Plataforma gratuita traz conteúdos para complementar ensino da alfabetização

O aplicativo EduEdu é desenvolvida pelo Instituto ABCD

Antes, o ensino remoto era visto como uma opção na aprendizagem, mas no período da pandemia onde a educação precisou enfrentar diversos desafios, essa modalidade passou a ser considerada como a única via, já que muitas escolas – principalmente na rede pública – permanecem com as portas fechadas.

As séries iniciais da educação básica são as que mais exigem esforços, já que o ensino requer maior criatividade para que a atenção dos pequenos seja conquistas da através das telas, sem o contato direto com os professores e colegas de turma.

Para Priscila Raso, diretora do Colégio Essere com um esforço conjunto entre pais, alunos e instituição de ensino é possível amenizar os impactos causados pela pandemia. Manter o vínculo entre o indivíduo na fase de alfabetização e a escola é importante para o desenvolvimento, mesmo que de forma remota contribui diretamente no desenvolvimento das crianças.

“Os pais deveriam aproveitar todo estímulo que a escola está oferecendo, mesmo remotamente. Se eles realizam as atividades que encaminhamos, está desenvolvendo habilidades cognitivas e socioemocionais, de forma criativa e inovadora. E o contato com as tias e professoras (on-line) ajuda a manter o vínculo [com a escola] dos alunos”, reforça a educadora.

Além da parceria com os educadores, os pais também podem fazer uso de outras ferramentas digitais para reforçar a aprendizagem dos pequenos. Aplicativos, vídeos no YouTube, joguinhos e desenhos educacionais podem ser aliados.

Entre eles, o aplicativo EduEdu tem sido bem requisitado. Ao ser instalado e após o primeiro uso, o EduEdu traça os pontos em que as crianças precisam melhorar e indica atividades personalizadas para auxiliar na alfabetização. Indicado para ser usado durante todo o ano, o aplicativo também aponta para os pais o progresso dos pequenos e vai gerando novos exercícios a partir disso. A ferramenta é gratuita e pode ser baixada diretamente no site, clicando aqui, ou diretamente no celular, na loja do Google Play.

Funcionalidades

Todo o conteúdo é alinhado com Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que norteia o ensino nas escolas particulares e públicas. A abordagem educacional do EduEdu utiliza elementos de jogos para engajar os usuários e fazer da aprendizagem uma experiência divertida, além de incluir jogos, músicas e textos.

Além do material de aprendizagem, os pais podem contar com o espaço socioemocional disponível no aplicativo. A função foi criada para ajudar crianças a reconhecer e nomear suas emoções e conversar sobre elas. Além disso, o app oferece recomendações aos adultos, para que possam apoiar o desenvolvimento emocional dos pequenos.

O EduEdu é desenvolvido pelo Instituto ABCD e já chegou à marca de 550.000 alunos cadastrados. O aplicativo também está entre as 25 melhores ferramentas de educação gratuita disponíveis no Google Play. Até então já foram realizadas mais de 2.765.000 atividades, mais de 395.000 e mais de 440.000+
alunos atendidos no espaço socioemocional.

Fonte: Agência Educa Mais Brasil – Com Foto

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Desembargadora Edinéa Tavares morre aos 70 anos, em Belém

Edinéa Tavares, desembargadora do Pará — Foto: Ascom/TJPA

A magistrada sofreu uma parada cardíaca em um hospital particular da cidade, onde se tratava de complicações causadas pela Covid-19.

A desembargadora Edinéa Oliveira Tavares morreu nesta quarta-feira (14), em Belém, aos 70 anos. A magistrada sofreu uma parada cardíaca em um hospital particular da cidade, onde se tratava de complicações causadas pela Covid-19.

Segundo o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), Edinéa Oliveira fazia parte da 2ª Turma do Direito Privado. A desembargadora chegou ao segundo grau do judiciário após 29 anos de serviços prestados à magistratura. No 2º Grau, foi membro do Conselho da Magistratura no biênio 2015-2017 e ouvidora Judiciária Substituta desde 27 de março de 2019.

