‘Tratado anacrônico’: entenda por que pilotos do Legacy que derrubaram avião da Gol não vão ser extraditados

Equipe da FAB resgata corpos de passageiros do voo 1907 da Gol na Floresta Amazônica, na reserva do Xingu Evaristo Sá (Foto:Reprodução/ AFP)

Tragédia deixou 154 mortos em 2006; Justiça brasileira decidiu que infrações dos americanos foram determinantes para acidente

Mesmo condenados pela Justiça por terem atingido e derrubado o avião da Gol, com 154 pessoas a bordo, em 2006, os pilotos americanos do jato Legacy não serão extraditados para cumprirem a pena no Brasil. Em maio deste ano, o governo dos Estados Unidos confirmou às autoridades brasileiras a decisão de não dar seguimento ao pedido de extradição por entender que os crimes não encontram amparo no Tratado Bilateral de Extradição entre os dois países.

Os americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino conseguiram fazer um pouso de emergência e saíram ilesos do incidente. Anos depois, foram condenados por “atentado contra a segurança de transporte aéreo”. O advogado e mestre em direito internacional Victor Del Vecchio explica que este crime não está previsto entre os delitos regulados pelo tratado, que é de 1965, o que dificulta a aplicação do instrumento firmado entre Brasil e Estados Unidos.

    Tragédia na Amazônia: Choque de jato Legacy e Boeing da Gol mata 154 pessoas

Além disso, o documento estabelece condições para a entrega recíproca dos indivíduos condenados.

— São listados os crimes que são regulados pelo instrumento e, ainda, consta a necessidade de que ambos os países reconheçam a conduta como crime nas suas legislações internas, e que haja previsão de pena de privação de liberdade com um ano ou mais de duração nas respectivas regulações leis nacionais — detalha o especialista. — O tratado data de 1965, e o rol de crimes indicados pode ser considerado desatualizado, sobretudo se levarmos em consideração que a regulação da aviação civil, por exemplo, já evoluiu muito nesses quase 60 anos.

Del Vecchio destaca que outras áreas em que o tratado pode ser aplicado também estão defasadas em relação às regulações que ocorreram em cada país nos últimos anos.

— Por exemplo, constam ainda crimes ou delitos contra as leis relativas ao tráfico, uso, produção ou manufatura de narcóticos ou cannabis, algo já descriminalizado em muitos estados americanos e, a depender da finalidade de uso, também no Brasil. Crimes com recorte de gênero também carregam regulações anacrônicas, já que em alguns casos só possibilitam a extradição quando praticados contra menina que, portanto, ainda não atingiu a idade adulta. O texto do instrumento deveria contemplar todas as mulheres, independentemente da idade — avalia o advogado.

Parentes de vítimas vivem a expectativa, agora, de que as autoridades brasileiras se articulem para que os pilotos cumpram a condenação, mesmo que branda, em solo americano.

O governo americano confirmou a recusa em 5 de maio, conforme informou ao GLOBO o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Justiça. “Embaixada dos EUA transmitiu informação de que o Governo daquele país não deu seguimento ao pedido por entender que os crimes não encontram amparo no Tratado Bilateral de Extradição entre Brasil e EUA”, diz o comunicado.

O pedido de extradição foi feito em 13 de novembro de 2019, em nome da 1ª Vara Federal de Sinop, em Mato Grosso. O juiz responsável pelo caso já foi informado da decisão.

O voo 1907 da Gol fazia o trajeto Manaus-Brasília, tendo o Rio como destino final. Atingido pelo Legacy, caiu no Norte do Mato Grosso, a 692 km de Cuiabá, na reserva indígena do Xingu, já na divisa com o Pará. A Justiça Federal analisou que infrações cometidas por Lepore e Paladino foram determinantes para o acidente e pediu a prisão dos dois, condenados a três anos de prisão em regime aberto.

Não cabe recurso contra a condenação desde 2015. Na época, o Ministério da Justiça brasileiro emitiu uma intimação, mas o Departamento de Justiça americano afirmou não haver jurisdição para aplicar a sentença.
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Relembre o caso

Na maior tragédia da aviação brasileira até então, no fim da tarde de 29 de setembro de 2006, uma sexta-feira, o jato da empresa Excel Air pilotado por Paladino e Lepore bateu na asa esquerda do Boeing 737-800.

