Fiscalização resgatou 936 pessoas de trabalho escravo no Brasil em 2015

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Principal perfil das vítimas é de jovens, do sexo masculino, com baixa escolaridade e que tenham migrado internamente dentro do país
Foto: Renato Alves
As operações de combate ao trabalho escravo no Brasil resgataram 936 pessoas de condições análogas à escravidão, no período de janeiro a 17 de dezembro de 2015. O principal perfil das vítimas é o de jovens do sexo masculino, com baixa escolaridade e que tenham migrado internamente no país.

Os fiscais do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) e das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs) realizaram, no período, 125 operações, fiscalizando 229 estabelecimentos das áreas rural e urbana, alcançando 6.826 trabalhadores. Além do resgate de trabalho escravo, a ação resultou na formalização de 748 contratos de trabalho, com pagamento de R$ 2.624 milhões em indenização para os trabalhadores.

Foram ainda emitidas, em 2015, 634 Guias de Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (GSDTR), benefício que consiste no pagamento de três parcelas, no valor de um salário mínimo cada uma, para que as pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão possam recomeçar suas vidas profissionais. Houve também a emissão de 160 Carteiras de Trabalho e Previdência Social (CTPS) para as vítimas.

Perfil – A Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) realizou uma análise sobre o perfil das vítimas resgatadas, com dados parciais coletados até o início de dezembro, a partir da emissão do Seguro-desemprego. O estudo mostra 74% das vítimas não vivem no município em que nasceram e que 40% trabalham fora do estado de origem. Em 2015, a maioria das vítimas é do estado da Bahia, com 140 resgates, o que corresponde a 20,41% do total resgatado. Do Maranhão, foram localizadas 131 vítimas, ou 19,10%, e de Minas Gerais, 77 resgates, respondendo por 11,22% do total de resgates.

A análise aponta também que, entre os trabalhadores resgatados que estão recebendo Seguro Desemprego, 621 são homens e a maioria tem entre 15 e 39 anos (489 vítimas). A maior parte das vítimas que ganham até 1,5 salário mínimo (304), e a maior parte dos trabalhadores resgatados, 376 do total, são analfabetos ou concluíram no máximo até o 5º ano do ensino fundamental.

De acordo com o chefe da Detrae, André Esposito Roston, entre os trabalhadores alcançados em 2015 pelo Grupo Móvel e pelos auditores das SRTEs, o equivalente a 14% foram considerados em condições análogas às de escravo. Doze trabalhadores encontrados tinham idade inferior aos 16 anos, enquanto 24 tinham idade entre 16 e 18 anos. “Este dado é preocupante, pois evidencia que trabalhadores com idade inferior aos 18 anos, eram mantidos em atividades onde, em regra, eles não poderiam trabalhar, seja pela intensidade, natureza ou mesmo por integrar a lista das piores formas de trabalho infantil”, afirma.

André Roston alerta também para os riscos a que estão expostos os trabalhadores migrantes e a relação com tráfico de seres humanos. “Do total de trabalhadores alcançados, 58 eram estrangeiros, o que reforça a já constatada transversalidade entre trabalho escravo e o aliciamento de pessoas, que alcança não só a questão da migração internacional, mas também entre regiões do Brasil”, evidencia.

Outro dado que chama atenção é a quantidade de trabalhadores resgatados em áreas urbanas. Nas cinco ações fiscais que encontraram a maior quantidade de trabalhadores em condições análogas às de escravo, três foram de caráter urbano.

Informações do MTE

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Carro invade portaria e quebra vidros em sede do Ministério da Fazenda

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Um motorista invadiu a sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, com uma picape na manhã desta segunda-feira (4). O veículo ficou “estacionado” na recepção do prédio depois de destruir os vidros da portaria. Ninguém ficou ferido.

A Polícia Militar afirmou à TV Globo que o motorista foi identificado como auditor da Receita Federal. Ele foi preso em flagrante e encaminhado à Polícia Federal.

Detalhes do vidro estilhaçado e da porta quebrada em sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, após invasão de carro (Foto: TV Globo/Reprodução)
Detalhes do vidro estilhaçado e da porta quebrada em sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, após invasão de carro (Foto: TV Globo/Reprodução)

No local, o condutor afirmou a policiais militares que tinha “problemas mentais” e disse ter acelerado em direção ao prédio. Cerca de uma hora depois, a PM informou que ele também alegou “motivações políticas” e disse que invadiu o ministério porque “não gosta do PT”.

