EUA mantêm esperança de reunião apesar de ameaças da Coreia do Norte

Em um retorno à tradicional retórica incendiária, após meses de aproximação diplomática, a Coreia do Norte afirmou nesta quarta-feira que o encontro histórico será cancelado se Washington continuar exigindo que o país abandone seu arsenal nuclear.
O governo dos Estados Unidos mantém a esperança de que a reunião de cúpula prevista entre o líder norte-coreano, Kim Jong Un, e o presidente Donald Trump aconteça, apesar das ameaças de Pyongyang de cancelar o encontro.

“Nada nos foi notificado, não ouvimos nada (…) Veremos o que vai acontecer”, indicou em um despacho o presidente Trump, que se absteve de utilizar o Twitter para comentar o assunto nas últimas 24 horas.

Em um retorno à tradicional retórica incendiária, após meses de aproximação diplomática, a Coreia do Norte afirmou nesta quarta-feira que o encontro histórico será cancelado se Washington continuar exigindo que o país abandone seu arsenal nuclear de modo unilateral.

Se o governo americano “nos encurralar e nos pedir unilateralmente para abandonar nossas armas nucleares, não vamos ter qualquer interesse nas conversações e vamos ter que reconsiderar se aceitamos a futura cúpula entre Coreia do Norte e Estados Unidos”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores, Kim Kye Gwan, citado em um comunicado divulgado pela agência oficial KCNA.

Pyongyang também anunciou que cancelou as conversações de alto nível que estavam previstas entre seus representantes e os de Seul para esta quarta-feira, em consequência dos exercícios aéreos conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul.

“Ainda estamos esperançosos de que a reunião aconteça e vamos continuar neste caminho”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, à Fox News.

“Ao mesmo tempo… nos preparamos para que estas possam ser negociações duras”, completou.

“O presidente está preparado se o encontro acontecer. E se não acontecer, vamos continuar com a campanha de máxima pressão que está em progresso”.

A China, único aliado de Pyongyang de peso internacional, também expressou a “esperança” de que a reunião de cúpula aconteça.

– “Modelo líbio” –

Washington pressiona para que Pyongyang elimine completamente suas armas nucleares, de forma verificável e irreversível.

Na cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, no mês passado, Kim admitiu seu compromisso com a eliminação das armas nucleares, expressando a “vontade de uma ‘desnuclearização’ da península da Coreia”.

Mas esta frase é um eufemismo aberto a interpretações.

Por: AFP
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Se quiser, Israel pode destruir Gaza em apenas uma hora

Cônsul israelense em SP afirma não ser a destruição o objetivo de seu país e culpa o Hamas pelos 60 palestinos mortos pelas forças de Israel.
“Israel poderia destruir a Faixa de Gaza em apenas uma hora. Mas não o faz porque esse não é seu objetivo”, declarou a VEJA o cônsul-geral israelense em São Paulo, Dori Goren, ao explicar a reação violenta do Exército de seu país aos protestos de palestinos na Faixa de Gaza na última segunda-feira. O resultado foi a morte de 60 pessoas. Outros 2.700 palestinos ficaram feridos.

Goren ecoou o discurso oficial do governo de Israel para o episódio, que provocou condenações da comunidade internacional, em particular dos países árabes e/ou muçulmanos. Afirmou que a culpa pelas mortes não devem ser atribuídas ao governo de Israel, mas ao Hamas, grupo militar convertido em partido político que governa Gaza desde 2006. O jornal israelense The Jerusalem Post publicou hoje que 50 dos 60 mortos seriam membros do Hamas.

“Culpamos o Hamas, cujo objetivo era motivar os palestinos a derrubar a cerca (da fronteira), invadir Israel para matar os judeus”, afirmou Goren. “Israel jamais permitiria que isso acontecesse”.

Os palestinos foram mortos e feridos dentro do território de Gaza. Segundo Goren, aviões israelenses haviam soltado panfletos dias antes para advertir os palestinos a não avançarem na faixa de 300 metros da cerca que divide os dois países. Senão, “sofreriam as consequências”. O Hamas, em sua opinião, os “empurrou” para essa margem e os expôs à artilharia de Israel.

