Rede Globo se irrita com Neymar, que volta a mostrar descontrole
Parece que ser eleito capitão da seleção brasileira não fez bem a Neymar. O jogador mostrou descontrole na função de líder no segundo escorregão em dois jogos na Olimpíada. Visivelmente irritado depois do Brasil 0 x 0 Iraque, o craque do Barça fez o treinador Rogério Micale e o experiente meia Renato Augusto darem explicações no Estádio Mané Garrincha.Essa atitude criou problemas pós-jogo com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos da seleção brasileira e também da Olimpíada.
Ele foi o primeiro a sair do gramado e foi seguido por todos os jogadores do Brasil após o empate, segundo o UOL. Neymar ignorou pedidos de comissários da Rio-2016 para que cumprisse o protocolo de atender emissoras na saída do gramado. O direito de estar ali é pago pela emissora à organização, o que gerou reclamações para a CBF. A entidade, entretanto, não tem acesso ao campo durante os jogos.
A irritação de Neymar continuou até o vestiário. Antes mesmo de Micale deixar o espaço para atender a imprensa, o capitão se dirigiu rapidamente ao ônibus da seleção, voltou a evitar os jornalistas e quis logo deixar o local.
A torcida do Brasil também não aliviou. Vaiou o time, elegeu Renato Augusto como vilão e provocou Neymar, que ouviu gritos de “Marta” em alguns momentos que tocou na bola. Na medida em que as vaias cresceram, o psicológico do jogador parece ter sido abalado já que o segundo tempo foi marcado pelo fraco desempenho do atleta e marcado por erros.
Jogador mais velho do elenco, Renato assumiu o papel de se explicar pelo resultado ruim e falou sobre Neymar. “Ele está tranquilo. Quando a vitória não vem, a responsabilidade cai nele, em mim também por ser mais velho. Ele tem momento dele como ser humano, às vezes quer ficar sozinho. É o momento da gente apoiar a ele também”, explicou o meia do Beijing Guoan-CHN.
Notícias ao Minuto
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Boxeador preso por suspeita de estupro é transferido para Bangu
Jonas Junias Jonas, de 22 anos, tentou beijar camareira, informa polícia.
Treinador, que não teve o nome divulgado, estava no quarto e viu a cena.
A delegada Carolina Salomão, da 42º DP (Recreio), afirmou nesta segunda-feira (8) que o treinador do pugilista da Namibia Jonas Juniu Jonas, preso suspeito de estupro, estava no quarto e não tentou impedir o crime. Segundo a delegada, o pugilista já foi levado para um presídio em Bangu, na Zona Oeste.
“A vítima alega que o treinador dele estava no quarto, viu a abordagem e não chamou a atenção dele. Nem fez nada para coibir. O treinador teria visto, mas não deve responder como coautor. Mas o mínimo que ele deveria ter feito é ter reprimido”, afirmou Salomão.
“É um desrespeito às leis e às mulheres brasileiras”, declarou. O atleta de 22 anos foi preso no domingo (7) por volta de 17h.
O treinador, cujo nome não foi divulgado, ainda será ouvido pela polícia. Junius foi reconhecido por foto e depois pessoalmente pela camareira. “Ela limpava outro cômodo, ele a agarrou por trás e deu um beijo no pescoço”, declarou a delegada. Salomão explicou ainda que, depois de se soltar do suspeito, a camareira relata ainda que o atleta fez gestos de atos sexuais e ofereceu dinheiro.
O caso envolvendo o boxeador, que foi porta-bandeira de seu país na cerimônia de abertura da Olimpíada, ocorreu menos de uma semana após um atleta marroquino ter sido preso suspeito do mesmo crime na Vila Olímpica.
De acordo com o Código Penal, o crime de estupro se configura se o autor forçar a vítima a ter conjunção carnal, praticar ato libidinoso (qualquer um que vise prazer sexual) ou obrigar a vítima a permitir que se pratique ato libidinoso com ela. Portanto qualquer ato com sentido sexual praticado sem consentimento é considerado estupro. Entenda o que diz a legislação brasileira sobre o crime.
