Papa Francisco diz que políticos devem viver com ‘austeridade e transparência’

O Papa Francisco fala com o padre colombianoMauricio Rueda Beltz ao ser recebido pelo presidente do Panamá Juan Carlos Varela nesta quinta-feira Foto: RAUL ARBOLEDA / AFP
‘Aqueles que têm uma função de liderança na vida pública devem levar uma vida conforme a dignidade e a autoridade que encarnam’, afirma Pontífice

CIDADE DO PANAMÁ – O Papa Francisco instou os políticos do mundo a viverem com “austeridade e transparência”, em seu primeiro discurso durante sua visita ao Panamá , nesta quinta-feira.

—Todos aqueles que têm uma função de liderança na vida pública devem levar uma vida conforme a dignidade e a autoridade que encarnam e que lhes foi confiada — afirmou Francisco em um encontro com autoridades panamenhas, com diplomatas do país e com líderes religiosos. — Faço um convite para viverem com austeridade e transparência, para levar uma vida que demonstre que o serviço público é sinônimo de honestidade e de justiça, e antônimo de qualquer forma de corrupção.

A viagem acontece num momento em que o país da América Central enfrenta vários escândalos de corrupção. O maior dos casos envolve a construtora brasileira Odebrecht, que admitiu ter pagado milhões de dólares em vários países da América Latina para obter polpudos contratos de obras públicas.

O Panamá também esteve no centro das atenções pelo caso dos “Panama Papers”, quando foi revelado o ocultamento da propriedade de empresas e de ativos por parte de mandatários, líderes políticos e diversas personalidades mundiais.

Francisco chegou ao Panamá na tarde de quarta-feira, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), evento trienal que reúne dezenas de milhares de jovens católicos.

Esta é a primeira vez que o Papa visita a América Central, região que enfrenta a imigração forçada, a pobreza e a violência, temas que se espera que Francisco aborde em sua viagem.

Também se espera que o Papa faça um pronunciamento sobre a situação na Venezuela, onde, na quarta-feira, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente.

Fonte:Elida Moreno e Diego Oré, da Reuters

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Saiba quem é Juan Guaidó, proclamado presidente interino da Venezuela

(FOTO:REPRODUÇÃO INTERNET)- Juan Gerardo Guaidó Marquez, principal nome da oposição da Venezuela, tem apenas 35 anos e é desconhecido de muitos no exterior. Porém, como presidente da Assembleia Nacional Constituinte, classificada pelo governo Nicolás Maduro como ilegítima, o Parlamento virou a principal referência de força contrária a Maduro no país.

Casado, Guaidó tem uma filha de 9 anos e construiu sua carreira política a partir da liderança de movimentos estudantis. Ganhou destaque nos protestos de 2007 e desde então passou a chamar a atenção dos políticos tradicionais do país.

Guaidó disputou o governo de Vargas, região onde mora, e perdeu. Em 2010, foi eleito deputado, como suplente do parlamentar Bernardo Guerra. Em 2015, foi eleito deputado federal. Também integrou o Parlamento Latino-Americano (Parlatino).

No ano passado, Guaidó assumiu como presidente da Assembleia Nacional Constituinte e líder da maioria de oposição.

Formado em ciências e engenharia industrial, Guaidó fez duas pós-graduações antes de assumir como representante da Faculdade de Engenharia perante o Conselho Geral de Representantes Estudantis (Cogres), membro do Presidente de Honra e do Programa de Liderança universitária.

Fonte:Noticias ao Minuto
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Preços do petróleo caem 2% com desaceleração do crescimento global e alta da oferta

Previsões de crescimento global do FMI e os sinais de uma desaceleração da China pesaram
Dados “reavivaram” as preocupações sobre a demanda de petróleo (Foto:REUTERS/Nick Oxford)

Os preços do petróleo caíram cerca de 2 por cento nesta terça-feira devido à preocupação de que a economia mundial possa reduzir a demanda por combustíveis, enquanto os campos de “shale” dos Estados Unidos aumentam a oferta e os cortes da Rússia estão abaixo do esperado.

