Motta barra Eduardo Bolsonaro como líder da minoria e abre caminho para cassação por faltas

Eduardo Bolsonaro dá entrevista à Reuters em Washington, D.C., EUA, em 14 de agosto de 2025. — Foto: REUTERS/Jessica Koscielniak

Parlamentar está nos Estados Unidos desde fevereiro. Na última semana, ele foi indicado como líder da minoria, em uma manobra para tentar permanecer no mandato sem retornar ao país.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para a liderança da minoria.

A informação foi divulgada no Diário Oficial da Câmara desta terça-feira (23), uma semana após a oposição anunciar a indicação de Eduardo para a função.

“Evidencia-se a incompatibilidade do exercício da Liderança da Minoria na Câmara dos Deputados pelo Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, visto que se encontra ausente do território nacional”, diz o parecer, confirmado por Motta.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro. Ele chegou a pedir licença do mandato em março, mas o prazo permitido para a ausência justificada terminou em julho.

O parlamentar, no entanto, não retornou ao país — e, desde então, tem articulado maneiras de permanecer fora do território nacional sem perder a vaga na Casa.

Na última terça-feira (16), a oposição na Câmara anunciou a indicação de Eduardo para a liderança da minoria na casa. A medida foi uma forma de tentar driblar a perda do mandato por faltas, e permitir que ele continue como deputado mesmo à distância.

Segundo a Constituição, perderia o mandato o deputado ou senador que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, a um terço das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada.

Mas, um ato da Mesa Diretora da Câmara de 2015 estabelece que, nas sessões deliberativas e nas votações da Casa, os líderes terão ausências justificadas, sem efeitos administrativos.

A minoria na Câmara dos Deputados é composta pelo maior bloco de partidos que se opõe ao governo e é antagônica à maioria, formada pelo conjunto de partidos que apoia o governo. Há uma pequena diferença técnica entre liderança da minoria e liderança da oposição:

Liderança da Minoria: representa o maior bloco de partidos que se opõe ao governo.
Liderança da Oposição: representa o conjunto total dos partidos que se opõem ao governo. Tem a liderança do governo como antagônica.

O que diz o ato que barrou a indicação?

No parecer, o secretário-geral da Mesa Adjunto Bruno Sampaio diz o seguinte:

“Não obstante ser o exercício do mandato inerentemente presencial, a função de Líder o é com ainda maior intensidade. A ausência física do parlamentar do país o impede de exercer prerrogativas e deveres essenciais à Liderança, tornando seu exercício meramente simbólico e em desacordo com as normas regimentais”.

Ele cita algumas atividades incompatíveis com o exercício remoto da liderança. Como atuação em plenário e comissões.

Por exemplo, orientações de bancadas durante as votações, uso do tempo do líder para debate em torno de assuntos de relevância nacional e apresentação e acompanhamento de requerimentos procedimentais.

Além da participação nas reuniões no colégio de líderes, instância na qual o líder da minoria tem assento por disposição normativa expressa.

“Todas essas atividades indubitavelmente demandam a presença física do parlamentar”, destaca.

O parecer dele foi confirmado pelo presidente da Casa, Hugo Motta, que indeferiu a indicação de Eduardo.

Denunciado pela PGR

Eleito por São Paulo, o deputado mora nos Estados Unidos desde o início deste ano.

Ele tem se reunido com lideranças americanas e é apontado como um dos incentivadores das sanções econômicas aplicadas pelo governo norte-americano contra autoridades e produtos brasileiros.

Na tarde dessa segunda-feira (22), a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de coação no curso do processo.

O Ministério Público Federal avalia que o deputado tentou influenciar rumos de ações contra o pai por meio das sanções econômicas do governo Donald Trump ao Brasil.

 

Fonte: G1 Globo e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 23/09/2025/16:01:07

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Na ONU, Lula manda recados a Trump, diz que ataque ao Judiciário do Brasil é ‘inaceitável’ e condena anistia: ‘Democracia é inegociável’

Lula discursa na ONU — Foto: Mike Seggar/Reuters 

Presidente também criticou guerras e afirmou que ‘nada justifica o genocídio em Gaza’. Petista defendeu ainda a regulação das redes sociais e citou condenação de Jair Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso durante a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com recados a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

O petista afirmou que agressão ao Judiciário brasileiro é “inaceitável”. E condenou “falsos patriotas” e a possibilidade de anistia a quem ataca a democracia.

Ele disse ainda que a democracia e a soberania brasileiras são “inegociáveis”. E que o Brasil passou uma mensagem ao mundo com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

No discurso, Lula também defendeu a regulação das redes sociais. E, ao criticar ações de Israel contra o grupo terrorista Hamas, afirmou que “nada justifica o genocídio em curso em Gaza”.

O petista também chamou atenção para as mudanças climáticas e convidou os líderes presentes na assembleia para comparecerem à COP30, em Belém (PA).

A Assembleia Geral da ONU é o principal evento das Nações Unidas e acontece anualmente em Nova York. Durante a assembleia, líderes dos 193 países membros da ONU discursam.

O Brasil é tradicionalmente o responsável pelo discurso de abertura do debate de líderes na ONU, que está em sua 80ª edição. Cada país tem o direito de fazer um discurso para apresentar seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global. O tema deste ano é “Melhor juntos: 80 anos e mais em prol da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos”.

A fala de Lula em defesa da soberania brasileira ocorreu no dia seguinte à nova rodada de sanções do governo americano a cidadãos brasileiros como reação ao julgamento e condenação do ex-presidente Bolsonaro.

Bolsonaro foi condenado, no início de setembro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Os ministros concluíram que ele liderou uma organização criminosa que tentou impedir a posse de Lula, entre 2022 e 2023.

Lula e Trump trocaram críticas frequentes nos últimos meses, em especial desde que os Estados Unidos sobretaxaram em 50% produtos brasileiros, com o argumento de tentar encerrar uma “caça às bruxas” a Bolsonaro. Com o tarifaço, este é o pior momento das relações entre Brasil e EUA nas últimas décadas.

“Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos pelo seu povo depois de duas décadas de governos ditatoriais”, disse Lula.

“Não há justificativas para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. Agressão contra a independência do poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa das antigas hegemonias”, completou o petista.

O petista afirmou ainda que “falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”. “Não há pacificação com impunidade”, emendou.

“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, acrescentou Lula.

Recados a Trump

Sem citar os EUA, Lula abriu o discurso com uma crítica à política externa e tarifária adotada por Trump.

“Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra”, disse.

“Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia”, acrescentou.

Em seus posicionamentos internos, Lula tem criticado o americano pelo ataque à soberania nacional e, após o julgamento, tem destacado a independência do STF.

Menção à condenação de Bolsonaro

Lula também comentou, durante o discurso, a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam. Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”, afirmou Lula.

“Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito”, disse ainda o presidente.

‘Nada justifica o genocídio em curso em Gaza’, diz Lula na ONU

No seu discurso, Lula também lamentou a ausência do presidente da Autoridade Palestina presencialmente na reunião e afirmou que “nada justifica o genocídio em curso” na Faixa de Gaza.

“Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo, mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza”, afirmou Lula.

O presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, não participa presencialmente da reunião deste ano, após o governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, revogar todos os vistos de membros do governo palestino.

Reforma da ONU e defesa do multilateralismo

O presidente brasileiro defendeu a reforma da ONU, além de mencionar a importância do multilateralismo — pauta recorrente em seus discursos durante viagens internacionais e em outras edições da assembleia.

“A voz do Sul Global deve ser respeitada e ouvida. A ONU tem hoje quase quatro vezes mais membros do que os 51 que estiveram na sua fundação. Nossa missão histórica é a de torná-la novamente portadora de esperança e promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância”, afirmou.

Pauta ambiental e ‘COP da verdade’

No pronunciamento, o presidente brasileiro chamou a atenção para as questões climáticas e destacou a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA).

“Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado. A COP30, em Belém, será a COP da verdade. Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta”, disse Lula.

Nesse contexto, ele reforçou o convite aos países para a conferência. “Sem ter o quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (as NDCs), caminharemos de olhos vendados para o abismo”.

Regulação das redes sociais

Na Assembleia Geral da ONU, o petista voltou a defender a regulação das redes sociais.

“Regular não é restringir a liberdade de expressão, é garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim também no mundo virtual”, afirmou o presidente.

Segundo Lula, ataques à regulação servem para “encobrir interesses escusos”. Nesse contexto, Lula defendeu a atuação do parlamento brasileiro na discussão sobre o tema e falou sanção da lei sobre a “adultização”.

“Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia”, afirmou Lula.

Venezuela e Ucrânia

Lula defendeu ainda manter aberta a “via do diálogo” na Venezuela e a busca de uma “solução realista” para a guerra entre Rússia e Ucrânia.

O presidente mencionou Venezuela, Haiti e Cuba ao falar de instabilidades no Caribe e na América Latina.

Lula não citou os EUA, que deslocaram navios militares para o Caribe sob pretexto de combater o narcotráfico, mas disse que a região vive “momento de crescente polarização e instabilidade”.

“A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela. O Haiti tem direito a um futuro livre de violência. E é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo”, acrescentou o petista.

“No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada. É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista. Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes”, concluiu o petista.

 

Fonte: G1 — Brasília e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 23/09/2025/15:42:07

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Caminhoneiro distraído com pornografia no celular mata pai de dois em acidente na rodovia; vídeo

Segundos antes da colisão, o motorista visualizava fotos de nudez no celular — Foto: Reprodução/YouTube

Segundos antes da colisão, o motorista visualizava fotos de nudez no celular; ele acessou apps e usou o aparelho ‘de forma recorrente’ durante as três horas de viagem

Um caminhoneiro britânico provocou um acidente fatal em uma rodovia por estar “altamente distraído” por imagens pornográficas no próprio celular enquanto dirigia. Um vídeo flagrou o momento que Neil Platt manuseava o aparelho instantes antes de atingir o carro de Danny Aitchison, que morreu na hora.

Segundo as autoridades, segundos antes da colisão, Pratt, de 43 anos, visualizava fotos de nudez no celular. Distraído, ele ultrapassou o trânsito parado e atingiu o carro de Aitchison, de 46 anos, que foi arremessado contra a traseira do caminhão e explodiu com o impacto. Ele morreu no local.

Após a batida, Platt aparece nas imagens colocando as mãos na cabeça, em estado de choque.

Durante as três horas de viagem entre a Escócia e Inglaterra, Pratt tinha “acessado de forma recorrente” apps como WhatsApp, X, YouTube e TikTok.

Aitchison deixa a esposa e os dois filhos.

O motorista foi condenado a 10 anos de prisão nesta sexta-feira (19/9) pro dirigir de forma perigosa. Ele cumprirá a pena em regime fechado e, ao sair, ficará proibido de dirigir por sete anos.

“Você estava distraído fazendo algo incrivelmente estúpido. Você não prestava atenção no que estava à sua frente, mas sim no seu celular”, afirmou o juiz responsável pelo caso.

“Sua atitude arrogante e egoísta ao dirigir foi simplesmente chocante”, completou.

O advogado de Platt afirmou que o caminhoneiro estava “verdadeiramente arrependido” e “se odiando” pelo trauma que causou.

 

VEJA VÍDEO:

Fonte: Carolina Brasil/extra.globo e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 23/09/2025/15:11:38

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Em Nova Iorque, Helder Barbalho destaca entrega do primeiro Parque de Bioeconomia e Inovação do Brasil

Foto: Divulgação | O governador do Pará, Helder Barbalho.

Equipamento será entregue em outubro, em Belém, como marco do Plano de Bioeconomia do Pará e reforço à nova economia da floresta

O governador do Pará, Helder Barbalho, anunciou nesta segunda-feira (22), durante a Semana do Clima de Nova Iorque, a entrega do primeiro Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, também o primeiro do Brasil. O espaço será inaugurado na primeira semana de outubro, em Belém, e representa a principal ação estruturante do Plano Estadual de Bioeconomia, lançado de forma pioneira pelo Governo do Pará.