A embaixada da Namíbia afirmou que, por enquanto, não vai se pronunciar sobre o assunto. O Comitê do Rio 2016 afirmou se tratar de uma investigação policial e disse que vai acompanhar o caso.
Marroquino preso
Na última sexta-feira (5), o pugilista marroquinho Hassan Sada foi preso suspeito de estuprar duas camareiras na Vila dos Atletas. O atleta negou ter cometido o crime.
A polítia informou que Sada chamou as duas camareiras como se quisesse pedir uma informação. Quando elas entraram no quarto para ver o que ele queria, o boxeador as atacou.
Após a prisão, a delegada Carolina Salmomão, da 42ª DP, afirmou: “A gente espera que sirva de exemplo. Para nós, mulheres, é um desrespeito muito grande. Independente da cultura, a lei é o que vale. Pode andar com mais roupa, menos roupa. Há alguns boatos de que houve outros casos na Vila Olímpica”.
Gabriel BarreiraDo G1 do Rio
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Ágatha e Bárbara vencem dupla da Argentina por 2 sets a 0
Xô, catimba! Ágatha/Bárbara supera provocação e atropela dupla argentina
Campeãs do mundo, brasileiras desbancam Gallay/Klug, que venceu o Pan de Toronto em 2015, por 2 a 1, e chegam à segunda vitória na Olimpíada do Rio de Janeiro
Por Gabriel Fricke e Lucas BarrosRio de Janeiro, RJ
Elas são as primeiras e únicas argentinas até hoje a conquistarem uma medalha de ouro no vôlei de praia. Ana Gallay e Georgina Klug conseguiram o feito em 2015 nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá. A Argentina não tem tradição nenhuma na modalidade. Mas elas têm uma receita: a catimba tem ajudado a dupla. Hoje não. Campeãs do mundo na Holanda no ano passado, Ágatha e Bárbara Seixas atropelaram as hermanas. O primeiro set foi um show, que terminou com parcial de 21/11. O segundo foi mais parelho, mas também tranquilo: 21/17. Assim, a parceria do Brasil chega ao segundo triunfo em dois jogos, ou seja, 100% de aproveitamento e está com um pé nas oitavas de final. No próximo jogo, elas enfrentam Baquerizo e Fernández, da Espanha, na quarta-feira, às 17h 30 (de Brasília), para sacramentar a classificação.
Gallay e Klug são conhecidas pelo estilo provocador dentro de quadra. Quando as rivais vão para o serviço, elas ficam apontando, batem no peito, abrem os braços e chamam as adversárias. Nas comemorações, fazem um verdadeiro drama: se abraçam, cerram os punhos, gritam demais. Deu certo no Pan, mas não na Olimpíada contra as brasileiras que, mais uma vez, foram abraçadas pela torcida local.
A provocação argentina atingiu os fãs brasileiros, que não perdoaram, provocando Maradona e exaltando Pelé com a música que ficou célebre nas arquibancadas na Copa do Mundo em referência aos 1.000 gols do Rei do Futebol. Ao fim do jogo, na zona mista, ela conversou com os jornalistas. Gallay ironizou e falou que nem ouviu as provocações da torcida brasileira. Mesmo assim, se disse emocionada em jogar no Rio.
– Estou encantada em jogar na praia de Copacabana e estou muito contende de estar aqui – resumiu a jogadora argentina.
Barbara Seixas fez o primeiro ponto do jogo. Mas as argentinas conseguiram abrir 3 a 1. Um grupo de hermanos tentou fazer barulho. A torcida do Brasil vaiou muito e deu o troco na provocação. O incentivo fez toda diferença, e Ágatha e Bárbara conseguiram reagir fazendo 5 a 4. Com largadinhas decisivas para pontuar, elas administraram a vantagem e chegaram a abrir 10 pontos de diferença: 19 a 9. As brasileiras então fecharam o set com uma bola de Bárbara no fundo de quadra: 21/11.
