Ambientalista de Belém é encontrado com vida após 11 dias desaparecido

Pedro Paulo é militante da ONG GAPE – (Foto:Reprodução).

A Delegacia de Pessoas Desaparecidas investiga as circunstâncias do caso

Após 11 dias desaparecido, o ambientalista Pedro Paulo dos Moraes Lima, de 61 anos, foi encontrado com vida no último sábado (17), segundo informou a Polícia Civil.

A Delegacia de Pessoas Desaparecidas investiga as circunstâncias do caso. Pedro Paulo estava desaparecido desde o dia 6 de maio, o que gerou preocupação entre amigos, familiares e representantes de instituições ligadas à causa ambiental e aos Direitos Humanos.

Atuação do ambientalista e conflitos em área protegida

Pedro Paulo é militante e diretor da ONG Guardiões e Amigos do Parque Ecológico (Gape), e uma das causas com as quais vem se envolvendo é a defesa de uma área de proteção ambiental situada nas proximidades do Conjunto Bela Vista, em Belém.

A disputa que envolve os terrenos é antiga, como relata a advogada Rosemary Pereira de Oliveira, da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Pará, que acompanha o caso. Segundo ela, os terrenos foram vendidos de forma irregular a moradores do conjunto. O desaparecimento do ambientalista teve início no sábado (3), quando ele se encontrava na sede da associação do Conjunto Bela Vista e foi supostamente agredido por um homem identificado como Thiago — que seria advogado e também morador do local.

Em um áudio divulgado na internet, Pedro Paulo pede proteção e afirma que está buscando refúgio no Amazonas para se manter em segurança.

Giacomo Marini, conselheiro e membro da ONG Gape, confirma que o ambientalista está refugiado no Amazonas e que está bem após o episódio. “Ele tem parentes lá [no Amazonas]. Ele está bem, está muito abalado e com dificuldade para se manter por lá, mas está bem no momento. Estamos esperando para ver o que a gente pode fazer para punir as pessoas que estão ameaçando, não só ele, mas todos nós da associação que estão querendo as áreas para vender”, relata.

Advogado nega agressão e fala em “revanchismo”

Nesta segunda-feira (19), o advogado Thiago dos Santos reiterou que não agrediu o ambientalista, como já havia afirmado em nota enviada à reportagem no dia 11 de maio. “Continuo afirmando que não o agredi. Bem como, continuo reafirmando que se trata de revanchismo e dor de cotovelo de pessoas ligadas à organização da qual ele faz parte, o Gape, pois já atuei em vários processos contra membros desse grupo”, argumenta.

“Sobre os supostos fatos, inicialmente tentaram emplacar uma grave lesão corporal ou tentativa de homicídio. Desesperados por conta do laudo que nada apontou nesse sentido, tentaram sustentar um desaparecimento, sempre ligando o nome deste advogado”, completa Thiago. O ambientalista também foi procurado pela reportagem para detalhar o caso. No entanto, segundo membros da ONG da qual ele faz parte, Pedro Paulo prefere, por ora, não se manifestar à imprensa.

O caso: agressão, hospital e bilhete com alerta

Após a suposta agressão, o ambientalista foi levado ao Pronto-Socorro da 14 de Março, onde passou por exames e foi liberado. No dia seguinte, saiu de casa, passou mal na rua e desmaiou. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Metropolitano.

Na terça-feira (6), Pedro havia combinado com um amigo — motorista de aplicativo — de levá-lo ao médico. Quando o amigo chegou à residência, Pedro não apareceu.

Como o amigo tinha a chave da casa — já que Pedro Paulo morava sozinho — decidiu entrar e encontrou um bilhete com a mensagem: “Estou sendo ameaçado de morte”. Diante disso, os amigos se mobilizaram e buscaram apoio da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA. “Foi aí que começamos a procurar por parentes, em hospitais e até no IML, mas ele não foi encontrado. O boletim de ocorrência foi registrado na sexta-feira (9)”, explicou Rosemary.

LEIA TAMBÉM:

VÍDEO: Ambientalista desaparece em Belém; advogada faz BO e relata agressão física contra ele

 

Fonte:O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/05/2025/07:27:49

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Mais de 10 acusados por ‘guerra de facções’ que deixou três mortos e nove feridos em presídio no PA vão a julgamento em Belém

Julgamento de 14 acusados de participar de “guerra de facções” em presídio no Pará começa nesta segunda-feira, 19. — Foto: TJPA

Caso ocorreu no dia 12 de maio de 2019. Ao todo, 14 acusados são julgados. Júri começou nesta segunda-feira (19).

São julgados nesta segunda-feira (19) 14 acusados de participar de uma “guerra de facções rivais” dentro do Centro de Recuperação de Redenção, no sul do Pará, que matou três pessoas e deixou outras nove feridas em 12 de maio de 2019.

