Na Venezuela em crise, cada vez mais mães têm sido forçadas a abandonar seus bebês

O abandono ou a entrega de bebês são frequentes na Venezuela — Foto: Guillermo D. Olmo

Com venezuelanos deixando o país por causa da crise e órgãos públicos sem orçamento, o abandono de bebês e as adoções irregulares tornaram-se cada vez mais habituais.
TOPO

“Proibido jogar bebês.”

O impactante aviso, ilustrado com um bebê sendo jogado em um lixo, foi colocado em mais de 300 pontos de Caracas pelo artista venezuelano Eric Mejicano.

Um recém-nascido havia sido abandonado no lixo perto de sua casa, e Mejicano tentou chamar atenção sobre um problema crescente no país.

“Queria que as pessoas se dessem conta de que algo que nunca deveria ser normal está virando o novo normal.”

Na Venezuela, que vive uma de suas piores crises econômicas da história recente, trabalhadores de serviços de saúde e de proteção à infância dizem que os abandonos e entregas irregulares de bebês são cada vez mais habituais.

Nelson Villasmil, membro do Conselho de Proteção da Criança e Adolescente do Município Sucre, disse à BBC que nos últimos tempos viu um aumento nos casos de bebês nascidos de mães adolescentes ou em famílias de poucos recursos que são entregues a outras pessoas à margem dos procedimentos legais para a acolhida e adoção.

Villasmil trabalha em uma região de Caracas afetada pela delinquência e marginalidade. “A crise está favorecendo os atalhos.”

Ele conta que sempre houve casos de mulheres que chegavam pedindo para inscrever um filho que lhes foi “presenteado”, e que isso agora acontece com mais frequência.

Como acontece em outras áreas, o governo da Venezuela está há anos sem divulgar dados oficiais. Logo, a contagem do fenômeno depende dos cálculos dos especialistas e das ONGs.

Leydenth Casanova, vice-presidente da fundação beneficente Colibri, disse em 2018 que sua organização havia detectado um aumento de 70% nos casos de bebês abandonados na rua ou na entrada de dependências públicas.

Nem o Ministério das Comunicações, nem o Instituto Autônomo Conselho Nacional de Direitos das Crianças e Adolescentes, o órgão encarregado por supervisionar os direitos da infância, responderam ao pedido da BBC por informações.

Pagamento alto por inscrição

A adoção de Tomás* foi irregular.

Uma mulher pobre o trouxe ao mundo em um hospital de Caracas em março, mas agora quem o cria é uma família no interior do país.

A ginecologista que fez o parto está acostumada a histórias de mães que têm poucos recursos para criar seus filhos.

“Quase sempre, as mães que não querem tê-los mudam de opinião quando lhes dão o peito pela primeira vez. Mas às vezes não é assim, e então é preciso buscar soluções”, afirma à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

A médica entrou em contato com Tânia*, uma de suas pacientes, e perguntou se queria ficar com ele.

“Era preciso decidir rápido, para poder resolver os documentos a tempo”, ela lembra em uma conversa com a BBC Mundo. No final, foi uma amiga sua que ficou com o bebê.

Teve de pagar US$250 (R$ 1.122) para que o bebê fosse inscrito como seu filho.

“Nunca havia feito algo assim, mas na Venezuela os circuitos regulares não funcionam e essa criança ia passar muita necessidade em um orfanato”, explica Tânia, que não se arrepende do que fez.

Umas semanas atrás, Tomás começou a caminhar. Segundo sua nova família, ele cresce são e feliz.

A BBC soube por trabalhadores médicos e trabalhadores de serviços sociais de outros casos similares.

Em abril, um recém-nascido foi retirado do Hospital Pablo Acosta Ortiz da cidade de São Fernando de Apure.

Há poucas semanas, um médico do Hospital Materno Infantil de Petare, em Caracas, foi detido com sua mulher depois que policiais localizaram em sua casa um menor desaparecido e descobriram que a dupla o havia inscrito como seu filho de modo fraudulento.

Nos últimos dias de 2019, o caso de uma jovem grávida que dizia haver sofrido um aborto espontâneo levantou suspeitas de médicos do hospital Domingo Luciani, de Caracas. Exigiram que entregasse o feto como prova de que seu relato era correto.

No dia seguinte, a avó apareceu com a criança. Ela havia sido fruto de uma gravidez não desejada e a mãe havia optado por entregar-lhe a um terceiro desconhecido, ignorando todos os requisitos legais.

Uma mãe pega em uma armadilha

Algumas mães venezuelanas inclusive tornaram-se vítimas das redes internacionais de tráfico.

Foi o que aconteceu com Isabel no verão de 2018.

Ela estava grávida de seu segundo filho e seu marido havia acabado de morrer. Um amigo cirurgião plástico propôs que ela viajasse à ilha vizinha de Trinidad para lhe entregar para adoção por meio de uma conhecida colombiana que, segundo lhe disseram, se ocuparia de “fazer tudo de maneira legal”.

Foi viajar para conhecer o casal que queria adotá-lo, mas diz que nunca se comprometeu a entregar a criança.

“Quando aterrissei em Trindad me dei conta de que havia caído em uma rede de tráfico de pessoas”, conta.

“Ao contrário do que haviam me prometido, não tinham comprado passagem de volta à Venezuela.”

Passou dias em uma casa de que não podia sair livremente, até que deu à luz em uma clínica local um bebê prematuro.

“Então decidi ficar com ele, mas a colombiana logo apareceu com um advogado. Me disseram para assinar uns papéis em inglês que eu não entendia e que entregasse meus filho”, afirmou.

Os “novos pais”, um casal formado por uma italiana e um indiano, esperaram no estacionamento do hospital.

Isabel diz ter negado, mas que as pressões aumentaram ao longo das semanas.

“Me tiraram os alimentos, os panos e os remédios e não me deixavam sair. No final, tive que deixar meu filho para salvar sua vida e poder voltar à Venezuela e pedir ajuda”, diz entre lágrimas à BBC.

As autoridades de seu país não lhe prestaram ajuda, mas ela conseguiu apoio da ONG Defiende Venezuela. Com ela, começou uma batalha legal nos tribunais de Trinidad que ainda não terminou.

O filho está agora em um centro tutelado pelo governo e ela só pode vê-lo durante uma hora por semana.

O seu é um dos mais de cerca de 930 mil casos de menores que foram separados de seus pais migrantes no êxodo venezuelano, segundo os cálculos da Cecodap, uma ONG dedicada à defesa de direitos dos menores.

Sem anticonceptivos nem aborto legal

Os especialistas identificaram as causas por trás de um problema visível nas ruas venezuelanas, especialmente as mais populares.