No segundo set, Gallay e Klug conseguiram iniciar com o ritmo do começo do primeiro set. Abriram três pontos de vantagem: 8 a 5. Para não deixar cair o ritmo de Ágatha e Bárbara Seixas, a torcida incentivou, provocando de novo as hermanas. Elas sentiram. Babi empatou o jogo com um ace (a arma foi bastante usada no primeiro set: foram cinco): 9 a 9. A virada foi com um ataque da paranaense Ágatha e com pontos de saque da carioca: 12 a 9. O jogo ficou equilibrado, e as hermanas empataram: 15 a 15. Mas as brasileiras impuseram o domínio de atuar em casa e bateram as adversárias por 21/17 com um ponto de saque de Barbara fechando.
Confira os jogos da manhã desta segunda-feira:
Fase de grupos (F) – Ferrer / Dépré (SUI) 2 (19-21, 21-16 e 21-19)x 1 Del Solar / Laird (AUS)
Fase de grupos (M) – Losiak/Kantor (POL) x Liamin/ Barsouk (RUS)
Fase de grupos (M) – Herrera/Gavira (ESP) x Jefferson/Cherif (QAT)
G1
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Detentos fogem de complexo penitenciário em Santa Izabel do Pará
A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) registrou na tarde de domingo (7) a fuga de nove detentos do Complexo Penitenciário de Santa Izabel do Pará, na região metropolitana de Belém. Cinco internos foram recapturados ainda durante o domingo e quatro seguem foragidos até a manhã desta segunda-feira (8).
Segundo a Susipe, nove detentos usaram uma “teresa” para pular o muro de segurança do pavilhão 2 do Centro de Recuperação Penitenciário Pará II (CRPP II), localizado no complexo prisional, e tentaram fugir pela mata. Cinco presos foram recapturados por policiais militares ainda dentro da área do complexo.
Os quatro detentos foragidos foram identificados como Amaury dos Santos Lima, Fábio Moraes Sacramento, Esmael Bezerra Almeida e Bruno Rodrigo Vilhena Santos
A Susipe informou que providenciou uma revista estrutural no presídio e a corregedoria da superintendêcia vai abrir uma sindicância administrativa para apurar o caso. A PM segue com as buscas pelos foragidos na região. Os detentos recapturados foram encaminhados para a Delegacia e vão cumprir medidas disciplinares.
G1PA
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No Pará, preço do café acumula alta de 11% neste ano, diz Dieese
O hábito cotidiano de manter à mesa o café da manhã vem pesando no bolso dos paraenses diante dos sucessivos aumentos nos preços dos alimentos. O pão, a manteiga e o leite foram alguns dos itens que, só neste primeiro semestre, sofreram reajustes acima da inflação, e desta vez, o café é o novo produto a acumular alta.
De acordo com pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) nesta segunda-feira (8), em Belém, o preço do café comercializado nas padarias e supermercados da capital sofreu alta acumulada de 11% nos últimos sete meses.
Segundo cálculo do Dieese, para garantir o consumo mensal do cafezinho, calculado em torno de 300 gramas, os paraenses precisaram trabalhar pelo menos uma hora e vinte e sete minutos.
Em janeiro deste ano, o quilo do produto podia ser encontrado a R$ 17,75 , e em junho já estava sendo comercializado, em média, a R$ 19,33. No mês passado chegou a custar, em média, R$ 19,43 o quilo.
G1PA
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Veja a agenda dos Jogos Olímpicos desta segunda
Nesta segunda-feira (8), o calendário olímpico está cheio de decisões. A natação e a ginástica masculina terão suas finais. A brasileira Larissa Oliveira estará na disputa para ir para as finais dos 200m livres, ela entra na piscina às 13h. Manuella Lyrio, Kaio Almeida, Leonardo de Deus e Joanna Maranhão também irão nadar hoje.
Os olhos dos brasileiros estarão vidrados nos meninos da ginástica artística. A partir das 16h, a seleção brasileira fará uma final histórica, as disputas começam às 16h.
Os judocas brasileiros também sobem no tatame logo mais às 10h. Rafaela Silva compete na categoria até 57kg e Alex Pompo na categoria até 73kg.
Às 11h, a dupla Aghata e Bárbara enfrentam as argentinas Ana Gallay e Georgina Klug, no vôlei de praia. À tarde, a seleção de handebol feminino joga contra a Romênia, às 16h40. O basquete feminino entra em quadra contra o Japão, às 17h30.
