016, ela começou o tratamento com hemodiálise e, um ano depois, entrou na lista de transplantes, mas nunca encontrou um doador compatível.
Com oito anos de espera sem um rim compatível, ela recebeu autorização para realizar um xenotransplante – um rim de porco geneticamente modificado.
Sinto como se tivesse recebido outra chance na vida . Mal posso esperar para poder viajar novamente e passar mais tempo de qualidade com minha família e netos.
— Towana Looney, 53, paciente que recebeu um rim de porco.
O transplante foi realizado em um programa de expansão de pesquisas com rins de porco, autorizado pelo Food and Drug Administration (FDA), que permitiu o procedimento fora de ensaios clínicos. A cirurgia só pode ser feita em pacientes com alto risco de vida e sem outras opções.
O procedimento foi liderado pelo NYU Langone Transplant Institute. O rim que ela recebeu começou a produzir urina antes mesmo de ela acordar da cirurgia, e exames de sangue mostram que está eliminando creatinina, um produto residual, de forma adequada. Towana teve alta do hospital no dia 6 de dezembro.
Em um vídeo divulgado pelo hospital, ela contou que já sente sua vida voltar ao normal, com coisas que antes não conseguia fazer, como recuperar o apetite e conseguir comer refeições inteiras.
“Eu costumava fazer uma tarefa, sentar para descansar, e depois fazer outra tarefa. Agora eu sou multitarefas”, disse Towana em entrevista.
A paciente é a única viva com o rim de porco. Outros quatro pacientes receberam o órgão nos últimos anos, mas eles não resistiram. Os pacientes estavam muito doentes e morreram meses depois.
Um dos casos foi um homem que em março deste ano passou por um xenotransplante liderado por um médico brasileiro. A opção era a única para o paciente que tinha uma saúde debilitada depois de anos de tratamento. Ele morreu dois meses depois.
Segundo os médicos, ela vai ser acompanhada por um mês com visitas diárias ao hospital e a previsão é que tenha alta definitiva em três meses.
Towana representa o ápice do progresso que fizemos no xenotransplante desde que realizamos a primeira cirurgia em 2021. Ela serve como um farol de esperança para aqueles que lutam contra a insuficiência renal.
— Robert Montgomery, MD, DPhil , que liderou o procedimento
O que é xenotransplante
A cirurgia de Looney é a mais recente de uma série de procedimentos semelhantes conhecidos como xenotransplante, que é a prática de transplante de órgãos entre espécies. O órgão é de um porco, mas geneticamente modificado para ser melhor aceito no corpo humano.
Neste caso, o rim tinha dez modificações genéticas que incluem a remoção de três antígenos imunogênicos, que podiam reforçar a resposta imunológica humana e causar a recusa. Além de um um receptor de hormônio de crescimento suíno, para evitar que ele ficasse desproporcional ao corpo humano.
Ainda foram adicionados seis transgenes humanos, para ajudar que ficasse mais parecido com o órgão humano e reduzir a probabilidade de rejeição.
O rim foi transplantado para o abdômen inferior de Looney após uma cirurgia de sete horas.
Médico brasileiro lidera primeiro transplante de rim suíno geneticamente modificado — Foto: Arte/g1
Fonte: Por Redação g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 18/12/2024/12:32:03
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Adolescente mata professor e 1 aluno em escola cristã nos EUA; veja o que se sabe
Foto: Reprodução | Uma aluna de 15 anos matou outro aluno e um professor ao abrir fogo, nesta segunda-feira 16, em sua escola no norte dos Estados Unidos, antes de ser encontrada morta, na enésima tragédia deste tipo que choca o país.
“Morreram três pessoas, entre elas a suposta autora dos disparos”, declarou Shon Barnes, o chefe de polícia de Madison, a capital de Wisconsin, estado do centro-oeste americano.
“A atiradora foi identificada como uma menina de 15 anos”, informou Barnes. “Ela era uma aluna da escola e as evidências sugerem que morreu devido a um disparo autoinfligido”, acrescentou o chefe de polícia em uma entrevista posterior.
As duas vítimas fatais são um professor e um aluno, detalhou Barnes em coletiva de imprensa.
O chefe de polícia acrescentou que há seis estudantes feridos, dois dos quais estão entre a vida e a morte.
O presidente em fim de mandato dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou o “horrendo e inconcebível” ataque a tiros e afirmou que o incidente destaca uma vez mais a necessidade de endurecer as leis sobre armas.
“Necessitamos que o Congresso atue. Agora”, disse Biden em um comunicado.
Às 10h57 locais desta segunda (7h57 em Brasília), a polícia de Madison foi informada de um ataque a tiros em curso nessa escola privada cristã onde estudam cerca de 400 estudantes, do jardim de infância ao ensino médio.
A autora dos disparos “estava morta antes de nossa chegada”, esclareceu Barnes, detalhando que uma “arma de fogo” foi encontrada e que os policiais não haviam disparado.
O massacre ocorreu em apenas um lugar do estabelecimento. “Não sei se foi numa sala ou num corredor”, explicou.
“Não há outras ameaças ou perigos para a comunidade”, assegurou, dizendo desconhecer o motivo.
‘Prevenir’
“Acho que todos estamos de acordo que já chega”, declarou o chefe de polícia de Madison aos jornalistas.
“Temos de nos juntar para fazer tudo o que podemos para apoiar nossos alunos, para evitar que coletivas de imprensa como esta se repitam”, acrescentou Barnes, que foi professor antes de se tornar policial.
“Temos que fazer um trabalho melhor em nosso país e em nossa comunidade para prevenir a violência armada”, afirmou a prefeita de Madison, a democrata Satya Rhodes-Conway.
Os ataques com armas de fogo em escolas são frequentes nos Estados Unidos, onde há mais armas que pessoas e a regulação é frouxa, inclusive para comprar rifles de estilo militar.
As pesquisas mostram que a maioria dos americanos é favorável a controles mais rígidos sobre o uso e a compra de armas de fogo, mas um poderoso grupo de pressão rejeita mais restrições e o Congresso não chega a um acordo.
