Conflitos sociais aumentam e serão desafio para Dilma

buy zoloft online, is generic zoloft gluten free, generic zoloft 50 mg. can cause restless leg syndrome why is making me tired zoloft bad for bipolar  Conflitos sociais aumentam no campo e nas cidades e serão desafio para Dilma Estudo da Fiocruz aponta que, em dois anos, focos de conflito em todo o Brasil

O aprofundamento dos conflitos sociais nos centros urbanos e os impasses ambientais no campo alimentam bombas-relógios prestes a explodir no Brasil. Mapeamento da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz) identificou 490 focos de tensão em todo o país, 40% a mais do que foi contabilizado pelo mesmo grupo em 2012. Desses, 147 (30%) estão em áreas urbanas e afetam diretamente a qualidade de vida da população. Os problemas sociais são um dos gargalos que a presidente reeleita Dilma Rousseff, os governadores e os parlamentares terão que enfrentar nos próximos anos. A dificuldade e o custo para conseguir moradia, a qualidade da mobilidade urbana e dos serviços públicos e a demora para resolver conflitos de terra são alguns dos principais pontos de tensão a serem resolvidos.

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Se, em junho do ano passado, os brasileiros tomaram as ruas em protestos que começaram contra o aumento das tarifas de ônibus e se expandiram em diversas frentes, o país tem agora mais ingredientes nessa panela de pressão social. De demarcações indígenas e quilombolas no Acre e na Bahia, grilagem no Mato Grosso, impactos de obras de infraestrutura no Rio Grande do Norte e Tocantins até problemas de habitação nos principais centros urbanos, como São Paulo, Rio, Recife e Brasília.

Algumas bombas-relógios já estão armadas e prestes a explodir, todas ligadas a problemas de moradia, falta de água e aumento do valor das tarifas de ônibus. Nos últimos sete dias, três processos de reintegração de posse terminaram em confronto entre policiais e moradores em São Paulo e em Brasília. O problema do desabastecimento de água saiu das torneiras dos paulistas para as ruas e atinge 1.234 cidades no país.

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— É um momento delicado. O tecido social mudou e o governo ainda não aprendeu a dialogar com os novos atores — analisa o cientista político e pesquisador da UFRJ Sandro Correa.

De acordo com o levantamento da Ensp/Fiocruz, 30% dos conflitos hoje no Brasil são nos grandes centros urbanos. A maioria deles no Sudeste, onde 136 focos já foram identificados. A pesquisa aponta que as tensões nas cidades são alimentadas pela falta de políticas públicas para moradia, saneamento, qualidade de vida, direitos humanos e cidadania. Segundo o coordenador geral do projeto, o pesquisador Marcelo Firpo, nas cidades brasileiras o número de conflitos deverá aumentar nos próximos anos.

— Não se esperava ver hoje no Brasil, por exemplo, conflitos ambientais oriundos da falta d’água. Estamos vivendo um modelo de desenvolvimento que é o principal fator gerador de novas tensões e conflitos. Se isso não for revisto, haverá cada vez mais focos de tensão no país — explica Firpo.

O mais recente protesto contra a falta d’água na capital paulista reuniu apenas 200 pessoas no sábado, mas um novo ato está marcado para quarta-feira. Entre os organizadores, estão ativistas que estiveram por trás das manifestações contra a Copa do Mundo em São Paulo, em julho, que terminaram em confronto com a Polícia Militar e agências quebradas. Em Itu, no interior do estado, onde a falta d’água já dura mais de seis meses, a Câmara Municipal foi depredada em um protesto, que terminou em confronto entre a Tropa de Choque e os manifestantes. A tensão é grande no município e os carros-pipas só andam pela cidade com escolta da Guarda Civil Municipal para evitar saques.

— Apesar da diminuição das desigualdades no Brasil nas últimos décadas, o que vemos é um agravamento das tensões sociais. Há um processo de gentrificação alimentado pela política desenvolvimentista que leva ao surgimento do problema. — diz Firpo, que critica: — Nenhum crescimento econômico deveria justificar qualquer tipo de violência ou a perda da qualidade de vida das populações.

O elevado número de conflitos nos estados do Rio, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo pode estar relacionado ao histórico de intensa ocupação territorial e de industrialização com inúmeros impactos socioambientais, bem como aos movimentos sociais organizados na região.

Em Brasília, a ocupação ilegal de terrenos públicos se tornou um problema para o governo local. Só este ano, 785 operações foram feitas em todo o Distrito Federal. Pelo menos 388 casas de alvenaria e quase 6 mil barracos de madeira ou lona foram derrubados. Em alguns casos, houve confronto entre a polícia e invasores. Em São Paulo, só no centro da capital, 44 prédios foram invadidos pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST). O grupo, capaz de mobilizar 20 mil pessoas nas ruas, expandiu sua atuação e já tem núcleos em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e em Recife.

34 PESSOAS ASSASSINADAS EM CONFLITOS

O sinal de alerta também está ligado entre prefeitos e governadores eleitos. Desde junho de 2013, as tarifas do transporte de muitas das principais cidades do país ficaram congeladas. A partir de janeiro, prefeitos e governadores enfrentarão um dilema: aumentar o subsídio pago aos empresários de transporte para manter as tarifas nos valores atuais ou reajustar a passagem e lidar com uma possível nova onda de manifestações.

Na tentativa de evitar o problema, a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) entregou para os candidatos a presidente, em setembro, uma carta com pedidos para evitar o conflito. Eles querem a municipalização da Cide, tributo que incide sobre combustíveis. Nos dias 10 e 11, eles esperam receber a presidente Dilma no encontro anual da entidade para cobrar ajuda.

No campo, os conflitos muitas vezes acabam em morte. Em 2013, de acordo com a Pastoral da Terra, 1.277 confrontos foram registrados no Brasil e 34 pessoas foram assassinadas. A fronteira de expansão econômica do agronegócio, do ciclo da mineração e inúmeras obras de infraestrutura, como hidrelétricas, rodovias e transposição do São Francisco, são apontados por especialistas como causas de zonas permanentes de tensão. Com frequência, os casos envolvem estados inteiros. No Amapá, por exemplo, em todos os 16 municípios há conflitos por terra.

Nas áreas rurais, as populações mais atingidas são indígenas (33,67%), seguidas dos agricultores familiares (31,99%) e dos residentes quilombolas (21,55%). O relatório da Fiocruz leva em conta questões ambientais e problemas ampliados de saúde, além da piora da qualidade de vida, o risco a extinção de uma cultura ou tradição e a violência como fatores possíveis para o surgimento de um foco de tensão.

Fonte: ORMNews.

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Sespa intensifica a prevenção e o controle à Chikungunya

O quadro clínico dos pacientes foi acompanhado e todos tiveram cura

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) está vigilante para controlar o vírus Chikunguinya no Estado. Em conjunto com os municípios paraenses, a Sespa intensificou as ações de controle vetorial para o combate à doença. Eles também são orientados a comunicar imediatamente à secretaria sobre as ocorrências, que até o momento somam sete no Pará, oriundas de outras localidades, a maioria do Suriname. O quadro clínico dos pacientes foi acompanhado e todos tiveram cura.

Profissionais de saúde que atuam nas vigilâncias epidemiológicas dos municípios paraenses foram treinados no período de 30 de setembro a 2 de outubro, em Belém, para prevenção à febre Chikungunya. A capacitação faz parte de uma agenda do Ministério da Saúde, e tem o intuito de informar sobre o Plano Nacional de Contingência para a prevenção da doença. Paralelo a isso, a Sespa também tem adotado o método de prevenção contido do Plano Estadual de Contingência.

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Segundo o diretor do Departamento de Controle de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso, o Estado está priorizando as medidas de prevenção e identificação de casos nas regiões de maior risco. “Na próxima semana haverá borrifação nos municípios de Conceição do Araguaia, Santana do Araguaia, Redenção, Xinguara e São Félix do Xingu. Também faremos o mesmo procedimento em Marabá, Parauapebas, Belém e cidades vizinhas. A ideia é fazer a busca ativa dos casos suspeitos e eliminar os criadouros do mosquito”, afirmou.

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A febre Chikungunya é causada por vírus do gênero Alphavirus, transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sendo o Aedes Aegypti (transmissor da dengue) e o Aedes Albopictus os principais vetores. Os sintomas da doença, que são febre alta, dor muscular e nas articulações, cefaleia e exantema, costumam durar de três a dez dias. A letalidade da Chikungunya, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), é rara, sendo menos frequente que nos casos de dengue.

Para evitar a transmissão do vírus é fundamental que as pessoas reforcem as ações de eliminação dos criadouros dos mosquitos. As medidas são as mesmas para o controle da dengue, ou seja, verificar se a caixa d’ água está bem fechada; não acumular vasilhames no quintal; verificar se as calhas não estão entupidas; e colocar areia nos pratos dos vasos de planta, entre outras iniciativas deste tipo.

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Fonte: ORMNews.

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Justiça julga 915 processos no Pará, segundo dados do CNJ

Deste total, 403 resultaram em condenações no Pará em 2014

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) julgou 915 processos sobre corrupção até julho deste ano, de acordo com dados enviados pelo tribunal ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em relação ao cumprimento da Meta 4 do conselho, cujo alvo é o julgamento de processos envolvendo corrupção. Desse total, 403 processos resultaram em condenações. Os dados se referem aos julgamentos realizados de 2012 a julho de 2014. Em todo o País, as justiças Estadual e Federal, juntas, já julgaram 74.186 processos sobre o tema, o que já concluiu em 8.038 condenações.

