O que se sabe sobre Fort Knox, o bunker superprotegido dos EUA onde estão depositados R$ 35 bilhões em ouro

O Depósito de Ouro dos Estados Unidos Fort Knox, em 1974 — Foto: AP Photo

Trump afirmou que mandará Elon Musk vistoriar o depósito para garantir que o ouro ainda está lá. Cofre foi aberto para visitas apenas três vezes ao longo da história.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o bilionário Elon Musk vai fazer uma análise no Fort Knox, o lendário depósito de reservas de ouro do país localizado no estado de Kentucky. Trump disse que quer garantir que o ouro ainda está lá.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o Fort Knox passa por uma auditoria anual e que “todo o ouro está presente e contabilizado”.

O Depósito de Ouro dos Estados Unidos em Fort Knox armazena reservas de metais preciosos para o país desde 1937 e tornou-se sinônimo de segurança e proteção.
Além da custódia das reservas de ouro, o Fort Knox também funciona como o centro de comando de recursos humanos do Exército e sedia o maior evento anual de treinamento militar dos Estados Unidos todo verão.

A base militar fica a cerca de 56 km de Louisville, a maior cidade do Kentucky, e abrange uma área de 109 mil acres — o que equivale a cerca de 61 mil campos de futebol.

O local foi estabelecido como Campo Knox durante a Primeira Guerra Mundial e tornou-se um centro de treinamento de artilharia, segundo o site oficial da base.

Em 1932, foi transformado em uma instalação permanente e, desde então, é conhecido como Fort Knox. O primeiro carregamento de ouro chegou ao local em 1937, escoltado pelo 1º Regimento de Cavalaria.

Com o início da Segunda Guerra Mundial na Europa, o Exército criou a Força Blindada em Fort Knox, enviando milhares de soldados para treinamento com tanques. Por quase 80 anos, a base foi conhecida como a “Casa da Cavalaria e da Blindagem”.

Em 2005, o Exército decidiu transferir o Centro de Blindagem e a Escola de Blindagem para Fort Benning, na Geórgia, e o Fort Knox passou a abrigar o Centro de Excelência de Recursos Humanos do Exército.

Quanto ouro está armazenado em Fort Knox

De acordo com a Casa da Moeda dos EUA, as reservas atuais de ouro no Depósito de Fort Knox somam 4.600 toneladas de ouro. Cerca de metade do ouro armazenado pelo Tesouro dos EUA está nesse local.

Segundo a Casa da Moeda, apenas pequenas quantidades de ouro foram retiradas do local para testes de pureza durante auditorias regulares. Fora essas amostras, nenhuma movimentação de ouro é registrada há muitos anos.

Em 1974, a Casa da Moeda dos EUA abriu os cofres para um grupo de jornalistas e uma delegação do Congresso para que pudessem verificar as reservas de ouro. A visita foi autorizada pelo então secretário do Tesouro após rumores de que o ouro havia sido removido.

Até então, a única pessoa que tinha visitado o local — além do pessoal autorizado a acessar os cofres — era o presidente Franklin D. Roosevelt. Ele governou o país entre 1933 e 1945.

Desde então, os cofres foram abertos apenas mais uma vez: em 2017, quando o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, visitou o local com o governador do Kentucky, Matt Bevin, e congressistas.

O atual secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que ficaria feliz em organizar uma inspeção para qualquer senador interessado em ver os cofres.

Atualmente, o total de ouro armazenado no local representaria um valor de aproximadamente US$ 6,22 bilhões (R$ 35,5 bilhões).

Quão seguro é Fort Knox?

O Fort Knox é altamente seguro. A estrutura e o conteúdo exatos do local são conhecidos por poucas pessoas, e ninguém tem conhecimento completo dos procedimentos para abrir o cofre.

O que se sabe publicamente é que a instalação foi construída em 1936 com granito, concreto, aço de reforço e aço estrutural.

O depósito de ouro tem a reputação de ser impenetrável, o que lhe garantiu um lugar na cultura popular. Em 1952, um desenho animado do Looney Tunes mostrou Pernalonga e Eufrazino cavando o local em busca de ouro.

O Fort Knox também foi destaque em filmes como o thriller de espionagem de James Bond “Goldfinger” (1964) e a comédia “Stripes” (1981), que teve cenas filmadas na base.

 

Fonte: Associated Press e Franca e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 21/02/2025/14:52:49

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Pé-de-Meia pagará 275 mil alunos no Pará; veja o calendário

Programa é um incentivo financeiro-educacional para promover a permanência e conclusão escolar de matriculados no ensino médio público. No Pará, 275 mil alunos serão beneficiados. | Angelo Miguel/MEC

Pagamentos são da parcela de R$ 1.000 aos beneficiados que concluíram uma das etapas do ensino médio em 2024 e R$ 200 aos estudantes que terminaram o 3º ano com aprovação e participaram dos dois dias do Enem 2024.

O Ministério da Educação (MEC) começará a pagar na terça-feira, 25 de fevereiro, a parcela de R$ 1.000 aos alunos participantes do Pé-de-Meia que concluíram uma das etapas do ensino médio em 2024. Também serão depositados os R$ 200 referentes à participação dos estudantes que terminaram o 3º ano com aprovação e participaram dos dois dias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024.

Para receber a parcela referente à conclusão de cada ano do ensino médio, é necessário que o aluno tenha sido aprovado naquela etapa de ensino. Os estudantes que já terminaram o 3º ano podem sacar o valor, porém os alunos que ainda estão cursando o 1º ou o 2º ano só poderão retirar a poupança após concluírem o ensino médio.

