Pela 1ª vez, modelo transgênero é capa da Playboy Italia

 "É uma honra", diz Vittoria sobre Playboy Reprodução/ Facebook
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A capa da versão italiana da revista Playboy deste mês contará, pela primeira vez na história da publicação no país, com uma modelo transgênero. A atriz italiana Vittoria Schisano, que nasceu há 33 anos como Giuseppe, será destaque na edição de fevereiro da revista, que desde sua criação trouxe centenas de mulheres belas e sexys nas suas páginas.

“Posar na Playboy, a publicação voltada para os homens que desde sempre celebra a beleza feminina e na qual foram fotografadas as mulheres mais bonitas do planeta, para mim é uma grande honra, meu sonho desde sempre”, diz Schisano, que conta que apenas com 27 anos teve coragem de dizer a si mesma quem ela realmente era.

“Poder me ver na capa hoje, depois de ter conseguido realizar um sonho de me tornar uma mulher também no lado físico, vale o dobro para mim. Não é um bisturi que me fez ser mulher, se é uma mulher primeiramente na alma. A vida não é uma questão de centímetros”, explica a atriz que realizou a cirurgia de mudança de gênero apenas em abril de 2014 em uma clínica em Barcelona, na Espanha.

A capa, vista por muitos como um grande passo para uma melhor aceitação da comunidade LGBT+ na Itália, aparece 35 anos depois da primeira modelo trans ter posado para a Playboy dos Estados Unidos. Caroline Cossay foi protagonista de duas edições da publicação nos anos de 1981 e 1991.

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Por Agência ANSA

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Inusitado-Pastor ex-gay troca a esposa pelo cunhado

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Um caso no mínimo inusitado chamou a atenção dos 78 mil habitantes de Cacoal, em Rondônia. Um homem de 36 anos se separou de sua esposa de 23 anos para ‘casar-se’ com o cunhado de 38.

Flávio Serapião Birschiner estava casado há dois anos com Ana Paula Rochinha Birschiner. O casamento parecia um conto de fadas até aparecer Pedro Rochinha Siqueira, irmão de Ana Paula, e até então melhor amigo e único confidente.

Pedro era conhecido na comunidade de Jardim Clodoaldo como um pastor íntegro e milagreiro. Em seus testemunhos se apresentava como ex-homossexual, e creditava ao espírito santo a reorientação de seu desejo sexual.

Ele que por oito anos se apresentou em boates gays sob o pseudônimo de Shirley Mac Lanche Feliz, depois de convertido virou o Pastor Rochinha. Com fama nacional por muitas vezes comparecer na qualidade de debatedor de temas ligados a ‘Religião & Sexualidade’ em programas de TV.

Ana Paula acredita que seu casamento se desfez pela constante recusa em praticar sexo anal com o marido. Ela revela que “ele era obcecado por sexo anal”. Ela ainda afirma que confidenciou isso ao irmão, que a apoiou. Ana Paula acha que seu irmão se valeu desta informação para oferecer ao marido um diferencial competitivo.

Flavio deu entrada na justiça em um pedido de guarda definitiva dos filhos gêmeos por acreditar que “é melhor um filho ser criado pelo pai e pelo tio do que por uma mãe solteira”.

Por R7
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Carretas colidem na BR-163 entre Lucas e Nova Mutum no MT; motorista morre

(Fotos: divulgação e Claudemir de Oliveira)- O acidente ocorreu, hoje, por volta das 15h40, a aproximadamente 30 quilômetros de Nova Mutum sentido Lucas do Rio Verde. Ao Só Notícias, a assessoria de imprensa da Rota do Oeste confirmou que ocorreu uma colisão frontal entre um bitrem Volvo branco e uma carreta Volvo branca. Um dos motoristas não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. A identidade dele ainda está sendo confirmada. O motorista do outro veículo não se feriu.

Os veículos possuem placas de Indaiatuba (SP) e Jussara (GO). A carreta transportava madeira serrada e ficou atravessada na pista. Devido a isso, houve a interdição total da rodovia federal.

Não foi confirmado em qual dos veículos a vítima estava. Também não se sabe o que causou o acidente.

A concessionária enviou para atendimento no local dois guinchos, dois veículos de inspeção e duas ambulâncias (uma delas com UTI).

Ontem à noite, conforme Só Notícias já informou, Antônio Marcos Rodrigues conduzia uma carreta quando se envolveu em uma colisão frontal com uma outra, que seguia no sentido contrário. Rodrigues não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. O outro motorista nada sofreu.

O acidente ocorreu na BR-163, a cerca de 50 quilômetros de Nova Mutum sentido Posto Gil.

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Fonte: Só Notícias/Alex Fama

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Partidos definem novos líderes na Câmara para 2016; veja nomes

Com o retorno das atividades no Congresso Nacional, os partidos começaram a definir os novos líderes das bancadas na Câmara para 2016.

