EI recruta “crianças soldados” a partir de 9 anos para a guerra
Os militantes do Estado Islâmico começaram a recrutar “crianças soldados” para lutarem na guerra contra as tropas que tentam retomar o controle da cidade de Mossul. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (4) pela porta-voz de direitos humanos da ONU, Ravina Shandasani, segundo publicou o G1.
O recrutamento aconteceu na cidade de Hamman al-Alil e as crianças seriam levadas para o front em Mossul. De acordo com Ravina, a preferência é de meninos, especialmente acima de 9 anos. As famílias que não obedecem foram ameaçadas de punições severas.
Cerca de 150 famílias também foram levadas da mesma localidade para servirem de escudo humano contra ataques aéreos em Mossul. Por Noticia ao Minuto “Informação publicada é informação pública. Porém, para chegar até você, um grupo de pessoas trabalhou para isso. Seja ético. Copiou? Informe a fonte.” Publicado por Jornal Folha do Progresso, Fone para contato 93 981177649 (Tim) WhatsApp:-93- 984046835 (Claro) E-mail:folhadoprogresso@folhadoprogresso.com.br
Paquistão vai deportar afegã capa da National Geographic.
Foto: Reprodução (National Geographic) – Antes, Sharbat Gula vai cumprir pena de 15 dias de prisão. Ela foi imortalizada em capa da National Geographic de 1985
Sharbat Gula, a afegã que ficou famosa ainda menina quando estampou a capa da revista National Geographic, será liberada e deportada nos próximos dias, após cumprir a pena de 15 dias de prisão que lhe foi imposta nesta sexta-feira (4) por um tribunal paquistanês.
Ela foi detida no Paquistão por posse ilegal de documentos de identidade.
“Com um grande prazer, anuncio que Sharbat Gula já está livre dos problemas legais que enfrentou nas últimas semanas. Será libertada em breve”, afirmou em sua página do Facebook o embaixador afegão no Paquistão, Omar Zakhilwal.
Mohsin Dawar, membro da equipe legal de Gula, disse à Agência Efe que um tribunal especial anticorrupção de Peshawar (noroeste) a condenou nesta sexta-feira a 15 dias de prisão, dos quais já cumpriu a maioria, depois que a refugiada se declarou culpada de todas as acusações.
Além disso, terá que pagar uma multa de 100 mil rúpias paquistanesas (860 euros) e deverá deixar o Paquistão após sua libertação.
Gula foi detida no dia 26 de outubro por supostamente obter documentos de identidade paquistaneses para ela e dois supostos filhos, após subornar três funcionários, e podia pegar uma pena de até 14 anos de prisão.
A refugiada, de cerca de 40 anos, mãe de quatro filhos e doente de hepatite C, voltará ao Afeganistão na próxima segunda-feira, onde será recebida pelo presidente do país, Ashraf Ghani, segundo informou Zakhilwal.
Segundo o diplomata, Gula receberá ajuda do governo para começar uma nova vida em seu país natal, onde quase não viveu.
O fotógrafo americano Steve McCurry imortalizou a afegã em 1984, quando tinha 12 anos, em um campo de refugiados em Peshawar, fotografia que seria publicada um ano depois, convertendo-se em uma das imagens mais famosas do século XX.
Por G1
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Papa critica quem vai à missa todos os domingos mas não ajuda seu irmão: “Sua fé está morta”
O papa Francisco criticou a “fé não solidária” e “mentirosa” de quem vai à missa, mas não sabe o que ocorre nas periferias, ao visitar aos moradores de Bañado Norte, um dos bairros mais pobres da capital do Paraguai.
Após caminhar pelas ruas desse subúrbio de Assunção, onde vivem 23 mil famílias, Francisco afirmou que “uma fé que não tem solidariedade é uma fé morta”.
“É uma fé sem Cristo, uma fé sem Deus, uma fé sem irmãos. Uma fé mentirosa”, frisou.