As novas e sombrias previsões de crescimento global do Fundo Monetário Internacional (FMI) e os sinais de uma desaceleração da China pesaram sobre os preços do petróleo, já que os comerciantes estão preocupados com o aumento da oferta em 2019, apesar dos preços mais baixos.

Os dados “reavivaram” as preocupações sobre a demanda, disse Gene McGillian, diretor de pesquisa de mercado da Tradition Energy, em Stamford, Connecticut. “A questão é: esses medos vão ganhar ainda mais importância no mercado?”

Os futuros do petróleo Brent caíram 1,24 dólar, ou 2 por cento, para 61,50 dólares por barril. Os contratos futuros do petróleo nos Estados Unidos caíram 1,23 dólar, para 52,57 dólares por barril.

Preocupações do mercado sobre o tamanho dos cortes na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, incluindo a Rússia, ajudaram a reduzir os preços, disseram analistas.

Fonte:Reuters
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Imprensa mundial fala em “fiasco” e “grande fracasso” após discurso de Bolsonaro em Davos

(Foto:© REUTERS/Arnd Wiegmann) – Bolsonaro tentou vender um “novo Brasil” em Davos. Esta frase ecoou nos tuítes dos mais diversos órgãos de imprensa que cobriram e/ou comentaram a participação do presidente brasileiro no Fórum Econômico Mundial, na tarde desta terça-feira (22). Mas as reações dos jornalistas no Twitter não foi das melhores.

Em francês, Sylvie Kauffmann, diretora editorial e colunista do Le Monde e colaboradora do NY Times escreveu “Fiasco de Bolsonaro em Davos, incapaz de responder concretamente às questões de Klaus Schwab. 15 min. de generalidades”.

“Bolsonaro não combinou com a multidão de Davos. Um discurso de campanha curto, muito geral, depois evita dar respostas concretas às perguntas de Klaus Schwab. Definitivamente, nenhum aplauso de pé”, tuitou ela, agora em inglês.

Para Heather Long, do The Washington Post, o discurso do brasileiro foi um “grande fracasso”. “O presidente brasileiro Bolsonaro falou por menos de 15 minutos. Grande fracasso. Ele tinha o mundo inteiro assistindo e sua melhor linha era dizer às pessoas para irem de férias ao Brasil. Bolsonaro é classificado como ‘Trump sul-americano’, mas ele parecia morno.

“Manual de Trump”

A jornalista em seguida volta a compará-lo a Trump: “O presidente brasileiro Bolsonaro em #Davos promete o manual econômico de Trump no Brasil: ‘Vamos trabalhar para reduzir a carga tributária, simplificar as regras para aqueles que desejam produzir e tornar mais fácil para os empresários investir e criar empregos’”.

A agência de notícias Reuters estampou a manchete: “Jair Bolsonaro do Brasil joga fora o tapete de boas vindas para grandes empresas e grandes investidores em #Davos”.

Já o jornal Financial Times escreveu “[De] Extrema direita, Bolsonaro procura tranquilizar os céticos”.

O jornal britânico The Guardian estampou: “Jair Bolsonaro alarma ativistas do clima com discurso pró-negócios”.

Fonte:RFI
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Homem mais velho do mundo morre aos 113 anos no Japão

Masazo Nonaka faleceu enquanto dormia em sua casa, informaram veículos de imprensa locais.

Imagem de arquivo de Masazo Nonaka em Ashoro, na ilha japonesa de Hokkaido, em 10 de abril de 2018. — Foto: Reuters

O japonês Masazo Nonaka, que com seus 113 anos era considerado o homem mais velho do mundo, morreu neste domingo (20) enquanto dormia em sua casa, informaram veículos de imprensa locais.

O falecimento aconteceu na cidade de Ashoro, na ilha de Hokkaido, no extremo norte do país, segundo confirmaram seus familiares, que disseram que se deram conta de sua morte quando foram acordá-lo.