Após quase 24 horas de buscas, os destroços da aeronave foram encontrados numa área de mata fechada da Floresta Amazônica. O Legacy (fabricado pela Embraer) teve parte de uma das asas e a cauda danificadas, mas conseguiu fazer um pouso de emergência num campo de provas da Força Aérea Brasileira (FAB) na região de Alta Floresta.

Entre as vítimas da tragédia, estavam um bebê de 11 meses que viajava com a mãe e outras quatro crianças, de até 12 anos, além de dois cientistas da Fundação Oswaldo Cruz, médicos, funcionários do Inmetro e um grupo de amigos capixabas que viajaram para pescar.

Noticiada por sites, jornais e TVs de todo o mundo, a tragédia ficou quase cinco anos sem qualquer punição. Somente em maio de 2011, os pilotos americanos foram condenados, pela Justiça de primeira instância, a quatro anos e quatro meses de detenção, por crime culposo (sem a intenção de matar) contra a segurança do transporte aéreo. O juiz federal Murilo Mendes, de Mato Grosso, decidiu que a pena deveria ser substituída por prestação de serviços comunitários em órgãos brasileiros nos Estados Unidos.

O Ministério Público Federal e a Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 da Gol entraram com recurso contra a decisão. A pena foi reduzida para três anos, um mês e dez dias, em regime aberto, por decisão do Tribunal Regional Federal, em 15 de outubro de 2015.

O que causou o acidente

Segundo o magistrado, os pilotos foram negligentes ao não observarem o funcionamento do transponder (equipamento que transmite dados como velocidade, direção e altitude do avião, alertando sobre possível choque com objetos, e altera automaticamente a rota da aeronave) e do TCAS (dá informações ao piloto sobre outros aviões nas proximidades). Relatório da Aeronáutica concluiu que a hipótese mais provável foi o desligamento do transponder pelos pilotos, de forma não intencional. O relatório também constatou várias falhas dos controladores de voo na tragédia.

Em 2010, a Justiça Militar condenou o sargento e controlador de voo Jomarcelo Fernandes dos Santos a um ano e dois meses de detenção por causa do acidente com o voo 1907 da Gol e o Legacy. Ele respondeu por homicídio culposo – sem intenção de matar. Jomarcelo foi acusado de não informar sobre o desligamento do sinal anticolisão do Legacy e por não ter avisado o oficial que o substituiu no controle aéreo sobre a mudança de altitude do jato. Outros quatro controladores – João Batista da Silva, Felipe Santos Reis, Lucivando Tibúrcio de Alencar e Leandro José Santos de Barros – foram absolvidos.

Fonte: O Globo/ Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 21/07/2023/05:25:27

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Operação já causou R$ 1,4 bilhão de prejuízo ao crime no Amazonas

O Estado do Amazonas está na vice-liderança em relação aos danos ao crime no âmbito da operação Hórus/Fronteira Mais Segura, entre os 11 estados da federação, que realizam a ação. Desde o início da operação, em 2019, até junho deste ano, o empenho das forças policiais resultou em cerca de R$ 1,4 bilhão de danos, resultado da apreensão de drogas, armas, munições, minerais, ouro e embarcações.

No Amazonas, a operação é coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), por meio do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteiras e Divisas (GGI-F), que conta com efetivo das Polícias Civil (PC-AM), Militar (PMAM) e Corpo de Bombeiros (CBMAM), Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e Força Nacional. Ao todo, desde o lançamento da operação, em outubro de 2019, o dano total ao crime causado no Amazonas chega a R$1,4 bilhão, alcançando a segunda colocação no ranking nacional, atrás apenas do estado do Mato Grosso.