O anúncio foi feito durante o painel “Financiando a Transformação Ecológica: Mecanismos Inovadores e Lições Aprendidas do Brasil”, promovido pela Coalizão Brasil e pela organização internacional The Nature Conservancy (TNC).

Ao destacar a iniciativa, Helder Barbalho reforçou o compromisso do Estado com a construção de um modelo econômico sustentável, baseado na valorização da biodiversidade.

“O Pará acredita muito em bioeconomia e tem atuado no sentido de identificar oportunidades que possam transformar nossa biodiversidade em uma nova economia. Por isso, concebemos o Plano Estadual de Bioeconomia e já estamos em fase de implementação. Para vocês terem uma ideia, o governo do Estado já investiu cerca de R$ 2 bilhões em bioeconomia”, afirmou.

Segundo o governador, o novo parque será um centro de negócios, pesquisa e inovação voltado à industrialização de produtos da floresta e ao fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis. “Convido a todos a conhecerem essa estrutura que será entregue em breve e que marca um novo ciclo para a Amazônia”, completou.

Sustentabilidade com inclusão e justiça social

O governador também reforçou que a sustentabilidade precisa ser compreendida de forma ampla, integrando os pilares ambiental, econômico e social.

“A sustentabilidade precisa ser ambiental, econômica, mas, acima de tudo, social. Precisamos cuidar das árvores e dos povos que vivem abaixo da copa das mesmas. Convoco a todos a estarem conosco em Belém na COP30, mas, mais do que isso, que estejam conosco na construção do futuro da floresta, que passa pelo futuro do Pará”, declarou.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, Raul Protázio Romão, destacou que o novo parque representa a materialização de um compromisso assumido internacionalmente. “O Parque de Bioeconomia é um avanço histórico. É a implementação estruturante de uma ação prevista no nosso Plano de Bioeconomia, lançado na COP27. Chegaremos à COP30 com essa entrega, que vai fortalecer os negócios da sociobioeconomia, startups e uma gama de oportunidades que a biodiversidade amazônica oferece”, afirmou.

 Financiamento climático e inovação regulatória

Ainda durante o painel, Helder Barbalho apresentou as estratégias do Estado para alavancar investimentos verdes e criar condições para a transição econômica com baixa emissão de carbono. O governador ressaltou a importância do envolvimento do setor privado.

“Cabe ao governo construir as condições legais, o arcabouço regulatório, assegurar previsibilidade e segurança jurídica. Mas cabe à iniciativa privada o processo de implementação. Só assim sairemos de um laboratório de boas ideias para uma escala compatível com os desafios climáticos e com as oportunidades dos negócios verdes”, disse.

Entre as iniciativas já em curso, ele citou a concessão de restauração florestal na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, a primeira realizada por um estado subnacional no Brasil. O contrato tem duração de 40 anos, prevê investimentos privados de R$ 300 milhões e a geração de dois mil empregos verdes.

“Essa concessão vai desde a produção de mudas até o plantio de floresta, promovendo captura de carbono e gerando monetização. É uma agenda concreta de desenvolvimento sustentável”, pontuou.

Pecuária sustentável e rastreabilidade do rebanho

O governador destacou também os avanços do Pará na modernização da pecuária como parte da estratégia de redução das emissões e de combate ao desmatamento. Com o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 26 milhões de cabeças, o Estado já implementa a rastreabilidade coletiva e agora caminha para um novo patamar.

“Estamos trabalhando para assegurar a rastreabilidade individual de todo o nosso rebanho até 2026. Esse é um passo essencial para consolidar o Pará como referência em pecuária de baixas emissões”, explicou.

Helder reforçou que o Estado busca garantir que essa transição ocorra sem onerar pequenos produtores. “Contamos com a parceria da iniciativa privada para que essa ação não represente custo adicional, especialmente para os produtores que atuam em propriedades de até 100 hectares”, concluiu.

 

Fonte:  Agência Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 23/09/2025/14:58:30

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Atleta contrai suberbactéria comedora de carne em piscina de hotel

Foto: Reprodução | Alexis Williams sofreu um arranhão ao mergulhar em uma piscina de hotel em Michigan e, em 24 horas, foi diagnosticada com MRSA, bactéria que corrói a carne e resiste a antibióticos. Ela passou por três cirurgias e acusa o estabelecimento de negligência sanitária.

Uma estadia em hotel quase terminou em tragédia para a atleta Alexis Williams, de 23 anos, no estado de Michigan, EUA. No fim de junho, durante um mergulho na piscina do Residence Inn, em Ann Arbor, Alexis e dois primos foram infectados por uma superbactéria que corrói a carne humana.

Segundo o relato, a jovem sofreu apenas um arranhão dentro da água. No dia seguinte, sentiu dores intensas na região e precisou ser levada ao hospital. Lá, recebeu o diagnóstico de MRSA, bactéria resistente a antibióticos considerada uma das mais perigosas.

“Parecia uma piscina normal, nada indicava que estivesse contaminada. De repente, não conseguia mais andar e precisei ser carregada. Só depois descobri que era uma bactéria que corrói a carne e pode matar”, contou Alexis em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.

A atleta passou por três cirurgias, sobreviveu e hoje segue em recuperação, ainda necessitando da ajuda da mãe para se locomover. Os primos também apresentaram sintomas, mas tiveram quadros mais leves.

A família acusa o hotel de negligência, afirmando que laudos de inspeção apontaram ausência de cloro na piscina. Procurado pela CBS News Detroit, o Residence Inn declarou que não comentará o caso publicamente.

Novo Projeto (29)

Fonte: Notícias ao Minuto  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 23/09/2025/09:58:33

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“Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir”, diz Lula

Foto:Reprodução | Presidente diz que direito de defesa não autoriza matança de civis

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu nesta segunda-feira (22) a implementação da solução de dois Estados para a pacificação do Oriente Médio: o Estado da Palestina e o Estado de Israel.