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O índice paraense corresponde ao cumprimento de 31,62% da meta de combate à corrupção no Estado, cujo alvo são 2.893 processos. Apesar da baixa proporção, ela está próxima da média geral da Justiça Estadual, que cumpriu até julho passado 35,77% da meta, julgando 30.911 processos dos 86.418 ajuizados envolvendo improbidade administrativa e crimes contra a administração pública entre 2013 e 2014. Os tribunais estaduais ainda responderam por 6.107 condenações.

Em relação à improbidade administrativa, o TJPA cumpriu 31,16% da meta, julgando 503 dos 1.604 previstos. Em relação aos crimes contra a administração pública, foram julgados 412 processos do total de 1.279, resultando no cumprimento de 32,21% da Meta 4 até julho de 2014. A Justiça Estadual cumpriu as metas em 32,17% (9.501 processos) e 37,64% (21.410), respectivamente.

Entre os Tribunais de Justiça (TJs), o maior percentual de cumprimento até agora é do TJ de Alagoas (TJAL), que já atingiu 93,04% da meta, tendo julgado 1.687 processos, sendo 204 com condenações. O TJ do Rio de Janeiro (TJRJ) cumpriu 22,42% da Meta 4, julgando 3.257 processos, e o TJ do Rio Grande do Sul (TJRS) cumpriu 57,80%, julgando 2.111 processos, sendo que 511 já resultaram em condenações.

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A Justiça Federal está obtendo um bom cumprimento da meta: 75,83% em relação às ações distribuídas até 2011, com o julgamento de 15.474 processos sobre o tema, e 100% em relação aos processos ajuizados em 2012, julgando 4.183 processos desse tipo. Entre os processos que ingressaram até o final de 2011 julgados pela Justiça Federal, 13.114 se referem a crimes contra a administração pública e 2.360 tratam de improbidade administrativa. Dos que ingressaram em 2012, a Justiça Federal conseguiu julgar 657 de improbidade administrativa e 3.526 de crimes contra a administração pública.

Até meados de 2014, o destaque nesse tipo de Justiça foi o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, que abrange os estados da Região Sul e julgou 8.196 ações, sendo que 2.149 resultaram em condenações. Com esse resultado, o tribunal já cumpriu 85,3% da meta em relação aos processos ajuizados até 2011, e 102,9% em relação às ações distribuídas em 2012.

Já o TRF da 5ª Região, que abarca os estados do Nordeste, julgou 5.127 processos de corrupção, sendo que 705 resultaram em condenações. O TRF da 2ª Região, que corresponde aos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, julgou 6.334 processos de corrupção até julho de 2014. Os TRFs da 1ª Região e da 3ª Região não prestaram informações para o CNJ sobre a meta. Já o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou 7.085 processos de corrupção, sendo que 5.350 já receberam julgamento de mérito. A Corte julgou 79% dos processos de corrupção ajuizados até 31 de dezembro de 2011. Quanto à meta de julgamento de 50% das ações distribuídas em 2012, o STJ já atingiu 119% de cumprimento.

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CRIMES

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A Meta 4 do Conselho Nacional de Justiça estabelece que os tribunais identifiquem e julguem até 31 de dezembro de 2014 as ações de improbidade administrativa e as ações penais relacionadas a crimes contra a administração pública. No caso da Justiça Estadual, da Justiça Militar da União e dos Tribunais de Justiça Militar Estaduais, a meta se aplica às ações distribuídas até 31 de dezembro de 2012. Já na Justiça Federal e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), é em relação a 100% das ações distribuídas até 31 de dezembro de 2011 e a 50% das ações distribuídas em 2012.

A improbidade administrativa se caracteriza por dano ao Erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios administrativos. A Lei de Improbidade Administrativa (8.429/1992), define o ato de improbidade administrativa como “auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades pública”. As ações de improbidade se referem, por exemplo, a um funcionário que recebeu dinheiro ou qualquer vantagem econômica para facilitar a aquisição, permuta ou locação de um bem móvel ou imóvel, a contratação de serviços pela administração pública, ou ainda a utilização de veículos da administração pública para uso particular.

Fonte: ORMNews.

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Ebola é ameaça remota no País, diz Evandro Chagas

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cipro 0.3 eye drops cipro reviews Diretor do Instituto Evandro Chagas diz que o chikungunya é risco mais real no Estado

Não existe risco de epidemia de ebola no Brasil. Talvez o vírus chegue ao País, mas a possibilidade de alastramento da doença é remota. Quem garante é o diretor do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Vasconcelos, para quem o vírus do Chickungunya representa uma ameaça muito mais real para os paraenses.

Nos anos 90, uma epidemia de ebola no Congo foi amplamente noticiada no mundo. As imagens revelavam um cenário semi-apocalíptico. A característica hemorrágica deixava doentes e mortos com aparência assustadora. A falta de informação sobre doença e o índice de mortalidade – que atingia os 90% – inspiraram pavor mundial e um filme, Epidemia, sucesso de público na época.

Hoje, já se sabe o suficiente sobre o vírus para compreender o motivo do surto nos países africanos e afirmar que, nos países com maior nível de desenvolvimento, há poucas chances de uma epidemia. “O vírus do ebola não apresentou, até hoje, nenhum tipo de mutação. É uma doença que não é natural do homem, por isso, quando contamina o ser humano, não se adapta e mata o hospedeiro com certa rapidez. Se desenvolve de forma muito mais violenta”, explica o biólogo, mestre em Saúde Pública e especialista em insetos, parasitas e vetores de doenças, Márcio Lage.

O contágio se dá através de contato direto com quaisquer secreções corporais, pois a alta taxa de vírus, que se replica rapidamente no sangue do infectado, faz com que o ebola esteja presente no suor, lágrimas, saliva, fezes, urina e vômito. Entretanto, como não é transmissível pelo ar e não sobrevive fora de um organismo por um período significativo, a contaminação é mais difícil. “Como tem uma progressão bem rápida e o paciente só se torna contagioso ao apresentar sintomas, uma pessoa não consegue contaminar muitas mais. Devido a essas características, no Brasil, com os protocolos de saúde que temos, uma epidemia seria de fácil contenção”, tranquiliza.

Uma outra atenuante é a improbabilidade de o vírus chegar ao Brasil. “Não há voos diretos entre o Brasil e os países onde hoje ocorrem os surtos”, ressalta Vasconcelos. Porém, há o risco de um passageiro contaminado, em um navio que tenha aportado em um dos países que passam pelo surto – como o que ocorreu há algumas semanas em Santarém – chegue até o Brasil, pois a viagem através do oceano Atlântico dura cerca de 14 dias, e o período de incubação vai de três a 21 dias. “Mesmo que isso ocorresse, existem pontos de checagem antes que o navio aporte no Pará”, esclarece o diretor.

Se tudo der errado, e alguém em solo paraense – que esteve em um dos países com surtos e teve contato com doentes – apresentar sintomas do ebola, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi designado pelo Ministério da Saúde para fazer a remoção do paciente até o local indicado. “Capacitamos e treinamos os atendentes e já recebemos o kit de Equipamento de Proteção Individual específico para os atendimento. Esperamos que não aconteça, mas caso haja necessidade, já estamos prontos para atendê-la”, afirma o diretor do Samu, José Guataçara Gabriel.

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“O paraense não tem motivo para pânico em relação ao ebola. Existem ameaças muito mais próximas e reais, como por exemplo o Chickungunya. A doença tem uma letalidade baixa, mas pode deixar sequelas graves, principalmente em forma de artroses”, alerta Vasconcelos. A doença já chegou aos estados do Amapá. Bahia e Minas Gerais e é transmitida pelo mesmo vetor da dengue, o mosquito Aedes Aegypti.

Diagnóstico

O Instituto Evandro Chagas do Pará foi indicado pelo Ministério a Saúde para conduzir os testes para diagnóstico de suspeitas de ebola no Brasil, por causa do longo histórico no estudo das febres hemorrágicas. Em 1954, iniciou essa trajetória nas pesquisas dos arbovírus, com uma parceria internacional. “Foi um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A Fundação Rockfeller trouxe pesquisadores para o IEC, que capacitaram os nossos técnicos”, conta Vasconcelos. Nos anos 80, recebeu certificação para o estudo destes virus e foi designado pela Organização Mundial de Saúde como centro colaborador.

A instituição tem hoje um dos laboratórios de Nível de Biossegurança 3 (NBR-3, segundo mais alto existente) mais completos do Brasil. A sala tem pressão negativa do ar e os técnicos que acessam o laboratório usam traje de segurança completo, com respirador. “O ar é todo filtrado. O que sai de lá é mais puro do que o ar que respiramos aqui”, brinca o diretor. Apesar de todos estes protocolos, cada máquina possui uma cabine de segurança individual, onde o material sob suspeita de contaminação é manejado.

O teste que diagnostica o ebola é chamado Reação em Cadeia da Polimerase (PCR, da sigla em inglês Polimerase Chain Reaction) em tempo real. O resultado é processado por computadores, que dão um resultado com 99,9% de precisão em, no máximo, seis horas. “Apesar disso, pedimos 12 horas para concluir o teste, pois podem haver imprevisto, como falta de luz ou algo do gênero. O único teste de ebola que fizemos até agora, entregamos em cinco horas e meia, e foi negativo”, conta Vasconcelos.

Fonte: ORMNews.