Entre as apreensões, destacam-se os entorpecentes, que lideram os valores em prejuízo ao crime no estado, principalmente nas hidrovias. O secretário da SSP-AM, general Carlos Alberto Mansur, destacou que os números são resultados dos investimentos realizados pelo governador Wilson Lima, associado ao empenho das forças de Segurança e Salvamento no cumprimento da operação. “O trabalho realizado em áreas de fronteira e nas hidrovias é um destaque do estado do Amazonas. E o governador não tem medido esforços para manter o Estado bem equipado com novas tecnologias. Ele tem realizado um investimento muito pesado na aquisição de equipamentos que têm subsidiado nossas equipes. Tudo isso tem resultado em prejuízo bilionário ao crime. Isso mostra que estamos no descapitalizando as organizações criminosas”, comentou Mansur. O secretário destacou, ainda, o empenho das equipes envolvidas nas operações. “Tudo isso é fruto de um comprometimento muito forte dos nossos policiais e de todas as forças de Segurança e Salvamento, que passam dias percorrendo nosso imenso Amazonas com um único objetivo, dar mais sensação de segurança a toda a nossa população”, afirmou. Primeiro Semestre.19horus2

O coordenador do GGI-F, capitão Diego Magalhães, ressaltou que, durante o primeiro semestre deste ano, as ações resultaram em mais de R$ 326 milhões de danos ao crime. Deste total, as apreensões de entorpecentes geraram R$ 283 milhões. Além disso, foram apreendidas, ainda, 96 armas de fogo, 3,146 munições, e efetuadas 263 prisões. “Esses resultados nos deixam mais motivados e mostram o empenho das forças empregadas na operação, muito bem articuladas pelo secretário de Segurança, que tem recebido todo o apoio e incentivo do governador Wilson Lima; e, claro, do agente de segurança pública, que se mantém motivado às demandas da região no combate aos crimes”, destacou o coordenador.

Texto copiado de: https://www.portalmarcossantos.com.br/2023/07/19/operacao-ja-causou-r-14-bilhao-de-prejuizo-ao-crime-no-amazonas/

Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 21/07/2023/05:25:27

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Bíblia e avião: como missionários buscam indígenas na Amazônia

Asas de Socorro, uma organização cristã missionária que fornece apoio logístico, incluindo aviões, para áreas remotas. Foto: Reprodução/Asas do Socorro

Presença de grupos religiosos que atuam na evangelização de indígenas se intensificou durante governo Bolsonaro com ideologia conservadora e estratégias criticadas, como ofertas em dinheiro.

(Por Tatiana Merlino, especial para O Joio e O Trigo e Repórter Brasil)  –“Nós respeitamos os governos até o ponto em que eles falam contra a palavra de Deus. (…) A palavra de Deus [está] acima de tudo”. Embora pareça slogan político da extrema direita brasileira, a declaração é do missionário evangélico Andrew Tonkin, processado no Brasil por invasão de terras indígenas.

Colocar a religião acima das leis não é retórica exclusiva de Tonkin, mas um indício do que são capazes algumas denominações religiosas para evangelizar povos indígenas, principalmente na Amazônia.

Alguns missionários são pilotos e usam aeronaves próprias para percorrer longas distâncias. A maioria dessas organizações tem sede nos Estados Unidos e faz vaquinhas virtuais para financiar as ações, como a formação de pastores-pilotos e a tradução da Bíblia para o idioma nativo das comunidades. Algumas traduções, contudo, têm a qualidade questionada.

Esses grupos demonstram ainda especial interesse em alcançar povos isolados – uma violação à Constituição Federal e a tratados internacionais firmados pelo Brasil que pregam o respeito aos costumes e modos de vida dos povos originários.

Uma das regiões com maior assédio é o Vale do Javari, região com a maior concentração de povos isolados no país. “A gente observa uma presença cada vez maior [de missionários evangélicos], de diferentes doutrinas”, afirma Eliesio Marubo, procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Embora os grupos atuem ali desde os anos 1960, Eliesio conta que foi durante o governo de Jair Bolsonaro que se intensificaram a presença dos religiosos e as investidas a indígenas na região. “Eles buscam sobretudo contato com alguns indígenas que moram na cidade, oferecendo dinheiro e vantagens”, relata.

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Para controlar a situação, a Univaja entrou em 2020 com ação na Justiça Federal para pedir a expulsão de missionários que estavam fazendo operações em busca do povo Korubo, considerado de recente contato.
Entre os acusados está Andrew Tonkin, da missão Frontier International, que falou com O Joio e O Trigo e Repórter Brasil por e-mail. Ele diz agir guiado pelo Espírito Santo e que, embora esteja atualmente no Iraque, mantém um programa de rádio com suas pregações para os indígenas.