“O Hamas age de forma cínica. Aquilo não era uma manifestação pacífica. O objetivo do Hamas era conquistar a simpatia dos meios de comunicação do mundo inteiro para com as vítimas palestinas”, afirmou.

Goren reconheceu ser “lamentável” cada vida perdida nesse episódio. Não houve baixas entre as tropas israelenses, atacadas com pedras arremessadas de Gaza e com a fumaça de pneus queimados. Mas o diplomata assegura que os manifestantes palestinos estariam munidos de explosivos – o que até o momento não foi confirmado por nenhum organismo independente.

Para ele, não havia outro método a ser aplicado para conter aquela multidão de 40 mil pessoas, teoricamente dispostas a invadir Israel, senão a artilharia e o gás lacrimogênio. “Israel usou meio mortal porque, quando milhares de pessoas tentam atacar sua população, não há outra tecnologia para dissuadi-la”, afirmou.

O diplomata argumentou que o Hamas esperava reunir entre 100 mil a 200 mil pessoas nos protestos de segunda-feira, o dia em que os palestinos relembram a Nakba (catástrofe, em árabe). Mas compareceram cerca de 40 mil.

A Nakba refere-se à independência de Israel e à consequente guerra entre israelenses e árabes, que forçou o deslocamento de 750 mil palestinos de suas casas e cidades. Hoje, esse contingente soma 6 milhões de pessoas distribuídas especialmente nos países vizinhos, nos territórios palestinos e em Israel.

Ontem, os protestos não se repetiram com a mesma força, segundo Goren, por causa da pressão do governo de Egito sobre o Hamas. Também é certo que parte da população acompanhava os funerais das vítimas de segunda-feira e que a resposta mortal de Israel dissuadiu novas manifestações.

Reações internacionais
Goren considera uma “hipocrisia desproporcional” a reação de países árabes, da Turquia e de outras nações à atitude das tropas israelenses diante das manifestações palestinas na Faixa de Gaza. Turquia e Israel estão em franca crise diplomática desde então. Os árabes, por meio do Kuwait, apresentaram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma proposta de resolução para a proteção dos civis palestinos.

Para o diplomata, os países árabes têm se mostrado historicamente muito mais violentos contra sua própria população do que Israel em relação aos palestinos. Ele mencionou especificamente a morte de milhares de opositores ao regime de Hafez al-Assad na Síria pelas forças do governo nos anos 80. Os turcos, continuou Goren, dizimaram centenas de curdos.

“Quem são os turcos para questionarem o nosso comportamento? Não vi os árabes apelando ao Conselho de Segurança quando Hafez al-Assad matou sírios”, reagiu.

Em seu ponto de vista, o episódio de segunda feira e as acusações de Israel de continuidade do programa nuclear iraniano não impõem riscos para a segurança de seu país. Mas reiterou que o governo israelense não permitirá a instalação de uma base iraniana na Síria em região próxima à fronteira com Israel – a razão, segundo ele, para o bombardeio israelense ao território sírio no último dia 10 – nem o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã.

“Do ponto de vista estratégico, Israel continua muito forte”, afirmou.

Ameaças
O cônsul-geral de Israel em São Paulo rebateu declarações a VEJA do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de que seu país não teria cumprido os acordos de paz anteriores nem se empenhado por novas negociações. Para Goren, não há interlocutor para as negociações de paz do lado palestino e, enquanto não houver um acordo de paz efetivo, não será possível para Israel abandonar suas posições nos territórios palestinos.

“Israel sempre quis fazer concessões, mas Abbas e Arafat nunca quiseram assinar os acordos”, disse, referindo-se Yasser Arafat, líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLA) e da Autoridade Palestina ao longo de quase 35 anos. “Queremos a paz, mas a nossa tragédia é não termos com quem falar.”

Goren afirmou ainda ter esperança de que seus futuros netos não tenham de lutar em uma guerra. Ele mesmo lutou na Guerra do Yom Kippur, de 1973. Seu pai lutou na Guerra Árabe-Israelense, de 1948, e seu filho, no conflito na Faixa de Gaza, em 2014.