“Estamos tristes pela perda desta grande figura. Até ontem, ele estava como sempre, e faleceu com dignidade e sem causar nenhum problema”, disse sua neta Yuko a veículos de imprensa japoneses.

Segundo a família, Nonaka, que se deslocava em cadeira de rodas, gostava de assistir a duelos de sumô na televisão, lia os jornais diariamente e banhava-se uma vez por semana em um manancial de águas termais.

Recorde

O ancião recebeu o recorde do Guinness por ser o homem mais velho do mundo no dia 10 de abril do ano passado.

Masazo Nonaka nasceu em 25 de julho de 1905 em Ashoro, a mesma cidade na qual faleceu hoje. Sua esposa, Hatsuno, com quem teve cinco filhos, morreu em 1992.

O Japão já registrou vários recordes de pessoas mais longevas do mundo. O homem que chegou à idade mais avançada no mundo todo foi o japonês Jiroemon Kimuro, que faleceu em 12 de junho de 2013 aos 116 anos.

Já entre as mulheres, o recorde é da francesa Jeanne Calment, que morreu em 1997 aos 122 anos e 164 dias.

No entanto, a pessoa com a idade mais avançada que vive ainda hoje é outra japonesa, Kane Tanaka, que tem 116 anos e 18 dias.
Por G1

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Mais de 150 imigrantes se afogam no Mar Mediterrâneo

A Europa registrou, apenas nos 16 primeiros dias deste ano, a chegada de 4.449 imigrantes, a maioria por via marítima

Um grupo de 160 a 170 imigrantes se afogou no Mar Mediterrâneo perto da Líbia e do Marrocos. Três pessoas resgatadas pela Marinha italiana disseram que havia 120 ocupantes na embarcação. A maioria dos passageiros era da África Ocidental. A informação é da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O barco deixou Gasr Garabulli na Líbia dia 17 à noite e começou a afundar cerca de 10 a 11 horas depois, disse o porta-voz da OIM, Flavio Di Giacomo. Dez passageiros eram mulheres e dois eram crianças.

Os três imigrantes resgatados estavam sendo tratados por hipotermia em um hospital na ilha italiana de Lampedusa. A Marinha disse que viu três cadáveres no mar quando resgatou os três sobreviventes.

Um avião da patrulha naval italiana tentou ajudar os imigrantes depois de identificar o bote na sexta-feira (18), disse o contra-almirante Fábio Agostini. Mas a aeronave foi forçada a sair devido à falta de combustível, segundo ele.

O grupo de apoio alemão Sea Watch informou ter resgatado 47 imigrantes de um barco inflável ontem (19).

Na Itália, o presidente Sergio Mattarella expressou sua “profunda tristeza pela tragédia ocorrida no Mediterrâneo”. O primeiro-ministro Giuseppe Conte disse estar “chocado” com o incidente e que a Itália continuará lutando contra os traficantes de pessoas no norte da África.

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, disse que as mortes relatadas são “prova” de que a política da Itália de impedir navios que transportam migrantes de atracar nos portos italianos está funcionando.

A Europa registrou, apenas nos 16 primeiros dias deste ano, a chegada de 4.449 imigrantes, a maioria por via marítima. No ano passado, no mesmo período, o número era 2.964.

Agência Brasil
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Paciente recebe transfusão de 15 latas de cerveja para sobreviver

(Paciente álcool Foto:Reprodução Internet)-

Bizarrices

Van Nhat excedeu o nível de metanol aceitável no sangue em 1.119 vezes, o que obrigou os médicos a aplicarem cerveja em sua corrente sanguínea
Paciente precisou receber cinco litros de cerveja para retomar a consciência

Um caso curioso surpreendeu o Vietnã. Um paciente de um hospital recebeu transfusão de cerveja diretamente no estômago, tudo para combater uma grave intoxicação por álcool. Segundo o CTI do local, Nguyen Van Nhat recebeu cerca de 15 latas de cerveja (cerca de cinco litros) até retomar a consciência.