Novos líderes
more info about ` prednisone for cats without prescription `. cost of prednisolone uk – buy prednisone online for dogs buy prednisone no prescription ; prednisone Veja os nomes dos líderes de partidos já escolhidos pelas bancadas:

PT – Afonso Florence (BA)
PSDB – Antônio Imbassahy (BA)
DEM – Pauderney Avelino (AM) online meds rx deltasone, deltasone without prescription us pharmacy, deltasone online pharmacies worldwide delivery, prednisone 40 mg purchase canada, 
PDT – Weverton Rocha (MA)
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PSB – Fernando Coelho Filho (PE)
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Atribuições
Os novos líderes serão os responsáveis por indicar os deputados integrantes da comissão especial que analisará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Além dessa responsabilidade – atípica –, estão entre as atribuições do líder de partido orientar a posição da bancada nas votações e negociar em nome da bancada com a oposição e com o governo. O líder também participa das reuniões com os seus pares e com o presidente da Casa para definir o que entrará na pauta de votações do plenário.

Partidos
Nesta quarta-feira (3), o PT escolheu, por aclamação, o deputado Afonso Florence (BA) para liderar a bancada do partido neste ano. Ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Florence foi escohido para substituir Sibá Machado (AC) no comando da sigla na Câmara.

Outra bancada que bateu o martelo sobre o novo líder foi o DEM, partido de oposição à presidente Dilma. O novo líder será Pauderney Avelino (AM), que substituirá o deputado Mendonça Filho (PE), no posto.

Antes do recesso, já haviam sido escolhidos os líderes do PSDB, Antonio Imbassahy (BA), e do PDT, Weverton Rocha (MA). Foram reconduzidos ao cargo os líderes do PSD, Rogério Rosso (DF); do PSB, Fernando Coelho Filho (PE); e do PR, Maurício Quintella (AL).

Para liderar a bancada do PRB, ficou acertado no ano passado que o nome seria o do deputado Márcio Marinho (BA), mas haverá reunião nesta semana para confirmar a escolha, segundo a assessoria da bancada.

PMDB
A maior expectativa – e o maior impasse – entre os partidos está na bancada do PMDB, a mais numerosa da Câmara. A legenda, que tem 67 deputados, realizará uma eleição para determinar o novo líder no dia 17 de fevereiro.

Os deputados peemedebistas terão de escolher entre o atual líder, Leonardo Piccianix (RJ), de perfil mais próximo ao governo, e o deputado Hugo Motta (PB), aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e que pode atrair votos da ala dissidente do partido, que, como Cunha, defende o rompimento com o Palácio do Planalto.

O deputado Leonardo Quintão (MG), que liderou a bancada por pouco tempo no final de 2015, chegou a se candidatar ao posto, mas recuou e anunciou que deixaria a disputa.

A desistência de Quintão – que passou a apoiar Picciani – ocorreu depois de Hugo Motta anunciar que também concorreria à liderança do partido na Câmara. A candidatura do deputado da Paraíba é uma estratégia de Cunha e da ala do partido crítica ao governo Dilma para enfraquecer a candidatura à reeleição de Picciani e diluir os votos dos deputados peemedebistas entre os dois candidatos.

Senado
Para liderar o PT no Senado, a bancada decidiu, em reunião nesta quarta-feira (3), manter no posto o senador Humberto Costa (PE).

Outros líderes partidários do Senado permanecerão no cargo, como o senador Eunício Oliveira (CE), líder do PMDB; o senador Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM; e o senador Cássio Cunha Lima (PB), líder do PSDB.

Impeachment
Em dezembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a comissão especial da Câmara que analisará o pedido de impeachment de Dilma só pode ser formada por indicados por líderes de partidos, sem chapas avulsas.

Depois de Cunha dar início ao processo de impeachment de Dilma, os deputados chegaram a eleger uma chapa alternativa, formada por deputados da oposição e dissidentes da base aliada.

O Supremo, no entanto, anulou a eleição. Por isso, a definição foi arrastada para este ano e estará nas mãos dos líderes partidários.

Por G1.globo.com

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Herdeiros de políticos ocupam metade da Câmara

foto-Felipe Maia (DEM-RN) é filho do senador José Agripino Maia (DEM-RN), cujo pai e tio também foram políticos buy generic buy baclofene uk . intrathecal baclofen als action for baclofen . baclofen and orthostatic hypotension. baclofen pump therapy cheap lioresal online lioresal 25 mg  cialis online purchase valtrex now – verified online drugstore. … the exception is made only , lowest price and best quality guaranteed, prompt customer service, fastest worldwide shipping buy estrace online, levonorgestrel 0.15mg and ethinyl estradiol 30 mcg, gestodene no prescription cost estradiol patch ethinyl estradiol 50 mcg side effects.