Neste ano, houve pelo menos 487 ataques a tiros — definidos como um tiroteio com pelo menos quatro vítimas, mortas ou feridas — em todos os Estados Unidos, segundo a organização Gun Violence Archive.
Pelo menos 15.998 pessoas morreram neste ano nos Estados Unidos por violência com armas de fogo, indica a fonte.
No início de setembro, um adolescente de 14 anos matou quatro pessoas, entre elas duas estudantes, em um instituto no estado da Geórgia, antes de ser detido.
Em maio de 2022, 19 alunos e dois professores morreram quando um jovem de 18 anos abriu fogo em sua escola de ensino fundamental em Uvalde, Texas.
Fonte: Carta Capital e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 17/12/2024/14:38:16
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Ucrânia mata comandante militar russo em explosão em Moscou
Explosivo que matou Igor Kirilov foi colocado em um patinete estacionado perto da entrada da residência dele (Foto: Serviço de Imprensa do Ministério da Defesa da Rússia)
Igor Kirilov, comandante da divisão de armas químicas do Exército da Rússia, e seu auxiliar, morreram em um ataque reivindicado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia.
O comandante da divisão de armas químicas do Exército russo morreu em uma explosão nesta terça-feira (17.12) em Moscou, um ataque reivindicado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), segundo uma fonte da instituição.
“O comandante das forças russas de defesa radiológica, química e biológica, Igor Kirilov, e seu auxiliar morreram na explosão”, informou um comunicado divulgado pelo Comitê de Investigação da Rússia, responsável pelos inquéritos mais importantes do país.
“Um artefato explosivo colocado em um patinete estacionado perto da entrada do imóvel residencial foi ativado na madrugada de 17 de dezembro”, quando os dois homens saíam do prédio na zona sudeste de Moscou. Algumas horas depois, uma fonte do SBU declarou à AFP que o Serviço de Segurança da Ucrânia foi responsável pela explosão.
“O atentado com bomba perpetrado hoje contra o tenente-general Igor Kirilov, comandante das forças de defesa radiológicas, químicas e biológicas das Forças Armadas russas, foi uma operação especial do SBU”, afirmou a fonte.
A entrada do edifício sofreu danos consideráveis e as janelas de vários apartamentos quebraram, segundo imagens divulgadas pela imprensa russa. “Uma investigação criminal foi aberta pelo assassinato de dois militares em Moscou”, anunciou o Comitê de Investigação.
Os investigadores seguiram para o local e iniciaram análises para estabelecer “todas as circunstâncias” do incidente, segundo o comitê.
“Um crime sem precedentes foi cometido em Moscou”, afirma o site do jornal Kommersant, que destaca que Kirilov “não era o comandante mais importante envolvido na operação especial russa” na Ucrânia.
“Mas foi ele quem falou durante as sessões informativas sobre os laboratórios de armas biológicas na Ucrânia”, dos quais a Rússia acusou os Estados Unidos, lembrou o Kommersant.
Punição “sem piedade”
A fonte do SBU ucraniano afirmou que “Kirilov era um criminoso de guerra e um alvo absolutamente legítimo, porque ordenou o uso de armas químicas proibidas contra os soldados ucranianos”.
A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, lamentou no Telegram a perda de um “general corajoso que nunca se escondeu nas costas dos demais” e lutou “pela pátria mãe e pela verdade”.
Por sua vez, o vice-presidente do Conselho da Federação, a Câmara Alta do Parlamento russo, Konstantin Kosashev, prometeu no Telegram que “os assassinos serão punidos, sem nenhuma dúvida e sem piedade”.
Kirilov, que estava no cargo desde 2017, foi objeto de sanções do Reino Unido em outubro pelo suposto uso de armas químicas na Ucrânia. Ele é o oficial militar russo de maior escalão que morreu em Moscou desde o início da ofensiva do Kremlin na Ucrânia, há quase três anos.
Segundo o governo britânico, Kirilov e sua unidade ajudaram a “enviar as armas bárbaras” para a Ucrânia, o que Moscou nega. Reino Unido e Estados Unidos acusam a Rússia de usar o agente tóxico cloropicrina contra as forças ucranianas, uma violação da Convenção sobre Armas Químicas.
A Rússia afirma que não tem mais um arsenal de armas químicas, mas o país foi pressionado a ser mais transparente sobre o uso de armas tóxicas.
Em junho, a Ucrânia acusou a Rússia de intensificar os ataques na linha de combate com produtos químicos proibidos. Em novembro, o país registrou mais de 700 casos de utilização.
O assassinato desta terça-feira aconteceu um dia após o presidente russo, Vladimir Putin, elogiar o avanço de suas tropas na frente de batalha no final de um ano “crucial”.
O Exército russo avançou no leste da Ucrânia em seu ritmo mais acelerado desde as primeiras semanas da ofensiva, iniciada em fevereiro de 2022.Rússia e Ucrânia tentam melhorar suas posições no campo de batalha antes da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu acabar com o conflito.
Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 17/12/2024/09:07:17
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Trump reclama de tarifas do Brasil sobre itens americanos e promete reciprocidade
Foto: Reprodução | O presidente eleito afirmou no final de novembro que vai impor tarifas de 25% sobre produtos do México e do Canadá no seu primeiro dia de governo, além de aumentar em 10% as taxas aplicadas à China.
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, citou nesta segunda-feira (16) o Brasil como exemplo de país com excesso de tarifas alfandegárias sobre produtos americanos e disse que vai impor um tratamento semelhante às exportações estrangeiras.
“Nós vamos tratar as pessoas de forma muito justa, mas a palavra ‘recíproco’ é importante. A Índia cobra muito, o Brasil cobra muito. Se eles querem nos cobrar, tudo bem, mas vamos cobrar a mesma coisa”, disse Trump.