Van Nhat excedeu o nível de metanol aceitável no sangue em 1.119 vezes, o que fez com que chegasse inconsciente à unidade hospitalar, devido à oxidação do composto químico. Para evitar que virasse um ácio fórmico, foram ingeridas as cervejas para que o fígado processasse primeiramente o etanol (encontrado na cerveja), o que salvaria Nguyen.

Hans-Jörg Busch, médico da emergência do Hospital Universitário de Freiburg (Alemanha), comentou o caso par a agência de notícias DPA.

“A terapia com 15 latas de cerveja é incomum, mas é compreensível. A teoria é conhecida. Talvez os médicos vietnamitas não tivesse outro álcool à mão. O mais importante é que o tratamento seja iniciado o quanto antes”, declarou.
Fonte:O Tempo
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Em Paris, FHC diz que é oposição ao governo Bolsonaro

(Foto:© Paloma Varon) – Presidente do Brasil entre 1995 e 2002, Fernando Henrique Cardoso, fundador e presidente honorário do PSDB, está em Paris, onde participou do diálogo com o sociólogo e seu ex-professor, Alain Touraine. O ex-presidente concedeu entrevista exclusiva à RFI logo antes de entrar na sala, lotada, para debater com o colega, com quem mantém um diálogo que já dura cinco décadas.

No debate intitulado “Ordem contra a democracia?”, organizado pelo Colégio de Estudos Mundiais, da Fundação Casa das Ciências do Homem (FMSH, na sigla em francês) e que teve lugar na Casa da América Latina, em Paris, os dois sociólogos discutiram a crise dos sistemas democráticos ocidentais. Dando continuidade a este ciclo de debates, a Fundação organiza, no dia 31 de janeiro, também na capital francesa, uma conferência intitulada “Brasil: as raízes da vitória da extrema direita”.

Na entrevista para a RFI, FHC, como é conhecido no Brasil, explica por que, mesmo não tendo votado no presidente Jair Bolsonaro e sendo “oposição”, não apoiou Haddad em outubro de 2018. Fala também da crise da democracia brasileira, do fim de um ciclo iniciado com a Constituição de 1988 e de suas expectativas quanto ao novo governo.

No final do evento, membros do coletivo Alerta França-Brasil, criado em Paris em 2016 por ocasião do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, abriram uma faixa em frente à mesa onde aconteceu o debate e chamaram o ex-presidente de “golpista”. Perguntado se tinha se incomodado com o protesto, Cardoso disse que não, pois “estava acostumado”.

RFI – O que aconteceu com o Brasil?

FHC – Uma transformação muito grande, porque o sistema político tal como ele foi montado por nós mesmos com a Constituição de 1988 chegou ao fim de um ciclo. Houve uma desmoralização da vida política, houve também um processo de corrupção que corroeu bastante o poder no Brasil e um desencantamento do povo. E o povo reagiu elegendo um candidato que era pouco conhecido, mas que aparecia como se fosse uma ruptura com tudo o que tinha sido feito anteriormente. Não acho que isso signifique o fim da democracia – na França muitas pessoas acreditam que foi –, é mais complexo que isso, é um ciclo que chega ao fim. É preciso refazer o sistema político, recriar confiança nas pessoas. Quem vai ser capaz de fazer isso é a questão.

RFI – Mas se não é o fim da democracia, como alguns pregam, é o sinal de uma crise da democracia?