Por: VEJA.ABRIL.COM.BR
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Coreia do Norte ameaça desistir de reunião entre Kim e Trump

EUA e Coreia do Sul afirmaram que vão manter preparativos

A Coreia do Norte disse nesta quarta-feira (16) que pode desistir da reunião histórica entre o presidente Donald Trump, e o ditador Kim Jong-un se os Estados Unidos insistirem que Pyongyang abandone suas armas nucleares.

O esperado encontro entre os dois líderes está marcado para acontecer no dia 12 de junho, no Singapura. A declaração foi dada pelo governo norte-coreano depois de desmarcar a reunião de alto nível que teria com Seul hoje.

“Se o governo norte-americano nos encurralar e nos pedir unilateralmente para abandonar nossas armas nucleares, não vamos ter qualquer interesse nas conversações e vamos ter que reconsiderar se aceitamos a futura cúpula entre Coreia do Norte e EUA”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores, Kim Kye Gwan.

Hoje, a Coreia do Sul e o governo norte-americano decidiram manter a organização dos preparativos para a realização da cúpula. A decisão foi tomada depois de uma conversa por telefone entre Trump e a ministra das relações Exteriores, Kang Kyung-wha.

De acordo com agência oficial “KCNA”, os exercícios em curso das forças aéreas norte-americanas e sul-coreanas são um “ensaio” para “invadir o Norte” e uma “provocação”.

Este exercício dirigido a nós, que está sendo realizado em toda a Coreia do Sul e nos alvejando, é um desafio flagrante à Declaração de Panmunjom e uma provocação militar intencional que vai contra o desenvolvimento político positivo na Península Coreana”, diz o texto da agência.

A Coreia do Norte ainda acusou os Estados Unidos de fazer declarações imprudentes e de nutrir más intenções, fazendo referência ao conselheiro de Segurança Nacional norte-americana, John Bolton. “Nós não escondemos nosso sentimento de repugnância para com ele”, disse Kye Gwan.

O encontro histórico foi acordado entre Kim e Trump, depois que a Coreia do Norte disse estar comprometida em desnuclearizar a península coreana, inclusive fez uma reunião com o Sul, na qual ambas nações prometeram assinar um pacto de paz. (ANSA)

Fonte: Notícias ao Minuto.
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Protestos na Nicarágua deixam um morto, feridos e fecham escolas

País completa 29 dias de protestos que deixaram entre 54 e 65 mortos

Os protestos nas principais cidades da Nicarágua continuam intensos. Os embates entre manifestantes e forças policiais deixaram um morto e mais de 10 feridos em Matagalpa, no Norte do país. Por determinação do Ministério da Educação nicaraguense, as escolas fecharam suas portas nesta terça-feira (15) como medida de segurança. O acirramento do clima ocorre no momento em que a Igreja Católica, por meio da Conferência de Bispos, negocia o fim da violência e um acordo com as autoridades federais.

A Nicarágua completa 29 dias de protestos que deixaram entre 54 e 65 mortos, segundo organizações humanitárias, sem contar a última vítima identificada como Wilder Reyes Hernández, de 37 anos, trabalhador da prefeitura de Matagalpa.

A informação foi confirmada pelo prefeito de Matagalpa, Sadrach Zeledón. Segundo ele, grupos antagônicos ao governo dispararam contra o trabalhador desse município e também queimaram parte das instalações da delegacia local.”Essa gente não quer paz, quer derramar o sangue de irmãos no país. O que querem é dor, o sofrimento do povo de Matagalpa e do povo nicaraguense”, disse o prefeito.

O enfrentamento começou hoje no município de Matagalpa, quando agentes da polícia tentaram restabelecer a livre circulação de pessoas e veículos, após o bloqueio de estradas por parte de manifestantes.Vídeos divulgados nas redes sociais mostram que os policiais dispararam armas de fogo e bombas de gás lacrimogêneo na direção de manifestantes. Os protestos na Nicarágua ocorrem desde o último dia 25. Os manifestantes pedem justiça, fim da repressão e fazem críticas ao presidente Daniel Ortega e às mudanças na Previdência Social do país.