Por volta das 6h, o motorista ainda prestava depoimento à corporação. O G1 e a TV Globo tentaram contato com o Ministério da Fazenda para saber se o funcionamento do prédio está mantido, mas não receberam retorno até a publicação desta reportagem.
G1
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Amazonas chega a 4 milhões de habitantes em meados de 2016

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Em 2016, a taxa de crescimento, no Amazonas, segundo o IBGE, deve ser de 1,61 nascimento. Charge: Júnior Lima

Manaus – A cada 8 minutos e 20 segundos, em média, uma pessoa nasce no Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Hoje, primeiro domingo do ano,  o Amazonas terá 3.969.663 habitantes, conforme a projeção populacional em tempo real do Instituto. A estimativa do IBGE é de que a população total do Estado alcance os 4.001.667 habitantes, até a metade de 2016.

Em 2016, a taxa de crescimento, no Amazonas, segundo o IBGE, deve ser de 1,61 nascimento. Em 2015, a taxa de nascimento era 1,67. Levando em consideração a evolução dos grupos etários, as pessoas de 15 a 64 anos de idade que compõem a População em Idade Ativa (PIA) corresponderão a 65,27% dos habitantes; seguidas pelas jovens de 10 a 14 anos, com 30,76%; e os idosos (65 anos ou mais) com 3,97% do total de habitantes.

No ano passado, a PIA correspondia a 64,78% dos moradores do Amazonas. Os jovens representavam 31,38% e os idosos 3,84%.

Por uma diferença de 0,98 pontos percentuais, os homens ainda serão maioria na população do Estado, com 50,49%. As mulheres corresponderão a 49,51% dos moradores locais. Em 2030, a  diferença entre os gêneros será de 0,46 pontos percentuais, com os homens correspondendo a 50,23% dos habitantes do Estado e as mulheres 49,77%.

De acordo com a projeção do IBGE, a população total do Amazonas deve alcançar os 4.738.027 habitantes, até 2030.

Levando em consideração o número de crianças que nascem, por ano, para cada grupo de mil habitantes, classificada pelo IBGE como Taxa Bruta de Natalidade (TBN), a projeção é de 19,72 nascimentos para cada mil habitantes, no Amazonas, em 2016. Em 2030, a taxa deve atingir os 13,85 nascimentos a cada mil habitantes.

A Taxa Bruta de Mortalidade (TBM), em 2016, também é projetada pelo Instituto. A previsão é de que, neste item, as cinco mortes para cada grupo de mil pessoas, observadas, no ano passado, se mantenham também neste ano. Em 2030, a estimativa é de 5,78 mortes para cada grupo de mil habitantes, no Estado.
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Vida
A expectativa de vida para quem nascer, no Amazonas, em 2016, será de 71,91 anos independente do gênero. No caso das mulheres um pequeno incremento é observado, com elas tendo a expectativa de viver até os 75,51. Apontados por especialistas das áreas da segurança pública e da saúde como as principais vítimas de mortes violentas e os que menos recorrem ao médico, respectivamente, os homens devem viver apenas até os 68,64, no Estado.

Em 2016, a Taxa de Mortalidade Infantil (TMI), no Amazonas, deve ser de 18,21 crianças para cada mil nascidas vivas, ainda conforme. Com uma taxa de 16,14 mortes para cada mil vivas, as mulheres terão a menor incidência de óbitos. Já os homens, com 20,17 casos para cada mil meninos nascidos vivos, devem amargar o maior índice. Em 2030, a 13,18 crianças devem morrer a cada mil nascidos vivos. A taxa será de 11,31 entre as mulheres e 14,96 entre os homens.

A taxa de idosos acima de 60 anos de idade para cada 100 pessoas menos de 15 anos de idade, caracterizada pelo IBGE como Taxa de Envelhecimento,  deve ser de 12,91, em 2016, no Amazonas. Até 2030, a taxa deve atingir os 31,46 idosos para cada grupo de 100 crianças menores de 15 anos, no Estado.