FHC – Bom, as democracias estão em crise em geral. Onde há democracia representativa, mesmo aqui na França, penso que há um certo desencontro entre a vontade das pessoas e a representação delas na vida política. Então neste sentido sim, porque você tem hoje novas formas de comunicação que são fundamentais, que conectam as pessoas com muito mais velocidade, independentemente das instituições sociais e tudo o mais. Então, neste sentido, é uma transformação. Se a gente chamar de crise, é uma crise. No nosso caso, a gente tem um problema mais sério, que é a desmoralização. Não só uma crise de desajuste das regras democráticas na vida social, mas também de corrupção no próprio poder, que ficou visível, gerando repulsa da população. Há risco para a democracia? Sempre há risco para a democracia. Eu acho que era o Sérgio Buarque de Holanda que dizia que a democracia é uma plantinha tênue, que tem que regar todo dia, tem que molhar para poder vicejar, para florescer. Então eu não vou dizer que não haja sempre o perigo de uma tentativa de autoritarismo. Eu já passei por momentos bem difíceis no Brasil e sei como é isso, mas por enquanto temos bastante liberdade na imprensa, na movimentação social. Vamos ver como o governo vai se posicionar. Eu, pessoalmente, tenho discrepâncias grandes com a visão de alguns setores do governo, mas isso faz parte do jogo, às vezes você ganha e às vezes você perde. Quando as pessoas que ganham querem evitar que haja a mudança de governo, que haja eleições, que haja liberdade de imprensa, aí complica. Aí você tem uma crise mais profunda. Nós não chegamos a este ponto, ao meu ver.

RFI – Em uma entrevista recente, o senhor falou que, se este governo for de extrema direita, seria oposição. Ainda existe esta dúvida se é ou não um governo de extrema direita?

FHC- Não, não tenho dúvidas. Eu seria oposição de qualquer maneira, eu não votei nele. E eu não votei nesse porque tinha um outro candidato [em quem votar], de um outro partido, e também porque eu não concordo com as ideias que ele expressou durante a campanha. Agora isso não me leva a dizer que o governo vá ser um governo que quebre as regras democráticas, isso é outra coisa. Eu discordo da orientação política e acho que o que eu tentei dizer foi o seguinte: na eleição, não houve uma votação de escolha entre esquerda e direita, entre democracia e ditadura. Isso não estava em jogo. O que estava em jogo era esta irritação da população com a corrupção e pela existência de uma violência espraiada no país. Eles queriam ordem. Foi mais em função de simbolizar a ordem e não estar vinculado a processos corruptivos que levou Bolsonaro à eleição. O que não quer dizer que o governo não tenha dentro dele elementos de direita. Tem.

RFI – E de extrema direita?

FHC – De extrema direita. Com visão bastante reacionária, em alguns setores. Agora, isso vai prevalecer? Aí depende, depende do jogo da sociedade, depende da resistência do Parlamento, da imprensa, não é tão simples assim. As pessoas quando ganham, não fazem tudo o que querem. Eu fui presidente eu não fiz tudo o que eu queria. Não se consegue, a sociedade existe. Então eu acho que a oposição precisa sempre existir. Na democracia, é necessário que exista oposição. Agora oposição, ao meu ver, o que não pode é ser destrutiva, no sentido de dizer que tudo o que vai ser feito pelo governo é errado porque vem do governo. Eu não sei, o que fizer errado eu sou contra. O que não tiver errado, por que eu vou ficar contra? Eu digo errado no sentido do bem-estar do povo, do crescimento da economia, da manutenção das regras democráticas. Se houver e quando houver atentado quanto a estas questões, eu acho que quem está na condição deve protestar, deve reagir.

RFI – O senhor acabou de dizer que não votou em Bolsonaro. Por que não declarou voto ou apoiou a Haddad, num momento tão decisivo da História do Brasil?

FHC – Isso é outra coisa, porque eu nunca estive de acordo também com as posições do PT, que levaram à situação, a este descalabro em que nós estamos. Eu me dou com o Haddad, pessoalmente, e não tenho nada contra ele, pelo contrário. Agora, ele botou uma máscara de Lula. Bom, o Lula fez coisas positivas, sem dúvida, mas ao mesmo tempo é responsável pelas transformações negativas ocorridas na vida política brasileira. Então há momentos em que a gente tem que ter noção de que “pô, eu não tô nem cá, nem lá”, não é a minha escolha, eu não sou obrigado a optar. Se houvesse o risco de quebra da democracia, aí sim. Depende da avaliação. Eu avaliei que não, que nós temos capacidade de resistência. Não vi nestes termos. Eu sei que muitas pessoas do PT dizem: “É o fascismo”. Mas eles não conhecem a História. Não tem fascismo, assim como não tem comunismo. Os dois lados têm esta visão um pouco antiquada. Então eu não sou obrigado a fazer uma escolha, eu não estou escolhendo entre a liberdade e a ditadura, entre o fascismo… Bom, também entre o fascismo e o comunismo fica difícil fazer uma escolha.