No Pará, a previsão é que cerca de 275,7 mil estudantes estejam aptos a receber o benefício. São Paulo é o estado da federação em que há mais estudantes cobertos pelo programa: 532,2 mil. Em seguida vêm Bahia, com 406,4 mil; Minas Gerais, com 347,1 mil e Ceará, com 282,4 mil.

Alunos de escolas que ainda não terminaram o ano letivo de 2024 vão receber o incentivo quando tiverem as aprovações informadas pelas redes de ensino. Aqueles que tiveram uma ou mais parcelas bloqueadas no ano passado também podem receber os valores nos próximos meses, desde que cumpram com os requisitos pedidos.

Os participantes do programa recebem parcelas por frequência, além de depósitos em poupança ao final de cada ano concluído com aprovação, que podem somar até R$ 9.200 por aluno. Os depósitos são feitos pelo MEC em uma conta aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal para os estudantes que cumprem os critérios do programa.

Caso o adolescente seja menor de idade, para movimentar a conta, sacar o dinheiro ou utilizar o aplicativo Caixa Tem, é necessário que o responsável legal realize o consentimento e autorize seu uso. Esse consentimento pode ser feito pelo aplicativo ou em uma agência bancária da Caixa. Se o estudante tiver 18 anos ou mais, a conta já estará desbloqueada para utilização do valor recebido.

Instituído pela Lei nº 14.818/2024, o Pé-de-Meia é um programa de incentivo financeiro-educacional na modalidade de poupança, destinado a promover a permanência e a conclusão escolar de pessoas matriculadas no ensino médio público.

O objetivo é democratizar o acesso e reduzir a desigualdade social entre os jovens do ensino médio, além de fomentar mais inclusão social pela educação, estimulando a mobilidade social. Os estados, o Distrito Federal e os municípios prestam as informações necessárias à execução do incentivo, possibilitando o acesso a ele para os estudantes matriculados nas respectivas redes de ensino.

Calendário

O pagamento dos incentivos será feito da seguinte maneira para os estudantes que finalizaram o ensino médio em 2024:

25/2: nascidos em janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho
26/2: nascidos em julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro
Os estudantes que concluíram o 1º e o 2º ano receberão o incentivo de R$ 1.000 no dia 27 de fevereiro, independentemente da sua data de nascimento.

Critérios

Para ter direito é preciso atender aos seguintes critérios:

Ser estudante do ensino médio das redes públicas e ter entre 14 e 24 anos; ou ser estudante da educação de jovens e adultos (EJA) das redes públicas e ter entre 19 e 24 anos;
Ser integrante de uma família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e que tenha renda, por pessoa, de até meio salário mínimo;
Possuir Cadastro de Pessoa Física (CPF) regular;
Ter frequência nas aulas de no mínimo 80% no mês.

 

Fonte: Agência Gov e Luiza Mello/Diário do Pará e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 21/02/2025/14:38:10

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São Paulo corre risco de perder 6 jogadores por cartão nas quartas do Paulista

(Foto: Erico Leonan/São Paulo FC) – O São Paulo entra em campo neste domingo, contra o São Bernardo, às 18h30 (de Brasília), no estádio Primeiro de Maio, no ABC, com a missão de não perder nenhum de seus jogadores “pendurados” para as quartas de final do Campeonato Paulista.

O Tricolor enfrentará o São Bernardo pela última rodada da primeira fase da competição, e seis atletas podem desfalcar a equipe na fase seguinte se forem advertidos com cartão amarelo.

O goleiro Rafael, os zagueiros Alan Franco e Sabino, o lateral esquerdo Enzo Díaz e os atacantes Calleri e André Silva somam dois cartões amarelos cada. De acordo com o regulamento do Paulistão, um atleta terá de cumprir suspensão automática na rodada seguinte, caso some três cartões amarelos no torneio.
Justamente por isso, o técnico Luis Zubeldía terá de decidir se escalará força máxima na última rodada do Paulista a fim de confirmar a classificação, já assegurada, como líder do Grupo C ou se irá poupar esses jogadores “pendurados”, correndo o risco de ir a campo com um time teoricamente mais fraco e perder a primeira colocação de sua chave.

No caso da zaga e do ataque, contudo, Zubeldía não tem muitas opções. Ambos os defensores que atuam pelo lado esquerdo estão pendurados, assim como os dois centroavantes do elenco. Para as outras posições, entretanto, é possível substituir os “pendurados”.

Para a vaga de Enzo Díaz, Wendell, que somou seus primeiros minutos como jogador do São Paulo na última quarta-feira, contra a Ponte Preta, pode assumir a lateral esquerda. Já Rafael pode ser substituído por Jandrei.

 

Fonte: Gazeta Esportiva – Gazeta Esportiva e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 21/02/2025/14:19:52

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Avião da Latam retorna ao Galeão após colisão com pássaro; bico da aeronave ficou destruído

Avião colide com pássaro no Galeão — Foto: Reprodução

Incidente é conhecido como ‘bird strike’ na aviação. Ninguém ficou ferido. Voo foi cancelado.

Um avião da Latam que decolou do Galeão, às 10h35 desta quinta-feira (20), em direção a Guarulhos (SP), precisou retornar ao aeroporto do Rio de Janeiro após uma colisão com um pássaro. O bico da aeronave, um Airbus A321, ficou destruído (veja acima).

Duzentos passageiros estavam no avião. Ninguém ficou ferido. O incidente é conhecido como “bird strike” na aviação.

Em um post nas redes sociais, Jerome Cadier, CEO da Latam, disse que a aeronave retornou em segurança, mas o voo precisou ser cancelado.

