“Fruto de rebeldia”, diz mãe de jovem “desertora” esquartejada pelo CV

(Foto: Reprodução) – Em um possível ato de vingança, a jovem foi esquartejada, teve uma das mãos colocada dentro de uma bolsa e um bilhete na boca

A mãe da jovem assassinada e esquartejada por integrantes do Comando Vermelho (CV) usou as redes sociais para fazer um desabafo sobre a morte cruel da filha. Identificada como Li Lima (foto em destaque), a mulher relatou que filha Ana Luiza Lima Brito, de 21 anos, não ouviu os seus conselhos e acabou seguindo na vida do crime. Ela disse que não busca justiça nem quer saber quem cometeu o crime: “A justiça não vai trazer minha filha de volta”. Em tom de alerta, a mãe ainda refletiu sobre as escolhas da filha: “O que aconteceu com minha filha é fruto de desobediência. Fruto da rebeldia, de achar que é dona do mundo”.

Ela também disse que tentou encontrar oportunidades de emprego para a garota. “Tentei tirar ela dessa vida, ofereci para trabalhar comigo, mas Ana Luiza já tinha 21 anos e eu não podia obrigar, né?”.

Em um possível ato de vingança, a Ana Luiza foi esquartejada, teve uma das mãos colocada dentro de uma bolsa e um bilhete foi inserido em sua boca. O conteúdo do recado ainda não foi divulgado pela polícia. O caso é investigado pela Polícia Civil de Eunápolis, no extremo sul da Bahia.

O corpo da jovem foi encontrado na manhã dessa quarta-feira (25/6), esquartejado, às margens de uma estrada de terra no bairro Delta Park, nas imediações da BR-367.

Segundo as investigações, Ana Luiza foi assassinada por integrantes do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção aliada ao Comando Vermelho (CV). A motivação seria a suspeita de que ela tivesse delatado o paradeiro de Matheus Rodrigues de Souza, de 24 anos, para rivais do Bonde do Maluco (BDM), grupo ao qual ela estaria migrando. Matheus foi morto a tiros na noite de segunda-feira (23), no bairro Gusmão.

Câmeras de segurança registraram o momento em que Matheus foi executado em um estabelecimento comercial. A polícia acredita que a jovem tenha facilitado o ataque. Ana e Matheus não tinham um relacionamento estável. Segundo a polícia, estavam se envolvendo há cerca de uma semana, desde que ele deixou o sistema prisional.

O homem suspeito de matar Matheus já foi identificado pela polícia e é apontado como executor de desafetos do BDM em Eunápolis. O nome dele é mantido em sigilo para não comprometer as investigações. Já sobre o assassinato de Ana Luiza, a autoria ainda está sendo apurada.

Imagens do assassinato de Ana circulam em redes sociais e mostram cenas de extrema violência, incluindo partes do esquartejamento. A polícia reforça que compartilhar esse tipo de conteúdo configura crime.

 

Fonte: Mirelle Pinheiro – Google News – Metrópoles  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 27/06/2025/08:38:17

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Novo Progresso está entre os 15 municípios que mais queimaram floresta no país em quatro décadas

Dos cinco municípios que mais queimaram floresta nos últimos 40 anos, três estão localizados no estado do Pará, segundo o MapBiomas (Fotos: Ana Jaguatirica/Arquivo/CENARIUM | Composição: Paulo Dutra/CENARIUM).

Três desses municípios ficam no bioma Amazônia, um está no Pantanal e outro no Cerrado, conforme a “Coleção 4” de mapas de cicatrizes de fogo do Brasil e a primeira edição do Relatório Anual de Fogo (RAF) do MapBiomas, lançada nesta terça-feira, 24, em Brasília.

De uma lista com 15 municípios, sete estão no Cerrado, seis na Amazônia e dois no Pantanal. Corumbá (MS) ocupa o primeiro lugar como o município que mais queimou floresta entre 1985 e 2024, com 3,8 milhões de hectares destruídos.

Na sequência estão os municípios de São Félix do Xingu, Altamira e Cumaru do Norte — todos no Pará — que, juntos, destruíram 6 milhões de hectares de floresta nativa, segundo o MapBiomas Fogo. O quinto maior destruidor é Formosa do Rio Preto, localizado na região do Cerrado da Bahia, com 1.388.520 hectares desmatados.

A capital de Rondônia, Porto Velho, também aparece no ranking, ocupando a sexta posição entre os 15 municípios que mais queimaram floresta no bioma Amazônia, totalizando 1.255.556 hectares. Os estados do Pará e de Mato Grosso têm, cada um, quatro municípios nas estatísticas do MapBiomas com as maiores áreas acumuladas de vegetação queimada desde o início do monitoramento em 1985.

Relatório destaca os estados com maior área queimada acumulada (Reprodução/MapBiomas)
Relatório destaca os estados com maior área queimada acumulada (Reprodução/MapBiomas)

Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu e Cumaru do Norte, no sul do Pará, fazem parte do chamado Arco do Desmatamento, que inclui municípios prioritários para ações de prevenção e controle de desmatamento e queimadas, especialmente durante o período seco.

Segundo o MapBiomas, os 15 municípios que mais queimaram representam 10% de toda a área queimada no Brasil nos últimos 40 anos. Também aparecem no ranking os municípios de São Desidério (BA), Cocalinho (MT), Balsas (MA), Paranatinga (MT), Cáceres (MT), Alto Parnaíba (MA), Formoso do Araguaia (TO) e Vila Bela da Santíssima Trindade (MT).