Um informe publicado em 2018 pela Cecodap apontou a escassez e o custo alto de anticonceptivos como uma das razões pelo alto índice de gravidez não desejada.

Também denunciava as carências em relação à educação sexual, o que conduz a “uma clara vulnerabilidade dos direitos sexuais e reprodutivos das adolescentes venezuelanas, que têm cerceada a possibilidade de decidir sobre sua sexualidade e controlar sua reprodução”.

A lei venezuelana sobre o aborto é, além disso, muito restritiva, e só permite o aborto em casos de perigo à vida da mãe, o que, segundo ativistas feministas, aumenta os riscos derivados das interrupções clandestinas da gravidez.

Dessa forma, muitas mulheres jovens optaram diretamente pelo abandono.

“Aqui encontramos que muitas vezes as mães, sobretudo as adolescentes, não querem levar seus filhos depois de dar à luz”, explica uma trabalhadora sanitária da maternidade Concepción Palacios, uma das mais concorridas de Caracas.

Segundo conta, agora são três as crianças que vivem sob os cuidados dos funcionários do centro sanitário. “Às vezes passam meses aqui. Eu acabei me apegando a mais de um”, diz.

Por que não se adota legalmente

As Villas de los Chiquiticos, o centro de acolhida a menores que a fundação Fundana tem em Caracas, vive nos últimos tempos no limite de sua capacidade. Seus responsáveis asseguram que têm mais do que nunca crianças necessitados de uma família.

Casais heterossexuais de idade mediana vão para lá em busca de filhos e são aconselhados para solicitar, antes da adoção, uma medida temporária de acolhida.

A adoção legal se encontra em uma “situação catastrófica”, afirma a pesquisadora Angeyeimar Gil, por ser “muito burocrática e sem seguir as regras internacionais”, o que faz a acolhida uma opção mais rápida e confiável para as famílias que queiram receber um menor de forma legal.

A Lei Orgânica de Proteção das Ciranças e Adolescentes (LOPNNA), aprovada em 1998, estabelece claramente as condições e etapas para o cumprimento do processo legal de adoção, mas os especialistas indicam que o espírito garantista da lei se choca com a realidade da precariedade dos órgãos públicos competentes nos últimos anos por causa da crise.

A LOPNNA atribui um papel chave à instituição dos Conselhos de Proteção, que são encarregados de ditar as primeiras medidas de acolhida, mas os conselhos trabalham com cada vez menos recursos.

“Antes, seus técnicos se deslocavam e faziam um acompanhamento dos casos, mas agora já não têm meios para isso”, diz uma cuidadora.

Os salários baixos de seus integrantes, que na maioria dos casos não superam o equivalente a US$ 8 mensais (R$ 36), fez que muitos abandonassem os postos e levou à contratação de pessoal sem qualificação para trabalhar em uma área tão sensível como a da proteção à infância, denunciam.

A isso soma-se o engarrafamento dos Tribunais de Proteção e o Idenna, a quem corresponde checar a idoneidade das famílias candidatas à adoção.

“Ao final, é o Idenna que acaba decidindo arbitrariamente”, lamenta Gil.

Crianças sem identidade

São muitos os fatores que contribuem com os mercados irregulares de adoção e colocam as crianças em situação de vulnerabilidade.

A Cecodap descreve como um “desmantelamento” o que ocorreu nos últimos anos com o sistema de proteção à infância na Venezuela.

As carências são tais que às vezes dificultam inclusive que os recém-nascidos recebam um nome e uma nacionalidade.

Uma investigação do portal de notícias Crónica Uno revelou em 2018 que a escassez do papel com que se elaboram as certidões de nascimento levou a que durante meses recém-nascidos de todo o país deixassem os hospitais sem o documento.

Consequentemente, era impossível inscrevê-los devidamente no Registro Civil, o que abria portas a diversas irregularidades.

Angeyeimar Gil elaborou um informe sobre o tema em que denunciou que a “violação ao direito à identidade” supõe “um fator de risco para situações de tráfico de pessoas, comércio de órgãos e sequestro”.

Para Nelson Villasmil, a situação atual da Venezuela só permite uma conclusão clara.

   “Ser uma criança hoje em dia neste país é muito triste.”

*Os nomes acompanhados de um asterisco nesta matéria são fictícios. A identidade de algumas fontes foi ocultada para protegê-las.

Por Guillermo D. Olmo, BBC

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Brasil e Estados Unidos assinam acordo militar

O acordo RDT&E, que na tradução significa Pesquisa, Desenvolvimento, Testes e Avaliações, facilita o desenvolvimento e pesquisa de tecnologias emergentes – (Foto:Alan Santos / PR)

Sob os olhares do presidente Jair Bolsonaro, o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, brigadeiro Raul Botelho, e o almirante Craig Faller, comandante do U.S. Southern Command (SouthCom, o Comando Sul, na sigla em inglês), assinaram o acordo militar que aprofunda a cooperação em defesa do Brasil com os Estados Unidos. Autoridades do governo brasileiro afirmam que o acordo poderá ampliar a presença da indústria bélica do País no mercado americano.

A medida é o principal anúncio da viagem do presidente à Flórida e foi oficializada em visita de Bolsonaro ao Comando Sul, que supervisiona as Forças Armadas dos EUA na América Latina e Caribe, na cidade de Doral, perto de Miami. O acordo se insere na política do governo de aproximação cada vez maior do Brasil com os EUA.

O acordo RDT&E, que na tradução significa Pesquisa, Desenvolvimento, Testes e Avaliações, facilita o desenvolvimento e pesquisa de tecnologias emergentes e harmoniza produtos de defesa com as especificações americanas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A ideia começou a ser negociado em 2017, no governo Michel Temer, e as tratativas saíram do papel depois da designação do Brasil como um aliado preferencial fora da OTAN. A classificação foi anunciada pelos EUA em março do ano passado, no âmbito da visita de Bolsonaro ao presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca.

“Assinamos um acordo histórico hoje, que abrirá caminho para compartilhamento ainda maior de experiências e informações”, , afirmou o almirante Faller, da Marinha dos EUA. “Trabalhamos muito próximos das nossas nações aliadas.”

O Brasil é o primeiro país da América Latina a integrar o acordo “Hoje assinamos mais um acordo inédito com os EUA, que poucos países têm”, afirmou o ministro da Defesa do Brasil, Fernando de Azevedo e Silva. O País é ainda o primeiro do hemisfério Sul a entrar para o clube de parceiros americanos, que inclui França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Índia, Suécia, Estônia, Finlândia, Noruega e Coreia do Sul. O acordo agora deve ser ratificado pelos parlamentos dos dois países. O Palácio do Planalto espera que ele não enfrente grande oposição no Congresso, em razão dos benefícios que pode trazer para a indústria brasileira.