Como exemplo, o papa afirmou que há quem vá à missa, mas quando é perguntado sobre o que acontece no Bañado, responde que não sabe. “Você pode ir à missa aos domingos, mas, se não tem coração solidário, se não sabe o que acontece em sua cidade, (a fé) ou está doente ou está morta”, acrescentou.
No último dia de sua viagem pela América Latina, Francisco se declarou muito “alegre” por ter a chance de visitar essa região, que chamou de “sua terra”, e contou aos moradores que, desde que soube que iria visitar a paróquia Sagrada Família, no Bañado Norte, lembrou da história de José, Maria e Jesus, que tiveram que deixar sua casa e se refugiar em outros lugares.
“Tiveram de deixar o que lhes pertencia e deslocar-se a outra terra; uma terra onde não conheciam ninguém, onde não tinham casa, nem família. Foi então que aquele jovem casal teve Jesus; em tal contexto, aquele jovem casal deu-nos de presente Jesus. Estavam sozinhos, numa terra estranha, os três. De repente, começaram a aparecer pastores; pessoas como eles, que tiveram de deixar o que possuíam a fim de obter melhores oportunidades familiares”, declarou.
“Acontece o mesmo, quando Jesus aparece na nossa vida. É isto que desperta a fé. A fé nos faz próximos, aproxima-nos da vida dos outros. A fé desperta o nosso compromisso com os outros, desperta a nossa solidariedade. Uma virtude humana e cristã que vocês têm e nós devemos aprender”, acrescentou.
“Eu venho como aqueles pastores de Belém. Quero fazer-me próximo. Quero abençoar a vossa fé, abençoar as vossas mãos, abençoar a vossa comunidade”, prosseguiu o papa em sua mensagem.
O Bañado Norte é um bairro que sofre, entre outros problemas,com as fortes chuvas que provocam o transbordamento do rio Paraguai e com “o abandono do Estado”, como denunciaram os moradores.
“O Estado não se ocupou de nós e não nos olha agora com bons olhos. Não nos veem como pessoas de direitos, mas para seus responsáveis somos, como nos costumam dizer, ‘um passivo social”, lamentou María García, coordenadora do bairro.
Francisco provou, em uma das vielas do bairro, um “mbeju” (tipo de torta de amido), mate e sopa paraguaia (bolo salgado de milho e queijo), um café da manhã típico paraguaio preparado por uma das moradoras.
Após a visita ao Bañado, Francisco foi à esplanada do parque Ñu Guazu, onde era esperado por centenas de milhares de pessoas para celebrar uma missa.
(UOL) “Informação publicada é informação pública. Porém, para chegar até você, um grupo de pessoas trabalhou para isso. Seja ético. Copiou? Informe a fonte.” Publicado por Jornal Folha do Progresso, Fone para contato 93 981177649 (Tim) WhatsApp:-93- 984046835 (Claro) E-mail:folhadoprogresso@folhadoprogresso.com.br
Homem quebra pênis em sessão de sexo com namorada
(Foto: Divulgação) – Steven Horden, um engenheiro civil de 37 anos, ‘partiu’ o pênis durante uma sessão de sexo intenso com a sua namorada, Kiera Diss, de 38 anos.
Horden teve de ser transportado com urgência para o hospital, onde lhe foi inserido um cateter, mas acabou “capado”. “É nojento, todo o pênis está inchado e dobrado. É horrível”, disse o construtor civil ao jornal britânico Mirror.
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Jovem mata a amiga por considerá-la feliz de mais
Parece inacreditável, mas uma mulher indonésia matou a amiga porque considerava que ela estava “feliz demais”. Nesta quinta-feira (27), ela foi condenada a 20 anos de prisão. As informações foram divulgadas no portal UOL.
O crime foi cometido por Jessica Wongso, de 28 anos. Ela envenenou a amiga Wayan Mirna, de 27 anos, em uma cafeteria. O crime aconteceu em janeiro deste ano.
O juiz Binsar Gultom detalhou que Jessica tinha problemas pessoais. Como ela viu a vítima muito feliz no casamento, resolveu assassiná-la. O magistrado considerou provado que a acusada cometeu assassinato premeditado, já que ela deu para a vítima quase 300mg de cianureto (veneno).