2024 bate recorde de área queimada na Amazônia

O ano de 2024 registrou um recorde na área queimada na Amazônia, com 52% do total da área nacional afetada por incêndios — o maior valor da série histórica iniciada em 1985. O bioma teve aproximadamente 15,6 milhões de hectares atingidos, um aumento de 117% em relação à média histórica.

Além da extensão recorde, o ano passado também marcou uma virada nos biomas: pela primeira vez desde 1985, a proporção de fogo sobre vegetação nativa aumentou de 69,5% para 72,7%. Também houve uma mudança no tipo de vegetação primária mais afetada: historicamente, as formações de savana eram as mais impactadas (média anual de 6,3 milhões de hectares), mas em 2024, as formações florestais predominaram, com 7,7 milhões de hectares afetados — um aumento de 287% sobre a média histórica.

Ainda segundo o relatório, um quarto (24%) do território nacional — uma área equivalente à soma dos estados do Pará e Mato Grosso — queimou ao menos uma vez entre 1985 e 2024, afetando 206 milhões de hectares com diferentes intensidades nos seis biomas do país.


Mato Grosso lidera em área queimada

Segundo o MapBiomas, 47% da área queimada ao longo dos 40 anos está concentrada em três estados: Mato Grosso, Pará e Maranhão. Mato Grosso lidera o ranking com 44.981.584 hectares destruídos entre 1985 e 2024. Em seguida aparecem o Pará (31.251.958 hectares), Maranhão (20.422.849 hectares) e Tocantins (19.394.209 hectares), todos localizados na Amazônia.

Entre os 15 estados com maior área acumulada queimada em 40 anos, Rondônia ocupa a 10ª posição (9.946.488 hectares), seguida por Roraima (5.573.070 hectares), Amazonas (4.940.272 hectares) e Acre (2.689.959 hectares). O estado do Amapá aparece em último lugar, com 1.580.120 hectares queimados.

“Os biomas com maior proporção de vegetação nativa afetada pelo fogo entre 1985 e 2024 foram a Caatinga, o Cerrado, o Pampa e o Pantanal, todos com mais de 80% de sua área afetada. Na Amazônia e na Mata Atlântica, o fogo ocorreu principalmente em áreas antropizadas (mais de 55%). Na Amazônia, as pastagens representaram 53,2% da área queimada no período; na Mata Atlântica, 28,9% da área queimada foi pastagem e 11,4% agricultura”, informou o MapBiomas.


Queimada de floresta na Amazônia (Ana Jaguatirica/Arquivo/CENARIUM)
Queimada de floresta na Amazônia (Ana Jaguatirica/Arquivo/CENARIUM)

Outros biomas

Ainda segundo o MapBiomas Fogo, além da Amazônia e da Mata Atlântica, o Pantanal teve 62% de seu território queimado ao menos uma vez entre 1985 e 2024. Quase todos os incêndios (93%) ocorreram em vegetação nativa, especialmente em formações de campo e áreas alagadas (71%). No ano passado, a área queimada no bioma aumentou 157% em comparação com a média histórica.

O relatório também mostra que três em cada quatro hectares do bioma (72%) queimaram duas ou mais vezes nas últimas quatro décadas. O Pantanal também apresenta a maior prevalência de áreas queimadas com mais de 100 mil hectares (19,6%). Áreas com cicatrizes de fogo entre 500 e 10 mil hectares também se destacam (29,5%), espalhadas por diferentes regiões do bioma.

O ano de 2024 também bateu recorde na Mata Atlântica, com 1,2 milhão de hectares afetados por fogo — 261% acima da média histórica do bioma, de 338,4 mil hectares por ano. Foi a maior área queimada em um único ano desde 1985. O levantamento também mostra que, em 2024, o estado de São Paulo concentrou quatro dos dez municípios com maior proporção de área queimada no Brasil — todos localizados nos arredores de Ribeirão Preto.

O estado de São Paulo concentrou 4 dos 10 municípios com maior proporção de área queimada no país (Reprodução/MapBiomas)
O estado de São Paulo concentrou 4 dos 10 municípios com maior proporção de área queimada no país (Reprodução/MapBiomas)

No Cerrado, 89,5 milhões de hectares foram queimados durante o período analisado. Juntamente com a Amazônia, que teve 87,5 milhões de hectares queimados, os dois biomas concentraram 86% de toda a área afetada pelo fogo ao menos uma vez no Brasil. Proporcionalmente, como a Amazônia é quase duas vezes maior que o Cerrado, a área queimada ao menos uma vez desde 1985 corresponde a 21% da Amazônia e 45% do Cerrado.

Na Caatinga, 38% do bioma foi afetado ao menos uma vez por incêndios nos últimos 40 anos — um total de 11,15 milhões de hectares queimados. Em 2024, houve uma redução de 16% na área queimada, com 404 mil hectares atingidos, frente à média histórica de 480 mil hectares.

A menor área queimada foi registrada no Pampa, com 495 mil hectares afetados — 3% do bioma. O ano com maior área queimada no período analisado foi 2022, com 36.200 hectares. As áreas mais afetadas por fogo eram pequenas, com menos de 250 hectares. A maioria dos incêndios ocorreu em formações naturais de campo.