Financiamento

O RDT&E não envolve financiamento de projetos ou de aquisição de produtos. Mas o acordo permite que se negocie a adesão ao RDT&E Fund, que comporta o acesso ao fundo americano. O acordo de hoje estabelece os critérios jurídicos para cooperação, bem como as áreas das parcerias.

O custo de cada projeto será definido caso a caso e, para cada um deles, será necessário assinar um termo específico dentro do RDT&E. Já o RDT&E Fund é um novo passo, que não se confunde com o primeiro, e serve para custear especificamente a parte americana dos projetos, sejam eles individuais dos EUA ou compartilhados com parceiros. A parte do Brasil é não é financiado por este fundo.

Há, no entanto, a possibilidade de o lado americano contratar empresas brasileiras para desenvolver a parte americana da cooperação. Neste caso, as empresas contratadas pelo lado americano poderão ser pagas com o RDT&E Fund.

Por isso, o acordo assinado hoje é visto como uma abertura de portas, não apenas para cooperação técnica e acesso a tecnologias, mas também como um passo adiante para que se estabeleça a aliança comercial. Essa ampliação está em discussão entre os dois governos e pode ser o próximo passo para as relações militares entre os países. Atualmente, o setor da indústria de Defesa no Brasil – estatal e privado – mantém 250 mil empregos diretos e indiretos, em áreas que vão desde fabricação de munição até a construção de mísseis e foguetes.

Segundo estudo do Ministério da Defesa de dezembro, o Brasil ocupava a 11.ª posição no ranking internacional de gastos de Defesa, com US$ 27,8 bilhões. Destes, cerca de 70% cobriram despesas com pessoal ativo e inativo e apenas 11% eram investimentos. A relação entre o PIB e os gastos com defesa, que estava em tendência de queda desde 2010, começou a aumentar a partir de 2016, pulando de 1,35% para 1,51% do PIB brasileiro em 2018. A Marinha, com o projeto dos submarinos convencionais e nuclear e a aquisição de fragatas, respondia por 50% dos investimentos na área, seguida pela Força Aérea, com a renovação de seus caças, com 27% dos investimento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por:Estadão Conteúdo

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Argentina deixa de vender trigo para o Brasil e preço do pão francês deve aumentar 20% no MT

Preço do quilo do pão francês deve aumentar 20% — Foto: TV Cabo Branco/Reprodução

Mato Grosso consome 15 mil toneladas de trigo mensalmente. Desse total, 5 mil toneladas vêm da Argentina e o restante é produzido nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.

O preço do pão francês deve ter aumento de 20% nos próximos dias, segundo informações do Sindicato das Indústrias de Panificação de Mato Grosso (Sindipan).

Um dos motivos para justificar o aumento é que a Argentina, principal fornecedora da commodity, aumentou as vendas para outros mercados, como os países asiáticos, e ficou sem estoque suficiente para atender as necessidades internas e a demanda brasileira.

Conforme Rodrigo Nogueira, diretor do Sindipan, em novembro do ano passado a Argentina comunicou ao Brasil que não poderia mais fornecer o produto. O preço do quilo do pão francês em Mato Grosso varia entre R$ 13 e R$ 15 atualmente. Esse valor vem sendo praticado desde o ano passado, mesmo quando o dólar ultrapassou a casa de R$ 2,80.

Mato Grosso consome 15 mil toneladas de trigo mensalmente. Desse total, 5 mil toneladas vêm da Argentina e o restante é produzido nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná.

A alternativa encontrada é importar o produto dos Estados Unidos e Canadá. Ocorre que a Argentina faz parte do Mercosul, área de livre comércio, sem impostos. Já nos Estados Unidos e Canadá, a alta do dólar pode impactar diretamente no valor.

Segundo Pedro Máximo, coordenador do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), se a moeda brasileira está desvalorizando, o ganho que a Argentina tinha em relação ao Brasil começa a cair.

“Então a Argentina começa a identificar outros países para os quais ela pode exportar seus produtos porque se o Brasil tiver uma performance pior, a Argentina vai suplantar com esses outros compradores. Todo esse cenário aponta que a Argentina comece a exportar para outros países e aí o Brasil vai ter que comprar de outros fornecedores, a exemplo dos Estados Unidos e outros produtores de trigo. Quando comprar de outros países, por conta do real estar desvalorizado, a gente pode ter um aumento de até 20% no preço do pão francês”, diz ele.
Por Flávia Borges, G1 MT
05/03/2020 20h06
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Cientistas identificam proteína que transporta o novo coronavírus

(Foto:Reprodução) – Resultado pode facilitar desenvolvimento de terapias antivirais

Uma equipe de cientistas chineses identificou a estrutura completa da proteína ACE2, que o coronavírus usa para entrar nas células humanas, o que pode facilitar o desenvolvimento de possíveis terapias antivirais.

O estudo, publicado na revista científica Science, é assinado por investigadores de três instituições da China, país onde o coronavírus, que provoca a doença Covid-19, foi detectado pela primeira vez, no fim do ano passado.

“A nossa descoberta não só ajuda a compreender a mecânica da infecção viral” como também “facilita o desenvolvimento de técnicas de detecção do vírus e possíveis terapias antivirais”, dizem os autores do estudo, citados na revista.

A equipe, liderada por Renhong Yan, do Instituto Westlake de Estudos Avançados, analisou e descreveu a estrutura da proteína ACE2, que não se conhecia totalmente até agora.

É a proteína ACE2 que o novo coronavírus “sequestra” para entrar nas células humanas.

Números do novo coronavírus

O surto de Covid-19, detectado em dezembro na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou cerca de 3.200 mortos e infectou mais de 94 mil pessoas em 80 países.

Das pessoas infectadas, cerca de 50 mil se recuperaram.

Há ainda registro de mortes no Irã, na Itália, Coreia do Sul, no Japão, na França, em Hong Kong, Taiwan, na Austrália, Tailândia, nos Estados Unidos, nas Filipinas e no Iraque.

Por:Estadão Conteúdo

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Mãe é condenada a 33 anos de prisão por matar filho para sair de férias

(Foto:Montagem / Reprodução) – A mulher é acusada de se desfazer do corpo em um rio

Uma mulher teve o pedido de redução de pena negado. Ela foi condenada a 33 anos de prisão por ter matado o próprio filho para poder sair de férias. Ela é acusada, ainda, de se desfazer do corpo em um rio na região de Pula, na Croácia.

Chiara Pasic tem 33 anos e cometeu o crime em 2018. Ela sufocou o filho de três anos com uma almofada até que ele perdesse os sentidos e morresse. Depois, ela largou o corpo em um rio. O crime foi cometido para que ela pudesse fazer uma viagem à Macedônia.