Mediação

Paralelamente, os sacerdotes Óscar Decoto, César Corrales, Denis Martínez e Sadiel Eugarrio negociam um acordo para cessar a violência.

“As pessoas estão protestando, mas precisamos também intermediar para que não haja derramamento de sangue. É o que pede a Igreja. O protesto tem que ser pacífico, mas sem agressão, é o que sempre se pede”, declarou Eugarrio a jornalistas.A convocação de um diálogo nacional desde ontem não freou os saques, os enfrentamentos e os bloqueios nas estradas. Com informações da Agência Brasil (com EFE e Télam).

Fonte: Notícias ao Minuto.
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Brasil lidera ranking de países com menor confiança em políticos

Alguns cidadãos de países acreditam que seus políticos estão do lado deles, enquanto outros … Não tanto
Os eleitores de todo o mundo conquistaram através do voto o direito democrático de escolher seus representantes. Mas as figuras eleitas cumprem essa obrigação? Isso depende do país.

Para seu último relatório, o Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum) entrevistou cidadãos de 137 países sobre como eles classificam os padrões éticos de seus políticos em uma escala de 1 a 7, em que 1 é extremamente baixo e 7 é extremamente alto.

Isso significa que as pessoas dessas nações cuja pontuação é mais próxima de 7 têm maior confiança em seus representantes eleitos. Clique na galeria e nos países que marcaram pontos altos e aqueles que tiveram pontos baixos.

Por: REUTERS

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Os cachorros que protegem mulheres de parceiros violentos na Espanha

(Foto: Reprodução/ BBC)- Um programa na Espanha busca ajudar mulheres vítimas de violência doméstica treinando cães para protegê-las. Na Espanha, quase quatro mulheres são assassinadas por mês por seus parceiros ou ex-parceiros.

“Nós treinamos os cachorros para conterem agressões e também ensinamos táticas às mulheres. Assim, elas podem se defender em situações da vida real”, diz Angel Mariscal, um veterano treinador de cães que criou uma fundação para intermediar a entrega de cães treinados a mulheres vítimas de abusos.

Mariscal, disse ao jornal espanhol El País que os cães “não mordem e não atacam para matar”. “Não são agressivos, porque usamos animais que são bastante sociáveis, capazes de morar dentro de casas com crianças e que se comportam normalmente até receberem um comando específico para proteger seu dono”.

Quando se inscrevem, as mulheres são entrevistadas por um psicólogo. Depois que a moradia é examinada por um especialista em comportamento animal, e após um curso introdutório acompanhado pela polícia, segundo o El País, começam as horas de treinamento, em que Mariscal e sua equipe escolhem o cão mais adequado para o nova dona.

Gema Abad, uma das beneficiárias do programa, relatou à BBC que o cão afastou um antigo agressor da porta de sua casa quando este viu o cão. “É uma sensação maravilhosa”, conta ela. “Agora eu sou mais forte”, diz ela.

Até agora, 40 mulheres aderiram ao projeto.

“É maravilhoso se dar conta de que ninguém vai te machucar de novo”, diz America Gallon, outra mulher que aderiu ao projeto.
Por BBC
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Amputado das duas pernas, chinês chega ao cume do Everest

(Foto: Prakash Mathema/ AFP)- Foi a quinta tentativa do chinês, em uma delas ele enfrentou uma tempestade no topo, sofreu congelamento e perdeu os pés.
O alpinista chinês Xia Boyu, amputado das duas pernas, completou nesta segunda-feira (14) seu sonho de alcançar o cume do Everest, uma proeza realizada depois de várias tentativas.

A quinta vez foi a vitoriosa: o cidadão chinês de 69 anos chegou ao topo, a 8.848 metros de altitude, nas primeiras horas dessa segunda-feira.

“Chegou à cúpula esta manhã, com outros sete membros de sua expedição”, confirmou Dawa Futi Sherpa, da agência organizadora Imagine Trek and Expedition.

Xia Boyu teve medo de não poder tentar mais uma vez, quando o Nepal proibiu, no ano passado, a subida ao topo de pessoas duplamente amputadas e de cegos. A medida foi suspensa pela Justiça, devido a seu caráter discriminatório.