Dados do MapBiomas na Amazônia:

  • 20,8% do bioma queimou ao menos uma vez desde 1985 (1 em cada 5 hectares);

  • 42,4% de toda a área queimada no país ocorreu na Amazônia, tornando-a o segundo bioma com maior área queimada;

  • Nos últimos 40 anos:

    • 44,7% das áreas queimadas na Amazônia foram atingidas entre 2013 e 2023;

    • 64,6% das ocorrências de fogo na Amazônia foram registradas entre agosto e outubro;

    • 47,9% das áreas queimadas têm menos de 500 hectares;

  • Em 2024, pela primeira vez desde 1985, a formação florestal (43%) foi a mais afetada pelo fogo na Amazônia, superando as pastagens (33,7%).

Fonte: Jornal Folha do Progresso/Revista Cenarium  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 25/06/2025/16:43:23

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Senadores do Pará votaram “Sim” para o aumento do número dos deputados; Veja quais os senadores votaram a favor e contra

Plenário do Senado Federal – (Foto>Reprodução) –

Os três Senadores do Pará :Beto Faro do PT, Jader Barbalho (MDB) e  Zequinha Marinho (PODEMOS) votaram Sim para o aumento de Números de deputados.

Veja quais os senadores votaram a favor e contra o aumento do número de deputados federais

O Senado aprovou, por 41 votos a 33, o aumento do número de deputados federais no Brasil de 513 para 531. Por ter sido modificado, o projeto terá que voltar à Câmara dos Deputados. O número de votos foi o mínimo necessário para que o projeto não fosse derrubado.

A Câmara tem até o dia 30 de junho para aprovar uma regra de redistribuição de cadeiras, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal. A orientação era distribuir as cadeiras já existentes, de acordo com as mudanças populacionais, mas um acordo entre as bancadas garantiu o aumento do número de deputados.

Leia também: Senado aprova ampliação da Câmara para 531 deputados a partir de 2027

Veja como votaram os senadores na sessão desta quarta-feira, 25.

Não Votaram

Angelo Coronel (em atividade parlamentar)

Chico Rodrigues (licença saúde)

Flávio Arns (licença saúde)

Jorge Kajuru (ausente)

Jorge Seif (ausente)

Margareth Buzetti (não compareceu)

Nelsinho Trad (presidente da sessão não vota)

Fonte:Jornal Folha do Progresso  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 26/06/2025/08:31:24

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Senado confirma derrubada do decreto do IOF e Congresso impõe derrota histórica ao governo

Foto: Reprodução | O governo afirma que a suspensão reduzirá a receita de 2025 em R$ 10 bilhões e resultará em um novo bloqueio ou contingenciamento. É a primeira vez em 33 anos que um decreto presidencial é derrubado pelo Congresso.

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Decreto Legislativo ( PDL ) que derruba o decreto que eleva as alíquotas do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) . Aprovação aconteceu por votação simbólica, com votos contrários dos senadores do PT.

A análise da medida ocorreu após a aprovação do PDL na Câmara dos Deputados por 383 votos favoráveis à suspensão da medida e 98 votos contrários. A medida será promulgada.

É a primeira vez desde 1992, 33 anos, que um decreto presidencial do então presidente Fernando Collor foi derrubado pelo Congresso. Nos últimos anos, a Câmara e o Senado aprovaram, de forma isolada, a derrubada de alguns decretos presidenciais. Em todos os outros casos em que um PDL chegou a ser votado, o governo recuou e revisou sua proposta.

O governo afirma que a derrubada do decreto reduzirá a receita de 2025 em R$ 10 bilhões e resultará em um novo bloqueio e/ou contingenciamento.

A aprovação é uma nova derrota do governo em meio às discussões sobre o pacote fiscal para equilibrar as contas públicas.

O líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT), afirmou que o PDL é inconstitucional e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversará com Hugo Motta e Davi Alcolumbre após a derrubada da medida. O senador disse que o governo ainda não tem posição sobre o tema.

Na semana passada, a Câmara aprovou a urgência do PDL para acelerar a tramitação. A ideia era que o governo e o Congresso entrassem em um acordo para resolver o impasse relacionado às contas públicas. Porém, no fim da noite de terça-feira, 24, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), anunciou que pautaria o projeto hoje.

Em publicação no X, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a derrubada do decreto coloca em risco o cumprimento da meta de resultado primário em 2025 e 2026, além de elevar a necessidade de bloqueio e contingenciamento, o que deve afetar programas do governo e emendas parlamentares.

Em meio à crise, o governo acelerou a liberação de emendas e empenhou R$ 776 milhões até o último domingo, 22. No dia, o valor empenhado era de R$ 152 milhões. Foram mais de R$ 620 milhões empenhados em menos de uma semana.

Com o atraso na aprovação do Orçamento e mudanças nas regras de repasse, determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, as liberações atrasaram, o que causou insatisfação de parlamentares. O valor autorizado de desembolso para emendas este ano é de R$ 53,9 bilhões.

Entenda o vaivém do IOF

As reviravoltas em torno do IOF já renderam três decretos diferentes sobre o assunto. O primeiro foi publicado no dia 22 de maio e elevou a alíquota de diversas operações. No mesmo dia, o governo recuou apenas na tributação das remessas de fundos brasileiros ao exterior.

Após reação negativa de setores do mercado e parlamentares, o governo publicou um decreto “recalibrando” os valores do IOF. Com o recuo parcial, a Fazenda estima reduzir a arrecadação neste ano de R$ 19,1 bilhões para R$ 10 bilhões.