Em 2016, a população economicamente dependente, no Amazonas, deve atingir, em média, 53,22% da população. Os jovens de 0 a 14 anos corresponderão a 47,13% e os idosos 6,09%.

2015 fechou com mais de 206 mi de brasileiros

A população brasileira superou a marca dos 206 milhões de habitantes no final de 2015. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País tinha, em 31 de dezembro, 206.450.649 habitantes. No ano passado, a população estimada era 205.768.562. No Brasil, o IBGE estima que a cada 19 segundos nasça uma criança.

O IBGE também divulgou as populações das 27 unidades da Federação e dos municípios brasileiros. O Estado mais populoso do País, São Paulo, tem 44,6 milhões de pessoas. Mais cinco Estados têm populações que superam os 10 milhões de habitantes: Minas Gerais (21 milhões), Rio de Janeiro (16,55 milhões), Bahia (15,6 milhões), Rio Grande do Sul (11,35 milhões) e Paraná (11,26 milhões).

Três Estados têm populações menores do que 1 milhão: Roraima (505,7 mil), Amapá (766,7 mil) e Acre (803,5 mil).

As demais unidades da Federação têm as seguintes populações: Pernambuco (9,34 milhões), Ceará (8,9 milhões), Pará (8,17 milhões), Maranhão (6,9 milhões), Santa Catarina (6,82 milhões), Goiás (6,61 milhões), Paraíba (3,97 milhões), Amazonas (3,96 milhões), Espírito Santo (3,93 milhões), Rio Grande do Norte (3,44 milhões), Alagoas (3,34 milhões), Mato Grosso (3,26 milhões), Piauí (3,2 milhões), Distrito Federal (2,91 milhões), Mato Grosso do Sul (2,65 milhões), Sergipe (2,24 milhões), Rondônia (1,77 milhão) e Tocantins (1,51 milhão).

Expectativa de vida
A expectativa de vida ao nascer no Brasil em 2016 será 75,2, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para as mulheres, a expectativa de vida será de 78,8 anos. Já para os homens será mais baixa, de 71,6 anos.

Os nascidos em Santa Catarina terão  a maior expectativa de vida, segundo o IBGE, de 78,4 anos. Santa Catarina também apresenta a maior esperança de vida para os homens (75,1 anos) e para as mulheres (81,8 anos).

No outro extremo está o Estado do Maranhão, com uma esperança de vida ao nascer para ambos os sexos de 70,0 anos. Para os homens, a menor esperança de vida está em Alagoas (66,2 anos), e para as mulheres, em Roraima (73,7 anos).

Assim, Alagoas apresenta a maior diferença entre as expectativas de vida de homens e mulheres (9,5 anos a mais para as mulheres), e a menor diferença foi observada em Roraima (5,3 anos a mais para as mulheres), segundo projeção do IBGE para 2016.
por Annyelle Bezerra – DIÁRIO do Amazonas
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Com gols de Oscar, Willian e Diego Costa, Chelsea vence a 1ª com Hiddink

Este foi o terceiro jogo do Chelsea desde a chegada de Hiddink, substituto de José Mourinho, demitido no meio de dezembro

Assim, com essa invencibilidade, o Chelsea vai deixando aos poucos as últimas posições do Campeonato Inglês. Foto: AFP

O Chelsea contou com o brilho dos seus jogadores brasileiros para conquistar a primeira vitória sob o comando do técnico Guus Hiddink. Ainda tentando se afastar das últimas posições do Campeonato Inglês, o time derrotou o Crystal Palace por 3 a 0, fora de casa, pela 20ª rodada, com gols marcados pelos meias Oscar e Willian e pelo atacante Diego Costa, brasileiro naturalizado espanhol.

Este foi o terceiro jogo do Chelsea desde a chegada de Hiddink, substituto de José Mourinho, demitido no meio de dezembro. E o time agora acumula um triunfo e dois empates, com Watford e Manchester United, nos compromissos sob o comando do treinador. Além disso, venceu um jogo com o interino Steve Holland.

Assim, com essa invencibilidade, o Chelsea vai deixando aos poucos as últimas posições do Campeonato Inglês. Com o triunfo, os atuais campeões nacionais alcançaram a 14ª posição com 23 pontos e seis de vantagem para a zona de rebaixamento. Já o Crystal Palace é o sétimo colocado, com 31.