Conhecida por debates acalorados quando se trata de discussões sobre a “família tradicional”, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara foi cenário de um debate inusitado sobre outros tipos de famílias – as de políticos – no fim de outubro, durante a votação do Projeto de Lei nº 6.217, de 2013. Proposta pelo deputado Esperidião Amin (PP-SC), a iniciativa pretende chamar a BR-101 em Santa Catarina de Rodovia Doutora Zilda Arns, excluindo naquele trecho a homenagem ao ex-governador Mário Covas. O nome do paulista batiza todos os quase 5 mil quilômetros da estrada desde setembro de 2001, seis meses após o falecimento do político.

O clima ficou tenso na CCJ. Ninguém diminuía a importância de Zilda Arns, brasileira indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 1999, mas muitos se mostravam incomodados com a retirada do nome de um político de uma obra. Durante as discussões, houve exemplos – críticos ou elogiosos – de pontes no Piauí e em Santa Catarina com dois nomes: cada sentido da via para um cacique local. “Há certamente novas rodovias, novas obras que serão construídas em Santa Catarina e a que, de forma consensual, o nome da Zilda Arns poderia ser definido. Se começarmos a abrir aqui um precedente de ratear uma rodovia, uma estrada, para homenagear vários nomes, vai se criar, além de uma atitude desagradável, até um conflito para quem vai pegar o endereço”, protestou o deputado Mainha (SD-PI).

José de Andrade Maia Filho, o Mainha, é filho de José de Andrade Maia, que foi prefeito de municípios do Piauí e suplente de senador. Em Itainópolis, a herança paterna na prefeitura garantiu a Mainha o início da carreira política, em 1996, quando também se elegeu prefeito do município, aos 22 anos. Mas, justiça seja feita, ele não foi o único membro da CCJ a protestar, o que levou ao adiamento da apreciação do projeto. Deputado mais votado na Paraíba em 2014, aos 25 anos, Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), filho do ex-governador e hoje senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), foi um dos que também se posicionaram contra a medida.

A discussão ilustra um mecanismo muito antigo da política nacional e especialmente significativo na atual legislatura na Câmara. De teor fortemente conservador, ela é também a que possui maior porcentual de deputados com familiares políticos desde as eleições de 2002. Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) publicado no segundo semestre de 2015 analisou os 983 deputados federais eleitos entre 2002 e 2010 para concluir que, no período, houve um crescimento de 10,7 pontos percentuais no número de deputados herdeiros de famílias de políticos, atingindo 46,6% em 2010 – número próximo aos 44% encontrados pela Transparência Brasil no mesmo ano.

Logo após a última disputa eleitoral, a ONG divulgou outro levantamento que concluiu que 49% dos deputados federais eleitos em 2014 tinham pais, avôs, mães, primos, irmãos ou cônjuges com atuação política – o maior índice das quatro últimas eleições.

Atualmente, o estado que ilustra melhor o poder das dinastias nas eleições é o Rio Grande do Norte, onde 100% dos oito deputados eleitos se encaixam no perfil das pesquisas. A lista contempla Fábio Faria (PSD), filho do atual governador do estado, Robinson Faria (PSD); Felipe Maia (DEM), filho do senador José Agripino (DEM); Antônio Jácome (PMN), pai de Jacó Jácome (PMN), eleito deputado estadual em 2014 aos 22 anos; Rogério Marinho (PSDB), neto do ex-deputado federal Djalma Marinho (UDN, Arena, PDS); Zenaide Maia (PR), esposa do prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PR); Walter Alves (PMDB), de um dos clãs mais tradicionais do estado, com ex-ministros, ex-governador e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB); Rafael Motta (PSB), filho do deputado estadual Ricardo Motta (Pros); e Betinho Segundo (PP), da família Rosado, que domina a segunda maior cidade do estado, Mossoró, é neto de governador e bisneto de intendente – nome que se dava aos prefeitos até 1930.

José Bonifácio, o Patriarca da Independência, é o nome mais famoso do clã Andrada, família que está no Congresso há 190 anos]

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E os elos familiares com o poder podem ser, em alguns casos, ainda mais antigos. A descendência de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), por exemplo, se sucede em postos nas estruturas de poder desde o período colonial e conta, até hoje, com um representante na Câmara, o deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), no décimo mandato consecutivo.

Coordenador do levantamento que analisou as três primeiras eleições deste século, o professor de ciência política da UnB Luis Felipe Miguel observa que em diversas áreas é comum que os filhos sigam a carreira dos pais. O problema no caso da política é que ela não deveria ser considerada uma profissão. “Na política, isso é mais sério, pois ela deveria ser uma atividade aberta a todos os cidadãos”, diz. Diferentemente de outras áreas, continua o professor, nem sempre há isso de os filhos se aproximarem pela familiaridade com as profissões dos pais. “Há, sim, estratégias das próprias famílias para manter os espaços de poder, com filhos ou parentes que são muitas vezes empurrados para ocupar essas posições, quem sabe até contra as próprias inclinações. Isso é sim ruim pra democracia.”