Para fechar o dia vôlei feminino enfrentará a Argentina, às 22h35.
(DOL)
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MPF do Pará investiga empresa de Blairo Maggi e JBS por desmatamento; prejuízos ambientais seriam de R$ 420 milhões Cristiano Machado
O Ministério Público Federal do Pará investiga a participação da empresa Amaggi Exportação e Importação, que pertence ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP), em um grande esquema de desmatamento já detectado na Amazônia.
As investigações identificaram a movimentação de R$ 1,9 bilhão, entre 2012 e 2015, que destruiu 300 quilômetros quadrados de florestas –quase o tamanho do município de Belo Horizonte (MG). Segundo o MPF, o prejuízo ambiental foi de R$ 420 milhões.
Segundo os procuradores, entre 2012 e 2015, o grupo Amaggi, conjuntamente com o grupo Bom Futuro e a JBS S/A, realizaram transações financeiras de R$ 10 milhões para o pecuarista Antônio José Junqueira Vilela Filho, conhecido como AJ ou Jotinha, preso na Operação Rio Voadores, deflagrada pela PF em junho, e Ricardo Caldeira Viacava, cunhado de AJ.
No inquérito civil aberto, a Procuradoria suspeita que o valor transferido seria para a compra de grãos ou de animais procedentes de áreas desmatadas ilegalmente. O órgão solicitou esclarecimentos dos compradores, pois pela lei “a responsabilização civil por dano ao meio ambiente pode, em tese, atingir as empresas compradoras”.
Os procuradores Higor Rezende Pessoa e Daniel César Azeredo Avelino requereram a tomada de depoimento dos dois compradores, Vilela Filho e Viacava, “tendo em vista que as referidas transações comerciais podem ter por objeto soja plantada em locais ilegalmente desmatados”, segundo trecho do pedido de instauração de notícia de fato, assinado pelos procuradores.
No documento, Pessoa e Avelino citaram orientação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) quanto à apuração do nexo de causalidade no dano urbanístico-ambiental, no qual “equiparam-se quem faz, quem não faz quando deveria fazer, quem não se importa que façam, quem cala quando lhe cabe denunciar, quem financia para que façam e quem se beneficia quando outros fazem, sendo a responsabilidade ambiental objetiva”.
No dia 30 de junho, a Policia Federal desarticulou uma quadrilha que atuava com grilagem de terra e desmatamento na região de Castelo dos Sonhos e Novo Progresso, no sudoeste do Pará, durante a “Operação Rios Voadores”.
Acusado de ser chefe da quadrilha, o pecuarista Vilela Filho se entregou oito dias depois de deflagrada a operação.
Na ocasião, a PF cumpriu 51 medidas judiciais: 24 prisões preventivas, 9 conduções coercitivas e 18 mandados de busca e apreensão em empresas e residências.
MANIFESTAÇÃO DOS ACUSADOS
Em nota, a Amaggi disse que ainda não recebeu qualquer ofício emitido pelo Ministério Público Federal questionando suas transações comerciais.
A empresa também afirmou, na nota, que não realizou e não realiza aquisição de grãos produzidos em áreas localizadas no Estado do Pará.
A JBS, em nota, confirma que foi notificada pelo Ministério Público Federal “e irá oficializar a resposta ao órgão dentro do prazo concedido pelo Procurador da República”.
Ainda segundo a nota, a compra de gado realizada pela companhia “obedece a um sistema de monitoramento para garantir, em todo o Brasil, altos níveis de eficiência em relação aos critérios de compra sustentável da pecuária”.
A última auditoria realizada por um órgão independente, diz a nota, atingiu 99,9% de conformidade das compras realizadas pela empresa.
(Da Folha de S.Paulo)
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Editais ofertam mais de 1.700 vagas no Pará
Onze editais com vagas no Pará estão com inscrições abertas. No total, 1.713 vagas estão sendo ofertadas. A maior oferta é da Prefeitura de Tomé-Açú, com 573 vagas.