Xia fez parte da equipe chinesa que, em 1975, sofreu uma tempestade no topo. Faltando oxigênio e exposto a temperaturas polares, o alpinista sofreu um congelamento severo e perdeu ambos os pés.

Suas duas pernas tiveram de ser amputadas em 1996, logo abaixo do joelho, depois que os médicos descobriram um linfoma, um tipo de câncer no sangue.

Persistente, o sexagenário voltou ao pé do Everest em 2014, mas a temporada foi encurtada por uma avalanche que custou a vida de 16 sherpas.

Sem desistir, voltou no ano seguinte, mas um forte terremoto atingiu o Nepal. Apenas no Everest foram 22 mortos, em uma avalanche no campo base.

Durante sua última tentativa, em 2016, o mau tempo o obriga a voltar quando estava a 200 metros do cume.

“Meu sonho é escalar o Everest. Tenho que fazer isso. Representa também um desafio pessoal, um desafio do destino”, disse ele no mês passado, à AFP, em Katmandu.

O único duplo amputado a chegar ao topo do mundo antes dele foi o neozelandês Mark Inglis, em 2006.

A tradicional temporada de primavera está em pleno apogeu nesse momento no Everest. O clima oferece uma pequena janela com condições menos extremas do que o resto do ano.

No domingo, chegaram ao cume os primeiros alpinistas da alta temporada. No total, quase 700 pessoas devem tentar escalar o Everest nas próximas semanas.

Por France Presse
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Putin pilota caminhão em inauguração de ponte na Crimeia

Governo da Ucrânia acusa Moscou de ´pisotear o Direito Internacional´; região foi anexada pela Rússia em 2014
No volante de um caminhão laranja, o presidente russo, Vladimir Putin, inaugurou nesta terça-feira (15) uma ponte para ligar a Crimeia à Rússia. A obra reduz o isolamento da península e, simbolicamente, reforça a presença russa na região, anexada por Moscou em 2014.

Putin assumiu o volante do caminhão Kamaz e liderou uma coluna de dez veículos para percorrer os 19 quilômetros da Ponte de Crimeia, que liga as penínsulas de Kertch e de Taman, no sul da Rússia.

Do outro lado, na Crimeia, o presidente foi recebido por uma pequena multidão, que o aplaudiu calorosamente. Mas o governo da Ucrânia, soberano da Crimeia até a invasão russa de 2014, protestou.

“Em vários momentos da história, mesmo sob o czar, as pessoas sonhavam com a construção dessa ponte. Elas tentaram de novo nos anos 1930, 1940, 1950 e, enfim, graças a seu trabalho e seu talento, esse esse milagre aconteceu!”, declarou Putin, para acrescentar ser hoje “dia excepcional, festivo, histórico” para a Rússia.

A televisão russa, que transmitiu ao vivo as imagens da travessia do caminhão, saudou os “heróis” que construíram a ponte, que facilitará o turismo russo para a Crimeia. Carros e ônibus devem começar a circular pela ponte a partir de quarta-feira, informou o Kremlin. Os trens são esperados para final de 2019, atravessando o estreito de Kertch, entre o Mar de Azov e o Mar Negro.

Iniciada em fevereiro de 2016, a obra foi encomendada à empresa Stroïgazmontaj, do bilionário Arkadi Rotenberg, parceiro de judô do presidente Vladimir Putin.

Segundo um decreto publicado no site do governo, a companhia Stroïgazmontaj deveria entregar a ponte até dezembro de 2018, ao custo de 228,3 bilhões de rublos (2,9 bilhões de euros na época).

Violação de soberania
Do lado da Crimeia, porém, a obra é tida como uma violação da soberania. Em entrevista à AFP, o primeiro-ministro ucraniano, Volodymyr Groïsman, acusou a Rússia de “pisotear o Direito Internacional” com essa ponte. “A Rússia vai pagar muito caro”, garantiu.

Um porta-voz da União Europeia também condenou a “nova violação da soberania” da Ucrânia por parte da Rússia, considerando que sua construção foi feita “sem o consentimento” de Kiev.

“A construção da ponte busca uma maior integração forçada da península anexada ilegalmente à Rússia e seu isolamento da Ucrânia, da qual continua fazendo parte”, ressaltou o porta-voz, reiterando a posição da União Europeia (UE) de não reconhecer a Crimeia como território russo.