Mas nem tudo foi motivo de comemoração para o Chelsea. Afinal, Hazard, destaque do time na conquista do título do Campeonato Inglês na última temporada e que vive um jejum de gols desde maio, deixou o campo com dores na virilha logo aos 15 minutos do primeiro tempo.

Mas o Chelsea logo abriu o placar. Aos 29 minutos, Fàbregas acionou Diego Costa, que entrou na área e passou para Oscar, que finalizou para o gol vazio, fazendo 1 a 0. Os outros gols saíram no segundo tempo. Aos 15, Oscar foi desarmado, mas a bola sobrou para Willian, que chutou de primeira, de fora da área, com a bola entrando no ângulo esquerdo da meta do Crystal Palace.

O terceiro gol saiu logo depois, aos 21 minutos. Dessa vez, Hennessey espalmou chute cruzado de Willian, mas nos pés de Diego Costa, que bateu para definir o triunfo por 3 a 0 do Chelsea.

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Estadão Conteúdo
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A ponte entre Brasil e Guiana que ninguém pode cruzar

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“PARE. Identifique-se”, diz uma placa amarela e preta no extremo brasileiro da ponte entre a América Latina e a União Europeia – e, se alguém ultrapassa os limites demarcados pelo arame, um guarda aparece ao longe e grita: “Volte!”.

O grito rompe o silêncio reinante na imponente obra cinza e vazia sobre o o rio Oiapoque, cujas águas marcam a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa, na selva amazônica.

Ainda que a ponte estaiada de pilares de concreto de 378 metros de comprimento tenha sido terminada há quatro anos, nunca foi inaugurada, e seu uso está proibido.

Essa demora é um enigma para os moradores dos dois povoados remotos em ambos os lados do rio: Oiapoque na margem brasileira e St. Georges na francesa.

“Para qualquer brasileiro e francês é o maior mistério: por quê? Faz anos que está pronta”, diz Alexandra Costa, dona de casa de 34 anos, enquanto tem as unhas dos pés feitas em um salão de beleza em Oiapoque.

Monumento à ineficiência

A obra foi anunciada oficialmente em 1997 pelos presidentes da França e do Brasil à época, Jacques Chirac e Fernando Henrique Cardoso.

“Ouvi falar da ponte pela primeira vez em 1973”, conta Auxilio Cardoso, um aposentado brasileiro de 71 anos, sobre uma das lanchas que transportam as pessoas de um lado ao outro do rio.

Ele está indo a St. Georges “comprar um perfume francês para o Natal” e passa sob a ponte. Questionado sobre quanto falta para inaugurá-la, dá de ombros, leva as mãos ao céu e responde sorrindo: “Não sei”.

De fato, ninguém na região parece saber essa resposta. Com um custo para ambos os governos de US$ 30 milhões (R$ 118,5 milhões), a ponte foi construída com base na premissa de que impulsionaria o intercâmbio e o desenvolvimento destes rincões perdidos do Brasil e da França.

A Guiana Francesa é a última área continental sul-americana que ainda pertence a uma ex-potência colonial. É um território ultramarino da França e, como tal, faz parte da União Europeia e tem o euro como moeda oficial. E a ponte prometia reduzir o isolamento que marca sua história.
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Mas, agora, muitos veem a moderna estrutura como um monumento à ineficiência governamental, à burocracia e às diferenças entre os dois países .

“É bonita, mas está parada”, reflete Deus Bahia da Silva, um comerciante de 40 anos, ao observar a ponte a partir da margem brasileira, ao lado de barcos de pescadores.

“Nosso Brasil está complicado, os governantes não querem olhar pelo povo, só por eles mesmos”, ele acrescenta. “Oiapoque não tem nada. Nós cassamos um prefeito, agora temos outro e nada. Nem praça tem aqui: faz anos que as obras dela estão paradas também.”

Vantagens e desvantagens

Entre os habitantes dos dois povoados, há divergências sobre as vantagens e prejuízos que a ponte trará, como se fosse uma enorme criatura adormecida sempre a ponto de despertar.