Para Miguel, as estratégias de manutenção dos clãs no poder acabam por torná-los uma espécie de empreendimento – uma vez que a política também é vista em muitos casos como forma de enriquecimento pessoal –, com projetos bem definidos para a ocupação até mesmo de espaços que credenciam para a disputa eleitoral. Um exemplo é a carreira de Paulo Bornhausen (PSB-SC), filho do ex-governador e cacique do DEM catarinense Jorge Bornhausen. “O Paulo, que seria o herdeiro, foi deputado estadual, federal, candidato a senador [derrotado em 2014], mas antes de ser lançado candidato ele ocupou durante alguns anos um programa de rádio de apelo popular numa rádio de bastante audiência de Florianópolis”, explica Miguel.

Para o professor da UnB, como o processo eleitoral brasileiro é marcado pela desinformação e despolitização, pontos como o discurso e as propostas dos candidatos e mesmo a reputação ou a probidade do familiar que pede os votos não fazem diferença. “O que as famílias políticas controlam e legam na verdade são os contatos com financiadores, com controladores de currais eleitorais, com uma teia de apoiadores que disputam outros cargos, esse savoir-faire e esses recursos que dão aos herdeiros uma série de vantagens nas disputas eleitorais”, explica Miguel.

Conservadorismo

Nas eleições de 2002, 2006 e 2010, a diferença do número de beneficiados pelo parentesco na direita e na esquerda aumentou. Os herdeiros conservadores ampliaram a margem numérica sobre os progressistas, antes de 13 pontos percentuais, para quase o dobro (22,5 pontos porcentuais) em 2010, acompanhando o progressivo aumento de bancadas como a ruralista e a evangélica na Câmara no mesmo período. Em 2014, segundo uma análise feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), os brasileiros elegeram o Congresso Nacional mais conservador desde 1985 – o que acabou resultando, em 2015, no avançar de pautas como a redução da maioridade penal, o Estatuto da Família e a revogação do Estatuto do Desarmamento, todas na Câmara.

Para Ricardo Costa Oliveira, cientista político e sociólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os elos de parentesco “são um fenômeno social e político do atraso” e estão intimamente ligados ao conservadorismo. “É uma relação direta. A maioria dos deputados federais com menos de 40 anos é de família política. Eles herdam não só o capital, mas a visão de mundo e as pautas conservadoras. Assim, temos jovens que defendem o que os avôs já defendiam”, explica. Em 2010, segundo o estudo da UnB, mais da metade (52,1%) dos deputados que ocuparam na Câmara o primeiro cargo público da carreira tinham o capital político familiar como herança. E, em 2014, apenas 15% dos deputados que chegaram à Câmara com até 35 anos não receberam o empurrãozinho de um sobrenome político, segundo a Transparência Brasil.

“Historicamente essas dinastias políticas tendem a se formar mais à direita do que à esquerda. Aqueles que ocupam posições na elite política pertencem aos segmentos privilegiados da sociedade, estão numa posição de elite, com as vantagens materiais e simbólicas associadas a isso, e quem ocupa essas posições tem mais incentivos para ser conservador”, analisa Miguel. Quando as novas gerações tentam se adaptar aos novos tempos, em geral não fazem nada mais do que modernizar velhos discursos. “Vamos supor que em 2018 elejamos uma Câmara mais arejada, mais progressista. Ela não terá metade dos integrantes oriundos de famílias políticas, como é hoje.”

Mais que isso, o sistema eleitoral e político é estruturado de tal forma que muitos partidos novos acabam se moldando ao modo de funcionamento das velhas oligarquias. “O perfil de representação parlamentar petista, por exemplo, mudou muito. As primeiras bancadas eram compostas em grande parte por lideranças vindas diretamente dos sindicatos. Depois, chegou o padrão de carreira eleitoral mais gradativa – com eleições sucessivas de um candidato a vereador, depois deputado estadual e federal. E já começam a surgir famílias políticas no PT.”

Entre as dinastias que começaram a se organizar no partido nas últimas décadas estão a dos irmãos Viana, no Acre, Jorge – duas vezes governador e hoje senador – e Tião, recém-reeleito para o governo estadual; do clã paulista dos Tatto, com Jilmar, Ênio, Arselino, Jair e Nilto, que acumulam cargos como vereadores, deputados estaduais e federais; dos Dirceu, com o ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR) e hoje deputado federal Zeca Dirceu, filho de José Dirceu, nome histórico do PT e condenado por integrar o núcleo político do mensalão; os Genro, com o ex-governador gaúcho Tarso Genro e a filha Luciana, que migrou para o Psol; os irmãos José Genoino, ex-deputado federal e ex-presidente da sigla, condenado no mensalão, e José Guimarães (CE), líder do governo federal na Câmara; e os Lula, com a neta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bia Lula, na secretaria de juventude do PT em Maricá (RJ).