“Posso apostar que a primeira ação na Justiça contra a companhia aérea, pedindo indenização por dano moral por cancelamento deste voo, vai chegar amanhã mesmo. E assim segue a aviação brasileira. A pergunta é: quem paga a conta?”, questionou o CEO.

Por meio de nota, a companhia aérea lamentou o incidente e informou que os passageiros estão sendo reacomodados em outros voos nesta quinta e na sexta-feira (21).

Nota da Latam

“A Latam informa que a aeronave que realizava o voo LA3367 (Rio de Janeiro/Galeão-São Paulo/Guarulhos), com decolagem às 10h35 desta quinta-feira (20/02), retornou para o aeroporto de origem após um bird strike (colisão com pássaro). O pouso ocorreu em completa segurança às 11h04 e o voo foi cancelado.

A Latam lamenta os transtornos causados e informa que está oferecendo a assistência necessária para todos os clientes impactados, que serão reacomodados em voos da companhia previstos para hoje e amanhã (20 e 21/02). Por fim, a Latam reitera que adota todas as medidas de segurança técnicas e operacionais para garantir uma viagem segura para todos.”

 

Fonte: Marcus Vincax, TV Globo e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/02/2025/16:31:01

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Pai e filho são baleados em troca de tiro entre Comando Vermelho e PMs

(Foto: Reprodução) – Gari Maicon da Conceição Santos e seu filho, Davi Lucas da Silva Santos, de 8 anos, foram atingidos por balas perdidas

O combate ao tráfico de drogas comandado pela facção carioca Comando Vermelho (CV) e as forças de segurança do Rio de Janeiro fez mais vítimas nessa quarta-feira (19/2).

O gari Maicon da Conceição Santos e seu filho, Davi Lucas da Silva Santos (ambos na foto em destaque), de 8 anos, foram baleados nas imediações da estação de Costa Barros, na zona norte do Rio, durante um tiroteio entre policiais militares e traficantes do CV.

O menino é atleta do time sub-8 do Vasco da Gama e estava voltando de um treino de futebol. Pai e filho moram em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

Segundo testemunhas, os policiais atiraram na direção de um carro, que seria suspeito, e eles foram atingidos por balas perdidas.

Os dois foram socorridos por um motorista que passou pelo local depois do tiroteio.

Um dos disparos atravessou a perna do filho e se alojou na perna do pai. Maicon teve alta do Hospital Getúlio Vargas ainda na quarta. Davi segue internado no Hospital Albert Schweitzer.

Segundo parentes dos baleados, os policiais envolvidos na ocorrência não socorreram pai e filho, apesar de terem pedido.

 

Fonte: Carlos Carone – Google News – Metrópoles e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/02/2025/16:28:06

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Professor é espancado por dois alunos após recolher celular em sala de aula, no DF

(Foto: Reprodução) – O caso está sendo investigado pela Polícia Civil

A Polícia Civil investiga um caso de agressão de dois alunos, de 17 anos, contra um professor de uma escola pública de Planaltina, no Distrito Federal. Ao portal g1, a Secretaria de Educação afirmou que o docente foi agredido por ter chamado a atenção de um dos adolescentes sobre o uso do celular durante a aula.

O caso aconteceu na terça-feira (18), nas proximidades da escola, Centro Educacional Vale do Amanhecer, após o horário de aula. “Ao sair da escola, o professor foi seguido até a parada de ônibus, onde sofreu agressões por parte de alguns estudantes“, apontou a Secretaria. A vítima tem 24 anos e preferiu não ser identificado.

Um ex-funcionário da instituição de ensino revelou que o professor é deficiente visual. “Ele realmente apanhou por causa da questão do celular. Ele havia mandado os alunos guardarem o celular na sala de aula. Acabou precisando chamar a diretora, que recolheu os celulares. Eles não gostaram e, nessa parada de ônibus, ele foi espancado“, afirmou o amigo do docente à TV Globo.

Segundo ele, a vítima levou socos na cabeça e no rosto. “Pelo que entendi, o olho estava roxo na delegacia“, contou. A agressão também foi presenciada por alunos de outra escola. O professor foi socorrido por um motorista de ônibus, que desceu do veículo para prestar os primeiros socorros. Mais tarde, ele registrou um boletim de ocorrência na 16ª Delegacia de Polícia de Planaltina, por ameaça e lesão corporal.

O Sindicado dos Professores do DF afirmou ter oferecido suporte psicológico ao professor, que tem contrato temporário com a instituição. “Isso não pode ficar impune. Estamos acompanhando o caso, dando todo apoio ao professor. Além da saída desses alunos da escola, eles precisam responder pelo crime cometido contra o professor dentro do rigor da lei, até para que sirva como exemplo para que atos como esses não voltem a se repetir“, disse o presidente do SINPRO-DF, Samuel Fernandes.

Em nota à emissora, a Secretaria da Educação também informou que “a direção da unidade tomou as providências necessárias, acionando imediatamente os responsáveis pelos alunos para que as medidas cabíveis sejam adotadas“.

Proibição de celulares

O uso dos celulares em salas de aulas está proibido desde o início do ano, após a sanção de uma lei federal. No DF, a regra entrou em vigor no último dia 10, primeiro dia do ano letivo. De acordo com as orientações da Secretaria de Educação, os estudantes que levarem os aparelhos para a escola devem mantê-los desligados e dentro das mochilas.

Nos casos de uso pedagógico, as atividades devem ser previamente planejadas e monitoradas pelos professores. Caso um aluno descumpra as regras, a direção da escola poderá adotar medidas disciplinares, incluindo o recolhimento dos aparelhos.