Os acusados foram submetidos a júri popular no fórum de Belém, no bairro Cidade Velha. Segundo o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), o julgamento deve se estender por mais dias. Quem preside o júri é o juiz Cláudio Hernandes Silva Lima.

Os promotores de Justiça do júri Nadilson Portilho Gomes, Edson.Augusto Souza e Gerson Silveira atuam na tribuna da acusação.

Relembre o caso

Uma briga entre facções no Centro de Recuperação de Redenção, sudeste do Pará, deixou três mortos e três feridos na manhã deste domingo (12). As informações são da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe).

De acordo com a então Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe), a briga que ocorreu no presídio tinha como alvo um detento conhecido como “Baiano”. Ele foi transferido da Bahia para Redenção, onde teria cometido um homicídio, e tinha suposto vínculo com a facção PCC.

Baiano foi um dos três mortos durante a briga. Ele estava custodiado em uma cela isolada devido às ameaças de morte. Além disso, um dos outros dois mortos era suspeito de matar o irmão de uma liderança de uma outra facção.

Na época, cinco pessoas também foram feitas reféns, mas liberadas após negociações com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Promotoria de Justiça, do juíz da comarca de Redenção e a direção da unidade prisional.

 

Fonte: g1 Pará — Belém e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 19/05/2025/19:13:32

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Suspeito de participar do baleamento do assessor de Éder Mauro é preso em Belém

PC prende, em Belém, suspeito de envolvimento no baleamento do assessor de Eder Mauro. (Foto: PC / Redes Sociais)

Deyje Tayly Franco sobreviveu após ser atingido por disparos de arma de fogo na última sexta-feira (09)

Um homem foi preso pela Polícia Civil, em Belém, suspeito de envolvimento no baleamento de Deyje Vilaça, presidente municipal do Partido Liberal (PL).

A ação para capturar o investigado ocorreu na sexta-feira (16), no bairro do Maguari, após análise de imagens de câmeras de segurança que possibilitaram a identificação do modelo e placa do veículo utilizado no crime.

Deyje Vilaça, que é assessor parlamentar do deputado federal Éder Mauro, foi atingido por disparos de arma de fogo em uma tentativa de latrocínio, na última sexta-feira (09). A vítima foi socorrida e sobreviveu.

A prisão do suspeito foi realizada por meio da Divisão de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR). Após identificação do veículo que deu apoio no crime, os agentes foram ao endereço do suspeito e avistaram o automóvel parado em frente a uma residência. O suspeito foi identificado e abordado pelos policiais após sair da residência em direção ao carro.

“No momento da abordagem, o suspeito ainda tentou empreender fuga, mas foi detido pelos agentes. Ele confessou a participação no crime que culminou no baleamento da vítima e também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, associação criminosa e tráfico de drogas”, detalhou o delegado Arthur Braga, titular da DRFR.

Apreensão

Durante as buscas no interior do veículo e da residência, foram apreendidas seis munições de arma calibre .38; expressiva quantidade de substância entorpecente do tipo maconha e cocaína; um bloqueador de sinal; dois aparelhos celulares envoltos em papel alumínio, supostamente para bloquear o sinal; além de uma tornozeleira eletrônica quebrada.

Em continuidade à investigação, os policiais compareceram a um endereço onde estaria um outro suspeito, no entanto, ele conseguiu fugir do local. “Nesta outra residência foi apreendido um revólver, possivelmente a arma utilizada para realizar os disparos contra a vítima. Perícias foram solicitadas para comparar com os fragmentos coletados no dia da ação criminosa”, explicou o delegado Evandro Araújo, titular da Diretoria de Polícia Especializada (DPE).

O crime

Deyje Tayly Franco, assessor do deputado federal Éder Mauro, foi baleado quando deixava seu carro em uma oficina na passagem D’Alva, no bairro da Marambaia em Belém, na sexta-feira (09/05). A vítima foi atingida por três disparos, sendo um no peito, outro na mão e um de raspão na costela. Deyje foi conduzido para atendimento médico e sobreviveu.

As investigações continuam para localizar demais envolvidos no crime. O suspeito preso foi conduzido à DRFR para a realização dos procedimentos cabíveis e ficará à disposição da justiça.

 

Fonte:O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 17/05/2025/12:51:52

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Novo Projeto - 2025-05-07T141950.337




Pará vai sediar evento com foco no cacau sustentável da Amazônia

Pará receberá feira sobre produção de cacau na Amazônia. — Foto: Divulgação

Produção de cacau no estado gera renda para mais de 32 mil produtores, arrecadando R$ 358 milhões em ICMS. Produção evidencia a força econômica da cadeia cacaueira no estado.

O Pará vai sediar, entre os dias 5 e 8 de junho, no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, em Belém, a Feira do Cacau e Chocolate Amazônia e Flor Pará. O estado é o maior produtor do fruto no país e se prepara para conquistar posição de destaque no cenário global.

