Liminar da Justiça suspende efeitos de instrução normativa da Funai sobre terras indígenas

Essas áreas deverão igualmente ser consideradas na Declaração de Reconhecimento de Limites (DRL) – (Fotografo: Reprodução)
Para a Justiça Federal, o ato normativo da Funai fomenta, “aparentemente”, grave insegurança jurídica para ambos os lados.
A Justiça Federal suspendeu, na sexta-feira (12), os efeitos de uma instrução normativa editada 2020, pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que dispõe sobre o requerimento, disciplina e análise para emissão da Declaração de Reconhecimento de Limites em relação a imóveis privados em terras indígenas.

Em ação civil pública ajuizada perante a 3ª Vara, o Ministério Público Federal (MPF) argumento que a Instrução Normativa nº 09, de 16 de abril de 2020, viola a publicidade e a segurança jurídica ao desconsiderar por completo terras indígenas delimitadas, terras indígenas declaradas e terras indígenas demarcadas fisicamente, além das terras indígenas interditadas, com restrições de uso e ingresso de terceiros, para a proteção de povos indígenas em isolamento voluntário.”

Na decisão liminar (veja a íntegra), o juiz federal Henrique Jorge Dantas da Cruz fixa o prazo de 30 para que a Funai inclua no Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) e no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), além das terras indígenas que já estão homologadas, todas as terras dominiais indígenas plenamente regularizadas e reservas indígenas. Essas áreas deverão igualmente ser consideradas na Declaração de Reconhecimento de Limites (DRL). 

Também deverão ser mantidas ou incluídas as terras indígenas sob a área de jurisdição da Seção Judiciária do Pará em processo de demarcação nas seguintes situações: área em estudo de identificação e delimitação; terra indígena delimitada (com os limites aprovados pela Funai); terra indígena declarada (com os limites estabelecidos pela portaria declaratória do Ministro da Justiça); terra indígena com portaria de restrição de uso para localização e proteção de índios isolados. 

A liminar obriga ainda que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no prazo de 30 dias, considere no procedimento de análise de sobreposição realizada pelos servidores credenciados no Sigef todas as áreas indígenas que se encontram na mesma situação daquelas que a Funai deverá manter ou incluir no Sigef e no Sicar.

Insegurança jurídica – Para o magistrado, o ato normativo da Funai fomenta, “aparentemente”, grave insegurança jurídica para ambos os lados, indígenas e não indígenas, isso porque “desconstrói o dever estatal de proteger todas as terras tradicionalmente indígenas, e não apenas aquelas elencadas no art. 4º [da IN nº 09/2020], de forma que as terras fora do rol elencado ficam desprotegidas contra eventuais abusos de particulares que venham a obter a declaração para, de forma legal amparada pelo ato normativo, ocupar essas terras, com o fim de utilizá-las em prol do desenvolvimento agropecuário, o que influenciará em eventuais conflitos fundiários entre eles e indígenas”.

Acrescenta ainda que, a partir da edição da IN nº 09, “as permissões da emissão de DRL em favor das terras fora do rol do artigo 4º podem gerar expectativa de direito para os particulares, que depositam sua confiança na Administração Pública de que as áreas ocupadas são legítimas, e, com a posterior homologação dessas terras em favor dos índios, todos os negócios jurídicos realizados serão nulos, o que pode gerar, ainda, ações contra a União.”

Henrique Dantas da Cruz ressalta que entendimentos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) demonstram que “o Estado não pode criar terras indígenas, nem pode apontar, em dissonância com o texto constitucional, quais são merecedoras de sua proteção com base em processos de demarcação. As terras indígenas, independentemente de homologação estatal de reconhecimento, devem receber a proteção estatal”. 

Por:Jornal Folha do Progresso em 13/08/2022/08:05:53 com informações da Justiça Federal do Pará 

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Técnico em agropecuária de 20 anos morre soterrado em silo de soja em MT

Davi Gabriel Lopes Oliveira fazia a limpeza do armazém de grãos quando o acidente aconteceu — Foto: Divulgação
Davi Gabriel Lopes Oliveira trabalhava fazendo a limpeza do armazém de grãos quando o acidente aconteceu.

Um técnico em agropecuária de 20 anos morreu soterrado em um silo de soja, enquanto trabalhava em uma fazenda em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 527 km de Cuiabá, nessa quarta-feira (10).

Segundo a Polícia Civil, Davi Gabriel Lopes Oliveira fazia a limpeza do local, junto com mais dois funcionários e, em determinado momento, parte da soja armazenada no interior cedeu, soterrando o jovem.

A Polícia Civil foi acionada para atender a ocorrência. No local, o Corpo de Bombeiro já fazia buscas pelo rapaz. A polícia informou que vai investigar o acidente.

Natural de Comodoro, Davi completou 20 anos no dia 15 de julho.

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) de Cáceres emitiu uma nota de pesar pelo falecimento.

Ele foi estudante da instituição entre os anos 2018 e 2020, quando cursou o ensino médio integrado à formação técnica em agropecuária.

“A direção-geral do campus, em nome de servidoras e servidores, presta solidariedade à família de Davi e aos amigos e colegas de turma pela perda irreparável”, diz trecho.