Lula participou, nos Estados Unidos, da segunda sessão da Conferência Internacional de Alto Nível para a Resolução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados.

“O que está acontecendo em Gaza não é só o extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação. Tanto Israel quanto a Palestina têm o direito de existir”, disse o presidente Lula na conferência.

A reunião, convocada por França e Arábia Saudita, ocorreu em Nova York, e antecede a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

Segundo o governo brasileiro, a paz, segurança e a estabilidade no Oriente Médio passa pela implementação de um Estado da Palestina, independente e viável, coexistindo lado a lado como Estado de Israel, dentro das fronteiras de 1967, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como capital.

Em discurso, Lula frisou ainda que a questão da Palestina surgiu há 78 anos, quando a Assembleia Geral da ONU adotou o Plano de Partilha, originando a perspectiva de dois Estados. No entanto, apenas um se materializou, o de Israel.

“O conflito entre Israel e Palestina é símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo. Ele mostra como a tirania do veto sabota a própria razão de ser da ONU, de evitar que atrocidades como as que motivaram sua fundação se repitam”, afirmou.

O presidente brasileiro afirmou que o país apoia a criação de um órgão inspirado no Comitê Especial contra o Apartheid, que teve papel fundamental no fim do regime de segregação racial na África do Sul. “Assegurar o direito de autodeterminação da Palestina é um ato de justiça e um passo essencial para restituir a força do multilateralismo e recobrar nosso sentido coletivo de humanidade”, disse.

Lula destacou ainda que o Brasil condenou enfaticamente os atos cometidos pelo Hamas. O presidente brasileiro ressalvou, porém, que o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis.

“Nada justifica tirar a vida ou mutilar mais de 50 mil crianças, destruir 90% dos lares palestinos e usar a fome como arma de guerra, nem alvejar pessoas famintas em busca de ajuda”, disse.

 

Fonte:Agência Brasil  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 23/09/2025/07:04:10

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Marina na ONU: ‘Se EUA não fizerem sua parte, alguém vai ter que fazer’

Foto: Reprodução | Marina Silva está em Nova York para uma série de eventos, entre eles o lançamento de um fundo para remunerar países que evitem o desmatamento ou recuperem florestas

A pouco mais de dois meses de o Brasil sediar a 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, diz estar preocupada com os efeitos da postura adotada pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump na área ambiental. “Se os Estados Unidos não fizerem sua parte, alguém vai ter que fazer”, diz Marina em entrevista exclusiva à BBC News Brasil concedida em Nova York no domingo (21/9).

Para a ministra, o impacto do anúncio dos Estados Unidos de que o país sairia do Acordo de Paris, um dos principais marcos na tentativa global de frear as mudanças climáticas, não pode ser ignorado. Desde que assumiu o governo, Trump não apenas anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, como deixou de enviar delegações para negociações climáticas relativas à COP 30.

Além disso, o país passou a oferecer mais incentivos à produção de combustíveis fósseis e ameaçou cortar subsídios a produtos que consumam energias renováveis como carros elétricos.

“Os Estados Unidos são o segundo maior emissor [de gases do efeito estufa] do mundo. É, de longe, uma potência econômica e tecnológica. Não dá para imaginar que isso não seja um prejuízo. Até porque, se eles não fazem a parte deles, alguém vai ter que fazer em benefício da humanidade inteira, inclusive deles, que são altamente afetados pela mudança do clima”, afirma a ministra.

Marina faz parte da delegação brasileira que veio à cidade norte-americana acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai discursar, nesta terça-feira (23/9), na abertura da sessão de debates da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na cidade, a ministra vai participar de uma série de eventos e reuniões com autoridades. Uma das principais agendas deverá ser a que vai marcar a formalização do Fundo Floresta Tropicais Para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).

Trata-se de um fundo com meta de captar US$ 120 bilhões em recursos públicos e privados a serem investidos no mercado para que parte desse lucro seja destinado a países que preservem suas florestas.

Na entrevista, Marina disse que a política climática de Donald Trump, conhecido por colocar em dúvida o chamado aquecimento global, estaria incentivando empresas privadas a reduzir seus investimentos em energias renováveis e poderia estar influenciando o atraso de diversos países em apresentarem suas metas para redução nas emissões de gases do efeito estufa — cujo prazo, que era fevereiro deste ano, foi prorrogado para setembro e se encerra no final do mês.

No campo doméstico, Marina foi questionada sobre se a aposta do governo do presidente Lula na exploração de petróleo, apesar das críticas da comunidade científica, não compromete a liderança do Brasil na agenda climática.

Ao responder, Marina diz que a situação do Brasil seria diferente da de outros países que têm uma matriz energética e elétrica menos limpa que a brasileira.

Apesar disso, ela diz entender a atual dependência do mundo em relação aos combustíveis fósseis coloca os países em uma situação paradoxal.

“O mundo vive uma contradição ao mesmo tempo em que vive uma emergência”.

Sobre a COP 30, Marina disse que a maior parte do debate público em torno do evento parece estar mais focado em questões logísticas do que no andamento das negociações climáticas — que é onde o foco deveria estar.

Nos últimos meses, os preços das hospedagens e atrasos em obras de infraestrutura para receber a COP 30 passaram a causar preocupações em delegações internacionais e acenderam o sinal de alerta junto a autoridades do governo.

Apesar disso, ela afirma estar otimista.

“Hoje, a parte logística tem tomado conta do debate o tempo todo. Obviamente que, ao superar esses gargalos, esperamos focar no conteúdo”.

Confira os principais trechos da entrevista, que foi editada para fins de concisão:

BBC News Brasil – Uma das principais agendas do presidente Lula e da senhora aqui em Nova York é o lançamento do Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF na sigla em inglês). Como é que o governo brasileiro vai fazer para que esse não seja apenas mais um fundo entre tantos para o combate ao desmatamento?