Entre as ações está o incentivo à produção de amêndoas de excelência por produtores, verticalização da cultura e realização de feiras técnicas de negócios – objetivo principal da feira.

A expectativa é que a feira seja o maior evento sobre cacau sustentável da região amazônica, e também será um evento de produção sustentável antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30. A ideia é torná-la uma vitrine das boas práticas e modelos econômicos sustentáveis.

A feira reunirá expositores, marcas locais, nacionais e internacionais, incluindo representantes de outros países da Amazônia Legal, no evento organizado pelo Governo do Estado e pelo Sistema Faepa/Senar.

A programação técnica inclui painéis e palestrantes, ampliando o debate sobre produção sustentável, inovação e bioeconomia.

Dados do Cacau

Atualmente, o Pará conta com 32 mil produtores ativos de cacau, distribuídos por 229.175 hectares de área plantada, dos quais 169.655 hectares já estão em plena produção.

O desempenho gerou arrecadação de R$ 358 milhões em ICMS, evidenciando a força econômica da cadeia cacaueira no estado, como explica Carlos Xavier, presidente do Sistema Faepa Senar.

“O modelo de cultivo do cacau na Amazônia paraense representa a garantia da permanência digna de famílias no campo através de fonte de renda sustentável e próspera. A cacauicultura elevou-se ao status de programa estratégico estadual devido ao extraordinário potencial econômico que oferece”, afirma.

No Pará, o futuro da cacauicultura tem sido construído com fortalecimento das parcerias institucionais e incentivo à inovação, de acordo com Xavier. “Para concretizar esta visão, temos atuado de forma integrada em sinergia com instituições de referência”, explica.

No Pará, o sistema agroflorestal tem comprovado a sustentabilidade do setor. “O Pará tem se consolidado como referência nacional em produtividade por área, geração de renda e equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação da floresta. O modelo de produção adotado comprova que é possível crescer de forma sustentável, valorizando gerações de cacauicultores, a floresta em pé”, diz a presidente da Câmara Setorial do Cacau, Maria Goreti Gomes.

Produção de cacau é uma aposta do estado no contexto da bioeconomia. — Foto: Divulgação
Produção de cacau é uma aposta do estado no contexto da bioeconomia. — Foto: Divulgação

Flor Pará

A programação do evento também dará destaque à cadeia produtiva das flores amazônicas. A Flor Pará valoriza o crescimento da floricultura na região, com ênfase no cultivo de espécies nativas como antúrios, helicônias e orquídeas, desenvolvido tanto por grandes produtores quanto por agricultores familiares.

Segundo dados da SEDAP e do último Censo do IBGE, em 2022 a cadeia produtiva da floricultura paraense movimentou mais de R$ 6 milhões, consolidando-se como um importante segmento da bioeconomia local.

Mais do que volume, o cacau paraense se destaca pelo modelo de cultivo adotado, que combina alta qualidade com responsabilidade socioambiental. Entre os principais pilares da produção sustentável estão:

  • Sistemas agroflorestais que preservam a biodiversidade amazônica
  • Cultivo orgânico e de baixo impacto ambiental
  • Valorização dos saberes tradicionais das comunidades locais
  • Rastreabilidade e certificações internacionais

Os diferenciais garantem acesso a mercados mais exigentes e preços mais justos, beneficiando toda a cadeia produtiva.

Fonte: g1 PA e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 17/05/2025/08:45:19

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Homem é detido após arremessar cachorro para dentro de terreno baldio no Pará

Foto: Reprodução | Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o homem lança o animal por cima de um muro e sai andando tranquilamente.

Um homem foi detido na tarde desta quinta-feira (15) após ser flagrado arremessando um cachorro para dentro de um terreno baldio, na avenida Arthur Bernardes, nas proximidades da passagem Mirandinha, em Belém. A cena foi registrada em vídeo por uma pessoa que passava pelo local.As imagens mostram o homem caminhando com o cachorro nos braços e, em seguida, lançando o animal por cima de um muro para dentro do terreno. Após o ato, ele segue andando tranquilamente.

O vídeo ganhou repercussão nas redes sociais. Internautas se mobilizaram e pediram que providências fossem tomadas, tanto na identificação do homem quanto no resgate do animal.

Após a repercussão, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e conseguiram resgatar o animal. A polícia também foi acionada e iniciou as buscas, conseguindo localizar e deter o suspeito, que foi conduzido a uma unidade policial.Até o momento, a polícia não detalhou quais procedimentos foram adotados em relação ao cão. Apesar da violência do ato, o animal aparentava não ter sofrido ferimentos graves.

Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 16/05/2025/10:09:44

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Servidor público é morto a tiros após deixar filhas em escola no Pará

Foto: Reprodução | Vítima foi surpreendida pelas costas com sete tiros quando retornava para a casa, após deixar as filhas na escola.