Por:Jornal Folha do Progresso em 13/08/2022/08:05:53 com G1 MT

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Pronaf disponibilizará R$ 60 bi para financiar Plano Safra 2022/23

O aumento de demanda por financiamentos de custeio levou o governo a aumentar em R$ 6,54 bilhões os recursos a serem disponibilizados via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Dessa forma, o total reservado para este tipo de financiamento ampliou em 12%, passando de R$ 53,6 bilhões para R$ 60,1 bilhões.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a maior parte desse reforço (R$ 4,74 bilhões) virá de “recursos novos, a partir da alocação de mais R$ 126,8 milhões de recursos orçamentários em 2022 para o Plano Safra 2022/23”.

A outra parte (R$ 1,8 bilhão) terá, como origem, remanejamentos no âmbito dos bancos públicos federais (Caixa, BNDES e do Banco do Brasil).

“Esses recursos serão destinados aos bancos que operam Pronaf Custeio e que já sinalizaram insuficiência de recursos para atender a demanda dos agricultores. Assim, R$ 6,07 bilhões serão encaminhados ao Banco do Brasil, e R$ 474 milhões ao BNDES”, informou o ministério.

O BNDES receberá, também, recursos do Programa Agricultura de Baixo Carbono (R$ 287,5 milhões) e do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (R$ 438,5 milhões).

A expectativa do governo é que não haja interrupção na concessão de financiamentos neste momento em que a safra começa a ser plantada para o atendimento a pequenos agricultores.

O Mapa destaca que o Plano Safra 2022/2023, lançado em julho, prevê R$ 340,9 bilhões em financiamentos para a produção agropecuária nacional até junho de 2023.

“Dos R$ 340,9 bilhões, já foram contratados R$ 30 bilhões, o que corresponde a 8,8% do total. Mais de 90% dos recursos estão disponíveis para contratação por meio das diferentes instituições que operam no crédito rural, nas modalidades de custeio, comercialização e investimento”, detalhou o ministério.

Por:Jornal Folha do Progresso em 13/08/2022/08:05:53 com informações da Agência Brasil

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Correios reduz prazo do Sedex em mais de 17 mil trechos e amplia cobertura da linha Premium

Datas comemorativas prometem aquecer o e-commerce neste segundo semestre    (Foto: Reprodução Internet)

O varejo nacional e o comércio eletrônico vislumbram, ao longo do segundo semestre do ano, um leque importante de oportunidades para o incremento das vendas e o fortalecimento das marcas. Começando pelos Dias dos Pais, em agosto, as celebrações de datas comemorativas até o mês de dezembro podem ser uma chance interessante para lojistas darem ainda mais robustez aos seus negócios.
É nesse período do ano que ações promocionais relevantes acontecem, como o Dia do Cliente (15/9), Dia das Crianças (12/10) e Halloween (31/10); e as aguardadas Black Friday (25/11), Cyber Monday (28/11) e Natal (25/12). Também em novembro, ainda teremos a Copa do Mundo Fifa, evento que movimenta e emociona nações inteiras, ainda mais no país do futebol.
Mais do que ampliar a visibilidade da empresa e aumentar o volume de vendas, sellers necessitam estar cada vez mais preparados para absorver a alta demanda, oferecer qualidade e a melhor experiência aos clientes para assim atingir a tão almejada fidelização dos consumidores.
Para vender para todo o país e também para o mercado internacional, os empreendedores brasileiros dispõem de capacidade operacional, preço, prazo e capilaridade de um dos maiores operadores logísticos do mundo. Os Correios ajudam lojistas a obterem a melhor solução para o negócio, além de garantirem satisfação dos clientes e maior rentabilização.
Mais suporte, mais vendas – O portfólio de soluções ofertado pelos Correios é facilmente acessível e disponível para atender diferentes necessidades e expectativas tanto de vendedores quanto compradores. E para formatar a cesta de produtos, é importante que lojistas estejam atentos ao comportamento de seus clientes para se anteciparem e se prepararem para a demanda sazonal.

Ao analisar os perfis dos consumidores, hábitos, preferências, histórico de compras, relacionamento pós-venda e outros atributos, a oferta da Logística Reversa pode ser o diferencial na fidelização da clientela. Oferecer conveniência e proximidade na hora de receber encomendas também tem se mostrado um fator importante para a decisão de compra. A experiência omnichannel, que começa no digital e termina no físico, está presente nos Lockers Correios, instalados nos principais centros do país, ou ainda na entrega segura oferecida pelo Clique e Retire, que permite a retirada de encomendas em mais de 6 mil agências acessíveis Brasil afora.
Em São Paulo, para as compras de última hora, o SEDEX Hoje já é realidade. O serviço realiza a entrega em poucas horas, com acompanhamento em tempo real – inclusive com possibilidade de interação entre o destinatário e o entregador. As encomendas podem ser recebidas pelos Correios até as 20h. Aquelas que chegam até as 18h são entregues até 23h do mesmo dia.

Trechos com prazos reduzidos de entrega e ampliação da cobertura da linha Premium (SEDEX 12, SEDEX 10) para mais localidades do país também são vantagens de incentivo ao empreendedor oferecidas pelos Correios.