Questionado se tentou acessar povos isolados, ele respondeu: “Nunca tive o privilégio de conhecer nenhum”. Apesar de não confirmar a tentativa de evangelização de indígenas isolados e afirmar que respeita as autoridades, ele não descartou agir ilegalmente, se a lei estiver “contra a palavra de Deus”.

“Acredito que Deus tenha colocado os governos e nós obedecemos às leis dos seres humanos. Respeitamos os governos e obedecemos até o ponto em que eles ensinam ou falam contra a palavra de Deus. Nós colocamos Jesus Cristo e a palavra de Deus acima de tudo. É nossa autoridade final”, declara. Leia a entrevista na íntegra.

Andrew Tonkin é processado por tentar entrar ilegalmente em terras indígenas onde vivem isolados . Foto: Reprodução/Facebook
Andrew Tonkin é processado por tentar entrar ilegalmente em terras indígenas onde vivem isolados . Foto: Reprodução/Facebook

De avião

Além de Tonkin, a Univaja também processou o missionário-piloto Wilson Kannenberg. Ele é ligado à norte-americana Asas de Socorro, uma organização cristã missionária que fornece apoio logístico, incluindo aviões, para áreas remotas. Kannenberg teria usado um hidroavião para acessar o Vale do Javari e tentar burlar a fiscalização que impede a entrada no território.

Segundo a Univaja, a Asas de Socorro não faz apenas “missões humanitárias”, mas promove invasões de terras indígenas em busca de povos isolados.

A Asas tem sede em Anápolis, Goiás, cidade que funciona como centro de operações para diversas organizações de missionários que atuam na Amazônia. A entidade subsidia a formação de pilotos e mecânicos, o que a torna atraente também para quem não tem interesse na atividade religiosa.

A Asas se recusou a responder às perguntas enviadas pela reportagem. Em uma nota assinada por uma advogada, negou participação em qualquer atividade ilegal.

Asas de Socorro, uma organização cristã missionária que fornece apoio logístico, incluindo aviões, para áreas remotas. Foto: Reprodução/Asas do Socorro
Asas de Socorro, uma organização cristã missionária que fornece apoio logístico, incluindo aviões, para áreas remotas. Foto: Reprodução/Asas do Socorro

Outro citado na ação movida pela Univaja e aceita pela Justiça Federal em Tabatinga (AM) é Josiah Mcintyre, da Ethnos360 – uma organização missionária americana ligada à Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB).

Durante a pandemia, missionários da MNTB realizaram sobrevoos de helicóptero na TI Vale do Javari, sem autorização da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas). Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, o helicóptero Robinson R-66 teria sido adquirido no fim de 2018, com doações de simpatizantes no site da entidade nos Estados Unidos. A MNTB também foi processada pela Univaja. Os três missionários e a MNTB foram proibidos de entrar no território pela Justiça.

“É curioso como muitos cientistas batalham e não conseguem autorização para passar um ano na floresta e eles [missionários] permanecem por décadas sem [sofrer] interferência nenhuma”, analisa o linguista Daniel Everett, ex-missionário norteamericano que hoje é ateu e crítico dessas denominações religiosas.

Kannenberg foi localizado pelas redes sociais, mas não respondeu aos pedidos de entrevista. Josiah Macintyre não foi localizado pela reportagem.

Procurada, a MNTB disse, em nota, que atua “dentro da legalidade, em respeito à lei, aos povos indígenas e aos seus direitos constitucionais de autodeterminação”. Afirmou ainda que não colocou em risco os povos indígenas do Javari durante a pandemia e que deixou a região antes mesmo da ordem judicial. Leia o posicionamento completo.

Vale do Javari é a região com maior concentração de indígenas isolados do mundo. Foto: Gleison Miranda/Funai
Vale do Javari é a região com maior concentração de indígenas isolados do mundo. Foto: Gleison Miranda/Funai

Bíblia sem ambiguidade

Após desembarcarem no país, os missionários aprendem os idiomas dos povos originários, produzem dicionários e gramáticas e usam esse conhecimento para traduzir a Bíblia e pregar para os indígenas em suas línguas nativas. Porém, sutilezas do livro sagrado acabam ficando de fora das traduções, avalia Everett.