Uma adolescente de 15 anos também foi condenada pelo crime, mas como cúmplice. Ela segurou a almofada enquanto a mulher impedia o bebê de mover os braços e pernas. A jovem deve ficar em um centro de detenção juvenil por três anos, na cidade croata de Pozega.

Após se desfazer do corpo do filho, a mãe ligou para a polícia denunciando o desaparecimento da criança, dizendo que a última vez que tinha visto o menino teria sido num parque. Foram levantadas suspeitas imediatamente, levando a mulher a admitir o crime numa questão de horas.

Por:Redação Integrada com informações de Correio da Manhã

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Equador registra seis casos de coronavírus

(Foto:Reprodução/Agência Brasil) – O Ministério da Saúde do Equador confirmou nesta segunda-feira (2) que o país tem 6 casos confirmados do novo coronavírus (Covid – 19).

Autoridades pedem tranquilidade à população

Um comunicado oficial divulgado nesta segunda pelo Ministério de Saúde Pública, afirma que “a primeira paciente detectada com Covid-19 continua na área de cuidados intensivos de um dos 15 hospitais adequados para tratar essa patologia. Nesta data, comunicamos que seu estado de saúde não variou e que seu prognóstico é reservado”.

Ainda de acordo com o comunicado, os outros cinco pacientes confirmados têm sintomas leves e permanecem isolados em suas casas sob controle e vigilância epidemiológica.

Ontem, em uma coletiva de imprensa, a ministra de Saúde do Equador, Carolina Andramuño, pediu tranquilidade à população e reforçou que o mais importante é a prevenção. “Sejamos corresponsáveis, reforcemos as medidas sanitárias como a lavagem constante das mãos”.

“Do núcleo familiar primário, ou seja, o mais próximo do caso da mulher confirmada (com o vírus), foram encontrados cinco casos positivos para o Covid-19, que são levemente sintomáticos; estamos monitorando-os, controlando-os”, afirmou a ministra.

O primeiro caso confirmado no Equador é de uma senhora equatoriana de 70 anos, que mora na Espanha e chegou ao país em um voo direto de Madri, no dia 14 de fevereiro. O caso foi diagnosticado na cidade de Guayaquil, situada a oeste do país, e é grave.

O governo confirmou ainda que outros 177 cidadãos equatorianos estão com suspeita da doença e são monitorados.

O presidente do Equador, Lenín Moreno, escreveu hoje em sua conta no Twitter: “Irmãs e irmãos equatorianos: a pior epidemia é o pânico. O pior vírus é o rumor. Vamos combatê-los com certezas, com verdades, com transparência!”.

No domingo (1), o presidente havia publicado a seguinte mensagem: “Trabalhamos sem parar. Diante de um sintoma como tosse, febre ou problemas respiratórios, ligue para o 171 (número de emergência do Equador) e receberá atenção imediata. A melhor maneira de nos cuidarmos é estarmos bem informados para tomar as devidas precauções”.

Por:Reuters

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25 perguntas e respostas para entender tudo que importa sobre o novo coronavírus

(Foto:© BBC) – O novo coronavírus infectou mais de 83 mil pessoas em 53 países e territórios em cinco continentes desde o surgimento da doença, em dezembro passado. Ao menos 2.858 morreram.

O surto começou na China, que concentra 95% dos casos. Mas, nas últimas semanas, o número dos novos pacientes tem caído, e o país, pela primeira vez desde então, deixou de concentrar a maioria dos novos casos que surgem todos os dias.

A chegada da doença ao Brasil, que confirmou um caso e investiga outros 300 suspeitos, ampliou o compartilhamento de informações — nem sempre verdadeiras — sobre o nível atual da crise e como se proteger da doença. Autoridades falam em “infodemia”, ou seja, uma “epidemia de informações falsas”.

A BBC News Brasil reuniu 25 dúvidas que surgiram desde o início do surto. Há perguntas sobre sintomas, o que fazer em caso de suspeita da doença, dicas compartilhadas em redes sociais, taxa de mortalidade, formas de prevenção, impacto econômico e alastramento do vírus no Brasil, entre outros tópicos.

As respostas abaixo se baseiam em dados que vêm de infectologistas e virologistas entrevistados pela reportagem e de fontes oficiais como a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde brasileiro, o Serviço de Saúde do Reino Unido e os centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e da China.
1. Quais são os sintomas da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus?

Os principais são: febre, tosse e dificuldade para respirar. Em um número menor de casos há espirro e coriza. Em geral, após uma semana, a doença causa dificuldade para respirar e alguns pacientes necessitam de tratamento hospitalar.

Mas nem sempre todos esses sintomas aparecem.

2. Estou com sintomas parecidos. Devo ir ao hospital?

Por ora, no Brasil, um caso tem que se encaixar em uma combinação de critérios para ser considerado suspeito. Primeiro, a pessoa precisa ter viajado para alguma área em que o vírus esteja circulando, como a China ou a Itália, ou ter tido contato próximo com alguém que tenha viajado para lá.

Contato próximo significa ter contato direto ou estar a aproximadamente dois metros de um paciente com suspeita de novo coronavírus dentro do mesmo ambiente, por um período prolongado.

Depois, a pessoa que suspeita estar doente precisa ter febre e/ou precisa ter pelo menos um sinal ou sintoma respiratório, como tosse ou dificuldade para respirar.

Caso se encaixe nesses critérios, especialistas e autoridades brasileiros afirmam que essa pessoa deve ir a uma unidade de saúde, preferencialmente procurar um lugar em que seja possível fazer diagnóstico de coronavírus — nesse caso, hospitais, em vez de unidades básicas de saúde.
3. Quão letal é o novo coronavírus?

A taxa de letalidade da doença provocada pelo novo coronavírus é estimada em 2,3%. Ou seja, a cada 100 pessoas que contraem o vírus, em média, pouco mais de duas morrem.

É muito quando comparada à taxa de mortalidade da gripe comum, de menos de 0,1%, mas pouco quando comparada a quantos morreram, por exemplo, com a Sars, doença ligada a outro coronavírus que surgiu na China em 2002 e registrou taxa de mortalidade de cerca de 10%.
Taxa de mortalidade por coronavírus por idade. . . © Fornecido por BBC News Taxa de mortalidade por coronavírus por idade. . .

Mas esses dados estatísticos não são precisos porque milhares de pacientes em tratamento ainda podem morrer, o que elevaria a taxa de mortalidade. Por outro lado, também não está claro quantos casos leves podem não ter sido reportados, então a taxa de mortalidade também pode ser menor.
4. Quantas pessoas sobrevivem ao coronavírus?