A desembargadora tomou posse na magistratura do Pará em 1985. Atuou em diversas Comarcas, como Vigia, Marabá, Santarém e Ananindeua. Antes de chegar à 3ª Entrância na Capital, a magistrada ocupou cargos de Diretora em vários Fóruns de Comarcas do Interior do Estado, além de ter sido Presidente do Tribunal do Júri e fez parte da Turma Recursal dos Juizados Especiais.

Por G1 PA — Belém

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Profissionais da saúde poderão se aposentar mais cedo

Os profissionais de saúde podem ter a aposentadoria antecipada, segundo a proposta da PEC. |Foto:Divulgação

Proposta assinada por vários senadores, a ser apresentada, incluindo o paraense, quer fazer justiça à dedicação dos trabalhadores do setor, que atuam de forma direta para salvar vidas e no combate ao novo coronavírus.

Distanciamento das famílias, medo, cansaço e estresse intenso. Há um ano essa tem sido a rotina dos profissionais de saúde que lidam de forma direta com os efeitos malignos da pandemia do coronavírus. Vivendo uma verdadeira maratona, eles mudaram suas rotinas para enfrentar o novo coronavírus e se afastaram dos familiares.

Muitos são obrigados a arcar, do próprio bolso, com a compra de equipamentos de proteção individual (EPI), que têm faltado em muitos hospitais e estabelecimentos de saúde em todo o país. Mas como recompensar esses verdadeiros heróis por conseguirem salvar tantas vidas?

Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), assinada pelo senador Jader Barbalho (MDB-PA), entre outros autores, vai ser apresentada ao Senado. O texto pretende fazer justiça à incansável dedicação desses profissionais, ao assegurar que todos que têm atuado de forma direta no combate à pandemia do COVID-19 tenham redução nos requisitos de tempo de contribuição e idade mínima, para fins de aposentadoria.

“Enfrentar uma pandemia, colocando em risco a própria vida e afastados de seus familiares, é um ato que precisa ser reconhecido pelo Estado brasileiro, bem como por toda a população”, destaca o senador Jader, lembrando que esses profissionais estão “no limite”. “Eles precisam de todo o apoio que o país puder dar, precisam da ajuda dos governos e das organizações. É mais que necessário lutarmos juntos por isso”, reforça o parlamentar.

Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas realizaram uma pesquisa que mostra que 80% dos trabalhadores entrevistados sentem impactos negativos na saúde mental, causados pela pandemia.

Desse total, apenas 19% buscaram ajuda para lidar com o problema. O trabalho foi realizado pelo Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), da FGV. O questionário foi aplicado entre os dias 1º e 20 de março deste ano a 1.829 profissionais de saúde do setor público, como médicos, profissionais de enfermagem, agentes comunitários e outros.

Com mais de 358 mil mortes causadas pela Covid-19 e a descoberta sucessiva de novas cepas, mais contagiosas e letais, só agravam a situação sanitária no país. “Nesse cenário devastador, temos contado com a inestimável colaboração e com o desprendimento de valorosos profissionais de saúde, assim como os de outras categorias, que trabalham diuturnamente para salvar vidas, colocando muitas vezes a sua própria vida, e a de seus familiares, em risco”, diz o texto da PEC.

proposto

Jader é um dos senadores que assinou a PEC a ser apresentada no Congresso Nacional.Divulgação
 

“É em reconhecimento à relevantíssima atuação dos que atuam diretamente no combate à pandemia do coronavírus COVID-19 que apresentamos a Proposta de Emenda à Constituição, de forma a assegurar que eles obtenham uma redução nos requisitos de tempo de contribuição e idade mínima, para fins de aposentadoria”, continua o texto da PEC.