“A Bíblia é um livro bastante ambíguo e, na tradução, o missionário já tira essa ambiguidade, para adaptar o texto a sua própria ideologia, muito conservadora e ligada ao discurso da extrema-direita cristã”, explica o ex-missionário.

Utilizado desde os anos 1960, esse método continua sendo largamente empregado pelos missionários. O Ethnos360 mantém arrecadações abertas para financiar traduções do livro sagrado dos cristãos para os idiomas de povos originários de diferentes localidades do planeta.

No site da instituição, é possível doar dinheiro diretamente para o trabalho de cada um dos missionários, mesmo que a página não especifique o que fazem e o município onde atuam. Só no Brasil, atuam mais de 50 missionários.
Outro site ligado às missões estrangeiras é o Joshua Project. A entidade tenta atrair ao menos 47 religiosos para atuar no Brasil, com mapas de locais onde as atividades devem ser desenvolvidas.

Entre os públicos alvos da pregação no país estão judeus, islâmicos e outras comunidades estrangeiras. Mas o grande foco são os indígenas.

“A ideologia levada pelos missionários é reacionária e ligada aos valores dos Estados Unidos”, afirma Everett. Ele lembra que boa parte desses religiosos apoiava a ditadura militar e, mais recentemente, Bolsonaro. E recebia benefícios em troca, como a permanência nos territórios indígenas.

É o caso do pastor Steve Campbell, da igreja Greene Baptist Church, cuja família atua há 60 anos entre os Jamamadi, em Lábrea (AM). Levado pelos pais, também missionários, em 1963, ele fala a língua dos indígenas e convive com eles desde criança.

Segundo o indigenista Daniel Cangussu, um dos principais impactos causados pela presença do missionário é o conflito geracional. Campbell apoia lideranças mais jovens, que têm melhor domínio do português e do uso de tecnologias, o que contribui para deslegitimar os mais velhos.

“Há um efeito grave nas aldeias, pois os mais velhos perdem a credibilidade. Isso é bem sério, eles têm se afastado entre si e isso desorganiza bastante a situação interna. É algo que a gente nunca viu acontecer”, explica Cangussu.

Em 2018, o missionário Campbell foi expulso pela Funai da Terra Indígena Jarawara/Jamamadi/Kanamanti, após liderar uma expedição que entrou, sem autorização das autoridades, no território do povo isolado Hi-Merimã – o que é proibido. Por causa desse episódio, Campbell passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal.

O imbróglio vem prejudicando o atendimento à saúde dos Jamamadi, já que as lideranças atuais dizem que servidores da Funai e da saúde indígena só poderão entrar no território novamente após o retorno do missionário.

Dentre outros motivos, Campbell consolidou sua influência entre os Jamamadi por conseguir aviões e helicópteros para pessoas que necessitavam de transporte para hospitais na cidade, em casos de emergência.

Na avaliação de Everett, é preciso restringir a presença dos missionários nas terras indígenas. Porém, isso demanda investimentos em profissionais de saúde e voos de urgência, por exemplo.

“O Brasil já tentou diversas vezes expulsá-los dos territórios indígenas sem sucesso, porque eles ignoraram as decisões. E eles não vão sair apenas porque o governo falou que eles não podem ficar lá. Esses missionários acreditam que a lei de Deus está acima das leis de qualquer país”, finaliza.

Reportagem realizada com apoio do Rainforest Journalism Fund (RJF) em parceria com o Pulitzer Center.
* Colaborou Leonardo Fuhrmann

Fonte: e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 21/07/2023/05:25:27

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Novo equipamento da PRF descobre se carro tem peças roubadas

 (Foto:PRF/Divulgação) – A Polícia Rodoviária Federal já começou a usar um novo equipamento capaz de identificar peças não originais ou sem procedência legal nos veículos em fiscalizações.

O sistema é chamado de DIV (Detecção Inteligente de Veículos) e é conectado ao veículo para fazer a leitura dos módulos, chassi e componentes ligados à eletrônica. Funciona com  carros, caminhões, motos, ônibus e até em embarcações.