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Hospitais universitários do Pará enfrentam crise de gestão

Sindicato atribui à gestão terceirizada aprofundamento de problemas graves

A ameaça de mais de mil demissões, vulnerabilidade na segurança, uma dívida de R$ 8 milhões com fornecedores e a redução de 100 leitos aos pacientes do Sistema Único de Saúde são alguns dos problemas estruturais mais graves enfrentados pelo Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), cuja gestão foi transferida pelo governo federal à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

A denúncia é da direção do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes), cuja coordenadora-geral, Ângela Azevedo, assegura que os problemas do hospital se aprofundaram após a terceirização da gestão. Segundo ela, faltam materiais básicos para atender os pacientes e há inúmeras dificuldades que colocam em risco a vida dos servidores.

Um levantamento de pessoal com o objetivo de identificar o número de profissionais necessários à execução do projeto da Ebserh já se iniciou e, segundo Ângela, a implantação está prevista para o semestre que vem. “Esse prazo foi dado pela administração superior, em reunião com o reitor Carlos Maneschy. No primeiro semestre de 2015 está prevista a demissão dos funcionários nacionais, que hoje giram em torno de mil pessoas”, diz ela, ao informar que os hospitais Barros Barreto e Bettina Ferro contam hoje com cerca de mil funcionários. “Os funcionários do restaurante universitário são lotados no Barros Barreto e metade deles também serão demitidos”, assegura, ao denunciar o avanço da terceirização na UFPA.

Também coordenador do Sinditifes, Marcos Antônio Soares avalia que, para além das demissões, há o risco de os trabalhadores demitidos ficarem sem seus direitos trabalhistas. “Estamos acompanhando as reuniões do conselho diretor do hospital e há uma dívida de aproximadamente R$ 8 milhões com os fornecedores de suprimentos, terceirizados, entre outros. A última medida do conselho gestor foi suspender o contrato com a empresa terceirizada de vigilância”, diz ele, enfatizando que o hospital está vulnerável, pois não há vigilância armada. “Além da perda de empregos, os funcionários podem ficar sem os seus direitos trabalhistas resguardados”, argumenta.

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Os diretores denunciam ainda que o maior problema do hospital é a precarização. “O Barros está ofertando 100 leitos a menos para os pacientes, eles tiraram da oferta para a Central de Leitos. Um prejuízo muito grande. O setor de raio-x foi desmontado. Eles só atendem o paciente internado e naqueles aparelhos portáteis. Há anos tinha um compromisso da Fadesp de disponibilizar R$ 1 milhão para construir uma nova lavanderia, que ainda não foi concluída”, informa Ângela.

Sabão

A técnica de enfermagem Zila Camarão diz que não há nem sabão a base de iodo, necessário para lavar a mão após cuidar do paciente. “Está em falta há vários meses, estamos lavando a mão com álcool e tem vezes que nem isso tem”, reclama. Ainda de acordo com Zila, o trabalho na infectologia não tem mais isolamento depois da última reforma no espaço.

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“Mudamos de local de funcionamento e os pacientes estão sendo entubados na enfermaria, nos seus leitos, o que agrava a infecção do paciente e prejudica os pacientes próximos. Acaba que, muitas vezes, eles nem têm uma melhora efetiva”, conta. A técnica de enfermagem informa também que foi criada, depois de todas as reformas, uma parede impedindo a entrada dos funcionários, forçando-os a entrar pelo acesso dos pacientes e acompanhantes. “Ficamos sujeitos a contrair doenças. Estamos trabalhando com obras. O nosso refeitório, que lutamos tanto para conseguir um espaço climatizado, está sendo refeito, sendo que as obras estão durando mais de ano”, diz ela.

Ela diz ainda que os exames de raio-x estão sendo feitos nos leitos, diretamente na cama do paciente. “O transtorno é grande para transportar as máquinas e ligar os aparelhos, tendo que usar uma fiação enorme, já que não tem tomada nas enfermarias. Acreditamos que esse sucateamento todo é proposital por causa da Ebserh”, diz ela

Ângela diz que o Sindicato solicitou formalmente audiência com o diretor do Barros Barreto para discutir a situação do hospital. No início de outubro, ela diz que o Sindicato também pediu uma reunião com o reitor da UFPA, marcada para 12 de novembro. “Para as direções dos hospitais, nossa proposta é eleição direta. Acreditamos que, assim, o candidato se compromete com a comunidade e apresenta projetos para os hospitais”, sugere. Ela afirma que, na prática, tem ocorrido a indicação por parte do reitor dos nomes para assumir as diretorias. “Eles não têm compromisso nenhum com a comunidade e com os trabalhadores do hospital. Como vai ser mantido o caráter de hospital-escola, com perfil de pesquisa e extensão, é uma das grandes incógnitas da transferência para a Ebserh. Na nossa opinião, vai acabar”, diz ela.

Diretor do Barros Barreto diz que se reunirá com o Sindicato no dia 6

O diretor do Hospital Universitário João de Barros Barreto, Dr. Antônio Carlos Franco da Rocha, disse a O LIBERAL que agendou uma audiência com o Sindicato para o próximo dia 6 de novembro, às 10h. Segundo ele, a suspensão do contrato com a empresa de vigilância foi uma necessidade administrativa para evitar o crime de improbidade administrativa, pela manutenção de contrato com empresa de vigilância sem cobertura orçamentária. Ele diz ainda que a empresa não atendia as expectativas e o contrato tinha valor muito elevado para a realidade da instituição. “Já iniciamos um novo processo de contratação com as adequações necessárias”, informou.

O diretor atribuiu a falta de materiais básicos, como sabão e papel higiênico, à carência de recursos financeiros. “Temos um déficit orçamentário de aproximadamente R$ 2 milhões mensais. E muito do que falta de insumos é de responsabilidade de empresas que ganham uma licitação, mas na hora não tem o material licitado para entregar ao hospital. O custo do nosso paciente é muito elevado em relação ao que nós recebemos da contratualização. Na realidade, os pacientes são portadores de patologias de alta complexidade, crônicos, debilitados, e que normalmente poucos hospitais se propõe a recebê-los, alguns até fazendo uma pré-triagem nesses pacientes. O Barros Barreto recebe pacientes que muitas vezes não são de nossa referência, mas mesmo assim são atendidos e, quando detectado isso, é solicitada a transferência ao nosso gestor, que é a Sesma. O paciente aqui não deixa de ser atendido”, afirmou.

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Ele contestou a acusação de desativação do raio-x. “Eles não foram desativados. Através de um planejamento que, infelizmente, coube à atual gestão, por um princípio básico da impessoalidade da administração, executar a desocupação do setor inteiro da radiologia para adequar o da cardiologia. Contudo, o serviço não parou, porque os raio-x móveis, que são de altíssima qualidade, estão funcionando e cobrindo as necessidades do hospital. Inclusive com um raio-x fixo dando apoio à assistência.

Quanto aos leitos desativados, ele garante que eles já estavam desativados há muito tempo por falta de recursos humanos. “Por conta de um Termo de Ajuste de Conduta com o TCU, limitou-se as contratações apenas por substituição. Enquanto na universidade não temos um concurso há cerca de 20 anos. E isso não é uma situação desta gestão ou da anterior”, observou.

Para ele, a lavanderia não está em condições precárias, mas com dificuldades. “Entretanto, está em fase final a construção de um novo setor, mais amplo, com novas máquinas e equipamentos, e obedecendo todas as normas da engenharia. Inclusive com uma casa de caldeira totalmente nova”, informou.

Bettina

No hospital Bettina Ferro, o Sindicato citou o pedido de demissão da profissional responsável pelo setor de Enfermagem, que tomou a decisão após ter que pagar do próprio bolso por materiais de trabalho simples, como cotonetes e outros itens em falta. A diretoria do hospital respondeu em nota que a enfermeira coordenadora da Divisão de Enfermagem do HUBFS pediu desligamento por motivos particulares. A nota diz ainda que a “função permanece desocupada e a direção do Hospital providencia a substituição o quanto antes. Entretanto, a enfermeira permanece atuando, fazendo a transição até que outro profissional assuma a função, para não prejudicar o andamento da rotina da assistência hospitalar”.

Já no caso das denúncias envolvendo os setores de endoscopia e ultrassonografia, que, segundo os servidores, os departamentos serão fechados, por “não se encaixarem no perfil de um hospital-escola”, o HUBFS se defende afirmando que “todo e qualquer exame se encaixa no perfil de hospital-escola. Isso depende das atividades fins desenvolvidas nesse hospital – o que caracteriza seu perfil. O perfil do Hospital Bettina se refere à Otorrinolaringologia, Oftalmologia e Crescimento e Desenvolvimento Infantil. Daí a necessidade de realizar estudo para definir as atividades que se agregam a essas especialidades”. A nota diz ainda que, “quanto aos exames de endoscopia e ultrassonografia está em análise a possível transferência para outro hospital público de ensino que realize esses procedimentos”.

Fonte: ORMNews.

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Fantástico investiga denúncia de desvio de R$ 9 milhões no Maranhão

Quatro empresas contratadas pela prefeitura receberam o dinheiro.
Vice-prefeito da cidade de Anajatuba fez a denúncia à PF e ao MP.