Um homem foi morto a tiros nesta quinta-feira (15), no bairro da Sacramenta, em Belém. A vítima, Denis da Silva, de 33 anos, era servidor público da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) e foi atingido pelas costas com sete tiros.

Segundo a Polícia Civil, ele havia acabado de deixar as filhas na escola e estava retornando para a casa, de moto, quando foi surpreendido a tiros por duas pessoas, por volta das 7h30. Um dos suspeitos estava vestido de gari e aguardava a vítima no trecho entre a passagem São José com a avenida Pedro Álvares Cabral.

De acordo com a perícia, todos os tiros foram feitos pelas costas de Denis. O modo de atuação dos assassinos caracterizaria um crime de execução, segundo as autoridades envolvidas.

Ainda conforme a perícia, a moto só andou um metro e meio quando entrou na passagem e os disparos foram feitos, o que pode sinalizar que a vítima não estava em alta velocidade.

Câmeras de monitoramento do local serão monitoradas assim como testemunhas serão ouvidas para localizar os envolvidos. Em nota, a polícia informou que equipes da Seccional de Sacramenta estão atuando nas investigações.

Fonte: G1 Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 16/05/2025/07:30:36

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Crise do açaí: o que está roubando o ‘arroz com feijão’ dos mais pobres em Belém?

Pela primeira vez, Paulo Tenório não tem mais açaí para vender em Belém, a ‘capital do açaí’ — Foto: Cícero Pedrosa Neto/BBC

Na capital da COP30, o açaí está na base da alimentação, mas produto ficou mais caro e difícil de encontrar, o que tem levado famílias a buscar alternativas e produtores a temer por seu futuro.

O governador do Pará, Hélder Barbalho, espera tomar uma tigela de açaí com Donald Trump, caso o presidente dos Estados Unidos compareça à Conferência do Clima das Nações Unidas em Belém, COP30, em novembro próximo.

“A pessoa não pode viver só de fast food, não é?”, disse Barbalho em um post-convite no Instagram.

Mas, se dentro dos muros do Parque da Cidade, onde ocorrerão os principais eventos da COP, os cardápios devem se encher do roxo da fruta amazônica, do lado de fora, os moradores de Belém têm penado para manter o açaí na dieta.

Em uma cidade onde o açaí é a base da alimentação — basicamente um “arroz com feijão”, servido com carnes e peixes —, o encarecimento do produto tem impacto no dia a dia de consumidores e milhares de trabalhadores envolvidos na cadeia produtiva.

Só nos quatro primeiros meses do ano, o preço do açaí tipo grosso, o mais apreciado, vendido ao consumidor em Belém aumentou 56%, segundo levantamento do Dieese-Pará: começou o ano em R$ 35,67 por litro e, no último mês, era vendido a R$ 52,10.

Um aumento nos primeiros meses do ano é esperado devido ao período de entressafra, na época mais chuvosa na Amazônia, que normalmente vai até maio. Mas não desse jeito.

Na comparação de abril deste ano com o mesmo mês do ano passado, a alta é de 7,1%. Ao olhar para 2023, a alta para o mesmo o período já é de 27,6%.

“Nunca tinha visto chegar a esse patamar de preços”, diz Paulo Tenório, de 50 anos, há 12 um batedor artesanal de açaí — profissão de quem compra o fruto nas feiras às margens da baía do Guajará, em Belém, e extrai a polpa em pequenos comércios para vender à população.

Pela primeira vez, o batedor precisou fechar temporariamente seu negócio na Marambaia, bairro periférico ao lado das instalações da COP, e passou a trabalhar como motorista de aplicativo, por até 14 horas por dia.

“Estou em abstinência de açaí”, lamenta Tenório, que, além de não vender, está sem comprar. Ele diz que sua renda diminuiu 40% em relação a anos anteriores, quando o comércio funcionava sem parar. Com pouco dinheiro, precisou mandar o filho de 18 anos para morar com a avó.

Segundo pesquisadores e pessoas envolvidas na cadeia produtiva do açaí, a entressafra, porém, não explica todo o problema.

As mudanças aceleradas do clima, ainda somadas ao fenômeno do El Niño, têm alterado as condições necessárias para que o açaizeiro, uma espécie nativa de áreas de várzea, frutifique.

No ano passado, a estiagem prolongada que secou rios no Norte do Brasil encurtou a safra e fez os frutos encolherem.

“As secas acertaram diretamente a cadeia produtiva do açaí”, diz Nathiel Moraes, diretor de pesquisas do Instituto Açaí é Nosso e pesquisador do Grupo de Trabalho do Açaí da Universidade Federal do Pará (UFPA).