O governo publicou uma medida provisória (MP) com medidas de compensação às mudanças no IOF, incluindo imposto de renda sobre aplicações financeiras, LCI e LCA, e aumento da tributação das empresas de apostas esportivas, as bets. A MP terá como relator um parlamentar do PT, ainda não definido.

Desde que anunciou o aumento das alíquotas de IOF, o governo é criticado por Hugo Motta. O parlamentar cobra do Executivo medidas de corte de gastos. Por outro lado, a gestão petista insiste em tentar cumprir a meta fiscal de zerar o déficit público por meio da alta de impostos.

Segundo levantamento da EXAME, desde 2023, o governo realizou 37 atos ou endossou propostas aprovadas pelo Congresso que aumentam a carga tributária para empresas e consumidores.

O que a Congresso suspendeu sobre o IOF?

IOF em compras internacionais

O decreto determinou um aumento de IOF de 3,38% para 3,5% sobre cartões de crédito e débito no exterior. O imposto estava em processo de redução progressiva e seria zerado em 2029. A alíquota sobre a compra de moeda estrangeira passou de 1,1% para 3,5%.

Simples Nacional

Empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões tiveram um aumento na alíquota diária em operações de crédito de até R$ 30 mil, que passou de 0,00137% para 0,00274%.

A alíquota máxima foi elevada de 0,88% para 1,38% ao ano.

Microempreendedores Individuais (MEIs)

A alíquota diária para MEIs foi igualada à de microempresas e empresas de pequeno porte em operações de crédito de até R$ 30 mil.

A alíquota máxima foi fixada em 1,38% ao ano.

Previdência Privada (VGBL)

2026: aportes anuais de até R$ 600 mil feitos por pessoas físicas estarão isentos de IOF. Acima desse valor, incidirá uma alíquota de 5% sobre o excedente, considerando todos os planos do titular, mesmo em seguradoras diferentes.

2025: o limite de isenção será reduzido para R$ 300 mil, mas só para aportes feitos em uma mesma seguradora, entre 11 de junho e 31 de dezembro. Para valores acima de R$ 300 mil, a alíquota de 5% será aplicada sobre o excedente.

Transferência de recursos para o exterior

Pessoas físicas: transferências de recursos para o exterior destinadas a investimentos, que seriam cobradas em 3,5%, terão a alíquota reduzida para 1,1%, conforme a nova mudança.

Fonte: Exame/ Jornal Folha do Progresso  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 25/06/2025/15:18:36

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Lula contradiz Itamaraty e promete traslado de brasileira que morreu na Indonésia

Foto: Reprodução | Ministério das Relações Exteriores do Brasil havia dito que transporte do corpo de Juliana Marins não poderia ser custeado pelo governo; presidente determinou que trâmite seja feito.

O presidente Lula (PT)contradisse oMinistério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) e afirmou, na tarde desta quinta-feira (26), que determinou o traslado do corpo da jovem Juliana Marins, morta após cair em um vulcão na Indonésia, para o Brasil.

Pelas redes sociais, Lula afirmou que conversou com o pai da jovem, Manoel Marins, “para prestar solidariedade neste momento de tanta dor”.

Interlocutores do presidente afirmaram à CNN que a lei que estabelece a assistência consular possui brechas que permitem o traslado, e que se trata de uma decisão do presidente da república.

Questionada, a Secom não explicou a viabilidade jurídica da medida e nem deu detalhes sobre o procedimento.

Na quarta-feira (25), o Itamaraty havia ditoque o governo não pode custear o traslado do corpo de Juliana Marins. De acordo com o órgão, “o traslado dos restos mortais de brasileiros falecidos no exterior é decisão da família e não pode ser custeado com recursos públicos, à luz do § 1º do artigo 257 do decreto 9.199/2017”. Veja na íntegra o artigo 257 do decreto:

“Art. 257. A assistência consular compreende:

I – o acompanhamento de casos de acidentes, hospitalização, falecimento e prisão no exterior;

II – a localização e a repatriação de nacionais brasileiros; e

III – o apoio em casos de conflitos armados e catástrofes naturais.

§ 1º A assistência consular não compreende o custeio de despesas com sepultamento e traslado de corpos de nacionais que tenham falecido do exterior, nem despesas com hospitalização, excetuados os itens médicos e o atendimento emergencial em situações de caráter humanitário.

§ 2º A assistência consular observará as disposições do direito internacional e das leis locais do país em que a representação do País no exterior estiver sediada.”

Relembre o caso

A brasileira Juliana Marins, de 24 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (24), após quatro dias desaparecida no vulcão Rinjani, na Indonésia.

A jovem, natural de Niterói (RJ), caiu durante uma trilha na última sexta-feira (20), sofrendo uma queda de aproximadamente 300 metros da trilha. A confirmação do óbito foi feita pela família e pelo Itamaraty.

Juliana, dançarina de pole dance e publicitária formada pela UFRJ, estava em um mochilão pela Ásia desde fevereiro, tendo passado por Filipinas, Tailândia e Vietnã. O acidente ocorreu enquanto ela e uma amiga realizavam uma trilha no vulcão Rinjani. Em um vídeo gravado antes da queda, as jovens comentaram que a vista “valeu a pena”.