JUSTIFICADA

Para os autores da proposição, a medida fica justificada “não só pela exposição ao vírus, mas também, no caso dos profissionais de saúde, ao estresse decorrente de longas e exaustivas jornadas de trabalho, o afastamento das suas famílias, muitas vezes levado a efeito como medida preventiva, a submissão a condições de trabalho precárias e, não só nos casos dos profissionais de saúde, à frequente exposição à falta de equipamentos de proteção individual”.

O texto da proposta de emenda à Constituição Federal lembra que, o texto da Reforma da Previdência, modificado pela Emenda Constitucional n.º 103, de 2019, veda, expressamente, que a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria se dê com base em categorias profissionais ou ocupações específicas, mesmo em se tratando de servidores ou de segurados cujas atividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes. “Por essa razão, assinamos e apresentamos essa proposta para fazer justiça aos que estão na linha de frente no enfrentamento ao Covid-19”, ressaltou o senador Jader.

Por:Luiza Mello

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Cadáver usando cueca é encontrado em rio no Pará

O corpo foi encontrado na manhã de hoje (15), em um rio de  Marabá, no sudeste paraense. Polícia investiga o caso. | Foto:Reprodução

Vídeo mostra o homem morto boiando de bruços em rio de Marabá.

Um corpo foi encontrado na manhã desta quinta-feira (15), às margens do Rio Itacaiúnas, próximo da Vila São José (Km 8), em Marabá, no sudeste paraense. As informações são do portal Debate de Carajás.

O cadáver, do sexo masculino, estava boiando no rio de bruços. A vítima estava vestida apenas com uma cueca preta e com um pano enrolado na cabeça.

A polícia suspeita que o cadáver seja de Edilson Pereira de Sousa, que estava desaparecido desde a última terça-feira (13). Apenas o carro dele foi encontrado pela Polícia Militar. No veículo foi encontrada uma faca, além de muito sangue espalhado e cheques que, somados, ultrapassam R$ 600 mil.

,No entanto, a informação de que se trata mesmo de Edilson ainda não foi oficialmente confirmada.

O Centro de Perícias Científicas Renato Chaves foi acionado para o local.

ATENÇÃO: O VÍDEO CONTÉM IMAGENS FORTES

Com informações do portal Debate de Carajás

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Estudantes xingam homem sem saber que ele era delegado

O Delegado Rodrigo Souza, que atendeu o caso. | Foto:Reprodução

Antes de serem levados até a delegacia, os suspeitos também haviam ofendido guardas municipais.

Uma confusão envolvendo um trio de estudantes acabou se tornando um caso de polícia de uma forma bastante inusitada, com eles sendo indiciados por “duplo” desacato.

O caso ocorreu no último domingo (11), em Curitiba, no Paraná, após os jovens serem encaminhados para uma delegacia por ofenderem e desacaratem guardasr municipais.

Quando o delegado Rodrigo Souza chegou ao local, viu dois dos suspeitos criando confusão e gritando na delegacia. Ao perguntar o que estava acontecendo, começou a receber uma enxurrada de xingamentos.

“Falaram que não iriam falar comigo, porque eu não mandava em nada, que só iriam falar com o delegado. Um deles me chamou de safado, usou um palavrão e me chamou de ‘cabação’. O outro perguntou se eu já tinha lido algum livro na vida, disse que eu tinha cara de analfabeto”, explicou Rodrigo, que filmou com o celular o momento enquanto era ofendido.

Mas quando foram chamados para serem ouvidos, perceberam que Rodrigo na verdade era o delegado do local. Ao perceberem isso, pediram desculpas e explicaram que só haviam se exaltado pois eram estudantes e não achavam justo serem tratados daquela forma.

Depois de serem ouvidos, um deles foi liberado, e os outros dois acabaram presos até o dia seguinte, por conta das ofensas ao delegado. Eles responderão por desacato aos guardas municipais e terão que pagar fiança de R$ 1 mil em juízo.