“O açaizeiro precisa de um equilíbrio tão preciso da natureza que o ser humano é um mero coadjuvante”

A equação é complexa para os pequenos produtores: a árvore precisa de um período semelhante entre chuvas e sol no início da safra, um período mais seco para a colheita e um período de chuva intensa para voltar a se fortalecer antes de produzir de novo.

A alta do preço do açaí também tem ocorrido justamente em um momento em que o mundo descobre o sabor dessa fruta, um alimento saudável e energético agora apreciado desde as praias da Califórnia aos shoppings de Dubai, passando por todas as regiões do Brasil.

Para atender a essa demanda, a árvore de açaí passou a ser cultivada em grande escala nos últimos anos, em alguns casos em monocultura, levando a temores de perda de biodiversidade na Amazônia. A produção tem batido recorde no Pará, Estado que concentra 90% da produção nacional.

Os números de exportação do Pará sobre os derivados de açaí saíram de 1 tonelada em 1999 para mais de 61 mil toneladas em 2023, segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).

Mas, além dessas grandes plantações exclusivas às indústrias, o apetite pela fruta também faz com que alguns pequenos produtores, que antes abasteciam o mercado local, passassem a vender a fábricas que mandam o produto para fora do Pará, segundo pesquisadores, contribuindo para a crise em Belém.

Açaí fino e a chula

Nessa época do ano, com a entressafra e uma crise multifatorial, o açaí que tem chegado a Belém é de menor qualidade e “mais fino”. Ou seja, além de mais caro, gera um creme mais ralo, segundo os batedores.

Mas, com o preço nas alturas, mesmo quem continua comprando tem mudado o comportamento.

Os belenenses têm pedido com frequência nos comércios de batedores de açaí a água residual que sobra no processo, na lavagem do caroço — chamada de churamba ou chula.

“A pessoa pede, em vez de 1 litro de açaí, meio litro mais o resto de água”, conta Paulo Tenório, batedor artesanal. A mistura deixa o alimento mais fino e menos nutritivo e saboroso.

Na época da safra, os frutos que chegam a Belém normalmente vêm das ilhas e regiões próximas da cidade. Nesse período de escassez, precisam vir de mais longe, em barcos com gelo desde a Ilha do Marajó, em uma viagem de sete dias.

Quando chega à capital, gelado, a qualidade não é a mesma e pode estar azedo, explica Tenório: “O açaí é um defunto, quando sai do cacho, começa a morrer”.

Ao contrário do resto do Brasil (e do mundo), que consome o açaí quase como sorvete, misturado a xaropes como o de guaraná, o paraense preza mais pelo açaí fresco. Quanto menos tempo levar da árvore à mesa, melhor. Por isso, o produto das grandes fábricas não é tão interessante aos moradores locais.

“Para vocês fora da Amazônia, açaí não é cultura alimentar, é uma sobremesa, um pré-treino. Aqui, tem família que está todo dia comprando açaí para poder se manter, é o almoço”, conta Moraes.

No início dessa cadeia local, estão as pequenas comunidades que plantam o açaí nos arredores de Belém.

Uma delas é a comunidade quilombola Itacoã Miri, em Acará. Até os anos 1990, os moradores sobreviviam com a produção de farinha. Mas um projeto de incentivo à colheita de açaí mudou a economia local.

“Éramos miseráveis, passava fome mesmo. Com o açaí, a comunidade alavancou, melhorou muito nossa vida”, relata o agricultor Marcos da Silva, de 48 anos

Na época da safra, a cada dois dias Silva sai da comunidade e passa uma hora e meia em um barco até o Porto da Palha, em Belém, onde vende a produção. Com um período de entressafra maior devido ao clima, os barcos ficam parados por mais tempo, saindo eventualmente para venda de outras frutas, como cupuaçu e pupunha.

“Isso não é normal. Tem algum fator que está causando isso, porque que está tendo mudança, isso está”, diz Silva, que teme pelo futuro.

Chover na hora certa

Nativa de áreas de várzea, inundadas periodicamente pelos rios, a palmeira do açaí precisa de muita água.

A forte estiagem que atingiu o Norte do Brasil em 2024 e em 2023 fez o fruto secar. Na época de safra, algumas árvores estavam mortas.

“Tem frutos que acabam nem nascendo ou secam no pé. Quando saem, demoram muito e estão pequenos”, diz o pesquisador Nathiel Moraes, que tem trabalhando para desenvolver tecnologias para o açaí, como um biogel que faça o fruto ter mais durabilidade.

O cenário de seca fez com que a última safra começasse apenas em agosto —normalmente, vem em junho.

Na comunidade do Itacoã Miri, em Acará, Marcos da Silva relata que normalmente consegue colher de junho até janeiro, mas, no último ano, as árvores já não tinham mais frutos em novembro. Ou seja, teve uma safra curta e uma entressafra muito grande.

Apesar dos recordes de produção de açaí no Pará, Silva explica que a realidade dos pequenos produtores é diferente.