A fala aconteceu durante entrevista coletiva realizada em Mar-A-Lago, em Palm Beach, na Flórida. Desde a campanha presidencial dos EUA, da qual saiu vitorioso em novembro, Trump tem reiterado promessas de aumentar tarifas sobre produtos chineses e criar outras novas sobre os demais países.
O republicano disse nesta segunda que as cobranças tornarão o país mais rico e descartou um potencial aumento da inflação com o encarecimento de produtos cruciais, por exemplo, para a fabricação de automóveis.
“Não tivemos aumento da inflação [no primeiro mandato] e impomos muitas tarifas em várias coisas, no aço. Nosso país está em déficit com todo mundo”, disse, ao lado de Howard Lutnick, indicado para chefiar a política comercial do país.
“O presidente [Trump] tem uma agenda muito clara em relação às tarifas e acho que reciprocidade é algo que será crucial para nós”, disse Lutnick na coletiva. “A forma como somos tratados é a mesma forma com a qual vocês [outros países] devem esperar ser tratados”.
O presidente eleito afirmou no final de novembro que vai impor tarifas de 25% sobre produtos do México e do Canadá no seu primeiro dia de governo, além de aumentar em 10% as taxas aplicadas à China. Ele tomará posse em 20 de janeiro de 2025. A justificativa do republicano é que os países vizinhos não estão combatendo o tráfico de drogas e a migração ilegal para os Estados Unidos.
Nas últimas semanas, Trump também ameaçou impor tarifas de 100% aos países membros do Brics caso o bloco apoie a criação de uma moeda para substituir o dólar. “Exigimos que esses países se comprometam a não criar uma nova moeda do Brics nem apoiar qualquer outra moeda que substitua o poderoso dólar americano, caso contrário, eles sofrerão 100% de tarifas e deverão dizer adeus às vendas para a maravilhosa economia norte-americana”, escreveu Trump em novembro na sua rede social, Truth Social.
Também na coletiva desta segunda, Masayoshi Son, CEO do SoftBank, anunciou um investimento de US$ 100 bilhões nos EUA ao longo dos próximos quatro anos. O montante, segundo o executivo, deve gerar 100 mil empregos no país.
“Meu nível de confiança na economia dos EUA aumentou tremendamente com a vitória dele”, disse Son. “Negócios são importantes, tecnologia é importante, mas eu realmente espero que o presidente Trump leve paz ao mundo mais uma vez”.
Fonte: Folha Press e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 17/12/2024/07:29:20
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O brutal assassinato de criança pelo pai que chocou a Inglaterra
Sara Sharif era uma menina alegre que sonhava em participar do X Factor — mas, a portas fechadas, era brutalmente espancada — Foto: Arquivo pessoal
A menina de 10 anos era alegre e sonhava em participar do ‘X Factor’ — mas, a portas fechadas, era brutalmente espancada. Por que ninguém conseguiu salvá-la?
TOPO
Eram 2h47 da manhã, do dia 10 de agosto do ano passado, quando a polícia de Surrey, no sudeste da Inglaterra, recebeu uma ligação do aeroporto de Islamabad, no Paquistão.
“Eu matei minha filha”, disse o homem ao telefone, aos prantos. “Não era minha intenção matá-la, mas bati demais nela.”
Ele contou ao atendente da polícia que sua intenção era apenas puni-la. “Sou um pai cruel”, acrescentou.
O homem ao telefone era Urfan Sharif.
Quando a ligação foi encerrada, o policial George Van Der Wart estava batendo na porta da casa da família Sharif em Woking.
Em um quarto no topo da escada, ele encontrou o corpo da filha de Sharif, Sara, de 10 anos, na cama inferior de um beliche, sob as cobertas.
Ao lado do travesseiro, havia um bilhete com a letra de Sharif, no qual ele dizia que havia espancado e matado a filha. “Eu perdi a cabeça”, ele escreveu.
Os exames de autópsia mostraram que Sara havia morrido devido a uma série de ferimentos e negligência. Seu corpo estava coberto de hematomas, ela tinha um traumatismo craniano, marcas de mordidas humanas e vários ossos quebrados. Ela havia sido queimada por um ferro de passar roupas doméstico.
Uma busca na casa e no jardim revelou, entre outras coisas, capuzes caseiros feitos de sacos plásticos e fita adesiva, além de um taco de críquete com o sangue de Sara. Foi um desfecho brutal para a vida de uma menina lembrada por sua ex-professora como animada, ousada e esfuziante, cujo refúgio de felicidade era estar no palco.
Sara adorava tocar violão e sonhava em participar do programa de calouros britânico “X Factor”. Sua cor preferida era rosa, e sua comida favorita era frango biryani.
Espancada, queimada e mordida
Sara cresceu em um lar onde a ‘cultura de violência’ era ‘normalizada’, disse o promotor ao tribunal — Foto: Arquivo pessoal
Um júri do Tribunal Central Criminal, conhecido como Old Bailey, em Londres, considerou agora Sharif e a madrasta de Sara, Beinash Batool, culpados de assassinato. Seu tio, Faisal Malik, foi inocentado da acusação de assassinato, mas considerado culpado de causar ou permitir a morte de uma criança.
Durante o julgamento de oito semanas, foi apresentado o retrato de uma jovem que foi deixada na mão pelas pessoas mais próximas a ela — as pessoas em quem ela deveria ter podido confiar.
Sara era retratada com frequência sorrindo em fotografias, mas em casa estava sendo espancada, queimada e mordida.
O julgamento mostraria repetidamente como o conselho tutelar do condado de Surrey, a Polícia de Surrey e sua escola estavam todos cientes das preocupações relacionadas à sua família, mas nenhum deles foi capaz de oferecer uma tábua de salvação para Sara.
Agora, após o processo judicial acompanhado pela BBC News e outros meios de comunicação, podemos revelar muito mais detalhes sobre o envolvimento do conselho tutelar e das varas de família na vida de Sara.
Uma menina que, aos três anos de idade, já havia sido colocada duas vezes sob acolhimento familiar (medida de proteção para crianças que precisam ser afastadas temporariamente da família de origem). E que teve sua breve vida cercada de violência.