“Oiapoque vai ficar cheia de gente”, diz Roberto Carlos, de 42 anos, enquanto joga em uma tenda de tiro ao alvo com pistolas de ar comprimido, como as de parques de diversão, mas que, na cidade, fica em uma das ruas principais.

“Vai ser melhor para fiscalizar, porque agora tem muita mercadoria de contrabando”, afirma Jessica Santos, uma jovem de 23 anos que está desempregada, em frente à praça de St. Georges.

De um lado, está a prefeitura do povoado, ao fim de uma esplanada cheia de besouros mortos. As bandeiras da França e da União Europeia tremulam no ar quente e úmido. No corredor da entrada, envelhecem fotos de Chirac e Cardoso do dia em que visitaram St. Georges e anunciaram a obra.

Outros acreditam que a ponte afastará os turistas, que seguirão em frente rumo às cidades mais próximas de Caiena, em solo francês, e Macapá, no brasileiro, sem precisar parar por algumas horas nos povoados, como fazem agora.

“Não vai ser bom, porque vai precisar de um carro para cruzar o rio e vai sair mais caro”, diz Marlady da Silva, uma brasileira de 30 anos que vive em Oiapoque e vai todos os dias para St. Georges de lancha para trabalhar em uma lanchonete onde se cobra em euros.

Seus filhos perguntam o que ela vai fazer quando a ponte abrir. O custo da passagem para atravessar a fronteira em 10 minutos custa R$ 16, e há umas 200 lanchas que fazem este serviço dia e noite, diz Reginaldo Pena de Moraes, que, com 57 anos, ganha a vida sobre uma delas.

Ele conta que seus três filhos o questionam sobre qual será seu trabalho após a abertura da ponte. “Só vamos descobrir depois que inaugurarem”, ele responde. “Não sabemos quando, mas isso vai acontecer.”

Pendências

As autoridades também não têm certeza sobre os prazos. De seu escritório em Macapá, Waldez Góes (PDT), governador do Amapá, destaca que a nova meta para a inauguração é “o final do primeiro semestre de 2016”.

Esse objetivo foi estabelecido durante reunião entre os representantes dos dois lados em outubro e permitiria abrir a passagem antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que serão realizados em agosto.

Mas, além do vento contrário gerado pela dura crise econômica do Brasil, que tem feito com que grandes projetos de infraestrutura sejam esquecidos, há vários requisitos para conseguir cumprir a data marcada .

Um é que o Brasil envie antes do fim do ano os documentos que permitam à França liquidar o último pagamento correspondente à construção da ponte, que ainda está pendente, explica Góes.

Ele acrescenta que esse atraso, por sua vez, impede até agora que a empresa que fez a obra entregue oficialmente a ponte ao Brasil e à França. Também falta instalar na cabeceira brasileira da ponte os equipamentos para fazer o controle da fronteira, principalmente aduaneiro, além de funcionários.

Isso já foi feito do lado francês, mas as cabines de controle neste momento só são habitadas por lagartixas e insetos.

“Depois que inaugurarem a ponte, será a modernidade”, diz com certa ironia um policial francês de fronteira que evita revelar seu nome, porque não tem autorização para falar com jornalistas, em um escritório com ar condicionado.

O Brasil também prometeu pavimentar a BR-156 entre Oiapoque e Macapá, que tem um longo trecho de terra, barro e buracos em seus 595 km. Mas Góes nega que a obra seja condição para a abertura da ponte.

O governador diz que a estrada é de responsabilidade do governo federal e, diante da suspeita de muitos vizinhos de que a obra atrasou por causa de corrupção, responde: “Não posso assegurar se houve ou não desvio de dinheiro.”

Visto

Outro obstáculo pendente é a falta de acordo sobre os seguros para os veículos que cruzarem a ponte, já que, do lado francês, as exigências e os custos são bem maiores, porque seguem o padrão europeu.

O Brasil ainda quer que a França dê fim à exigência de visto para os brasileiros que entram na Guiana Francesa, onde a polícia controla rigorosamente a estrada para Caiena, melhor pavimentada do que a brasileira.

A França quer evitar a entrada em seu território de imigrantes sem documentos e garimpeiros de ouro ilegais, mas muitos brasileiros dizem que o tratamento é desigual, pois os franceses não precisam de visto para entrar no Brasil.