Vai começar agora a saga de um repórter que decidiu sair pelo Brasil para radiografar uma praga chamada corrupção. Por que o dinheiro público, que devia ir para a saúde, para a educação, para o saneamento, some, sem qualquer explicação?
Envie sua denúncia sobre corrupção, empresas de fachada, notas frias e preços superfaturados
O nosso repórter não pode mostrar o rosto, porque o anonimato é indispensável para o trabalho dele. Por onde passar, esse repórter secreto vai querer saber: “cadê o dinheiro que estava aqui?”

Eduardo Faustini, também conhecido como o repórter secreto, tem uma missão: investigar o roubo do dinheiro público, seja onde for, em qualquer canto do país, em qualquer cidade, grande ou pequena.
Não importa: onde houver corrupção, a qualquer momento, o repórter secreto pode aparecer e fazer a pergunta que todos os brasileiros de bem gostariam de fazer: cadê o dinheiro que estava aqui?

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Cadê o dinheiro que estava em Anajatuba, uma cidade de 25 mil habitantes no norte do Maranhão? Como toda cidade, Anajatuba precisa contratar empresas prestadoras de serviço e fornecedoras de produtos. E para contratar prestadores e fornecedores, a prefeitura precisa gastar dinheiro. Dinheiro público, evidentemente.
No ano passado, quatro empresas contratadas pela prefeitura de Anajatuba receberam juntas R$ 9 milhões, mas esse dinheiro da prefeitura foi desviado e quem descobriu a falcatrua foi o vice-prefeito Sidney Pereira.

Fantástico: Cadê o dinheiro que estava aqui?
Sidney Pereira, vice-prefeito de Anajatuba: Aí só quem pode explicar é o prefeito.
O vice-prefeito checou documentos, descobriu que houve desvio de dinheiro e fez a denúncia à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público (MP).
“Se trata de milhões. Milhões que deveriam estar sendo usados no município de forma mais justa junto com aquelas pessoas que realmente precisam”, disse Sidney Pereira.
Muita gente realmente precisa desses recursos em Anajatuba, até mesmo para alimentar as crianças na escola, onde nem sempre tem água.
Fantástico: Se não pegar água no poço não tem merenda.
Adozinda Pereira, merendeira: Não, porque tem dia que não dá, e aí a gente tem que fazer a merenda, não é? A gente tem que fazer a merenda.
“Quando não tem a merenda, eu mando que as professoras despache antes do horário, porque as crianças não pode ficar com fome”, afirma Marenice Pereira, diretora da escola.
Quando entra em uma investigação, o repórter secreto tem um lema: siga o dinheiro. Ele seguiu.
Das quatro empresas contratadas pela prefeitura de Anajatuba, a que levou mais dinheiro se chama A4. Em 2013, a A4 fechou um contrato de R$ 6,5 milhões para alugar carros e máquinas.
O repórter secreto foi até a sede da empresa.
Fantástico: A gente está procurando a A4.
Paulo Moisés de Albuquerque, filho do dono do imóvel alugado pela empresa A4: Era aí.
Fantástico: Era, não é mais.
Fantástico: Essa empresa funcionou durante quanto tempo aqui?
Paulo Moisés de Albuquerque: Um ano e meio.
Fantástico: E que que funcionava aí?
Paulo Moisés de Albuquerque: Nada. Funcionava nada, não. Ficava fechado. Só fachada.
Uma empresa de fachada recebe milhões da prefeitura. Aí tem.
“Essa empresa, na verdade, ela só entra na emissão das notas fiscais”, conta Sidney Pereira, vice-prefeito de Anajatuba.
O repórter secreto deu mais um passo e foi atrás de um homem que aparece como sócio da A4: Raimundo Nonato Silva Abreu Júnior. Ele está sendo investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, mas nega que seja empresário: “Sou taxista sindicalizado”, diz Raimundo.
Raimundo diz que trabalhou apenas como motorista do dono da A4.
Fantástico: E por que usaram teu nome?
Raimundo: Pra não aparecerem. E eu fui descobrir depois de muito tempo.
O homem está tenso. Desde que o vice-prefeito fez a denúncia, Raimundo se sente ameaçado por aquele que seria o chefe do esquema, por isso anda armado.
Raimundo: Eu vim até armado.
Fantástico: Nós somos jornalistas da TV Globo.
Raimundo: Rapaz, eu vou pra matar ou pra morrer.
Daqui a pouco aparece o pai de Raimundo. Ficou desconfiado do nosso repórter. Ele também é taxista. Ele também está armado, por baixo da camisa.
Pai de Raimundo: Eu vim preparado.
Fantástico: Nós somos jornalistas, já nos identificamos com ele. TV Globo.
Aí o Raimundo pai se acalma e guarda a arma no carro. Ele diz que veio defender Júnior. “O cara é inocente, então… Pegar, fazer uma molecagem dessa. Um caboco desse merece a gente dar um tiro na cara dele”, disse.
Mas se Raimundo filho não é dono da empresa, quem é? Ouvimos pela primeira vez o nome de quem seria o verdadeiro dono dessa empresa: Fabiano de Carvalho Bezerra.
O repórter secreto vai agora à sede de outra empresa contratada pela prefeitura no ano passado. É a MR Serviços. Valor do contrato: R$ 855 mil. Para coleta de lixo.
Fantástico: Esse endereço aqui, ó, Avenida Cafeteira, 1413, em Raposo, é o da senhora, né?
Senhora: É, mas aqui não tem comércio, não.
Fantástico: A senhora mora aqui há quantos anos?
Senhora: Uns 17. Essa casa que eu levantei, aqui era uma lagoa. Só mato quando eu comprei o terreno. Você acredita?
Depois das denúncias do vice-prefeito, a MR Serviços, uma empresa fantasma, foi substituída pela RR Empreendimentos supostamente para prestar os mesmos serviços de coleta de lixo.
O repórter Eduardo Faustini foi então até a sede da empresa, que fica em uma cidade vizinha: Raposa, também na Bahia. Em Raposa, o repórter secreto ouviu mais uma vez o nome do homem que estaria por trás do desvio de dinheiro da prefeitura.
Fantástico: Você trabalha aqui?
Funcionário: Trabalho.
Fantástico: Quem é o dono?
Funcionário: Fabiano.
Fantástico: Fabiano? Fabiano de quê?
Funcionário: Bezerra.
Fabiano Bezerra. Daqui a pouco vamos voltar a esse nome.
Do lado da RR, fica mais uma empresa: a construtora Construir. A Construir teve em 2013 contratos no valor de R$ 1,4 milhão. Para reforma de escola e obras em estradas vicinais.
“Essa empresa nunca teve no município”, disse o vice-prefeito.
E afinal? O que o prefeito tem a dizer sobre isso?
“Essas empresas que foram objeto já de denúncias anteriores não trabalham mais para prefeitura de Anajatuba”, afirma Hélder Aragão, prefeito de Anajatuba/MA.
Não trabalham mais porque o atual vice-prefeito foi quem denunciou às empresas ao Ministério Público e à Polícia Federal. Mas uma delas ficou.
“Não sei se ainda tem. Acho que ainda tem uma empresa, acho que é a A4, não é? Que ainda presta serviço pra Anajatuba”, disse o prefeito.
O senhor prefeito ainda é alvo da investigação da Polícia Federal por outro motivo: segundo o depoimento de um funcionário da prefeitura, ele teria fraudado dinheiro do ensino público. Em 2013, Anajatuba tinha 5.500 alunos, mas enviou ao Governo Federal uma lista com cerca de 6 mil crianças. Isso porque…
Fantástico: Quanto mais aluno…
Vice-prefeito: Mais dinheiro entra.
“Ele tinha apenas dois anos de idade, quando ele foi matriculado”, disse Roberta Dutra, mãe de menino matriculado indevidamente.
E agora, prefeito? “Esse erro, esse erro, foi algo que não proposital”, disse ele.
Quando essas crianças da lista começarem realmente a estudar, tomara que não encontrem a realidade vivida pelos alunos da Escola Municipal Maria Oliveira Bogea. Veja no vídeo acima as condições em que a merenda é feita lá.
Fantástico: A senhora pega água?
Funcionária: Pego. Agorinha vim do poço. Esses baldes d’água nós fomo pegar no poço.
O Governo Federal informa que Anajatuba tem R$ 15,5 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. Desse dinheiro será descontado o valor pago a mais por conta do cadastro fraudado.
“Recebemos uma média de 7 mil denúncias a cada ano. Não posso afirmar quantas exatamente envolvem prefeituras, mas a estimativa é de cerca de 70%. Então, 70% de 7 mil envolvem prefeituras”, disse Jorge Hage, ministro-chefe da Controladoria-Geral da União.
São denúncias de todo tipo, incluindo aquelas sobre empresas fantasmas. Em Anajatuba, quem estaria por trás delas? As investigações apontam para Fabiano Bezerra, um empresário da cidade.
No mês passado, um ex-funcionário de Fabiano deu depoimento à Polícia Federal em São Luís. Com medo de represália, ele pediu para não ter a identidade divulgada.
O ex-funcionário afirmou que Fabiano Bezerra é o responsável pelas empresas A4, Construir, RR Serviços e MR Serviços, as tais quatro empresas que fecharam contratos de R$ 9 milhões com a prefeitura.
A testemunha disse também que o esquema das empresas é prestar serviços e fornecer produtos superfaturados a diversas prefeituras e que todas as notas dessas empresas são frias.
O repórter Eduardo Faustini procurou Fabiano Bezerra em casa e pelo telefone. Ele nega ser dono das empresas. Mesmo assim, defende a A4. Afirma que o que seriam as verdadeiras instalações dessa empresa são de primeira qualidade. “A sede da empresa é top de linha! Tem uma placa na frente, A4, direitinho…”, diz Fabiano.
Fabiano deu o suposto endereço, e o repórter secreto foi até lá. De fato, tem uma placa na frente, mas veja o que diz um vizinho da tal sede.
Guilherme Ferreira, comerciante: Uns quatro meses.
Fantástico: Quatro meses que abriu?
Guilherme Ferreira: É.
Fantástico: O senhor vê movimentação aí?
Guilherme Ferreira: Não. Não vejo, não.
Fantástico: Nunca teve empresa aberta aí?
Guilherme Ferreira: Que eu saiba, não.
Fantástico: E o senhor tá há quanto tempo aqui no comércio?
Guilherme Ferreira: Oito anos.
Mas, afinal, senhor Fabiano Bezerra, cadê o dinheiro que estava aqui?