Suas pequenas plantações geralmente não possuem sistema de irrigação que consigam abastecer de água em épocas secas.

“Pode até aumentar a área de plantação, mas as nossas árvores estão dando menos açaí, os cachos estão menores”, diz Silva. Nas suas contas, em 15 anos, a produtividade na sua comunidade quilombola caiu 40%.

A falta de acesso a recursos para financiamento e implementação de novas tecnologias são uma reclamação constante entre quem acompanha a cadeia produtiva de açaí de Belém.

“Precisamos trazer inovações para diminuir os impactos que as mudanças climáticas vão causar nessa cadeia produtiva daqui. Não adianta só plantar mais açaí e aumentar a exportação”, relata Moraes.

Mesmo que a falta de chuva seja um problema, os produtores também temem que chova demais.

Como há pouca tecnologia aplicada à colheita, a retirada dos cachos ainda é feita exclusivamente pelos peconheiros, que sobem nas árvores com a ajuda de uma peconha, um tipo de cinta usada nos pés para se apoiar na escalada.

Quando chove, eles não têm como coletar o fruto, porque a segurança fica muito comprometida com a palmeira lisa demais, e o fruto passa do tempo de amadurecimento e começa a apodrecer.

A cadeia de produção de açaí também é frequentemente alvo de denúncias de trabalho infantil, já que crianças, mais leves, são usadas para subir nas árvores. Há relatos de fraturas, ferimentos e picadas de animais.

A BBC News Brasil questionou o governo do Pará a respeito de projetos para modernizar a cadeia produtiva do açaí no Estado. Em nota, a gestão Barbalho disse que tem em andamento o projeto PRÓ-AÇAÍ, para capacitar produtores e incentivar o cultivo irrigado.

“Como o açaizeiro é uma cultura perene, os resultados dessas ações são estruturantes e de médio a longo prazo”, afirmou o governo paraense em nota.

Sucesso global e a polêmica do açaí congelado

As fábricas que produzem o açaí para fora do Pará, em geral, só funcionam durante o período de safra. Muitas têm plantações próprias.

Mas outras, segundo os relatos ouvidos pela BBC News Brasil, vão atrás dos frutos que antes abasteceriam Belém.

Em alguns casos, produtores são procurados muito antes da colheita, recebendo um valor menor do que o normal como uma antecipação, garantindo que toda a produção vai para a indústria.

“Quando você está consumindo açaí absurdamente durante aquele período da safra, você está tirando de quem consome aqui dentro”, diz Moraes.

Como as fábricas congelam o produto, que vai ter um prazo longo de validade, elas trabalham a todo vapor quando está na época da colheita. No resto do ano, costumam vender o que já foi embalado.

Em geral, essa estratégia de congelar o açaí não era bem aceita em Belém. Mas isso tem mudado.

Nos últimos dez anos, diz o batedor Paulo Tenório, a população que só buscava o açaí fresco passou a aceitar o refrigerado, que é batido de um dia para o outro e mantido na geladeira, sem congelar.

Agora, redes de supermercado da cidade já oferecem a polpa congelada. “As pessoas querem açaí, não importa mais se congelado ou não”, diz Moraes.

Diante do novo cenário, os batedores de açaí também querem congelar o produto. Hoje, eles são impedidos por regras sanitárias.

Polpa de fruta só pode ser comercializada no Brasil se for pasteurizada — processo de aquecimento controlado seguido de resfriamento rápido, usado para eliminar micro-organismos

Um decreto estadual do Pará permite que os trabalhadores artesanais do açaí vendam o produto desde que realizem o branqueamento, processo em que o açaí, após ser higienizado, é imerso por 15 segundos em água a 80ºC e, em seguida, resfriado à temperatura ambiente.

O objetivo é controlar micro-organismos como a salmonela e o protozoário causador da doença de Chagas. Esse processo, porém, não é suficiente para uma autorização que permita o congelamento, e a pasteurização é um processo mais complexo e muito caro para os batedores.

A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) aprovou uma lei em abril que possibilita aos batedores congelar o açaí. A ideia do deputado Bordalo (PT) seria criar um “estoque regulador” no período de entressafra para o preço não disparar.

Segundo a Procuradoria-Geral do Estado, o veto foi embasado em pareceres técnicos que apontaram inconstitucionalidade, por tratar de matéria de competência da União, além da falta de critérios sanitários e de parâmetros técnicos para o congelamento seguro do açaí.

Em nota, o governo do Pará diz que “está aberto ao diálogo com os batedores e parlamentares para construir soluções que sejam viáveis, sustentáveis e juridicamente seguras”.

Os batedores e deputados por trás da proposta argumentam que o projeto não entra na seara federal, já que a Constituição garante aos Estados competência para legislar sobre produção, consumo e proteção à saúde.

Segundo associações que defendem os produtores, eventuais falhas técnicas apontadas pelo governo poderiam ser resolvidas em legislação complementar.