No surto atual, com base em dados de 44 mil pacientes infectados pelo novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde informa que:

81% desenvolvem sintomas leves;
14% desenvolvem sintomas graves;
5% ficam em estado crítico;
não foram registradas mortes de crianças de até 9 anos.

O infectologista Luis Fernando Aranha Camargo, do Hospital Israelita Albert Einstein, ressalta, no entanto, que não se sabe ainda a respeito da sobrevida desses pacientes, o que vai acontecer a longo prazo.

Por isso, não é possível ainda fazer afirmações categóricas sobre os pacientes recuperados.
5. O coronavírus tem cura?

Não existe vacina ou tratamento contra o vírus até agora. Quando o ciclo do vírus termina — ou seja, você adquire a doença, mas, depois de um tempo, os sintomas desaparecem completamente — você estaria teoricamente curado. É a chamada cura espontânea.

Mas não se sabe, por exemplo, se nosso corpo adquire imunidade ao vírus após o primeiro contágio. China e Japão relataram casos de pacientes que pareciam ter se curado, mas voltaram a manifestar a doença — não se sabe, porém, se foram infectados uma segunda vez ou apenas tiveram uma recaída da primeira infecção.
Várias combinações de medicamentos estão sendo testadas para tratar a doença causada pelo coronavírus © Getty Images Várias combinações de medicamentos estão sendo testadas para tratar a doença causada pelo coronavírus

E há precedentes nesse sentido: mesmo infectado uma vez, nosso corpo não cria imunidade contra o vírus da influenza, por exemplo, como destaca o médico Luis Fernando Aranha Camargo. Por isso, aliás, que existe vacina contra ele.
6. Uma pessoa pode ser infectada pelo novo coronavírus duas vezes?

Há muitas coisas que os cientistas não sabem sobre esse novo vírus. E isso inclui a possibilidade de uma pessoa ser infectada duas vezes ou mais. Até então, acreditava-se que isso não fosse possível, tendo em vista o que se sabe sobre outras infecções virais respiratórias.

Mas informações divulgadas por autoridades da China e do Japão lançaram dúvidas sobre isso: algumas pessoas que já haviam se recuperado da doença foram diagnosticadas novamente com o vírus. Mas ainda é muito cedo para afirmar se isso é possível ou houve, por exemplo, alguma falha de diagnóstico.
7. A transmissão é rápida? Passa pela tosse?

Centenas de novos casos estão sendo registrados todos os dias. No entanto, os analistas acreditam que a real dimensão do surto pode ser 10 vezes maior que os números oficiais indicam.

Estima-se que no surto atual cada pessoa infectada passou a doença para menos de três pessoas, em média.

Em geral, todos os vírus que afetam o trato respiratório são transmitidos pela via aérea ou pelo contato das mãos com a boca ou com os olhos — respirando no mesmo ambiente, tocando algo que uma pessoa infectada tocou, por exemplo.
Surto começou na cidade chinesa de Wuhan e já se espalhou para diversos países © Getty Images Surto começou na cidade chinesa de Wuhan e já se espalhou para diversos países

Até agora, a grande maioria dos casos do novo coronavírus registrados foram transmitidos entre pessoas com contato próximo, como familiares ou amigos e profissionais de saúde.

A definição de contato próximo do Ministério da Saúde brasileiro é “estar a dois metros de um paciente com suspeita de caso por 2019-nCoV, dentro da mesma sala ou área de atendimento (ou aeronaves ou outros meios de transporte), por um período prolongado, sem uso de equipamento de proteção individual. Ou cuidar, morar, visitar ou compartilhar uma área ou sala de espera de assistência médica”.
8. Se a taxa de mortalidade é relativamente baixa, por que tanta preocupação?

Em primeiro lugar, o fato de estarmos diante de um novo vírus sempre gera uma preocupação maior porque não se sabe exatamente como ele se comporta, o quão facilmente sofre mutações.

Não é possível afirmar com certeza, por exemplo, se uma pessoa que foi infectada, mas ainda não apresenta sintomas, pode infectar outras.

O contágio assintomático durante o período de incubação (que varia entre 1 e 14 dias) é uma possibilidade bastante grande, segundo as autoridades de saúde, mas isso não está 100% comprovado.
Ainda não se sabe o quanto o vírus se propaga durante o período de incubação © Getty Images Ainda não se sabe o quanto o vírus se propaga durante o período de incubação

Se confirmado, no entanto, significaria que o vírus tem uma capacidade de se alastrar maior do que a de outros agentes patogênicos, como o ebola ou o sarampo, em que o contágio só acontece quando há sintomas.

Além disso, não há imunidade na população para um novo vírus que surge de repente e se espalha rapidamente. Isso faz com que essa taxa relativamente pequena de mortos acabe representando um número absoluto alto de fatalidades.

Nesse sentido, preocupa a possibilidade de chegada do vírus a países com sistemas de saúde pública mais frágeis, com menos recursos, com menor capacidade para lidar com um volume alto de doentes de uma vez só.

Aliás, a OMS destacou recentemente que o Brasil tem um histórico de lidar com surtos e epidemias, com o caso recente da zika, que pode ajudar na luta contra a disseminação da doença.

Medidas como quarentenas e suspensão das aulas assustam e causam transtornos, mas especialistas apontam que esse tipo de medida é eficaz para conter o surto, como tem acontecido na China.

“Essas ações podem ser disruptivas e ter impacto econômico e social em indivíduos e comunidades. No entanto, estudos mostram que a adoção em etapas dessas intervenções podem reduzir a transmissão em comunidades”, explica o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
9. É verdade que o vírus não sobrevive no calor?

Essa foi uma dúvida que surgiu depois que o ministro da Saúde brasileiro afirmou que não sabemos ainda qual vai ser o comportamento do vírus aqui porque estamos no verão.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, o NHS, de forma geral as temperaturas mais baixas aumentam o tempo de sobrevivência do vírus da gripe no ar. No calor, portanto, a sobrevida deles fora do corpo é menor.

Além disso, há ainda o fato de que no frio as pessoas tendem a ficar mais em ambientes fechados, o que favorece a propagação de doenças respiratórias.

Camargo, infectologista do Einstein, ressalta, entretanto, que, como nós não conhecemos totalmente as características do vírus, não conseguimos inferir como vai ser o comportamento dele no Brasil.
Ministério da Saúde brasileiro diz que ampliação de países usados como critério para diagnóstico levou a aumento súbito das notificações © Reuters Ministério da Saúde brasileiro diz que ampliação de países usados como critério para diagnóstico levou a aumento súbito das notificações

O país já teve surto de influenza em meses de outono, ele lembra, uma estação relativamente quente. Sem falar que o Brasil está passando por um verão bem chuvoso, mais do que a média, que acabou derrubando as temperaturas em alguns dias.