Várias vezes a Ucrânia denunciou a construção dessa ponte como uma ataque à sua integridade territorial.

Para a Rússia, a Ponte da Crimeia deve permitir reduzir o isolamento tanto geográfico quanto econômico da Crimeia, anexada da Ucrânia em março de 2014, após uma intervenção das forças especiais russas e de um referendo denunciado como “ilegal” por Kiev e por países ocidentais.

Em razão do bloqueio imposto por Kiev e das sanções ocidentais que se seguiram a essa anexação, a maioria dos produtos alimentícios chega de barca da Rússia, um modo de entrega que depende de condições meteorológicas favoráveis.

A Crimeia também depende da via aérea para se abastecer, o que acaba acarretando uma alta significativa nos produtos básicos.

“Muitos não acreditavam na possibilidade de concretização desses planos. (Vladimir) Putin provou, mais uma vez, que os planos mais ambiciosos podem ser realizados sob sua direção”, declarou nesta terça o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista coletiva.

Durante uma visita em março, alguns dias antes de sua reeleição à Presidência, Putin exigiu que a ponte fosse entregue em maio “para que as pessoas pudessem aproveitar a temporada de verão” na Crimeia.

A ponte, que passa pela ilha de Tuzla, tem uma altura de 35 metros no nível de seu arco central. A velocidade máxima autorizada para carros será de 120 km/h, sempre que as condições climáticas permitirem, segundo a agência de notícias russa RIA Novosti.

Por: DA REDAÇÃO
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Palestinos falam de dia de luto e luta no aniversário da ocupação do território por Israel

Há 70 anos, o dia 15 de maio é sinônimo da Nakba para comunidades palestinas. Em árabe, a palavra significa “catástrofe”. A data, um dia depois da Independência do Estado de Israel, em 1948, ganhou o sentido pelo qual seria lembrada depois que 700 mil palestinos fugiram ou foram escorraçados de suas casas, centenas de aldeias foram destruídas, para que se abrisse espaço para o novo Estado e muitos morreram.

Nesta segunda-feira (14), às vésperas do Nakba 70, no mesmo dia em que protestos contra uma nova embaixada norte-americana em Jerusalém foram reprimidos, deixando 58 mortos, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul se reuniu para discutir porque a data é importante e qual a urgência de levar a causa palestina para o mundo.

O deputado Nelsinho Metalúrgico (PT), presidente da Frente Parlamentar de Solidariedade aos Migrantes e Refugiados, proponente da audiência pública, qualificou a questão de “infeliz coincidência”. Mas lembrou da importância de se falar sobre a Palestina.

“A humanidade não pode conviver com uma política de extermínio, de limpeza étnica, de ataque, de desrespeito às resoluções das Nações Unidas, que são práticas constantes de Israel. Desde 1947 foi estabelecido pela ONU a existência de dois territórios, dois Estados e isso precisa ser respeitado. Precisamos falar da Palestina porque é inadmissível que a gente assista de forma passiva o assassinato de crianças, de homens, mulheres, que estão lutando com suas ideias, com sua resistência contra um Exército fortemente armado, como o Exército israelense”, diz ele.

Sua assessora, Maysar Hassan veio ao Brasil com 7 anos. O pai dela já havia imigrado antes, tentando deixar para trás as perseguições e bloqueios de se viver dentro da Palestina. Em 1948, a chacina de Deir Yassin já havia mostrado como poderia ser a vida, caso insistissem em continuar vivendo ali. “O meu pai não quis que ficássemos lá e viemos para o Brasil. Eu lembro muito bem. Isso não sai da minha cabeça, da minha mente, por isso que eu cresci, com essa garra de lutar pelo meu povo, pelas crianças. Eu senti na pele o que eles estão sentindo. Sempre vou ser mais uma voz a gritar pelo meu país”, afirma ela.