“Não aceito essa decisão porque, para mim, ela não é justa e imparcial”, disse Wongso, após o anúncio.
Dois especialistas consultados durante o julgamento pela defesa argumentaram que não foi possível concluir que a vítima morreu em decorrência do envenenamento uma vez que uma autópsia não havia sido realizada por motivos religiosos.
Os advogados de defesa irão recorrer da sentença.
(Com informações do UOL)
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Com 502 quilos, mulher não sai de casa há 25 anos
São mais de 25 anos sem sair de casa. Essa é a vida de Iman Ahmad Abdulati, considerada a mulher mais obesa do mundo. Ela vive em Alexandria, no Egito, e simplesmente não consegue sair de sua cama.
Iman chegou neste ano à impressionante marca de 502 quilos. Segundo os familiares, o problema com obesidade vem desde a infância e nunca foi pôde ser combatido pela egípcia, que sempre teve graves dificuldades de mobilidade.
Os familiares contam que o problema de Iman começou ainda aos 11 anos(foto). Ela, que nasceu com cinco quilos, sofreu um derrame durante a infância e teve sua locomoção completamente comprometida.
Família começo a perceber que Iman teria problemas com peso ainda na infância(Reprodução)
Por conta do derrame, Iman nunca conseguiu sair da cama. Foi engordando ano após ano e em pouco tempo já registrava obesidade mórbida. A doença fez com que ela nunca pudesse frequentar uma escola.
O caso ficou famoso em todo o mundo quando Chaymaa’, irmã de Iman, resolveu levar a história às autoridades. Para ela, apenas uma intervenção das entidades de saúde do Egito podem salvar a vida de sua irmã. O governo, no entanto, ainda não se pronunciou sobre o caso.
(Com informações de Yahoo!)
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Nascida duas vezes: bebê é retirada de útero, operada, e colocada de volta por mais três meses
Nascer costuma ser uma experiência única e irreplicável, mas não foi assim com Lynlee Boemer. A bebê de Lewisville, no Estado do Texas, “veio ao mundo” duas vezes.
Primeiro, quando pesava apenas 530 gramas. Ela foi retirada do útero de sua mãe por 20 minutos para uma cirurgia vital após um ultrassom de rotina na 16ª semana de gestação revelar um tumor na sua coluna.
Esse tumor, teratoma sacrococcígeo, vinha competindo com o feto por sangue – e elevando seu risco de ter uma falência cardíaca.
A mãe de Lynlee, Margaret Boemer, estava esperando gêmeos, mas perdeu um dos bebês no primeiro trimestre de gravidez. Quando veio o diagnóstico do bebê sobrevivente, os médicos recomendaram que ela interrompesse a gestação por completo.
Porém, havia uma opção: uma arriscada cirurgia que que seria a vida ou morte para a criança. A bebê teria 50% de chances de viver.
O tumor e Lynlee tinham quase o mesmo tamanho quando a operação foi realizada, na 23ª semana de gestação.
“A escolha era entre deixar o tumor fazer o coração dela parar ou dar a ela uma chance de vida”, diz Margaret. “Foi uma decisão fácil: escolhemos dar vida a ela.”
Mãe de duas meninas, Margaret Boemer descobriu que sua 3ª filha tinha um tumor na coluna quando a gestação estava na 16ª semana
O teratoma sacrococcígeo é o tipo mais comum de tumor encontrado em bebês, segundo o médico Darrel Cass, que fez parte da equipe do Hospital Infantil do Texas que operou Lynlee.
Ainda assim, é bastante raro, sendo registrado em um a cada 30 mil a 70 mil nascimentos. Sua causa é desconhecida, e é quatro vezes comum em meninas que em meninos.
Cass disse que o tumor de Lynlee era tão grande que foi necessária uma incisão “enorme” para retirá-lo. Em dado momento, o coração da bebê parou de funcionar e um especialista a manteve viva enquanto a maioria do tumor era retirado.