DOL
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MPE e MPF recomendam recuperação de trechos da Transamazônica
Rodovia apresenta sérios problemas de trafegabilidade nesse trecho
A trafegabilidade da rodovia BR-320 (Transamazônica) no trecho urbano de Itaituba e distritos de Miritituba e Campo Verde, no Pará, é objeto de recomendação conjunta do Ministério Público do Estado (MP/PA) e do Ministério Público Federal (MPF/PA) à Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A recomendação inclui também o trecho que liga os municípios de Jacareacanga a Itaituba.
A rodovia apresenta perigos e ocorrências de acidentes causados pela precariedade de condições e aumento do volume do tráfego por conta da instalação dos portos de Miritituba. O documento é assinado pela procuradora da República Janaina Andrade de Sousa e pelos promotores de Justiça Aline Janusa Teles Martins, Pedro Renan Cajado Brasil, Gustavo de Queiroz Zenaide, Bruno Fernandes Silva Freitas, Lilian Regina Furtado Braga e Livia Tripac Mileo Câmara.
Com base em representações de órgãos públicos e organizações da sociedade civil de Itaituba, o MPF/PA instaurou inquérito civil para apurar as denúncias acerca da precariedade das condições de trafegabilidade do trecho urbano da rodovia Transamazônica, com aumento de acidentes, inclusive com registro de óbitos e riscos aos usuários.
Aumento do tráfego – O MP considera que a instalação dos empreendimentos de Estações de Transbordo e Carga de Miritituba “provocaram expressivo aumento de tráfego na rodovia, especialmente de caminhões com cargas pesadas, a exemplo de transporte de grãos, e que esse fluxo adentra na área urbana do distrito de Campo Verde”. Não houve, contudo, qualquer melhoria na cobertura asfáltica e na infraestrutura da rodovia pelos órgãos responsáveis.
Para elaborar o relatório a equipe técnica da Polícia Rodoviária Federal percorreu 410 Km entre Jacareacanga e Itaituba. Foram registrados 983,7 metros de pontes no trecho, quatro pontos sujeitos à inundação e atoleiros, nove pontos de alto risco com formação de crateras e desmoronamentos e 16 curvas acentuadas com riscos de colisão, algumas com precipício.
O MP recomenda que a Superintendência Regional do Dnit adote, de imediato, medidas concretas para superar os perigos de trafegabilidade da rodovia BR-320, principalmente com a colocação de placas de sinalização nos trechos urbanos e entre Itaituba e Jacareacanga; colocação de redutores de velocidade, faixas de pedestres e sinais de advertência.
Obras não executadas – O trecho da rodovia entre Itaituba e Jacareacanga foi objeto de diversos contratos entre o Dnit e a empresa Construtora Centro Minas para serviços de manutenção nos anos de 2008 e 2009. O relatório produzido pela prefeitura de Itaituba demonstra por meio de fotografias que esses trechos “não receberam qualquer cobertura asfáltica”.
Em 2015, o Dnit informou ao MP que a parte urbana da rodovia em Itaituba estava sendo mantida por serviços acordados com o 8º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército Brasileiro, entre os Km 1.132,20 e o Km 1139,30, incluindo recuperação das áreas danificadas. “Ao que consta, esses serviços não foram efetivamente executados”, diz a recomendação.
O MP recomenda que sejam retomadas em caráter de urgência as obras de recuperação, no trecho que adentra a zona urbana de Itaituba, bem como que o Dnit adote medidas para ordenar o intenso fluxo de carretas, em Miritituba e Campo Verde. E ainda que elabore projeto executivo para recuperação, reforço e reabilitação das pontes, com cronograma de obras, pois são os locais com maior incidência de acidentes com vítimas fatais. Por fim, que mantenha a fiscalização permanente nas áreas de maior fluxo viário em trechos urbanos.
A recomendação adverte que o não cumprimento implicará em ações judiciais. As providências devem ser adotadas de imediato. Foram encaminhadas cópias à presidência do Dnit e sua representação no Pará, para que informem interesse em firmar termo de ajuste de conduta, no prazo de 10 dias após o recebimento.