 

Fonte: Hugo Gloss – UOL e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/02/2025/16:17:07

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Suspeito é preso por homicídio e posse ilegal de arma de fogo em Tucuruí

(Foto: Reprodução) – A prisão foi efetuada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (19)

A Polícia Civil do Pará deflagrou a operação ‘Gado Falso’, nesta quarta-feira (19), que resultou no cumprimento de um mandado de prisão temporária por homicídio e uma prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, em Tucuruí.

O sujeito é investigado pelo homicídio que ocorreu no dia 15 de novembro de 2024 e vitimou um homem, identificado como Marcio Kleiton Almeida Rodrigues. Durante as diligências, foi deflagrada a operação simultânea nas cidades de Tucuruí, no Pará, e Imperatriz, no Maranhão.

O homem foi identificado e localizado pelas equipes. Durante a abordagem foram encontradas com ele certa quantidade de munições e uma pistola G2C, contendo dois carregadores. Por esta razão, o suspeito também foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Atualmente, o preso está custodiado e segue à disposição da Justiça. A operação contou com o apoio da Delegacia de Homicídios, Núcleo de Apoio a Investigação de Tucuruí, Superintendência Regional do Lago de Tucuruí, 15ª Seccional Urbana de Tucuruí.

 

Fonte: Ingrid Sales – PCPA e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/02/2025/16:14:37

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Obras da ferrovia Sinop-Miritituba devem iniciar um ano após autorização do STF, prevê agência

Só Notícias/Wellinton Cunha (foto: assessoria/arquivo)

Os estudos técnicos de impacto socioambiental e viabilidade do Ferrogrão, solicitado pelo Supremo Tribunal Federal à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em agosto do ano passado, ainda estão sob análise do órgão do poder judiciário. “A gente tendo aprovação do STF, em um ano a gente faz o leilão da Ferrogrão para início das obras e o início das operações”, projetou, ao Só Notícias, Rafael Vitale, que encerrou o mandato anteontem como diretor-geral da ANTT e esteve em Sinop para inauguração do escritório de fiscalização de infraestrutura rodoviária.

Com 933 km de extensão, o projeto da construção de uma ferrovia no trecho entre Sinop (MT) e o porto de Miritituba, distrito de Itaituba (PA), é visto como uma alternativa do escoamento do agro, madeira e outros produtos no Centro-Oeste brasileiro e será construída paralelamente à rodovia BR-163.

“Ferrovia é bem mais complexo, não é tão rápido quanto uma duplicação de um trecho, mas a gente acredita que as coisas vão avançando, as dúvidas vão sendo dirimidas e, assim, nós vamos ter autorização para seguir em frente”, complementou Vitale.

O projeto da ferrovia ficou travado por mais de três anos após o PSOL ajuizar ação que questiona o traçado e impactos ambientais no parque nacional do Jamanxim, no Pará, que teria cerca de 860 hectares de sua área destinada para os trilhos da ferrovia que passariam próximos de seis áreas indígenas. Em maio do ano passado, o STF determinou novos estudos que foram feitos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres e encaminhamos à corte para análise. Devido aos ajustes no traçado, não foi apresentada nova estimativa financeira dos investimentos na ferrovia, que escoaria mensalmente milhares de toneladas de grãos até portos paraenses (reduzindo frete para o produtor) e transportaria até Sinop diversos insumos.

 

Fonte:  Gabriel Tussini  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/02/2025/15:37:01

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Para substituir Marco Temporal, Gilmar Mendes propõe mineração em terras indígenas até contra vontade dos povos

Indígenas assistem pela TV a primeira reunião da comissão especial de conciliação designada pelo ministro Gilmar Mendes para tratar das ações que envolvem o marco temporal, em agosto de 2024. Foto: Gustavo Moreno/STF

Minuta encaminhada à comissão que discute a tese no STF também prevê obrigação de indenização pelo valor da terra nua a não-indígenas, indo além do que propõe o texto original

 

A comissão de conciliação que discute, no STF, a lei 14.701/23, que instituiu o Marco Temporal das Terras Indígenas, debateu nesta segunda-feira (17) o Projeto de Lei Complementar (PLC) sugerido pelo ministro Gilmar Mendes, relator das ações que discutem a matéria no Supremo, em substituição ao texto aprovado pelo Congresso. E, embora tenha retirado menções explícitas ao Marco Temporal, Gilmar incluiu no texto outras medidas que limitam demarcações, além de liberar a mineração em terras indígenas, até em caso de discordância dos indígenas se os recursos forem “estratégicos” e o Congresso aprovar.

O texto, segundo Gilmar, é uma “tentativa de aproximação das partes”, buscando a “identificação dos pontos de consenso” entre as propostas apresentadas por 7 integrantes da comissão na reunião anterior, realizada no último dia 10. Na ocasião, foram feitas sugestões por Rudy Maia Ferraz, advogado de PL e Republicanos; Matheus Oliveira, representante da FUNAI; Célia Xakriabá (PSOL-MG), deputada federal que representou a Câmara dos Deputados; Bruna do Amaral, advogada do PSOL; Luís Inácio Lucena Adams, advogado do PP; Paulo Machado Guimarães, advogado dos partidos PT, PCdoB e PV; e Lara Loureiro Cysneiros Sampaio, advogada do PDT.