O Correios Log+ — solução de suporte operacional logístico completo, com armazenagem, atendimento de pedidos e integração aos demais serviços de entrega e logística reversa — é destinado às empresas que atuam na venda de produtos para os mercados nacional e internacional. As cidades de Brasília (DF), Cajamar (SP), Contagem (MG), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Salvador (BA) já contam com a estrutura para dar o suporte necessário aos vendedores que buscam otimizar a cadeia produtiva de suas lojas virtuais. Novas implantações do Correios Log + estão previstas para Manaus (AM) e Recife (PE).

Essas são algumas das soluções que estão à disposição dos sellers que buscam proporcionar a melhor experiência aos clientes, principalmente aqueles do comércio eletrônico.  Com o programa AproxiME dos Correios, empreendedores têm acesso rápido e fácil a esses serviços e produtos que visam apoiá-los no fortalecimento e desenvolvimento de seus negócios.

Para conhecer mais sobre todas essas inovações, basta acessar a página dos Correios na internet para concluir o contrato. O empreendedorismo brasileiro pode contar com o maior operador logístico reconhecido por sua liderança no mercado de entregas.

Fonte:Assessoria de Imprensa Correios Superintendência do Pará

Por:Jornal Folha do Progresso em 13/08/2022/08:05:53

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Quase R$ 300 milhões em multas ambientais podem prescrever em 2022; Valor vem subindo

(Foto:Reprodução) – Multas ambientais: Com impunidade, infratores vêm mantendo práticas ilegais por anos, contribuindo para aumentar o desmatamento e a grilagem de terras, enquanto mantêm negócios com a venda e exportação de produtos, como carne e madeira.

Multas ambientais: Com impunidade, infratores vêm mantendo práticas ilegais por anos, contribuindo para aumentar o desmatamento e a grilagem de terras, enquanto mantêm negócios com a venda e exportação de produtos, como carne e madeira.

Até o fim de 2022, pelo menos 2.297 multas ambientais podem prescrever e o Estado brasileiro deixar de arrecadar cerca de R$ 298 milhões, segundo estimativa interna do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), feita em junho e obtida pela BBC News Brasil por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Esse número mostra apenas uma parte do problema, pois o órgão admite que mais de 90 mil multas ainda estão na fila para serem processadas e seus prazos de prescrição são desconhecidos.

As cifras também podem variar de acordo com o tipo de análise, já que há vários tipos de prescrição previstos em lei, que variam entre três a cinco anos. A reportagem considerou dados enviados pelo próprio Ibama, que cita como base lei de 1999 que estabelece prazo de prescrição da ação punitiva do Estado.

A BBC News Brasil conversou com mais de 20 ex-funcionários e especialistas do Ibama para esta reportagem. Também analisou documentos internos do órgão e dados oficiais.

A realidade que se desenha é que infratores não temem as punições pois contam com a prescrição para livrar-se dos malfeitos.

Consequentemente, vêm mantendo práticas ilegais por anos, contribuindo para aumentar o desmatamento e a grilagem de terras, enquanto mantêm negócios com a venda e exportação de produtos, como carne e madeira.

Quatro etapas são necessárias para que a infração ambiental seja punida: identificar o ilícito ambiental, autuar, julgar e cobrar a multa. Se o Estado demorar cinco anos ou mais para realizar qualquer uma dessas etapas ou ficar três anos sem “mover” o processo, a multa prescreve e nenhum dinheiro pode ser recolhido, embora a empresa ainda possa ter de restaurar a área degradada, se assim determinado pela Justiça. Também há possível punição na esfera criminal.

Mais de 10 mil multas ambientais são aplicadas anualmente no Brasil. Mas, segundo diagnóstico do próprio Ibama, a atual equipe que analisa e julga não consegue dar conta desse volume de trabalho, então a papelada se acumula e é repassada para o ano seguinte, situação que se repete até o vencimento das multas. Uma estimativa interna do instituto diz que quase 40 mil multas podem prescrever até 2024.

Falta de pessoal e mudanças frequentes na legislação são os motivos do problema, segundo avaliação interna do Ibama e as fontes ouvidas.

“As pessoas têm a impressão de que o Estado é incapaz de punir”, diz Felipe Nunes, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e um dos autores de um estudo que mostra que menos multas ambientais estão sendo aplicadas e julgadas por atual administração do Ibama.

Especialistas apontam que uma das razões que ajudaram a aumentar o risco de prescrições é a chamada audiência de conciliação, uma nova etapa antes do julgamento da multa em que o Ibama oferece ao infrator a possibilidade de chegar a um acordo com a empresa em vez de caminhar por um julgamento.

Criado em 2019, o procedimento acabou retardando o processamento de multas nos primeiros meses. Dados da agência ambiental apontam que houve o menor número de julgamentos de infrações ambientais ao menos desde 2013 no órgão.

O Ibama reconheceu essas audiências como um desafio em uma avaliação interna, mencionando-as em seu memorando interno em uma seção sobre “ameaças ao processo sancionatório”.

“A audiência de conciliação foi uma política que veio de cima pra baixo, sem ouvir os servidores. Gastou-se muita energia. Se tivessem priorizado o trabalho para melhorar julgamento e instrução das multas, não teríamos tantas prescrições de multas de valores altíssimos”, diz o geógrafo e analista ambiental Govinda Terra, um dos diretores da Associação dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do Plano Especial de Cargos do MMA (Ministério do Meio Ambiente) e do Ibama (Asibama-DF).