Ao fim do procedimento, ela foi colocada de volta no útero de sua mãe. Margaret passou 12 semanas em total repouso, e Lynlee “nasceu pela segunda vez” em 6 de junho, através de uma cirurgia cesariana feita próximo do fim da gravidez.
Ela veio ao mundo saudável e pesando 2,4 kg. O nome, Lynlee, é uma homenagem às suas avós.
Aos oito dias de vida, teve de ser operada de novo para remover o restante do tumor de seu cóccix. Hoje, está em casa e se recupera muito bem, segundo seu médico.
Mãe de duas meninas, Margaret Boemer descobriu que sua 3ª filha tinha um tumor na coluna quando a gestação estava na 16ª semana Foto: Paul V. Kuntz/Texas Children’s Hospital / BBCBrasil.com
BBC BRASIL.com
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Morre ex-presidente uruguaio Jorge Batlle
O ex-presidente do Uruguai Jorge Batlle (2000-2005) faleceu nesta segunda-feira (24), aos 88 anos, após dez dias internado devido a uma queda que lhe provocou um dano cerebral severo, informou a clínica onde estava internado.
“Lamentavelmente, o esforço realizado por toda a equipe de saúde não foi o suficiente para reverter o quadro clínico com o qual ingressou o Dr. Batlle após o acidente que sofreu há alguns dias”, informou a clínica.
O ex-presidente, que na terça (25) faria 89 anos, foi hospitalizado em estado crítico no dia 13 de outubro com “traumatismo no crânio por queda” que lhe provocou um coágulo intracraniano…”.
Durante seu mandato, Batlle enfrentou a pior crise financeira da história recente do Uruguai, com uma forte corrida bancária e a disparada do dólar, no rastro da crise econômica argentina de 2001.
Herdeiro de uma dinastia política que marcou a história do Uruguai, Jorge Batlle era filho de Luis Batlle Berres, que exerceu a presidência entre 1947 e 1951.
Nascido em 25 de outubro de 1927, Batlle – advogado de profissão – chegou à presidência em março de 2000, na sua quinta tentativa como candidato do tradicional Partido Colorado, com um discurso liberal.
Após se comprometer com uma mudança na política em matéria de direitos humanos, Batlle criou a Comissão para a Paz, que constituiu a primeira tentativa de recompilar informação sobre os casos de presos desaparecidos durante a ditadura.
A rise econômica marcou seu governo, o último de um partido tradicional de centro direita no Uruguai, e Batlle deixou o cargo com apenas 5% de aprovação, em março de 2005, quando entregou a presidência ao primeiro governo de esquerda, liderado por Tabaré Vázquez, exatamente o atual presidente.
G1
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Acidente em parque de diversões na Austrália deixa mortos
Quatro pessoas morreram nesta terça-feira (25) em um acidente no parque de diversões Dreamworld, na cidade de Coomera, região de Gold Coast, no leste da Austrália. As vítimas têm acima de 32 anos.
A atração aquática “Thunder River Rapids” utiliza balsas circulares de seis lugares, que funcionam com um sistema de tração em comboio, que descem corredeiras. A administração do parque afirmou que a falha atingiu o sistema de tração das balsas. Uma delas teria virado, segundo os primeiros relatos.
O sistema “sofreu uma pane, o que fez com que duas pessoas fossem ejetadas e outras duas ficassem presas em uma balsa”, disse Gavin Fuller, funcionário do serviço de ambulâncias de Queensland.
O jornal Gold Coast Bulletin informou que o parque retirou a água do brinquedo para tentar salvar as pessoas presas, mas não teve sucesso.
A direção do parque informou que o acidente deixou três mortos, mas a polícia do estado de Queensland confirmou que quatro adultos morreram.
O parque foi fechado após o incidente. “O Dreamworld trabalha o mais rápido possível para estabelecer as circunstâncias do incidente e está trabalhando de modo próximo com as autoridades de emergência e a polícia para fazer isto”, afirma um comunicado divulgado pelo parque.