Fonte: G1\Fantástico .

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Jatene vai reduzir número de secretarias de governo

Governador reeleito anuncia novos projetos para aumentar arrecadação e criação de centros regionais

Com uma agenda ainda cheia de entrevistas e compromissos administrativos, o governador reeleito Simão Jatene (PSDB) ainda não conseguiu descansar após os quase três meses de maratona eleitoral. Mesmo assim, mostra que, aos 65 anos, e com três mandatos de governador no currículo, ainda tem muito fôlego para planejar o Estado, mas também para se entusiasmar com as lições que vieram das urnas no último dia 26.

Em entrevista exclusiva concedida aos repórteres do jornal O LIBERAL Irna Cavalcante, Evandro Flexa Jr. e Keila Ferreira, ele faz uma avaliação sobre o pleito, sobre o mandato e anuncia novos projetos para aumentar a arrecadação própria do Estado, como a criação de uma taxa sobre o uso dos recursos hídricos do Pará. Na área administrativa, a criação de centros regionais, a princípio em Marabá e Santarém, são prioridades. Mas também haverá mudanças na administração central, especialmente na estrutura das secretarias, que deverão ficar em número menor. A ideia é garantir a satisfação da população pelos resultados alcançados. A palavra de ordem é profissionalizar a gestão.

O primeiro político a conquistar o terceiro mandato de governador do Pará reassumiu o compromisso de concluir as obras que estão em andamento nas mais diversas áreas. Na área da saúde, por exemplo, o tucano destaca como ponto prioritário o avanço na política de implantação dos hospitais regionais. Na área da segurança, pretende ampliar o número de policiais em atividade, e premiar as boas práticas no serviço público, a chamada meritocracia.

Na área da educação, ele destaca como ponto prioritário a implantação do Pacto pela Educação, projeto liderado pelo Governo do Estado, que conta com a integração de diferentes setores e níveis de governo, da comunidade escolar, da sociedade civil organizada, da iniciativa privada e de organismos internacionais. De acordo com informações apresentadas no Plano de Governo, o Pará está aplicando RS 700 milhões no programa, que conta com 260 escolas em reforma e reconstrução e mais 50 novas escolas, representando 400 novas salas de aula sendo construídas.

Um projeto que Simão Jatene aponta como de fundamental importância, dessa vez na área de infraestrutura, é a Plataforma Logística do Guamá, que deve mudar a forma como os produtos entram e saem da região e até mesmo desafogando o tráfego em Belém. Os empreendimentos ao longo da Arthur Bernardes serão trazidos para a plataforma. Desse modo, o que viria de Manaus para o nordeste do Pará iria direto para a plataforma logística e para a BR-316, desafogando Belém.

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Na área da mobilidade urbana, um dos maiores objetivos é avançar nas obras da avenida João Paulo II, que o governador considera uma das obras mais importantes para Belém, por evitar a degradação dos lagos Água Preta e Bolonha, que abastecem Belém de água.

O governador também destaca a implantação do BRT, cujos projetos executivos estão sendo finalizados. As obras devem começar logo, pois há recursos garantidos pelo financiamento da Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão). A novidade é que agora o BRT Belém deve ser integrado ao BRT Metropolitano, que virá de Marituba. Leia a entrevista.

Esta eleição foi muito acirrada, com muitos ataques. Qual a leitura que ficou?

Esta eleição foi extremamente pedagógica, deixou tantos recados, tantas lições, e aí eu tenho a humildade de dizer, o importante é que deixou lições tanto para quem venceu, como para quem perdeu. Para mim, por isso, ela é diferenciada no sentido pedagógico. E deixou lições para a sociedade como um todo. Eu acho que a coincidência da propriedade dos veículos de comunicação com aqueles que fizeram da política sua profissão, esta eleição mostrou que não é uma coisa boa. Não é saudável nem aqui no Pará e nem em nenhum outro lugar do mundo. Isso, por si só, já é uma violência, uma coisa agressiva, a chance disso descambar para o que descambou aqui no Estado realmente era muito grande. De que vale o horário eleitoral, se você tem um candidato que faz dos seus veículos de comunicação instrumento para estar no ar 24 horas por dia, o dia todo?

Então o senhor acha que faltou uma maior fiscalização da Justiça Eleitoral?

Eu não quero mais nem pensar, eu só estou fazendo referência das coisas para trás para que a gente não repita mais estes erros. Esta eleição vem também nos dizer o seguinte: o vale-tudo por si só não garante vencer eleição. E isso, para mim, tem consequências muito sérias. Cria, pelo menos, a expectativa, a possibilidade, das pessoas que não aceitam o vale-tudo terem a esperança de realizar o seu desejo de participar da vida política. E por que não entra? Porque tem que expor a família, que não tem absolutamente nada ver com nada, passa a ser objeto de uma deslavada e mentirosa campanha. Então na hora em que o vale-tudo é derrotado, não é só a derrota da família A, não é a derrota de candidato, é a derrota de uma prática que certamente abre espaço para que outras pessoas de bem se disponham a participar do jogo eleitoral.

Qual foi, na sua avaliação, o pior momento da campanha?

Vamos ser francos, eles foram truculentos mesmo. E como eu acho que a campanha é antessala do governo, isso aumentou a minha gana para tentar vencer, porque eu imaginava que um grupo que é capaz de fazer o que fez na campanha, é capaz de fazer no Governo. E vou dar um exemplo: aquela história de cortar a degravação [de Izabella Jatene, filha dele, na qual ela pedia a relação das maiores empresas para financiar o Pro-Paz ao secretário adjunto da fazenda Nilo Noronha], não tenho como qualificar um negócio desses, foi uma vilania.

Mas a oposição conseguiu aprovar a abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar este caso. Como pretende lidar com isso?

Ao que eu sei, de conversas que ouvi, é de que como as coisas são tão evidentes, eu tenho muitas dúvidas que se tentem sustentar esta história desta CPI. Foi uma coisa tão grotesca. O que a CPI deveria apurar é como é que é que alguém acessa uma fita que deveria ser de propriedade, de uso, de interesse especifico da área da segurança? Em relação aos dados que foram solicitados na gravação, ora, existe, inclusive, portaria da Secretaria da Fazenda que autoriza a divulgação desta relação.

No primeiro turno, o candidato Helder Barbalho saiu na frente com uma diferença de 50 mil votos, e neste interstício para o segundo turno, os apoios migraram todos para ele. Nas redes sociais, muitos já davam a vitória dele como certa e estavam fatiando os cargos de um novo Governo. Em que momento o senhor percebeu que o jogo ainda não estava perdido e que era possível virar esta diferença?

Esta é outra grande lição fantástica. O povo do Pará disse o seguinte: eu posso ter votado no senhor no primeiro turno, mas o senhor não é dono do meu voto. E isso é muito bonito. Porque, de certa forma, é um passo importante diante de uma coisa muito velha, onde você tinha um candidato que era dono dos currais e dos votos das pessoas. A sociedade está mudando e é bom que assim o seja. Se tu vais para lá numa atitude que violenta, vá você, mas não pensa que tu levas meu voto. Acho que isso a sociedade disse em alto e bom tom.

O que as urnas da Região Metropolitana demonstraram talvez não tenha sido o mesmo que as urnas da região oeste e sul do Estado. Qual a leitura que o senhor fez deste cenário? E como pretende reverter estes índices?

Este foi mais um tiro no pé do lado de lá de tentar reavivar a questão da divisão. Se prestar atenção, nitidamente, foi isto que ocorreu no primeiro turno. Tentaram reeditar a questão do plebiscito e esta foi uma atitude absolutamente irresponsável a que, de novo, a população respondeu com sabedoria. No Brasil, devem ter de 20 a 30 projetos de divisão de Estado e não apenas no Pará. E se isto é fato, só uma insuficiência ou deficiência de caráter pode levar alguém a querer usar isso para tirar proveito eleitoreiro, porque se isso tem este caráter nacional, certamente, deve ter alguma coisa genuína, legítima, por parte da população. Sempre digo que nos fizeram de cobaia naquele plebiscito. Nada mais razoável que a União fizesse um estudo nacional desta questão federativa e territorial e não colocar a população em confronto, uma coisa fratricida, uma briga entre irmãos.

Mas o senhor acredita que não tem uma legitimidade nestes anseios separatistas?