Após a queda de cerca de 300 metros, Juliana inicialmente conseguia mover os braços. Cerca de três horas depois, turistas a avistaram e contataram a família, enviando a localização exata e imagens.

A família relatou que Juliana ficou desamparada por quase 4 dias aguardando resgate, “escorregando” montanha abaixo. Durante os resgates, por diversas vezes a jovem era avistada em pontos diferentes. Via drone, Juliana foi avistada pela última vez, antes de ser encontrada morta, cerca de 500 metros penhasco abaixo, visualmente imóvel. Posteriormente, o corpo foi encontrado a cerca de 650 metros de distância do local da queda.

Fonte: CNN Brasil/ Jornal Folha do Progresso  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 25/06/2025/15:10:03

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VÍDEO: Cadeirante é arrastado por caminhão em estrada do RS e sai sem ferimentos

Cadeirante de 68 anos é arrastado por caminhão em estrada de Porto Alegre — Foto: Reprodução/Câmera de segurança

Segundo familiares, o aposentado Luiz Jaeger passava pelo local quando o caminhão encostou nas costas dele e o prendeu no para-choques. Família registrou boletim de ocorrência. Homem passa bem.

Um homem em cadeira de rodas foi arrastado por um caminhão por alguns metros em uma estrada na Zona Leste de Porto Alegre nesta segunda-feira (23). O cadeirante, um idoso de 68 anos, não sofreu nenhum ferimento grave, confirmou a família. O acidente foi flagrado por câmeras de segurança do local.

O caso aconteceu na Estrada João de Oliveira Remião, nas proximidades da parada 22 da Lomba do Pinheiro. Segundo familiares, o aposentado Luiz Jaeger transitava pela pista quando o caminhão encostou nas costas dele e o prendeu no para-choques. O motorista teria ido embora do local após o acidente.

“Começaram a gritar tentando alertá-lo, e graças a Deus ele parou e conseguiram tirar meu vô da frente do caminhão”, diz Nicolly Jaeger, neta de Luiz.

O delegado responsável pela 5ª Delegacia de Polícia da Capital, que atua na região, confirmou que um boletim de ocorrência foi registrado pela família do cadeirante nesta quarta-feira (25) e será encaminhado para a Delegacia de Delitos de Trânsito, que pode abrir inquérito ou arquivar o caso.

A família explica que o cadeirante transitava pelo asfalto porque não há calçamento regular na região. Ainda segundo a neta, ele relatou apenas dores nas costas, preferiu não ir ao hospital e está se recuperando em casa.

VEJA O VÍDEO:

Fonte: Maracajuba Acontece/ Jornal Folha do Progresso  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 25/06/2025/14:00:36

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Moto desgovernada quase atropela família em rua; veja vídeo

Foto: Reprodução | Boletim de ocorrência mostrou que a documentação do motorista estava em ordem e que ele não apresentava sintomas de embriaguez

Uma família quase foi atingida por uma moto desgovernada nesta terça-feira (24), em Bebedouro, no interior de São Paulo. Câmeras de segurança mostram o momento em que o grupo está reunido na calçada, quando o veículo se aproxima com o motorista tentando empinar a moto, mas perdendo o controle.

A motocicleta começa a ir em direção aos pedestres, que tentam fugir do local. O motorista chega a passar de raspão em uma mulher e acaba caindo. O homem teve escoriações pelo corpo, sendo socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o boletim de ocorrência, a documentação do piloto estava em dia e não foram identificados sinais de embriaguez. Porteriormente, ele gravou um vídeo admitindo o erro e pedindo desculpas.

Empinar moto em via pública é considerado infração gravíssima e pode gerar uma multa de cerca de R$ 293, além de poder perder a carteira e ter o veículo retido.

VEJA O VÍDEO:

Fonte: R7/ Jornal Folha do Progresso  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 25/06/2025/14:32:55

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Riqueza de 1% acumulada em dez anos acabaria com a pobreza por 22 anos

(Foto: Reprodução) – Esta nova análise revelou um “aumento astronômico” na riqueza privada entre 1995 e 2023, com um crescimento de US$ 342 bilhões (€ 296,4 bilhões)

Um relatório divulgado nesta quinta-feira (26) pela Oxfam Internacional concluiu que a riqueza acumulada desde 2015 por 1% dos mais ricos do mundo permitiria erradicar a pobreza nos próximos 22 anos.

No documento Do lucro privado ao poder público: financiar o desenvolvimento, não a oligarquia, a organização não governamental denunciou que a riqueza dos 1% mais ricos aumentou US$ 33,9 bilhões (cerca de € 29 bilhões) em termos reais desde 2015, quando foram acordados os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

O montante seria o suficiente para acabar com a pobreza anual 22 vezes, denunciou a Oxfam, no relatório publicado no âmbito da preparação da Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento, que ocorre na próxima semana em Sevilha, no Sul de Espanha.

Esta nova análise revelou um “aumento astronômico” na riqueza privada entre 1995 e 2023, com um crescimento de US$ 342 bilhões (€ 296,4 bilhões), oito vezes maior que o aumento da riqueza pública.

O documento acusa os governos ricos de promoverem os maiores cortes na ajuda ao desenvolvimento, “algo essencial para a sobrevivência”, desde que os registros de ajuda começaram em 1960.

“A riqueza de apenas três mil multimilionários aumentou US$ 6,5 bilhões (€ 5,63 bilhões) em termos reais desde 2015 e representa agora o equivalente a 14,6% do PIB mundial”, afirmou a ONG.