A Assembleia Legislativa do Pará, com maioria favorável ao governador, decidirá se derruba o veto. Até lá, os batedores seguirão sem poder congelar.

“Nosso medo é que grandes fábricas que exportam passem a vender o açaí congelado aqui no nosso mercado interno, e a gente perca nosso trabalho”, diz Paulo Tenório.

Fonte:   Vitor Tavares G1 e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 15/05/2025/14:22:33

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Prefeitura de Belém dá fim ao barulho e destrói mil escapamentos adulterados

Peças foram apreendidas durante operações do programa “Belém em Ordem” | (Leandro Neves/Agência Belém)

Peças foram apreendidas em ações da Segbel contra irregularidades no trânsito e poluição sonora. A destruição foi acompanhada pelo prefeito de Belém, Igor Normando

O prefeito de Belém, Igor Normando, acompanhou a destruição de 1000 escapamentos de motocicletas adulterados realizada no Pátio de Retenção de Veículos da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel), bairro da Marambaia, nesta quarta-feira (14).

Os escapamentos adulterados foram destruídos com o uso de um rolo compactador. As peças foram apreendidas durante as operações do programa “Belém em Ordem”, realizadas com o apoio da Guarda Municipal de Belém (GMB) e voltadas à fiscalização para prevenir e combater irregularidades no trânsito, incluindo as que causam poluição sonora.

“Estamos fiscalizando toda a cidade. Organizando o espaço público e combatendo irregularidades. Vamos dar um fim definitivo nisso: todos esses escapamentos vão ser destruídos e quem continuar insistindo no erro vai ver as consequências acontecendo, porque cada ação é um passo para colocar Belém em ordem”, enfatizou o prefeito Igor Normando.

A destruição dos mil escapamentos está respaldada no Artigo 230, inciso XI, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que considera grave a infração de conduzir veículo com o sistema de escapamento adulterado, prevendo multa de R$ 195,23 e a apreensão do veículo.

 

Fonte: Redação DOL e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 15/05/2025/14:22:33

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PC prende 8 suspeitos de crimes sexuais contra crianças e adolescentes na Grande Belém

A imagem em destaque mostra policiais civis com um dos alvos presos. (Foto: Divulgação | Agência Pará)

Ação cumpriu mandado judiciais de prisão expedidos pela Justiça. Mais de 15 homens foram presos em todo o Pará, desde o dia 30 de abril deste ano

Oito homens foram presos pela Polícia Civil do Pará nesta quinta-feira (15/5) durante a operação “Caminhos Seguros”. Segundo a PCPA, todos tinham mandado de prisão expedidos pela Justiça por crimes graves praticados contra crianças e adolescentes, em sua maioria sexuais, que estavam em aberto.

“As ações ocorreram de forma simultânea em Belém e em outros municípios da Região Metropolitana. Todos os mandados foram diligenciados e os alvos localizados receberam voz de prisão e foram encaminhados para a Divisão de Atendimento ao Adolescente. Outros alvos são monitorados pelas equipes de investigação e inteligência, por isso a operação continua para que possamos dar cumprimento às prisões”, explicou a delegada Emanuela Amorim, diretora da DAV.

A Operação Caminhos Seguros é uma mobilização nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com o objetivo de enfrentar, de forma articulada e qualificada, a violência sexual infantojuvenil. A ação ocorre em alusão ao 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Texto também prevê que o sigilo dos dados do condenado poderá ser mantido pela Justiça
Presidente Lula sanciona lei que cria cadastro de condenados por crimes sexuais

Os homens presos nesta quinta (15/5) foram conduzidos à Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA/Belém) para os procedimentos legais, incluindo registro dos boletins de ocorrência e requisição de exames periciais.

“A operação Caminhos Seguros do MJSP teve início no dia 30 de abril passado. De lá para cá, mais de 15 homens envolvidos em crimes sexuais contra crianças e adolescentes já foram presos em todo o Pará. A ação continua até o final do mês de maio para que outros mandados de prisão sejam cumpridos”, finalizou a delegada.

A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a proteção da infância e adolescência e segue empenhada na localização dos demais alvos e na responsabilização dos autores desses crimes.

 

Fonte: O Liberal e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 15/05/2025/14:22:33

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VÍDEO: “Manas”, Filme inspirado nos casos de exploração sexual infantil da Ilha do Marajó estreia nesta quinta (15)

(Foto:Reprodução) – Foi a partir de uma conversa com a cantora Fafá de Belém que a cineasta Marianna Brennand desenvolveu “Manas”. O filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (15), após conquistar mais de 20 troféus em festivais estrangeiros.

A conversa entre Fafá e Marianna aconteceu em 2014, e o assunto que prendeu a atenção da diretora foi o histórico de exploração sexual infantil na Ilha do Marajó (PA). A pernambucana, que até então desconhecia os casos, se interessou tanto pelos relatos que decidiu transformá-los em um documentário. Mas logo mudou de ideia.