Apesar de não ter sido dito palavras racistas pelos suspeitos, o delegado acredita que só foi xingado por ser negro. “Não falaram nenhuma injúria racial, mas ficou bem claro. Não cogitaram que eu fosse delegado em razão do racismo estrutural. Por eu ser negro, não posso ser um delegado?”, questionou.

com informação da Istoé

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Nascidos em maio já podem sacar auxílio emergencial

As parcelas variam de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família. |(Foto:Reprodução)

Também receberão hoje 236 mil novos beneficiários

Atenção beneficiários do auxílio emergencial. A nova rodada de pagamento do benefício começa a ser paga hoje (15) aos trabalhadores informais nascidos em maio. As parcelas variam de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família. O pagamento também será feito para quem está inscrito no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos nesse mês.

Além disso, a Caixa Econômica Federal depositará hoje a revisão do auxílio emergencial para 236 mil novos beneficiários nascidos de janeiro a maio incluídos nesta nova rodada. Essas pessoas haviam sido excluídas por não se enquadrarem no público elegível, mas contestaram o benefício negado e conseguiram reaver o auxílio.

Os nascidos de junho a dezembro reincluídos no auxílio emergencial começam a receber conforme o calendário de pagamentos divulgado no fim de março. A lista completa com os beneficiários incluídos na revisão do auxílio está disponível na página de consultas desenvolvida pela Dataprev, responsável pelo cadastro dos beneficiários.

Por:Agência Brasil

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Motorista é preso com armas e munições na Transamazônica

Policiais militares no momento da abordagem ao condutor | Foto:Reprodução

A carga ilegal estava em um caminhão baú vindo do Maranhão com destino a Santarém

O motorista de um caminhão baú foi preso na manhã desta quinta-feira (15) durante uma abordagem da Polícia Militar na rodovia BR-230, a transamazônica. O homem transportava no veículo armas e munições sem notas fiscais.

O condutor, que ainda não teve a identificação divulgada, foi levado para a delegacia de polícia de Altamira não só pelo transporte ilegal do armamento, mas também por ter oferecido propina de R$ 15 mil ao policiais militares para liberação do arsenal.

De acordo com as informações iniciais, o carregamento era de armas e munições 38 e 44 e estava vindo do Maranhão com destino a Santarém, contudo, era distribuído por vários municípios ao longo da Transamazônica.

O DOL solicitou nota às polícias Civil e Militar e aguarda um retorno.

Por:DOL

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Garimpeiros bloqueiam entrada de Jacareacanga (PA), em protesto contra fiscalização ambiental

(Foto:Reprodução) – Manifestantes pró-garimpo ilegal bloqueiam acesso a Jacareacanga, no Pará

Manifestantes são contra as ações federais de combate ao garimpo ilegal em terras indígenas.

Manifestantes que defendem o garimpo ilegal em terras indígenas bloqueiam o acesso ao município de Jacareacanga, no sudoeste do Pará.

O grupo montou um acampamento no trevo próximo à rodovia BR-230. Somente transporte de cargas para cidade era permitido o tráfego. Segundo os próprios manifestantes, o acampamento foi patrocinado por grupos de garimpeiros.

O protesto é contra as operações federais que combate a extração ilegal de ouro e outros crimes. Os manifestantes também são contrários à presença de organizações não governamentais na região. Na última segunda (12), um carro do ICMBio foi bloqueado na região.

De acordo com investigações da Polícia, um pequeno grupo de indígenas da etnia Munduruku vem permitindo a entrada de garimpeiros ilegais em troca de porcentagem de ouro. Agentes da Polícia Rodoviária Federal foram té o local da manifestação, mas o bloqueio continuava às 19h44.

Jacareacanga é abastecida pelo garimpo ilegal na área Munduruku, segundo defensores das terras indígenas.