Além de ser um dos países que mais recebeu refugiados palestinos, o Brasil também teve uma participação decisiva no que daria início ao “nakba” palestino. Em 1947, o voto de minerva em uma recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU), empatada em torno da criação do Estado de Israel, veio de Oswaldo Aranha. O gaúcho e secretário de Getúlio Vargas, estava representando a delegação brasileira e foi o responsável pelo voto. Passadas décadas, o próprio Itamaraty passou a organizar campanhas sobre o tema.

Milton Rondó, ex-coordenador geral de ações internacionais de combate à fome do Itamaraty, conta que vários países da América Latina tinham acordos de cooperação com a Palestina, mas nenhum no volume do Brasil. Entre 2006 e 2016, o país ajudou a cobrir o consumo de refugiados palestinos no Oriente Médio. Boa parte dos recursos vieram da produção de arroz do Rio Grande do Sul, que chegou a ter isenção de ICMS, no governo de Tarso Genro (PT), para facilitar a doação.

“A luta do povo palestino, acho que é a luta da humanidade. Temos que cobrar para que haja a partição como as Nações Unidas determinaram. Ou seja, dois Estados. A situação humanitária é extremamente grave, a gente vê isso no caso de Gaza, onde mais de 80% da população nunca saiu de lá. Por isso fizemos projetos lá”, conta ele.

Uma história de família

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Saleh, com as três filhas, no evento que discutiu os 70 anos de Nakba | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Para quem fugiu, a resistência em nome de todo o povo é ainda mais importante. Em 1948, Saleh Bujaa tinha 17 anos e estava entre os 70 homens de sua aldeia que resistiram à entrada dos soldados israelenses na sua terra natal. Saffa tinha dois mil habitantes no total.

Às 22h, comandados por um líder local, se organizaram a 50 metros de distância um do outro, combinaram de dar tiros para alertar quem se aproximava. Os judeus leram como uma defesa. Perto das 6h da manhã, o comandante do lado israelense, que era um cristão, comandou 60 soldados, três blindados. Deixaram 150 mortos no campo de batalha. Eles queriam se vingar da cidade, porque foi a única que resistiu, segundo Saleh.
Ele, por sua vez, deixou a mãe, tios e tias, vários parentes. Às vezes que conseguiu voltar ao país, para visitá-lo, ele conta que sempre foi usando o passaporte brasileiro.

“Onde está enterrado o patriarca Abraão, Sara, sua mulher, Isaac, filho deles, é uma cidade chamada Hebrom e é uma mesquita muçulmana. Eu me considero filho de Abraão, descendente direto dele. Judeus, árabes são descendentes dele. Chega um médico armado, 5h da manhã, horário que os muçulmanos estavam fazendo oração. Matou 69 pessoas, feriu não sei quantas, até que mataram ele. Esse médico, que fez juramento para salvar seres humanos, hoje tem uma estátua que os israelenses fizeram, como herói, porque matou mais palestinos”, diz ele.

Saleh tem um filha que vive na região dos conflitos. “Hoje, um familiar nos relatou que um drone passou por cima da sua casa. Desses grandes, que carregam as bombas, em direção à Faixa de Gaza. Tu imaginar que um familiar teu está assistindo aquilo ali e está muito próximo, tu se sente amarrado”, conta Soraia Bujaa, bacharel em Direito e professora do grupo folclórico Palestino Terra.

As outras três filhas estavam com ele, durante a audiência, usavam o lenço ‘rata’, com orgulho. “É um símbolo da resistência. Um palestino o usando é o símbolo da sua resistência, da sua terra, de todo o sofrimento que se passa lá, da continuidade à sua cultura”, explica Fairuz Sales, advogada e integrante do grupo folclórico Palestino Terra. “[Se identificar como palestina] é lutar por uma causa, por um povo, isso é constante. Até o dia que, se Deus quiser, a gente vai conseguir a liberdade, recuperar tudo o que se perdeu, ir e vir. A gente não é terrorista. O povo palestino luta por aquilo que é dele”.

Para Saleh, a luta pelo Estado da Palestina vai além das religiões e não pode ofendê-las. “Nós não somos contra judeus. Somos contra usurpadores. Aqueles que nos deixaram sem documento, perdidos no mundo. Somos cerca de 14 milhões de palestinos, espalhados. No Rio Grande do Sul, estão 60% dos palestinos que vieram para o Brasil”, afirmou. “Eu respeito a religião e Deus, não aceito atacar nem sinagoga, nem mesquita, nem igreja”.