A análise argumentou ainda que só os países do G7 (grupo dos sete países mais desenvolvidos do mundo), que representam cerca de três quartos de toda a ajuda oficial, estão reduzindo este apoio financeiro em 28% até 2026, em comparação com 2024.

Ao mesmo tempo, a crise da dívida “está levando à falência os países pobres, que estão pagando muito mais aos seus credores ricos do que podem gastar em salas de aula ou hospitais”.

O relatório também examina o papel dos credores privados, que “representam mais de metade da dívida dos países de baixo e médio rendimento, exacerbando a crise da dívida com a sua recusa em negociar e as suas condições punitivas”.
Propostas

A Oxfam apelou aos governos para que subscrevam as propostas políticas “que propõem uma mudança radical, combatendo a desigualdade extrema e transformando o sistema de financiamento do desenvolvimento”.

Estas propostas incluem o desenvolvimento de novas parcerias estratégicas contra a desigualdade, a rejeição do financiamento privado como uma “solução milagrosa” para o desenvolvimento, a tributação dos super-ricos e a reforma da arquitetura da dívida, bem como a revitalização da ajuda.

O levantamento foi elaborado pela empresa de estudos de mercado Dynata, entre maio e junho, no Brasil, Canadá, França, Alemanha, Quênia, Itália, Índia, México, Filipinas, África do Sul, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

Em conjunto, estes países representam cerca de metade da população mundial, segundo a Oxfam.

 

 

Fonte: Mateus Souza – Agência Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 26/06/2025/15:27:45

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Uso de IA em programas para deixar de fumar tem taxa de sucesso de até 50%

(Foto: Reprodução) – Alguns modelos conseguem também analisar padrões de comportamento dos usuários, como períodos de maior ansiedade, recaídas ou gatilhos, e ajustar automaticamente as intervenções.

Tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) têm se mostrado aliadas eficazes para ajudar fumantes a largar o cigarro convencional e o eletrônico, com possibilidade de aumentar o acesso a programas de cessação do tabagismo.

Experiências e estudos de vários países apresentadas durante a conferência internacional de controle do tabaco, que acontece em Dublin (Irlanda), mostram que as taxas de sucesso com o uso dessas ferramentas chegam a 50%.

O acesso a programas de cessação de tabagismo é hoje um grande gargalo no mundo. Segundo relatório lançado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no evento, apenas um terço dos países (33%) oferece esses serviços. Ao mesmo tempo, 60% dos tabagistas desejam parar de fumar.

Usando algoritmos de processamento de linguagem natural e aprendizado de máquina, essas tecnologias simulam conversas humanas, respondem dúvidas, oferecem incentivo e ajudam a desenvolver estratégias para lidar com o desejo de fumar.

Alguns modelos conseguem também analisar padrões de comportamento dos usuários, como períodos de maior ansiedade, recaídas ou gatilhos, e ajustar automaticamente as intervenções.

Eles também podem integrar dados de dispositivos como os smartwatches, monitorando estresse e frequência cardíaca, para enviar alertas ou mensagens de apoio em momentos críticos.

Durante a conferência, pesquisadores da China apresentaram resultados promissores de um sistema de monitoramento baseado em IA (m-Health) que fornece mensagens personalizadas de acordo com o estágio de abandono e as preferências e necessidades de cada usuário em tempo real.

Em um ensaio clínico randomizado envolvendo 272 fumantes, a taxa de abandono do tabagismo do grupo de intervenção foi bem maior que a taxa do grupo controle (17,6% contra 7,4%).

“Na China, mais de 50 milhões de fumantes querem parar de fumar, mas a maioria não tem acesso a medidas eficazes de cessação. Nosso estudo mostra o potencial significativo das intervenções personalizadas de m-Health”, disse Pinpin Zheng, professor e diretor do Departamento de Medicina Preventiva e Educação em Saúde na Escola de Saúde Pública da Universidade Fudan.

Segundo ele, a abordagem demonstrou oferecer um modelo escalável e baseado em evidências para expandir o apoio à cessação na China e a nível global.
O Reino Unido foi um dos países pioneiros na implementação de IA na cessação do tabagismo dentro do sistema público de saúde (NHS). Desde 2021, o aplicativo Quit Genius, que combina terapia cognitivo-comportamental digital com suporte de IA, tem sido oferecido a fumantes.

Estudos mostram que, após seis meses, cerca de 45% dos usuários permaneciam sem fumar, enquanto as taxas com métodos convencionais giram em torno de 20% a 30%.

Na Nova Zelândia, o Ministério da Saúde adotou o chatbot QuitBot, integrado às redes sociais e aplicativos de mensagens. Relatórios do governo indicam que os usuários da ferramenta tiveram uma taxa de cessação 1,7 vez maior do que aqueles que tentaram parar sem suporte digital.

Revisões recentes, como uma meta-análise publicada na revista Nicotine & Tobacco Research, indicam que as intervenções digitais baseadas em IA são eficazes e escaláveis, especialmente quando combinadas com terapias medicamentosas.

O estudo avaliou 12 ensaios clínicos randomizados e concluiu que o uso de IA aumenta em até 50% as chances de sucesso na cessação do tabagismo em comparação com tentativas não assistidas.