Mesmo sendo autora de uma das sugestões de texto apresentadas na reunião anterior, Célia Xakriabá, que é indígena, foi impedida de se sentar à mesa. Suplente da comissão, mas tendo comparecido a 12 das 16 reuniões anteriores, ela solicitava ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que a efetivasse como titular. Motta, porém, optou pela deputada bolsonarista Sílvia Waiãpi (PL-AP), que também é indígena, mas é favorável ao Marco Temporal e à mineração nos territórios – a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) repudiou a decisão, e inclusive pôs em xeque a identidade indígena da deputada do PL.

Em discurso para os presentes na reunião antes de deixar o local, Xakriabá lamentou a decisão. “Eu digo que é violento e colonial porque a senhora [Silvia Waiãpi] é a única pessoa [indígena] publicamente em favor do Marco Temporal. Essa é uma estratégia, porque poderia colocar qualquer um. Mas o Congresso Nacional, não. Quis usar a senhora, uma figura simbólica de ser uma mulher indígena, para contrapor um voto de violência. Essa é a mesma imagem da ditadura militar, em que foram violentados mais de 8250 indígenas”, afirmou.

Já nas discussões, embora fosse a intenção declarada de Gilmar Mendes, não houve consenso. Pelo contrário. Segundo a Agência Brasil, representantes indígenas e da PGR, por exemplo, “se disseram surpreendidos pela inclusão da exploração mineral como uma possibilidade após a demarcação das terras indígenas”.

“Essa questão de mineração é algo que precisa de debate bastante aprofundado, inclusive em questões técnicas, que escapam completamente à seara jurídica”, declarou Eliana Torelli, representante da PGR. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI), por sua vez, disse em nota que foi surpreendido pela inclusão do “tema da mineração com amplo detalhamento, apesar de o assunto não ter sido tratado ao longo de quase seis meses de trabalhos”. A pasta se coloca contrária à inclusão do tema na proposta, “cujo conteúdo não resultou de construção conjunta”.

“O texto apresentado não expõe consensos em relação aos tópicos e traz preocupantes inserções, que distanciam ainda mais os indígenas de seus legítimos interesses. O MPI sempre foi contra o marco temporal e reforça sua posição na defesa dos direitos indígenas sem negociação de direitos pétreos já assegurados”, afirma a nota do ministério.

A falta de consenso ficou evidente pelo alto número de destaques – artigos que serão discutidos individualmente na reunião da próxima segunda-feira (24), com sugestões de aprimoramentos pelas partes da comissão. 73 dos 94 artigos da minuta de projeto de Gilmar Mendes foram destacados, e uma sessão extraordinária já foi marcada para a próxima quinta-feira (27) para dar continuidade às discussões. Se não houver consenso sobre os destaques, os artigos irão à votação, valendo a decisão por maioria ,”com registro pormenorizado de cada posição adotada”.

A proposta que sair aprovada da comissão será “avaliada pelo relator e, em seguida, será posta para avaliação dos demais ministros do STF que votarão sua homologação” em plenário, segundo o site da Corte. Após a eventual aprovação no plenário, o texto irá para apreciação do Congresso.

Insatisfeito com a exclusão das menções à proibição de demarcação de terras não ocupadas por indígenas na data da promulgação da Constituição, o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mais conhecida como bancada ruralista, classificou o Marco Temporal como “inegociável”, e afirmou que o Congresso retomará essa parte do texto.

“[O Marco Temporal] é condição sine qua non [“sem a qual não pode ser”, em latim] de qualquer tipo de negociação da nossa parte”, disse o ruralista na abertura da comissão. Depois, em entrevista à Rádio Agência, da FPA, o presidente da bancada ruralista afirmou que “se [o projeto] vier ao Congresso sem o Marco Temporal nós não vamos aprová-lo, vamos mexer no texto todo, e vamos continuar na mesma briga”, projetando uma aprovação inclusive da PEC 48/2023, que tenta estabelecer o Marco Temporal na Constituição.

“Nós não aceitamos que fique dessa maneira, e vamos ter que enfrentar o Judiciário para que entendam qual é o seu papel, qual é o seu lugar”, disparou Lupion.

A conciliação está sendo realizada no âmbito da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 87, movida pelos partidos PL e Republicanos, e outros 4 processos apensados, movidos pelo PP (ADO 86, que propõe definir o que seria de “relevante interesse público da União” na exploração de riquezas naturais em terras indígenas, citado no parágrafo 6º do artigo 231 da Constituição, parte do capítulo sobre indígenas), pela Apib, que propôs a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7582, além de PT, PCdoB e PV (ADI 7583) e PDT (ADI 7586).

A Apib, porém, se retirou da comissão em agosto do ano passado, alegando não haver garantias de proteção contra retrocessos com a conciliação, classificada como “forçada” pela organização indígena, e que este não seria um meio adequado para a resolução do problema. O STF, vale lembrar, chegou a declarar o Marco Temporal inconstitucional ainda em setembro de 2023, antes da aprovação do texto pelo Congresso, no fim do mesmo mês.

Luís Inácio Lucena Adams, representante do PP nas ações e ex-Advogado Geral da União entre 2009 e 2016, nos governos Lula e Dilma, também é advogado da mineradora canadense Potássio do Brasil, como mostrou o InfoAmazonia. A empresa tenta explorar potássio em Autazes (AM), próximo a uma área reivindicada como terra ancestral do povo mura, cujo processo de demarcação se arrasta há mais de 20 anos. A mineradora é acusada de irregularidades, incluindo supostas tentativas de suborno de indígenas e fraudes no processo de consulta, que, segundo a Apib, desrespeitou o protocolo de consulta dos mura. O governo do Amazonas, porém, concedeu licenças ambientais ao empreendimento.