RFI – Esta questão se deve ao fato de que aqui na França eles estão acostumados a ver os partidos tradicionais fazerem uma frente republicana contra a extrema direita cada vez que ela chega ao segundo turno de uma eleição. E, poucos dias antes do segundo turno no Brasil, eu fui à Assembleia Nacional francesa e falei com deputados de diversos partidos e tendências que não entendiam por que não houve isso no Brasil.

FHC – Eu sei, eu conheço bem a vida francesa. Mas não houve também nenhum esforço, o PT nunca se mostrou aberto neste sentido, então é difícil encontrar razões [para apoiar]. Fizeram tantas coisas erradas, será que o meu voto vai fortalecer estas coisas erradas? Mas também não vou votar naquele em quem eu não acredito. Eu não vi como uma situação de que o novo governo é uma ameaça à democracia. Neste caso, teria de se fazer uma frente democrática. Mas não foi posto assim lá. Foi posto depois ou na hora do desespero da campanha final. Mas não é o que estava em jogo, eram outras questões que estavam em jogo. Talvez eu esteja equivocado, vamos ver daqui a pouco. Se eu estiver é ruim, porque aí vamos ter de lutar pela liberdade. Eu já lutei outras vezes, eu não teria nenhuma dificuldade, ainda mais agora, a esta altura da vida, eu digo o que eu penso. Eu não achei que valesse a pena comprometer minha posição de pensamento por uma candidatura que se dizia progressista, mas que tem em si as marcas do desastre que houve no Brasil: a estagnação da economia, pauperização, não intencionada, mas como consequência de muitos malfeitos e muita corrupção. A corrupção não era pessoal só, mas das instituições, o que é mais grave.

RFI – Esta corrupção das instituições já não existia antes? Não é um caso crônico do Brasil?

FHC – Não, aí é que está a diferença. Você pode dizer que sempre houve corrupção, sempre haverá, aí é outra coisa. Não é isso não: é a organização da corrupção como base do poder. É outra coisa, muito mais grave. Não é corrupção de A, de B ou de C que é má-conduta pessoal, que está errado, mas além disso você tem aqui a corrupção de um sistema que passava pela utilização de empresas públicas para financiar empresas privadas que financiavam partidos de maneira sistemática. Isso é algo muito contra a democracia, contra a liberdade. E eu não posso escolher este lado contra o outro.

RFI – Qual a sua opinião em relação à Operação Lava Jato, o senhor a apoiou?

FHC – Eu sempre apoiei, mesmo se há exageros. Vou dar um exemplo: um governador do meu partido, do estado de Minas Gerais, foi condenado a 21 anos. O que ele fez? Ele eu não sei se fez, mas algumas pessoas que trabalhavam com ele fizeram um contrato com o governo, que na verdade era para usar dinheiro para a campanha dele. Foi condenado a 21 anos, é um exagero. Como é que você resolve isso? Apelando. Porque a Justiça funciona. Você não pode dizer que há uma perseguição política no Brasil. Há muita gente na política que está sendo condenado, por acusações de corrupção, de mau uso do dinheiro público. Você pode discutir isso na Justiça, pode discutir se a pena é correta. Os juízes da Lava Jato são da primeira instância, depois você recorre à segunda instância e ainda tem o Supremo Tribunal Federal. Então, se todas instâncias dizem que é culpado, o que que eu vou fazer? Ou eu acredito que a Justiça e a democracia existem ou eu faço o quê?

RFI – Voltando ao governo Bolsonaro, já estamos no 14º dia de seu governo, qual a sua avaliação destes primeiros dias? O senhor acha que o fato de o Brasil ter eleito um presidente de extrema direita vai afetar negativamente a imagem do país no exterior e particularmente na França?