Marina Silva – O TFFF é um mecanismo inovador para o financiamento voltado para a proteção de florestas tropicais, com uma diferença que não são recursos de doação. São investimentos que são feitos tanto por países quanto pelo setor privado, vão gerar o retorno à medida que o fundo vai sendo aplicado para atividades que são compatíveis com o uso desse dinheiro.

A nossa meta é de arrecadar algo em torno de US$ 125 bilhões. Não iremos usar o principal. Vamos usar apenas os rendimentos do fundo, que dará a algo por volta de US$ 4 bilhões por ano para ser investido em países que são protetores de suas florestas […] Geralmente, os mecanismos que nós temos hoje é sobre pagamentos para você parar de desmatar. Este é um dos primeiros fundos que vai ser alocado para aqueles países que não desmataram e que tem floresta preservada.

BBC News Brasil – Além do Brasil, que outros países demonstraram interesse em investir neste fundo? E como o Brasil pretende atrair grandes doadores nos Estados Unidos, onde o governo Trump tem adotado uma postura diferente do anterior com relação às mudanças climáticas?

Marina Silva – Estamos trabalhando com parceiros históricos, como é o caso do Reino Unido ou a Noruega e a Alemanha e ampliando essa base de parceiros. Com relação àqueles países que infelizmente foram por uma postura de aprofundar a visão negacionista, estamos abertos para o diálogo, mas o fundo vai acontecer independente daqueles que infelizmente, saíram do Acordo de Paris, como é o caso dos Estados Unidos.

BBC News Brasil – O governo brasileiro convidou os Estados Unidos para fazer parte deste fundo?

Marina Silva – Nós vínhamos em conversações sobre uma cooperação para o Fundo Amazônia com o governo (Joe) Biden. Agora, o que nós fizemos em relação aos Estados Unidos foi o convite para que eles compareçam à COP 30. O presidente Lula mandou convite para todos os países. O TFFF está aberto à cooperação de todos os países, até porque não é doação, é um investimento.

BBC News Brasil – Quão prejudicada fica a COP 30 sem os Estados Unidos?

Marina Silva – Não podemos negar que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris neste contexto tão emblemático de emergência climática que o mundo está vivendo é algo muito grave. É um grande prejuízo.

Os EUA são o segundo maior emissor [de gases do efeito estufa] do mundo. É, de longe, uma potência econômica e tecnológica. Não dá para imaginar que isso não seja um prejuízo. Até porque, se eles não fazem a parte deles, alguém vai ter que fazer em benefício da humanidade inteira, inclusive deles, que são altamente afetados pela mudança do clima.

Aqui (nos EUA), os furacões são intensificados, as enchentes estão cada vez mais próximas umas das outras e num nível muito elevado de sacrifício para a vida das pessoas e para as dinâmicas econômicas e sociais das cidades e do campo.

BBC News Brasil – O presidente Lula concedeu uma entrevista à BBC News Brasil na semana passada e disse que ainda não estaria na hora de se abrir mão dos combustíveis fósseis. Quanto esse tipo de declaração e a aposta do governo brasileiro em intensificar a produção de combustíveis fósseis enfraquecem a liderança climática do Brasil?

Marina Silva – O Brasil tem um diferencial nessa liderança porque é um país que já tem um compromisso de zerar desmatamento até 2030.

O Brasil é um país que investe há décadas em fontes renováveis de geração de energia. Temos 30% de etanol na gasolina e tem cerca de 15% de biodiesel no diesel. Isso já é uma grande contribuição.

Mas, para além disso, o Brasil é um país que tem uma matriz energética 45% limpa, uma matriz elétrica, 90% limpa. E se você for olhar: qual é o país que, hoje, não está vivendo essa contradição?

BBC News Brasil – Mas é uma contradição?

Marina Silva – É uma contradição. É uma contradição do mundo inteiro. Quem ajudou a pensar bem essa contradição foi uma entrevista que eu ouvi do ministro [da Fazenda] Fernando Haddad em que ele disse que, infelizmente, hoje ainda não se tem os meios para substituir a dependência de nossas economias do combustível fóssil. Mas nós temos que acelerar esses meios.

Não podemos ficar nos escondendo atrás do fato de ainda não termos os meios necessários para substituir a energia fóssil. Portanto, há que ter investimento pesado em (energia) eólica e solar, em biomassa, hidreletricidade e hidrogênio verde. Na França, cerca de 60% da matriz energética vem de energia fóssil. E olha que eles investiram muito em energia nuclear. O mundo vive uma contradição ao mesmo tempo em que vive uma emergência.

BBC News Brasil – Como a senhora mencionou, a atmosfera é a mesma e, para o clima, não faz diferença onde o carbono será queimado. O governo tem o plano de ampliar a produção de petróleo do Brasil e, talvez, chegar ao posto de quarto maior produtor de petróleo do mundo. Essa postura não pode ser interpretada como a de um país tentando ganhar dinheiro apesar da emergência climática?

Marina Silva – Há uma diferença que precisa ser feita em relação ao uso do dinheiro do petróleo. E esse uso, ele tem que ser feito para o investimento em energia limpa. E não basta a gente dizer que vai usar o recurso para a energia limpa. É preciso ter os indicadores de esforços nessa direção. Por isso que eu defendo que a Petrobras não seja apenas uma empresa de exploração de petróleo, mas que ela seja uma empresa de geração de energia.

BBC News Brasil – Mas hoje não há nenhuma vinculação…

Marina Silva – Hoje a Petrobras já investe bastante energia limpa e terá que investir ainda mais. O Brasil pode ser um grande supridor de energia para produtos que não sejam intensivos em carbono e pode ser o endereço de investimentos verdes, como por exemplo, a indústria de carro elétrico. O Brasil vai caminhar de acordo com o nosso plano de transformação ecológica.

BBC News Brasil – A comunidade científica diz que para que o mundo atinja as metas climáticas e evite o aumento da temperatura global em 1,5ºC, o ideal seria parar mais rápido com o consumo de combustíveis fósseis. Como a senhora responde às críticas de que, ao seguir apostando na exploração do petróleo, o Brasil estaria querendo ganhar dinheiro apesar da emergência climática?