Uma embarcação, ao que parece, virou, disse a uma rádio australiana Lia Capes, uma turista que aguardava na fila da atração. “Alguém me disse que o barco na frente do seu virou e todo mundo gritava”, afirmou.
“Minha irmã e minha sobrinha estavam na atração e ficaram traumatizadas, uma mulher foi esmagada”, disse outra testemunha ao jornal Gold Coast bulletin.
O “Thunder River Rapids” é apresentado como uma atração familiar, na qual as pessoas “descem por uma corredeira de água repleta de espuma até o país da febre do Ouro, alcançando 45 km/h em descidas turbulentas”.
O Dreamworld, administrado pelo grupo Ardent Leisure, tem quase 40 brinquedos e atrações e foi inaugurado em 1981.
Acidente em atração aquática do parque Dreamworld deixou mortos em Coomera, no leste da Austrália (Foto: Scott Bailey/via Reuters )
France Presse
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“Não sou seu filho, sou sua vítima’: o reencontro de jovem com pai que o infectou com HIV
Quando o pai de Brryan Jackson injetou uma seringa cheia de sangue com HIV nele quando ainda era bebê, ele esperava nunca ver o menino crescer, como a BBC Brasil noticiou em junho passado.
Ninguém imaginava que, 24 anos depois, ele estaria frente a frente com o filho num tribunal para ouvir sobre os efeitos devastadores de seu crime.
É hora do almoço no Departamento de Correições de Missouri, nos Estados Unidos. Nervoso com a situação, Brryan Jackson é retirado da barulhenta sala de espera da prisão, com alarmes e portas de metal, e levado a um silencioso tribunal de paredes brancas.
Do outro lado da sala, um prisioneiro aguarda por ele. Eles nunca mais se viram desde que Jackson era criança, mas o homem, Bryan Stewart, é seu pai.
O filho está ali para ler uma declaração que espera ser suficiente para garantir que o pai fique atrás das grades pelo maior tempo possível.
São palavras que poucos acreditavam que ele teria chance de dizer quando, em 1992, foi diagnosticado com Aids e mandado de volta para casa para morrer.
Com uma única folha de papel em mãos, Jackson se posiciona calmamente ao lado da mãe, a cinco cadeiras de distância do pai. “Tentei olhar sempre para frente. Não queria fazer contato visual com ele”, diz Jackson.
Mas ele podia enxergá-lo com a visão lateral, e viu seu rosto por um breve momento.
“Reconheci pela foto de quando foi preso, mas não temos nenhuma ligação. Não o reconheço como meu pai”, afirma Jackson.
O conselho de avaliação de pedidos de liberdade condicional chama o rapaz para que ele leia sua declaração em voz alta. Jackson hesita.
“Naquele momento, me perguntei se estava fazendo a coisa certa, mas minha mãe sempre me ensinou a ser corajoso. Lembrei que Deus estava comigo. Qualquer que fosse o resultado da audiência, Deus é maior do que eu, do que meu pai, do que aquela sala ou mesmo o Departamento de Justiça.”
Ele respira fundo, olha fixamente para os membros do conselho e começa a contar sua história.
Trajetória
A trajetória começa quando seus pais se conheceram em um centro militar no Missouri, onde recebiam treinamento como médicos. Eles foram morar juntos e, cinco meses depois, em meados de 1991, a mãe de Jackson ficou grávida.
“Quando nasci, meu pai ficou muito animado, mas tudo mudou quando ele foi mandado para a Operação Tempestade do Deserto (primeira Guerra do Golfo, em 1990-1991). Ele voltou da Arábia Saudita com uma atitude completamente diferente em relação a mim.”
Stewart começou a dizer que Jackson não era seu filho. Exigiu um teste de DNA para provar a paternidade e passou a abusar física e verbalmente da mãe de Jackson.
Quando ela finalmente o deixou, o casal brigou sobre a pensão alimentícia do menino, que Stewart se recusava a pagar. Ele fazia ameaças sinistras, segundo Jackson.
“Ele costumava dizer coisas como ‘seu filho não viverá além dos cinco anos de idade’ e ‘quando eu te deixar, não deixarei nenhum laço entre nós para trás’.”