A sugestão do PP na conciliação, como indicava a ação movida pelo partido, prevê como de “relevante interesse público” o “aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos”, o que abre espaço até para a construção de hidrelétricas nas terras indígenas, e “a pesquisa e a lavra das riquezas minerais” nos territórios, medida que beneficiaria a Potássio do Brasil. Gilmar abraçou essas ideias.

O Ministério dos Povos Indígenas, por sua vez, citou em sua nota “severa preocupação” com a inserção da mineração no texto, assim como com “aspectos relativos ao procedimento demarcatório, ao direito de retenção por ocupantes não indígenas enquanto não indenizados e à desocupação forçada de indígenas em caso de conflitos, entre outros”.

Texto abre brecha para que consulta a indígenas sobre mineração em seu próprio território seja ignorada

Estrutura de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Foto: Acervo Funai
Na proposta de Gilmar Mendes, é previsto que as comunidades indígenas sejam consultadas, como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário – e que, portanto, tem força de emenda constitucional.

Apesar disso, no artigo 31 do projeto, em seção em que trata dos processos de consulta, Mendes incluiu a previsão de que “caso a manifestação da comunidade indígena seja contrária à intervenção, o excepcional prosseguimento da atividade, obra ou instalação deverá ser circunstanciadamente fundamentado em relevantes razões de interesse público e no princípio da proporcionalidade, com a demonstração da sua imprescindibilidade”, abrindo espaço para que um empreendimento aconteça mesmo contra a vontade dos indígenas afetados.

O parágrafo 2º do mesmo artigo afirma que “no caso de exploração de recursos minerais em terras indígenas, será observado o procedimento previsto no artigo 47”, que, por sua vez, prevê que, antes de encaminhar pedido de autorização de exploração de recursos minerais em terras indígenas, o “Chefe do Poder Executivo levará em consideração a manifestação das comunidades indígenas afetadas”.

O parágrafo único do artigo 46, porém, reforça que “o pedido de autorização poderá ser encaminhado com manifestação contrária das comunidades indígenas, desde que circunstanciadamente fundamentado em razões de interesse público e no princípio da proporcionalidade, com a demonstração da imprescindibilidade da extração da riqueza mineral”.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o coordenador jurídico da Apib, Maurício Terena, abordou as tentativas de mudança nos processos de consulta. “Na mesma lei que abre as terras indígenas para exploração econômica, eles já querem também fazer como se fosse um regulamento dessa consulta livre, prévia e informada”, criticou. “Eu tenho dito que está sendo reescrito o capítulo ‘dos índios’ da Constituição Federal, o artigo 231. A gente vê com muita preocupação essa movimentação”, afirmou o advogado.

“Dentro do procedimento administrativo enumerado na minuta, a Consulta aos povos indígenas se torna apenas um ato de mera formalidade e menor relevância, pois eles não poderão vetar a exploração mineral em suas terras”, frisou a Apib, em nota.

A minuta prevê, como espécie de “consolação”, que às comunidades afetadas seja pago o equivalente a 50% do valor total da Contribuição Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) – segundo o anexo da lei 13.540/17, são alíquotas de 3,5% sobre o faturamento com a mineração de ferro; 3% para bauxita, manganês, nióbio e sal-gema; 2% para diamante e demais substâncias; 1,5% para ouro; e 1% para “rochas, areias, cascalhos, saibros e demais substâncias minerais quando destinadas ao uso imediato na construção civil; rochas ornamentais; águas minerais e termais”.

O artigo 56 texto afirma que, mesmo no caso das comunidades “se recusarem a receber os recursos”, o que poderia ser uma forma de protesto contra a imposição da mineração pelo Poder Público, os valores “poderão ser depositados na conta da Renda do Patrimônio Indígena”, prevista no Estatuto do Índio (lei 6.001/73) e administrada pela FUNAI. Essa mineração dentro das TIs “não poderá ser feita por entidade privada que não sejam os próprios indígenas”, mas poderá ser feita pelo Governo Federal.

Proposta prevê Marco Temporal “light”

Embora tenha retirado as menções à proibição de demarcações de terras que não estavam ocupadas por indígenas antes da promulgação da atual Constituição, em 5 de outubro de 1988, Gilmar Mendes propôs, no artigo 10º, um mecanismo que pode inviabilizar a destinação a indígenas de terras demarcadas que estejam ocupadas por não-indígenas desde antes deste marco temporal.

A minuta prevê que, mesmo demarcadas, as terras só poderiam ser desocupadas após pagamento de indenização pelas benfeitorias (construções) e, indo além do que previa a própria lei aprovada pelo Congresso, pela terra nua – ou seja, o próprio terreno. Segundo o texto, o ocupante da terra já demarcada receberia uma proposta de indenização da União, a qual poderia recusar. Depois, a União pode fazer uma contraproposta. Em caso de discordância ou falta de resposta, o valor seria definido pela Justiça ou por um tribunal arbitral – onde advogados apontados em consenso pelas partes decidem em conjunto. Só não haveria indenização pela terra nua em áreas ocupadas após esse marco temporal.

Até que houvesse o pagamento, os não-indígenas poderiam ficar na terra, mesmo que demarcada. “Antes de indenizadas a parcela incontroversa das benfeitorias de boa-fé e do valor da terra nua, se for o caso, não haverá qualquer limitação de uso e gozo aos não indígenas que exerçam posse direta sobre a área, garantida a sua permanência na área objeto de demarcação”, reforçou Gilmar, no artigo 12. A proposta foi sugerida pelos partidos PL e Republicanos.