Sara Sharif nasceu em 11 de janeiro de 2013 no Wexham Park Hospital, em Slough.
Seu pai se mudou do Paquistão para o Reino Unido para estudar. Ele se casou com a mãe de Sara, Olga Domin — que era polonesa e falava pouco inglês — em Woking, em 2009.
Antes mesmo de Sara nascer, a família já era conhecida pela polícia e pelo conselho tutelar. Os registros mostram que a polícia se envolveu quatro vezes entre 2010 e 2012.
O conselho tutelar do Conselho do Condado de Surrey estava em contato com eles desde 2010, enquanto as audiências na vara de família, em Surrey, começaram pouco antes do nascimento de Sara.
Isso se devia às crescentes preocupações relacionadas à negligência e violência na família, inclusive contra um dos irmãos de Sara, chamado no tribunal de “Z”.
Em 2010, “Z” foi encontrado sozinho em uma loja com apenas três anos. Mais tarde naquele ano, Sharif foi preso por agredir Domin. Durante a briga, ele bateu em “Z”, deixando uma marca de mão nas costas da criança.
Em 2011, “Z” disse aos professores que o “papai me bateu” e, no ano seguinte, contou a eles que a “mamãe me bateu”. A criança foi achada com uma marca de queimadura, e foi novamente encontrada sozinha em público, desta vez no centro da cidade de Woking — a cerca de 800 metros da casa da família.
Os assistentes sociais observaram “lesões inexplicáveis” em “Z” e em outro irmão de Sara, chamado no tribunal de “U”. Antes do nascimento de Sara, houve outras denúncias de agressões contra as crianças, todas negadas.
Depois houve um incidente em 2013, quando “Z” foi queimado por um ferro de passar roupas. Quando os assistentes sociais visitaram a casa da família, não encontraram lâmpadas ou roupas de cama nos quartos das crianças.
Isso fez com que Sara fosse colocada sob uma ordem de proteção logo após seu nascimento. Isso concedeu à autoridade local responsabilidade legal por Sara e seus dois irmãos, e os assistentes sociais faziam visitas frequentes à casa da família.
Ela foi colocada pela primeira vez sob acolhimento familiar por um curto período em novembro de 2014, quando tinha quase dois anos, depois que “Z” reclamou de ter sido mordido “com muita força” por Domin e “beliscado e socado” por Sharif.
Os cuidadores notaram o que pareciam ser queimaduras de cigarro em Sara e em “U”. Domin e Sharif disseram que eram marcas de catapora.
Em 2015, no meio da audiência do processo de guarda, Domin acusou Sharif de bater nela e nos filhos, e de comportamento controlador e violento. Essas alegações nunca foram analisadas judicialmente, mas Sharif concordou em participar de um curso sobre violência doméstica.
Cárcere privado
A Polícia de Surrey também estava ciente de denúncias anteriores de violência contra Sharif. Duas ex-namoradas o acusaram de cárcere privado, em 2007 e em 2009.
Após o período inicial sob acolhimento familiar, no fim de 2014, Sara, que ainda não tinha completado dois anos, voltou para casa com “U”. Mas “Z” nunca voltou a viver com a família, permanecendo sob acolhimento.
No ano seguinte, Sara passou novamente um breve período sob acolhimento familiar, desta vez quando sua mãe saiu de casa alegando violência doméstica. Quando seus pais se separaram formalmente, ela começou a morar com a mãe, inicialmente em um abrigo para mulheres. Sharif só tinha permissão para ter contato supervisionado com ela.
Durante o julgamento de seu assassinato, o júri ouviu o depoimento de um dos assistentes sociais envolvidos no caso de Sara. Em suas anotações, ele registrou que quando Sharif se aproximou de Sara durante uma sessão, ela gritou para ele “ir embora”. Ele também anotou que “U” disse que Sharif “bateu na boca da mamãe, e a fez sangrar”.
Antes de Sharif se separar da mãe de Sara, ele conheceu outra mulher, Beinash Batool, que era cliente da sua empresa de táxi.
Nos anos seguintes, Sara continuou morando com a mãe, e as coisas pareciam ter se acalmado. Mas, na Páscoa de 2019, Sharif disse que Sara havia contado a ele que Domin tinha sido violenta com ela.
Os documentos da vara de família registraram como Sara afirmou que sua mãe havia tentado afogá-la e queimá-la com um isqueiro. Ela também disse que sua mãe havia dado um tapa nela, beliscado e puxado seu cabelo. Sharif gravou algumas das alegações em um vídeo.
Não está claro se ele havia incentivado Sara.
Pela segunda vez desde o nascimento de Sara, os serviços de assistência social se envolveram, desta vez para avaliar com quem ela deveria morar. Apesar do histórico anterior de violência de Sharif, um assistente social recomendou que Sara e “U” voltassem a morar com ele.
Em outubro de 2019, a vara de família de Guildford concordou que Sara deveria voltar a morar com o pai e Batool, sua nova madrasta.
O juiz que tomou a decisão foi o mesmo que havia participado das audiências de 2013 a 2015, e estava ciente de todas as denúncias anteriores.
Domin, que aceitou o acordo, deveria ter contato com a filha por duas horas todos os sábados, supervisionada por Batool. Mais tarde, esse acordo foi rompido, encerrando o contato de Sara com a mãe.
Nessa época, Sharif e Batool estavam morando em um apartamento pequeno localizado no térreo em West Byfleet, e Sara começou a frequentar a St Mary’s Primary School.
Mas ficou claro para os moradores da rua que a situação não era boa na casa. Uma vizinha do andar de cima, Rebecca Spencer, descreveu a família como um “pesadelo”. Ela disse ao tribunal que ouvia batidas e gritos histéricos.
Em uma ocasião, quando a situação chegou ao “ápice”, ela contou aos jurados que foi até o apartamento para perguntar se estava tudo bem. Batool disse a ela que “sim, sim” antes de “fechar a porta na minha cara”.