O presidente da Câmara Municipal, Giovani Munduruku, é indígena e supostamente envolvido diretamente com o garimpo na aldeia dele, Katon. O G1 tentou contato com o parlamentar, mas até a publicação da reportagem não obteve resposta.

Garimpo ilegal gera conflito

A região de Jacareacanga, distante 1.735 km da capital Belém, vive uma situação de conflito entre apoiadores do garimpo ilegal e defensores das terras indígenas.

Por conta disso, o MPF vem fazendo pedidos à Justiça Federal para que forças federais sejam obrigadas a atuar com urgência para impedir ataque violento dos garimpeiros ilegais aos indígenas.

No dia 25 de março, a sede de uma associação de mulheres indígenas da etnia Munduruku foi atacada por garimpeiros e indígenas aliciados, segundo aponta o MPF. Uma campanha de arrecadação foi lançada para reconstruir o espaço. A ONU Direitos Humanos e ONU Mulheres pediu investigação sobre o caso.
jacareEscritório da Associação de mulheres indígenas é atacado em Jacareacanga, no PA — Foto: Divulgação

Em agosto de 2020, uma ação de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) chegou a ser interrompida, após visita do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da intervenção do Ministério da Defesa.

As circunstâncias da interrupção incluíram suspeitas de vazamento de informações sigilosas e transporte de garimpeiros em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). O uso da aeronave também está sendo investigado em dois inquéritos do MPF.

bloqueioAvião da FAB é usado para levar garimpeiros ilegais para reunião com ministro Salles, em Brasília, diz MPF. — Foto: Reprodução / TV Liberal

Por G1 PA — Belém

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Brasil aposta tudo no maior evento de mineração do mundo

Se nunca foi exatamente coadjuvante, nos últimos anos o Brasil passou a ser um país chave no maior evento de mineração do mundo, o PDAC, realizado no Canadá.

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, o Brasil patrocinou o evento de forma inédita e o lema da comitiva foi “World Class Exploration Opportunities”, um convite aberto a multinacionais. Mineração em terras indígenas também esteve em pauta.

Em 2020, ainda mais incisivo, o governo Bolsonaro promoveu o “Brazilian Mining Day”, apresentando ao mundo “tudo o que já foi feito para abrir caminho para uma nova era para as atividades de mineração no Brasil”.

E a participação em 2021 confirma a aposta total na desregulamentação absoluta, a agilidade na concessão de licenças pela Agência Nacional de Mineração, o aumento de instrumentos financeiros oferecidos pelo governo e as “parcerias” com grandes mineradoras para explorar esses “ativos de classe mundial”.

Mostro, a seguir, como esse balcão de negócios no Canadá impacta diretamente a realidade brasileira para os próximos anos e como isso está ligado a projetos e movimentações da cúpula do governo federal, incluindo Bolsonaro, o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Mineração, o BNDES e outros.

Mercado em festa e R$ 25 bilhões do BNDES

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que representa as maiores empresas do setor, anuncia com ênfase que “o mercado financeiro vê com bons olhos o modelo de revisão regulatória e legal da indústria mineral brasileira, implantado e em curso pela Agência

Nacional de Mineração (ANM), para reduzir a burocracia”.

Entre os resultados, menores prazos para a concessão de licenças, como até 34 dias para aprovar um alvará de pesquisa se a área de interesse estiver livre. Os leilões prometidos para até 2022, que devem atrair até R$ 3 bilhões. E a possibilidade de usar terrenos como garantia para financiamentos, uma “reivindicação antiga dos investidores do setor” que está em fase final de discussão pela ANM.

Comandado por Gustavo Montezano, amigo de Eduardo e Flávio Bolsonaro, o BNDES já liberou mais de R$ 25 bilhões em crédito e deu suporte para investimentos de R$ 90 bilhões no setor mineral.