FHC – Vamos começar por aí. Afeta. É claro que afeta. A percepção do resto do mundo e particularmente na França é negativa. O governo começou complicado, com a recusa do pacto de imigração, dizer que vai sair da convenção sobre o clima, são posições difíceis de imaginar que o mundo aceite com aplausos. Dentro do governo, tem setores ultraliberais, na parte econômica, setores que são culturalmente atrasados, reacionários, e setores que são fora do mundo, “démodé”.

RFI – E como fazer com que isso funcione? Para que eles se entendam para governar?

FHC – Este é o ponto, é difícil ver. Você vê que, no começo do governo, estão dando muitas cabeçadas, um diz uma coisa, o outro diz outra coisa e tal. Eu sou prudente, eu fui presidente, eu sei que é difícil, não gosto de jogar pedra toda hora e às vezes no começo as pessoas custam a se ajeitar. Mas aí é mais do que isso, são setores muito desencontrados. Eu sou brasileiro em primeiro lugar; o meu partido, para mim, vem depois. Eu quero o bem-estar do povo e tenho uma visão de mundo. Acredito na humanidade, acho que tem valores universais, direitos humanos, essa coisa toda, então eu torço para que não façam erros, não torço para que errem. Deixa ver o que vai acontecer. Mas que estão dando cabeçada, estão.

Fonte: RFI
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“Bolsonaro é Hitler!”, afirma Maduro em meio a tensão com o Brasil

Ataque vem dias depois de o governo brasileiro ter reconhecido um líder oposicionista venezuelano como chefe legítimo
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, discursa em Caracas (REUTERS/Manaure Quintero)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta segunda-feira (14) que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, é um Adolf Hitler moderno, dias depois do governo brasileiro ter reconhecido um líder oposicionista venezuelano como chefe legítimo do país cada vez mais isolado.

No sábado, o Brasil reconheceu Juan Guaido, presidente do Congresso comandado pela oposição venezuelana, como presidente legítimo da Venezuela, depois de Maduro ter tomado posse para um segundo mandato tido como ilegítimo por diversos países.

“Lá temos o Brasil nas mãos de um fascista – Bolsonaro é um Hitler da era moderna!”, disse Maduro durante um pronunciamento à nação.

“Vamos deixar o tema Bolsonaro para o lindo povo do Brasil, que lutará e se encarregará dele.”

O Palácio do Planalto ou o Itamaraty não responderam a pedidos de comentário.

Na sexta-feira, Guaido disse estar preparado para assumir a Presidência depois de líderes oposicionistas considerarem o segundo mandato de Maduro ilegítimo, devido ao que acusam como fraude a favor dele nas eleições de 2018.

Até o momento, Guaido, que foi detido brevemente por agentes de inteligência quando se encaminhava para um comício no domingo, não se declarou presidente.

Fonte:Reuters

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Battisti chega à Itália após quase 40 anos foragido e será levado a presídio em Roma

Cesare Battisti é escoltado nesta segunda-feira (14), após descer de avião que o trouxe da Bolívia até Roma, na Itália — Foto: Alberto Pizzoli / AFP

Italiano chegou a conseguir refúgio no Brasil e depois teve a extradição autorizada, mas fugiu para a Bolívia. Preso no último sábado (12), Battisti irá cumprir pena por 4 assassinatos no seu país.

O avião com o italiano Cesare Battisti chegou ao aeroporto de Ciampino, em Roma, nesta segunda-feira (14) às 8h40 pelo horário de Brasília. Ele desceu do avião escoltado por policiais e sem algemas. Battisti foi entregue pela polícia boliviana às autoridades da Itália na cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde foi preso no último sábado (12).

Um forte esquema de segurança foi montado no aeroporto de Roma para receber Battisti. Ele será levado para um presídio na periferia de Roma. No trajeto, patrulhas fecharão os acessos para que o comboio chegue rapidamente ao local, segundo o jornal “Corriere della Sera”. O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, foi ao aeroporto para receber Battisti, a quem ele chama de “assassino comunista”.
O italiano de 64 anos, que integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, foi condenado à prisão perpétua em 1993 por quatro assassinatos cometidos nos anos 1970 contra um guarda carcerário, um agente de polícia, um militante neofascista e um joalheiro de Milão (o filho do joalheiro ficou paraplégico, depois de também ser atingido).