Enquanto isso, Stewart havia encontrado um novo emprego trabalhando com exames de sangue em um laboratório. Também tinha começado, em segredo, a coletar amostras de sangue infectado e levá-las para casa, segundo investigadores do caso.
“Ele brincava com os colegas dizendo: ‘Se eu quisesse infectar alguém com um destes vírus, a pessoa nunca saberia o que a atingiu’.”
Quando Jackson tinha 11 meses de idade, seus pais já não mantinham contato. Isso mudou quando Jackson foi hospitalizado após um ataque de asma.
“Minha mãe ligou para meu pai para avisá-lo, pensando que ele iria querer saber que seu filho estava doente. Quando telefonou, colegas dele disseram a ela que meu pai não tinha filhos.” Crime
No dia em que Jackson receberia alta, Stewart fez uma visita inesperada a ele no hospital.
“Como não era um pai presente, todo mundo estranhou ele aparecer daquela maneira”, diz Jackson. “Ele pediu que minha mãe buscasse uma bebida para ele no café para ficar sozinho comigo.”
Stewart tirou do bolso uma ampola com sangue infectado com HIV e o injetou no filho. “Ele queria que eu morresse para não pagar a pensão.”
Ao voltar, sua mãe encontrou Jackson aos berros no colo do pai. “Meus sinais vitais estavam todos alterados, porque o sangue que ele injetou em mim não tinha só HIV. Era de um tipo incompatível com o meu.”
Os médicos ficaram abismados. Sem saber do vírus mortal que corria nas veias do bebê, eles o estabilizaram e o mandaram para casa. Mas, nas semanas seguintes, a mãe de Jackson viu a saúde de seu filho se deteriorar e ficou desesperada por um diagnóstico.
“Ela me levou a vários médicos implorando para que descobrissem por que eu estava à beira da morte”, diz Jackson. Por quatro anos, exames não deram pista.
Mesmo sendo uma criança, Jackson sabia que sua situação preocupava. “Lembro de acordar gritando ‘mãe, por favor, não me deixe morrer’.”
Uma noite, após ter sido examinado para todo tipo possível de doença, seu pediatra acordou de um pesadelo e ligou para o hospital pedindo um teste de HIV.
“Fui diagnosticado com Aids e três infecções oportunistas.” Os médicos chegaram à conclusão que ele não sobreviveria e decidiram que o melhor seria levar a vida mais normal possível até o fim. “Eles me deram cinco meses de vida e me mandaram para casa.”
No entanto, ele continuou a ser tratado com todo medicamento disponível.
Ele diz ter vivido “um dia de cada vez” por toda a infância. Permanecer vivo era como andar na corda bamba. “Um dia, eu estava bem e, na hora seguinte, estava sendo levado às pressas para o hospital por mais uma infecção.”
Por causa da medicação, teve a audição do ouvido esquerdo afetada. Mas enquanto outras crianças que conhecia no hospital não resistiam, ele viu sua saúde melhorar aos poucos, para surpresa dos médicos.
Em dado momento, foi liberado para voltar à escola e começou a ter aulas em meio período, sempre acompanhado por uma mochila repleta de remédios.
Simpático e amigável, ele não tinha consciência do estigma social em torno de sua doença. “Minha escola não me queria lá. Eles tinham medo. Nos anos 1990, as pessoas pensavam que você podia contrair Aids de um assento de privada. Uma vez li em um livro-texto que era possível se infectar por contato visual.”
O medo, conta ele, não costumava partir das crianças, mas dos pais delas. Jackson não era convidado para festas de aniversário – na verdade, nem sequer sua meia-irmã era chamada. Mas, ao ficarem mais velhas, as crianças passaram a reproduzir o preconceito dos pais.
“Eles me chamavam de ‘menino Aids, menino gay’. Foi quando comecei a me sentir isolado e solitário. Parecia não haver um lugar no mundo para mim.”