Um representante da XP Investimentos comemora que as “mudanças estruturais” do Brasil pode ser “uma oportunidade para todos os tipos de empresas de mineração nacionais”. Para um porta-voz da Cescon Barrieu, “o trabalho de vanguarda que a ANM tem feito no Brasil tem chamado a atenção de investidores canadenses”.
35 mil novas áreas. Tapajós na mira.

O PDAC também debateu a oferta, até 2022, de 35 mil áreas e oito blocos para pesquisa mineral que, na visão do governo e do mercado, foram pouco explorados ou ficaram “trancados” durante décadas, sem “qualquer movimentação devido à burocracia”.

Além de Carajás (PA), maior mina de minério de ferro do mundo, explorada pela Vale e do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais, área que engloba algumas das principais cidades mineradoras do país, caso de Mariana e Brumadinho, onde as barragens se romperam, a expectativa é de alcançar novas terras, com destaque para o ouro, metal que vem batendo cotação recorde.

“Na próxima oferta pública, teremos áreas importantes que ainda estão disponíveis, como por exemplo na província mineral do Tapajós”, declarou Anderson Dourado, do Serviço Geológico do Brasil.

Outra área “emergente” que, segundo o IBRAM, pode guardar “boas surpresas” para os investidores é a província mineral da Alta Floresta (Juruena- Teles Pires), no norte do Mato Grosso e Sul do Pará, que tem potencial para descobertas não somente de ouro, mas também para cobre, chumbo e zinco. Juntas, elas têm o maior número de áreas em exploração por hectare no país.

Cercado de unidades de conservação e terras indígenas, a área já é alvo de mega projetos controversos, como hidrelétricas.
Nova “corrida pelo ouro”

Atualmente, o Brasil é o 13º maior produtor de ouro mundial com 89 toneladas (2019) extraídos de 62 depósitos. Temos aproximadamente 4.500 permissões ou licenças para pesquisas para ouro. Em 2020, a onça chegou a US$ 2 mil e o metal movimentou US$ 5 bilhões de dólares/ano.

Como o preço tem se mantido em alta, a nova “corrida pelo ouro” nacional é uma “oportunidade de investimento” que deve ser considerada, acredita uma especialista da UFMG.

“A produção de ouro vai cair em 2021 e não sabemos quanto tempo mais o preço vai se manter em alta. Temos o desafio de substituir a produção das minas profundas de ouro, como a Cuiabá (Sabará – MG), ou mesmo a de céu aberto de Paracatu (MG), por inúmeras de médio porte, com capacidade produtiva em tempo hábil para aproveitar o bom momento do metal”, afirmou. Para ela, é preciso que as empresas deixem a “zona de conforto” para encontrar novas áreas.

Se o mercado oficial de ouro está em alta, o mesmo acontece nos garimpos ilegais, que explodiram na Amazônia nos últimos anos e colocam o Brasil e o planeta em risco.

A Amazônia brasileira tem 2.576 focos de garimpo ilegal, segundo levantamento recente. Isso alcança pelo menos 17% das áreas protegidas e 10% das terras indígenas da região amazônica.

As estimativas indicam que a mineração ilegal de ouro movimenta até R$ 28 bilhões por ano no mundo. A contribuição do garimpo para as taxas de desmatamento em territórios indígenas na Amazônia aumentou de 4%, em 2017, para 23% em junho de 2020, de acordo com o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter).

Só no caso da bacia do Tapajós, maior área de mineração ilegal do Brasil, imagens de satélite localizaram 4.700 pontos de garimpo em 2020, contra 2.700 em 2016.

Enquanto isso, 3,8 milhões de hectares de Unidades de Conservação e 2,4 milhões de hectares de Terras Indígenas estão ameaçadas pela busca formal pela extração do ouro na Amazônia, de acordo com 2.113 pedidos de pesquisa registrados na ANM.