O próprio presidente Jair Bolsonaro (PL) já se mostrou crítico às multas ambientais por diversas vezes. Ele próprio foi multado por pescar em área protegida em janeiro de 2012 e vem dizendo, desde que foi eleito, que quer acabar com a “indústria da multa” no Brasil. Sua própria multa prescreveu em 2019 e o agente que a escreveu foi removido de seu cargo no mesmo ano.

Multas prescritas não são um problema novo e atualmente há até mais mecanismos para evitá-las do que há alguns anos, como a digitalização de documentos nos órgãos públicos, que ajuda na tramitação da papelada e evita a perda de arquivos.

Mas a perda de arrecadação com as prescrições está aumentando. Registros obtidos por meio da LAI mostram que pelo menos 649 multas ambientais prescreveram no ano passado, a maior perda financeira reconhecida da agência desde 2017, após correção pela inflação, de R$ 144 milhões.

Uma das preocupações mais graves dos servidores é com multas milionárias, cujo trabalho de autuação pode levar meses de preparação, mas que têm se perdido com prescrições.

“As grandes empresas preferem gastar com advogado e estender o processo administrativo ao máximo — muitas enrolam mesmo — e, quando não dá certo, vão brigar na Justiça”, diz a ex-presidente do Ibama, Suely Araújo, que ocupou o cargo no governo Temer e hoje trabalha como especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima. O Ibama publicou em julho uma portaria que tenta “organizar” essa fila do passivo, priorizando aqueles com valores mais altos.

Registros internos mostram que o Ibama reconhece o problema oficialmente. “Deficiências administrativas comprometem a apuração e mobilização das fiscalizações, não gerando o efeito dissuasório que a multa deveria ter”, diz um documento produzido no ano passado.

Página de documento escrito digitalmente

Documento interno do Ibama reconhece problemas que levam à prescrição das multas

Quando uma multa prescreve, o instituto precisa abrir uma apuração para identificar o responsável. Mas nem sempre isso é possível. Em alguns casos, o instituto não consegue nem sequer encontrar o agente responsável pelo julgamento da empresa. Por causa da demora, há servidores envolvidos nos processos que até já se aposentaram.

Autoridades do Ibama disseram, em um plano interno, que o órgão precisa contratar 300 pessoas para preencher cargos administrativos e iniciar uma “força-tarefa” para evitar mais prescrições.

Raoni Rajão, professor de Gestão Ambiental e Estudos Sociais da Ciência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diz que as mudanças promovidas pelo governo Bolsonaro agravam a falta de pessoal no Ibama e geram um obstáculo artificial à fiscalização. “O processo não anda e, com isso, mais multas serão vencidas”.

“Seria muito importante que o tratamento das multas fosse feito de maneira estratégica. Isso garantiria que grandes e reincidentes infratores fossem objeto de sistemas de inteligência compartilhados, por meio de uma governança entre órgãos administrativos e penais, de modo que fossem investigados de maneira apropriada e prioritária”, disse Andreia Bonzo Araujo Azevedo, que é Diretora Adjunta do Programa de Clima e Segurança do Instituto Igarapé.

O Ibama não respondeu aos pedidos de entrevista após duas semanas.

Brigadista durante incêndio

Sem estrutura suficiente para aplicar multas, infrações ambientais podem ficar impunes

“É um prejuízo impossível de mensurar. É como se zerasse o efeito de tudo que foi feito”, diz o servidor.

A alta no valor prescrito em 2021 foi puxada por um caso emblemático. Em 2009, o Estado brasileiro multou uma empresa agrícola por impedir a regeneração florestal em uma área de mais de 6 mil hectares, no Estado do Pará.

Em vez de permitir que a floresta voltasse a crescer em uma área que tinha sido desmatada, a empresa Agropecuária Santa Bárbara do Xinguara criou gado. Por causa do tamanho da fazenda, a multa estabelecida atingiu o teto previsto em lei, de R$ 50 milhões.

A operação, que envolveu diversas fazendas da empresa, fazia parte de um trabalho do Ibama em diversas regiões do Pará para comprovar a situação do desmatamento em áreas de atividade agropecuária na Amazônia. Os fiscais afirmaram que a empresa vinha comprando áreas já desmatadas para criar gado. Segundo a própria agropecuária, havia 20 mil cabeças no local da autuação.

Servidores da Superintendência do Ibama no Pará que acompanharam a operação em 2009 disseram à reportagem que esta autuação tinha um peso histórico.

“Era a primeira multa dessa empresa, na época a maior agropecuária do Brasil”, disse um servidor, que pediu anonimato por não ter autorização para dar entrevistas. “Descobrimos que estavam usando normalmente áreas que já tinham sido desmatadas e estavam embargadas (ou seja, que não tinham autorização para nenhum tipo de atividade produtiva, como a criação de gado).”

Formulário preenchido à mão

carta(Foto:Reprodução) – Autuação de fazenda em 2009 no Pará tinha ‘peso histórico’, segundo um servidor, mas acabou prescrita

Mas o desfecho “histórico” não favoreceu os cofres públicos: a multa nunca foi paga e teve a prescrição reconhecida pelo Estado no ano passado. Isto significa, na prática, que, por causa da demora em agir, o Ibama perdeu definitivamente o direito de cobrar a agropecuária pela infração.