Em dois minutos a plataforma usa os dados do carro com a base de dados do SENATRAN, permitindo a detecção de módulos, falhas e defeitos mecânicos ou eletrônicos, além de verificar itens de segurança.

O DIV é capaz de interpretar se os módulos pertencem ao carro (a troca pode ser usada para “esquentar” carros usados), se componentes dos airbags e freio ABS foram trocados, se a quilometragem foi alterada ou se algum outro componente original do veículo foi substituído indevidamente.

“Com esse diagnóstico, o saldo para a sociedade é a diminuição da emissão de poluentes, queda no número de furtos de peças – e consequente comércio ilegal de peças sem procedência -, acidentes por falta de manutenção e clonagem de veículos. Impacta diretamente na diminuição do roubo de veículos e ainda traz mais transparência e credibilidade ao mercado automotivo.” Afirma o CEO do DIV, Myri Teixeira.

A fiscalização com o uso do DIV pode ajudar a recuperar carros roubados. Atualmente, o sistema está em funcionamento nas cidades do interior do estado de São Paulo, Recife e Goiânia, e está em fase de testes com as Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar de São Paulo e Polícia Rodoviária de São Paulo.

Fonte: e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/07/2023/05:25:27

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Arco Amazônico movimentou mais de 31 milhões de toneladas em maio deste ano

Os dados são do Relatório da Antaq e representam um aumento de 14,9% em comparação com o mesmo mês do ano anterior – (Foto:Reprodução)

Entre janeiro e maio deste ano, setor aquaviário movimentou mais de 113 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 10,43% em relação ao ao total registrado no mesmo período em 2022

Julho, 2023. Após um resultado positivo nos primeiros cinco meses do ano, com crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2022, o setor portuário brasileiro encerrou o mês de maio com a movimentação de 113,2 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 10,43% em relação a maio de 2022.

Já os portos do Arco Amazônico, localizados nos estados do Roraima, Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão, movimentaram 135,1 milhões de toneladas no período de janeiro a maio de 2023, com destaque para a movimentação de minério de ferro que representa 67,2% da carga transportada. Os dados são da Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e refletem o crescimento impulsionado pelo aumento na movimentação de minério de ferro, soja e petróleo.

O presidente da Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport), Flávio Acatauassú, explica que o crescimento da utilização do modal hidroviário é uma realidade e uma evolução para o país, indo ao encontro de práticas sustentáveis.

“O transporte hidroviário apresenta eficiência energética 29 vezes superior ao rodoviário e consome 19 vezes menos combustível. Além disso, emite seis vezes menos gás carbônico que o modal rodoviário. É uma movimentação natural este crescimento, o que vemos com muito bons olhos, por promover crescimento para o país eara região Amazônica de forma sustentável”, explica o executivo.

Terminais privados

Os Terminais de Uso Privado (TUPs) registraram 72,74 milhões de toneladas movimentadas em maio de 2023. O número representa um aumento de 10,11% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O destaque positivo foram os TUPs localizados em Vila do Conde, PA, com mais de 2,5 milhões de toneladas, representando uma variação positiva de 25,9% quando comparado a maio de 2022.
“A Amport, que representa os interesses de 12 importantes players do segmento, celebra esses números e reafirma a importância de maximizar a movimentação aquaviária para potencializar ganhos de eficiência, sustentabilidade, redução de custos e de gargalos operacionais”, completou Flávio Acatauassú.

Para Flávio Acatauassú, presidente da Amport, o crescimento é uma evolução para o país que vai de encontro às práticas de sustentabilidade.

Fonte: Ascom Amport/ Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/07/2023/05:25:27

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Automatização para e-commerce é o tema da live AproxiME

O evento on-line do programa AproxiME Correios, que acontece nesta quinta-feira (20), apresentará o tema “A Automatização Ideal para o E-commerce”, com o convidado Geferson Alencar, cofundador na CPAP CARE, empresa renomada no mercado de cuidados respiratórios.

Uma gestão efetiva do e-commerce é fundamental para o sucesso do negócio. Para criar uma presença online bem-sucedida, aumentar as vendas, melhorar a experiência do cliente e se manter competitivo, a gestão eficiente e eficaz do e-commerce tem enfrentado desafios que exigem do empreendedor pensar em cada detalhe do suporte ao comércio digital. Alguns segundos podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma venda. O erro no estoque de produtos pode acarretar a perda de um cliente em potencial. Dentre outros inúmeros fatores, podemos ver o quão importante é a automatização das empresas que operam o e-commerce.