Marina Silva – O Brasil está fazendo aquilo que foi decidido na COP de Dubai [em 2023]. Nós temos que ter uma transição justa e planejada para o fim de combustível fóssil, olhando tanto para os países que consomem quanto para os que produzem petróleo e buscando alternativas o mais rápido possível para a gente substituir essa matriz energética fóssil que não é de um país específico, mas uma matriz energética global.

Essas metas estão sendo debatidas há mais de 30 anos. Há mais de 30 anos que esse debate está sendo feito. E antigamente a gente tinha uma desvantagem. Quem falava isso que eu estou falando aqui, em seguida, recebia um editorial bem forte nas costas, dizendo que isso era uma loucura.

Eu gosto daquela frase de que o mundo saiu da Idade da Pedra não foi por falta de pedra, mas porque descobriu outras coisas. Temos que sair da idade do petróleo, não por falta de petróleo, mas porque seremos capazes de gerar energia limpa, renovável, segura e diversificada, para atender às necessidades.

BBC News Brasil – Até agora, apenas 37 países entregaram as suas NDCs (sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas), que são suas metas para a redução de suas emissões dos gases causadores das mudanças climáticas. O prazo era até fevereiro e foi prorrogado para o final de setembro. Por que essa demora na apresentação das metas?

Marina Silva – Esse é um desafio enorme, porque nós tivemos o balanço geral que foi feito no âmbito do Acordo de Paris, e que estabeleceu que não podemos ultrapassar um aumento de temperatura global acima de 1,5ºC e um dos principais mecanismos para evitar isso é a NDC. Até agora, 37 países [já entregaram] e esperamos até o final de setembro para que mais e mais países possam apresentá-las. Vamos ter uma avaliação por especialistas para verificar se as decisões apresentadas estão alinhadas com essa meta e, provavelmente, não estarão. O grande desafio é o que fazer diante desse não alinhamento.

BBC News Brasil – O ano de apresentação das NDCs coincidiu com a presidência do Brasil na COP. O Brasil vem falhando em convencer ou pressionar outros países a apresentarem suas NDCs?

Marina Silva – Se colocamos nesses termos, há um reducionismo do multilateralismo e das responsabilidades. Cada país é responsável por apresentar suas NDCs. Eles têm cinco anos para isso e é um processo complexo.

O Brasil tem trabalhado muito desde que se candidatou [a receber a COP 30] no Egito. O presidente Lula reuniu mais de 20 chefes de Estado, incluindo a Índia, para debater NDCs ambiciosas.

BBC News Brasil – A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris ajuda a explicar atrasos?

Marina Silva – Os EUA têm uma força gravitacional que atua contra o enfrentamento da mudança climática, visível em empresas que desinvestem em energia limpa.

O contexto global é difícil: guerras e inseguranças levam a escolhas inadequadas. A Otan consegue aumentar rapidamente recursos para segurança bélica, mas não há o mesmo para segurança climática. Investimentos continuam em atividades carbono-intensivas e em subsídios para combustíveis fósseis.

Essa complexidade contribui para atrasos, mas não podemos mais adiar. Não fazer o dever de casa significa perder 500 mil vidas por ano devido a ondas de calor. Precisamos de NDCs ambiciosas, investimentos públicos e privados e fim dos subsídios à energia fóssil.

BBC News Brasil – Uma das NDCs que ainda não veio é a da União Europeia, que cobrou critérios ambientais do Brasil e do Mercosul para firmar um acordo comercial entre os dois blocos econômicos. Como avalia essa demora? É incoerente cobrar tanto e não entregar a NDC a tempo?

Marina Silva – Temos grande expectativa em relação à União Europeia, que sempre liderou a agenda climática. Eles estão debatendo internamente e colocando metas finalísticas, mas ainda não detalharam a meta que precisa ser apresentada.

Essa expectativa é ainda maior no contexto geopolítico atual, com a saída dos EUA do Acordo de Paris. Países do Norte desenvolvido e do Sul global, como os da União Europeia, Brasil, China, Índia e África do Sul precisam ter mais proatividade.

BBC News Brasil – O fato de a União Europeia ainda não ter apresentado a NDC e não ter apresentado suas metas é preocupante?

Marina Silva – Ainda estamos em setembro, e essas contradições estão sendo vividas em todos os lugares do mundo. Os europeus sempre tiveram protagonismo climático na formulação de regras e mecanismos.

Agora chegou a hora da verdade, como diz o presidente Lula. É hora da implementação. Eles têm metas consideradas ambiciosas e, neste momento, não pode ser diferente.

BBC News Brasil – Mas a senhora está preocupada com essa demora?

Marina Silva – Ficamos preocupados que a gente tenha NDCs que sejam compatíveis com o que nós nos comprometemos em Dubai. Mas cada país tem seu ritmo, cada bloco tem seu ritmo e se nós olharmos para o nosso continente, nem todos [os países] apresentarão ainda suas decisões.

Mas essa não é a questão. O importante é que, ao fim e ao cabo, a liderança que a União Europeia precisa ter nesse momento é que é o foco das nossas preocupações.

BBC News Brasil – A União Europeia vem apresentando essa liderança que a senhora diz ser importante?

Marina Silva – É difícil pegar um aspecto em particular. É preciso integrar fatores e contextos que estão sendo vividos, como as guerras e crises globais.

O Brasil, presidindo a COP 30, tem cuidado para estimular esse esforço, mas sem quebra de confiança. Não é da nossa prática ficar apontando. É hora de olharmos para nós mesmos e verificar se o que estamos fazendo está coerente com o que nós já decidimos.

A cooperação precisa de uma nova dinâmica: não é sobre cobrança, mas sobre confiança. Cobrar, às vezes, é uma forma de se esconder para atribuir a outros a responsabilidade que você, muitas vezes, tem que assumir.

BBC News Brasil – Falando sobre COP 30, qual o risco de um colapso logístico durante o evento em Belém?