“Temos a sensação de enxugar gelo. Não é só o valor da multa que é perdido. É o trabalho de quem fez a fiscalização, do que se gastou com helicópteros, com pessoal, com tempo de trabalho. É um prejuízo impossível de mensurar. É como se zerasse o efeito de tudo que foi feito”, diz Terra, do Asibama-DF.

A multa foi uma das infrações mais altas a prescrever nos últimos 20 anos, segundo dados obtidos pela reportagem e atualizados em março deste ano. Desde 2000, ao menos R$ 1,3 bilhão em multas ambientais já prescreveu.

Print de prescrição de multa

carta2(Foto:Reprodução)Ibama tem dificuldade para responsabilizar quem permitiu que a multa prescrevesse; neste caso, por exemplo, o servidor que atuou no caso e poderia falar sobre o que aconteceu já tinha se aposentado

Além do lado administrativo, casos como esse também podem ser analisados na Justiça, no âmbito civil e criminal. Em junho de 2018, o juiz federal Heitor Moura Gomes, da subseção Judiciária de Marabá do Tribunal Regional Federal da Primeira Região condenou a agropecuária a recuperar a área desmatada, mas a empresa recorreu e, desde então, aguarda decisão definitiva da corte.

Na decisão, o juiz absolveu a empresa do pagamento por danos materiais justamente por causa do alto valor da multa que seria aplicada contra a empresa – e que agora, sabe-se, prescreveu.

Bruno Valente, procurador federal do Pará, diz que é comum casos como esse durarem uma década ou mais na Justiça. “A consequência é ruim, pois não desencoraja os infratores”.

A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara se apresenta como uma das maiores do setor na América Latina. Em 2019, o jornal britânico The Guardian informou que eles estavam fornecendo à JBS, a maior empresa frigorífica do mundo, que vende carne bovina para praticamente o mundo todo. O Pará, onde está localizada a fazenda, é o Estado da Amazônia com a maior taxa de desmatamento.

A AgroSB, atual nome da empresa, reconheceu por e-mail que houve dano ambiental na área, mas que o desmatamento tinha acontecido antes da compra da fazenda, e que ela estava invadida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no momento da autuação.

“O melhor para a AgroSB (e Estado) seria o Ibama ter analisado rapidamente este fato e ter declarado no mérito a nulidade da multa, evitando-se, assim, o arrasto do deslinde do feito por mais de uma década até ser fulminado pela prescrição”, disse a empresa à reportagem.

O instituto ainda tentava descobrir, em junho deste ano, quem foi o responsável por ter deixado a multa prescrever, de acordo com um memorando interno obtido pela reportagem.

Um funcionário do Ibama que trabalhou no julgamento administrativo de multas e conhece o caso da AgroSB disse que a estratégia da empresa é comum.

“É modus operandi entrar no processo administrativo e esperar o vencimento da multa. Desde o momento em que a empresa foi multada até agora, ela já lucrou muito mais. Esse é um caso emblemático de falta de punição, que gera mais injustiça.”
Multa prescrita no passado, investigação no presente

Em março de 2009, o Ibama multou a empresa Tradelink Madeiras em R$ 161 mil (hoje equivalentes a R$ 355 mil, em valores corrigidos pela inflação) por ter adquirido 4.500 metros cúbicos de madeira serrada de ipê (um dos tipos mais valorizados do Brasil) e outros por meio de uma empresa de fachada, situação parecida com a da atual investigação.

A madeira comprada à época foi apreendida e, segundo o relatório do órgão, ficou guardada por quase uma década em um galpão, a ponto de ficar “com aspecto envelhecido, de cor acinzentada”, até que o órgão governamental aplicasse a multa, de fato, em 2018. Por conta do lapso temporal, a punição prescreveu e a empresa não precisou pagar a sanção.

Em uma nota técnica enviada à reportagem por meio da LAI, o Ibama justificou a prescrição por “atrasos na análise quanto à lavratura, possivelmente devido à complexidade da operação”.

A Tradelink voltou a ser destaque no ano passado depois que uma operação da Polícia Federal investigar se o ministro Ricardo Salles e o atual presidente do Ibama, Eduardo Bim, faziam parte de um suposto esquema para facilitar o contrabando de madeira para os Estados Unidos.

Destituído do cargo por 90 dias, Bim voltou ao trabalho e, no relatório anual de 2021 do Ibama, escreveu que o instituto está “firme no combate ao desmatamento ilegal em terras indígenas e nos diversos biomas brasileiros.”

Área da floresta Amazônica em que houve desmatamento

Especialistas acreditam que irregularidades ambientais poderiam ser evitadas se o Ibama garantisse as sanções, freando possíveis reincidentes

Procurada, a Tradelink negou irregularidades, diz que não houve exportação ilegal e que “a documentação comprobatória da exportação desses contêineres foi apresentada ao Ibama e à Receita Federal do Brasil, antes do embarque”.

Disse ainda que “nunca comprou madeira de empresas que foram fechadas” e que a ação de março de 2009 “está sendo apreciada pelo sistema judicial brasileiro”.