Aos 10 anos, ele começou a juntar as peças da história do crime cometido por seu pai, mas levou alguns anos para compreender a dimensão daquele ato.
“No início fiquei bravo e amargo. Cresci assistindo filmes em que os pais celebravam os filhos. Não conseguia entender como meu pai tinha feito aquilo comigo”, diz Jackson.
“Ele não apenas tentou me matar, ele mudou minha vida para sempre. Ele foi responsável por toda perseguição que sofri, por todos os anos no hospital. Ele é a razão pela qual preciso ter tanto cuidado com minha saúde e com tudo que faço.”
Superação
Aos 13 anos, estudando a Bíblia sozinho no quarto, ele encontrou sua fé, o que o permitiu perdoar o pai. “Perdão não é algo fácil, mas não quero me rebaixar ao nível dele.”
Apesar de ter nascido como Bryan Stewart Jr., no ano passado, ele acrescentou um segundo “R” ao seu nome e adotou o sobrenome da mãe. “Isso ajudou a proteger minha identidade”, diz Jackson.
“Também me deu a oportunidade de dizer que não tenho qualquer ligação com Bryan Stewart. Sou vítima de seus crimes.”
“Na audiência, ele continuava a me chamar de filho. Tentei levantar a mão para pedir que ele se referisse a mim como sua vítima. Pensei: ‘Eu já fui seu filho em algum momento? Eu era seu filho quando você injetou HIV de propósito em mim?’.”
Mesmo nos piores momentos no hospital, Jackson mantinha o bom humor e fazia as enfermeiras rirem com imitações do personagem de cinema Forrest Gump.
“Sempre fiz piadas. Gosto de brincar com o que é vida de alguém HIV positivo ou de quem não tem boa audição ou não tem pai. Se não tivesse começado a fazer palestras motivacionais, teria me tornado um comediante”, diz Jackson.
“As pessoas ficam confusas. Elas pensam que meu humor é uma forma de lidar com a situação, mas acredito que, se você tem a capacidade de rir de uma tragédia e das coisas ruins da vida, isso te empodera.”
Em julho, Jackson recebeu uma carta do Departamento de Correições do Missouri informando que a liberdade condicional de seu pai havia sido negada pelos próximos cinco anos, com base na audiência.
“Tudo que pude fazer no tribunal foi ler minha declaração e rezar para que a Justiça fosse feita. Mas ter um veredito é algo muito poderoso”, afirma.
“Houve um tempo em que acordava de pesadelos com medo de que ele voltasse para terminar o trabalho. Posso tê-lo perdoado, mas, ainda assim, acho que ele tem que pagar pelo que fez.”
Ainda que seu pai argumente que sofria de transtorno de estresse pós-traumático após sua temporada na Arábia Saudita, Jackson não está convencido disso – diz que o pai era da reserva da Marinha e nunca entrou em combate.
Futuro
Enquanto isso, continua a superar expectativas médicas.
“Sou mais saudável do que um cavalo. Minha contagem de células T (do sistema imunológico) está acima da média. Isso faz com que praticamente não tenha chances de transmitir o vírus. Tomava 23 comprimidos. Hoje só tomo um, e meu status de HIV é ‘indetectável'”, diz ele, com sorriso no rosto.
“Mas ainda tenho HIV. Uma vez diagnosticado, para sempre diagnosticado.”
Hoje, Jackson se ocupa com a carreira de palestrante e em sua organização de caridade, a Hope Is Vital (Esperança É Vital, em inglês), que busca conscientizar o público sobre o HIV. Mas sempre encontra tempo para sonhar com a paternidade.
Cita a técnica conhecida como “lavagem de esperma”, que separa os espermatozoides do fluido seminal e permite que pais soropositivos tenham filhos sem infectar as parceiras. A inseminação é artificial.
“Amaria ter filhos. Ser pai é algo que está traçado no meu destino. Quero apoiar e torcer por eles, mostrar que sempre estarei ao lado deles para protegê-los. E que coisas ruins podem fazer com que coisas incríveis se tornem realidade.”
Lucy HancockDa BBC World Service
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