Por outro lado, é importante lembrar que uma variedade diferente de coronavírus — causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), por exemplo — surgiu no verão, na Arábia Saudita, então não há garantias de que o clima mais quente interrompa o surto.
10. Tomar chá quente mata o vírus? Evitar boca seca mata o vírus?

Essas dicas vêm sendo compartilhadas nas redes sociais e são falsas, segundo Camargo, infectologista do Einstein. Ele disse que chegou a receber pelo WhatsApp a segunda, que dizia que médicos japoneses tinham recomendado às pessoas que bebessem água porque o vírus iria para o estômago e lá seria destruído pelos ácidos estomacais.

Segundo o Ministério da Saúde, até o momento não há nenhum medicamento, substância, infusão, óleo essencial, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir ou tratar a infecção pelo novo coronavírus. Isso vale para todas as fake news envolvendo chá quente, vitamina C, vitamina D e bebida alcoólica, entre outras.

Camargo ainda acrescenta: a informação mais confiável nesse sentido é aquela publicada em periódicos médicos, que tenha sido comprovada com pesquisa. Sites como o The Lancet e o Journal of the American Medical Association têm reunido boa parte do que tem saído em termos de pesquisas médicas sobre o coronavírus.
11. O que funciona, então, para combater o vírus?

Lavar as mãos com frequência é básico e é o que vem sendo apontado como mais eficaz;
Não botar a mão na boca, no nariz ou nos olhos também evita levar o vírus para as mucosas do corpo, por onde ele também entra. Entra também por via aérea, ou seja, alguém tosse, espirra e você respira aquilo;
É fundamental usar lenço na hora que tossir ou espirrar e jogar aquele papel fora na hora;
Não há evidências científicas de que as máscaras cirúrgicas sejam eficazes;
Manter hábitos saudáveis para fortalecer a imunidade. Ou seja, dormir a quantidade de horas certas para a sua idade, alimentar-se bem, manter-se hidratado, fazer exercícios físicos regularmente e tentar reduzir o estresse;
E, claro, se você tem uma gripe, evite o contato com outras pessoas, mas principalmente com idosos. Isso pode abrir caminho, por exemplo, para uma infecção cruzada de dois vírus da gripe diferentes que, claro, vão sobrecarregar o sistema imunológico da pessoa.

12. Já que tocamos nesse assunto, por que idosos são principais vítimas fatais?

De fato, a taxa de mortalidade do novo coronavírus aumenta a partir dos 60 anos e chega a 15% para quem tem mais de 80 anos. Por dois motivos: a imunidade a partir dos 60 anos perde força, o que deixa a pessoa mais suscetível a algumas doenças e também com capacidade comprometida de lutar contra infecções.

Ocorre também que as células do sistema imunológico que deveriam apenas matar as células infectadas acabam atingindo também aquelas que estão sadias.

Além disso, existem as chamadas comorbidades. A chance de alguém com mais de 60 anos ter outros problemas como diabetes, pressão alta, problemas cardíacos, entre outros, é maior, o que gera um peso adicional no corpo na hora de lutar contra um novo vírus.
13. O que explica a baixa incidência do coronavírus em crianças?

A resposta não é simples e há pelo menos três hipóteses, mas nenhuma delas ainda foi comprovada:

as crianças teriam um sistema imunológico mais forte, levando a menos complicações e, consequentemente, menos diagnósticos oficiais;
o início do surto coincidiu com o período de recesso escolar, expondo as crianças a menor risco de contágio, e os adultos tendem a agir mais como cuidadores nessas situações, mandando a criança para casa de um parente caso alguém esteja doente, por exemplo;
há também a possibilidade de o coronavírus ser mais um do rol de vírus com sintomas mais brandos em crianças, como o da catapora, o que também gera menor detecção formal pelo sistema de saúde.

14. Estou grávida, devo me preocupar?

Especialistas e autoridades afirmam não haver motivo para acreditar que mulheres grávidas ou os bebês sejam mais suscetíveis aos efeitos do novo coronavírus do que qualquer outra pessoa.

Também não há qualquer indício de que o vírus possa ser contraído no útero.
15. Ter asma é um fator de risco? O coronavírus pode causar um ataque?

Infecções respiratórias, como o novo coronavírus, podem servir de gatilho para sintomas de asma.

A entidade Asthma UK recomenda àqueles que estiverem preocupados com o vírus que sigam uma série de passos para cuidar da saúde.
Infecções respiratórias podem disparar para sintomas de asma © Asthma UK Infecções respiratórias podem disparar para sintomas de asma

Isso inclui, por exemplo, portar seu inalador preventivo no dia a dia. Ele ajuda a interromper o risco de um ataque de asma ser disparado por qualquer vírus respiratório, incluindo o novo coronavírus.

Mas se a falta de ar e outros sintomas piorarem, procure atendimento médico.
16. Como detectar se a pessoa está doente?

Em geral, numa doença como esta, amostras de secreção respiratória são levadas ao laboratório. Ali, técnicas de detecção de material genético viral podem identificar a presença do agente infeccioso.

Mas durante o surto atual a China ampliou sua metodologia e passou a considerar um caso confirmado também por meio de diagnóstico clínico associado a um exame de imagem do pulmão.

A mudança, segundo as autoridades chinesas, visava a dar mais celeridade ao tratamento e ao isolamento dos pacientes infectados com a doença, além de ampliar o escopo de quem precisa ser monitorado por eventuais sintomas.
Parte dos especialistas também questiona a precisão dos exames de laboratório, depois que surgiram relatos em diversos países de pessoas que receberam até seis resultados negativos para a doença até que finalmente a análise apontou a presença do novo coronavírus. Mas, no estágio atual do surto, é impossível dizer exatamente o que está acontecendo.
17. Por que o primeiro paciente com coronavírus no Brasil vai ficar em quarentena em casa?

A quarentena domiciliar está entre as medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para pacientes que estão em bom estado clínico, sem necessidade de internação.

No hospital, aumentam as chances de que mais pessoas entrem em contato com o paciente, podendo propagar doenças entre outras pessoas que estão em situações mais graves e com a imunidade baixa.

Há também o risco de que a pessoa infectada pelo novo coronavírus seja atingida por outras doenças que circulam no hospital.

A quarentena em casa é também uma forma de tentar evitar que os hospitais fiquem sobrecarregados.

As pessoas em quarentena domiciliar devem ter cuidados redobrados com a higiene, como usar máscara quando tiverem contato direto com outras, lavar as mãos com frequência, usar álcool em gel e não compartilhar objetos de uso pessoal — como talheres, copos e toalhas.
18. Por que o número de casos suspeitos no Brasil aumentou?