Também afirmou que os autos não tiveram relação com desmatamento, mas com “formalidades administrativas vinculadas com divergências no preenchimento específico da documentação”.

Especialistas acreditam que irregularidades ambientais poderiam ser evitadas se o Ibama garantisse as sanções, freando possíveis reincidentes.

“A prescrição desses mais de 2 mil autos de infração ambientais [da planilha obtida pela reportagem] é uma forma de chancelar as condutas ambientais criminosas. Se muitos infratores ambientais já viam nas falhas sistêmicas uma via para cometer ilegalidades, sabendo da predisposição de que, se pegos, suas autuações acabarão sendo alcançadas pela prescrição, serão ainda mais estimulados a continuar a expandir o desmatamento ilegal”, disse Daniele Galvão, analista jurídica do Center for Climate Crime Analysis (CCCA), uma organização sem fins lucrativos.

“O CCCA tem se deparado em suas análises com diversos casos em que o desmatamento associado à extração ilegal de madeira, muitas vezes destinada à exportação para o mercado europeu ou norte-americano, poderia ser evitado se o Ibama (e também os órgãos ambientais estaduais) atuasse de forma mais efetiva em campo”.
Petrobras: mesmo com alertas de subordinados, multas de R$ 10 milhões prescreveram

Uma investigação aberta pelo Ibama em 2018, a que a reportagem teve acesso, mostra que um agente do órgão teria se “esquecido” de tratar de pelo menos quatro multas emitidas contra a Petrobras, deixando R$ 10 milhões em infrações prescreverem entre 2017 e 2018, apesar de ter sido avisado por seus subordinados. O caso contra o servidor foi arquivado por falta de provas, mas as multas foram perdidas.

A Petrobras é a empresa que mais recebeu multas ambientais no país, com mais de 2 mil sanções desde 2009, de acordo com dados do Ibama, que somam mais de R$ 1 bilhão, mas a maioria ainda não resultou em pagamento. A empresa foi constantemente mencionada nas entrevistas para esta reportagem como um exemplo da dificuldade da agência ambiental em garantir o pagamento de multas.

De acordo com a investigação, um coordenador de exploração de petróleo do Ibama no Rio de Janeiro “reteve deliberadamente” vários autos de infração contra a petroleira estatal.

O documento apontou que um agente da unidade do Rio apresentou mensagens remetidas ao coordenador que pediam a ele para trabalhar na multa, o que indicaria “que não houve negligência, mas sim a intenção de manter a situação como está”.

Os servidores que investigaram o caso também constataram vários problemas administrativos naquela unidade do Ibama, como “falta de controle documental do processo” na unidade e falta de controle dos horários dos funcionários.

O caso também foi denunciado ao Ministério Público Federal, que abriu um inquérito. O servidor deixou o cargo comissionado que ocupava na mesma época da denúncia, em 2018, mas segue atuando no Ibama. O caso foi arquivado em 2021, segundo o MPF, por “ausência de indícios de falha funcional por parte dos coordenadores.”

A Petrobras informou, em nota, que “atua com responsabilidade social e ambiental, além de transparência e respeito a normas e regras vigentes em sua missão de transformar recursos brasileiros em riquezas.” (Com informações de Luiz Fernando Toledo – De Nova York para a BBC News Brasil).

Jornal Folha do Progresso em 12/08/2022/

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PF combate fraudes ao auxílio emergencial

(Foto:Reprodução) – Brasília/DF. A Polícia Federal deflagrou, na manhã de quinta-feira (11/8), a Operação SAQUE ANTECIPADO, para apurar o delito de fraude eletrônica cometido por suposta organização criminosa voltada à prática de saques fraudulentos do Auxílio Emergencial na Caixa Econômica Federal – CEF. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão preventiva.

Segundo denúncia anônima, os delitos estariam sendo cometidos por suposto grupo criminoso atuante no Distrito Federal e em Águas Lindas de Goiás/GO. A Polícia Federal, por meio de consultas na Base Nacional de Fraudes no Auxílio Emergencial – BNFAE, identificou diversas fraudes perpetradas nos anos de 2020, 2021 e 2022 pelos criminosos. Os investigadores verificaram movimentações financeiras que superaram o numerário de R$ 30 milhões.

Diversas contas bancárias foram abertas em nome de “laranjas” ou de pessoas de “confiança” para movimentar valores para as contas bancárias, cuja diversidade é necessária para evitar o bloqueio do dinheiro desviado das contas da CEF, na ação cibernética.

Em relação a 3 dos investigados, foram aplicadas medidas cautelares com recolhimento domiciliar das 20h da noite às 6h da manhã, em dias úteis, e recolhimento domiciliar integral nos finais de semana e feriados; proibição de se ausentar da Comarca do domicílio sem autorização judicial; proibição de alteração de endereço sem comunicar ao juízo; comparecimento mensal perante a Justiça Federal do local da residência para justificar e comprovar suas atividades; obrigatoriedade de acompanhar todos os atos processuais a que forem convocados; e proibição de manter contato com os demais investigados, salvo se cônjuge/companheiro(a).

A Polícia Federal está autorizada a realizar visitas no imóvel em que a medida será cumprida, qualquer dia da semana, a fim de checar se todas as condições estão sendo cumpridas.