Tem uma coisa mais séria do que isso. A insuficiência e deficiência do estado nacional para as populações mais carentes é uma marca lamentável que precisa ser superada. Então eu não estou dizendo que não é legítimo, pelo contrário, o que quero dizer é que falta estado brasileiro – e ai falo da União, Estados e Municípios – na baixada de Belém, como falta na periferia de Santarém. Agora, é irresponsável quem tenta dizer que esta falta decorre da população desta região contra esta. Isto é uma doidice, tanto que vejam qual foi a última ideia maluca? Era dizer não, retira o pessoal daqui para que não tenham direito de opinar. É o mesmo que estão querendo criar no país com esta história de pobre contra rico, de Nordeste contra Sul.

O senhor é o primeiro governador que vai para o terceiro mandato. Qual a diferença do Jatene de 2002 para o de 2014?

Eu não perdi meus sonhos, isso certamente é fato. Mas também é fato a compreensão de que é mais difícil realizá-los do que eu tinha imaginado lá atrás. Existe uma coisa real e concreta que é uma clara deficiência de recursos, e quem disser o contrário disso, não leve a sério. Então não tem saída? Tem sim, a história se constrói assim mesmo e aí vem o que eu chamo de mecanismos de elevação das receitas. E quais caminhos temos para isso? O primeiro sempre é melhorar a eficiência da máquina. Já o segundo é lutar por maior compensação por toda contribuição que o Estado, historicamente, deu, dá e continuará dando para o desenvolvimento nacional. Neste segundo ramo, coisas foram feitas e novas serão feitas.

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Quais?

A taxa mineral foi, sem dúvida, a medida mais corajosa e mais moderna que o Estado teve nos últimos anos. Nós estamos estudando, e isso já me deu alguns socos na campanha, mas agora vamos fazer uma sobre o uso dos recursos hídricos dos nossos rios.

Como funcionaria?

Já está formatado, tem um projeto fechado, mas que precisa ser muito bem calçado. Tem dois outros projetos que também são legais e, quando falo em compensação, refiro-me também a questão da implantação dos grandes projetos. Como é feita a implantação do grandes projetos neste Estado? Historicamente, você tem um projeto de engenharia – vamos usar uma hidrelétrica para facilitar o raciocínio – que é feito sem qualquer preocupação social ou ambiental. Mas, isso tem um impacto, então tem que fazer o EIA/Rima, porém, quando vai vestir o EIA/Rima no projeto original, a roupa não cabe porque naquela etapa não havia preocupação, então, a manga fica curta, a perna cumprida, vai ficar parece um queijo suíço. O passo seguinte é fazer a relação de condicionantes, que normalmente tem financiamento garantido, mas é uma grande interrogação, até porque, aqui, você coloca tudo o que falta. Só que é uma coisa tão desesperadora por parte da sociedade, que quando se vê, coloca tudo ali dentro. Brinco que se botarem nome de mãe, eles assinam porque o que eles querem é a licença.

Neste caso, então, qual seria a proposta do Pará?

Nós, historicamente, reclamávamos muito que temos construído poucas alternativas de propostas e confesso que isso tem me consumido um bocado de tempo. A minha ideia é a seguinte: depois que o projeto está pronto, vai pagar tributo para União, para os Estados e para os municípios. Então, porque a gente, em cima dessa estimativa que vai acontecer depois de dois ou três anos do projeto rodando, não cria um Fundo de recebíveis? Este Fundo seria caucionado por estes tributos e o BNDES financiaria um programa de crescimento e desenvolvimento regional.

Mas isto seria uma solução a ser tomada em nível federal. O senhor acredita que teria articulação suficiente para passar um projeto desses em Brasília?

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A eleição mostrou que professor de politico é o eleitor. Se nós conseguirmos mobilizar a população deste Estado em torno disso aqui, eu duvido se todo mundo não iria se virar para dar seu jeito? Só tem vantagem. O dinheiro que vai ser arrecadado lá na frente pela União, não volta para cá, porque cai na vala comum da União. Neste caso não, se ele decorreu do uso do recurso do Estado, então, ele estaria financiando obras no Estado. A mesma coisa com o próprio Estado e com o município que, ao invés, de receber isso atomizado e ter um passivo enorme para correr atrás, poderia ser antecipado antes da implantação do próprio projeto de engenharia. Para as empresas, o ambiente que será criado acaba com esta história de fecha canteiro, abre canteiro.

Como pretende conduzir a relação com o Governo Federal neste segundo mandato?

Eu espero que seja uma relação respeitosa como eu sempre tive com muitos prefeitos, independente de partido. E como eu tenho tido na Assembleia Legislativa. Mas, ainda assim, muita coisa não avançou no Pará, sobretudo, quando a gente fala de projetos importantes para o desenvolvimento do Estado, como o derrocamento do pedral do Lourenço e de outras tantas obras importantes.

Qual seria a solução?

Eu acho que é uma questão da República, do Governo Federal, de não conseguir perceber a Amazônia, especialmente o Pará, com o olhar correto. E esta para mim é a grande questão. Ou nós, enquanto sociedade local, nos organizamos para fazer com que nos vejam de forma diferente ou realmente vamos continuar marcando passo. Até porque se formos esperar de determinadas lideranças políticas, realmente não vai vir.

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Mas quais medidas concretas seriam estas?

Algumas eu já dei como exemplo, como a questão do fundo de recebíveis; a nossa área ambiental vai estar mais estruturada, todos os mecanismos que nós tivermos disponíveis para contribuir para o diálogo, nós vamos usar. Eu não quero criar problema para ela não, mas acabou esta história de descer goela abaixo. A sociedade precisa se apropriar das coisas. Na hora em que a sociedade se der conta de que o cara ficar mandando ofício, é um mise en scène, mas que na verdade, não sobe, não discute, não vai para cima, não articula, não faz valer. Quando começarem a ver isso no Senado, que é a casa da Federação, eu não tenho dúvida de que aí os caras vão pensar duas vezes e vão ter que começar a subir e botar a cara na tribuna para defender os interesses do Estado. E não ficar, simplesmente, nomeia fulano, exonera beltrano. É, por isso que mais do que nunca nós precisamos ter mecanismos para a sociedade estar cada vez mais informada das coisas.

O senhor pretende investir em mecanismos de transparência dentro do próprio Governo?

Claro, porque eu acho que esta coisa do exemplo vai ser fundamental. E, vamos ser francos, isso me ajudou muito nestas eleições. Pense um negócio, eu não sei quantas pessoas teriam sobrevivido há dois anos de pancadaria. Sem dúvida, a história de vida da gente sustentou muito isso, me deu o ânimo de continuar adiante.

O senhor falou desta relação em que o senhor passou dois anos sofrendo ataques do PMDB. E durante o seu mandato, tomou uma medida considerada audaciosa que foi romper com o PMDB, quando muitos falavam que no Pará não era possível governar sem ter ele do lado. Seu governo ficou melhor de administrar sem o PMDB?

A primeira coisa que diziam é de que eram o fiel de balança, que se não tivesse do lado, na Assembleia não aprovaria nenhum projeto. E nós não tivemos um projeto rejeitado. Aprovamos todos. Também falavam que para onde for, ganha a eleição e a população disse não. Eu acho isso uma coisa muito boa. Não acho que seja um problema do partido A, B ou C, tanto que dialogo com vários integrantes do PMDB. Eu tenho muito medo quando se generaliza as coisas, agora, com esta direção, com este apropriar, o partido acabou virando uma extensão da família. Quem foi que o partido elegeu na Câmara Federal? Será que é uma coisa partidária ou é uma coisa familiar? Eu acho que esta foi uma outra lição, a sociedade democrática não existe sem partidos, mas um partido não pode ser propriedade de família. E eu tenho certeza que dentro do PMDB deve ter muita gente que deve ter isso muito mal resolvido.

Qual a análise que o Governo faz desta relação com a Assembleia? O número de deputados declarados como oposição caiu de 17 para 11. Além disso, este ano, houve um percentual de renovação de 56%, o senhor acha que isso pode lhe favorecer de alguma forma?

Eu nunca mandei para Assembleia um projeto que não fosse do interesse do Estado e é claro que isso facilita muito as coisas.

Uma das propostas apresentadas no seu programa de governo foi a implantação de dois centros regionais administrativos. Como vai funcionar? Acredita que isto pode resolver, ou pelo menos apaziguar, o sentimento separatista que ficou após as eleições? E que autonomia terão estes centros?

Este será o nosso grande desafio e é aquilo que estamos queimando pestana. O que tenho defendido claramente é de que a gente tem que profissionalizar cada vez mais a gestão. Os dividendos políticos vêm pelos resultados das ações e não pela participação, pela presença. Esta é uma coisa que deve ser perseguida e foi outra lição boa que tiramos desta eleição

Mas como pretende operacionalizar?

Devemos começar com dois centros, que deve ser Marabá e Santarém. Mas vão ser mais, porque eu acho que temos diferenças regionais importantes. Além disso, a gente deve mexer um pouco na própria estrutura mais global do Estado.

O senhor pretende enxugar as secretarias?

Sim, eu pretendo fazer isso até o final do ano. Eu quero ver o que dá para fazer agora para começar já tendo, ainda que algumas coisas não estejam formalmente aprovadas, mas já caminhando nesta direção da profissionalização.

Pretende fazer mudanças no secretariado?

Certamente.

Onde e qual o tom que pretende dar nesta reforma do secretariado?

Eu acho que, sobretudo, profissionalizar mais e deixar que a questão do resultado político venha como dividendo das ações realizadas. E vou dar como exemplo disso a questão da direção das escolas, que agora é feita por eleição direta. Nestes dois meses que faltam queria ver se a gente tira um programa intenso de capacitação de servidor, de avaliação, para as pessoas entenderam um pouco mais sobre que é esta história do Estado.