Fonte: RG 15/O Impacto e MPF
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Pesquisa comprova eficácia de plantas da Amazônia no combate contra o veneno da Jararaca
Casca de uma planta é extraída na floresta Amazônica
Na Amazônia, o saber tradicional de caboclos, índios, ribeirinhos e comunidades rurais sobre o poder de cura das plantas medicinais, cultivadas em quintais ou coletadas na natureza, é passado de geração em geração. Apesar do pouco respaldo encontrado na literatura científica, esse tipo de conhecimento ainda é amplamente utilizado pela população amazônida como alternativa ao difícil acesso aos centros hospitalares das grandes cidades e à obtenção de exames e medicamentos. Esses obstáculos fazem com que, muitas vezes, as plantas sejam a única forma de acesso aos cuidados básicos de saúde.
Com o objetivo de resgatar e preservar o conhecimento tradicional sobre o uso de plantas medicinais em acidentes com serpentes na Amazônia, a bióloga Valéria Mourão iniciou sua pesquisa de mestrado em 2010 na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), sob a orientação da professora doutora Rosa Helena Mourão, do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA). O grupo decidiu investigar as plantas utilizadas em algumas comunidades na área do município de Santarém, no Pará, para tratar o envenenamento por cobras.
Em todo o mundo, os acidentes ofídicos afetam cerca de 420 mil pessoas por ano, chegando a 20 mil casos de morte. No Brasil, a maioria dos acidentes desse tipo notificados ao Ministério da Saúde ocorre na região Norte, sendo o Pará o estado com maior número de registros. Dentre os municípios paraenses, Santarém tem o maior número de notificações, com uma média de 300 acidentes por ano. Apesar do número expressivo de casos, Valéria verificou que ainda eram poucos os estudos científicos abordando acidentes com cobras na área de Santarém.
O tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde para o envenenamento por serpentes é a aplicação de soro antiofídico. Na região Oeste do Pará, o atendimento médico costuma ser realizado no Hospital Municipal de Santarém. Mas esse tipo de acidente ocorre com maior frequência na zona rural e o deslocamento até a área urbana do município nem sempre é fácil ou rápido. “Muitas vezes os pacientes demoram até conseguir receber o tratamento específico. Isso pode levar ao aumento do número de complicações nos casos”, explica Valéria. É aí que entram as plantas medicinais, de fácil e rápida obtenção. “As plantas são usadas como coadjuvantes à soroterapia ou como medicamento alternativo aplicado na falta de recursos soroterápicos”, destaca.
Em seu projeto, Valéria testou o potencial antiofídico das plantas frente ao veneno de serpentes do gênero Bothrops (Bothrops atrox e Bothrops jararaca), popularmente conhecidas como “jararacas”. Esse gênero foi escolhido porque até 95% dos acidentes ofídicos na região de Santarém são atribuídos a Bothrops. O envenenamento por este tipo de cobra causa reações locais como edema, dor, hemorragia, necrose e mionecrose (um tipo grave de gangrena, com necrose do músculo). Dependendo da gravidade, o acidente pode levar também a reações sistêmicas, principalmente problemas de coagulação sanguínea e hemorragia mais severa.
Para definir quais plantas estudar, o grupo de pesquisa realizou um levantamento etnobotânico com moradores das comunidades de Cucurunã, São Pedro, Alter do Chão e na cidade de Santarém. Através de entrevistas, eles verificaram quais eram as espécies vegetais utilizadas nessas localidades para tratar casos de envenenamento por cobras. Das 24 espécies listadas, as 12 mais citadas foram testadas contra o veneno da Bothrops jararaca. Os resultados mostraram a eficácia dos extratos vegetais em bloquear, in vitro, a hemorragia induzida pelo veneno de serpente. Os testes in vitro são feitos fora de organismos vivos, em ambientes controlados. Em seguida, o grupo realizou ensaios in vivo, em que os extratos são testados em organismos vivos, como pequenos animais, a fim de validar o uso tradicional dessas espécies como antiofídicas.