As evidências encontradas até o presente momento mostram claramente a existência de indícios da prática do crime de fraude eletrônica praticado por organização criminosa, cujas penas se somadas podem chegar a 18 anos de reclusão. (Com informações da PF/DF).

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Auxílio Brasil é pago hoje a beneficiários com NIS final 4

(Foto:© shutterstock) – Essa é a primeira parcela com o valor mínimo de R$ 600, que vigorará até dezembro

A Caixa Econômica Federal paga hoje (12) a parcela de agosto do Auxílio Brasil aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 4. Essa é a primeira parcela com o valor mínimo de R$ 600, que vigorará até dezembro, conforme emenda constitucional promulgada em julho pelo Congresso Nacional.

A emenda também liberou a inclusão de 2,2 milhões de famílias no Auxílio Brasil. Com isso, o total de beneficiários atendidos pelo programa sobe para 20,2 milhões a partir deste mês.

O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas em dois aplicativos: Auxílio Brasil, desenvolvido para o programa social, e o Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Em janeiro, o valor mínimo do Auxílio Brasil voltará a R$ 400, a menos que nova proposta de emenda à Constituição seja aprovada. Tradicionalmente, as datas do Auxílio Brasil seguem o modelo do Bolsa Família, que pagava nos dez últimos dias úteis do mês. No entanto, portaria editada no início de agosto antecipou o pagamento da parcela deste mês para o período de 9 a 22.

O Auxílio Gás também será pago hoje às famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com NIS final 4. Com valor de R$ 110 neste mês, o benefício segue o calendário do Auxílio Brasil.

Com duração prevista de cinco anos, o programa beneficiará 5,5 milhões de famílias, até o fim de 2026. O benefício, que equivalia a 50% do preço médio do botijão de 13 quilos nos últimos seis meses, é retomado em agosto com o valor de 100% do preço médio, o que equivale a R$ 110. O aumento vigora até dezembro, conforme emenda constitucional promulgada pelo Congresso.

Pago a cada dois meses, o Auxílio Gás originalmente tinha orçamento de R$ 1,9 bilhão para este ano, mas a verba subiu para R$ 2,95 bilhões após a promulgação da emenda.

Só pode fazer parte do programa quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

O Auxílio Brasil tem três benefícios básicos e seis suplementares, que podem ser adicionados caso o beneficiário consiga emprego ou tenha filho que se destaque em competições esportivas, científicas ou acadêmicas.

Podem receber os benefícios extras as famílias com renda per capita até R$ 100, consideradas em situação de extrema pobreza, e até R$ 200, em condição de pobreza.

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TSE pede ajuda das Forças Armadas nas eleições

(Foto:| Hugo Barreto/Metrópoles). Segundo governo federal, militares irão ajudar a garantir votação em locais definidos pela Corte eleitoral

Nos últimos anos, há um grande questionamento acerca da segurança da urna eletrônica, notadamente quanto à inviolabilidade do dispositivo e a certeza da proteção do exercício do voto.

Em movimento inédito, as Forças Armadas, amparadas pelo Ministério da Defesa, têm atuado em peso na fiscalização das urnas eletrônicas, colocadas em xeque pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pensando nisso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) requisitou, por meio de ofício, o auxílio das Forças Armadas nas eleições deste ano. Os militares irão ajudar a garantir a votação em locais específicos definidos pela Corte eleitoral.

Ato pró-democracia mira Bolsonaro e pede respeito às urnas

Nesta quinta-feira (11), a informação foi divulgada pela Secretaria-Geral da Presidência da República. A expectativa é de que a medida seja oficializada em publicação do Diário Oficial da União desta sexta (12).

Vale ressaltar que a medida é habitual e busca, segundo o governo federal, garantir a tranquilidade e a ordem pública, em qualquer local do Brasil, durante as eleições. ( Com informações do Metrópoles).

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Petrobras anuncia nova redução no preço do diesel

(Foto:Reprodução) – Preço do litro vendido às distribuidoras terá redução de 4,07%, mas ainda é 55,39% maior que o praticado no final de 2021. Valores dos demais combustíveis seguem inalterados.

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (11) uma nova redução no preço do diesel vendido às distribuidoras.

A partir de sexta-feira (12), o litro do diesel passa a ser vendido a R$ 5,19, uma redução de R$ 0,22, ou 4,07%, em relação aos atuais R$ 5,41. Os preços dos demais combustíveis seguem inalterados.

É a segunda queda seguida anunciada no preço do diesel, após uma trajetória de alta que vinha desde julho de 2021: na semana passada, o valor do litro do combustível foi reduzido em 3,57%.

Com isso, apesar das duas quedas seguidas, o preço do diesel vendido às distribuidoras ainda é 55,39% maior que o praticado no final de 2021.

O diesel está entre os itens que mais pressionam a inflação brasileira: dados do IPCA divulgados na quarta-feira mostram que no acumulado em 12 meses até julho, o preço do combustível para os consumidores saltou 61,98%.

Em nota, a petroleira afirma que a redução “acompanha a evolução dos preços de referência, que se estabilizaram em patamar inferior para o diesel, e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.