Marina Silva – Tem sido feito um esforço enorme de investimento para que a COP 30 possa acontecer em Belém, na Amazônia, com as condições necessárias para que as delegações, a sociedade civil, a comunidade científica, e os empresários que sempre participam também das COPs possam estar como deve ser em um país com a tradição de participação social que tem o Brasil.

Nós temos um problema em relação aos preços [de hospedagens]. Não é mais em relação à quantidade de vagas para que as pessoas possam ser adequadamente hospedadas. O maior problema hoje é que há uma atitude inaceitável de elevar preços até 15 vezes acima do período da temporada. O governo está utilizando de todos os meios legais de que dispõe para fazer com que esses preços sejam praticados de acordo com o que deve ser uma prática comercial justa.

BBC News Brasil – Para além da hospedagem, há questões de infraestrutura. Há obras no aeroporto outras projetos viários que ainda não foram concluídos. Qual é o risco de um colapso logístico em Belém durante a COP?

Marina Silva – Existe uma secretaria especial criada só pra cuidar da parte logística. O Ministério do Meio Ambiente, junto ao Itamaraty, cuida da mobilização, negociação e conteúdo e, nesta parte, estamos nos esforçando muito para que a COP 30 vá além da negociação protocolar e se torne um novo marco para os próximos dez anos.

Hoje, a parte logística tem tomado conta do debate o tempo todo. Obviamente que, ao superar esses gargalos, esperamos focar no conteúdo.

BBC News Brasil – A senhora falou sobre logística, mas e sobre o objetivo principal da COP? Na prática, qual seria, do ponto de vista do governo, uma meta de sucesso nas negociações?

Marina Silva – O grande indicador de sucesso da COP 30, no meu entendimento, é dar conta da agenda que já está definida em áreas como gênero, adaptação, financiamento climático, e, também, o que [definir] como nós vamos fazer com as decisões que já tomamos […] Eu particularmente advogo que um dos grandes feitos da COP 30 pode ser sairmos com um grupo com o objetivo para fazer o mapa do caminho para a transição justa e planejada para o fim de combustível fóssil. Aí sim, a gente dá uma perspectiva para enfrentar a causa (das mudanças climáticas), e não apenas o sintoma. O sintoma é o fogo. O sintoma é a seca, o sintoma é a fumaça. A causa são as emissões de CO2 por desmatamento, por carvão, por petróleo, por gás natural.

BBC News Brasil – Quando se espera uma decisão sobre o futuro dos combustíveis fósseis e sobre a Margem Equatorial (a região a 500 km da foz do rio Amazonas e a mais de 160 km da costa prevista para prospecção de petróleo pela Petrobras)?

Marina Silva – É um processo técnico e é o tempo do Ibama. E eu tenho dito isso desde o princípio. O Ibama vem tratando essa questão com o senso de responsabilidade que leva em conta a complexidade de um empreendimento como esse na foz do Amazonas, com pouco conhecimento sobre aquela região […] O Ibama não se atém à ideia de que se vai ou não explorar petróleo. Ele se atém à qualidade do licenciamento ambiental. Isso é válido para a Margem Equatorial, para a Bacia de Campos ou qualquer outra.

 

Fonte: BBC  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 22/09/2025/17:14:57

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Funeral de Charlie Kirk reuniu milhares de pessoas nos Estados Unidos

Funeral de Kirk foi transmitido ao vivo — Foto: Reprodução/YouTube

Presidente Donald Trump e altos funcionários do governo e do partido Republicano também marcaram presença.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcou presença no funeral do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk, morto com um tiro no pescoço enquanto discursava em uma universidade no dia 10 de setembro.

Durante a cerimônia, Trump apareceu nos telões arrancando aplausos e gritos de “Estados Unidos” da multidão. Outras autoridades do governo e do Partido Republicano também foram ao funeral.

Elon Musk, CEO da Tesla e ex-alto funcionário do governo Trump, marcou presença e recebeu alguns aplausos. Musk e o presidente Donald Trump tiveram um relacionamento um tanto tumultuado nos últimos meses, após a saída do bilionário da Casa Branca. No funeral, no entanto, eles foram flagrados por câmeras sentados um do lado do outro e chegaram a trocar um cumprimento frio.

Além do discurso de Trump e do vice-presidente J.D Vance, a fala da viúva de Charlie, Erika Kirk, também foi muito aguardado. Os discursos aconteceram sob a proteção de um vidro protetor como uma das medidas de segurança adotadas para o evento.

A cerimônia de despedida foi realizada em um estádio no estado do Arizona. Dezenas de milhares de pessoas foram à cerimônia. Na sexta-feira, um homem armado, que se dizia policial, foi detido nas imediações do local. Autoridades negaram a que ele integre a corporação.

Kirk era um dos grandes nomes da direita no país, e era próximo do presidente Trump. A Justiça norte-americana indiciou Tyler Robinson como principal suspeito pelo homicídio. Se condenado, Tyler pode enfrentar a pena de morte. Parentes relataram à polícia que o suspeito radicalizou o discurso político nos últimos anos. Apesar disso, ele não tinha filiação partidária e não votou nas duas eleições mais recentes, como mostram os registros eleitorais.

Em meio à repercussão do assassinato de Charlie Kirk, cresceram as tenções entre Trump e a imprensa americana. Na semana passada, a rede ABC suspendeu por tempo indeterminado o programa Jimmy Kimmel Live após um quadro em que o humorista disse que a gangue formada por trumpistas fervorosos estava “trabalhando arduamente” para lucrar com a morte de Kirk.

Grupos que advogam pela liberdade de expressão associaram diretamente a suspensão do programa do comediante ao esforço de Donald Trump em silenciar críticas contra ele.

Mais cedo, Trump deu declarações ao deixar a Casa Branca para comparecer ao funeral do ativista conservador norte-americano Charlie Kirk.

O republicano disse que a cerimônia vai celebrar a vida de um grande homem, e que o dia será muito difícil, mas é como um momento de cura.

Quando perguntado sobre qual mensagem ele gostaria de compartilhar com a família do ativista, Trump disse que não há muito o que ser dito além de expressar amor.