Na Câmara, ainda de acordo com o levantamento da Transparência Brasil, o Nordeste encabeça a lista das regiões com mais herdeiros (63%), seguida pelo Norte (52%), Centro-Oeste (44%), Sudeste (44%) e Sul (31%). No Senado, entretanto, Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão à frente (67%), seguidos pelo Nordeste (59%) e Centro-Oeste (42%). “Esse é um fenômeno nacional. Tenho um doutorando pesquisando o poder no Paraná. Acham que aqui, como o estado é novo, de imigração europeia, poderia ser diferente; mas constatamos a mesma estrutura hereditária de mandonismos familiares que vemos na Paraíba ou no Maranhão”, comenta o professor Ricardo Oliveira, da UFPR.

Apesar de se evidenciar em locais de difícil acesso a posições eleitorais privilegiadas por outros meios – como a mídia, os sindicatos e as igrejas –, os índices de parentesco no Senado mostram que a transferência de votos entre familiares é um fenômeno generalizado. “Nos Estados Unidos, onde o sistema eleitoral é por voto distrital, as taxas de reeleição são altíssimas, na casa dos 90%. É muito frequente, quando um deputado morre, a vaga ser ocupada pela viúva. Também lá, tivemos pai e filho na Presidência nos últimos 30 anos [George H. W. Bush e George W. Bush] e agora uma candidata [Hillary Clinton] que é esposa de outro ex-presidente”, observa Miguel. Para o pesquisador, as dinastias se enfraquecem onde os debates são mais programáticos, como em algumas democracias europeias, embora também lá as famílias contribuam, em menor escala.

Tentáculos

Estudioso de genealogia e poder há duas décadas, Oliveira diz que a oligarquização da política se reflete não só no Congresso Nacional, mas em assembleias estaduais, câmaras de vereadores, nos poderes Executivo e Judiciário e na mídia. “Aí você fecha o cerco. É aquela rádio no interior onde você [o candidato] tem a sua base garantida”, diz. O estudo coordenado por Luis Felipe Miguel, da UnB, constatou que, entre 2002 e 2010, um em cada quatro dos eleitos (23,6%) que tinham parentes políticos apresentava vantagem também no capital midiático, quase 50% a mais do que entre aqueles sem elos familiares (16,5%).

Como esse cenário atinge todas as esferas de poder da sociedade, o professor da UFPR não crê em mudanças senão no longo prazo. “Precisamos rediscutir o sistema político e partidário. Escrevi há 20 anos que haveria essa concentração de poderes familiares”, afirma. Miguel defende como mais necessárias mudanças em dois dos principais sustentáculos da política e do modo de praticá-la pelas dinastias. “A sua relação com o poder econômico – não só o financiamento eleitoral de campanha [derrubado pelo Supremo Tribunal Federal e que já deixa de valer para os pleitos municipais de 2016], mas também os lobbies e a corrupção – e a questão dos meios de comunicação de massa. Se a gente não mexer nisso, podemos virar o sistema eleitoral do avesso que os grandes eixos de enviezamento e manipulação estarão presentes”, diz.

Étore Medeiros, da Agência Pública

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Policial usa viatura como veículo particular

Policial usa viatura como veículo particular (Foto: Via WhatsApp)

Enquanto a população de Belém e Região Metropolitana cada vez mais reclama de insegurança, uma viatura da Polícia Militar (PM) é vista constantemente em um condomínio Vitória Maguari, na estrada do Maguari, em Ananindeua. Segundo o autor da denúncia, o fato se repete há cerca de um mês.

“Isso é injusto com o contribuinte, que paga os gastos desse carro diariamente para ser usado em benefício próprio de um particular agente público que se acha no direito de fazer isso, isso é crime trata-se de peculato. Fico extremamente irritado com isso”, desabafou.

O veículo está registrado como "especial" (por ser viatura) e já possui duas infrações para serem pagas. Imagem: Reprodução
O veículo está registrado como “especial” (por ser viatura) e já possui duas infrações para serem pagas. Imagem: Reprodução

Ainda de acordo com o denunciante, nos dias de folga (em geral aos finais de semana), o carro fica dois dias seguidos parado no local, o que sugere que seria utilizada não pela corporação, mas sim pelo próprio policial.

Em nota, a Polícia Militar justificou que a viatura foi empregada no policiamento da partida entre Paysandu e Paragominas, na noite de ontem (1º), permanecendo na atividade operacional até por volta da 00h30 desta terça-feira (02), quando foi autorizada, por medida administrativa, a pernoitar fora da unidade de origem. Segundo a PM, a viatura voltou a ser utilizada em ações regulares na manhã de hoje.

(DOL)

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SBT fecha janeiro vice-líder de ibope em todo o país

O SBT começou 2016 à frente da rival Record em audiência, e em praticamente todas as faixas horárias. A emissora de Silvio Santos registrou 5,2 pontos de média no Painel Nacional de Televisão, contra 4,7 pontos da Record. Os dados, consolidados, se referem à medição das 24 horas.