O Instituto Escolhas lançou uma campanha para chamar a atenção para a lavagem de dinheiro que utiliza o ouro e a origem ilegal de boa parte do metal que circula no Brasil.

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Terras indígenas e faixas de fronteira

As negociações para avançar sobre terras indígenas e faixas de fronteira seguem avançadas, com o lobby influenciando diretamente no resultado. E o governo não faz questão nenhuma de esconder, pelo contrário.

Um projeto em curso – no PL 191/2020 – pelo governo federal é a ampliação do acesso a recursos minerais nestas localidades. “O Brasil tem cerca de 40% com algum entrave para a atividade mineral. Vamos avançar na regulamentação de atividades produtivas nessas áreas”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Com essas mudanças, a expectativa é alcançar US$ 38 bilhões em investimentos até 2024. Para Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do IBRAM, o maior “desafio” da indústria de mineração no Brasil é encontrar caminhos para expandir a exploração mineral. “É uma oportunidade para os investidores em parceria com pequenas e médias empresas brasileiras de mineração para explorar o vasto e inexplorado potencial mineral em todo o país.”

1 bilhão de toneladas de minerais e ANM a serviço do mercado

A indústria mineral brasileira teve o melhor desempenho entre setores econômicos, no contexto da pandemia, com crescimento em todos os Estados. As exportações aumentaram 11% e atingiram R$ 37 bilhões, com 371 milhões de toneladas em remessas. No total, foram produzidos mais de 1 bilhão de toneladas de minerais.

Mostrei sistematicamente aqui no Observatório como esses números foram alcançados: às custas dos milhares de trabalhadores entregues à própria sorte.

E a ANM se coloca à inteira disposição das empresas. A agência estaria passando por um processo de “consolidação” e “desburocratização”. “Hoje temos 50 mil áreas represadas por conta da legislação, mas acredito que a oferta pública SOPLE, que está no terceiro edital com ofertas diárias, vai resolver o problema da burocratização”, disse a diretora da ANM, Débora Puccini.

Executivos celebram a “simbiose com o governo”

Os relatos de executivos de mineradoras que participaram do PDAC revelam a total “simbiose” com o governo federal, que age como um autêntico e escancarado representante do setor, descumprindo a sua função de regular, observar as leis e buscar o melhor para a sociedade em geral, o que nem sempre é o mesmo para o mercado.

O CEO da Equinox Gold, Christian Milau, mineradora canadense responsável por uma barragem que transbordou e deixou milhares de pessoas sem água no Maranhão, disse que “há muito menos perguntas sobre o Brasil em relação à política ou riscos jurisdicionais do que no passado”.

David Strang, CEO da Ero Copper, observou o crescente interesse do governo em tentar continuamente “melhorar os processos burocráticos” e “encontrar soluções” para as mineradoras. “É sempre vantajoso quando temos esse tipo de relação simbiótica com o governo”, disse.

O diretor-presidente da Lara Exploration, Miles Thompson, disse que a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM) revigorou o processo regulatório e a descentralização do licenciamento ambiental permitiu às empresas trabalharem mais estreitamente com os reguladores. “Nunca trabalhei em um ambiente onde os reguladores, as autoridades fossem tão proativos”, afirmou.

Mike Mutchler, presidente e CEO da Amarillo Gold, comentou que o processo de licenciamento para novos projetos foi simplificado no Brasil. Ele mencionou que costumava enfrentar um processo de licenciamento dividido para diferentes componentes do projeto no passado, e agora foram agregados em uma licença principal.

Para o CEO da Sigma Lithium, Calvyn Gardner, o governo brasileiro mudou definitivamente quando se trata de agências regulatórias ambientais e de regulação da mineração nos últimos anos, “e isso é realmente positivo para qualquer novo investimento no país”.

“Simbiose” na prática

Todo esse discurso está ancorado em fatos recentes. Além do projeto de lei que libera mineração em terras indígenas encaminhado ao Congresso, mostrei aqui o decreto publicado por Jair Bolsonaro, Paulo Guedes e Bento Albuquerque que define que minerais considerados estratégicos ganharão tratamento especial no governo.