Entre águas

“Manas” é o primeiro longa de ficção da cineasta, que dirigiu os documentários “Francisco Brennand” (2012) e “Danado de Bom” (2016). Seu novo filme, que levou mais de dez anos para ser desenvolvido, conta a história de Tielle (Jamilli Correa), garota de 13 anos que vive em uma comunidade ribeirinha no Marajó.

Em uma pequena casa de palafita, vivem Tielle, seu pai Marcílio (Rômulo Braga), mãe Danielle (Fátima Macedo) e três irmãos menores. A família sofre com insegurança alimentar e compartilha o quarto para dormir. Com a chegada da puberdade, Tielle é incentivada pela mãe a vender açaí nas balsas da região. Lá, a garota passa a ser explorada sexualmente pelos tripulantes. Violência que não é tão diferente da que sofre em casa, onde seu pai a submete a abusos e assédios.

A história é inspirada em casos reais. Além de viajar pela região diversas vezes, a cineasta pesquisou sobre as trajetórias da irmã Marie Henriqueta e do delegado Rodrigo Amorim, dois nomes importantíssimos no combate à exploração sexual infantil no Marajó — ambos colaboraram com o filme, assim como psicólogos, assistentes sociais e conselheiros tutelares da região.

Em frente às câmeras

Para a cineasta, seu filme é uma maneira que ela encontrou para dar voz “a essas meninas e mulheres tão silenciadas”.

Marianna diz que sua ideia foi fugir do maniqueísmo e mostrar a complexidade desses casos. Ela também se recusou a usar violência gráfica em “Manas”.

“Eu não posso assinar embaixo de uma violência”, afirma a cineasta, ao explicar a ausência do explícito nas cenas de violência sexual. “Foi uma oportunidade de fazer um filme respeitando nossos corpos, a nossa existência. É um posicionamento político através do cinema, do que eu mostro e do que escolho não mostrar. Como eu poderia expor o corpo dessa menina?”

Ela se refere a Jamilli Correa, que interpreta a protagonista Tietlle. Aos 16 anos, a paraense nunca havia atuado, mas impressionou em “Manas”. Entregou uma atuação profundamente tocante e, agora, vive uma carreira promissora.

Violência ao longo dos anos

O restante do elenco também tem sido bastante aclamado. Dira Paes diz que o filme serve como trocadilho de uma frase de Fernanda Torres. “O cinema brasileiro presta”, afirma a atriz. Em “Manas”, ela faz o papel de Aretha, policial inspirada no delegado Rodrigo Amorim e na irmã Marie Henriqueta.

“Esses são nossos heróis, e eles não têm reconhecimento. Há mais ou menos 25 anos, eu fui ao Marajó para apoiar a Marie Henriqueta, que estava jurada de morte [por denunciar crimes sexuais na região]”, conta Dira, explicando sua antiga conexão com os dramas narrados no filme. “O tempo passou, e esses heróis continuam na luta.”

A questão dos abusos no Marajó tem mais repercussão atualmente do naquela época. Desde 2019, a região é alvo de fake news. A ex-ministra Damares Alves afirmou, por exemplo, que crianças eram traficadas para o exterior. Em 2023, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que ela e a União pagasse uma indenização de R$ 5 milhões a população do Marajó, por propagar informações falsas e causar “danos sociais e morais coletivos à população do arquipélago”. O órgão afirmou que ela reforçou estereótipos e estigmas sobre a região.

“Em vez de ouvir [os ativistas da região] ou dar visibilidade àqueles que já estão nessa batalha há anos, nossa ex-ministra bagunçou o coreto, expôs ainda mais esses heróis, que estão vulneráveis”, afirma Dira, em referência a Damares.

Em 2019, a então ministra disse que meninas eram abusadas na Ilha do Marajó por não usarem calcinha. A fala, que já foi desmentida, foi bastante criticada na época por sugerir que vítimas são culpadas. No filme, há uma cena em que Tielle lava sua calcinha suja de sangue no rio. Ainda que o momento possa parecer uma resposta à fala de Damares, a diretora nega que seja uma mensagem subliminar.

“Esse tipo de declaração nem merece uma contra-resposta, de tão absurda que é”, afirma Marianna. “Desde que eu venho fazendo esse filme, e sai alguma notícia sobre o Marajó, ela acaba virando alvo de fake news, acaba virando uma briga partidária. Isso é uma briga política, da sociedade, dos direitos humanos. Mas não deve virar algo partidário, porque a população que está lá e que precisa de auxílio não se beneficia com isso.”

Veja o Trailer:

https://youtu.be/XjcZe4V2pSg

 

Fonte: José Carlos Araujo/kb2noticias e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 15/05/2025/14:22:33

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