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Foto-Divulgação/SBT     Emissora de Silvio Santos ficou à frente da Record em quase todas as faixas de horário
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Emissora de Silvio Santos ficou à frente da Record em quase todas as faixas de horário

Cada ponto de audiência no PNT equivale a quase 240 mil domicílios, tendo cada um em média 3,3 habitantes (baseado em dados atualizados do Censo).

O SBT está portanto com 12% mais público que a Record. A Globo lidera com certa folga, com 12,8 pontos de média no país. A Band ficou em quarto lugar, com 1,5 pontos.

O SBT fica à frente da rival Record em todas as faixas: das 6h às 12h, tem 3,8 pontos contra 3,5; das 12h às 18h marca 6,8 pontos contra 6,3 da Record; na faixa nobre, a mais importante, o SBT tem 7,7 pontos e a concorrente, 7,5 pontos.

Na madrugada a distância proporcional entre SBT e Record é a maior: 2,6 pontos contra 1,4 ponto.

O horário nobre foi o destaque da emissora de Silvio: cresceu 34%.

Em 2014, o SBT também ficou à frente da Record, em segundo lugar isolado no país.

Ricardo Feltrin, 51, é colunista do UOL, onde apresenta o programa Ooops! às segundas. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros.

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Jatene expõe na Alepa avanços do Pará

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 O governador do Estado do Pará, Simão Jatene, esteve na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), ontem pela manhã, onde cumpriu o preceito constitucional de prestar contas à sociedade dos atos do Executivo no ano passado e apresentar as metas para este ano. Para comprovar os avanços do Estado, ele comparou números, serviços e estatísticas entre 2011 e 2015.

Jatene esclareceu que optou por fazer paralelos a fim de que fosse possível que se entendesse ”porque num ano de turbulências políticas, escalada inflacionária, recessão econômica, aumento do desemprego, crise generalizada, pessimismo e incertezas, foi possível realizar, mesmo num quadro tão difícil, evitando que tudo fosse pior”.

O governo investiu R$ 1,840 bilhão na área de saúde, o que corresponde a 13,66% da receita líquida estadual; acima da exigência constitucional que é de 12%. Também R$ 2,3 bilhões, na área da educação básica, entre recursos provenientes do Tesouro Estadual, do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e de convênios. Os gastos com a segurança pública alcançaram R$ 2,3 bilhões, em 2015.

Jatene observou uma contradição dramática no cenário nacional, a de que o povo brasileiro está mais pobre, e empobrecido torna-se mais dependente das esferas de governos, que, por sua vez, têm menos receitas para responder às demandas crescentes da sociedade. Em uma hora e 53 minutos, ele abordou os investimentos nas áreas de logística e infraestrutura, no Banco do Estado do Pará (Banpará) e ainda nos setores de segurança, educação, cultura, saúde e desenvolvimento social e econômico do Estado.

Ele citou pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) para exemplificar os esforços do Estado na busca da integração do território paraense. Ele afirmou que, em 2011, só 0,4% das rodovias no Pará receberam avaliação positiva, ou seja, bom ou ótimo. Entretanto, em 2015, as estradas avaliadas positivamente saltaram para 23,3%, “o que é algo nada desprezível, ainda que provavelmente alguém sem compromisso, a não ser com a velha política, possa tentar desfazer tal ganho se fixando no fato do número representar apenas ¼ das estradas”, observou Jatene.

Por outro lado, defendeu ele, se forem separadas as avaliações das estradas estaduais, as chamadas PAs, e das rodovias federais (BRs), a pesquisa da CNT aponta que 42,5% das PAs foram consideradas ótimas ou boas, enquanto apenas 18% das BRs receberam essa avaliação.

“Nenhuma estrada estadual foi considerada péssima, enquanto 21,7% das rodovias federais tiveram essa negativa. Esses números não são do Estado, são da Confederação Nacional dos Transportes”, frisou Jatene, citando que o Estado investiu fortemente em mais de mil quilômetros de rodovias estaduais com restauros ou até reconstruções, a exemplo da PA-150, uma das mais importantes rodovias do Pará, que integra as regiões sul e sudeste e o nordeste e a Região Metropolitana de Belém (RMB).

O governador falou da entrega da ponte do Moju e das pontes de Igarapé-Miri, no Baixo Tocantins; do rio Capim, no nordeste; e do rio Curuá, em Alenquer, no Baixo Amazonas, que somam quase 1.500 metros e mais de R$ 300 milhões de investimentos.

No modal hidroviário, foram destaques os investimentos no Terminal Hidroviário de Belém, que já contabiliza cerca de 600 mil passageiros em mais de 1.500 viagens, bem como no Terminal de Itaituba. Outros terminais hidroviários serão criados no Estado dentro de “um programa que pretendemos levar em frente com a operação de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cuja autorização foi aprovada por esta Casa’’, disse Jatene.