Coberta de hematomas
Sara começou a usar hijab para ir à escola em 2022 — Foto: Divulgação/Polícia de Surrey
Outra vizinha, Chloe Redwin, disse ao tribunal que ouvia tapas e gritos frequentes, além dos palavrões de Batool. Segundo ela, o único momento em que havia silêncio era quando eles saíam de férias.
O tribunal ouviu que nenhum dos vizinhos estava preocupado o suficiente para chamar a polícia ou o serviço de assistência social.
Em dezembro de 2020, Batool enviou para uma de suas irmãs, Qandeela Saboohi, algumas fotos de Sara com hematomas graves nos braços e no rosto.
Nos dois anos seguintes, ela enviou mensagens frequentes para suas irmãs sobre Sharif “espancar Sara”, deixando-a “coberta de hematomas” e incapaz de andar. Ela alegou que, em uma noite, Sharif manteve Sara acordada a noite toda fazendo abdominais.
Em uma mensagem, ela disse que teve de empurrar Sharif para salvar Sara. Nem Batool nem suas irmãs chamaram a polícia ou o serviço social.
Batool contou à família que Sara estava sofrendo bullying na escola. A professora dela, Helen Simmons, lembrou que Sara “não tinha muita facilidade para fazer amigos”, mas disse que ela “adorava estar no palco, cantar e se apresentar — esse era seu refúgio de felicidade”. Sara também gostava de ser membro do “Cool Carers’ Club”, para crianças que assumem mais responsabilidades em casa.
A diretora da escola, Jacquie Chambers, se lembrou de Sara como uma “tagarela absoluta” que sonhava em participar do “The X Factor”.
“Sempre nos lembraremos dela como aquela garotinha muito confiante, muito sorridente, cheia de energia e vida. Ela tinha uma personalidade grandiosa e vibrante. E falava pelos cotovelos com qualquer um que quisesse ouvir.”
As preocupações com Sara aumentaram em junho de 2022, quando ela foi retirada da escola para ser educada em casa.
“Isso foi motivo de preocupação porque aconteceu de forma inesperada”, afirmou Simmons durante o julgamento. Sara voltou para o novo ano acadêmico em setembro.
Foi por volta dessa época que Sara começou a usar hijab (véu islâmico). Em um vídeo caseiro de julho de 2022, que foi apresentado ao júri, Sharif é visto dando quatro tapas no rosto de Sara.
Apesar de o hijab cobrir grande parte da sua cabeça, em março de 2023, Simmons observou ferimentos no rosto de Sara. Primeiro, em 10 de março, ela viu um hematoma na parte inferior do queixo e outro na bochecha..
“Não pareciam hematomas recentes”, ela afirmou. Sara disse que havia caído em cima de uns patins, mas seu relato parecia inconsistente. Ela contou a uma amiga da escola que havia caído de bicicleta.
A escola ficou tão preocupada que encaminhou o incidente para os serviços de assistência social. Pela terceira vez, o conselho tutelar do Conselho do Condado de Surrey se envolveu no caso de Sara.
Após uma investigação de seis dias, o conselho informou à escola que nenhuma medida adicional seria tomada, mas pediu que a escola “monitorasse” a situação.
Isso aconteceu apesar de o conselho conhecer o longo histórico de denúncias de violência na família e o envolvimento da polícia desde 2010.
A escola também registrou que Batool foi vista falando palavrões bastante explícitos e abusivos em punjabi durante a saída da escola, segundo o tribunal.
Em 28 de março, Sara chegou à escola com outro hematoma. Batool disse a Simmons que o ferimento havia sido causado por uma caneta. Tudo isso foi novamente registrado meticulosamente pela escola.
No mês seguinte, a família finalmente se mudou do pequeno apartamento de dois quartos em um conjunto habitacional, em West Byfleet, para uma casa geminada maior em Woking, também de propriedade do Conselho do Condado de Surrey. Faisal Malik, tio de Sara, já estava morando com a família há cerca de quatro meses, e também se mudou para a casa nova.
A partir deste momento, Sara nunca mais voltou para a escola. Sharif escreveu um e-mail superficial para a St Mary’s Primary School dizendo que a filha estava sendo educada em casa novamente.
Qualquer chance de a escola monitorar Sara já havia acabado.
‘Ele a espancou loucamente’
Judy Lozeron morava ao lado dos Sharif em Woking.
Ela costumava observar Sara no jardim, cuidando tranquilamente do bebê da família enquanto as outras crianças brincavam.
“Ela parecia muito apegada ao bebê”, ela disse.
Mas ela nunca viu nenhum sinal de ferimento e nunca ouviu nenhum grito ou discussão na casa ao lado. A única coisa que ela notou foi o comportamento de Sara.
“Não via ela sorrir, e acho que isso é estranho, mas não havia motivo para suspeitarmos de outra coisa.”
Em 25 de maio, outra mensagem de Batool sobre Sara para a irmã dizia: “Ele a espancou loucamente. O nível de oxigênio dela caiu muito, ela está com dificuldade de ficar acordada. Ela está respirando muito, muito rápido”.
Com o passar do verão, a tortura de Sara se intensificou, em grande parte fora do alcance do olhar ou ouvido dos vizinhos. Em suas últimas semanas de vida, ela foi mordida, marcada com um ferro nos glúteos, e encapuzada com sacos plásticos presos com fita adesiva.
Sharif admitiu ter batido nela com um taco de críquete e com uma viga branca de metal que fazia parte de uma cadeira alta. Ele também acertou ela na cabeça com um telefone celular. Mas as marcas de mordidas em seu corpo não correspondiam à arcada dentária de Sharif, segundo foi informado no tribunal. Ele negou ter queimado Sara com um ferro de passar roupa.
Sara havia começado a vomitar, e estava usando fralda porque estava se sujando. Em suas últimas semanas de vida, ela sofreu pelo menos 25 fraturas e uma lesão cerebral por traumatismo.
Em nenhum momento, ela foi levada ao hospital.