Considerando a mistura obrigatória de 90% de diesel A e 10% de biodiesel para a composição do diesel comercializado nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 4,87, em média, para R$ 4,67 a cada litro vendido na bomba, de acordo com a estatal.

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Veja quem é Rosa Stanesco, presa por golpe de R$ 725 milhões em idosa e que diz ser vidente

Rosa Stanesco Nicolau: Mãe Valéria de Oxóssi — Foto: Reprodução

A mulher é conhecida por outros golpes na Justiça e nas redes sociais.

Rosa Stanesco Nicolau, que diz nas redes sociais ter mais de 20 anos de experiência espiritual, é uma das envolvidas no golpe que lesou uma idosa de 82 anos, no Rio de Janeiro, em R$ 725 milhões – entre transferências em dinheiro, obras de arte e joias.

Contudo, a mulher que se diz vidente e divulga já ter sido consultada mais de 180 mil pessoas, não foi capaz de prever a chegada dos policiais a sua casa na quarta-feira (10), na Rua Maria Quitéria, em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Era neste endereço que Rosa fazia suas consultas, e onde estavam também escondidas algumas obras de arte tiradas da casa da idosa. De acordo com o delegado Gilberto Ribeiro, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (Deapti), a desculpa usada por Rosa e a filha da idosa, Sabine Boghici, era que as obras precisavam ser rezadas.

“A filha e a Rosa começaram a levar as obras de arte da casa alegando que o quadro estava com mau-olhado, alguma coisa negativa, que precisava ser rezado. Eles foram levando, a idosa vendo aquilo, mas não tinha como recusar, estava completamente subjugada naquele momento, foram levando e levaram 16 quadros”, contou o delegado.

Especialista em fugas ousadas da polícia

Quando os agentes da Deapti chegaram, Rosa Stanesco tentou fugir pela janela, mas foi descoberta e impedida.

Em 2004, ela também tentou uma fuga ousada, quando policiais faziam uma averiguação de denúncia por cartões clonados contra o então marido de Rosa. Ela pediu que os policiais fossem com ela até sua casa, já que estava sem sua identidade. No local, pediu para o síndico tirar seu carro da porta da garagem para que os policiais pudessem entrar, ao sair do veículo policial, ela se evadiu e entrou no carro retirado da garagem.Com o marido de Rosa, foram encontrados três cartões clonados no nome dele, e três no nome dela.

Descoberta nas redes

Nas redes sociais, Rosa também não é mais uma unanimidade entre suas consulentes, que já alertavam que ela era charlatã.

“Está mulher e uma vigarista querendo se dar bem”, postou uma no ano passado.

“Vigarista de marca maior. Inventa história para pegar o seu dinheiro. Não caiam nessa cilada”, escreveu outra também em 2021.

Ameaça com espada

Em um processo de 2016, da 25ª Vara Criminal, uma consulente foi à Justiça narrando métodos e ameaças parecidas com os empregados com a idosa em 2022. Ela contou que Rosa queria mais dinheiro e passou a ameaçar sua família.

“A denunciada, na condição de mãe de santo conhecida como ´Maria Valéria de Oxóssi´, em comunhão de ações e desígnios com terceira pessoa não identificada, com consciência e vontade, constrangeu xxxxxx, que havia realizado um trabalho espiritual com a denunciada, mediante grave ameaça exercida com o emprego de uma espada, afirmando que mataria o marido, a filha e o namorado da filha de xxxxx, com intuito de obter, indevidamente, R$ 25 mil pelos supostos trabalhos realizados, sendo certo que anteriormente teria cobrado um valor menor pelo serviço”, diz trecho da denúncia do Ministério Público.

No decorrer do processo, a vítima acabou declarando que recuperou um dos cheques supostamente dados à vidente e a juíza do caso julgou a ação improcedente.

“O Estado-Juiz busca sempre a convicção firme e clara para que seja proferido um decreto condenatório. A incerteza não é suficiente para ensejar a segregação de um imputado. Ante a dúvida, impõe-se a absolvição. Em suma: os elementos indiciários foram satisfatórios para a instauração da ação penal e do desenvolvimento do devido processo legal, restando, ao término, aclarado a insuficiência da prova. Ante o exposto, julgo improcedente o pedido contido na denúncia”, decretou na época.

O golpe de R$ 725 milhões

De acordo com a polícia, foi de posse das informações que Sabine – com quem tem um relacionamento estável -, passava sobre a mãe de 82 anos, que elas montaram o plano para desviar os bens da idosa.

Rosa foi uma das falsas videntes que disseram que a filha da idosa iria morrer, mas que poderia se livrar do mal se a mãe da jovem fizesse um trabalho. O tal trabalho espiritual começou com grandes transferências de dinheiro, depois passou a cárcere privado da idosa – durante a pandemia -, e o posterior roubo dos quadros famosos, como a tela de Tarsila do Amaral. Ao todo, o prejuízo é estimado em R$ 725 milhões.

Ela, seu filho Gabriel Nicolau e sua prima, Jaqueline Stanesco foram presos no endereço da Maria Quitéria por envolvimento no golpe contra a idosa. Diana Rosa, que também se passava por vidente, e Slavko Vuletic, pai de Diana e padrasto de Rosa, seguem foragidos.

Jornal Folha do Progresso em 11/08/2022/

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