“Os gringos vêm, fazem o que querem aqui no Brasil e lá não se pode fazer nada”, protesta Ednaldo Ribeiro, taxista de 47 anos em Oiapoque. “Você chega a St. Georges e logo a polícia já está atrás de você.”

Enquanto isso, a pintura da ponte descasca, a iluminação está deteriorada pela umidade, e alguns perguntam se a obra estará em condição de ser usada caso algum dia venha a ser inaugurada .

“Até os romanos, quando faziam uma ponte, sabiam a razão da construção”, diz Rona Lima, empresário brasileiro de 57 anos, dono de pousada em Oiapoque. “Mas essa ponte ainda não tem uma finalidade. Não existe nenhuma economia visível que a justifique.”

Para ele, a obra só serviu para fazer aflorar as diferenças entre os dois lados do rio. “A ponte veio só para quebrar o charme da região amazônica.”

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Aécio diz que veto de Dilma a reajuste do Bolsa Família sacrifica mais pobres

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 O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), criticou a decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar o reajuste do benefício do Bolsa Família pela inflação. Segundo ele, essa atitude sacrifica a população que mais precisa do apoio do governo. A declaração foi divulgada por meio da assessoria de imprensa neste sábado (2).

A presidente Dilma Rousseff sancionou, em edição extra do “Diário Oficial da União” editada na quinta-feira (31), a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016, que estabelece os parâmetros para a elaboração do Orçamento da União. A lei foi sancionada com mais de 50 vetos, incluindo um trecho que previa o reajuste do benefício do Bolsa Família pelo índice oficial de inflação, medida pelo IPCA, acumulada entre maio de 2014 e dezembro de 2015.

Na justificativa do veto, o governo alega que o texto aprovado pelo Congresso não traz a previsão de verba para isso e que, “se sancionado, o reajuste proposto, por não ser compatível com o espaço orçamentário, implicaria necessariamente o desligamento de beneficiários do Programa Bolsa Família”.

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que não comentará as críticas do senador.

“Em um momento de grave crise, os primeiros a sofrer e de forma mais profunda são os que mais necessitam, ou seja, exatamente os beneficiários do Bolsa Família. A presidente Dilma, com seu veto, mais uma vez, sacrifica a população que mais precisa do apoio do governo”, disse Aécio Neves.

O senador argumentou que, sem recomposição do poder de compra do Bolsa Família, “o alcance social do programa diminui e a crise criada pelo governo do PT invade a vida dos mais pobres”.

Segundo a avaliação dele, o veto ao reajuste do Bolsa Família não é um ato de responsabilidade fiscal.

Aécio afirmou, ainda, que o governo, “se quisesse”, teria como aumentar os gastos com o programa. “Um reajuste de 11,6% do Bolsa Família teria impacto de cerca R$ 3 bilhões. Mesmo na atual situação de grave crise, esse não é um valor que iria gerar maiores problemas, sobretudo se se avaliasse seu impacto social”, disse.

Na declaração, o senador afirmou, ainda, que “a crise e a falta de recursos orçamentários que compromete não apenas o Bolsa Família, mas também os serviços de saúde e educação, decorrem do desastre econômico e desvios de recursos dos governos do PT”.
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Desemprego em 2016 será pior do que no ano passado, dizem economistas

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Em 2015, os brasileiros enfrentaram o fechamento de postos de trabalho em decorrência das dificuldades econômicas no país. Em 2016, o cenário pode se repetir, segundo avaliação de especialistas.

Para o vice-diretor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Renaut Michel, a taxa de desemprego no Brasil deverá continuar crescendo em 2016, por causa da queda no nível da atividade econômica. “Não há nenhum tipo de expectativa positiva”, disse o especialista em mercado de trabalho.

Para Renaut Michel, embora a construção civil, um dos setores que mais empregam no país, tenha sentido mais os impactos da crise, outros setores da indústria poderão ser afetados este ano. “A indústria já vem mal há um bom tempo. Enfrenta um problema sério de perda de competitividade, de queda de investimentos. Minha expectativa é que continue um ano muito ruim para a indústria, mas em alguma medida vai afetar também o comércio e o serviço, porque o ambiente de incertezas está levando as famílias a consumirem menos. Em consequência disso, os empresários investem menos e bancos também não emprestam”.