Em uma tarde no início de agosto, Fiona Mellon, cujo jardim dos fundos dava para a casa dos Sharif, ouviu um grito agudo que foi subitamente interrompido.
No domingo, 6 de agosto de 2023, Sara foi filmada por Batool dançando em frente à TV, aparentemente bem. Mais tarde naquele dia, o advogado da madrasta disse que seu pai bateu nela novamente.
Na terça-feira, 8 de agosto, o corpo de Sara não aguentou mais, e ela começou a se deteriorar visivelmente. Sharif decidiu que ela estava fingindo, e bateu novamente na barriga dela com a viga de metal.
Mais tarde naquela noite, “U” enviou a seguinte mensagem a um amigo:
“Olá”
“Urgente”
“Minha irmã acabou de falecer”
Quando Sara morreu, foi o fim de uma vida em que a violência havia se tornado completamente normalizada, afirmou a promotoria durante o julgamento.
Os serviços de assistência social estiveram intermitentemente envolvidos com a família por 13 anos; seu pai havia sido preso pelo menos três vezes por violência contra adultos; e sua escola havia levantado preocupações sobre hematomas. Isso levanta questionamentos sobre se sua morte poderia ter sido evitada.
Uma questão fundamental é se deve haver uma maneira melhor de monitorar os alunos sobre os quais há preocupações quando eles são retirados da escola.
Annie Hudson, que preside o Painel de Revisão de Práticas de Proteção Infantil da Inglaterra, disse que as crianças vulneráveis podem correr mais riscos quando são retiradas da escola.
“Elas estão fora de vista, não recebem o cuidado protetor de estar na escola, e tudo o que isso oferece”, acrescentou.
Imediatamente após a morte de Sara, o Conselho do Condado de Surrey encomendou uma rápida revisão de seu envolvimento no caso dela.
Isso levou a uma revisão mais detalhada do serviço de proteção infantil local, que agora está analisando o papel da Polícia de Surrey, da escola St Mary’s, do NHS, o sistema público de saúde britânico, e do Conselho do Condado de Surrey.
A revisão vai investigar o envolvimento intermitente do conselho tutelar com Sara, que começou antes de ela nascer. E vai avaliar a investigação de seis dias sobre os hematomas observados pela professora de Sara cinco meses antes de sua morte.
Essa investigação não resultou em nenhuma ação do conselho do condado contra os pais, apesar de saberem do histórico violento de Sharif. Houve apenas uma sugestão para que a escola monitorasse Sara.
Mas os professores não puderam fazer isso depois que Sara foi retirada da escola.
Rachael Wardell, diretora executiva da área de crianças, famílias e educação continuada do Conselho do Condado de Surrey, afirmou:
“Estamos firmes em nosso compromisso de proteger as crianças, e estamos determinados a desempenhar um papel pleno e ativo na iminente revisão, junto às agências parceiras, para entender completamente as circunstâncias mais amplas que envolveram a trágica morte de Sara.”
Ela disse que o panorama completo só vai ficar claro quando a revisão independente for concluída.
“A morte de Sara é incrivelmente perturbadora, e compartilhamos o profundo horror diante dos terríveis detalhes que surgiram durante o julgamento. Não podemos sequer começar a compreender o sofrimento que a pobre Sara suportou.”
Um banco pintado com bolinhas está agora no playground da antiga escola de Sara. Ele tem uma placa onde se lê: “banco dos amigos da Sara”.
Chambers, a diretora da escola, disse que Sara era “uma menininha muito especial”.
“Na verdade, é difícil expressar em palavras”, ela acrescentou.
“Acho que nunca senti tamanha tristeza.”
Fonte: BBC e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 16/12/2024/14:33:21
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Deputados da Coreia do Sul aprovam impeachment do presidente Yoon Suk Yeol
Yoon Suk Yeol — Foto: Chung Sung-Jun/Pool via REUTERS
Primeiro-ministro Han Duck Soo assume o cargo de forma interina.
Os deputados da Coreia do Sul aprovaram neste sábado (14) o impeachment do presidente Yoon Suk Yeol. A decisão ocorre menos de duas semanas após ele decretar e revogar, em menos de seis horas, uma lei marcial que visava restringir direitos civis.
Yoon havia enfrentado outra moção de impeachment no sábado anterior, mas apenas dois deputados do partido governista apoiaram o impeachment — eram necessários oito votos, que foram conquistados neste sábado.
A votação começou pouco depois das 4h deste sábado. Dos 300 deputados, 204 votaram a favor do impeachment de Yoon Suk Yeol – eram necessários 200 votos -, 85 parlamentares votaram contra a medida, três se abstiveram e oito votos foram considerados inválidos.
Na primeira tentativa, os parlamentares do partido governista se ausentaram, permitindo que o líder conservador permanecesse no poder. Na sexta-feira (13), o líder da oposição da Coreia do Sul pediu aos deputados do partido governista que apoiassem a segunda moção.
“O que os legisladores devem proteger não é Yoon ou o Partido do Poder Popular (PPP), que está no poder, mas as vidas das pessoas que protestam nas ruas geladas”, disse Lee, que lidera o Partido Democrático. “A história se lembrará da escolha que eles fizeram.”
A oposição estava negociando nos bastidores há uma semana para dar forma à segunda moção, e o laço se apertou em torno do presidente, que enfrenta uma investigação de “rebelião” e está proibido de deixar o país.
Yoon, cuja popularidade caiu para 11%, de acordo com as pesquisas, declarou em um discurso televisionado na quinta-feira (12) que lutaria “até o último minuto”.
O que acontece agora?
Com o impeachment aprovado, o presidente deixa o posto imediatamente, e o primeiro-ministro Han Duck Soo assume de forma interina.
Agora, o Tribunal Constitucional sul-coreano tem até seis meses para realizar um julgamento para confirmar ou rejeitar o pedido de impeachment, ouvindo evidências para determinar se o presidente violou a lei.
A Corte, que normalmente é composta por nove juízes, atualmente tem apenas seis em exercício, com três cargos a serem preenchidos. A princípio, há a exigência de sete juízes para deliberar casos, mas ainda não está claro o que irá ocorrer nesse caso.