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Fonte:CBN e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 22/09/2025/08:00:00

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Saiba tudo sobre o 2º eclipse solar do ano, que ocorre neste domingo (21)

Foto:Reprodução | Fenômeno poderá ser visto apenas de maneira parcial no planeta Terra

O segundo eclipse solar de 2025 ocorre ainda neste mês, em 21 de setembro, a partir das 14h30 (no horário de Brasília). Poderá ser observado de maneira parcial da Nova Zelândia, da costa leste da Austrália, de algumas ilhas do Pacífico e de partes da Antártica. Infelizmente, não será visível do Brasil.

O eclipse deste mês será visível apenas de maneira parcial, o que quer dizer que ele não poderá ser visto de maneira total em nenhum lugar do mundo. Mesmo que não seja possível observar o eclipse solar parcial no Brasil, o portal Time and Date vai transmitir o fenômeno ao vivo em seu canal do YouTube.
Como ocorre um eclipse parcial do Sol?

Um eclipse solar parcial ocorre quando a Lua se posiciona entre o Sol e nosso planeta, cobrindo uma parte do astro com sua sombra, que fica parecendo uma “mordida” no Sol.

O fenômeno pode ser dividido em três fases:

Início: quando a Lua começa a se mover sobre o disco solar.
Máximo: o eclipse atinge sua magnitude máxima, ou seja, a “mordida” no Sol é maior que em qualquer outro momento do eclipse.
Fim: a Lua segue seu caminho e deixa de cobrir o Sol.

Um eclipse total do Sol ocorre quando a Lua, o Sol e a Terra se posicionam perfeitamente em uma linha reta, possibilitando que a Lua bloqueie praticamente todos os raios solares que chegariam na Terra e fazendo com que o dia vire noite por alguns minutos.

No eclipse parcial, os três corpos celestes não se alinham de maneira perfeita, pois a parte central da sombra da Lua – aquela que causa o eclipse total – não atinge a Terra, fazendo com que todos vejam o eclipse apenas de maneira parcial em nosso planeta.

Segundo informações da Nasa, eclipses solares parciais ocorrem pelo menos duas vezes por ano em algum local da Terra. Já os eclipses solares totais acontecem, em média, a cada 18 meses em algum lugar do planeta – dificilmente no mesmo.

 

Fonte: CNN e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/09/2025/08:00:00

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Homem vive 776 dias com COVID-19 ativa; caso é o mais longo já registrado

Foto: Reprodução | paciente, que tinha HIV em estágio avançado e não seguia corretamente o tratamento antirretroviral, faleceu após mais de dois anos de infecção, com testes PCR ainda detectando o vírus até dois dias antes de sua morte.

Um homem de 41 anos, morador dos Estados Unidos, viveu com infecção ativa por COVID-19 durante 776 dias consecutivos, no que é considerado pelos médicos o caso mais longo já documentado da doença. O paciente, que tinha HIV em estágio avançado e não seguia corretamente o tratamento antirretroviral, faleceu após mais de dois anos de infecção, com testes PCR ainda detectando o vírus até dois dias antes de sua morte. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (15) na revista científica Clinical Infectious Diseases.

Segundo pesquisadores da Universidade de Boston, o homem começou a apresentar sintomas como tosse, dor de cabeça e fadiga em maio de 2020, após contato com uma pessoa infectada. O diagnóstico oficial de COVID-19 só foi confirmado em setembro daquele ano, quando seu estado de saúde se agravou e ele precisou de internação hospitalar.

Entre 2021 e 2022, foram coletadas oito amostras clínicas do paciente, que revelaram um processo de evolução intrahospedeira, ou seja, o coronavírus sofreu mutações dentro do corpo do homem ao longo do tempo. Ao todo, foram identificadas 68 mutações genéticas, algumas semelhantes às observadas mais tarde na variante Ômicron, embora nenhuma delas tenha se espalhado para outras pessoas.

Segundo os cientistas, o vírus provavelmente se adaptou de forma tão específica ao organismo do paciente que perdeu a capacidade de transmissão. A morte do homem foi atribuída a complicações relacionadas ao seu estado de saúde geral, e não diretamente à COVID-19.

Casos semelhantes têm sido relatados em outras partes do mundo, especialmente entre pacientes imunocomprometidos. Em 2024, médicos da Holanda registraram um homem de 72 anos que ficou infectado por 613 dias. Em 2022, um paciente no Reino Unido permaneceu positivo por 505 dias consecutivos.

A pandemia mudou de fase, mas o vírus ainda circula. Casos como o do paciente norte-americano reforçam a importância da vacinação em dia, adesão ao tratamento de doenças pré-existentes e monitoramento contínuo do coronavírus, especialmente em populações mais vulneráveis.

COVID-19: o que é, sintomas e cuidados essenciais

A COVID-19 é uma infecção respiratória causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, identificada pela primeira vez em 2019. A doença se espalha principalmente por gotículas respiratórias, sendo altamente transmissível.

Principais sintomas:

Tosse
Febre
Dor de cabeça
Fadiga
Perda de olfato ou paladar
Dor de garganta
Congestão nasal
Dificuldade para respirar (em casos mais graves)

Vacinação: quem deve se vacinar e quando

A vacinação contra a COVID-19 é recomendada para todas as faixas etárias, com especial atenção a idosos, imunossuprimidos, gestantes e pessoas com comorbidades. Em 2025, a orientação do Ministério da Saúde inclui doses anuais de reforço para grupos prioritários. Crianças, adolescentes e adultos devem seguir o calendário vacinal atualizado.

Máscaras e isolamento: quando usar

Apesar do fim do estado de emergência, medidas preventivas continuam recomendadas. Uso de máscaras em locais fechados ou com aglomeração, especialmente se houver sintomas gripais. Isolamento domiciliar de pelo menos 5 dias após o início dos sintomas, estendido conforme a gravidade do caso ou conforme orientação médica. A testagem é recomendada em caso de sintomas ou contato com pessoas infectadas.

 

 

Fonte: Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/09/2025/15:21:32

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