O único setor que deve continuar apresentando bom desempenho é o agronegócio. “Mas não vai conseguir ser suficiente para minimizar o impacto muito ruim da trajetória do emprego nos próximos meses”, acrescentou.

Já o professor João Luiz Maurity Sabóia, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que em outubro do ano passado, a taxa de desemprego era 7,9%, conforme a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa era praticamente a mesma registrada em 2008, que foi 7,5%, no auge da crise econômica internacional.

“Foram dez anos de melhoras sucessivas no mercado de trabalho, e boa parte disso, infelizmente, em um ano de recessão foi revertida”, disse o professor, em referência ao salário e ao número de postos de trabalho gerados no período.

Para Sabóia, os problemas enfrentados em 2015 causaram efeito pior no mercado de trabalho, em comparação aos impactos da crise internacional. “Aquilo [2008] foi um momento de desaceleração, mas não chegou a ser de piora do mercado de trabalho. E você sustentou esse movimento, praticamente, até o ano passado”.

Desemprego

Os metalúrgicos foram umas das categorias afetadas pelo desemprego no ano de 2015. De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e São Gonçalo, Edson Rocha, 7,5 mil metalúrgicos foram demitidos nos dois municípios. Desses, 3,3 mil ainda não receberam indenização. A maioria dos demitidos da construção naval está “fazendo bicos”, enquanto não arruma um novo emprego, relatou Rocha.

Odair Francisco da Silva é um dos que perderam o emprego. Ele trabalhava no Estaleiro Eisa-Petro Um, antigo Estaleiro Mauá, em Niterói. Casado e pai de quatro filhas, Odair recorreu à ajuda de parentes. “Estou me virando e, infelizmente, incomodando os outros”, disse. A mulher do operário, que não trabalhava fora, hoje faz faxina. Os pais de Odair, ambos aposentados e ganhando um salário mínimo cada, o “socorrem, na medida do possível”.

O soldador Luís Silva Coelho foi dispensado do emprego e procura vaga na mesma área. “Trabalho está difícil. Tem que correr atrás. Tenho filho para dar conta”, disse.

Agência Brasil

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“PT se lambuzou”, diz Jaques Wagner

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Foto-Chefe da Casa Civil afirmou que partido “errou e acabou reproduzindo metodologias”

Chefe da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner, 64, disse, em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, que seu partido “errou” ao não fazer a reforma política e ao “acabar reproduzindo metodologias” antigas da política brasileira, referindo-se aos efeitos da operação Lava Jato sobre o PT.

O resultado, afirmou, é que o partido, “que não foi treinado para isto”, encarnou o ditado: “Quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza”.

Na entrevista, o ex-governador da Bahia avaliou que 2015 foi um ano “duro” e que em 2016 não deve haver crescimento no país. “Concordo que foi um ano muito duro, mas não vou dizer nunca que foi um ano perdido. Mas se você apurar só a notícia ‘não boa’, a inflação realmente está onde está, os juros estão lá em cima, o crescimento foi negativo. A foto de final de ano não é boa”, disse.

Jaques Wagner fez ressalvas à condução da política econômica pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, a quem atribui uma obsessão pelo ajuste fiscal sem mostrar para onde o país iria. Segundo o petista, agora é preciso “modular” o ajuste com propostas que apontem para o desenvolvimento.

O ministro afirmou que o governo conseguirá “enterrar” o impeachment que tramita na Câmara contra a presidente Dilma. “O erro para mim é muito mais da oposição, que fez uma agenda do ‘impeachment tapetão’”, afirmou. “Nós vamos enterrá-lo (o impeachment)”, disse à “Folha”.