Ele afirma que nunca matou ninguém e se diz vítima de perseguição política.

Cesare Battisti: a condenação por assassinatos na Itália, a fuga e a prisão na Bolívia; veja cronologia

Foram 37 anos de fuga permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça da Itália. Battisti escapou do seu país na década de 1980, viveu na França, no Brasil e, mais recentemente, havia se escondido na Bolívia.

O italiano chegou a conseguir refúgio no Brasil em 2009. Mas o status, concedido a ele pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi revisto em dezembro do ano passado, por Michel Temer, que autorizou sua extradição. A Polícia Federal fez mais de 30 operações para localizá-lo, mas não teve sucesso.

Plano inicial

Como a entrada de Battisti na Bolívia foi ilegal, a expulsão dele foi requerida pela Itália e acatada pelo governo boliviano.

O plano inicial incluía a volta de Battisti ao Brasil em um avião da Polícia Federal, para depois ser extraditado para a Itália. O governo brasileiro chegou a enviar um avião para Santa Cruz de La Sierra para trazer Battisti, mas a negociação entre os governos da Itália e da Bolívia permitiu a expulsão rápida de Battisti.

Havia um temor da Itália de que uma parada no Brasil pudesse levar a possibilidade de um habeas corpus preventivo, segundo o comentarista da Globo Gerson Camarotti, que conversou com autoridades italianas.

Cesare Battisti chegou a Roma, na Itália, na manhã desta segunda-feira (14) — Foto: Alberto Pizzoli / AFP
Cesare Battisti chegou a Roma, na Itália, na manhã desta segunda-feira (14) — Foto: Alberto Pizzoli / AFP

Possíveis benefícios

Battisti ficará seis meses em regime de isolamento diurno em uma ala destinada a terroristas, de acordo com o jornal “La Repubblica”.

Como os crimes foram cometidos antes de 1991, quando houve uma mudança na legislação italiana, ele terá alguns benefícios, como sair da cadeia por curtos períodos se apresentar bom comportamento depois de ter cumprido 10 anos de pena, de acordo com a correspondente da TV Globo na Itália, Ilze Scamparini. Após ter cumprido 26 anos no cárcere, ele poderá obter liberdade condicional.

Como ele foi julgado à revelia (sem a presença do réu), a defesa também pode tentar um novo julgamento.

Entenda o caso

Tanto os governos de esquerda quanto os de direita queriam que Battisti voltasse à Itália para cumprir a sua pena, e o assunto está ocupando grande parte dos jornais italianos.

Battisti chegou ao Brasil em 2004. Ele foi preso no Rio de Janeiro em março de 2007 por uma ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e agentes italianos e franceses. Dois anos depois, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio.

Em 2007, a Itália pediu a extradição dele e, no fim de 2009, o STF julgou o pedido procedente, mas deixou a palavra final ao presidente da República. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a extradição.

Em setembro de 2017, o governo italiano pediu ao presidente Michel Temer que o Brasil revisasse a decisão sobre Battisti.

No fim do ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF que desse prioridade ao julgamento que poderia resultar na extradição.

Um mês depois do pedido da PGR, o ministro Luiz Fux mandou prender o italiano e abriu caminho para a extradição, no início de dezembro.

Na decisão, o ministro autorizou a prisão, mas disse que caberia ao presidente extraditar ou não o italiano porque as decisões políticas não competem ao Judiciário. No dia seguinte, o então presidente Michel Temer autorizou a extradição de Battisti.

Desde então, a PF deflagrou uma série de operações para prender o italiano. No final de dezembro, a PF já havia feito mais de 30 ações.

Battisti nega envolvimento com os homicídios e se diz vítima de perseguição política. Em entrevista em 2014 ao programa Diálogos, de Mario Sergio Conti, na GloboNews, ele afirmou que nunca matou ninguém.

Por G1
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