Um levantamento realizado pela Agência Pública, em setembro de 2023, demonstrou que essa obrigatoriedade pode inviabilizar a destinação de terras, mesmo que demarcadas, a povos indígenas. Segundo a apuração, apenas “nas dez terras indígenas ainda não homologadas que são as mais disputadas por fazendeiros no país”, o valor estimado para indenizações pela terra nua chegaria a R$ 942 milhões (R$ 1,028 bilhão em valores atuais). Segundo o Portal da Transparência, os orçamentos atualizados da FUNAI e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) para 2025 são, respectivamente, de R$ 589 milhões e R$ 624 milhões.

“A minuta também abrange a indenização da terra nua, tomando a data da promulgação da Constituição como parâmetro de data para pagamento de indenizações a não-indígenas, estabelecendo um marco temporal indenizatório”, definiu a nota da Apib.

Ignorando sugestões, proposta mantém brecha que permite que estados e municípios atrasem processos de demarcação

Ao contrário do que constavam nas sugestões encaminhadas pela FUNAI, pela deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG), assim como pelos partidos PT, PCdoB e PV (em conjunto), PSOL e PDT – que falavam em notificação de órgãos estaduais e municipais para que participem do processo, mas que previam a “continuidade do processo independentemente da designação de representantes” destes entes, o texto de Gilmar trata a participação deles como obrigatória, sem prever prazos e sanções em caso de atraso.

“A demarcação contará obrigatoriamente com a participação dos estados e dos municípios em que se localize a área pretendida, franqueada a manifestação de interessados e de entidades da sociedade civil, desde o início da fase instrutória do processo administrativo demarcatório”, diz o artigo 7º da minuta, em linha com o que diz a lei atual. No parágrafo 2º do mesmo artigo, o ministro reforça que “é assegurado aos entes federativos o direito de participação efetiva no processo administrativo de demarcação”.

“O Ministro também quer que estados e municípios passem a protagonizar os processos administrativos demarcatórios desde o início. E abre margem para maiores contestações de terceiros nestes procedimentos, o que os torna ainda mais morosos”, apontou a Apib.

Criminalização de retomadas indígenas e uso das Polícias Militares em desocupações

O texto proposto também proíbe as retomadas indígenas, em que terras reivindicadas como tradicionais de um determinado povo são por ele ocupadas, assim como também proíbe “qualquer invasão” ou “retirada forçado de qualquer pessoa de propriedade privada ou pública” como “medida humanitária para diminuição do acirramento dos ânimos no campo”.

“Qualquer atuação pública ou privada visando à manutenção ou à reintegração de posse envolvendo conflito fundiário que contenha disputa indígena, independentemente de existir requerimento administrativo de reconhecimento da tradicionalidade indígena, deve observar os ditames desta lei, sob pena de responsabilidade civil, administrativa e/ou penal de quaisquer agentes públicos, órgãos estatais e pessoas física ou jurídicas que os descumprirem”, adverte o artigo 83.

Em 11 de novembro do ano passado, na 9ª audiência da comissão, um dos representantes apontados pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Douglas Kaingang – coordenador-geral de Proteção Territorial do órgão –, afirmou que as retomadas são “uma mobilização coletiva de regularização fundiária que responde ao passado, à política colonial em relação aos indígenas”. “O maior invasor de território indígena é o Estado brasileiro”, corroborou Yssô Truká, coordenador-geral de Participação e Controle Social na Saúde Indígena da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, e também indicado à comissão pelo MPI.

O texto prevê em detalhes a repressão ao que chama de “invasões”, como as retomadas. No caso das áreas ocupadas antes do dia 23 de abril de 2024 – data em que o ministro Gilmar Mendes suspendeu todos os processos que discutem a constitucionalidade do Marco Temporal, abrindo caminho para a comissão de conciliação –, Polícia Federal, Força Nacional e a Polícia Militar do estado em questão, com coordenação das Forças Armadas no caso de áreas de fronteira, farão “protocolos de intervenção”, com foco na negociação no prazo de até 30 dias.

Já no caso das “invasões” ocorridas após a suspensão dos processos pelo ministro, as forças de segurança deverão fazer a “retirada imediata dos invasores, independentemente de se tratar de terras indígenas, territórios públicos ou privados, envolvendo qualquer pessoa que tenha ingressado de forma desautorizada em bem imóvel sob domínio ou posse alheia, pública ou privada, inexistindo possibilidade de negociação ou intermediação de conflito por meio de comissões de conflitos fundiários”.

Em sua entrevista ao Brasil de Fato, Maurício Terena, coordenador jurídico da Apib, mostrou preocupação com a possibilidade de aumento da violência policial devido à previsão de participação das PMs nos conflitos fundiários. “A Constituição Federal é bem clara ao dizer que a competência para atuar em terras indígenas [é] dos entes federais, nesse caso, da Polícia Federal, para tratar de temáticas relacionadas a direitos indígenas. Mas na proposta apresentada tem uma previsão de que a Polícia Militar possa atuar em conflitos indígenas, o que pode aumentar a violência policial dentro dos territórios”, apontou.

Após 1 ano de aprovação da lei, novos pedidos de demarcação serão apenas para indígenas isolados

O fim da minuta ainda estabelece, para a FUNAI, a obrigação de divulgar em “lista pública”, até “60 dias após a entrada em vigor desta Lei Complementar”, pedidos de demarcação por parte de indígenas, que deverá ser republicada mensalmente em caso de novos pedidos. O parágrafo 4º do artigo 89, porém, prevê que as reivindicações feitas após 1 ano da divulgação da lista serão atendidas apenas “na forma de desapropriação por interesse social, salvo descoberta posterior de indígenas isolados” (que contarão com o processo normal de demarcação).