E todo esse universo de dinâmicas e rápidas mudanças comportamentais, que dão mais profissionalismo ao comércio eletrônico em todas as suas etapas, com a necessária e adequada automatização, de acordo com o perfil do negócio digital, será o tema central da live.

Geferson Alencar é apaixonado da Tecnologia da Informação e empreendedor do mundo do e-commerce, tem mais de 7 anos de experiência, se tornando uma figura respeitada e influente nesse dinâmico setor. Sua visão estratégica e habilidades técnicas têm sido fundamentais para impulsionar o crescimento e o sucesso da empresa que gerencia. Geff, como é conhecido, dedica seu tempo a compartilhar conhecimentos e ajudar outros empreendedores, estando presentes em todas as mídias sociais.

Com lives quinzenais, o Programa AproxiME Correios oferece aos micro e pequenos empreendedores uma vasta gama de soluções, desde a disponibilização de e-books, vídeos, informativos e lives, além de oferecer consultoria completa para e-commerce. Também é possível por meio da página Vitrine divulgar a empresa parceira no portal do AproxiME.

 

Serviço
Live AproxiME Correios – “A Automatização Ideal para o E-commerce” com Geferson Alencar, cofundador na CPAP CARE
Data: 20/7/2023, quinta-feira
Horário: 11h (horário de Brasília/DF)
Assista no canal dos Correios no YouTube

 

Fonte:  Ascom Correios/Foto:Redes sociais e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/07/2023/17:25:35

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Alagoano de 10 anos conquista medalha de prata em olimpíada de matemática nos Estados Unidos

(Foto:Reprodução) – Um alagoano de apenas 10 anos de idade, aluno do 5º ano de uma escola privada de Maceió, foi um dos destaques da 4ª Olimpíada Copernicus de Matemática, realizada em Nova York, entre 9 e 13 deste mês de julho.

A etapa final aconteceu na Universidade de Columbia, em Nova York. Durante toda a competição foram recebidos 2.567 exames on-line e 445 foram finalistas.

Foto:Reprodução
Foto:Reprodução

Raphael Villanova Matos conquistou medalha de prata, sendo o único do Nordeste a conseguir esse lugar no pódium.

A primeira fase foi pela Internet e contou com a participação de estudantes de 40 países, em 25 de março deste ano. A segunda etapa, intitulada Round Global, foi presencial.

 

Fonte:.tnh1.com.br e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/07/2023/15:48:26

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Programa federal oferta bolsas de estudos para mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas

O evento de lançamento irá ocorrer no Centro de Eventos Benedito Nunes, no Campus Guamá da Universidade Federal do Pará (UFPA). (Foto: Alexandre Yuri / Ascom Ufpa).

O “Atlânticas – Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência”, do governo federal, será lançado nesta quinta-feira (20), no Centro de Eventos Benedito Nunes, no campus Guamá da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém

Um programa de bolsas de estudos para mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas será lançado nesta quinta-feira (20), em Belém. Trata-se do “Atlânticas – Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência”, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Ministério das Mulheres, oMinistério dos Povos Indígenas e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A iniciativa faz parte das ações desenvolvidas aumentar a presença e permanência de mulheres em programas de doutorado sanduíche e pós-doutorado no exterior, em qualquer área do conhecimento, de modo a fomentar trajetórias acadêmicas bem sucedidas e oportunizar reconhecimento intelectual e profissional às mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas no Brasil e no exterior.

O evento de lançamento será presencial, nesta quinta-feira (20), no Centro de Eventos Benedito Nunes da Universidade Federal do Pará (Rua Augusto Corrêa, 01 – Guamá, Belém/PA), das 14h às 16h, e contará com a presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e outras autoridades. A participação no evento é gratuita, mas os interessados devem realizar a inscrição pelo link do evento.