Outro levantamento, realizado pela OMS em 2024, aponta que países que integraram soluções digitais e IA aos seus programas de combate ao tabagismo, como Reino Unido, Austrália e Canadá, observaram reduções sustentadas nas taxas de fumantes, especialmente entre os jovens adultos e usuários de cigarros eletrônicos.

Apesar dos avanços, especialistas alertam que a tecnologia deve ser uma aliada, e não uma substituta, dos tratamentos já validados, com acompanhamento de profissionais (humanos) e uso de medicamentos.
COMPONENTES PSICOLÓGICOS E COMPORTAMENTAIS

A psicóloga Vera Lúcia Borges, do programa de cessação do tabagismo do Inca (Instituto Nacional do Câncer), afirma que o tabagismo é uma doença que tem componentes psicológicos e comportamentais muito fortes e que o tratamento precisa envolver apoio a essas questões aliado a medicações para controlar sintomas.

“A IA deve se somar a isso, não substituir. O tabaco, de todo o tipo, toma um espaço na vida da pessoa, tem toda uma associação com sentimentos, com momentos, com cheiros. A gente precisa ouvir o usuário e tentar entender que tipo de sentimento esse produto gera.”

Segundo ela, muitas pessoas relatam que o cigarro traz um efeito de relaxamento em momentos de estresse e ansiedade. “É o efeito químico da nicotina no cérebro, que também faz as pessoas ficarem dependentes. No tratamento, precisamos desconstruir isso.”

Borges afirma que os dados do Brasil mostram que as taxas médias de sucesso na cessação do tabagismo, ao final de quatro sessões, giram em torno de 46%, mas em grupos isolados podem passar de 70%. Não há estudos mostrando se essas taxas persistem a longo prazo.

Durante a conferência em Dublin, o programa brasileiro de cessação do tabagismo foi bastante elogiado pela sua capilaridade. O tratamento é oferecido na atenção primária à saúde e em ambulatórios especializados e dura um ano. Envolve avaliação individual, encontros com suporte psicossocial e uso de medicamentos, se necessário.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, por exemplo, oferece a terapia nas 239 clínicas da família. Segundo Renato Cony, subsecretário de promoção, atenção primária e vigilância em saúde do Rio, entre as medicações ofertadas estão adesivos de nicotina e do antidepressivo bupropiona.

“Parte da população já nos procura hoje para parar de usar o vape, não só o cigarro convencional. Anos atrás, as pessoas achavam que estavam fazendo um bom negócio ao trocar cigarro por vape. Mas acabam com uma carga tabágica muito maior. Não é uma redução de danos.”

 

Fonte: Mateus Souza – Folha Press e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 26/06/2025/15:22:28

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Senado aprova ampliação da Câmara para 531 deputados a partir de 2027

(Foto: Reprodução) – Após as eleições de 2026, a Câmara dos Deputados terá 531 deputados federais, 18 a mais que os atuais 513.

É o que determina projeto de lei complementar aprovado pelos senadores no Plenário, nesta quarta-feira (25), com 41 votos favoráveis e 33 contrários (PLP 177/2023). Ele também estabelece que a criação e a manutenção dos novos mandatos não poderão aumentar as despesas totais da Câmara entre 2027 e 2030. O projeto volta agora para análise da Câmara, pois o Senado votou por retirar parte do texto que já havia sido aprovado pelos deputados.

A correção periódica do número de deputados em relação à população de cada estado e do Distrito Federal é um mandamento da Constituição. Ela não fixa número total máximo de deputados, mas determina que uma lei futura regule o assunto. A Constituição também estabelece que nenhuma unidade da federação pode ter menos de 8 representantes e que o estado mais populoso (São Paulo, atualmente) deve ter, no máximo, 70 cadeiras.

Assim, deputados e senadores aprovaram, cinco anos depois de promulgada a Constituição, a Lei Complementar 78, de 1993, que estabeleceu o atual total de 513 representantes na Câmara — o número foi escolhido com base no Censo de 1986. O texto aprovado nesta quarta-feira revoga e substitui essa lei. Com a mudança, o Congresso Nacional passará a ter 612 parlamentares (são 594 atualmente), pois o Senado continuará com 81 cadeiras.

A matéria foi relatada no Plenário do Senado pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), que defendeu a pertinência do projeto.

— A última vez em que se estabeleceu o número de deputados por cada estado do Brasil foi em 1986. No próximo ano completará 40 anos. Durante esses quase 40 anos, estamos simplesmente descumprindo a determinação da nossa Constituição. A lei de 1993 simplesmente estabeleceu que o número de deputados são 513. Não fez a proporcionalidade que a Constituição manda — disse o relator.

Após negociações, Castro optou por acatar sugestões do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e apresentou novo relatório pouco antes da votação. Com a alteração, a Câmara terá que manter os novos mandatos sem aumento real de despesas durante a próxima legislatura (2027-2030), inclusive das verbas de gabinete, cotas parlamentares, passagens aéreas e auxílio-moradia. Nesse período, as despesas terão atualização monetária anualmente.

— Não haverá impacto orçamentário de nenhum centavo — afirmou Castro.

Castro também aceitou retirar do texto final a previsão de auditoria dos dados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), com possibilidade de pedido de impugnação por partidos políticos ou estados.

O texto aprovado determina que as futuras redistribuições de vagas deverão ter como base dados oficiais de cada censo demográfico do IBGE, vedado o uso de dados obtidos por meio de pesquisas amostrais ou estimativas intercensitárias. Ou seja, a próxima atualização será feita com os dados do Censo de 2030.