O número de casos suspeitos do novo coronavírus no país deu um salto pelo menos 1.500% em um dia, após a confirmação do primeiro brasileiro contaminado.

Segundo o Ministério de Saúde, há algumas hipóteses que podem explicar o salto.

Em menos de uma semana, a lista de países que fazem parte dos critérios adotados para identificação de casos suspeitos cresceu significativamente: passou de 1 para 16 países.
Ministro da Saúde brasileiro, Luiz Henrique Mandetta, disse que novo vírus é só ‘mais uma gripe’ © Reuters Ministro da Saúde brasileiro, Luiz Henrique Mandetta, disse que novo vírus é só ‘mais uma gripe’

A confirmação oficial de um caso no país também pode ter levado mais pessoas com sintomas a procurarem profissionais de saúde, que também podem ficar mais atentos e receosos de deixar passar um caso sem fazer o teste para o novo coronavírus.

O secretário afirmou ainda que uma demanda reprimida de atendimentos médicos por causa do Carnaval, quando muitas unidades de saúde ficam fechadas, pode ter contribuído para elevar rapidamente as notificações a partir da segunda-feira, quando estes locais voltaram a funcionar normalmente.
19. O que vai acontecer com o surto no Brasil a partir de agora?

Haverá quarentenas para poucos ou para cidades inteiras? Aulas serão canceladas? Ou a rotina segue relativamente normal, como em mais de 40 países que já tiveram casos confirmados da doença?

Na prática, tudo depende da evolução dos casos no país. Há dois grandes cenários possíveis na crise atual: um de contenção, outro de mitigação.

No primeiro, o país passa a ter cada vez mais casos pontuais ligados a pessoas oriundas de outros países, como tem acontecido nos Estados Unidos e no Reino Unido. O Brasil, hoje, está nesse grupo. Neste cenário, a rotina da população em geral praticamente não muda.

O segundo surgirá se o vírus estiver disseminado em uma área mais ampla pelo contágio, o surto estiver instalado no país e a doença passar a ser transmitida com rapidez e volume entre diversas pessoas, como na Itália e na China.

Neste cenário, há, por exemplo, quarentenas de cidades ou regiões, cancelamentos de aulas e eventos públicos e implementação de trabalho remoto em empresas.
20. É verdade que esse vírus surgiu como uma arma biológica criada na China? É verdade que já existia patente de laboratório farmacêutico ligada ao novo coronavírus?

Primeiro, não há qualquer indício ou evidência de que esse novo vírus foi criado em laboratório. Também há informações falsas circulando sobre um instituto que teria feito uma patente de remédio para tratar o coronavírus. Mas esse instituto faz pesquisa sobre outros tipos de coronavírus, sem qualquer relação com o surto atual.

A droga, ainda em fase experimental e sem aprovação pelas autoridades competentes, foi usada apenas em animais. E pode, inclusive, ajudar os cientistas que hoje buscam desenvolver algum tipo de tratamento contra a covid-19.
21. Então, qual foi a origem do surto?

A hipótese mais provável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é que a epidemia começou em um mercado da cidade chinesa de Wuhan e foi transmitida de um animal vivo para um hospedeiro humano, antes de se espalhar de humano para humano.

Nesse mercado eram vendidos tanto animais vivos quanto já abatidos. Mas não se sabe ainda qual animal está ligado ao novo coronavírus.

Mas também não há certeza se de fato o surto começou no mercado chinês. Um estudo de pesquisadores chineses publicado no periódico médico Lancet alega que o primeiro diagnóstico da covid-19 ocorreu bem antes, em 1º de dezembro, e que o paciente em questão “não teve contato” com esse mercado de Wuhan.

Desvendar essa origem é um “trabalho de detetive”, diz à BBC o professor Andrew Cunningham, da Zoological Society of London, no Reino Unido.

Uma grande variedade de animais pode ter servido como “hospedeiro” do vírus, especialmente o morcego, conhecido por ser portador de um número considerável de coronavírus diferentes.

Segundo Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, este é mais um vírus que chega à espécie humana por causa de impacto ambiental.

Ao desmatar, degradar o ambiente e ampliar a proximidade de animais silvestres para alimentação, recreação ou estimação, o homem se aproxima de vírus com os quais não tinha contato nem imunidade. Se expõe ao que ele chamou de uma nova virosfera.
21. Cachorros e gatos podem se infectar e transmitir a doença?

Não há qualquer evidência científica de que cães e gatos possam transmitir o novo coronavírus para humanos ou outros animais, afirmou a secretária de Saúde de Hong Kong, Sophia Chan.
A maioria dos casos de coronavírus foram registrados na China, mas outros países também estão combatendo o vírus
O comunicado ocorreu depois da notícia de que o cachorro de uma pessoa infectada com o vírus foi examinado e recebeu um diagnóstico “positivo”, mas “fraco”.

O cachorro, da raça Lulu da Pomerânia, está em quarentena sob observação e passará por novos exames. O animal não apresentou sintomas.
22. Qual será o impacto na economia global?

Economistas e especialistas hesitam em falar em números nesse estágio inicial do surto, mas alguns temem que a paralisação da atividade econômica ao redor do mundo leve a uma crise do tamanho da ocorrida em 2008.

Mas é possível identificar qual forma o impacto terá e observar os danos econômicos causados por episódios similares no passado, especialmente o caso da Sars entre 2002 e 2003, que também começou na China.

Uma estimativa indica que o custo do surto de Sars à época para a economia mundial foi de US$ 40 bilhões (R$ 167 bilhões em números atuais).

No surto atual, já é possível perceber alguns dos danos econômicos. Bolsas de valores têm despencado ao redor do mundo e dezenas de empresas enfrentam desabastecimento na cadeira de fornecedores, como Apple e Microsoft.

Há impactos graves também no setor turístico e de companhias aéreas.

E do lado da exportação brasileira, o principal impacto de curto prazo tem sido nos preços das principais commodities vendidas pelo Brasil. As cotações da soja, do petróleo e do minério de ferro vêm acumulando queda desde que os primeiros casos da doença foram confirmados, diante do temor de uma desaceleração da economia chinesa.

As primeiras projeções apontam uma desaceleração da economia chinesa — tanto o banco UBS quanto o Itaú, por exemplo, revisaram a estimativa para o crescimento do país em 2020 de 6% para 5,4% e 5,8%, respectivamente.
23. É arriscado importar produtos da China?

Em geral, os coronavírus sobrevivem pouco tempo no ambiente. Questão de horas ou dias, no máximo.

Isso ocorre por causa do envelope, uma espécie de camada de gordura que envolve o vírus e o torna vulnerável a um simples detergente, por exemplo.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos afirmou que não há, até agora, nada que indique qualquer risco associado à importação de produtos industrializados e ou de origem animal.
24. A Olimpíada de Tóquio será cancelada ou adiada?