O Consulado do Japão em Belém está recebendo, até o dia 2 de junho, as inscrições para pleitear as bolsas de estudo na modalidade de pesquisa/pós-graduação. Nas modalidades de graduação, escola técnica e curso profissionalizante as inscrições vão de 1º a 21 de junho
Consulado do Japão em Belém inscreve para bolsas de estudo em universidades daquele País

O evento também contará com a presença da ministra das Mulheres, Cida Gonçalvez; do diretor científico do CNPq, Olival Freire; e da professora emérita da UFPA, Zélia Amador de Deus.

Durante a programação, haverá a participação da Jaqueline Goes de Jesus, a biomédica negra responsável pelo sequenciamento do genoma do coronavírus, assim como da Luena Nascimento, antropóloga e sobrinha de Beatriz Nascimento, a historiadora, escritora, poeta e pesquisadora que dá nome ao programa.

 

Fonte:Vitória Reimão e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/07/2023/15:03:10

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Marcos do Val chega à PF para esclarecer suposto plano golpista

(Foto:Geraldo Magela/Ag. Senado) – O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento na última semana, negando envolvimento, mas admitindo a reunião com Val.

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) está na sede da Polícia Federal em Brasília, onde chegou por volta das 14h desta quarta-feira (19), para prestar depoimento sobre um suposto plano golpista criado em conjunto com o ex-deputado Daniel Silveira e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que prestou depoimento na última semana, negando envolvimento, mas admitindo a reunião com Val.

Segundo a suspeita, os três envolvidos criaram um plano para gravar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A PF apura se o senador, junto de Daniel Silveira e do então presidente Jair Bolsonaro, discutiram trama para anular o resultado das eleições.

Marcos do Val já chegou a afirmar que, em dezembro de 2022, os três se reuniram para criar uma estratégia de gravar uma declaração comprometedora do magistrado, fato que motivou a investigação.

O ex-presidente prestou depoimento na última semana e confirmou o encontro, mas negou que Moraes tenha sido mencionado durante a conversa. Ele alegou que “nada foi falado” sobre o magistrado ou sobre a prática de algum ato antidemocrático.

 

Fonte:O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/07/2023/15:17:18

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Governo Federal institui novo Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social

Objetivo é zerar as filas no atendimento; quadro de profissionais do INSS poderá ser reforçado com servidores das carreiras do seguro social, perito médico federal, supervisor médico pericial e perito médico da previdência social

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, instituiu nesta terça-feira (18/7), por meio da Medida Provisória nº 1.181, o Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social (PEFPS). O objetivo da iniciativa é zerar as filas de atendimento de demandas previdenciárias dos cidadãos, sejam elas administrativas ou judiciais, necessitando ou não de avaliação pericial para sua conclusão.
A publicação no Diário Oficial da União ocorre uma semana após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmar que o Governo Federal está trabalhando para zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os objetivos do PEFPS está o de reduzir o tempo de análise de processos administrativos e avaliação social de benefícios administrados pelo INSS.
Também visa dar cumprimento a decisões judiciais em matéria previdenciária cujo prazo tenha expirado; e realizar exame médico pericial e análise documental relativos a benefícios previdenciários ou assistenciais, administrativos ou judiciais, que representem acréscimo real à capacidade operacional regular de conclusão de requerimentos.
Servidores das carreiras do seguro social, perito médico federal, supervisor médico pericial e perito médico da previdência social poderão participar do PEFPS, no âmbito de suas atribuições. Eles receberão Pagamento Extraordinário por Redução da Fila do INSS (PERF-INSS) e Pagamento Extraordinário por Redução da Fila da Perícia Médica Federal (PERF-PMF).
FUNAI – A MP 1.181 também altera a Lei nº 8.745, de 9 de dezembro de 1993, que trata de contratações na Fundação Nacional do Índio (Funai). Segundo o Art. 7º, serão reservadas a indígenas de 10% a 30% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos do quadro de pessoal da Funai, conforme critérios estabelecidos em regulamento do Poder Executivo federal.
A medida também altera, entre outros pontos, o Art. 9º, determinando que o ingresso em cargos efetivos para exercício de atividades nos territórios indígenas será feito mediante concurso público, podendo prever pontuação diferenciada aos candidatos que comprovem experiência em atividades com populações indígenas.

Fonte: Agência Brasil – Com foto e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/07/2023/11:01:27

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