Estes minerais agora estão inseridos dentro do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e serão analisados por um Comitê que não terá a opinião do Ministério do Meio Ambiente nem de qualquer Conselho ambiental ou de representantes da sociedade civil.

Há também as 110 metas do Programa Mineração e Desenvolvimento (PMD), lançado no fim de 2020, que foi literalmente ditado por associações representativas do setor mineral, conforme documentos obtidos.

Entre outras iniciativas, a ANM está finalizando uma prometida “guilhotina regulatória” para a mineração em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Por:Maurício Angelo

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Maioria do STF determina que plenário analisará anulação de condenações de Lula

Com a determinação de Fachin, Lula voltou a ficar elegível e se tornou habilitado para disputar a eleição presidencial em 2022 –  (Foto:José Cruz / Agência Brasil)

Por maioria, com 9 votos a 2, e debaixo de críticas, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta, 14, que cabe aos 11 ministros do plenário analisar se mantém cada um dos pontos da decisão do ministro Edson Fachin que anulou as condenações impostas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito da Lava Jato.

Com a determinação de Fachin, Lula voltou a ficar elegível e se tornou habilitado para disputar a eleição presidencial em 2022. Os ministros discutiram nesta tarde se caberia à Segunda Turma julgar o caso, como queria a defesa do ex-presidente, ou o plenário, como se posicionou Fachin. Ao fim, o relator da Lava Jato venceu a primeira disputa.

O julgamento sobre o ex-presidente da República continua nesta quinta-feira (15), mas pode se estender para a próxima semana. Segundo o Estadão/Broadcast apurou, Fachin deve rejeitar os recursos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da defesa de Lula contra a sua polêmica decisão, assinada no mês passado.

A partir desta quinta-feira, 15, os ministros vão decidir se mantêm ou se derrubam, na íntegra ou parcialmente, todos os pontos levantados na decisão que o relator da Lava Jato no STF proferiu há cerca de um mês: a anulação das condenações de Lula no âmbito da operação; o envio dos processos – triplex do Guarujá, sítio de Atibaia, terreno do Instituto Lula e doações da Odebrecht ao mesmo instituto – à Justiça Federal do DF; e o arquivamento da suspeição do ex-juiz federal Sérgio Moro.

Nesta quarta, os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Luiz Fux acompanharam Fachin, para que o caso seja analisado pelo plenário. Ao votar, Barroso destacou a “repercussão sistêmica” que terá a decisão de Fachin.

“É claro que a matéria é importante e transcende ao caso concreto. A decisão de Fachin produz repercussão sistêmica, porque essa foi a vara considerada competente para dezenas de casos da chamada operação Lava Jato. Isso repercute sobre coisas que vêm sendo feitas há anos. Acho que aqui, como em qualquer outra decisão institucionalmente importante, que o plenário deve se manifestar”, disse Barroso.

Ficaram derrotados os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello. Ao se manifestar, Lewandowski subiu o tom nas críticas. “As turmas julgam milhares de HCs todo ano. Isso causa estranheza. Da última vez que isso se fez (processo de Lula analisado pelo plenário, e não pela Segunda Turma), isso custou ao ex-presidente 580 dias de prisão. Causou-lhe a impossibilidade de candidatar-se à presidência da República”, reclamou Lewandowski. “Será que o processo tem nome e não tem apenas capa?”, questionou Lewandowski.

Apesar de ter votado para o caso ficar no plenário, Gilmar criticou o andamento processual da ação. “Não posso afetar a matéria da turma ao plenário a partir de cálculos que eu venha a fazer. Isso representa uma infantilização da instituição. É constrangedor”, disse o ministro. “Vamos tentar melhorar”, continuou.

Por:Agência Estado

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