A modernização e ampliação do Banpará também foram destaques. O banco saltou de 40 pontos de atendimento em 2011 para 92 (agências e postos de serviço). A rede hospitalar regional também foi ampliada. Há 12 anos, só havia um hospital público em Belém de alta complexidade. “Hoje temos em Ananindeua, Marabá, Santarém, Altamira, Redenção, Breves, Paragominas e Tailândia. E ainda nesse mandato, teremos os novos hospitais de Itaituba e Castanhal, sem falar na reconstrução de unidades como as de Abaetetuba e Barcarena, que apesar dos atropelos, esperamos concluir ainda este ano’’, garantiu o governador.

Na RMB, ele ainda enfatizou o funcionamento já agregado à rede pública da nova Santa Casa, do Jean Bitar e do Galileu, e mais recentemente, do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, que assiste crianças e adolescentes, com 98 leitos, sendo 10 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Estamos avançando em Icoaraci na construção do novo Abelardo Santos, com 280 leitos, que deverá ser concluído este ano’’, disse o chefe do Executivo.

Presidente da Alepa, o deputado Márcio Miranda (DEM) presidiu a sessão solene, cuja mesa de honra contou com as presenças do vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado(TJE), desembargador Ricardo Nunes; do procurador-geral do Ministério Público Estadual (MPE), procurador Marcos Antônio Ferreira das Neves; do presidente do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) em exercício, conselheiro Sérgio Leão; do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Luís Cunha, e ainda do segundo presidente da Mesa Diretora da Alepa, deputado Cássio Andrade (PSB). Também prestigiaram a cerimônia, deputados e secretários estaduais e outras autoridades.
O Liberal Digital!

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Jovem de Santarém é aprovada em cinco faculdades

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Foto: Arquivo pessoal-Lara Carvalho Duarte também se inscreveu no Processo Seletivo da Ufopa. Jovem estudava em colégio público e terminou o ensino médio em 2015

Ingressar na faculdade é o sonho de muitas pessoas, mas ser aprovado em cinco cursos vai além do esperado. Em Santarém, no oeste do Pará, a estudante Lara Carvalho Duarte, de 17 anos, passou em cinco processos seletivos. A jovem terminou o ensino médio em 2015. Estudante de colégio público, ela enfrentou uma greve de professores que durou quase 3 meses, mas ela garantiu que isso não foi empecilho para se dedicar aos estudos.

Lara fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2015. Na redação fez 920 pontos. Juntamente com as notas das demais disciplinas ela conseguiu ficar em primeiro lugar no curso de educação física na Universidade do Estado do Pará (Uepa), em segundo lugar no curso de artes cênicas na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), onde foi aprovada por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu); quinto lugar em arquitetura e urbanismo, no Centro Universitário Luterano de Santarém (Ceuls), garantindo a vaga por meio do Programa Universidade Para Todos (ProUni); na universidade particular Instituto Esperança de Ensino Superior (Iespes) ela foi aprovada em psicologia; e ainda foi aprovada no curso de Letras pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém.

Mesmo com tantas aprovações, a jovem não para, assim que abriram as inscrições do Processo Seletivo da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) ele fez a inscrição. Como primeira opção, ela marcou o curso de direito e segunda opção, o curso de Farmácia e aguarda a divulgação do resultado. A primeira chamada está prevista para o dia 10 de março.

Lara revelou ao G1 a estratégia para obter um bom desempenho. “Eu sempre busquei a alternativa de estudar sozinha. Mesmo com a greve dos professores, isso não me impedia de aprender. Recebi meus livros didáticos, estudava em casa, acessava os conteúdos disponíveis na internet. Quando encerrou a greve dos professores, eu tirei todas as dúvidas em sala de aula. Eles sempre estavam dispostos. Para quem quer estudar, não existe desculpa”.

Foto: Aritana Aguiar (G1 Santarém)Foto: Aritana Aguiar (G1 Santarém)

Apesar da dedicação aos estudos, Lara se surpreendeu com o resultado. “Eu fiquei surpresa sim, mas foi como forma de gratidão, porque algo que eu plantei está sendo colhido”, declarou.

A estudante contou que gosta de escrever muito e língua portuguesa é a disciplina favorita. Ela acrediata que talvez isso justifique o bom desempenho que obteve na redação do Enem. Apesar de não gostar das matérias de exatas, ela sempre se esforçou para aprender.

O apoio da família foi fundamental, segundo a estudante. “Eles sempre disseram que eu tinha que passar no vestibular”, contou ao garantir que essas palavras davam força para continuar estudando.