Governador, quais pontos o senhor acha que mais avançou e que menos avançou nestes seus quase quatro anos de gestão?

Avançamos muito na expansão dos serviços de saúde. Posso te dar exemplos, saímos de 200 mil casos de malária por ano, para oito mil. Me criei no interior, e sei o sofrimento que causa esta doença, então para mim foi muito importante. Hoje também estamos fazendo transplante renal em Redenção, oncologia em Santarém, e por isso acho que essa foi uma área em que avançamos muito. No caso da segurança, equipamos esta área e muito, os policiais por exemplo, não podiam ficar dentro dos carros, que não eram refrigerados, hoje todos são refrigerados.

Os policiais tinham uma queixa permanente com relação ao rancho, diziam que não chegava, e criamos o auxílio alimentação. Resolvemos também o auxílio fardamento, avançamos com a lei do risco de vida, e atualizamos o limite de contingente. Avançamos na área de infraestrutura, com estradas. Na questão mais geral, no caso dos servidores, sempre demos aumento, acima da inflação ao longo de todo o mandato, mas na organização, não avançamos. Não avançamos na educação como eu gostaria, por isso estamos trabalhando mais fortemente no Pacto pela Educação. Só que entre a elaboração e assinatura levamos mais tempo do que eu esperava ser necessário. Assinamos somente final do ano passado.

No caso da educação, o que o senhor pretende fazer para melhorar, já que foi algo que, na sua avaliação, ficou a desejar?

A partir do Pacto (pela Educação). Este é um projeto belíssimo, que as pessoas não sabem bem o que é isso. Sempre que se discute educação, comumente se resume a duas coisas: reforma de escola e salário de professor. Na questão salarial avançamos, e estamos entre os sete melhores do Brasil, embora tenha sido necessário um enorme esforço no orçamento. Fomos para a reforma da escola, e agora podemos entrar em outras áreas, como a formação continuada. Também avançamos no sistema de avaliação, que hoje é diferenciado. O Ideb avalia de dois em dois ano, e o nosso será anual, com corte mais curto, para dar tempo de mudar o que não vir dando certo. Queremos avaliar alunos e professor, não para penalizar ou crucificar, mas porque preciso saber onde devo reforçar. Também vamos buscar a introdução de novas tecnologias, como o Faceduque. Os alunos poderão tirar dúvidas com os professores através da rede social. A ferramenta é a cara deles.

O País tem passado por um momento de fragilidade em termos econômicos, e o cenário que se apresenta não é algo muito otimista, afinal, tivemos vários reajustes de gasolina, e, sobretudo, de energia elétrica. Que tipo de medidas o senhor acha que devem ser tomadas para acalmar o mercado e os brasileiros?

Vamos ter um ano muito duro no Brasil. Por isso me preocupa como terminou a eleição nacional. Nós já estamos tendo problemas com transferências. Elas têm sempre diminuído, e temos sinais de queda pela frente. Não sabemos qual a extensão do que o governo federal vai fazer. Como a Federação é muito frágil, os Estados ficam a mercê da política econômica nacional. Os impactos sobre os Estados podem ser amenizados por políticas estaduais. Como no Brasil isso é muito ruim e a Federação muito frágil, temos dificuldade. Tivemos um dos maiores crescimento do País, sobretudo no emprego, mas é uma onde que vem chegando, e acho que será um ano de aperto. Mexeram no Fundo Soberano.

Em 2008, em virtude da crise, a então governadora Ana Júlia teve que adotar medidas de contenção para cortar os gastos do governo. É esse o atual cenário? Já acendeu a luz vermelha nas contas do governo por essas constantes reduções nos fundos de transferências?

Se pelo menos as transferências foram cumpridas, fechamos. Senão, vamos ter que adotar algumas medidas.

Durante a campanha o senhor foi acusado de pulverizar a sua preferência pelos candidatos ao Senado. De ter dividido em vários para não negar apoio. Como está a sua relação com os candidatos apoiados pelo senhor?

oIsso é um desvio na legislação brasileira, pois ela permite o candidato avulso ao Senado. Qualquer partido poderia lançar e com as mesmas consequências com relação a tempo e outras coisas. Agora, enfrentamos uma disputa desigual, e por isso era importante ter tempo para mostrar o trabalho. Porque se cresceu no segundo turno? Não foi apenas as alianças que foram para o outro lado. É que no segundo turno não há como se esconder.

O senhor acha que os debates lhe favoreceram?

Os debates tiveram uma importância grande. Os dois, mas, sobretudo, o último, fez a diferença, pois ficou claro o que se apresentou. A agenda mínima foi muito batida, e vamos chegar muito perto de cumpri-la. Tínhamos uma previsão de investir R$ 4,5 bilhões, e mesmo com todas as confusões, chegaremos muito próximo disso. Agora, tivemos que fazer fortes mudanças internamente, como por exemplo, não havia previsão de implantar dois hospitais em Belém. Se não tivéssemos implantado, tinha explodido a saúde. Implantamos o Hospital Jean Bitar, que teve como sentido dar suporte ao Hospital Ophyr Loyola, e o Hospital Galileu, que passou a auxiliar o Metropolitano. Houve uma crescente no volume de acidentes envolvendo traumatologia. Havia uma fila de quase 700 pessoas com pinos, e que precisam ser retirados no tempo certo, e que se não for feito, pode acarretar problemas gravíssimos.

O Metropolitano estava sem tempo para tirar o pinos, dado o aumento no número de casos. Agora essas pessoas estão indo para o Galileu. Se não for analisado isso, vão dizer que não cumpri a agenda mínima. Mas este é um dentre vários outros exemplos, como o caso do Abelardo Santos, que ia apenas passar por uma reforma. O mesmo aconteceu com o terminal hidroviário, que tinha um planejamento, mas que foi adotado outro, muito mais adequado. Temos que aplicar uma dose de planejamento, que é muito importante, e uma dose de criatividade, senão fica impossível avançar. E acho que a população entendeu isso.

Fonte: ORMNews.

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Novo estudo do INPE analisa o futuro climático da Amazônia

Pela primeira vez, um mesmo relatório reúne e analisa informações de aproximadamente duzentos dos principais estudos e artigos científicos sobre o papel da floresta amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para áreas produtivas, vizinhas e distantes da Amazônia.

Lançado nesta quinta-feira (30/10) na cidade de São Paulo, o relatório intitulado “O Futuro Climático da Amazônia” conclui que a redução do desmatamento não basta para garantir as funções climáticas do bioma.

“Além de manter a floresta amazônica a qualquer custo é preciso confrontar o passivo do desmatamento acumulado e começar um amplo processo de recuperação do que foi destruído, que somente no Brasil equivale a uma área de 184 milhões de campos de futebol”, defende o pesquisador Antonio Donato Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo relatório.

A análise revela o potencial climático da floresta pristina, chamada pelos cientistas de “oceano verde”, e os impactos de sua destruição com o desmatamento e o fogo. Aponta ainda as ações para conter os efeitos no clima provocados pela ação humana sobre a maior floresta tropical do mundo.

“O trabalho inova ao revelar os segredos que fazem da Amazônia um sistema único no planeta, com funções que começam a ser compreendidas pelos cientistas. O primeiro deles é que a floresta mantém úmido o ar em movimento, o que leva chuvas para as regiões interiores do continente, distantes milhares de quilômetros do oceano”, informa Nobre.

A Amazônia, explica o pesquisador, tem outra peculiaridade. Ela ajuda a formar chuvas em ar limpo. É que as árvores emitem aromas a partir das quais se formam sementes de condensação do vapor d’água, cuja eficiência na nucleação de nuvens resulta em chuvas fartas e benignas. Além de manter o ar úmido sobre si mesma, a floresta amazônica exporta essa umidade por meio de rios aéreos de vapor, os chamados “rios voadores”, que irrigam o Sudeste, Centro-oeste e Sul do Brasil e áreas como o Pantanal e o Chaco, além da Bolívia, Paraguai e Argentina. “Sem os serviços da floresta, essas produtivas regiões poderiam ter um clima inóspito, tendendo a desértico”, diz o autor.

Segundo Nobre, essa competência de regular o clima se dá principalmente pela capacidade inata das árvores de transferir grandes volumes de água do solo para a atmosfera através da transpiração. São 20 bilhões de toneladas de água transpiradas ao dia, o equivalente a 20 trilhões de litros. Para se ter uma ideia, o volume despejado no oceano Atlântico pelo rio Amazonas é de pouco mais de 17 bilhões de toneladas diariamente. “As árvores funcionam como gêisers de madeira, jorrando esse volume absurdo de água vaporosa na atmosfera”.

Nobre explica que a ideia de avaliar diversos estudos e condensar suas conclusões em um único relatório foi motivada por um pedido da Articulación Regional Amazónica (ARA), uma iniciativa não governamental que reúne organizações dos países amazônicos para discutir e combater o desmatamento.

Danos e mitigação

Uma nova teoria física descrita no relatório sustenta que a transpiração abundante das árvores, casada com uma condensação fortíssima na formação das nuvens e chuvas – condensação essa maior que aquela nos oceanos contíguos –, leva a um rebaixamento da pressão atmosférica sobre a floresta, que suga o ar úmido sobre o oceano para dentro do continente, mantendo as chuvas em quaisquer circunstâncias.