Perguntado se o processo se encerraria na Câmara ou se chegaria ao Senado, ele foi direto: “Na Câmara. Não tenho dúvida de que a gente vai a 250, 255 votos (Dilma precisa de 171 votos para barrar o pedido na Casa)”.
Por O Tempo
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Acidentes em rodovias federais provocaram 8 mil mortes

No trecho que passa dentro do Distrito Federal, a BR-040 tem pouco mais de oito quilômetros de extensão. Apesar de pequena, em um ano, os acidentes nessa rodovia tiraram a vida de oito pessoas. Entre as mais de 400 estradas federais, esses números podem passar despercebidos, mas revelam algo mais. Por estar em uma área urbana, a 040 no DF tem a maior taxa do país de mortos para cada 10km. Para entender as diferenças no comportamento dos acidentes, O GLOBO calculou a taxa de mortes para cada rodovia federal nos trechos dentro dos estados.

O levantamento, feito a partir de uma base de 156 mil acidentes registrados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ocorridos entre julho de 2014 e junho de 2015, revela que mais de 43% das colisões tiveram algum tipo de vítima (mortos ou feridos). Nesse período, foram mais de oito mil mortos e 100 mil feridos, um quarto deles com gravidade. No geral, os meses de férias, como dezembro, tendem a registrar mais casos. As segundas e sextas e o período da noite apresentam também maior frequência. Os dados agregados, contudo, escondem detalhes. Acidentes com vítimas são mais comuns entre sábados e segundas. Pela manhã e à noite há mais casos com mortes.Foto: Cléber Júnior Foto: Cléber Júnior

Com essas diferenças, é possível estimar as chances de haver vítimas nos acidentes nas rodovias. Ela é até 18% maior nos fins de semana. Nos feriados, sobe para 19%. E há uma característica que piora esse dado. Quando o feriado cai numa quinta-feira, por exemplo, a chance de haver vítimas sobe 57%. Na avaliação da PRF, o feriadão aumenta a predisposição e o tempo disponível aos motoristas para que façam deslocamentos mais longos. “Também encorajam aqueles que não têm o hábito de dirigir a pegar rodovia, que tem uma dinâmica diferente das vias urbanas”. Os dados indicam também que a chance de haver vítimas aumenta 13% de madrugada. As ocorrências nesse período, segundo a PRF, estão ligadas a dois fatores: a falta de visibilidade e a sonolência.

Especialista em segurança de trânsito, Eduardo Biavati explica que as principais causas dos acidentes são o despreparo dos motoristas e a falta de manutenção dos veículos:

— O alto risco nas rodovias em períodos de grande movimento acontece também por causa da péssima qualidade das vias, raramente duplicadas, quase nunca providas de acostamento para emergências, e nas quais o controle de velocidade por radares e câmeras é limitadíssimo.

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Por O Globo
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Aulas em simulador nas autoescolas serão obrigatórias

Os motoristas que vão adicionar à habilitação a Categoria B também devem ter aulas no simulador

A partir deste ano é obrigatório o uso do simulador de direção veicular nas autoescolas para quem vai tirar carteira de motorista e dirigir carros de passeio, na Categoria B. Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em julho do ano passado, deu prazo até o dia 31 de dezembro de 2015 para que a exigência fosse implantada. Os motoristas que vão adicionar à habilitação a Categoria B também devem ter aulas no simulador.

O candidato que for tirar a primeira habilitação terá que fazer, no mínimo, 25 horas de aula prática. Do total, 20 horas em veículo de aprendizagem, sendo quatro horas no período noturno. As demais cinco horas serão feitas no simulador de direção, sendo uma hora com conteúdo noturno. Quem já tem carteira de motorista e vai adicionar a Categoria B faz 20 horas de aula, sendo cinco horas no simulador.

No simulador, os alunos têm reproduzidas situações como ultrapassagem, mudança de faixa, direção com chuva e manobra em marcha à ré. De acordo com o Contran, numa segunda etapa será obrigatório o uso do simulador para quem dirigir veículos comerciais, caminhão, ônibus e motos.

A obrigatoriedade de aulas no simulador de direção veicular foi prevista, inicialmente, pelo Contran, e depois suspensa. Em fevereiro de 2014, donos de autoescolas protestaram nas proximidades do Congresso Nacional contra o uso de simuladores. Eles alegavam que o equipamento custava caro, entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, e não traria grandes benefícios aos alunos. Por meio da Resolução 543, de 15 de julho de 2015, a obrigatoriedade foi retomada. À época, o Contran informou que o pedido para a volta da obrigatoriedade partiu dos Detrans de todo o país.

Por Agência Brasil
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