O artigo 91 altera a lei 4.132/62 para incluir, entre as desapropriações por interesse social, a “destinação de áreas às comunidades indígenas, desde que necessárias à reprodução física e cultural” requeridas após 1 ano de divulgação da lista da FUNAI.

Em 2019, o próprio Gilmar Mendes decidiu, em julgamento sobre a legalidade de um decreto de desapropriação por interesse social em prol de indígenas na Bahia, que “a União pode destinar áreas para posse e ocupação pelos índios, as quais não se confundem com áreas de posse imemorial das tribos indígenas”. O ministro, como relatou o site do STF, tentou estabelecer uma conciliação também nesse processo, mas acabou julgando-o após os autores não se interessarem em negociar (diferente de como agiu no caso do Marco Temporal, em que a Apib era autora de uma das Ações Diretas de Inconstitucionalidade).

Gilmar lembrou, na decisão, que o artigo 26 do Estatuto do Índio prevê o assentamento de indígenas em terras que não sejam “as de posse imemorial”, como em colônias agrícolas indígenas – definida no artigo 29 do estatuto como “área destinada à exploração agropecuária, administrada pelo órgão de assistência ao índio, onde convivam tribos aculturadas e membros da comunidade nacional”. Apesar de prever a destinação aos indígenas, é uma área com menos proteções legais do que uma Terra Indígena.

Enquanto não há uma definição por parte do STF – mesmo que fosse em decisão liminar, como pedia a Apib antes de se retirar da comissão – a lei do Marco Temporal segue em vigor, mesmo que seu principal dispositivo tenha sido anteriormente declarado inconstitucional pelo STF. E, se depender da bancada ruralista, assim ela seguirá.

 

Fonte:  Gabriel Tussini  e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/02/2025/15:37:01

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Problemas de visão atingem 19% dos brasileiros em idade escolar

(Foto: Reprodução) – Muitos não utilizavam a correção adequada, desencadeando problemas de aprendizado e até mesmo evasão escolar.

Muitos pais não se dão conta, mas por trás das dificuldades enfrentadas pelos pequenos em sala de aula podem estar problemas de visão. Divulgado no final de 2024, um levantamento feito pelo projeto social Em Um Piscar de Olhoscom 110.700 crianças e adolescentes de 6 meses a 15 anos, de nove estados brasileiros, revela que 19% deles apresentava algum problema oftalmológico. Muitos não utilizavam a correção adequada, desencadeando problemas de aprendizado e até mesmo evasão escolar.

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) também tem se atentado a essa questão por conta do aumento de problemas de visão na fase escolar. Em comunicado, o CBO destaca que tem aumentado a prevalência de erros refrativos, problemas que acontecem quando o feixe de luz que atravessa o globo ocular para formar a imagem na retina sofre algum desvio provocado pela anatomia do olho, comprometendo a nitidez. São exemplos a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo. A estimativa é de que 23 milhões de brasileiros em idade escolar apresentem algum desses problemas.

Mas detectar essas condições nos pequenos muitas vezes não é fácil. “Se a criança nunca enxergou bem, dificilmente consegue se dar conta de que há algo errado”, diz o oftalmologista pediátrico Mauro Plut, do Hospital Israelita Albert Einstein. Além disso, nessa idade o cérebro consegue se adaptar com bastante rapidez, compensando um possível déficit visual.

Por isso, é muito importante que familiares e professores fiquem atentos a sinais que podem indicar que a criança ou o adolescente tem algum problema. “Fechar um dos olhos para enxergar; posicionar objetos, como o livro, o caderno ou a televisão muito perto do rosto; ter dificuldade para copiar a lição e precisar se sentar próximo da lousa; ter muita dor de cabeça e ficar com os olhos coçando ou vermelhos com frequência podem ser indícios”, explica Plut.

A oftalmologista Júlia Rossetto, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), ainda destaca sinais como a criança esbarrar muito nas coisas, apertar os olhos quando quer ver algo que está distante, ter dificuldade para reconhecer pessoas, objetos ou ler placas de longe e apresentar desenvolvimento escolar muito diferente dos outros colegas de sala.Algumas questões de comportamento também podem servir de alerta, como desinteresse nas aulas, dispersão constante e dificuldade na interação social.

Além de ajudar no aprendizado e nos relacionamentos, tratar os problemas de visão quando as crianças estão mais novas também ajuda a evitar problemas futuros. “Temos uma janela de desenvolvimento da visão que acontece da gestação até cerca de 7 anos de idade. Se a criança com grau não começar a utilizar a correção certa nesse período, pode apresentar a chamada ambliopia ou olho preguiçoso. Nesses casos, ela pode não enxergar bem no futuro, mesmo com uso de óculos”, afirma Rossetto.

O ideal é que os pequenos visitem o oftalmologista desde cedo, principalmente se houver histórico familiar ou suspeita de problemas como miopia muito alta, catarata congênita e retinoblastoma, um tipo de tumor na retina. A primeira consulta deve acontecer ainda no primeiro ano de vida, entre os 6 e 12 meses; e entre os 3 e 5 anos, a criança deve passar por um exame mais completo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.

“Se estiver tudo de acordo com o esperado, o atendimento pode ser repetido anualmente ou a cada dois anos. Do contrário, um acompanhamento mais de perto pode ser necessário,avaliando cada caso”, orienta Rossetto.

Fonte: Mateus Souza – Agência Einstein e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 20/02/2025/15:33:53

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