Durante a sessão, vários senadores discursaram a favor do projeto, como Rogério Carvalho (PT-SE), Efraim Filho (União-PB), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e Weverton (PDT-MA).

— Essa matéria quem tem que deliberar é o Congresso. É importante porque no ano que vem tem eleições e isso precisa estar, um ano antes, deliberado — destacou Rogério Carvalho.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, optou por registrar seu voto, deixando a presidência dos trabalhos momentaneamente a cargo do senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Pelas regras, quem preside a votação não pode votar, a não ser em caso de desempate.

Senadores contrários ao projeto afirmaram que a criação de novas cadeiras implicará pesado impacto orçamentário. Eduardo Girão (Novo-CE) pediu a Davi Alcolumbre o adiamento da votação para que o projeto fosse analisado primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O requerimento de adiamento foi rejeitado e, em seguida, um requerimento de urgência para votação do projeto foi aprovado, com 43 votos favoráveis e 30 contrários.

Girão assinalou que pesquisa do instituto Datafolha mostrou que 76% da população brasileira é contra o aumento do número de deputados federais. Ele disse que a mudança vai aumentar os gastos da Câmara em R$ 150 milhões por ano.

— Sabemos que vai ter impacto. Não é só de salário de deputado: é de estrutura de gabinete, apartamento funcional, emendas parlamentares. Será que os deputados vão abrir mão das suas emendas para acomodar os 18 que vão entrar? É claro que não. Se teve aumento de emendas sem os 18 deputados, imagine com os 18 deputados — argumentou.

O presidente do Senado rebateu, observando que a votação do projeto já estava acordada com as lideranças na Casa.

— Mesmo com manifestações contrárias, esta presidência se comprometeu que estaríamos com esta matéria, nesta semana, em deliberação. E vamos deliberar no dia de hoje — disse.

Os senadores Cleitinho (Republicanos-MG), Magno Malta (PL-ES) e Izalci Lucas (PL-DF) também falaram contra o projeto.

Revisão periódica

A necessidade de rever a distribuição de cadeiras surgiu após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2023, ao acatar uma ação do governo do Pará que apontou omissão do Legislativo em atualizar o número de deputados de acordo com a mudança populacional, como previsto na Constituição. A corte deu prazo para o Congresso aprovar a redistribuição de vagas de acordo com o Censo de 2022, sob pena de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizá-la.

— Em nenhum momento o Supremo disse que o número de deputados tinha que se manter em 513. Pelo contrário, o número de deputados é competência exclusiva do Congresso Nacional. Se o Congresso não fizer, o Supremo determinará ao TSE que aplique a proporcionalidade, sem revogar a Lei Complementar 78, que estabeleceu que o número de deputados é 513 — alertou Castro.

O projeto original, da deputada Dani Cunha (União-RJ), foi aprovado pela Câmara em reação à decisão do STF. O prazo concedido pelo tribunal acaba em 30 de junho. O Congresso tenta acelerar a análise para que sete mandatos atuais não sejam cancelados para a criação das novas cadeiras, conforme decidiu o STF. Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a inclusão desse item na pauta do Plenário do Senado atendeu a um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Relatório

Em seu parecer favorável ao projeto, Marcelo Castro destacou que o acréscimo de 18 cadeiras resulta da adoção de três premissas:

Não redução das bancadas atuais
Suprimento das vagas aos estados sub-representados conforme a população divulgada no Censo de 2022, o que significou o acréscimo de 14 vagas
Correção de distorções, de maneira que nenhuma unidade da federação com população maior que outra possa ter bancada menor, o que significou o acréscimo de mais quatro cadeiras

O relator afirmou também que, além da proporcionalidade, também devem ser levadas em consideração as diretrizes constitucionais de erradicação da pobreza e da marginalização e de redução das desigualdades sociais e regionais.

“Se redistribuídas as atuais 513 vagas na Câmara segundo o critério de proporcionalidade estrita, dos sete estados que perderão vagas, cinco se situam na região Nordeste. Isso não significa apenas menor representatividade no Congresso Nacional, mas também menos recursos disponíveis para o desenvolvimento de uma região historicamente sacrificada”, argumentou o parlamentar.

Segundo o relatório, a última grande redistribuição proporcional das vagas na Câmara dos Deputados ocorreu em 1986, ainda sob a égide da Constituição anterior. Desde então, a composição da Câmara manteve-se inalterada, não obstante o crescimento populacional de mais de 40% no período e a ocorrência de mudanças significativas na distribuição demográfica do país.

Para Castro, essa defasagem gerou desequilíbrios representativos, especialmente em estados que experimentaram crescimento populacional acentuado desde então, e o projeto corrige essas distorções.

“Importa destacar, ainda, que o número de parlamentares proposto mantém o Brasil entre as democracias com menor proporção entre a quantidade de deputados e o tamanho de sua população. Mesmo com o acréscimo de 18 cadeiras, o índice de representação brasileira continua inferior ao observado em países como Alemanha, França, Itália, Canadá, Argentina, México e Reino Unido, segundo dados da União Interparlamentar (UIP). Essa comparação revela que o Parlamento brasileiro, ao contrário de ser saturado, é parcimonioso em termos de representação proporcional”, observa o relator.

 

Fonte: Agência Senado e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 26/06/2025/15:05:42

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