Caso o impeachment seja confirmado, uma nova eleição presidencial tem que acontecer dentro de 60 dias.
Decreto de lei marcial
Na terça-feira (3), Yoon acionou um dispositivo constitucional para implementar a medida, substituindo a legislação normal por leis militares, fechando a Assembleia Nacional e colocando setores como a imprensa sob controle do governo.
A lei marcial foi decretada em um contexto de baixa aprovação do presidente e de trocas de farpas entre o governo e os deputados. A medida pegou a Coreia do Sul de surpresa e expôs a crise política do país, que vem se agravando nos últimos meses.
Yoon defendeu o decreto como uma maneira de proteger a Coreia do Sul de aliados da Coreia do Norte que estariam infiltrados no país. A lei, no entanto, sofreu uma série de reações negativas e levou milhares de sul-coreanos às ruas.
Mesmo com a Assembleia fechada pelo Exército, deputados conseguiram se reunir em uma sessão emergencial e aprovar uma moção para declarar a lei marcial inválida. Pouco tempo depois, Yoon disse que iria honrar com a votação dos parlamentares e revogar a lei.
O decreto de lei marcial enfraqueceu o presidente, que viu a aprovação baixa despencar ainda mais, na casa de 13%. Membros do governo também renunciaram ao cargo, e deputados da oposição protocolaram um pedido de impeachment contra ele.
Membros do próprio partido de Yoon passaram a defender que o presidente fosse destituído do cargo.
Yoon foi eleito presidente em maio de 2022, por uma margem inferior a 1%, como candidato da direita pelo Partido do Poder Popular. Novato na política, ele ganhou a atenção pública como promotor após investigar alguns dos escândalos de corrupção mais notórios do país.
O político sul-coreano assumiu o poder com o desafio de reduzir o custo de vida e os preços elevados das moradias, além de combater o aumento da desigualdade e do desemprego entre os jovens. No entanto, o governo se envolveu em acusações de corrupção e perdeu apoio popular.
Crise política
Em abril deste ano, o Partido Democrata — de oposição ao governo de Yoon — venceu com ampla vantagem as eleições parlamentares. Com isso, a legenda ampliou o controle da Assembleia Nacional, conquistando mais de 170 das 300 cadeiras da Casa.
À época, Yoon fez um pronunciamento prometendo mudanças no governo e políticas para estabilizar a economia na Coreia do Sul.
Enquanto isso, a oposição aprovou moções para investigar a primeira-dama. Todos os projetos acabaram sendo vetados pelo presidente.
No fim de novembro, o Partido Democrata rejeitou o orçamento do governo e avançou com um plano de revisão de gastos, cortando o equivalente a mais de R$ 17 bilhões. A medida irritou o gabinete presidencial, sendo que a porta-voz do governo chamou a ação de “tirania parlamentar”.
Ao anunciar a lei marcial, Yoon descreveu a oposição como “forças pró-Coreia do Norte, sem vergonha, que estão saqueando a liberdade e a felicidade” dos sul-coreanos.
Fonte: Redação g1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 13/12/2024/09:41:36
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Marrocos, Espanha e Portugal receberão Copa de 2030, confirma Fifa
Foto: Reprodução | Já o Mundial de 2034 será na Arábia Saudita, única candidata à sede.
A Arábia Saudita vai sediar a Copa do Mundo de 2034, enquanto que o torneio em 2030 será dividido entre Espanha, Portugal e Marrocos, com três partidas ocorrendo na Argentina, Uruguai e Paraguai, anunciou a Fifa nesta quarta-feira (11).
A decisão foi tornada pública pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, após um congresso virtual extraordinário. Os Mundiais de 2030 e 2034 tiveram candidaturas únicas e foram confirmados por aclamação.
“Estamos levando o futebol para mais países, e o número de equipes não diluiu a qualidade. Na verdade, ela aumenta as oportunidades”, afirmou Infantino sobre a Copa do Mundo de 2030. “Qual melhor modo de celebrar o 100º aniversário em 2030 do que ter uma Copa do Mundo em seis países, três continentes, com 48 seleções e 104 partidas épicas? O mundo vai ficar em pé para celebrar os 100 anos de Copa do Mundo”, acrescentou.
A candidatura conjunta de Marrocos, Espanha e Portugal terá a Copa do Mundo de 2030 espalhada por três continentes e seis nações, já que Uruguai, Argentina e Paraguai sediarão partidas comemorativas do centenário do torneio.
O Uruguai foi palco do primeiro Mundial, em 1930, enquanto Argentina e Espanha também já receberam a competição. Portugal, Paraguai e Marrocos sediarão partidas do torneio pela primeira vez.
Quatro anos depois, a Arábia Saudita se tornará o segundo país do Oriente Médio a sediar o torneio, 12 anos após o Catar ser sede da edição de 2022.
Em 2023, a Fifa afirmou que a Copa de 2034 ocorreria na Ásia ou na Oceania. A Confederação Asiática de Futebol anunciou apoio à candidatura saudita. Austrália e Indonésia também queriam o Mundial, mas desistiram.
Na terça-feira (10), a Federação Norueguesa de Futebol afirmou que votaria contra a escolha por aclamação, criticando o processo de candidatura da Fifa como “falho e inconsistente”.
As candidaturas vencedoras não chegaram ao anúncio ilesas. A decisão de espalhar o torneio de 2030 por três continentes tem sido criticada por ativistas do meio ambiente, por causa das emissões extras que gera devido às viagens.
Já a candidatura saudita foi atacada por causa do histórico do país na questão dos direitos humanos e por causa do clima desértico, algo que já ocorreu com o Catar. O torneio provavelmente terá de ser disputado durante o inverno do Hemisfério Norte, como em 2022.
A Arábia Saudita investiu pesado no esporte nos últimos anos. Mas alguns críticos, incluindo grupos de direitos das mulheres e membros da comunidade LGBTQ, afirmam que o país está usando seu Fundo de Investimento Público para apagar, por meio do esporte, seu histórico ruim nos direitos humanos.