Sonho de medicina

Apesar da diversidade de opção de curso, nenhum deles Lara irá cursar, ela sonha em fazer medicina. “Eu achava que minha média seria insuficiente para medicina, mas na verdade na Ufam [Universidade Federal do Amazonas], daria para ter passado, infelizmente não me inscrevi. Já chorei bastante por isso”, lamentou

A estudante revelou ao G1 que antes pensava em escolher um dos cursos onde foi aprovada. Com as várias aprovações, ele recebeu apoio de um professor para tentar medicina, e por meio dele conseguiu uma bolsa de 50% em um cursinho pré-vestibular. “Então decidimos em família que eu iria estudar para tentar o curso”.

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Vaccari fica calado em depoimento à CPI dos Fundos de Pensão

Ex-tesoureiro do PT foi chamado para explicar denúncia no fundo Petros.
Avião da PF que levou Vaccari para Brasília atrasou devido a mau tempo.
Convocado a prestar depoimento à CPI dos Fundos de Pensão nesta quarta-feira (3), o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto decidiu ficar calado e não responder a nenhuma pergunta dos parlamentares da comissão. A decisão já havia sido informada ao G1 pelo advogado dele, Flávio D’Urso.

Inicialmente previsto para as 10h desta quarta, o depoimento de Vaccari à CPI só teve início às 13h30. Preso em Curitiba (PR) na Operação Lava Jato, ele foi levado a Brasília em um avião da Polícia Federal que, em razão do mau tempo de manhã na capital paranaense, não conseguiu decolar no horário previsto.

O ex-tesoureiro petista chegou à Câmara dos Deputados volta das 13h, escoltado por policiais federais e não falou com a imprensa.

O depoimento de Vaccari foi autorizado pela comissão após um dos depoentes da CPI, o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa ter afirmado, em depoimento no ano passado, que Vaccari está “por trás” de um acerto de propina que envolve o Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras.

Investigadores da Operação Lava Jato apontam Vaccari como o operador responsável por obter recursos para o o PT por meio do esquema de corrupção. Desde que as denúncias começaram a surgir, a sigla e a defesa dele têm negado irregularidades e dito que as doações partidárias foram todas legais e devidamente informadas à Justiça Eleitoral.

Mais cedo, o advogado de Vaccari, Flávio D’Urso, informou ter solicitado na semana passada à CPI que desmarcasse a sessão desta quarta em razão da decisão do ex-tesoureiro do PT de ficar calado, mas a comissão negou o pedido. “Para mim, não fazia sentido o Vaccari vir de Curitiba para Brasília para ficar calado”, disse.

Em resposta, o presidente da CPI, Efraim Filho (DEM-PB), disse que a comissão não poderia deixar questioná-lo sobre suposto tráfico de influência dele em fundos de pensão, mesmo com a decisão.

“Nunca vi ninguém vir aqui, ficar sentado, calado e ser inocente. Nunca vi ninguém vir aqui e não se defender, ser inocente. Quem veio para ficar calado é porque tinha culpa. O relatório final [da CPI dos Fundos de Pensão], não tenha dúvidas, analisará este seu silêncio como uma presunção de culpa muito forte”, acrescentou o presidente da CPI.

A sessão
Ao longo de cerca de duas horas e meia, Vaccari foi questionado por dez deputados e afirmou, por 21 vezes, que iria se manter em silêncio.

Sempre antes de se pronunciar, ele consultava seu advogado, Flávio D’Urso. Eles mantiveram conversas de pé de ouvido diversas vezes no plenário.

Todas as vezes que um deputado se dirigia ao ex-tesoureiro do PT, Vaccari o olhava e não esboçava reações.

No meio da sessão, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPI, se dirigiu a Efraim Filho e pediu que não permitisse ofensa à honra de Vaccari.

“Ele [Vaccari] veio com um habeas corpus que conseguiu no STF que lhe concedeu o direito de ficar calado. Ele é uma pessoa que está sendo investigada e que ainda não foi julgada, não foi condenada. Qualquer pessoa que estiver aqui, não pode receber ofensa à sua honra”, declarou Teixeira. “Não somos um tribunal de boteco”, acrescentou.

O presidente da CPI, Efraim Filho, encerrou o depoimento ao dizer que, a pedido da PF, a presença de Vaccari na comissão deveria ser encerrada por volta das 15h45 desta quarta, em razão do voo de volta do ex-tesoureiro do PT a Curitiba (PR), onde ele está preso.

Manifestantes
Cerca de 20 pessoas ligadas ao fundos de pensão Funcef (Caixa Econômica Federal) e Postalis (Correios) acompanharam a sessão.

Todas as vezes em que Vaccari dizia que não se pronunciaria, eles o vaiavam. O grupo também deixava a sala sempre que um parlamentar do PT pedia a palavra.

Quando o deputado Paulo Teixeira pediu que a honra de Vaccari não fosse atacada, as pessoas se viraram de costas para ele e o vaiaram também.

Nos momentos em que o presidente da CPI se dirigia ao ex-tesoureiro do PT e o criticava por ter ficado calado, esses manifestantes o aplaudiam.
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Por
Filipe MatosoDo G1, em Brasília

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