A realização do evento em Tóquio, previsto para acontecer de 24 de julho a 9 de agosto, passou a ser ameaçada em razão do avanço do surto. Surgiram temores envolvendo até a passagem da tocha olímpica por 859 lugares ao redor do mundo.

Para evitar a transmissão do vírus, diversos países têm cancelado grandes eventos públicos, como shows e jogos de futebol, mas nada se compara ao tamanho de uma Olimpíada.
Olimpíada de Tóquio está marcada para acontecer de 24 de julho a 9 de agosto © Getty Images Olimpíada de Tóquio está marcada para acontecer de 24 de julho a 9 de agosto

Os organizadores negam a possibilidade de qualquer mudança, adiamento ou cancelamento, mas essa hipótese tem ganhado mais destaque entre autoridades, especialistas e atletas.

O Japão, que registrou 214 casos do novo coronavírus até agora, decidiu fechar todas as escolas do país para evitar a disseminação da doença.

Uma decisão final sobre a realização ou não do evento deve ocorrer até maio.
25. Como um surto como esse acaba?

Diante do quadro de queda do número de novos casos da doença, autoridades chinesas já estimam que as transmissões estarão totalmente sob controle até abril. Por outro lado, temem que um eventual “efeito bumerangue”, depois que uma pessoa oriunda do Irã chegou infectada ao país.

Especialistas também já esperavam que houvesse picos da doença em outros países além da China, mas não era possível prever quando isso ocorreria.

Ou seja, com base no que já ocorreu em epidemias anteriores, dá para estimar o que pode acontecer na trajetória do vírus, mas não quando ela vai acabar.

“Quando um vírus é introduzido em uma espécie, ele costuma causar doenças mais graves no início, mas depois passa por um processo de adaptação e se torna mais brando. Do ponto de vista evolucionário, ele precisa transmitir seus genes adiante. Não adianta matar todos os hospedeiros”, diz Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.

Vírus são organismos propensos a sofrer mutações, o que permite que eles saltem de uma espécie para a outra, como teria ocorrido com este coronavírus.

Mas essa característica também permite que eles se tornem mais bem adaptados ao organismo humano e menos agressivos, aumentando as chances de convivermos com eles.

Há três grandes formas de uma transmissão chegar ao fim:

*  medidas adotadas por autoridades de saúde impedem que haja contato entre pacientes infectados e pessoas saudáveis, evitando novos contágios;
*   processo de imunização do hospedeiro, ou seja, quanto maior a circulação do vírus, mais pessoas adquirem anticorpos contra ele e ficam imunes, fazendo com que o vírus perca força, ou sejam vacinadas;
*  dizimar toda a população mundial, o que seria um fracasso para o vírus, porque ele morreria junto.

*Por: BBC News Brasil

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Hong Kong encontra coronavírus em testes de cão de estimação; contaminação ainda é incerta

Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação (AFCD) informou que realizará mais testes (Foto:Divulgação)

Cão não apresentou sintomas, mas ficará em quarentena por duas semanas

Autoridades de Hong Kong disseram nesta sexta-feira (28) que colocaram em quarentena um cão de estimação de um paciente com coronavírus depois que suas amostras nasais e orais apontaram “um fraco positivo” para o vírus, apesar de terem acrescentado que ainda não têm evidências de que ele pode ser transmitido para animais de estimação.

O cão não apresentou nenhum sintoma.

O Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação (AFCD) informou que realizará mais testes para confirmar se o cão foi infectado pelo vírus ou se as amostras são resultado de contaminação ambiental.

“Atualmente, o AFCD não tem evidências de que animais de estimação possam ser infectados … ou podem ser uma fonte de infecção para as pessoas”, afirmou em comunicado.

O cão ficará em quarentena por duas semanas.

O site da Organização Mundial da Saúde diz que até agora não há evidências de que animais de estimação possam ser infectados com o coronavírus.

Por:Reuters

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Papa Francisco passa mal com sintomas de gripe e preocupa fieis

Francisco teve parte da sua agenda cancelada. | Foto:Reprodução

O Vaticano informou no inicio da tarde desta quinta-feira (27) que o Papa Francisco está “ligeiramente indisposto” e precisou cancelar um evento na basílica de Roma, mas segue cumprindo a agenda do dia em casa. O religioso estaria gripado. “Por causa de uma ligeira indisposição, ele preferiu ficar em Santa Marta. Todos os outros compromissos irão em frente normalmente”, comunicou o Vaticano.

O Papa faria uma visita na Basílica de São João de Latrão na manhã desta quinta-feira. A suspeita de que o Francisco tenha contraído uma forte gripe e isso foi confirmado após ele surgir com voz rouca em audiência realizada na última quarta-feira. Ele também apresentou uma leve tosse durante serviço de Quarta-Feira de Cinzas em uma igreja romana.

Vários serviços da Quarta-Feira de Cinzas foram cancelados ou limitados na Itália pelo Papa. Na região existe disseminação do novo coronavírus, atualmente mais de 400 pessoas foram diagnosticadas com a doença e 12 mortes foram confirmadas.

Com informações O Globo

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Fabricantes da Corona perdem U$ 170 milhões após surto do coronavírus

Lucro líquido nos últimos três meses foi significativamente menor em relação ao ano anterior | Reprodução/Getty

A fabricante da cerveja Corona, a ANHEUSER-Busch InBev, acredita que perdeu 170 milhões de dólares em lucro, devido ao surto do coronavírus. As vendas em massa perdidas nos últimos dois meses coincidem com o surto do novo coronavírus (Covid-19), que já infectou mais de 80 mil pessoas no mundo, principalmente na China.

De acordo com o jornal norte-americano CNBC,especializado em negócios, a empresa previu, nesta quinta-feira (27), declínio de 10% no lucro do primeiro trimestre. A AB InBev informou que o impacto causado pelo coronavírus “continua a evoluir”. “O surto levou a um declínio significativo na demanda na China. Além disso, a demanda durante o ano novo chinês foi menor do que nos anos anteriores, pois coincidiu com o início desse surto”, informou a empresa ao jornal britânico Metro.

Em janeiro, o Google informou que pesquisas com o termo “Corona lager” aumentaram em 1.100% com pessoas que procuravam por “vírus da cerveja” e “vírus da cerveja corona”. Não há ligações entre o coronavírus e a cerveja Corona Lager.

A AB InBev, que também produz a Budweiser e Stella Artois, admitiu que seu desempenho em 2019 foi “abaixo das expectativas”. Nos últimos três meses, o lucro líquido da empresa foi de U$ 113 milhões, contra os U$ 458 milhões no mesmo período do ano anterior.

Com informações de Metro

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