Para Nobre, todos esses efeitos favorecedores, em conjunto, fazem da floresta a melhor e mais valiosa parceira de todas as atividades humanas que requerem chuva na medida certa, um clima ameno e proteção de eventos extremos. “Mas o desmatamento pode colocar todos esses atributos da floresta em risco. Reconhecidos modelos climáticos anteciparam variados efeitos danosos do desmatamento sobre o clima, previsões que vêm sendo confirmadas por observações. Entre elas estão a redução drástica da transpiração, a modificação na dinâmica de nuvens e chuvas e o prolongamento da estação seca nas zonas desmatadas. Outros efeitos não previstos, como o dano por fumaça e fuligem à dinâmica de chuvas, mesmo sobre áreas de floresta pristina, também estão sendo observados”, diz o autor do relatório.

Nobre ressalta que estudos sugerem que a floresta, na sua condição original, resistiu por dezenas de milhões de anos e tem grande resistência a cataclismos climáticos. “Mas quando é abatida ou debilitada por motosserras, tratores e fogo sua imunidade é quebrada”. Em seus cálculos, Nobre afirma que a ocupação da Amazônia já destruiu no mínimo 42 bilhões de arvores, ou seja, mais de 2.000 arvores por minuto –ininterruptamente – nos últimos 40 anos. “O dano de tal devastação já se faz sentir no clima próximo e distante da Amazônia, e os prognósticos indicam agravamento do quadro se o desmatamento continuar e a floresta não for restaurada”.

Entre as medidas mitigadoras, o relatório propõe “universalizar o acesso às descobertas científicas que podem reduzir a pressão da principal causa do desmatamento: a ignorância”.

Para José Marengo, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e colaborador do INPE em projetos na área de mudanças climáticas, a floresta Amazônica certamente tem um papel importante na regulação no clima regional e global e também nos transportes de umidade para grandes regiões da América do Sul. “Este relatório apresenta e avalia muito bem as pressões sobre a região, e as possíveis consequências do desmatamento nos sistema naturais e humanos. Apresenta também uma visão clara sobre as vulnerabilidades do bioma Amazônia no presente e no futuro, e discute as medidas que devem ser implementadas para estancar a degradação da floresta”, diz Marengo.

Jean Ometto, coordenador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE, ressalta que a relação entre o homem e bens naturais deve resgatar sinergias positivas, que pautaram diversos momentos, e civilizações, ao longo da evolução da presença humana no planeta. “Os efeitos de ações unilaterais, de interesses vis, ou efêmeros, são danosos e têm reflexos muito além das fronteiras destas ações, como mostrado nesse relatório, que faz um alerta sério sobre a importância de olhar, pensar e agir no planeta de forma integrada”, fala Ometto.

Fonte: INPE

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Ibama flagra grupo criminoso extraindo madeira de terra indígena em Mato Grosso

Durante o mês de outubro, o Ibama realizou várias ações de fiscalização ambiental nas terras indígenas de Mato Grosso. Em uma operação realizada na Terra Indígena Apiaká-Kayabi, localizada no município de Juara (distante 690 km de Cuiabá), com o apoio da Polícia Militar Ambiental do Estado de Mato Grosso, foi flagrada extração ilegal de madeira.

O esquema criminoso se valia de estrutura invejável para furtar a madeira da União. Foram apreendidos cinco caminhões bitrem, uma pá carregadeira, dois tratores de pneus, um trator de esteira, duas caminhonetes e duas motocicletas.

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Os infratores dispunham, nos caminhões e nos tratores, de rádios instalados para comunicação entre os membros da quadrilha alertando para a presença do Ibama. Somente foi possível o flagrante devido à movimentação da equipe de fiscais pela madrugada e por estrada de acesso pelos fundos da área. “Quando a quadrilha foi alertada, as viaturas já estavam no interior da terra Indígena”, informa o chefe da fiscalização em Juína, Edilson Fagundes. “Com base em dados do Núcleo de Inteligência, nossa equipe fez campana e atacou no momento exato”, completou.

No local, ainda foram apreendidos 1.351 m3 de madeira em toras, cinco motosserras, duas armas longas e munição de vários calibres. Quatro pessoas foram detidas no local. Todos os equipamentos foram apreendidos e encaminhados ao pátio do Ibama em Juína. Além das apreensões, já foram lavradas oito autuações ao proprietário da área vizinha à terra indígena e aos proprietários dos maquinários. As multas somadas ultrapassam R$ 2 milhões.

As investigações continuam para verificar-se o grau de envolvimento de empresários do ramo madeireiro em Juara e no interior de São Paulo. Não há indícios de participação de indígenas no esquema uma vez que a extração era realizada numa extremidade desabitada da terra indígena.

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“Os responsáveis pelo crime terão contra si, além das multas, a mão pesada da Justiça Federal”, disse o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Marcus Keynes. “Atualmente, o Ibama dispõe de uma equipe de agentes altamente treinados somente para tratar de casos de crimes ambientais em terras da União (assentamentos do Incra, unidades de conservação e terras indígenas)”, concluiu.

Terra Indígena Cinta Larga

Em outra operação do Ibama, também com o apoio da Polícia Militar Ambiental do Estado de Mato Grosso, realizada na Terra Indígena Aripuanã, da etnia Cinta Larga, foi flagrada extração de madeira ilegal. Foram apreendidos um trator florestal Skyder de pneus, uma pá carregadeira e uma motocicleta. Os infratores se evadiram quando perceberam a presença da fiscalização.

Ibama flagra grupo criminoso extraindo madeira de terra indígena em Mato Grosso

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A exploração de madeira era realizada rapidamente, não havia estoque de madeira na mata. Somente os tocos foram encontrados junto às trilhas de arraste. Percebeu-se que era dada prioridade para as árvores maiores e de espécies valorizadas pelo mercado.

A retirada de madeira da terra indígena Aripuanã, na região conhecida como Pavorosa, no município de Aripuanã (distante 976 km de Cuiabá), já havia sido constatada no ano de 2013. O Ibama tentou, naquele ano, rastrear a madeira para identificar as empresas envolvidas no esquentamento de madeira da terra indígena, entretanto os equipamentos (câmeras e rastreadores) foram localizados e destruídos pelo grupo criminoso e os agentes foram cercados e ameaçados pelos índios quando estavam saindo da área.

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“Infelizmente, há participação de alguns indígenas na destruição da floresta, como foi mostrado em reportagem de junho do ano passado. Desta vez, nossos agentes foram para tomar medidas drásticas e cessar o dano”, argumentou o superintendente Marcus keynes. “Temendo novo confronto com indígenas e considerando que os responsáveis se evadiram do local, nossa equipe tomou a decisão mais apropriada, prevista em lei, que foi a destruição dos equipamentos”, completou.

Ascom/Ibama/MT
Fotos: Ibama/MT

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Mulheres são responsáveis por 37,3% dos lares brasileiros

Quando os cônjuges vivem juntos com os filhos, as mulheres são consideradas responsáveis em 22,7% das residências, segundo a pesquisa do IBGE. Foto: Arquivo/Agência Brasil

As mulheres eram as principais responsáveis por 37,3% dos lares brasileiros em 2010 informou hoje (31) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010. A proporção cresce para 39,3% quando considerados os domicílios das áreas urbanas ante 24,8% nos das rurais.

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A pesquisa mostra que, quando os cônjuges vivem juntos com os filhos, as mulheres são consideradas responsáveis em 22,7% das residências. Quando apenas um dos pais vive com os dependentes, as mulheres passam a responder por 87,4% dos lares. O IBGE informa que a identificação do responsável parte do entrevistado: este aponta quem é reconhecido como tal pelos demais membros da família.

Quando considerada a cor ou raça do responsável pela família, as mulheres brancas têm uma taxa menor que as pretas e pardas: estas últimas são integradas pelo IBGE em um único indicador como negras. Enquanto o primeiro grupo responde por 35,6% dos lares em que brancos são chefes de família, ficando abaixo da média nacional, o segundo grupo comanda 38,7% das residências em que pretos e pardos chefiam.

A participação das mulheres como responsáveis supera a média nacional quando analisados os domicílios com menor renda. Quando o ganho per capita é de até meio salário mínimo (R$ 362), a proporção de mulheres chefiando sobe para 40,8% e chega a 46,4% nas áreas urbanas. Já quando a renda é de mais de dois salários por pessoa da família (R$ 1.448), a taxa cai para 32,7%, cinco pontos percentuais abaixo da média geral (37,3%).

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Sem levar em consideração o chefe da família, o IBGE mostra que a participação das mulheres em 2010 era de 40,9% da renda dos lares, enquanto a contribuição dos homens estava em 59,1%. Apesar de chefiarem menos famílias nas áreas rurais, as mulheres têm maior contribuição na renda dessas residências, com 42,4%, contra 40,7% das famílias que moram nas áreas urbanas.

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As mulheres nordestinas são as que mais participam da renda familiar, com 46,8%. Os lares rurais do Nordeste são os únicos em que a participação delas supera a dos homens, com 51%. Em grande parte das cidades dessa região, além de Tocantins, Minas Gerais e Amazonas, as mulheres respondem por mais da metade da renda familiar, enquanto em São Paulo, sul e oeste de Minas, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a participação feminina é menor. Os domicílios rurais do Centro-Oeste são os que registram menor participação feminina na renda, de 26,8%.

Ainda segundo a pesquisa, as mulheres pretas e pardas têm maior participação na renda de suas famílias que as brancas, com uma proporção de 42% contra 39,7%.

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Por Vinícius Lisboa, da Agência Brasil