Livro conta a vida sob ocupação

Além da mesa que debateu a Nakba, o evento na Assembleia serviu ainda para lançar o livro “Palestina, um olhar sobre a ocupação”, de autoria de um vereador e um vice-prefeito de Cascavel, além de um assessor da cidade de Foz do Iguaçu. Os três partiram em uma comitiva para visitar a cidade de Jericó, a mais antiga do mundo, com pouco mais de 10 mil anos, e entender a vida debaixo de uma ocupação.

Paulo Porto (PCdoB), vereador, conta que um dos momentos mais marcantes da viagem para lá foram os chamados “check points” (pontos de checagem), onde precisaram parar. A viagem de 45 minutos acabou levando 3h30 minutos. Do prefeito da cidade de Jericó, ele ouviu: “Eu posso falar horas sobre a Palestina ocupada, mas nada é tão pedagógico quanto um minuto no check point”.

Nessa mesma viagem, Jihad Abu Ali, diretor de assuntos internacionais da secretaria de turismo de Foz, teve a entrada à Palestina negada. Foi a segunda vez que lhe aconteceu em toda a vida. A primeira foi em 2005. “Eu retornei agora, em 2018, e não me deixaram entrar, pelo fato de eu ser palestino, militante da causa no Brasil. Acabei pagando esse preço de não poder visitar meu tio, minha tia, o túmulo dos meus avós. Fui deportado por outros dez anos”.

Nilton Bobato, vice-prefeito de Foz do Iguaçu outro integrante da comitiva, complementou: “Como o mundo aceita passivamente isso? Por que não conseguimos fazer como foi feito com a África do Sul, no apartheid? O que aconteceu hoje, aconteceu ontem, há 10 anos, há 50 anos. A ocupação e as mortes são rotineiras. Foi isso que encontramos lá”.

Por: SUL21
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Copiloto foi ‘parcialmente sugado’ após quebra de janela de avião, diz piloto chinês

O copiloto do avião que precisou fazer um pouso de emergência foi “parcialmente sugado” para fora da aeronave depois que o vidro direito do cockpit quebrou, segundo relatos do capitão do voo à mídia chinesa. O subcomandante da Sichuan Airlines, que usava cinto de segurança no momento do incidente, foi puxado de volta para a cabine pela equipe, a nove quilômetros de altitude.

O capitão Liu Chuanjian foi aclamado como herói nas redes sociais por ter pousado manualmente o avião, de modelo Airbus A319. Ele explicou ao jornal “Chengdu Economic Daily” que o voo havia acabado de atingir a altitude de cruzeiro quando um som “ensurdecedor” tomou o cockpit. A repentina despressurização e queda de temperatura se seguiram ao estrondo. Chuanjian olhou para frente e viu um buraco no para-brisa.

O voo saiu de Chongqing nesta segunda-feira, com destino a Lhasa, no Tibet. A tripulação precisou adiantar a aterrissagem para a cidade de Chengdu, em função da emergência.

“Não houve sinal de alerta. De repente, o pára-brisa se quebrou e fez um forte barulho. O que eu vi em seguida foi meu copiloto sugado parcialmente para fora da janela (…) Tudo no cockpit estava flutuando. A maioria dos equipamentos não funcionava, e eu não conseguia ouvir o rádio. O avião estava tremendo tanto que eu não conseguia ler os medidores”, recordou o capitão ao diário chinês.

Segundo a Administração de Avião Civil da China, que investiga o acidente, o copiloto Xu Ruichen teve arranhões na face e quebrou o pulso. Outro membro da tripulação ficou ferido no procedimento de pouso. Nenhum dos 119 passageiros se machucou, mas 29 deles foram encaminhados a exame médico.

Em abril, uma passageira da Southwest Airlines foi parcialmente sugada depois que a janela se quebrou no ar. Jennifer Riordan chegou a ser levada para o hospital, após o pouso de emergência na Filadélfia, mas não resistiu aos ferimentos.

Por: Extra com Reuters
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