“A imprudente decisão da Fifa de conceder a Copa do Mundo de 2034 à Arábia Saudita, sem garantir as proteções adequadas aos direitos humanos, colocará muitas vidas em risco”, afirmou nesta quarta-feira (11) Steve Cockburn, chefe de Direitos Trabalhistas e Esporte da Anistia Internacional.
Os sauditas, que nunca sediaram um evento desta magnitude, terão de construir oito estádios para o Mundial.
Fonte: Reuters e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/12/2024/16:17:50
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Biden dá indulto a 39 e reduz sentença de cerca de 1.500 presos no maior ato de clemência da história dos EUA
Presidente Joe Biden discursa na Casa Branca durante uma cerimônia sobre o Dia Mundial da AIDS com sobreviventes, suas famílias e defensores, neste domingo (1º) — Foto: Manuel Balce Ceneta/AP
‘A América foi construída com base na promessa de possibilidades e segundas oportunidades. Como presidente, tenho o grande privilégio de conceder misericórdia às pessoas que demonstraram arrependimento e reabilitação’, disse o presidente americano.
O presidente Joe Biden reduziu as sentenças de aproximadamente 1.500 pessoas que foram libertadas da prisão e colocadas em prisão domiciliar durante a pandemia do coronavírus e perdoou 39 americanos condenados por crimes não violentos nesta quinta-feira (12).
A medida anunciada é o maior ato de clemência em um único dia na história moderna dos Estados Unidos. O segundo maior ato foi realizado por Barack Obama, com 330, pouco antes de deixar o cargo em 2017.
Segundo a agência de notícias Associated Press, Biden diz que irá anunciar novas medidas nas próximas semanas e continuará a analisar outras petições de clemência. Donald Trump toma posse e retorna à Casa Branca no dia 20 de janeiro.
“A América foi construída com base na promessa de possibilidades e segundas oportunidades. Como presidente, tenho o grande privilégio de conceder misericórdia às pessoas que demonstraram arrependimento e reabilitação, restaurando a oportunidade para os americanos participarem na vida quotidiana e contribuírem para as suas comunidades, e tomar medidas para eliminar as disparidades nas sentenças para criminosos não-violentos, especialmente aqueles condenados por crimes relacionados a drogas”, defendeu Biden em comunicado.
Os perdoados nesta quinta incluem uma mulher que liderou equipes de resposta a emergências durante desastres naturais, um diácono de igreja que trabalhou como conselheiro de dependência e conselheiro de jovens, um estudante de doutorado em ciências biomoleculares e um veterano militar condecorado.
Biden também tem sido pressionado por grupos de defesa para perdoar amplos grupos de pessoas, incluindo aqueles que estão no corredor da morte federal, antes de a administração Trump tomar posse em janeiro.
O presidente ainda está estudando a possibilidade de conceder indultos preventivos àqueles que investigaram o esforço de Trump para anular os resultados das eleições presidenciais de 2020 e que podem enfrentar possíveis retaliações quando ele assumir o cargo.
Memorando de segurança nacional
Outra medida tomada por Biden antes de deixar a Casa Branca em janeiro foi a aprovação de um novo memorando confidencial de segurança nacional sobre a crescente cooperação entre Rússia, Coreia do Norte, Irã e China.
Funcionários da administração Biden começaram a desenvolver o documento com orientações entre julho e setembro deste ano. Ele foi projetado para ser um guia que ajude o próximo governo a estruturar desde o primeiro dia sua abordagem e como lidar com os estreitamentos de relações entre os principais adversários e concorrentes dos Estados Unidos, segundo dois altos funcionários do governo ouvidos pela agência de notícias Associated Press.
Os funcionários, que falaram à AP sob condição de anonimato devido às regras estabelecidas pela Casa Branca, disseram que o memorando, confidencial, não será divulgado ao público devido à sensibilidade de algumas das conclusões obtidas.
Segundo a AP, o documento inclui quatro recomendações principais:
Melhorar a cooperação entre as agências do governo dos EUA;
Acelerar o compartilhamento de informações com aliados sobre os quatro adversários;
Calibrar o uso de sanções e outras ferramentas econômicas para máxima eficácia, e
Fortalecer a preparação para gerenciar crises simultâneas envolvendo esses adversários.
Há muitos anos os EUA estão preocupados com a cooperação entre os quatro países. Essa coordenação se intensificou após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Os funcionários observaram que, à medida que a Rússia se tornou mais isolada de grande parte do mundo, passou a recorrer ao Irã para obter drones e mísseis. Da Coreia do Norte, os russos receberam artilharia, mísseis e até milhares de tropas que viajaram para ajudar os russos a repelir as forças ucranianas na região de Kursk, ocupada em contraofensiva ucraniana. A China, por sua vez, tem apoiado a Rússia com componentes de uso dual que ajudam a sustentar sua base industrial militar.
Em troca, a Rússia enviou caças ao Irã e ajudou Teerã a fortalecer sua tecnologia de defesa antimísseis e espacial.
A Coreia do Norte recebeu da Rússia combustível e financiamento necessários para expandir suas capacidades industriais e militares. Os funcionários acrescentaram que a Rússia “aceitou, de fato, a Coreia do Norte como um estado nuclear”.
Enquanto isso, a China está se beneficiando do “know-how” russo, com os dois países trabalhando juntos para aprofundar sua cooperação técnico-militar. As duas nações também estão conduzindo patrulhas conjuntas na região do Ártico.
Biden e Trump têm visões de mundo marcadamente diferentes, porém funcionários de ambas as administrações – a que está saindo e a que está chegando – disseram que buscaram coordenar questões de segurança nacional durante a transição.
Um dos funcionários ouvidos pela AP afirmou que o memorando da Casa Branca de Biden “não está tentando prender (a administração Trump) ou incliná-los para uma opção de política ou outra”.
Fonte: Associated Press e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 12/12/2024/15:02:48
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