Todas as 12 espécies testadas reduziram, em diferentes porcentagens, a atividade hemorrágica induzida pelo veneno, mas os chás preparados com extratos de cinco espécies (Bellucia dichotoma, Connarus favosus, Plathymenia reticulata, Aniba fragrans e Philodendron megalophyllum) se mostraram mais eficazes e inibiram 100% da atividade hemorrágica, utilizando o protocolo de pré-incubação. “Fiz um projeto muito grande no mestrado, pois acreditava que conseguiria, naquele curto espaço de tempo, dar um retorno da pesquisa para as comunidades. Como dois anos não foram suficientes, ingressei no doutorado em 2012 e resolvi focar meu trabalho em uma única espécie (Bellucia dichotoma), para fazer um estudo mais aprofundado”, enfatiza Valéria.
Durante o doutorado, realizado no Programa de Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Valéria pesquisou a espécie popularmente conhecida como muúba ou goiaba-de-anta. Em forma de chá, o extrato da casca da planta foi capaz de reduzir o edema significativamente a partir de 30 minutos após a ingestão. A inibição foi ainda maior quando o chá foi administrado junto com o soro antibotrópico. Este tipo de tratamento, combinado, se mostrou mais eficaz do que o feito somente com o antiveneno padrão. “Conseguimos mostrar que os extratos das plantas em forma de chás são bastante eficazes no combate aos efeitos locais do envenenamento, principalmente contra a atividade edematogênica. Mas a essência do projeto, que seria retornar a informação para as comunidades, ainda não foi atingida”, analisa Valéria.
De acordo com a professora Rosa Mourão, além de devolver para a população o conhecimento de forma melhorada, deve-se levar em consideração que, num futuro próximo, existe a possibilidade de desenvolver produtos para uso das comunidades ou de empresas locais. “Isso geraria renda e garantiria a eficácia das plantas medicinais, além de termos produtos seguros para a população, que poderiam ser prescritos por médicos. Esse é o tipo de inovação que proporciona o desenvolvimento da região, porque agrega valor aos produtos não madeireiros”, enfatiza.
Ainda segundo a docente, alguns alunos dos cursos de Farmácia e Biotecnologia da Ufopa estão complementando os estudos do projeto, com o objetivo de melhorar os preparos e garantir o controle de qualidade dos extratos vegetais. Além de avaliar a caracterização química e outras atividades biológicas, a equipe tem desenvolvido formulações, que deverão ser testadas primeiramente em animais. “Estamos elaborando um kit com um fitoextrator/percolador para o preparo de extratos em oficinas nas comunidades, como uma forma de fazer com que a população compreenda a importância do estudo científico aliado ao conhecimento popular”, avalia Rosa Mourão.
Depois de concluir o doutorado, Valéria chegou a escrever um projeto de pós-doutorado com o objetivo de estudar as outras espécies de plantas e padronizar extratos antiofídicos, além de poder dar o tão esperado retorno para as comunidades. No entanto, com os recentes cortes do governo federal na área de educação, ela não conseguiu obter recursos financeiros para prosseguir com a pesquisa. “Foi aí que surgiu a ideia de escrever uma cartilha, onde fosse possível colocar todos os resultados do projeto de uma forma mais acessível para os moradores das comunidades”, ressalta.
Para tentar concretizar a ideia da cartilha, a bióloga resolveu contar com a ajuda de amigos e iniciou uma campanha de financiamento coletivo na Internet. “O valor arrecado nesta campanha vai permitir que o projeto continue por mais um ano. Vamos poder divulgar o restante dos resultados em revistas científicas e retornar às comunidades para ministrar palestras, além de produzir e distribuir as cartilhas. Sempre acreditei que um dia as informações repassadas pela população poderiam retornar para as comunidades de forma aplicada”, explica.
Atualmente, o grupo do qual Valéria participa é o único dos estados do Pará e do Amazonas que pesquisa plantas antiofídicas. Os interessados em contribuir para a continuidade da pesquisa podem acessar a página http://www.kickante.com.br/campanhas/plantas-da-amazonia-contra-o-veneno-de-jararaca.
Jararaca é uma das cobras mais venenosas da Amazônia
Fonte: RG 15/O Impacto e Ascom/Ufopa
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